domingo, 23 de Novembro de 2014

Guiné 63/74 - P13834: Agenda cultural (360): lançamento do livro "Estudos Gerais Universitários de Angola: 50 anos, história e memórias", edição Colibri, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 5ª feira, dia 27, às 18h00




1. A minha amiga Marília de Sousa, engenheira agrónoma reformada, natural de Angola, e a viver em Portugal desde 1975,  mandou-me este convite que quero partilhar com mais amigos de Angola. Trata-se do lançamento do livro "Estudos Gerais Universitários de Angola: 50 anos, história e memórias".  A iniciativa é de um conjunto de Antigos Alunos dos Estudos Gerais Universitários de Angola. A Marília de Sousa é coordenadora de uma equipa de seis e autora de alguns textos. A edição é da Colibri. A apresentação, a cargo da jornalista Helena Matos, é na Fundação Calouste Gulbenkian, Sala 1,  no próximo dia 27, 5ª feira. A minha amiga  fez o curso de agronomia no ISA, Lisboa, mas começou o ensino superior em Luanda.



2. Sobre a evolução do ensino superior universitária em Angola, 
leia-se aqui este excerto do sociólogo angolano Paulo de Carvalho, uma voz crítica mas respeitada no seio da sociedade angolana de 
hoje [ Fez a licenciatura e o mestrado  em sociologia pela Universidade de Varsóvia, Polónia, e o doutoramento em Lisboa, no ISCTE -IUL, em 2004, com uma tese sobre "Exclusão Social em Angola. O caso dos deficientes físicos de Luanda"]




 (...) O ensino superior foi implantado em Angola (então colónia portuguesa) somente no ano de 1962, com a criação dos Estudos Gerais Universitários de Angola. A Igreja Católica tinha, porém, criado em 1958 o seu Seminário, com estudos superiores em Luanda e no Huambo (...). À criação dos Estudos Gerais Universitários de Angola seguiu-se a criação de cursos nas cidades de Luanda (medicina, ciências e engenharias), Huambo (agronomia e veterinária) e Lubango (...)  (letras, geografia e pedagogia).

/...) Em 1968, os Estudos Gerais Universitários de Angola foram transformados em Universidade de Luanda, tendo em 1969 sido inaugurado o Hospital Universitário de Luanda. A Igreja Católica havia, entretanto, criado em 1962 o Instituto Pio XII, destinado à formação de assistentes sociais.

 (...) No período colonial, o acesso ao ensino superior destinava-se somente a quem integrava as camadas superiores da hierarquia social, podendo mesmo dizer-se que, nos primeiros anos de implantação em Angola, era difícil que alguém pertencente às camadas médias da hierarquia social tivesse acesso ao ensino superior. O local de nascimento, o local de residência e a posição social determinavam claramente o acesso a este nível de ensino, que reproduzia para as gerações seguintes a estratificação social da Angola colonial. (...)

(...) Com a proclamação da independência política de Angola, em 1975, foi criada a Universidade de Angola (em 1976), mantendo-se uma única instituição de ensino superior de âmbito nacional. No ano de 1985, a Universidade de Angola passou a designar-se Universidade Agostinho Neto, que se manteve até 2009 como única instituição estatal de ensino superior no país. Neste ano, a Universidade Agostinho Neto (UAN) foi “partida” em 7 universidades de âmbito regional, mantendo-se a UAN a funcionar em Luanda e na província do Bengo, enquanto as faculdades, institutos e escolas superiores localizados nas demais províncias passaram a ficar afectos às demais seis novas universidades estatais. (...)

(...) Os Estudos Gerais Universitários de Angola, instalados em 1963 em Luanda e Huambo, possuíam em 1964 um número de 531 estudantes. No final do período colonial, esse número tinha evoluído para 4.176, com um aumento médio de 22,9% ao ano (...). Com o processo de descolonização, o número de estudantes diminuiu para 1.109 no ano de 1977, o que equivale a uma diminuição drástica, em 73,4%. Só por aqui se comprova a tese apresentada acima, segundo a qual o acesso ao ensino superior estava no período colonial vedado aos angolanos, cuja maioria se enquadrava nas camadas sociais mais desfavorecidas. (...)

Fonte: Paulo Carvalho - Evolução e crescimento do ensino superior em Angola. "Revista Angolana de Sociologia (RAS)", 9, 2012, pp,  51-58 [Texto integral disponível aqui[

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Nota do editor:

Guiné 63/74 - P13933: (Ex)citações (251): Nunca é demais recordar: a tragédia do Quirafo... foi há mais de 42 anos (Álvaro Basto)



Tabanca de Matosinhos > 2009 > "O Batista e o Mário Migueis que,.  juntamente com o Paulo Santiago, muito têm contribuído para o deslindar da verdade dos factos"

Foto (e legenda): © Álvaro Basto (2009). Todos os direitos reservados.[Edição: LG]




Maia > Moreira > Cemitério local > Foto do Jornal de Notícias, edição de 18 de Setembro de 1974, mostrando o soldado António da Silva Batista, a visitar a sua própria campa. A notícia do jornal era: "Morto-vivo depôs flores na sua campa". Na lápide pode ler-se: "À memória de António da Silva Batista. Faleceu em combate na província da Guiné em 17-4-1972".

