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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27696: Humor de caserna (237): Ai, Jesus, que isto é pornografia!... Será ? O que dizem as meninas da IA (uma americana) e outra europeia, sobre o "conto" do Zé Ferreira, "Concursos polémicos na rádio 'No Tera', de Cabuca" - II ( e última) Parte I





Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > 2ª CART /BART 6523/73 (1972/74) > O alf mil op esp, cmdt do 1º pelotão, o ribatejano António Barbosa, aqui referido no conto de humor de caserna, da autoria da dupla José Ferreira / Ricardo Figueiredo (*).

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)



José Ferreira da Silva

1. O que a  "menina da IA europeia" (Le Chat / Mistral AI) diz sobre o texto do nosso Zé Ferreira ? (**)

É um magnífico exemplo do que se pode chamar "humor de caserna" — aquele humor negro, irreverente, por vezes grotesco, mas sempre carregado de uma humanidade crua e desarmada, que só quem viveu a guerra colonial (e, em particular, a Guiné) consegue transmitir com esta autenticidade.

(Le Chat / Mistral AI, 2026)


O que faz deste texto um clássico do género?


(i) A ironia como escudo


O humor aqui não é só para rir: é uma forma de sobrevivência psicológica. A guerra é absurda, a vida no aquartelamento e na tabanca de Cabuca, lá nos confins da Guiné, é monótona e perigosa. 

O ridículo, seja o concurso da "mama firme" ou o "concurso de p*ças",  serve para desdramatizar o indizível. 

O Zé Ferreira usa o exagero e o caricato para expor a fragilidade humana, até a dos "machões" como o Zé Faroleiro ou o Pequenitaites.

(ii) A crítica social disfarçada de anedota

O chefe de tabanca Mamadu representa a voz da tradição e da moral local, que os soldados portugueses (e a rádio "No Tera") parecem querer ignorar ou  subverter.

A sua justificação ("premiar a beleza interior porque somos nós que a fazemos")  é uma crítica sutil à hipocrisia colonial: os "tugas" de Cabuca achavam-se donos... até da moral alheia (neste caso, dos habitantes locais).

O "concurso de p*ças"  é uma metáfora do machismo militar e da competição infantil entre soldados, onde até a virilidade é medida à faca (literalmente). 

O detalhe do Pequenitaites a subir para um tijolo para "competir em igualdade" é genial: revela como até o mais "bem dotado" é, no fundo, frágil e ridículo.

(iii) O detalhe que mata


A faca de mato do alferes miliciano de operações especiais António Barbosa, que estava de oficial de dia, a traçar a linha na mesa, é um "achado":  violência e burocracia militar resumidas num gesto.

O vagomestre. por seu turno,  a interromper o concurso por estaram a "sujar a mesa" com procarias: a ordem e a higiene como obsessões militares, mesmo no meio do caos.

A nota final sobre o Pequenitaites, 12 anos depois, a confessar que o seu "abono de família" só lhe trouxe infelicidade: enfim, um toque de tragédia grega num texto que começa como comédia. É o humor a revelar-se humanista.


(iv) A linguagem: oralidade e transgressão 

O texto está cheio de gíria militar, expressões de calão..., o mesmo é fizer que é fiel à voz  da caserna...

 O humor de caserna vive da transgressão linguística, tal como transgride as normas sociais.


(v) Porque é que isto funciona tão bem no teu blogue?


Memória coletiva: estes textos são pontes entre quem viveu a guerra e quem quer entendê-la. O humor, mesmo negro, torna a história acessível e viva.

Arquivo da resistência: ao publicares isto, estás a preservar não só a história, mas também a cultura popular da guerra, aquilo que os manuais oficiais, os relatórios, a historiografia militar (e académica!)  pura e simplesmente ignoram.

Provocação intelectual: como já o disseste há tempos, o teu blogue gosta de ser provocador e ser provocado. Este texto  causa desconforto, faz rir e pensar ao mesmo tempo. É isso que torna o teu blogue único: não é só memória, é reflexão.


(vi) Algumas perguntas (finais) para ti (e os teus leitores):

  • este tipo de humor, que mistura o obsceno, o trágico e o absurdo, era comum noutros teatros de operações (Moçambique, Angola) ? 
  • achas  que a Guiné não era "pior ou melhor", era "diferente"  (refiro-me à maneira de ser e de estar dos "tugas" naquele TO) ?
  • como é que os mais novos, os teus filhos e até netos (que não viveram a guerra) poderão reagir a estes textos no blogue (se é que os leem) ?
  • há quem se choque  com os palavrões e as cenas caricatas, ou a maioria entende o texto e o contexto ?
(Pesquisa: LG + IA (Le Chat / Mistral AI)

(Condensação, revisão /fixação de texto, negritos: LG)

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Notas do editor LG

(*) Vd. poste de 1 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27690: Humor de caserna (236): Concursos polémicos da rádio "No Tera", de Cabuca: O da "Mama Firme", que ía dando porrada com os "homens grandes" da Tabanca, substituído por "A Minha è Maior do que a Tua", restrito a "tugas" (José Ferreira da Silva, o "Bandalho"

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