Foto nº 5 > Guiné > s/l (Nhacra, donde partiu a coluna que entrou em Bissau a 3 de junho ou) > 1915 > Ao centro, o Abdul [Injai], "chefe de guerra" (1); e à esquerda, "o capitão [médico], sr. Francisco Regala", de chapéu e bigode (2)... Em primeiro plano, quatro músicos, três dos quais tocadores de cora (cujo papel deveria ser o de galvanizar os combatentes, irregulares, sob a chefia do Abdul Injai). (A numeração dos combatentes é da responsabilidade da revista, "Ilustração Portuguesa").
Foto nº 4A > Guiné > s/l (Nhacra, donde partiu a coluna para atacar Bissau) > 1915 > Partida para a guerra contra os papéis e grumetes da ilha de Bissau: os oficiais da coluna; o capitão de infantaria Teixeira Pinto, à esquerda (1); o capitão médico Francisco Regala, ao centro (2); e à direita, o segundo tenente de marinha, José Francisco Monteiro (3).
Foto nº 4 ...Faltam aqui mais dois oficiais: segundo tenente da marinha Queimado de Sousa e ten inf Henrique de Sousa Guerra. De se
Foto nº 6 > Guiné > s/l (Nhacra) > 1915 > Aparelhando os cavalos para a partida da coluna.
Foto nº 7 > Guiné > s/l (Nhacra) > 1915 > Partida de um grupo de irregulares que vão juntar-se às restantes forças.
Foto nº 1 > Guiné > s/l> 1915 > O veleiro Luso, transportando as forças irregulares que vieram combater os 'papéis'.
Foto nº 2 > Guiné > s/l (Nhacra) > A coluna preparando-se para partir para a guerra.
1. A propósito das "campanhas de pacificação" (um eufemismo...) (*), reproduzimos aqui um pequeno texto e fotos das operações de 1915 (13 de maio / 17 de agosto), contra os papéis e os grumetes da ilha de Bissau (apoiados direta ou indiretamente pelos franceses que nunca viram com bons olhos aquele "enclave" português na grande África ocidental francesa), operações em que participaram, entre outros, o cap inf Teixeira Pinto, o cap médico Francisco Regala, o tenente da marinha José Francisco Monteiro, e o cap inf Sousa Guerra, e o chefe das tropas auxiliares, Abdul Injai (, de etnia Uolofe, nascido em Casamansa, hpoje Senegal.
"Para as as tropas portuguesas que operam na Guiné tem sido assaz trabalhosa a sua campanha contra o gentio que estrangeiros e portugueses desnaturados e antipatriotas têm açulado contra a nossa soberania.
Mas,apesar das rudes marchas por terrenos empestados, não afrouxou o ardor dos nossos soldados que parece animarem-se ainda mais quanto maiores forem os perigos a que se expõem.
A insubmissa ordem dos 'papéis' tem sentido os resultados da sua rebeldia no castigo eficacíssimo que as nossas tropas lhes têm aplicado, obrigando-os a uma pacificação tão desejada para aquela nossa colónia que, apesar de insalubre, possui uma agricultura invejável pela sua enorme riqueza.
A campanha continua ainda muito acesa em vários pontos, mas espera-se, pelos reforços que para lá têm sido enviados, que dentro em breve as tropas portuguesas dominem a região, o que decerto constituirá mais uma brilhante vitória para o prestígio nacional".
Fonte: "Ilustração Portuguesa". 2.ª série, n.º 502, 4 de Outubro de 1915, pp. 447/448. Diretor: J. J. da Silva Graça; Propriedade: J.J. da Silva Graça, Lda; Ed lit. José Joubert Chaves.
(Cortesia de Hemeroteca Municipal / Càmara Municipal de Lisboa; é de reconhecer publicamente o extraordinário trabalho dã Hemeroteca Municipal de Lisboa, em termos de arquivo, tratamento, digitalização e divulgação destes periódicos centenários, cujo conteúdo merece ser conhecido pelos nossos leitores, antigos combatentes na Guiné, 1961/74).
(Seleção, revisão / fixação de texto, edição e legendagem das fotos: LG)
2. A notícia é dada em outubro de 1915, já a campanha tinha terminado, em 17 de agosto, com a vitória inequívoca do hábil e destemido cap inf Teixeira Pinto (a quem os guineenses hoje devem possivelmente o facto de terem um país que não foi engolido pelo colonialismo francês; hoje seria parte integrante do Senegal e/ou da Guiné-Conacri).
A "Ilustração Portuguesa" (fundada em 1903, com uma II série a partir de 1906) era uma edição semanal do jornal "O Século", republicano. Custava 10 centavos o número avulso A assinatura anual era de 4$80 centavos (Portugal, colónias portuguesas e Espanha).
Recorde-se que, com a proclamação da República (em 5 de outubro de 1910), o escudo (=1000 réis) passou a ser a nova moeda. Estava dividido em 100 centavos. 10 centavos eram portanto 100 réis. O escudo irá sofrer uma grande desvalorização com I Grande Guerra.
Foi a primeira publicação a fazer grande uso da fotografia, recorrendo não só a fotógrafos profissionais (como o Joshua Benoliel, o primeiro grande fotojornalista português), como amadores: muitas das fotos da I Grande Guerra e da guerra em África são dos próprios participantes no conflito (no caso destas fotos de Bissau, 1915, desconhece-se o seu autor).
