quinta-feira, 11 de maio de 2017

Guiné 61/74 - P17347: Inquérito 'on line' (112): Fátima: num total preliminar de 20 respostas, cerca de 2/3 foi lá "como simples turista ou em passeio"... Prazo de resposta: dia 17, 4ª feira, até às 16h53


Guiné > Região de Tombali > Guileje > CART 1613 (1967/68) > A capelinha construída no tempo do nosso saudoso Zé Neto (1929-2007)... Havia três imagens da N. Sra. de Fátima, de diversos tamanhos... Reduzida a escombros, a capela foi reconstruída pela AD - Acção para o Desenvolvimento, com sede em Bissau, sob a liderança de outro nosso grande e saudoso amigo, o Pepito  (19949-2014). O Zé Neto já não viveu o suficiente para assistir à reconstrução da "sua" capela. Mas foi lá a sua viúva, a Júlia Neto. (*)

Foto: © Zé Neto / AD - Acção para o Desenvolvimento. (2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Guileje > Nucleo Museológico Memória de Guiledje > 2010 > A imagem de Nossa Senhora de Fátima, acabada de sair da embalagem que a protegeu durante a longa viagem Portugal-Guiné-Bissau. Imagem doada por António Camilo (Lagoa) e Luís Branquinho Crespo (Leiria / Coimbra).


Foto: © António Camilo (2010). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



I. INQUÉRITO 'ON LINE': 

"FUI COMBATENTE, NUNCA FUI A FÁTIMA"... 


(ADMITE-SE MAIS DO QUE UMA RESPOSTA)



As 20 primeiras respostas (até ao princío da noite  de hoje):

1. Fui lá ainda em miúdo ou ainda antes de ir para a tropa 
8 (40%)

2. Fui lá,.como militar, antes de ir para o ultramar 
0 (0%)

3. Fui lá logo depois de vir do ultramar 
1 (5%)

4. Só fui lá muitos anos depois (de vir do ultramar) 
5 (25%)

5. Fui lá como verdadeiro peregrino ou crente 
2 (10%)

6. Fui lá como simples turista ou em passeio 
13 (65%)


7. Nunca fui a Fátima mas ainda gostaria de lá poder ir  
0 (0%)

8. Nunca fui a Fátima nem tenho especial interesse em lá ir 
0 (0%)


Prazo de resposta: até dia 17 de maio, 4ª feira, às 16h53. (**)


II. É difícil encontrar um português que não tenha ido a Fátima, pelo menos uma vez na vida. 

O fenómeno de Fátima é mais velho do que todos nós: vai fazer 100 anos este ano. Inevitavelmente, estão a surgir diversos livros, documentários, filmes (***)  e outros eventos, celebrando a efeméride. E o papa Francisco vai estar amanhã  entre nós.

Fátima também esteve presente na vida (espiritual) de alguns de nós, que fomos mobilizados e combatemos na guerra do ultramar / guerra colonial.  Na Guiné, ergueram-se capelas, nos nossos aquartelamentos, sob a invocação de N. Sra. Fátima. Guileje foi um exemplo. Mas não sabemos qual foi a extensão do culto mariano em tempo de guerra. Em peregrinação ou não, alguns de nós fomos entretanto a Fátima nessa altura ou então mais tarde. 

Seria interessante que quem foi combatente (na Guiné ou nos outros teatros de operações) pudesse responder a este questionário até 4ª feira: pode-se dar mais do que uma resposta: 

(i) se alguma vez foste ou não a Fátima; 
e (ii)  e no caso de teres ido, se foste como peregrino ou crente,  ou como simples turista. 

Se nunca foste a Fátima, podes optar por uma de duas respostas: 
(iii) nunca fui a Fátima  mas  ainda gostaria de lá poder ir; 
ou (iv)  nunca fui a Fátima  nem tenho especial interesse em lá ir. 

Seria bom atingirmos as 100 respostas.

_______________

Notas do editor:

(*)  Vd. poste de 29 de janeiro de  2010 > Guiné 63/74 - P5726: Núcleo Museológico Memória de Guiledje (10): A inauguração da capela, em 20 de Janeiro, na presença do embaixador de Portugal (Pepito)
(**) Último poste da série > 10 de maio de 2017 > Guiné 61/74 - P17343: Inquérito 'on line' (111): num total de 34 respondentes, participantes dos nossos últimos oito encontros anuais (total 1282), mais de dois terços estão globalmente satisfeitos com o local (Monte Real) e o hotel (Palace Hotel de Monte Real) escolhidos

(***) Vd. poste de 11 de maio de 2017 > Guiné 61/74 - P17344: Manuscrito(s) (Luís Graça) (118): "Fátima", do realizador João Canijo (Portugal / França, 153', cor, 2017)... Sangue, suor e lágrimas... ou onze mulheres à beira de um ataque de nervos... De Vinhais a Fátima, 430 km, 9 dias... E também aqui ninguém quer ficar para trás... Um filme sobre a caixa de Pandora feminina... A não perder.

7 comentários:

alma disse...

Levei uma imagem de nossa Senhora, dada pela minha Mãe. E embora tenha perdido quase tudo, a imagem voltou comigo. Fui a Fátima pouco depois do regresso. Lá encontrei muitos militares também regressados. Abraço J.Cabral

alma disse...

Não sou hoje católico, mas frequento igrejas, sinagogas,mesquitas e outros templos.A relação entre os Homens e as Religiões, é um dos temas que mais me apaixona. Abraço J.Cabral

Tabanca Grande disse...

Jorge: obrigado pelo teu franco e espontâneo comentário....