A foto, de má qualidade, foi feita pelo nosso camarada Álvaro Basto, com o seu telemóvel, na Biblioteca Pública Municipal do Porto, e remetida ao Paulo Santiago. O Álvaro Basto [ex-fur mil enf da CART 3492, (Xitole, 1971/74] constatou, pessoalmente, no Saltinho, a impossibilidade de reconhcer os cadáveres dos nossos camaradas, da CCAÇ 3490, que morreram na emboscada do Quirafo, em 17/4/1972,  inckuindo o António Ferreira, . O Batista, dado como morto, foi afinal o único desaparecido: foi feito prisioneiro pelo PAIGC e só libertado em Setembro de 1974. É, de resto, o único sobrevivente de quem temos falado até aqui... Mas há outros...

Foto: © Álvaro Basto (2007). Todos os direitos reservados.[Edição e legendagem: LG]


1. Texto do Álvaro Basto  publicado há mais de cinco anos no blogue da Tabanca de Matosinhos (*) [Reproduzido aqui com a devida vénia].

Esta poste vem a propósito do caso do João Maximiano, uma das vítimas da emboscada do Quirafo (**)

[foto à esquerda, de 1972, Álvaro Basto, ex-fur mil enf, CART  3492 / BART 3873, Xitole, 1972/74]


17 de Abril de 1972 foi uma data fatídica para uma série de camaradas nossos [, da CART 3490,. Salltinho,. 1972/74] que nos deixaram de forma abrupta e traiçoeira.

Nesse dia o [António da Silva] Batista, deitado no chão após o enorme rebentamento das granadas de "bazooka" que íam pousadas dentro da GMC onde ele se tinha empoleirado, viu aproximar-se um "turra" e deitar-lhe a  mão ao cano da espingarda para ver se estava quente ou frio.

Felizmente estava frio pois o terror tinha-o paralizado... estava salvo por agora. O tiro de misericórdia que lhe estava destinado ficou reservado para outros que se contorciam com dores no chão.

Foi levado pelos guerrilheiros, desarmado pelo mato em coluna que o fizeram atravessar o rio Corubal por um caminho de pedras submersas e viu a água subir-lhe pelo corpo acima até ao pescoço. De repente pensou que não sabia nadar... não morri da emboscada e vou morrer aqui afogado, pensou.... mas a água foi lentamente descendo e finalmente estava do outro lado.

Esperavam-no longos meses de doloroso cativeiro. Foi um dia de pesadelo para os poucos que sobreviveram e para os que foram em socorro das vítimas. Imaginaram-se cenas, especularam-se hipóteses. No princípio nem se sabia ao certo quantos faltavam.

37 anos depois, alguns dos nossos camaradas da Tabanca de Matosinhos, entre os quais, alguns que viveram aquela tragédia no local, vão depositar uma coroa de flores no túmulo do António Ferreira no cemitério de Águas Santas juntamente com a Cidália, a sua viúva, prestando desta forma uma singela homenagem a todos quantos nesse dia pereceram em tão traiçoeira emboscada. (***)

A nossa imaginação exacerbada pelo horror da tragédia e as nossas recordações incompletas e distorcidas pelo tempo, fizeram a Cidália acreditar que o seu amado António Ferreira poderia ter sido capturado vivo e, à semelhança do que aconteceu com o Batista, um dia ainda regressar para o seio dos seus.

Arrumadas as ideias e refeitos os factos, infelizmente ficou comprovado que não. O seu corpo descansa em paz no túmulo que lhe reservaram na sua terra natal.

Bem hajam todos quantos se têm esforçado pela determinação da verdade dos factos. (****)

Álvaro Basto

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Notas do editor:

(*) Vd. Tabanca de Matosinhos & Camaradas da Guiné > sexta-feira, 17 de Abril de 2009 > P148-A emboscada do Quirafo foi há 37 anos [Álvaro Basto]

(**) Vd, poste de 22 de novembro de 2014 > Guiné 63/74 - P13927: Ser solidário (174): Vamos ajudar o nosso camarada João Maximiano, que encontrei em Leiria, ex-sold cond auto da CCAÇ 3490 (Saltinho), que continua a sofrer com as recordações da terrível emboscada de que foi vítima no Quirafo, em 17/4/1972... (Juvenal Amado, ex-1º cabo cond auto, CCS/BCAÇ 3872, Galomaro, 1971/74)

(***) Vd,. outros postes, do nosso blogue, publicados por ocasião da efeméride dos 37 anos da emboscada do Quirafo;

18 de abril de  2009 > Guiné 63/74 - P4207: In Memoriam (20): Para o António Ferreira e demais camaradas mortos no Quirafo (Juvenal Amado)

18 de abril de 2009 > Guiné 63/74 - P4205: In Memoriam (19): António Ferreira, 1.º Cabo TRMS da CCAÇ 3490, morto em combate no dia 17 de Abril de 1972 (Cátia Félix)

17 de abril de 2009 > Guiné 63/74 - P4202: Dia 17 de Abril de 1972. A emboscada do Quirafo, 37 anos depois (Mário Migueis)


17 de Abril de 2009 > Guiné 63/74 - P4200: Ainda e sempre a tragédia do Quirafo. Sortes distintas para António Batista e António Ferreira (Mário Migueis / Paulo Santiago)

31 de Março de 2009 > Guiné 63/74 - P4117: A tragédia do Quirafo: 37 anos para fazer o luto pelo António Ferreira (Paulo Santiago / Cátia Félix)

18 de Março de 2009 > Guiné 63/74 - P4046: Ainda a atroz dúvida da Cidália, 37 anos depois: O meu marido morreu mesmo na emboscada do Quirafo ? (Paulo Santiago)

(****) Último poste da série > 21 de novembro de 2014 > Guiné 63/74 - P13924: (Ex)citações (250): a autogrua Galion e o cais de Bambadinca, quatro anos depois, em novembro de 1973

Guiné 63/74 - P13932: Memórias de Gabú (José Saúde) (45): Incompreendidos e injustiçados



1. O nosso Camarada José Saúde, ex-Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523 (Nova Lamego, Gabu) - 1973/74, enviou-nos mis uma  mensagem desta sua fabulosa série.

As minhas memórias de Gabu


Camaradas, 


Stress pós-traumático de guerra: uma patologia irreversível 

Incompreendidos e injustiçados

O tema é perseverso, admito. Mas, foi, é e será uma realidade inquestionável com o progredir do tempo. Todos nós conhecemos pormenores de uma guerra que transvazou sentimentos onde a nossa irreverente juventude se sobreponha a uma ordem de fatores que ditava uma indesmentível verdade na hora exata em que se lutava pela sobrevivência: “matar para não morrer”.

Confesso que a temática da guerrilha na Guiné mexeu, seguramente, com todos os camaradas que palmilharam trilhos comuns e sempre imprevisíveis. Jamais reneguei que nós, putos na casa dos vinte anos, formávamos “esquadrões da morte” e que nunca premeditávamos o momento subsequente. Depois… vinham os tormentos.

Revejo as nossas saídas para o mato, ou as colunas que, a espaços, eram facilmente sujeitas a confrontos reais com um IN que na orla do matagal emboscava jovens soldados sem medo. Aliás, os estridentes sons das armas foram “receitas” cabais para uma peleja que ditava fins incompreensíveis. Era assim a guerra que conhecemos.

Um enorme frenesim mexia com as nossas almas. Vidas destroçadas e um futuro incerto. E a certeza diz-nos que muitos camaradas morreram, outros ficaram estropiados, outros feridos com maior ou menor gravidade e outros viverão eternamente sob uma patologia a que se dá o nome de stress pós-traumático de guerra.

Incompreendidos e injustiçados os antigos combatentes sentem que são gentes onde o lapidar de enfadonhos sobressaltos, e que foram de facto muitos, se entrelaçam com emoções, algumas fatídicas, assim como num abismal desconforto de que resultaram perturbações inevitavelmente indestrutíveis.

Percebo e compreendo a atitude de camaradas que se refugiam no silêncio quando a temática abordada é a guerra. Aquela maldita guerra que terminou com a Revolução dos Cravos – 25 de abril – já lá vão 40 anos. Um espaço curto que significa o seu fim, é certo, porém as feridas, não sanadas, teimam manter-se à tona das nossas vivências quotidianas.

Suavizando esses instantes de autênticos arrojos, resta fixarmo-nos sobre a nossa presença na Guiné, sublinhando, com convicção, que para trás ficou uma comissão militar forçada e a certeza de que fomos enviados para os “corredores da morte” em defesa de falsas razões impostas por pseudointelectuais que não abdicavam da fútil frase impingida a todos os que partiam para a guerra em além-mar: “Em defesa da Pátria”.

Sou mais um dos antigos camaradas que jamais se resignará perante as imposições de uma classe política que não soube e desconhece os horrores vividos pelos antigos combatentes numa frente de guerra tida como desumana e desigual, creio.

É justo, por isso, que as nossas vozes se façam ouvir, exaltando para um padecimento horrível num espaço que não conhecíamos e donde trouxemos raciocínios fortes para implorámos justiça. Uma justiça feita pelos homens e não por “advogados dos diabos” que optam por falácias imorais, sendo que as suas teses subservientes aos senhores do poder carecem, obviamente, de um rigor que me atrevo a citá-lo como bárbaro. 


Observo com atenção depoimentos de antigos camaradas. Camaradas que, não obstante a virtualidade de sermos hoje pessoas que já mergulhámos na casa dos 60 anos, outros nos 70, ainda sofremos de sequelas do stress pós-traumático de guerra que muito nos atormenta. Julgo, aliás, que poucos dormem isentos de maquiavélicos sonhos que nos transportam a pesadelos incontroláveis.



José Saúde, ex-Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523


Lembro, com um misto de nostalgia e de um suplício inquietante, a madrugada de 1 de fevereiro de 1985 uma ação levada a cabo no Bairro Alemão, em Beja, pelas FP 25. Morava no 6º andar de um edifício de uma rua próxima – 25 de abril - e ao ouvir os rebentamentos vim à janela, deparando-me então com um cenário que me transportou para outros lugares.

O meu estado de ansiedade foi enorme. A Guiné suplicava o recordar de ataques noturnos aos quartéis. O breu da noite implorava calma. Calma? Bolas, eu tremia que “nem varas verdes”. O resto da noite foi passada em branco.

No meu subconsciente existiam sons e imagens da guerra que pareciam não quebrar o infinito de um horizonte distante. Beja, naquela noite, foi palco de uma “guerrilha” que me transportou para as minhas memórias de Gabu que me fez recordar noites de insónia e de grandes pesadelos.

Camaradas, na minha ótica não é fácil tratar o tema da guerra de ânimo leve. Sou um ouvinte atento da temática. Sou, também, um espetador assíduo de comentários de antigos camaradas que timidamente contam detalhes pelos quais passou.

As esposas, senhoras que sempre souberam lidar com desastrosos momentos onde o desespero se cruzou com hilariantes atitudes do marido, foram, e são, personagens apaziguadoras de resquícios de uma guerra que trouxe, afinal, alterações comportamentais para os antigos combatentes que vivem ainda hoje manietados a um conflito onde foram apenas soldados de uma Pátria que persiste em subestimar a sua ação nas frentes de combate.

Incompreendidos e injustiçados, nós, antigos combatentes, apenas pedimos celeridade numa opção que se prende, simplesmente, com direitos afincadamente reclamados. Muitos camaradas já partiram para a eternidade; outros reclamam justiça; outros esperam em vão por resoluções que levam anos por decidir e outros aguardam pacientemente pelo dia em que sejamos, finalmente, reconhecidos. 

Camarada Juvenal Amado, este texto teve, também, como inspiração o post que assinas sobre o teu reencontro com o camarada João Maximiano e que esteve em Saltinho. Um homem que sofre de stress pós-traumático de guerra causado pela guerrilha do Guiné. Um camarada que esteve com a morte a seu lado.

Juvenal, meu amigo, sabes que este teu velho camarada absorve toda a informação sobre a temática de uma guerra que se estendeu por Angola, Moçambique e Guiné. Nessa colheita de informação retiro ensinamentos sobre essas três frentes de guerra e de onde resultam enfermidades eternas. O João Maximiano é, somente, mais um dos exemplos conhecidos Força, camarada! 


Incompreendidos e injustiçados permanecem, e é verdade, muitos dos nossos antigos camaradas. Fica o repto: até quando?



Um abraço, camaradas
José Saúde
Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523
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Nota de M.R.:

Vd. último poste desta série em: 

15 DE NOVEMBRO DE 2014 > Guiné 63/74 - P13899: Memórias de Gabú (José Saúde) (44): Imagens de Gabu em 1999


Guiné 63/74 - P13931: Convívios (644): encontro de fim de estação da tropa enquadrada na Magnífica Tabanca da Linha (texto de José Manuel Matos Dinis; fotos de Manuel Resende)


Um momento de boa disposição... No exterior do restaurante, o "magnífico secretário" da Magnífica Tabanca da Linha  recebe uma prenda do Veríssmo Ferreira... Percebe-se que é um pente para pentear a careca...


Da esquerda para a direita, o Mário Fitas (2º comandante da Tabanca da Linha), o Virgínio Briote (editor jubilado da Tabanca Grande), Luís Graça (editor deste blogue), e o António Graça de Abreu



Armando Pires, que vive em Miraflores, Oeiras, e que trouxe mais uns camaradas seus vizinhos, entre eles o Manuel Macias, do meu tempo de Contuboel...



O Manuel Macias à direita, um "rapaz do meu tempo de Contuboel"... À esquerda, um camarada, que foi 1º cabo aux enf, que me contou a sua história e que quer entrar para o blogue... Sei que tem um bar em Cascais... (Lamento não ter fixado o nome no meio de tantas caras novas).


A mesa do Armando Pires... (Peço desculpa por não saber identificar os demais camaradas)


O senhor Arroz de Marisco, ou melhor o senhor Marisco com Arroz



O Carlos Rios e a esposa [Este camarada conheci-o pessoalmente no funeral do Pepito,  foi fur mil na  CCAÇ 1420 / BCAÇ 1857, Mansoa e Bissorã, 1965/66]


Da esquerda para a direita, Domingos Francisco (que veio de Brejos de Azeitão), o Carlos Cruz e esposa



Aspeto geral da sala que comporta 80 lugares... De pé, o "magnífico secretário"


Em, frente, da esquerda para a direita, o António Fernando Marques (de que só se vê parte da cabeça),  o Luis R. Moreira, o responsável do restaurante (de pé), o Luís Graça, a Alice, o Nunes Sequeira e a Gina (esposa do Marques, vista parcialmente de perfil)


Da direita para a esquerda, o Manuel Lema Santos, a esposa, e a esposa  do José Rodrigues (que não aparece na foto)


O Francisco Palma e o José Rodrigues (de pé)


A mesa do Manuel Lema Santos (à esquerda, de camisola amarela de canarinho)


Da esquerda para a direita, o Manuel Resende e o João Martins


Da esquerda para a direita, a Helena (esposa do Mário Fitas), o Mário, o Rosales e um camarada que não identifico


Uma mesa de "magníficos tabanqueiros da Linha", cujos nomes não sei...(peço desculpa!)


Da esquerda para a direita, o Veríssimo Ferreira e o Manuel Joaquim

Cascais > Estrada do Guincho > Oitavos > XVI Convívio da Magnífica Tabanca da Linha > 20 de novembro de 2014 > Pede os magníficos tabanqueiros presentes neste convívio para nos ajudarem a completar as legendas... (LG)

Fotos: © Manuel Resende  (2014). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: LG]

1. Mensagem do José Manuel Matos Dinis, "magnífico secretário" da Magnífica Tabanca da Linha:

Data: 20 de Novembro de 2014 às 21:39
Assunto: Encontro de fim de estação da tropa enquadrada na Magnífica Tabanca da Linha

O tempo manteve-se chuvoso durante todo o dia. O João António, um jovem recruta da Magnífica, que prestou relevantes serviços no Tribunal Militar em Bissau durante os idos de 1970/71, veio desaguar à minha morada, de onde partimos para a delicada operação que, por entre perigos e guerras esforçadas, voltou a reunir a tropa em Oitavos, de onde se lobrigava o mar a rebentar nas rochas, e a levantar cortinas de espuma que a natureza cria com arte e espactacularidade.

Tinha entrado na estrada do Guincho, quando tocou o telefone. Atrapalhado pela pressão do cinto de segurança, o té-lé-lé escorregou para o chão, quase junto aos pedais. Com a esmerada preparação de combate, consegui baixar a cabeça no percurso de um pequeno segmento de recta, e apanhei-o. Quem é? perguntei com a mecânica do costume. e uma voz serena mas determinada de macho, respondeu-me com outra pergunta: diz-me cá ó militar, a tropa já está formada na parada e pronta para o briefing? Era S.Exa. o ComChefe [, o Jorge Rosales], ainda mais exigente e perturbador que S.Exa. o Comandante, e enrascado respondi que sim.

Pisei o acelerador para antecipar a chegada e avisar a cambada para a necessária apresentação de armas e outras mariquices concomitantes à condição militares, e ainda fazia a vènia que esboçara para um cumprimento submisso e engraixador, quando dei uma cabeçada no volante, e dei-me conta que já conduzia ao género dos ingleses, pelo outro lado da estrada, o que me valeu uma businadela de reprimenda da parte de outro condutor. Virei-me para trás a reclamar com um gesto ofensivo, mas também com uma guinada despropositada no guiador, do que resultou uma estúpida atrapalhação para manter a viatura dentro dos limites da estrada, enquanto fazia uma tangente perigosa com outro automóvel que circulava em sentido contrário. O João António, à falta de rosário, empregava a sua inútil energia a travar onde não havia travões.

Ao chegar a Oitavos deparei com a rebaldaria indisciplinada dos valentes militares, e algumas companheiras desde antanho, que não ligaram pevide às minhas súplicas para receberem com decoro e nos termos em vigor, S. Exa. o Com Chefe. Mais à rasca fiquei, quando ele chegou e o carro desapareceu da vista, face ao magote preocupante de guerreiros que o envolveram. Temi o pior, e sabedor do curto critério de comando de S. Exa., refugiei-me enquanto o maralhal, ao estilo do PREC, aumentava a sonoridade das saudações e do meu desconforto.

Emocionado, S.Exa. nem se interessou por formaturas, nem por quem lhe prestara a informação. Parecia que o incidente estava sanado. Houve novos mancebos a prestar rápidas homenagens que a fome apertava e urgia atacar o rancho. De entre eles destacava-se o meu enfermeiro favorito, o Domingos Francisco, que rumou desde Azeitão acompanhado por outros estóicos combatentes, e um velhote de cabelos brancos e bengala simbólica da provecta idade, o Carlos Cruz (cuidado com as confusões) pelo que desconfiei de haver ali cunha. Baldar-se-ia o gajo ao perigo do ataque? Não senhor, nem ele, nem os restantes sulistas que se bateram galhardamente. 

Andava eu nas atrapalhações revivalistas, quando um herói das primeiras gestas, me puxou pelo ombro e ofereceu-me uma prenda de Natal. Foi o Veríssimo [Ferreira], Abri o cuidadoso embrulho, e de lá retirei com surpresa, um pente adornado de uma fita enlaçada e cor-de-rosa. É muito meu amigo o Veríssimo, pelo que um dia destes terei que lhe cortar a barba do alto da cabecita aberrante. Também veio para manducar, e deu ao dente vingativamente. 

O Armando faia Pires atirou-se a mim, e ainda duvido, se foi por amizade, se por qualquer inveja do laçarote que envolvia o pente já mencionado. Pode ter sido por ambas as razões, o que não deixa de ser preocupante. O pessoal de Algés (onde se destaca o José Dinis - esse mesmo, o meu homónimo) é ainda fresco nestas operacionalidades, e nem sequer entrou em bicha de pirilau, mostrando com isso total desprezo pela vida. Mais avisado foi o António Maria, que mandou avançar os rebenta-minas. O Luís Moreira e o Jorge Pinto safaram-se, numa demonstração convicta de que ao pessoal de Sintra a sorte anda a protegê-los.

