Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > 2ª CART /BART 6523/73 (1972/74) > O alf mil op esp, cmdt do 1º pelotão, o ribatejano António Barbosa, aqui referido no conto de humor de caserna, da autoria da dupla José Ferreira / Ricardo Figueiredo (*).
Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)
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José Ferreira da Silva |
É um magnífico exemplo do que se pode chamar "humor de caserna" — aquele humor negro, irreverente, por vezes grotesco, mas sempre carregado de uma humanidade crua e desarmada, que só quem viveu a guerra colonial (e, em particular, a Guiné) consegue transmitir com esta autenticidade.
(Le Chat / Mistral AI, 2026)
(Le Chat / Mistral AI, 2026)
O que faz deste texto um clássico do género?
(i) A ironia como escudo
O humor aqui não é só para rir: é uma forma de sobrevivência psicológica. A guerra é absurda, a vida no aquartelamento e na tabanca de Cabuca, lá nos confins da Guiné, é monótona e perigosa.
(i) A ironia como escudo
O humor aqui não é só para rir: é uma forma de sobrevivência psicológica. A guerra é absurda, a vida no aquartelamento e na tabanca de Cabuca, lá nos confins da Guiné, é monótona e perigosa.
O ridículo, seja o concurso da "mama firme" ou o "concurso de p*ças", serve para desdramatizar o indizível.
O Zé Ferreira usa o exagero e o caricato para expor a fragilidade humana, até a dos "machões" como o Zé Faroleiro ou o Pequenitaites.
(ii) A crítica social disfarçada de anedota
O chefe de tabanca Mamadu representa a voz da tradição e da moral local, que os soldados portugueses (e a rádio "No Tera") parecem querer ignorar ou subverter.
(ii) A crítica social disfarçada de anedota
O chefe de tabanca Mamadu representa a voz da tradição e da moral local, que os soldados portugueses (e a rádio "No Tera") parecem querer ignorar ou subverter.
A sua justificação ("premiar a beleza interior porque somos nós que a fazemos") é uma crítica sutil à hipocrisia colonial: os "tugas" de Cabuca achavam-se donos... até da moral alheia (neste caso, dos habitantes locais).
O "concurso de p*ças" é uma metáfora do machismo militar e da competição infantil entre soldados, onde até a virilidade é medida à faca (literalmente).
O "concurso de p*ças" é uma metáfora do machismo militar e da competição infantil entre soldados, onde até a virilidade é medida à faca (literalmente).
O detalhe do Pequenitaites a subir para um tijolo para "competir em igualdade" é genial: revela como até o mais "bem dotado" é, no fundo, frágil e ridículo.
(iii) O detalhe que mata
A faca de mato do alferes miliciano de operações especiais António Barbosa, que estava de oficial de dia, a traçar a linha na mesa, é um "achado": violência e burocracia militar resumidas num gesto.
O vagomestre. por seu turno, a interromper o concurso por estaram a "sujar a mesa" com procarias: a ordem e a higiene como obsessões militares, mesmo no meio do caos.
A nota final sobre o Pequenitaites, 12 anos depois, a confessar que o seu "abono de família" só lhe trouxe infelicidade: enfim, um toque de tragédia grega num texto que começa como comédia. É o humor a revelar-se humanista.
(iv) A linguagem: oralidade e transgressão
(iii) O detalhe que mata
A faca de mato do alferes miliciano de operações especiais António Barbosa, que estava de oficial de dia, a traçar a linha na mesa, é um "achado": violência e burocracia militar resumidas num gesto.
O vagomestre. por seu turno, a interromper o concurso por estaram a "sujar a mesa" com procarias: a ordem e a higiene como obsessões militares, mesmo no meio do caos.
A nota final sobre o Pequenitaites, 12 anos depois, a confessar que o seu "abono de família" só lhe trouxe infelicidade: enfim, um toque de tragédia grega num texto que começa como comédia. É o humor a revelar-se humanista.
(iv) A linguagem: oralidade e transgressão
O texto está cheio de gíria militar, expressões de calão..., o mesmo é fizer que é fiel à voz da caserna...
O humor de caserna vive da transgressão linguística, tal como transgride as normas sociais.
(v) Porque é que isto funciona tão bem no teu blogue?
Memória coletiva: estes textos são pontes entre quem viveu a guerra e quem quer entendê-la. O humor, mesmo negro, torna a história acessível e viva.
(v) Porque é que isto funciona tão bem no teu blogue?
Memória coletiva: estes textos são pontes entre quem viveu a guerra e quem quer entendê-la. O humor, mesmo negro, torna a história acessível e viva.
Arquivo da resistência: ao publicares isto, estás a preservar não só a história, mas também a cultura popular da guerra, aquilo que os manuais oficiais, os relatórios, a historiografia militar (e académica!) pura e simplesmente ignoram.
Provocação intelectual: como já o disseste há tempos, o teu blogue gosta de ser provocador e ser provocado. Este texto causa desconforto, faz rir e pensar ao mesmo tempo. É isso que torna o teu blogue único: não é só memória, é reflexão.
(vi) Algumas perguntas (finais) para ti (e os teus leitores):
- este tipo de humor, que mistura o obsceno, o trágico e o absurdo, era comum noutros teatros de operações (Moçambique, Angola) ?
- achas que a Guiné não era "pior ou melhor", era "diferente" (refiro-me à maneira de ser e de estar dos "tugas" naquele TO) ?
- como é que os mais novos, os teus filhos e até netos (que não viveram a guerra) poderão reagir a estes textos no blogue (se é que os leem) ?
- há quem se choque com os palavrões e as cenas caricatas, ou a maioria entende o texto e o contexto ?
(Pesquisa: LG + IA (Le Chat / Mistral AI)
(Condensação, revisão /fixação de texto, negritos: LG)
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Notas do editor LG
(*) Vd. poste de 1 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27690: Humor de caserna (236): Concursos polémicos da rádio "No Tera", de Cabuca: O da "Mama Firme", que ía dando porrada com os "homens grandes" da Tabanca, substituído por "A Minha è Maior do que a Tua", restrito a "tugas" (José Ferreira da Silva, o "Bandalho"
(**) Último poste da série > 2 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27692: Humor de caserna (237): Ai, Jesus, que isto é pornografia!... Será ? O que dizem as meninas da IA (uma americana) e outra europeia, sobre o "conto" do Zé Ferreira, "Concursos polémicos na rádio 'No Tera', de Cabuca" - Parte I



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