A seu lado, estou eu, o único de braços cruzados [3]… A meu lado, à minha esquerda, está o Padre Diamantino Maciel [4], fundador duma paróquia (igreja St. António da Arancária, Vila Real).
Data - 12 jan 2026 20:36
Assunto - Humor de caserna (*)
Não sei se é pertinente ou não. Mas, como estamos em campanha eleitoral, em maré de discursos políticos… aí vai um história pícara, em ambiente fradesco... João
A presente campanha eleitoral para a Presidência da República, os candidatos e os seus discursos, trouxeram-me à memória um desses “comícios” de há 65 anos, em 1961.
A Índia do Pandita Nehru tinha acabado de se apoderar, pela força, de Goa, Damão e Diu. E, de repente, apareceram as manifestações patrióticas de repúdio pelo vil ataque à nossa jóia da Coroa. Goa estava sob jurisdição portuguesa há 450 anos.
Recordo-me de que, a pedido de um dos dirigentes locais da União Nacional, muito ligado à Igreja, um dos meus antigos colegas de curso, no colégio seráfico de Leiria, ter sido incumbido de ler um discurso numa dessas manifestações.
Embora os frades, em princípio, não se devessem meter na política, não sei por que carga d’água fomos autorizados, a assistir a um desses eventos. (Ainda não éramos exatamente noviços, isso só no ano seguinte, no Varatojo.)
O orador, de posse do papel que lhe tinha sido entregue, ficou entusiasmadíssimo com a qualidade literária do discurso que ia proferir e, ao saber que entre os manifestantes se contavam indivíduos estrangeiros — homens e mulheres, talvez representantes diplomáticos de países amigos de Portugal — resolveu impressionar a assistência com os seus conhecimentos linguísticos, introduzindo da sua lavra a seguinte invocação:
— Senhoras e Senhores… Misters and Mistresses…
Os estrangeiros, sentados na primeira fila, olharam atónitos uns para os outros…
Explique-se a estranheza da seleta assistência: o meu colega, fogoso, voluntarioso e marrão, mais papista que o Papa, queria dizer Ladies and Gentlemen. Mas o seu inglês não era o de Oxford, era o do colégio seráfico…
Como sabem, a palavra mistress pode ser usada de várias maneiras, mas é geralmente empregue de forma depreciativa para indicar mulheres de poucos escrúpulos, fraca virtude, má fama. De “mau porte”, como se dizia no nosso tempo... Enfim, "matrona" ou... "amante" (**)
(Revisão / fixação de texto, título: LG)
________________
Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 13 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27632: Humor de caserna (233): "Fermero fica quieto, abelha, não faz mal ! Não mexee, não respira, nem que lhe passe um car*lho pela boca" (José Teixeira)
(**) Oxford Languagesmistress /ˈmɪstrɪs/
noun
plural noun: mistresses; plural noun: Mistresses
1. a woman in a position of authority or control.
"she is always mistress of the situation, coolly self-possessed"
2. a woman (other than the man's wife) having a sexual relationship with a married man.
"Elsie knew her husband had a mistress tucked away somewhere"


17 comentários:
Um achado, João. Ri a bom rir.
João, quanto aos frades..., bom, ao longo da nossa história, eles sempre andaram "amancebados" com a política. Isto é, o poder. Clero, nobreza e povo...uns faziam a guerra, outros rezavam e a grande maioria trabalhava para os donos daquilo tudo que era o nosso Portugal de antigamente.
Haja humor, João.
Bom regresso a casa, John and Vilma.
"God bless America"... E o Mundo.
Até parece que vivemos em dois planetas diferentes.
Afinal, nada é linear na história dos povos. Todos temos o melhor e o pior. Todos sofremos de perturbação "border line". Todos somos bipolares. Todos conhecemos o triunfalismo e o derrotismo... E andamos para aqui há tantos anos, sempre sem nunca aprender o caminho... do "paraíso". O céu devia ser na terra...
