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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28239: Fauna e flora (33): Um raio de esperança: afinal, há elefantes no Parque Nacional do Cantanhez, no corredor ecológico transfronteiriço de Balana!



Foto nº 1 



Foto nº 2 >

Guiné- Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional de Cantanhez > Dois elefantes fotografados por uma câmara trap (fotoarmadilhagem), no corredor de Balana, por volta das 15h00 do dia 23 de fevereiro de 2026, portanto em plena época seca. Sãos indivíduos da espécie Loxodonta cyclotis. O elefante-da-floresta é uma espécie distinta do elefante-da-savana (Loxodonta africana): (i) é mais pequeno ( geralmente até 2,5 metros de altura no dorso); (ii) as presas (defesas ou dentes) são retas, viradas para baixo e mais estreitas, amareladas ou escuras (facilitando a deslocação na vegetação sem encaracolar ou prender em ramos); (iii) o seu habitat são as florestas tropicais densas); (iv) há também outras diferenças anatómicas (orelhas, dedos/unhas, mandíbula / crânio).


1.  Postagem do Facebook do  IBAP - Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas

9 de maio de 2026 >

Hoje só boas notícias,  desta vez no Parque Nacional de Cantanhez!.

A natureza celebra connosco: mais registos positivos da fauna e sinais claros de que a biodiversidade continua viva e forte.

Dois elefantes registados no Parque Nacional de Cantanhez! 

Uma câmera trap, instalada no corredor ecológico de Balana, captou recentemente dois elefantes no Parque Nacional de Cantanhez (PNC). 

As imagens mostram um dos indivíduos com um dente partido.

O registo, feito durante ações de monitorização da fauna, confirma a presença contínua desta espécie emblemática na região e representa um sinal positivo para a conservação da biodiversidade na Guiné-Bissau.
 
O corredor de Balana mantém-se essencial para a circulação da fauna selvagem, mesmo sob pressão da desflorestação e das atividades humanas. As câmeras trap continuam a ser uma ferramenta importante para o estudo e proteção dos animais no seu habitat natural. 

A direção do Parque reforça o compromisso de proteger a vida selvagem e promover a convivência entre comunidades e natureza.

Por: Américo Sanha, Adjunto conservador do PNC
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2. Nota do editor LG:

É, de facto, um grande notícia para os guineenses que amam a sua terra e para as extraordinárias equipas (jovens, competentes, motivadas) do IBAP e do PNC. E, claro, para os amigos da Guiné-Bissau.

Mais:  é uma notícia extraordinária e de enorme valor histórico e ecológico para a Guiné-Bissau e para a conservação da biodiversidade na África Ocidental!

O registo de elefantes-da-floresta no corredor ecológico transfronteiriço de Balana, no Parque Nacional do Cantanhez (PNC) (Região de Tombali), não se deve a um  mero acaso, é a prova viva e o fruto direto do trabalho persistente do IBAP (Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas), das populações locais e de organizações parceiras. 

Nada disto se consegue sem a participação comunitária!

Para mais, trata-se de um sítio que nos é familiar, para os camaradas que estiveram em Gandembel e Ponte Balana, entre abril de 1968 e janeiro de 1969. Mas também para aqueles, de nós, que em março de 2008, visitaram estes míticos lugares no âmbito do Simpósio Internacional de Guileje (Bissau, 1-7 de março de 2008).

O uso de câmeras  trap (câmaras de foto-armadilhagem) instaladas e mantidas pelas equipas no terreno permitiu documentar o que antes eram apenas vestígios,  indícios ou relatos.

Por sua vez, o IBAP tem-se destacado precisamente pela formação de guardas e técnicos jovens, motivados e profundamente integrados nas comunidades locais.

 A proteção da floresta sagrada de Cantanhez e das vias de migração da fauna exige vigilância constante, sensibilização comunitária e combate à caça ilegal. 

Pormenor interessante: saber que um dos indivíduos tem uma presa/defesa partida é um detalhe morfológico precioso para a identificação individual e acompanhamento da espécie! 

Outro pormenor não menos  digno de registo  e de aplauso, revelador do profissionalismo do pessoal do IBAP: as fotos são de 23/2/2026 e a divulgação pública (redes sociais, rádio, televisão...)  aconteceu quase 3 meses depois (em 9/5/2026). 

A cautela na divulgação da notícia faz todo o sentido: revelar a localização exata de espécimes de Loxodonta cyclotis em tempo real poderia atrair redes de caça ilegal e colocar os animais e as equipas no terreno em risco imediato.  

3 comentários:

Antº Rosinha disse...

A Guiné como é pobre, não tem dinheiro para importar elefantes, tem sorte de aparecerem dois nas suas florestas, talvez perdidos ou em visita de turismo.
Outros paises, se quiserem elefantes têm que importar caso de Angola, que tem um projecto de repor 80 mil nas suas reservas naturais, que com 30 anos anos de tiroteio, os que havia, uns foram vítimas inocentes, outros fugiram para países vizinhos.
Em Angola, na guerra colonial, as G3 liquidaram mais caça do que as Kalash.
Antes dessa guerra, as mauser estavam proibidas de sair do quartel, apenas na carreira de tiro.

Alberto Branquinho disse...

Todos os animais necessitam de água - não é necessário dizê-lo. E se os animais pequenos podem obtê-la da sua alimentação - frutos e vegetais - ou chafurdando na água da chuvas ou escavando o chão (como vi os "porcos de mato" fazerem), os animais grandes, como o elefante, precisam MESMO de ÁGUA. Ora, água e o que mais há na Guiné-Bissau, MAS é água SALGADA. Era esse o nosso drama durante as operações demoradas - ser reabastecidos de água.
O Rio Balana, na zona onde foi Gandembel e Ponte Balana, tinha água doce que nos abasteceu durante todo o tempo (apesar de terem minado o próprio leito no percurso onde recolhiamos a água). Ali o terreno tinha/tem uma altitude que ronda os 30 metros (terras baixas do Futa-Djalon) - o suficiente para que a maré não chegar lá, o que não acontece na maior parte da superfície da Guiné-Bissau.
Acho que é essa a explicação para a possibilidade de continuar a poder haver animais assim no percurso do Rio Balana, mas não muito mais para o curso de sudoeste, onde os terrenos baixos vão permitir que o Rio Balana (depois Cumbijã?) sejam invadidos pelas águas da maré cheia.

Anónimo disse...

Sim há elefantes no rio Balana.
Já por lá andei há muitos anos a passear com eles...
Na época das chuvas sobem o rio até ao vendu de Bolianga, no tempo seco decem o rio a procura de água doce. Existem meia dúzia.
Por vezes tem que atravesar o asfalto para passarem para a lagoa da Cufada.
Anda por lá um investigador português a tirar umas fotos desde algum tempo.