Guiné-Bissau > Bissau > 20 de março de 2026 > Fim do Ramadão: a jovem mãe Cadi, com os seus dois filhos.
O uso de roupas novas e elegantes para esta ocasião simboliza a renovação espiritual após o mês de autodisciplina, sendo costume:
(i) acordar cedo e tomar banho purificador ("Ghusl");
(iii) reunir com a família, vizinhos e amigos.
2. Comentário do editor LG
Obrigado, João, pela tua sensibilidade sociocultural, pelo teu ecumenismo português, e pelas belas fotos que fizestes na última visita à "nossa" Guiné-Bissau, terra abençoada pela biodiversidade, o multiculturalismo e a tolerância religiosa.
No nosso tempo, não tínhamos "nem tempo nem pachorra" para compreender o "outro" (que era diferente de nós: na língua, nos costumes, na religião, na gastronomia, etc.).
Os meus soldados eram fulas e muçulmanos e não falavam português, mas, na "freima" (como se diz no Norte, em Candoz) da guerra, pouco sabíamos das diferenças que nos separavam...
Ora é importante saber distinguir as duas grandes festas do calendário islâmico, e que se celebram na Guiné-BIssau:
- o Eid al-Fitr (o fim do Ramadão) ("Korité");
- e o Eid-al-Adha, a "festa do sacrifício", a "festa do carneiro" ("Tabaski")
Têm sentidos religiosos diferentes. Na Guiné-Bissau, onde cerca de metade da população é muçulmana (sobretudo fulas e mandingas, mas também outros grupos, biafadas, nalus, etc.), ambas têm também enorme importância social, económica, cultural e familiar.
- Eid al-Fitr: o fim do Ramadão ("Korité")
Eid al-Fitr significa literalmente “Festa da Quebra do Jejum”.
Marca o fim do mês sagrado do Ramadão, o fim do jejum diário, desde a alvorada até ao pôr do sol, é o tempo de reconciliação, esmola e convívio. Equivale á nossa Quaresma cristã, período de jejum e abstinência (no nosso tempo de meninos e moços) (e só os ricos podiam comer carne, porque compravam a bula), ou a "burla").
É uma festa de alegria e agradecimento a Deus (Allah) depois do esforço espiritual do Ramadão, marcada pela oração, autocontrolo, disciplina, caridade, purificação moral.
Antes da oração festiva, os fiéis devem dar esmola aos pobres (zakat al-fitr), para que todos possam celebrar.
Em Bissau e nas tabancas do interior, as famílias vestem roupa nova ou os melhores panos; há oração coletiva logo de manhã; visitam-se parentes, vizinhos e marabus; matam-se galinhas, cabras ou carneiros conforme as posses; prepara-se arroz, cuscuz, leite, chá forte e doces.
Nas famílias e comunidades, é também uma ocasião de perdão entre parentes, vizinhos e amigos; ofertas às crianças, ajuda aos mais pobres; e reforço dos laços de linhagem e comunidade.
Muitos bissau-guineenses chamam-lhe simplesmente “Korité” (forma usada na África Ocidental francófona, vinda do uolofe).- Eid al-Adha: a festa do sacrifício ou do "carneiro" ("Tabaski")
É a festa maior do Islão. Recorda o episódio bíblico/corânico em que Abraão (Ibrahim) aceita sacrificar o filho por obediência a Deus, antes de Deus substituir a vítima por um carneiro. Representa :obediência a Deus, fé,sacrifício, generosidade. Coincide com a peregrinação a Meca (Hajj).
Na Guiné-Bissau e em toa da região n África Ocidental chama-se “Tabaski”.
É talvez a festa mais visível entre os muçulmanos guineenses: compra-se um carneiro dias antes; os mercados enchem-se de gado; há grande movimento económico; famílias emigradas enviam dinheiro para comprar animais. Este ano será a 27 de maio de 2026 (feriado nacional).
O ritual central é: oração comunitária; sacrifício do carneiro; partilha da carne (uma parte para a família, outra para os parentes e outra ainda para os pobres).Em Guiné-Bissau, como no Senegal ou na Guiné-Conacri, o Tabaski tem também forte dimensão social: visitas intermináveis, música, chá, roupa nova, fotografia familiar, exibição de prosperidade.
Eid al-Adha = festa do sacrifício e da partilha.
Na Guiné-Bissau, estas festas têm ainda uma particularidade interessante: convivem lado a lado com práticas tradicionais africanas (animismo) e com o cristianismo. Não é raro ver-se famílias “mistas” (como é o caso do nosso amigo Cherno Baldé, futa-fula e muçulmano, casado com uma nalu, cristã) participarem umas nas festas das outras, sobretudo em contexto urbano (Bissau),
Ano Novo - 1 de janeiro
Dia dos Heróis Nacionais - 20 de janeiro (aniversário da morte de Amílcar Cabral)
Terça feira de Carnaval - 17 de fevereiro
Domingo de Páscoa - 5 de abril
Dia do Trabalho - 1 de maio
Dia Nacional - 24 de setembro (dia da independència)
Dia de Natal - 25 de dezembro
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Nota do editor LG_
Último poste da série > 20 de maio de 2026 > Guiné 61774 - P28039: Retratos humanos da Guiné-Bissau de hoje (3): Vendedora de caju no Mercado Central de Bissau: foto de João Melo (2025)

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