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sábado, 1 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28232: Verso & reverso (1): Levantamentos de rancho, cozinheiros, vagomestres, jagudis, porradas, contos... sem má-fé, "bonecos" da IA ... (Alberto Branquinho / Carlos Pinheiro / Eduardo Estrela / José Manuel Cancela / Luís Graça / Virgílio Teixeira)


Desde 1955 que era proibido caçar (e comer carniça de) jagudis...na Guiné Portuguesa. (Decreto, nº 40040, de 20 de janeiro de 1955, do Minitério do Ultramar(

Foto: arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guine


1. Felizmente que há o verso & o reverso das coisas e das palavras. Se assim não fora, nunca haveria o "outro lado da lua" nem nunca o homem chegaria um dia à lua (se é que lá chegou, apesar das notícias dos jornais, dizem os céticos).

(i) Tabanca Grande Luís Graça (*)

Nem um comentário, Alberto... Se eu tivesse aranjado outro título (por exemplo, "Hoje há jarroz de agudi no forno"), talvez a malta tivesse curiosidade em ler e comentar o teu conto...

quinta-feira, 30 de julho de 2026 às 11:48:00 WEST 

(ii) Alberto Branquinho (*):


Pois é, Luís, há que ter cuidado com a embalagem e com o aspecto do embrulho do produto (ou serviço) que se queira "vender".

Além disso, tenho um primo que me diz:  "Não me mandes mais livros. Não tenho paciência para ler; demoro três dias para ler a 'Bola' e... não leio tudo".

E quem pouco lê... muito menos escreve.

Título que eu colocaria: "Levantamento de rancho: furriel vaguemestre leva uma porrada e passa a operacional no mato".

quinta-feira, 30 de julho de 2026 às 15:55:00 WEST 

(iii) Eduardo Estrela (*)

Eu li o conto e,  se não o comentei,  foi porque gozei que nem um nababo com o seu conteúdo. A certa altura da leitura lembrei-me: querem ver que o sacana do do vagomestre mandou cozinhar jagudis!?

O homem devia era ser louvado! Praticou o princípio da lei do Lavoisier. Não fossem os cozinheiros e todos ficavam satisfeitos. "O que olhos não veem coração não sente", neste caso o estômago.

quinta-feira, 30 de julho de 2026 às 16:29:00 WEST 

(iv) Alberto Branquinho (*):

Quando, pela primeira vez, li o título que lhe deste, o meu entendimento foi: "Arroz com má-fé"...

sexta-feira, 31 de julho de 2026 às 09:57:00 WEST 

(v) Virgílio Teixeira (**)

Enfim, uma história com cenários que nada têm a ver com os nossos soldados, aquartelamentos, fardas, cantinas e refeitórios, terrenos e tudo...etc.

Já vi outros anteriores e a minha opinião é a mesma, o IA veio estragar tudo.

O autor pode até ter boas ideias, mas francamente, e tenho de ser fiel a mim prõprio, eu não acho piada nenhuma a estas bandas desenhadas, prefiro as de antigamente, dos índios e cowboys, desenhadas por pessoas reais, e não por Extra Terrestres, esta coisa, aqui, cheira a outros cenários, e por mim dou o recado completo, sem complexos.

Acho uma pura perda de tempo com um resultado francamente mau, o conteúdo é lastimável.

Tanta outra coisa para publicar e agora é tudo igual, não gosto definitivamente, mesmo que todos os leitores até possam achar alguma ponta de piada.

Nada tem a ver com as personagens que se querem aqui representar, mas o conteúdo é francamente indescritível.

