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terça-feira, 30 de junho de 2026

Guiné 61774 - P28145: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XXXVi: Ramadão de 1970: celebração do Korité (pu Eid al-Fitr, em árabe), o fim do jejum ritual (fotos de 1 a 7)

 



Foto nº 1 e 1A




Foto nº 2, 2A e 2B



Foto nº3 e 3A


Foto nº 4


Foto nº 5


Foto nº 6


Foto nº 7

Guiné > Zona Oeste > Região do Oio > Mansoa > BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) >   A festa do fim do  Ramadão. Para além do significado espiritual,  uma das tradições mais marcantes é a confecção e o uso de roupas novas e elegantes (como os tradicionais boubous ou bubus, em português) para ir à mesquita e visitar os familiares.

Fotos do álbum do Padre José Torres Neves, antigo capelão militar.

Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Alferes graduado capelão
José Torres Neves



1. O álbum fotográfico  do Padre José Torres Neves, do tempo em que foi alferes graduado capelão  em Mansoa (CCS/BCAÇ 2885, 1969/71), é um manacial de informação, memórias e emoções.  E é revelador da sua curiosidade humana, profunda sensibilidade sociocultural e espírito ecuménico.

Do lote que nos foi enviada no passado dia 7 de junho  pelo nosso camarada e amigo Ernestino Caniço (o fiel guardião do álbum fotográfico da Guiné, do padre missionário da Consolata, José Torres Neves, natural de Meimoa, Penamacor),  publicamos hoja a primeira parte.

São fotos relativas ao fim do Ramadão de 1970, a celebração do Korité, como se diz na África 0cidental (Eid al-Fitr, em árabe).

Na Guiné, o Ramadão em 1970 decorreu entre 31 de outubro e 30 de novembro. E em Mansoa, com em outros lados, "o fim do jejum ritual" foi marcada por forte respeito e convivência entre as tropas portuguesas e a população muçulmana local,

Data - domingo, 7/06, 18:57
Assiunto - Mansoa, Ramadão, 197'0

Caros amigos Luís e Carlos,

Votos de ótima saúde.

Anexo mais umas fotografias do álbum do Pe. Zé Neves, desta vez sobre o tema Mansoa – Ramadão.

Desejo-vos umas excelentes férias (se for o caso) com a família.

Grande abraço,

Ernestino caniço

Anexos - 14 fotos


2. Conforme temos escrito, em geral as fotos trazem sumárias legendas (ou títulos). Sem data. E não vêm numeradas. Tanto quanto possível, procuramos agrupá-las por "temas". E são sempre editadas (retocadas, melhoradas...) por nós.

A coleção de "slides" (digitalizados) do padre missionário da Consolata (hoje reformado), tirados na Guiné, será da ordem 4 centenas, segundo a estimativa do Ernestino Caniço.

O José Torres Neves entrou para a Tabanca Grande, em 22/2/2022, pela mão do Ernestino Caniço, que é médico e seu amigo deste os tempos de Mansoa. É o nosso grão-tabanqueiro nº 859. Tem cerca de meia centena de referências no nosso blogue.

3. Sobre o Ramadão em plena guerra colonial já aqui escrevemos sobre o seu significado (e os seus desafios, nomeadamente para os nossos camaradas muçulmanos)

Q palavra Ramadão tem origem no árabe "ramida", que significa "ser ardente", possivelmente associada ao facto de o jejum islâmico ter sido celebrado pela primeira vez durante o período mais quente do ano. Para os crentes muçulmanos, este mês sagrado é um tempo de:
  • Renovação da fé
  • Prática mais intensa da caridade
  • Vivência profunda da fraternidade
  • Reforço dos valores familiares
  • Maior proximidade aos valores sagrados
  • Leitura assídua do Alcorão
  • Frequência à mesquita
  • Correção pessoal e autodomínio

O Ramadão é o único mês mencionado pelo nome no Alcorão, sendo também o mês em que este livro sagrado foi revelado.

Durante a Guerra Colonial, os preceitos do Ramadão, em especial o jejum diurno, eram escrupulosamente respeitados pelos soldados muçulmanos do recrutamento local, pelas milícias e pelos demais crentes, incluindo os guerrilheiros do PAIGC (especialmente entre os grupos islamizados como os Beafadas, Mandingas, Fulas, Nalus, Balantas Manés, entre outros)

No entanto, os graduados portugueses (em particular os oficiais) demonstravam, em geral, alguma falta de sensibilidade para a importância deste período. Havia um conflito latente entre as exigências da atividade operacional e as restrições alimentares impostas pelo jejum.
 
Na CCAÇ 12, o jejum era respeitado pelos soldados, na medida do possível. Este tema voltaria a ser discutido publicamente em 2014, durante o Campeonato Mundial de Futebol, quando a seleção nacional argelina levantou a polémica sobre a compatibilidade entre o jejum do Ramadão e a alta competição desportiva (*).
 
As 14 fotos de 1970, tiradas pelo José Torres Neves, capelão militar católico em Mansoa (Guiné), são um testemunho único da intersecção entre fé, cultura e conflito. Elas captam não só a espiritualidade dos combatentes muçulmanos, como também os desafios de conciliar as suas crenças com as exigências da guerra.  A presença de portugueses da metrópole que viviam em Mansoa (militares e algumas senhoras) também aparece aqui registada, a começar pelo fotógrafo (foto nº 3).

Nas primeiras fotos que apresentamos hoje vê-se a extensa fila de homens (e mullheres e crianças, apartadas: vd. foto nº 2B) que se dirigem ao local de culto, levando as suas esteiras (Fotos nº 3, 4, 5 e 6), nalguns casos feitas de pele de cabra ou ovelha.  

O dia era de muito calor (Foto nº 1), mas o "chapéu de sol" não era para todos (Fotoº 1).

Diz-nos a IA (ChatGPT / Open Ai) o seguinte sobre a foto nº 7:

"Luís, esta fotografia é muito interessante, quer do ponto de vista etnográfico, quer histórico. O padre José Torres Neves teve o mérito de captar um momento que dificilmente seria fotografado por militares comuns.

"O tambor que se vê ao centro é, com grande probabilidade, um tambor de taça, escavado num só tronco, com pele esticada por cordas de couro. Entre os povos islamizados da Guiné (sobretudo Mandinga, Fula e também alguns Beafadas), este tipo de tambor era utilizado em festas comunitárias, embora o Islão mais ortodoxo nem sempre visse com bons olhos o uso de instrumentos musicais. (...)

"Parece muito ser um dos grandes tambores conhecidos em diversas línguas mandingas como djembe (ou jembê, grafia francesa)" (...)

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