Guiné > Região do Cacheu > São Domingos > 10 de agosto de 1968 > CCS/BCAÇ 1933 e CART 1774 > Levantamento de uma mina A/C reforçada, com duas granadas checas (de Pancerovka P-27)-. Foi detetada por picadores da CART 1744.
Transcrição do documento:
S. Domingos, 10-8-68 / Guiné
O alf Machado, sapador, rasga a terra
para retirar uma mina colocada
na estrada S.D. → Susana, a meio
caminho para Nhambalã, a cerca
de 5 Kms de S. Domingos. A mina
estava mal montada:
(i) os detonadores não tinham sido
colocados;
(ii) o tampão (? com a mola de pressão) estava paralelo à estrada
em vez de estar horizontal.
Foi detectada pelos picadores da
CART 1744. A observar o
cap Cardoso da CCS.
Guiné, S. Domingos, 10-8-68
A mina levantada:
2 Pancerovka (checas) ou 2 granadas
de LGFog, ligadas a uma mina
TMD (russa). Os 2 detonadores
também são russos, tipo MUV, e eram
de compressão. Não estava arma-
dilhada. A mina pesava cerca de
6 quilos, só em explosivo (trotil) e as
granadas cada uma tem 3,5 Kg só
de trotil. Total: 13 Kgs só de
explosivos. Com as partes neutras e
armações o conjunto iria para os 20 Kgs.
No canto inferior da direita nota-se o
orifício de saída donde foi retirada.
TMD (russa). Os 2 detonadores
também são russos, tipo MUV, e eram
de compressão. Não estava arma-
dilhada. A mina pesava cerca de
6 quilos, só em explosivo (trotil) e as
granadas cada uma tem 3,5 Kg só
de trotil. Total: 13 Kgs só de
explosivos. Com as partes neutras e
armações o conjunto iria para os 20 Kgs.
No canto inferior da direita nota-se o
orifício de saída donde foi retirada.
Fotos alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia).
Fotos (e legendas): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Estas imagens fazem parte da plataforma, alojada na página do Agrupamento de Escolas José Estêvão (AEJE), Aveiro e Cultura > Arquivo Digital, de que é coordenador o professor Henrique Oliveira, a quem saudamos pela paixão, rigor e perseverança na criação e manutenção deste arquivo digital.
Vd. também poste de 4 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27791: Fotos à procura de... uma legenda (199): Bissau, 1968: que edifício era (é) este ? E em que zona ?
1. Estas imagens fazem parte da plataforma, alojada na página do Agrupamento de Escolas José Estêvão (AEJE), Aveiro e Cultura > Arquivo Digital, de que é coordenador o professor Henrique Oliveira, a quem saudamos pela paixão, rigor e perseverança na criação e manutenção deste arquivo digital.
Informação complementar enviada em 15 de maio de 2010 (23:29) por José Lourenço Saraiva Salvado (foto atual à esquerda), que esteve em S. Domingos, Guiné, tendo iniciado a comissão em 25/07/1967 e terminado em 20/05/1969. (O José Salvado é membro da nossa Tabanca Grande, desde 15 de maio de 2016; tem 8 referências no blogue; é hoje advogado.)
(*) Último poste da série > 5 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27798: Fotos à procura de... uma legenda (200): Bingo, Paulo Raposo e Nelson Herbert!... Acertaram: é o antigo edifício da Marinha e Oficinas Navais, junto ao cais do Pijiguiti, Bissau
Prestei serviço em S. Domingos e noutros locais, porque fazia parte da CART 1744, companhia de intervenção às ordens do Comando-Chefe, pelo que, para além de estar sediada em S. Domingos, esteve em intervenções em Susana, Varela, Ingoré e Cacheu, tendo combatido em Ingoré, Susana e S. Domingos.
A mina, cuja foto foi enviada pelo camarada Eduardo Figueiredo, de quem já não me recordo, foi detectada em operação de picagem, mesmo ao meu lado, com as duas granadas incendiárias, que só por mero acaso não ocasionaram vítimas, porque o instalador se esqueceu de retirar a segurança dos detonadores.
Pensa-se que, aquando da montagem da mina acompanhada, foi feito um ataque a uma povoação que foi socorrida em tempo recorde, pelo que as viaturas de socorro passaram por cima das minas, não sendo accionadas por erro do instalador dos artefactos. Posteriormente, numa visita de apoio psicológico para manter o ânimo das populações da povoação atacada, com trabalho de picagem, é que a mina foi descoberta.
José Salvado,
ex-furriel miliciano
2. O autor das fotos é o Eduardo Figueiredo, ex-alf mil op esp, CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e S. Domingos, 1967/69) (foto à direita).
Segundo informação do seu camarada e grão-tabanqueiro Virgílio Teixeira (Vt), o Eduardo já terá morrido há uns anos, vítima de doença oncológica.
Temos fotos do Vt com ele, que publicaremos em próximo poste.
(Revisão / fixação de texto, transcrição de manuscrito, título: LG)
________________
Nota do editor
Vd. também poste de 4 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27791: Fotos à procura de... uma legenda (199): Bissau, 1968: que edifício era (é) este ? E em que zona ?






6 comentários:
Longe de mim querer ofender os dignos e valentes operários da construção civil...Cada vez mais raros e, por isso, mais bem pagos que um médico dos hospitais públicos... Uso a expressão na brincadeira, para "desqualificar" o sapador do PAIGC que, felizmente, para a nossa malta, não sabia que as minas TMD russas, anticarro, só "funceminam" com os detonadores ligados...