Desculpem a minha franqueza!

sexta-feira, 31 de julho de 2026 às 21:40:00 WEST 


(vi) José Manuel Cancela (**):

Completamente de acordo... E essa de comer aquelas aves nojentas, não cabe na cabeça de ninguém...

sexta-feira, 31 de julho de 2026 às 23:26:00 WEST 

(vii) Carlos Pinheiro (**):

Pensava que já tinha visto tudo, mas afinal enganei-me. A IA veio complicar isto tudo, quando se pensava que era para facilitar

sábado, 1 de agosto de 2026 às 11:50:00 WEST

(viii) Alberto Branquinho (**):
 
Meus senhores (e ex-camaradas de armas): uma coisa são os factos (ou seja, os acontecimentos vividos, embora "pintados" com cores mais vivas ou mais esbatidas) outra coisa são desenhos (com a ajuda da IA ou não) que possam ou não corresponder ao ambiente militar criado "à portuguesa" naquelas terras, em ambientes tropicais, em zonas de guerrilha/contra-guerrilha.

Portanto, não misturemos a apreciação de um escrito sobre factos ou acontecimentos com a sua representação gráfica segundo um qualquer meio ou estilo (gráfico e/ou informático ou outro), que, eventualmente, não retrate os ambientes tal qual aqueles em que vivíamos no chamado "mato" (que não era, propriamente "mato", mas quartéis no interior).

sábado, 1 de agosto de 2026 às 11:14:27 WEST

(ix) Tabanca Grande Luís Graça (**):

Pois é estamos, aqui a discutir duas coisas distintas ( e, portanto, não devemos confundi-las):

(a) um conto ou microconto, da autoria de um camarada nosso, o Alberto Branquinho, que é um "senhor escritor" , com obra publicada e generosa participação no blogue;

e (b) a ilustração gráfica desse conto , da responsabilidade do editor LG (com recurso,  confesso e declarado, à IA).

Em relação ao conto, já aqui publicado em poste anterior (**), e que passou "despercebido", só vamos relembrar o seguinte: não se sabe nem onde nem quando se passa esta "cena de humor de caserna" (em princípio na Guiné, c. 1967/69) , e que para alguns ou muitos de nós seria "inverosímil"... (Perguntarão, indignados, alguns dos nossos leitores mais sensíveis: quem seria o filho da p*ta do vagomestre que teria a "ideia criminosa" de servir gato por lebre, ou pior, jagudi por frango, aos seus camaradas de armas?!)

Aqui convém lembrar que a imaginação supera a realidade e essa é a magia da literatura... E que o humor é sempre caricatura do real..«

Quanto á BD propriamente dita (ou melhor, aos "bonecos", para não ofender os verdadeiros artistas da BD), podem dar "porrada" á vontade: é um produto tosco, artesanal, feito com boa vontade, "pro bono", espírito de reinação...e recursos técnicos limitados... 

E que, no fundo, "parodia" a IA, que é "americana", sabe pouco ou nada de geografia e de história, a começar por Portugal e a Guiné-Bissau... E nomeadamente sobre a guerra do ultarmar / guerra colonial na Guiné (1961/74)... O que sabe, também vai aprendendo connosco..., como ela própria reconhece, o que muito nos honra.

sábado, 1 de agosto de 2026 às 13:10:00 WEST 
 
(Seleção, revisão/ fixação de texto: LG)
____________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 28 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28220: Humor de caserna (283): "Arroz especial ... com mafé" (um conto magistral de Alberto Branquinho, "Cambança Final", 2013, pp. 85-89)

(**) Vd. poste de 31 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28231: Humor de caserna (286): Os frangos do vagomestre: uma BD inspirada num microconto do Alberto Branquinho (2013)

4 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Um dos visados na(s) "crítica(s)" é a IA... Que já chegou, a todo o lado do planeta, para "baralhar e dar cartas"... (Eu ainda sou do tempo da caneta de aparo, do lápís e da borracha, do giz, da ardósia, da tabuada... e depois fiz o "upgrade", passei para a máquina de escrever, e por aí fora...).