Por entre a multidão descobri o Jota-Jota Martins, que recentemente aqui celebrou o aniversário, mas correu tudo bem e sente-se cada dia mais jovem; o Lema Santos muito bem acolitado pela esposa, que não lhe dá liberdade para excessos alimentares; o Jota Rodrigues, também ele acompanhado da mulher, uma senhora de piada fácil e sorriso encantador; o Fogos  Carlos Rios e a mulher, o Marques e a Gina sempre dedicados companheiros, o José Manuel Bastos, o Tirano, o Carlos Silva, o Colaço, o Palma, o Manuel Joaquim, o AGA [, António Graça de Abreu], o Tozé Castanheira, o Amândio Santos, o jovial Malafaia Felicio, o Fitas segundo-comandante e a mulher, e o Pardal, que já têm experiência indisciplinada da matéria, foram convocados à refrega. 

De entre os mancebos, lembro-me do Carlos Nóvoa, homem de grande porte e coragem perante o inimigo, o Jesus que veio por iniciativa do fotógrafo oficial, e o Nunes Sequeira [ e esposa]

Outro casal iniciático, mas já conhecedor destes corredores da vida escaldante e perigosa, foi o Virginio Briote com a mulher ], Irene], simpática e interessada pelas questões harmónicas e desarmónicas da sociedade. O Manuel Resende a todos procurava fixar para memória futura de mais uma acção heróica. 

Foram cinquenta e cinco mastigantes que se bateram com valentia perante a bicheza que a cada um calhou em sorte. O Senhor Comandante Rosales colocou-se em lugar estratégico e de visual aberto, de onde cuidava as iniciativas e o avanço da "desformação". Também em lugar relevante, S.Exa. o ComChefe, acompanhado de sua mulher, a nossa tabanqueira Alice, também perscrutava os horizontes, e controlava o impacto da influência do nosso Comandante sobre a manobra táctica adoptada. O Resende com alguns salamaleque para S. Exa. o ComChefe cumpria o papel de crónista fotográfico, qual Fernão Lopes dos retratos. Aqui e ali, S.Exa. o ComChefe concorria com outra máquina e disparava a torto e a direito, apenas com objectivos artísticos.

Tudo parecia correr no melhor dos mundos, quando à despedida S.Exa. o ComChefe indagou por mim. Com ar severo repreendeu-me pela desorganização e pela falta de escrúpulos no cumprimento das regras na recepção ao mais patenteado e super-responsável pelas iniciativas da devastação dos variados inimigos ao longo dos hemisférios terrestres. Por isso punia-me com prisão, até à apresentação descritiva do evento, apesar do óbvio insucesso registado. " Noblesse, oblige".

 Assim, dou-vos conta deste relatório, produzido em condições espaciais muito reduzidas, desconfortáveis e de fraca luminosidade, com uma atmosfera marcada por cheiro fétido a urina e lixívia, pois fui colocado no canil até à apresentação da crónica, em virtude de decorrerem as obras para ampliação do edifício prisional. ESTOU FARTO DELES, TIREM-ME DAQUI!!!

a) O "magnífico secretário" José Manuel Matos Dinis
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Notas do editor:

(*) Vd. poste de 20 de novembro de 2014 > Guiné 63/74 - P13919: Manuscrito(s) (Luís Graça) (49): Homenagem à Magnífica Tabanca da Linha

Guiné 63/74 - P13930: Parabéns a você (819): José Saúde, ex-Fur Mil Op Esp do BART 6523 (Guiné, 1973/74)

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Nota do editor

Último poste da série > 19 de novembro de  2014 > Guiné 63/74 - P13913: Parabéns a você (818): Mário Migueis da Silva, ex-Fur Mil Rec Inf (Guiné, 1970/72)

sábado, 22 de Novembro de 2014

Guiné 63/734 - P13929: Convívios (643): Histórico dos encontros anuais da CART 3494 – PARTE 2 (Jorge Araújo/Sousa de Castro)

1. O nosso camarada Sousa de Castro, que foi 1º Cabo Radiotelegrafista, CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo, 1971/74, enviou-nos um histórico dos convívios da sua unidade, descrito pelo Jorge Araújo, que foi Fur Mil Op Esp/Ranger, também da mesma CART, cuja publicação culminamos com esta 2ª parte:


HISTÓRICO DOS ENCONTROS ANUAIS DA CART 3494 – PARTE II

CONVÍVIOS 27.º, 28.º E 29.º  



Caríssimos Camaradas Luís Graça e restantes Tabanqueiros,


Não sei se o Jorge Araújo enviou este trabalho… Gostaria de o ver publicado no maior e mais completo blogue sobre a guerra colonial na Guiné, assim sendo se acharem do interesse geral. 


Um abraço, 
Sousa de Castro 




III– HISTÓRICO DOS ENCONTROS/CONVÍVIOS DA CART 3494

- DO 27.º [2009] AO 29.º [2011] 





A Comissão Organizadora deste Encontro, de um só elemento, foi nomeada em11Jun2011, no decorrer do almoço/convívio realizado em Seia, ficando responsável o camarada António Espadinha Carda [ex-Fur. Art.; daPonte de Sor], já repetente nestes eventos. A sua anterior responsabilidade, concebida em partilha com o camarada João David Godinho [ex-Fur. Art.; da Ponte de Sor], verificou-se em 1999, na 14.ª [XIV] edição,em Montargil. 

Para a realização do evento de 2012, foi escolhido o dia 9 de Junho, sábado, tendo como local do almoço/convívio o Restaurante Gato Preto, sito em Barreiras, Ponte de Sor [vd. P153+P155].

Na mensagem de apresentação do seu programa, o organizador referiu o seguinte:

Caro companheiro e amigo. É com grande prazer e amizade que te estamos a convidar para mais um convívio. Contamos com a tua presença. O local de concentração vai ser na Zona Ribeirinha de Ponte de Sor, entre o Campo de Ténis e as Piscinas Municipais. O almoço será servido no Restaurante Gato Preto, em Ponte de Sor.

- Fotos de Família -




A Comissão Organizadora da presente reunião foi nomeada a 9Jun2012, no decorrer do Encontro levado a cabo em Ponte de Sor, sendo constituída, pela primeira vez, por um ex-militar e sua filha, a saber: Manuel Carvalho Sousa [ex-Sold.; de Nogueira, Amarante] e Telma Sousa [vd. P178+P181].

Para a sua realização foi escolhido o dia 15 de Junho, sábado, e seleccionado o serviço gastronómico do Restaurante “Quintinha do Nelo”, sito em Sobrado, Paredes (Felgueiras).

O organizadorreferiu, na sua mensagem expressa no programa, que:

A chegada a Bissau foi a 28 de Dezembro de 1971. 

Foram oitocentos e vinte e oito dias. Passamos momentos difíceis, que ficaram para sempre na nossa memória. Foram estes momentos que fortaleceram as nossas relações de amizade e que ficássemos como uma família! Passados estes 42 anos é com grande orgulho que organizo o nosso XXVIII convívio. O almoço será servido no Restaurante Quintinha do Nelo, em Sobrosa - Paredes. Conto com a tua presença para que possamos mais uma vez recordar todas as nossas memórias. Recordar é viver. 

- Foto de Família -


- Momento de Animação - 







A Comissão Organizadora deste Encontro foi nomeada a 15Jun2013, em Sobrosa - Paredes (Felgueiras) sendo constituída pelos camaradas: António Serradas Pereira [ex-Alf.; de Leiria], Gregório Santos [ex-Sold.; da Batalha] e Francisco Pereira [ex-1.ºC.; de Pataias]. Este Encontro/Convívio teve a particularidade de ter coincidido com a comemoraçãodo 40.º Aniversário da chegada do contingente a Lisboa [1974-2014]. Para a sua realização foi escolhida a localidade de São Pedro de Moel, pertencente à cidade, Freguesia e Município da Marinha Grande, e o dia 7 de Junho, sábado, como data da reunião, sendo, para o efeito, reservado oRestaurante do Hotel Mar & Sol.

Na sua mensagem de apresentação os organizadores escreveram:

Caros colegas e amigos.

Passados quarenta anos do nosso regresso à metrópole, o 29.º almoço de convívio da nossa companhia realiza-se no dia 7 de Junho na linda Vila de São Pedro de Moel.Neste evento revemos velhas amizades, recordamos os maus e os bons momentos passados na Guiné, comentamos os anos que já passaram, a velhice que se aproxima e infelizmente falamos dos colegas que já partiram. Todas estas questões são mais que suficientes para participares neste convívio [vd. P203+P205].

- Fotos de Família -




IV– HISTÓRICO DOS ENCONTROS/CONVÍVIOS DA CART 3494

- DO 23.º [2008] AO 17.º [2002]

No quadro seguinte identificam-se mais sete Encontros/Convívios organizados cronologicamente entre os anos de 2002 e 2008, e que, no seu conjunto, correspondem ao conteúdo a abordar em nova narrativa histórica a publicar proximamente – Parte II – sobre este tema.

Até lá, os camaradas que estiveram envolvidos na organização de algum deles, e que tenham fotos ainda não divulgadas neste blogue, podem fazer o favor de as enviar, via e-mail. 


Um abraço,
Jorge Araújo.
Fur Mil Op Esp / Ranger, CART 3494
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Nota de M.R.: 

Vd. Também o último poste desta série em: 




Guiné 63/74 - P13928: Bom ou mau tempo na bolanha (75): Da Florida ao Alaska, num Jeep, em caravana (16) (Tony Borié)

Septuagésimo quinto episódio da série Bom ou mau tempo na bolanha, do nosso camarada Tony Borié, ex-1.º Cabo Operador Cripto do CMD AGRU 16, Mansoa, 1964/66.





Dia 6 de Julho de 2014

Era manhã quando deixámos a cidade de Whitehorse, onde se encontra o “Historic Milepost 918”, na província do Yukon, o trajecto que iríamos percorrer, pelo menos até à cidade de Calgary, na província de Alberta, era o mesmo que fizemos na viagem de ida e, que já explicámos em textos anteriores.