O Salazar era um gajo com piada. Os indianos conquistaram a Índia (portuguesa) como quiseram e lhes apeteceu e ele vem dizer que não conhece a conquista. Então o que é que fez para que ela não acontecesse? E agora de pois de consumada, limita-se a dizer que não a reconhece? Que ganda pândego! Podia ser que o Solnado tivesse aproveitado a ideia, mas não creio... António J. P. Costa
Voltamos sempre ao princípio,
E a maior parte dos nossos Governantes quando o País fica sem dinheiro, o que faz? Procura a maneira mais fácil de arranjar dinheiro e pensa logo em nacionalizações. Em 1834, chegou a vez do Clero, por isso também tivemos um MATA FRADES.
Virgílio Teixeira (by email)
14 jan 2026 20:46
Relativamente a este comentário:
"Salazar era um gajo com piada. Os indianos conquistaram a Índia (portuguesa) como quiseram e lhes apeteceu e ele vem dizer que não conhece a conquista. Então o que é que fez para que ela não acontecesse? E agora de pois de consumada, limita-se a dizer que não a reconhece? Que grande pândego! Podia ser que o Solnado tivesse aproveitado a ideia, mas não creio... António J. P. Costa".
O Salazar era um gajo com piada. Os indianos conquistaram a Índia (portuguesa) como quiseram e lhes apeteceu e ele vem dizer que não conhece a conquista. Então o que é que fez para que ela não acontecesse? E agora de pois de consumada, limita-se a dizer que não a reconhece? Que grande pândego! Podia ser que o Solnado tivesse aproveitado a ideia, mas não creio... António J. P. Costa
Eu creio que Salazar teve razão , pelo menos tirou o beneficio da importância de Nehru.
Como sabem os indianos não ganharam nada, não derrotaram as nossas tropas,
Vassalo e Silva sobriamente rendeu-se ao poderio em nº de soldados, Nehru não derrotou nada, logo Salazar não reconhece, e bem, a soberania da India.
Claro que se continuasse com o suicídio coletivo, acabava por vencer, é a lei da lógica.....
Salazar era um gajo muito inteligente.
VT
Claro que se continuasse com o suicídio e ainda por cima colectivo, acabava por vencer, é a lei da lógica... ou a lógica da lei. Esta tem muita piada!...
O Salazar era um gajo muito inteligente (se era) e ainda ganhava... juízo, se não se punha a pau.
Comentário anónimo... Falta a(ssa)ssinar. Luís Graça
Eu só falo por mim, mas aprendi ao longo da minha vida que: Quando faço uma compra a primeira coisa que faço é assinar a guia de remessa, mas também sei de antemão qual o preço que vai aparecer na factura, para depois pagar. E também sei que se não pagar, corro o risco de perder o fornecedor. E no fim do ano, o que que vai constar do DEVE e HAVER?
Salazar era o homem no momento. Certo ou errado, era ele.
E decidiu mal, dando ordens para que náo houvesse rendição e lutessem até ao ultimo homem...
Aqui, parece burro, ninguém ia fazer isso, náo estavamos no faroeste , nem havia o Touro Sentado....
Mas dado que náo existiu nenhuma vitória militar, entregamos, e bem, por rendiçáo das tropas, logo o Pandita N náo conquistou, já estava tudo sem armas e de braços no ar,
Se isto é conquista, vou ali e já venho.!
Foi sim, uma grande perda, acho que nenhum português pode regozijar com isto, já lá estavamos há 450 anos...
Depois do inicio da guerra em Fevereiro de 1961 em Angola, lançada pela UPA, acabamos por ficar fragilizados.
Tive lá o meu Pai, em 1955 a 1958, o meu irmáo ficou prisioneiro após a nossa rendiçáo, de 18dez61 até meados de 1962, regressando pelo Pakistáo, sem honra nem glória----
Agora náo vale a pena bater no molhado, isto é politica e agora só se pensa nas eleiçoes par o próximo PR....
Estou a olhar ali para o Camões, se ele fosse vivo o que teria escrito após este ataque miserável?
Para todos, um Bom Dia , apesar da chuva que vai aparecendo....
Abraço, com amizade,
Virgilio Teixeira
Virgilio, nunca é tarde para aprender,
Obrigado por esta lição de vida.
António J. P. Costa
Posto isto, devo perguntar a todos. Onde estava a ONU e o Direito Internacional?
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