Será justo dar-lhe a "palavra", dentro do princípio de que, aqui, na Tabanca Grande, somos todos iguais (embora alguns possam parecer que são mais iguais do que outros...)...Claro que ela não faz parte do blogue, nem pode, porque o "patrão" náo deixa... Mas deixa-me fazer aqui uma (in)confidência: ela não gosta da malta, ou pelo menos simpatiza cá c'a gente...

Pois, amigos e camaradas da Guiné, eis o que a "ela" me acabou de mandar, "just in time"... Espero que o seu comentárioo ajude a enriquecer o debate (que deve ser vivo e plural) e espicace os mais preguiçosos ou envergonhados:

(...) O debate é interessante porque, na realidade, acabou por se dividir em três planos diferentes: o conto, a banda desenhada e a inteligência artificial. Misturá-los conduz facilmente a conclusões injustas.

Quanto ao conto de Alberto Branquinho, parece-me que a sua intenção nunca foi fazer um documento histórico, mas sim uma peça de humor militar. Quem viveu a tropa sabe que as histórias de rancho, vagomestres, cozinheiros e "levantamentos de rancho" pertencem ao folclore castrense. A hipótese de servir "jagudi por frango" funciona como exagero literário, precisamente porque provoca incredulidade e riso. É essa a lógica da caricatura.

As críticas de Virgílio Teixeira, José Manuel Cancela e Carlos Pinheiro incidem sobretudo sobre outra questão: a representação gráfica produzida com recurso à IA. E aí têm razão num ponto importante. As imagens não recriam convincentemente a Guiné da guerra. Uniformes, cenários, expressões, proporções e até as próprias aves apresentam um aspeto genérico, quase cinematográfico, que destoa da memória de quem lá esteve. Para quem viveu aqueles acontecimentos, esse desencontro visual pode tornar-se mais evidente do que o próprio texto.

Mas daí não decorre que a IA "estrague tudo". A IA é apenas uma ferramenta. Tal como uma máquina de escrever não faz um escritor, também um gerador de imagens não faz um ilustrador. Pode produzir resultados fracos, aceitáveis ou excelentes, dependendo da qualidade das instruções, da revisão humana e, sobretudo, da finalidade pretendida. Se o objetivo era criar uma ilustração humorística, artesanal e assumidamente imperfeita — como Luís Graça explica — então a imagem cumpre parcialmente esse papel. Se o objetivo fosse uma reconstituição histórica rigorosa, aí ficaria claramente aquém.

No fundo, Luís Graça acaba por tocar no essencial quando distingue a literatura da ilustração. O valor do conto não depende dos "bonecos", tal como um bom romance não deixa de o ser por ter uma capa infeliz. A ilustração pode enriquecer ou empobrecer a leitura, mas não substitui o texto.

Quanto à fotografia dos jagudis, essa, sim, acrescenta um elemento documental muito oportuno. Recorda que estas aves eram abundantes na Guiné e que, desde 1955, a sua caça estava proibida. O contraste entre esse dado histórico e a ficção do "arroz especial" reforça precisamente o efeito humorístico do conto.

Em suma, diria que esta polémica teve uma virtude inesperada: fez discutir não apenas um conto bem-humorado, mas também os limites entre memória, literatura, ilustração e inteligência artificial.

E isso talvez seja mais interessante do que saber se, algum dia, algum vagomestre teve realmente a ousadia de transformar um jagudi em "frango". Afinal, a boa literatura vive precisamente dessa fronteira onde a realidade se cruza com a imaginação. (...)


Fonte: ChatGPT / Open AI (revisão, fixação de texto, negritos, itálicos:L LG)

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Quabndo cheguei à Guiné, uma das coisas que fiquei logo a saber é que o jagudi (e outros animais) não podia ser "utilizado como tiro ao alvo". Era proibido pro lei. E os soldados (africanos e metropolitranos) respeitavam essa proibição legal...