Estou a imaginar os "estragos" que esta maldita TMD poderia provocar se o "trolha das minas" soubesse do ofício... Não era só a sorte que protegia os "audazes", era a também a incompetência do "outro lado" (que chegava a bombarder-nos com granadas de morteiro com cavilha...)
Julgo ser: Travessão e não tampão. Vê-se na foto o travessão paralelo á estrada quando devia estar perpendicular. Abr
Obrigado, "travessão" está mais conforme o original...Era a única palavra sobre a qual eu tinha dúvidas...Pus a IA em campo, mas não acertou em meia dúzia... Mas assim sempre é uma ajuda... Vejam a "transcrição feita por uma ferramenta de IA":
(...) Camarada, fiz uma leitura paleográfica o mais fiel possível ao manuscrito. Há algumas palavras difíceis; nesses casos assinalo com [?] quando a leitura não é totalmente segura.
Transcrição
S. Domingos, 10-8-68 / Guiné
O Alf. Machado, sapador, nesta a terra
para retirar uma mina colocada
na estrada S.D. → Susana, a meio
caminho para NHAMBALÃ, a cerca
de 5 Kms de S. Domingos. A mina
estava mal montada:
1.º) os detonadores não tinham sido
colocados.
2.º) o taverno(?) estava paralelo e inclinado
em vez de estar horizontal.
Foi detectada pelos picadores da
C.A.E.T. 1744. A observar por o
Cap. Cardoso do C.C.S.
Guiné, S. Domingos, 10-8-68
A mina levantada:
2 Panzerovsky (russas) e 2 granadas
de Rockets, ligadas a uma mina
TMD (russa). Os 2 detonadores
também são novos tipo MUV, e eram
de confiança. Não estava arma-
dilhada. A mina pesava cerca de
6 quilos, só em explosivo (trotil) e as
granadas cada uma tem 3,5 Kg só
de trotil. Total: 13 Kgs só de
explosivos. Com as juntas, ventosas(?) e
armações o conjunto iria para os 20 Kgs.
No canto inferior do desenho nota-se o
orifício de saída donde foi retirada.
Como veem, o escravo do escrita ainda faz falta...
Outro erro: não são 2 "Panzerovsky (russas) e 2 granadas de Rockets"... O Eduardo queria dizer que eram granadas de Pancerovka P-27, um LGFog, produzido pela então Checoslováquia, uma arma antitanque desenhada em 1946-1949 e produzida pela Skoda.
Equipou os exércitos da Checoslováquia e da Polónia nas décadas de 1950-60 até ser substituida pelo RPG-7 soviético e pelo RPG-75 checo. Já "sucata", foi parar às matas da Guiné nos primeiros anos da guerra...
Não devia ser uma arma muito portátil e "maneirinha" (tal como a nossa bazuca)... O "Zé Turra" acabou por preferir o RPG-2 e o RPG-7. E, pelos vistos, foi "semeando" granadas pelas picadas da Guiné...
Ficha técnica:
Calibre 45 mm o tubo, 110 mm a granada;
Peso do tubo: Weight: 6.4 kg (não carregada);
Peso da granada: 3.75 kg;
Comprimento do tubo: 1030 mm
Comprimento da granada: 720 mm;
Alcance efetivo: 200 m
Tenho ideia deste acontecimento que não causou vítimas.
O Machado, a que chamávamos na brincadeira de machadao, pelo seu porte acima do normal era também colega de quarto comigo e outros oficiais, Alferes e Tenente, era um grande amigo, depois em 20 Nov 68, com a mina e emboscada às portas do quartel onde o comandante Ten cor Saraiva ficou ferido com as pernas ao dependuro.
Morreu alguém que não posso precisar e o nosso machadao ficou ferido e foi também evacuado.
Encontrei o uns anos depois. No Porto. Na praça D. João l.
Mais tarde soube que morreu antes do tempo.
Tinha algumas cenas para contar, talvez un6 próximo dia.
O nosso Capitão Cardoso, foi substituir o nosso primeiro comandante da CCS, o capitão Figueiral. Estivemos em alguns almoços. Mas já faleceu.. O Capitão Cardoso esteve lá em São Domingos. Com a mulher em lua de mel.
Tenho várias fotos com ambos que enviarei ainda hoje sexta feira por email para o Luís Graça.. Tenho alguma nostalgia estar agora a relembrar esses tempos.
Até mais logo, está na hora de ir para a cama.
Boa noite.
Ab Virgílio Teixeira a
Agora reparei melhor o nosso homem das minas e armadilhas, baixado a retirar uma enorme mina!
Pelo aspecto vê se bem o seu bom aspecto de homem grande!
Era mesmo assim.
Não sei nada de minas. Tenho um cunhado que também era sapador em MUEDA, Moçambique.
Teve uma cruz de guerra, enaltecendo a sua pessoa, mas em particular, pela sua descontração e paciência na sua missão. Acho que eram outras adjectivação és mas não me lembro
Essa condecoração valeu lhe vários privilégios entre eles regalias nos estudos dos filhos.
Ainda hoje é de uma calma impressionante. Era essa a palavra que me faltava.
O Machado era mesmo assim.
Nunca falámos das suas missões.
O também já falecido, enorme nas suas brincadeiras, teve aqui uma bela e inolvidável foto.
E Viva São Domingos que também aparece neste enorme blogue.
E havia tanta coisa, mas ficou mudo, cego e paralítico, mas lembrado pelas minhas fotos.
Parabéns ao autor desta publicação, que não conheço.
Estou a seleccionar as fotos a tempo de as incluírem num poste sobre os intervenientes.
Av
Virgílio Teixeira
Enviar um comentário