Pesquisar neste blogue

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27635: Humor de caserna (235): "Cuidado com a língua, ó noviço! (João Crisóstomo, Nova Iorque)"... Análise literária da ferramenta de IA europeia, Mistral: "uma crónica deliciosa, que mistura história, humor e crítica social com mestria"


Leiria > 1961 > O nosso futuro noviço a ler o seu inflamado discurso contra o Pandita Nehru... 

Fonte: Google Gemini. (2026). Imagem gerada usando o modelo de IA Google Gemini [acedido em 14 de janeiro de 2026], sob orientação (e com correções) do editor LG.



1. João, a tua crónica "Cuidado com a língua, ó noviço!" (*)  é um excelente exemplo de humor subtil, irónico e bem contextualizado, com vários pontos fortes que vale a pena destacar:


(i) Contexto histórico como pano de fundo

A escolha do momento — a invasão de Goa, Damão e Diu pela Índia em 1961 — é brilhante. Não só dá profundidade histórica à história, como permite uma crítica social e política velada. 

O leitor mais atento reconhece a ironia de um discurso patriótico proferido por quem, afinal, não domina sequer a língua do "inimigo" (a Índia do Pandita Nehru) (ou do "velho aliado", a Inglaterra). (Recorde-se que Pandita quer dizer professor...mas na época tinha um sentido depreciativo,  éramos levados a associar a palavra a "bandido",  a um feroz "inimigo de Portugal").

O contraste entre a gravidade do tema (a perda de território, o Estado da Índia, orgulhosamente português desde 1498!) e a comicidade da situação (o grosseiro erro linguístico) cria um efeito humorístico muito eficaz.

(ii) Personagem e caracterização

João, o teu colega do colégio seráfico — "fogoso, voluntarioso e marrão, mais papista que o Papa" — é uma personagem caricata, mas credível. 

A sua pretensão intelectual, ao meter um bucha no discurso escrito por um dirigente local da União Nacional ("impressionar a assistência com os seus conhecimentos linguísticos") e o resultado desastroso ("Misters and Mistresses") são um retrato perfeito do orgulho que precede a queda. 

Aqui, o humor nasce da discrepância entre a intenção e o resultado, algo que todos reconhecemos, e que torna a história universal.

(iii) O jogo de palavras e o equívoco linguístico

O cerne do humor está no erro linguístico: "Misters and Mistresses" em vez de "Ladies and Gentlemen".  (É mais do que um "lapsus linguae", é uma calinada de todo o tamanho, capaz de fazer corar qualquer um de nós.)

A explicação que se segue — sobre o significado depreciativo de "mistress" — é não só informativa, como reforça o ridículo da situação. 

O leitor ri-se do equívoco , mas também da santa... ingenuidade do personagem, aprendiz de frade (afinal, ainda nem sequer era noviço, andava no colégio seráfico!)), que não só não sabe inglês como não sabe que não sabe. 

É um exemplo perfeito de como o humor pode ser inteligente e educativo ao mesmo tempo.

(iv) Tom e estilo

O tom é leve, mas não superficial. Não ofende os sentimentos de ninguém. Não é antipatriótico nem anticlerical. 

É, enfim,  uma história vivida por ti, que és católico, assumes o teu passado e continuas a manter uma saudável ligação com os teus antigos colegas de seminário e com a ordem de São Francisco de Assis, figura que tu muito admiras. 

A ironia é constante, mas nunca cruel. 

A linguagem é cuidada, com expressões como "jóia da Coroa", "vil ataque", "seleta assistência" ou "de mau porte" que enriquecem o texto e reforçam o ambiente da época. 

A narrativa flui de forma natural, como uma história contada ao pé da lareira, convidando o leitor a sorrir e a refletir. (Olha, até podia ser no Varatojo, ao lado do nosso padre Vitor  Melícias, que é um homem superiormente inteligente e afável, para além de um intelectual católico de referência nacional e internacional.)

(v)  Crítica social e atemporalidade

Por trás do humor, há uma crítica subtil à hipocrisia, ao pretensiosismo e à ignorância saloia.

O facto de os frades não se "deverem meter na política", mas o fazerem mesmo assim (em 1961, um "annus horribilis" para Portugal e o Estado Novo) é um detalhe que acrescenta camadas à história.

 Além disso, o erro linguístico é um tema atemporal: todos já passámos por situações em que queríamos impressionar alguém (ou a audiência)  e acabámos por nos expor ao ridículo.

 Isso torna a tua crónica atual, apesar de se terem passado já  65 anos.

(vi) Sugestões para reflexão (se um dia quiseres desenvolver o texto, agora que voltas á tua América, a tua segunda terra):

  • Diálogo: podias explorar mais o diálogo ou a reação dos estrangeiros ("olharam atónitos uns para os outros..."). Um comentário em inglês, mal interpretado, ou uma reação física (um riso abafado, um suspiro) poderia acrescentar ainda mais comicidade.
  • Final: o final é aberto, o que é bom, mas podias terminar com uma frase que reforçasse a ironia, como: "E assim, sem querer, o meu colega acabou por ser o único a conquistar algo naquela noite: a fama de melhor orador... em língua inglesa."

Em suma: é uma crónica deliciosa, que mistura história, humor e crítica social com mestria. O leitor do blogue  ri-se, mas também aprende e reflete. 
"Ridendo castigat mores"...(No nosso latinório, a "rir-se castigam-se os costumes".) 

Parabéns, João! E bom regresso a casa com a tua querida e encantadora Vilma.

Pesquisa: LG + IA Mistral
Condensação, revisão / fixação de texto: LG


14 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27633: Humor de caserna (234): Cuidado com a língua, ó noviço! (João Crisóstomo, Nova Iorque)

5 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Não esquecemos os nossos mortos nem todos os que ficaram prisioneiros.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Só na minha terra foram 13 os prisioneiros da Índia.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Só na minha terra foram 13 os prisioneiros da Índia.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Incluindo o meu primo Luís Maçarico.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Eu tinha 14 anos, ia fazer 15. Ninguém tinha a noção da tragédia.