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sábado, 8 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28249: Os nossos seres, saberes e lazeres (744): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (265): Teatro Eduardo Brazão, no Bombarral, uma réplica do teatro Alla Scala, de Milão (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 21 de Julho de 2026:

Queridos amigos,
Já por aqui se andarilhou pelo museu, pela estação de caminhos de ferro, era imperativo visitar o teatro Eduardo Brazão que prima pela raridade e beleza arquitetónica. Há mesmo programas de visitas a importantes teatros da região oeste, recordo Nazaré e Leiria, o do Bombarral tem a singularidade de uma traça que não esconde o classicismo italiano, mas com laivos românticos e da emergente Arte Nova. Impressiona também pela qualidade do restauro e a sua primorosa manutenção, houve o extremo cuidado de não beliscar a profunda harmonia da sala e dos espaços frequentados pelo público. Enfim, se possível, não percam a visita.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (265):
Teatro Eduardo Brazão, no Bombarral, uma réplica do teatro Alla Scala, de Milão


Mário Beja Santos

O que há para ver dentro do Bombarral? É um concelho com pouco mais de 100 anos, mas que goza de um património digno de visita. Já aqui falei do museu que ocupa o Palácio Gorjão, um solar datado do século XVII, o museu está aqui desde a década de 1990, foi alvo de obras, não dececiona ninguém, alberga património cerâmico esplêndido, aqui trabalhou Júlio Pomar e deixou legado. Impossível não ver os azulejos da estação de caminhos-de-ferro, também já aqui foram mostrados, mostram cenas de vitivinicultura e do ambiente rural da região. No centro da vila, perto do museu, temos o edifício dos Paços do Concelho, foi propriedade do Alcaide de Óbidos, depois doado por D. João I a um Cavaleiro de nome Luís Henriques, depois da Batalha de Aljubarrota, houve reconstrução e a Câmara Municipal adquiriu-o na década de 1920. Da mata municipal falaremos mais adiante, hoje vamos visitar com guia autorizado o teatro Eduardo Brazão, não esconde no seu interior a lembrança dos teatros italianos, data de 1921. A primeira nota vai para um conjunto de notáveis teatros na região oeste, incluindo a Nazaré e Leiria. A questão que se põe quanto a este teatro terá sido o orgulho cívico, o Bombarral estava adstrito a Óbidos e queria provar a identidade própria, queria exibir a sua própria riqueza, que superava a do tutor, havia que exibir um dado cultural relevante, e assim aconteceu.

Perguntei ao amável guia porquê crismar o Teatro Eduardo Brazão se o grande ator nada tinha a ver com o Bombarral. O coordenador de todo o projeto do teatro fora Evaristo Judicibus que pediu autorização a Eduardo Brazão para o crisma, autorização dada, Brazão sentiu-se muito honrado. A construção não indicia um mero classicismo italiano, aflora elementos, ainda que modestos, do romantismo e do despontar da Arte Nova. A fachada é sóbria, a sala de receção é acolhedora e harmoniosa. Subimos depois aos andares e fica-se de boca à banda, dada a natureza retangular da construção, ou seja, a receção do rés-de-chão e o grande salão por cima, segue-se a sala de espetáculos e temos depois os bastidores. Obviamente que a construção se focou na sala, possui um equilíbrio notável, goza de intimidade e uma visibilidade perfeita em todos os ângulos do proscénio, as obras de conservação e restauro em nada alteraram a traça primitiva e daí o orgulho com que se pode falar desta pequena réplica do Alla Scala.

É uma bela sala de eventos, como o ensaio a que assistimos, tem os seus espetáculos de cinema, aqui se realiza anualmente um festival de música, esqueci-me de perguntar se existe no Bombarral teatro amador, mas desde já incito o leitor, quando tiver oportunidade, de pedir uma visita guiada a tão deslumbrante teatro, como as imagens pretendem ilustrar.


Como era o teatro em 1925
O teatro na atualidade, foi sujeito há anos a obras de conservação, a porta principal tem mais de um século, é um tormento e custa um despesão manter esta relíquia do passado
Homenagem a Evaristo Judicibus no 60.º aniversário do Teatro Eduardo Brazão, 27/02/1981
Pormenor da elegância das colunas do átrio
Retrato do ator Eduardo Brazão (1851-1925)
Um detalhe dos três níveis do teatro
A elegância da compartimentação dos lugares
No palco as meninas fazem o último ensaio antes de se apresentar a público, uma ternura
Pormenor do teto e do lustre
Outro pormenor da sala de espetáculos
Faz de conta de que estamos a assistir ao espetáculo e a deslumbrar-nos com a arquitetura da sala
Lembrança da passagem de dois monstros sagrados do teatro
Pormenores decorativos da Grande Sala do primeiro andar
Entrada da mata municipal do Bombarral
Homenagem dos alunos da escola à escultora Maria Barreira, à entrada da mata municipal
Em frente à mata municipal temos este pequeno jardim, não resisti à exuberância de tantos agapantos
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Nota do editor

Último post da série de 1 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28233: Os nossos seres, saberes e lazeres (743): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (264): Os jardins cada vez mais admiráveis da Quinta de Recreio dos Marqueses de Pombal, Oeiras (Mário Beja Santos)

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