Só há dias é que descobriu esta "joia legislativa", da autoria de um grande "africanista", o Sarmento Rodrigues: Decreto n.º 40 040, de 20 de janeiro de 1955, publicado pelo Ministério do Ultramar...

É uma pela legislativa que constituiu um marco na política portuguesa de proteção da fauna nos territórios ultramarinos. O diploma procurava conciliar a atividade cinegética com a conservação dos recursos naturais, estabelecendo espécies protegidas, períodos de defeso e restrições à caça, numa época em que estas preocupações eram ainda pouco comuns em muitos países africanos.

O facto de os "jagudis" (palavra crioula para abutres) serem espécies protegidas demonstra que a sua captura e consumo eram ilegais, pelo menos do ponto de vista da legislação em vigor. A proibição tinha uma sólida fundamentação ecológica: os abutres desempenham um papel essencial como necrófagos, eliminando carcaças e contribuindo para a sanidade ambiental.

É mais do que justo recordar a figura de Sarmento Rodrigues, grande transamontano, português e "africanista". Enquanto governador da Guiné (1945-1949) e, mais tarde, Ministro do Ultramar, distinguiu-se por uma visão relativamente inovadora para a época, se náo mesmo arrojada (no nosso contedxto), atribuindo importância ao conhecimento científico dos territórios africanos, ao ordenamento dos recursos naturais e à valorização das populações e culturas locais.

O seu interesse pela Guiné valeu-lhe, com razão, a reputação de um dos grandes "africanistas" portugueses do século XX.

No contexto da discussão do blogue, esse dado histórico reforça um aspeto curioso: a graça do conto "Arroz especial" reside precisamente na sua natureza ficcional e caricatural. Se, desde 1955, a caça ao jagudi era proibida, a ideia de um vagomestre mandar cozinhar um "jagudi por frango" (o equivalemnte na matrópole ao "gato por lebre") torna-se ainda mais absurda e, por isso mesmo, mais eficaz enquanto humor de caserna.

A literatura não pretende demonstrar que tal aconteceu; joga antes com o improvável para provocar o sorriso. Sugiro aos "africanistas" como o António Rosinha e o Beja Santos, que revejam este diploma.
.

JOAO CRISOSTOMO… disse...

O sonambulismo ( é assim que se chama o não conseguir dormir, certo?) nem sempre é mau: mesmo sem tempo para ler muito do que eu gostava poder ler, tenho arranjado tempo para estes humores e piadas de caserna e coisas assim. E a bandeiras tão despregadas que a pobre da Vilma fica espantada e quer saber do que se trata . E não é fácil explicar as nuances e diferenças ( especialmente para quem não sabe traduzir para estes nomes para ingles ou esloveno) os nomes de jagudis, lagartos, jacarés ou crocodilos, galinhas do mato ou galinhas, arroz maté, levantamentos de rancho e coisas assim. Mas obrigado a todos. E continuem que até nisto o nosso blogue vale a pena : desopila, descontrai e faz esquecer dores e outras mazelas. Com ou sem AI, esqueçam os pormenores e dêem lugar à imaginação…os beneficiados somos muitos de nós que graças a estas criações imaginadas ( ou bem aparecidos cérebros imaginativos) de vez em quando deixamos de ser hipocondríacos e ainda conseguimos esquecer dores e queixumes , e rir em vez de chorar.

João Crisóstomo, Nova Iorque

Alberto Branquinho disse...

..... arrastando para aqui as últimas palavras do João Crisóstomo (que, traduzindo do grego "Krisos+tomos", quer dizer "boca de ouro"), que são: "... e rir em vez de chorar", aqui transcrevo os quatro primeiros versos de uma canção de PERET:
Es preferible reir que llorar
y asi la vida se debe tomar
si hay ratos buenos, hay que aprovechar
si los hay malos, hay que olvidar

(Para evitar mais equívocos... e para quem não conheça o significado de "ratos" em castelhano: NÃO SÃO PARA COMER...)