Em 08Jun68 é elaborada a Directiva n° 1/68 com vista à remodelação do dispositivo na região do Boé.
Determina a transferência do aquartelamento de Madina do Boé para local mais adequado, na região do Ché Che.
Ordena a recolha imediata a Madina do Boé do Destacamento de Béli, devendo ser destruídas as instalações e material que não fosse recuperável.
No ponto nº 3 refere:
"O CTIG e o CZACVG procederão imediatamente a um reconhecimento da região do Ché Che, em ordem a escolher o local Do novo aquartelamento; deverá satisfazer às seguintes condições:
- Situar-se em "área-chave" da região de Ché Che, que permita o lançamento de acções dinâmicas na região do Boé e na margem norte do rio Corubal, e, se possível, que dê garantias de segurança à passagem deste rio no Ché Che (jangada);
- ter uma boa pista de aterragem para aviões "Dakota";
- oferecer boas condições de defesa do aquartelamento, que deve ser planeada com vistas a transformar-se numa grande base operacional. "
CECA (2015), pag. 175
(...) Operação "Mabecos Bravios" - 02 a 07Fev69
Forças da CCaç 1790, CArt 2338 (-), CCaç 2383, 2403, 2405 e 2436, CArt 2440, 1 GComb/CCaç 5, Pel Mil 161, Pel AMetr "Daimler" 1258 (...), Pel Sap do BCaç 2835, com APAR (apoio aéreo), efectuaram uma escolta no itinerário Nova Lamego - Madina do Boé - Nova Lamego, L3.
Accionada min a A/C no cruzamento de Beli, sem consequências; detectadas e destruídas 2 minas A/C entre Ché Che e Canjadude. Durante a operação,
Madina foi flagelada 4 vezes sem consequências. No regresso, na ravessia do rio Corubal, um acidente com a jangada que transportava forças de segurança da retaguarda provocou a morte de 47 militares das NT (2 sargentos, 43 praças e 2 Milícias).
CECA (2015), pág. 353
(...) Em 19fev69, através de Directiva n.o 16/69, foi entregue ao CDMG e ao CZAGCV a realização da Operação no rio Corubal:
"1. Confirmando a ordem verbal dada em reunião de Comandos, determino a realização de uma operação no rio Corubal, com o fimde recuperar os corpos dos militares mortos no trágico acidente de 6fev69, que se encontram à superfície das águas.
2. A operação deve realizar-se na base do helitransporte de uma vaga de "Fuzileiros Especiais", fortemente apoiada por meios aéreos.
3. Os corpos devem ser agrupados e enterrados no local, devendo as campas ser assinaladas com cruzes de ferro.
4. Desejo ser helitransportado ao local, conjuntamente com um capelão para assistir à cerimónia fúnebre, e colocar nas campas e lançar ao rio coroas de flores com a legenda "A Pátria agradecida". [...]". (***)
CECA (2015), pag. 317
Fonte: Excertos de: CECA - Comissão para Estudo das Campanhas de África: Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974) : 6.º Volume - Aspectos da Actividade Operacional: Tomo II - Guiné - Livro I (1.ª edição, Lisboa, Estado Maior do Exército, 2014), pp. 175, 317, 353.
2. Falta-nos, entretanto, o testemunho do ex-alf mil José Luís Dumas Dinis, da CCAÇ 2338, então comandante da força que guarnecia o destacamento de Cheche.
Recorde-se aqui um excerto do testemunho do então cap inf José Aparício, hoje cor inf ref, na altura cmdt da infortunada CCAÇ 1790, que sofreu o maior número de vítimas:
(... ) Chegados à margem direita, ao proceder-se à contagem constatou-se a falta de 47 militares das duas Companhias.
O Comandante da Operação [,cor inf Hélio Felgas,] não permitiu que as duas Companhias [, CCAÇ 1790 e CCAÇ 2405, ] permanecessem no Ché Che para tentarem recuperar o maior número de corpos possíveis, seguindo por isso logo para Nova Lamego.
O acidente em causa deu origem de imediato a um Auto de Corpo de Delito, e a longas e complexas averiguações, incluindo todos os aspectos da operação, que em 1970 terminaram em julgamento em Lisboa no 3.° Tribunal Militar Territorial, que durou várias sessões e que terminou com a absolvição do único réu, o alferes miliciano comandante do Destacamento estacionado no Ché Che [ertencente à CART 2338, Fá Mandinga, Nova Lamego, Canjadude, Buruntuma, Pirada, 1968/69] ". (...) (****)
Ainda continua por realizar o prometido encontro, há anos, do nosso editor Luís Graça com o ex-alf mil José Luís Dumas Diniz (da CART 2338), responsável pela segurança da jangada que fazia a travessia do rio Corubal, em Cheche, aquando da retirada de Madina do Boé.
Uma peça fundamental para eventual encontro será ou seria o ex-alf mil trms, Fernando Calado, da CCS/BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70), membro da nossa Tabanca Grande, e meu contemporâneo da Guiné (estivemos juntos, em Bambadinca, entre julho de 1969 e maio de 1970), e amigo do Dumas Diniz.
Foi o Fernando Calado que me pôs em contacto com o José Luís Dumas Diniz, que vivia a maior parte do tempo em Coruche. Infelizmente o Fernando morreu o ano passado, em 24 de junho.
Guiné > Região de Gabu > Carta de Jábia (1961) > Escala 1/50 mil > Posição relativa de Ché Ché, na margem esquerda do Rio Corubal.
Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2025)
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Notas do editor LG:


