
Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 26 de Junho de 2026:
Queridos amigos,
Visitei na década de 1960 nas instalações do palácio dos Marqueses de Pombal, então adquirido, bem como o espaço envolvente, pela Fundação Calouste Gulbenkian, uma mostra do enorme acervo das coleções de arte de Calouste Gulbenkian, era a primeira vez que se mostrava a público o que hoje é patente no museu situado no Parque de Santa Gertrudes. Nada que se comparasse no ajardinamento e mesmo no estado do palácio que se pode ver hoje, ainda só do exterior, o palácio está fechado, seguramente para benfeitorias. A atual proprietária, a autarquia de Oeiras, deu diferentes usos aos jardins, no dia em que os visitei andavam para lá uns senhores a afinar música para um concerto e tenho visto notícias quanto a espetáculos de ópera. São uns bons hectares, posso imaginar o dispêndio para os trabalhos de conservação e restauro. A monografia que me despertara o apetite para esta visita era data de 1987, o autor apresentava queixas sobre aspetos urbanísticos na envolvente, os vários organismos oficiais imiscuídos na resolução dos problemas não tinham travado a desagregação do traçado e geometrismo nas áreas recreativas. Fui ver a diferença, está tudo francamente melhor, deixo aqui o link que mostra os jardins, é o modo de apelar à vossa visita.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (264):
Os jardins cada vez mais admiráveis da Quinta de Recreio dos Marqueses de Pombal, Oeiras
Mário Beja Santos
Tinha encontrado na Feira da Ladra um livro sobre a chamada Quinta de Recreio dos Marqueses de Pombal, em Oeiras. Admirador que sou daquele espaço e dos trabalhos de requalificação que nele se têm operado, aproveitei uma ida à Galeria Municipal Verney para visitar a exposição Retratos de Guerra, um engenhoso trabalho de Cristina Sampaio sobre tintas-da-china do pintor Neves e Sousa, pus-me ao caminho, já sabedor que o Palácio continua fechado, e fui admirar os jardins criados no século XVIII, tendo como envolvente a estrutura palatina a área agrícola, os jardins com elementos recreativos, caso de fontes, mirantes, cascata, noras, aquedutos e casas de fresco; primava a lógica de aproveitar os recantos do jardim e estar a contemplar ruas arborizadas, ou ouvir o som da água em movimento. O que mais me empolgava nesta visita era levar o livro de Rodrigo Dias comigo, ver como era a quinta em meados da década de 1980 e como se tinha vindo a cuidar de um património que conhecera uma franca decadência nos séculos XIX e XX.
O autor desta monografia chama a atenção para o facto da quinta da família Pombal ter conhecido sucessivas incorporações ao primitivo morgadio e ter beneficiado, nesses acrescentos, de uma amplitude espetacular, em que se aproveita a Ribeira das Lages que atravessa o Jardim, o visitante rapidamente ganha a noção, quando desce do patamar do Palácio e atravessa uma ponte sobre a dita ribeira de que há muito para ver. Para trás, fica a casa dos coches, que é hoje o edifício principal da Câmara Municipal de Oeiras. Desce-se o terraço das araucárias tem-se a perceção dos diferentes níveis, lá em cima fica o Palácio, sente-se que há uma propriedade murada, avista-se mesmo o Instituto Gulbenkian de Ciência (a Fundação Gulbenkian foi proprietária de todo este enorme espaço, aqui apresentou pela primeira vez uma amostra do acervo patrimonial do milionário Arménio, depois vendeu à autarquia o Palácio e os Jardins, importa ainda dizer que na área do palácio funcionou um organismo que teve muito prestigio, o Instituto Nacional de Administração, a autarquia não tem descurado a reabilitação de todo este património, no fundo vim bisbilhotar como o espaço está cuidado, beneficia de ocupação para várias modalidades de lazer, caso dos concertos musicais.
Aprecio imenso os painéis azulejares das escadarias, daí mostrá-los com enorme satisfação. Depois atravesso a ponte e caminho para a Cascata dos Poetas, há para lá trabalho escultórico de Machado de Castro. Como observa o autor da monografia, o traçado dos jardins do Palácio tem um eixo principal: a Rua dos Loureiros, um eixo agregador das duas quintas, a quinta de cima e a quinta de baixo, estão separadas pela estrada real; na quinta de baixo funciona a Estação Agronómica Nacional.
Com o mero intuito de estimular o leitor a visitar este portentoso conjunto paisagístico deixo aqui o link do Guia dos Jardins, há muito para ver para além desta Cascata dos Poetas, irei depois visitar a Fonte das Quatro Estações, mas há muito mais para ver, como a Casa da Pesca, a Cascata da Fonte do Ouro, passeando à volta da adega onde há o dragoeiro, faias, freixo, araucárias e palmeiras.
Um ponto da pequena história era a crítica acerada dos opositores do Marquês de Pombal que diziam que ele se tinha locupletado com dinheiros do horário público para se ter abalançado em tal empreendimento, o Marquês respondia que pagara as despesas com os dinheiros do pão, do vinho e das frutas. E está na hora de partir para a visita lembrando que os jardins estão magníficos, que vale aa pena andar pela estrada real e visitar dentro da Estação Agronómica Nacional o aqueduto e aquela esplêndida alameda. Recomenda-se que ande à volta do palácio, obra de Carlos Mardel, arquiteto e engenheiro militar, era profundo conhecedor daa influência do jardim francês na Europa.
Quando Rodrigo Dias escreveu esta monografia fazemos referência, o autor deplorava a evolução urbana envolvente, os projetos de ocupação agressivos para o conjunto dos jardins e quinta e ia mencionando ponto por ponto as matérias que deviam merecer a maior atenção dos então diferentes intervenientes nesta superestrutura, não esquecendo os elementos decorativos e recreativos dos jardins, a revitalização do sistema hidráulico, o combate à poluição das águas da ribeira, concluindo que ao tempo a monumentalidade do conjunto se perdia e diluía nos pavimentos, no estacionamento maciço, nas cores dissonantes. “A sua desagregação por vários organismos sociais, compromete o traçado e o geometrismo das áreas recreativas”, assim era o seu apelo a uma melhor compreensão e recuperação da Quinta do Recreio integrada na arte paisagista do século XVIII. Felizmente que o seu apelo foi correspondido, basta confrontar as imagens de quatro décadas atrás depois de hoje.
Fachada do palácio. Pátio de acesso.
Belíssimos conjuntos azulejares que decoram as escadarias de acesso ao jardim.
Aspeto da intervenção quer no palácio que no ajardinamento e é visível no lado direito as benfeitorias introduzidas no horto.Pormenor da Cascata dos Poetas.
Fonte das Quatro Estações, há algo de estranho no enferrujamento da pedra.
Contraste entre o ajardinamento atual e o seu estado anterior, os jardins, no verão, estão cheios de cor e os arruamentos parecem cumprir o traçado inicial.Uma vista geral do Palácio e Jardim dos Marqueses de Pombal, o leitor interessado encontrará aqui um Guia dos Jardins.
Duas araucárias parecem tutelar o palácio e os jardins.
_____________Nota do editor
Último post da série de 25 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28212: Os nossos seres, saberes e lazeres (742): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (263): Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 8 (Mário Beja Santos)














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