Entretanto, e a propósito dos oficiais portugueses acima retratados, recorde-se o nome do cap médico Francisco Regala, já aqui referido no nosso blogue, por um seu bisneto (**), e nosso leitor: Francisco Augusto Monteiro Regalla "combateu em 1915 na coluna de operações em Bissau" e fez parte, durante algum tempo, da guarnição da Fortaleza da Amura...
Francisco Regala nasceu em Aveiro, em 1871, e morreu em 1937, com o posto de coronel médico. Foi autarca no Mindelo, São Vicente, onde está sepultado. Era uma figura muito querida dos mindelenses.
Enfim, apontamentos sobre a historiografia da presença portuguesa (nem sempre "pacífica"...) em África (***)...
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Notas do editor:
(*) Vd. poste de 15 de fevereiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26499: Os 50 Anos do 25 de Abril (35): Lisboa, Belém, Museu de Etnologia, até 2/11/2025: Exposição "Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário. O Colonialismo Português em África: Mitos e Realidades" - Parte II
(**) Vd. poste de 25 de junho de 2017 > Guiné 61/74 - P17509: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (43): o coronel médico, meu bisavô, Francisco Augusto Regalla (Aveiro, 1871 - Mindelo, 1937): pedido de utilização de foto da fortaleza da Amura de cuja guarnição ele fez parte em 1915 (Ricardo Moreira Regalla Dias-Pinto, Cascais)
(***) Último poste da série > 12 de fevereiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26488: Historiografia da presença portuguesa em África (464): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Official do Governo da Província da Guiné Portuguesa, 1895 (22) (Mário Beja Santos)
5 comentários:
Na foto nº 5, será que o Abdul Injai está bem identificado (nº 1) ?
Ainda hoje é uma figura controversa...este Abdul Injai, nascido no Senegal e aliado "ad hoc" do Teixeira Pinto...Querem-no enfileirar ao lado do Cabral, como resistente anticolonialista... Propaganda dos franceses ?
Releia-se o que aqui escreveu o nosso incontornável (e infatigável...) Beja Santos, na sua recensão sobre um dos livros do René Pélissier:
5 de outubro de 2012 > Guiné 63/74 - P10485: Notas de leitura (414): "História da Guiné, Portugueses e Africanos na Senegâmbia, 1841-1936", por René Pélissier (3) (Mário Beja Santos)
(...) É neste contexto de campanhas intermináveis, de embaraçantes guerras fiscais, de operações contra os balantas, e tendo ocorrido a queda da monarquia e o aparecimento da República, que René Pélissier elenca um conjunto de factos de importância indiscutível: a criação da liga guineense, formada por notabilidades, comerciantes que reclamavam uma maior autonomia, atraindo para a sua causa funcionários e profissões liberais; com a República e o reconhecimento do direito à greve, ocorrem greves logo em Junho de 1911, em Bolama; persistindo as sublevações, repensa-se um plano de conquista e o capitão João Teixeira Pinto (1913-1915) entrou em ação. René Pélissier diz a seu respeito:
“Não veremos em Teixeira Pinto um brilhante produto de uma escola de guerra pois que, sem grande diferença, retoma os métodos de todos aqueles que tiveram de se bater com a ajuda de irregulares na Guiné, desde Marques Geraldes em 1886, Sousa Lage, em 1891-1892, Graça Falcão em 1897 e, em certa medida, Júdice Biker, em 1902, no Oio. Onde a sua superioridade se anuncia com mais clareza é na sua minúcia e na sua perseverança. Além disso, beneficia de 3 circunstâncias favoráveis e de um trunfo inestimável:
a) o seu teatro de operações está inteiramente circunscrito entre os rios Cacheu e Geba, de onde uma centralidade colonial que lhe evita fricções com os Franceses e encurta singularmente as suas linhas de abastecimento;
b) chefe de um Estado-maior de um governador pacífico (Carlos de Almeida Pereira) a quem tem de forçar a mão;
c) tem muito poucas tropas, mas alguns bons oficiais e, sobretudo, sabe encontrar e utilizar chefes de mercenários à altura das suas aspirações. A esse respeito, um Abdul Indjai ou um Mamadu Sissé vão compensar pela sua coragem e pelo seu ascendente a fraqueza dos efetivos portugueses;
d) obsidiado por uma ideia fixa: ser o liquidador das bolsas animistas, não tem naturalmente muitos escrúpulos em utilizar os islamizados contra esse reduto insubmisso”.
Segue-se a descrição das diferentes campanhas de Teixeira Pinto que culminam com a pacificação da Península de Bissau, tudo termina com a rendição de Biombo em 20 de Julho de 1915. (...)
Caro Luis, a figura do lendario Abdul Injai esta bem identificada e, contrariamente ao que se poderia imaginar, era um homem de porte normal, a sua forca, certamente, residia na sua experiencia de vida, coragem e forte personalidade que lhe permitia ultrapassar as barreiras do medo psicologico e galvanizar os seus seguidores.
Cherno AB
Obrigado, Cherno, no poste a seguir publica-se outra foto do Abdul Indjai, a quem a "Ilustração Portuguesa" chama Madoul N'djou, erro típico de transcrição...(ou de falta de rigor).
Já agora, o grupo uolofe é aparentado com o fula ? Parece-me que não...
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