Depois de algumas horas com algumas paragens, umas vezes por animais na estrada, outras por obras de manutenção, pois nesta zona do interior do “Alaska Highway”, portanto longe do início ou do fim desta histórica estrada, não existem obras de alteração, é só obras de manutenção, outras vezes ajudando outros veículos com problemas, parámos na povoação de Teslin, que marca o “Historic Milepost 777”, na povoação de Watson Lake, que marca o “Historic Milepost 635”, na povoação de Liard River, que marca o “Historic Milepost 496” e, viemos, neste dia dormir no parque de campismo, junto ao Muncho Lake, que marca o “Historic Milepost 456”, com um “cenário de um milhão de dolares”, que também já explicámos em textos anteriores, onde depois de passar um pequeno período de tempo em que choveu, grelhámos o resto do salmão que tínhamos pescado no “Russian River”, lá no estado do Alasca.




Neste dia, não tivémos qualquer ploblema com o Jeep e a caravana, que sempre se adaptaram ao terreno, por vezes acidentado, com alguma lama, quando houve período de chuva, percorremos mais ou menos 490 milhas, com preço da gasolina a variar entre $1.82 e $1.91 o litro.

No próximo dia, era madrugada, lavámos a cara na água fria e pura do Muncho Lake, continuámos a nossa jornada, rumo ao leste, parámos para ceder a gasolina, de um dos nossos tanques extras, a um casal aflito, oriundo do estado do Arizona, que andava em “lua de mel”, viajando numa pick-up, que rebocava uma caravana muito parecida com a nossa, seguindo-nos depois, até à povoação de Fort Nelson, que marca o “Historic Milepost 300”, aqui parámos por algum tempo, comprámos gasolina, café, água e fruta.



De novo na estrada, um camião, em sentido contrário, faz-nos sinal de luzes por diversas vezes, avisando-nos de algo, depois de uma extensa subida, deparámos com a estrada completamente ocupada por búfalos que teimavam em não se mover do local, passámos muito devagar, não buzinámos, mas olhávam-nos com olhos de repreenção, pois o local era deles, nós é que somos os “intrusos”, ocupámos a sua área, ocupámos o seu “quintal”.



Seguimos em frente, a povoação de Fort St. John, era próxima, que marca o “Historic Milepost 47” e, finalmente, sem qualquer outro incidente, chegámos ao ponto de partida do, como já mencionámos por diversas vezes, histórico “Alaska Highway”, que é a cidade de Dawson Creek, onde se encontra o marco do “Historic Milepost 0”. Fomos de novo visitar o Centro de Turismo, tirámos as últimas fotos no local que marca o início do “Alaska Highway”, tomando de seguida a estrada número 43 até à cidade de Grande Praire, que é uma pequena “metrópole” no deserto, onde, depois de procurar hotel de acordo com a nossa condição financeira, pois havia por onde escolher, fomos dormir, comendo ainda o resto do salmão, que ia na caixa frigorífica.





Neste dia, saímos do “Alaska Highway”, sem problemas no Jeep ou na caravana, percorremos 598 milhas, com o preço da gasolina a variar entre $1.82 e $1.92 o litro.


No dia seguinte, pela manhã, procurámos uma oficina especializada, nesta pequena “metrópole”, que é a cidade de Grande Praire, trocámos o óleo do motor, fazendo uma pequena revisão por baixo do Jeep e da caravana, tudo em ordem, continuámos o mesmo trajecto da viagem de ida, até às proximidades da cidade de Edmonton, continuando depois pela estrada número 2, que já é rápida em algumas zonas, até à cidade de Calgary, na província de Alberta, depois de passar a cidade, continuando na estrada número 2, sempre em direcção ao sul, tentando percorrer a maior distância possível, em direcção à fronteira. Já era noite, mesmo noite, pois já tínhamos passado a zona do paralelo 48, começamos a ouvir o som de chuva, de encontro ao vidro da frente, mas não era chuva, eram mosquitos, que de encontro ao vidro morriam, o mecanismo de limpeza do vidro ainda sujava mais, começou a faltar a visibilidade, parávamos de quinze em quinze minutos, para limpar o vidro com o equipamento que levávamos, que era um tanque de água, com algum sabão e um limpa neve, quando saíamos fora do Jeep, era uma “praga” de mosquitos a morder. Na primeira povoação que encontrámos, procurámos onde dormir, não havia, depois de pedirmos água para continuar com a limpeza do vidro, nos disseram que possívelmente na vila de Graum, mais ao sul, devíamos encontrar. Desesperados, seguimos em frente, sempre com a mesma situação, finalmente surgiu a vila de Granum, onde um simpático empregado do Lazzy Motel, vendo-nos desesperados, embora não tivesse vagas, por favor nos deixou dormir num quarto, que possivelmente era para ele. Saímos do Jeep, trancámos as portas, correndo para dentro do Motel, com o que levávamos vestido.

Explicáram-nos que nesta altura do ano, principalmente de noite, esta área é o “paraíso” dos mosquitos, pela zona de terreno ser de origem alagadiça.

Neste dia percorremos 726 milhas, com o preço da gasolina variando entre $1.53 e $1.57 o litro.

Tony Borie.
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Nota do editor

Último poste da série de 15 de Novembro de 2014 > Guiné 63/74 - P13897: Bom ou mau tempo na bolanha (74): Da Florida ao Alaska, num Jeep, em caravana (15) (Tony Borié)