Também tenho ideia de que, na época, o santuário de Fátima era muito frequentado pelos ex-militares, regressados de África e suas famílias. Ia-se lá com fé, não em simnples passeio. Ou mesmo miliares, antes de embarcaremm oara a guerra,,,

Simplesmente esses "peregrinos" não estão reprsentados na nossa Tabana Grande. Ou estão mal reoresentados. É uma intuição minha...Mão tenho números, era preciso revere os testemunhos da época (rádio, televisão, jornais...).

Claro que hoje há muito mais mobilidade do que no passado. E a "+romessa" de ir a Fátima, um dia, pode ter sido cumprida muito mais tarde, muitos anos depois...

Por outro lado, já se passou meio século, e a memória atraiçoa-nos.

Tabanca Grande disse...

Fazendo agora um "esforço de memória", sei que se rezava o terço, todas as noites, em minha casa enquanto eu estive na Guiné... A minha mãe, o meu pai, as minhas 3 irmãs...

Manifesto aqui a minha imensa gratidão por esse gesto da minha família. E julgo que era uma prática corrente em muitas das nossas famílias portuguesas, sobretudo na província. O país mudou muito desde então.

José Teixeira disse...

Poucos dias depois de chegar à Guiné; escrevi:

Prometi a minha mãe não me esquecer de Deus, mas confesso, que Ele se escapuliu, logo nos primeiros abalos do mar alto que me fizeram vomitar tudo quanto tinha e não tinha no estômago em alta sinfonia com centenas de camaradas alojados no porão do Niassa.
Singular fenómeno de religiosidade fui encontrar em Ingoré. Aí que tive o primeiro re-encontro com Deus, após a saída de Portugal.
Logo no segundo dia da chegada, depois do jantar e acabada a limpeza do refeitório, este enche-se de novo, agora sem pratos nem comida para o corpo. Seguia-se o momento de alimentar a alma. O grupo foi engrossando. Um estranho silêncio ou conversas em tom abaixo do normal, provocaram-me para ir averiguar o que se passava, com aquele grupo de camaradas de tez queimada por uns meses largos de sol na Guiné.
Um jovem soldado, lá na frente, começa a “votar” o terço em honra de Nossa Senhora, respondendo em coro o grupo de combatentes, onde se viam praças e um ou dois furriéis.
Foram vinte minutos de paragem, de reflexão, sobre o que me era exigido como seguidor do projeto de Jesus Cristo numa guerra para onde fui atirado, contra a vontade, pelos “senhores” do meu país.
Rezar, para mim, é mais um permanente estado de louvor a Deus pela vida, pela natureza que me disponibilizou para a minha felicidade. Co-responsabilizando-me com actos e acções de defesa de mim próprio no ambiente de guerra em que estou inserido, no respeito e serviço aos outros que me rodeiam pela missão que me foi atribuída - enfermeiro.
A oração não é para mim uma forma de negociar com Deus, com promessas a cumprir se... chegar ao fim da comissão escorreito, ou um pedir permanente a proteção, vendo Deus como que um guarda chuva protetor, esquecendo que esse mesmo Deus também o é de tantos, quantos do outro lado da barricada nos atacam ou se defendem.
Os povos que ousam fazer-nos frente, possivelmente também tem a “sua Fé”, os seus santos a quem se agarrar nos momentos difíceis, os amuletos que lhes vemos á cintura são a prova evidente. Também tem avós, pais esposas, namoradas. Algumas, na frente de guerra, combatem lado a lado, outras, na retaguarda, sofrem como as nossas mães, os nossos familiares.

Nota: Sobre o fenómeno de Fátima, onde gosto de ir no silêncio, já escrevi o poste nº1873 um pouco baseado neste, que já estava escrito há muito tempo.
Creio que esta reflexão continua atual, pois muitas vezes deusifica-se a Virgem Maria e tenta-se "negociar" com ela a salvação na vida terrena com promessas de sacrifícios. Ouso colocar a questão: Quem é a mãe/pai que gosta de ver um filho a sofrer, mesmo que seja por "amor"

antonio graça de abreu disse...

A pedido da minha mulher chinesa, que é meio budista, fui ontem com ela a Fátima. E vi o papa Francisco e ela rezou. Impressionantes os mil mistérios da fé.
Não acredito muito na existência de Deus,ou dos deuses, mas ontem Fátima estava envolvida pela energias supremas do Céu e da Terra.

Abraço.

Hélder Valério disse...

Caros amigos

Sobre o inquérito comentei em post mais acima.
E sobre as "peregrinações", também.

Aqui quero deixar um pequeno testemunho sobre "amuletos".
Disse que não queria "negociar" com o divino e por isso não pedi nem prometi nada.
Seria e/ou aconteceria o que tivesse que ser.
Mas isso não era coisa que ficasse assim para a minha mãe.
Pessoa de Fé não ia 'abandonar' o seu filho.
Para além de outras coisas produziu algo que ainda hoje não bisbilhotei.
Escreveu uma prece, uma oração, um pedido, qualquer coisa, num papel que foi dobrado até ficar do tamanho de um selo, costurado de modo a não poder ser aberto sem ser de propósito e deu-me para me acompanhar na Guiné.
Um tanto contrariado mas acedi (mãe é mãe!) e guardei de modo que ainda hoje não abri e portanto não sei de que se trata.
Mesmo agora, que já faleceu há cerca de 4 anos e meio, tenho deixado tal 'amuleto' em seu sossego e, sinceramente, acho que assim irá continuar.

Hélder Sousa