segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Guiné 63/74 - P14191: Historiografia da presença portuguesa em África (51): Revista de Turismo, jan-fev 1956, número especial dedicado à então província portuguesa da Guiné: anúncios de casas comerciais - Parte VII (Mário Vasconcelos): Quem não se lembra da Casa António Pinto ou "Pintosinho". alegadamente a melhor e a mais moderna loja da província ?






Foto: © Mário Vasconcelos (2015). Todos os direitos reservados [Edição: LG]


1. Continuação da publicação de anúncios de casas comerciais, da Guiné. Reproduzidos, com a devida vénia, de Turismo - Revista de Arte, Paisagem e Costumes Portugueses, jan/fev 1956, ano XVIII, 2ª série, nº 2. (*).

Trata-se de uma gentileza do nosso camarada Mário Vasconcelos [,ex-alf mil trms, CCS/BCAÇ 3872, Galomaro, COT 9 e CCS/BCAÇ 4612/72,Mansoa, e Cumeré, 1973/74; foto atual à direita] que descobriu um exemplar, já raro, desta edição, no espólio do seu falecido pai.

O anúncio que hoje divulgamos é de uma conhecida casa de Bissau, do nosso tempo, a Casa António Pinto, ou "Pintosinho", alegadamente a melhor e a mais moderna loja da província (, em 1956, já não se dizia, ou pelo menos, não se escrevia,  colónia...).

O António Pinto, que ficava na Rua Salazar [, lamentavelmente não temos um mapa de Bissau com as designações das ruas do nosso tempo...],  tinha tudo a começar pelas "últimas novidades", desde a ourivesaria às armas, munições e demais artigos de caça e desporto, par de rádios e máquinas fotográficas (como a Zeiss Ikon)...Era o representante,na Guiné, de uma série de marcas famosas, desde os relógios "Longines" às máquinas de escrever "Hermes", além dos "whisk" (sic, em inglês, batedeira, utensílio de cozinha...) das melhores marcas...

Há algumas referências ao Pintozinho no nosso blogue:

(i) Foi no Pintozinho que o nosso camarada César Dias comprou um máquina e um projetor de slides" (*);

(ii) A nossa amiga Cristina Allen que esteve em Bissau, em abril de 1970, faz referência à prisão de Pintozinho e de mais dois homens de negócio de Bissau, presume-se que por parre da PIDE/DGS, a par do seu (dela) amigo Quito Fogaça (**);

(iii) Seguindo o Carlos Silva, o Pintozinho também tinha uma filial em Farim ("Existiam alguns estabelecimentos comerciais, Mharon Saad, libanês, Pintozinho, Pinheiro, e outros onde a malta comprava os seus relógios, Breitling, Rolex, Yema, gravadores, ventoinhas, tapetes, bandeirolas com motivos orientais, etc.").(****) 

Outros camaradas usam a grafia Pintosinho (como de resto constava da tabuleta da loja: "Casa Pintosinho", Bissau, embora a grafia correta me pareça ser "Pintozinho") (*****). (LG)


Guiné > Bissau > 1956 > O "Pinto Grande", loja de Augusto Pinto, irmão do António Pinto, cuja loja era mais conhecida por Pintosinho.(pu Pintozinho).

Foto: © Mário Vasconcelos (2015). Todos os direitos reservados [Edição: LG]




Guiné > Bissau > Anos 50 > Primeira rua a ser alcatroada em Bissau. O edifício à esquerda era o estabelecimento comercial conhecido por Pinto Grande, irmão de um outro Pinto conhecido por “Pintosinho” [,o António Pinto, ] por ser (o estabelecimento) de menores dimensões [vd. foto acima]. O “Pinto Grande” [, de Augusto Pinto], embora continuando a ser chamado por esse nome, foi, durante a guerra, propriedade de um comerciante anteriormente estabelecido em Bolama, de nome Ernesto de Carvalho que o tomou de trespasse. 


Foto: © Mário Dias (2006). Todos os direitos reservados


Guiné > Bissau > s/d [ c. 1960/70] > Rua Dr. Oliveira Salazar. Bilhete Postal, Colecção "Guiné Portuguesa, 135". (Edição Foto Serra, C.P. 239 Bissau. Impresso em Portugal, Imprimarte, SARL). 

Era nesta rua, na Bissau Velha, que ficava a Casa Pintosinho.  Colecção de postais da Guiné, do nosso camarada Agostinho Gaspar, natural do concelho de Leiria, ex-1.º  cabo mec auto rodas, 3.ª CCAÇ/BCAÇ 4612/72, Mansoa, 1972/74). 

Digitalização e edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2010).

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Notas do editor:

(*) Últrimo poste da série > 24 de janeiro de  2015 > Guiné 63/74 - P14178: Historiografia da presença portuguesa em África (50): Revista de Turismo, jan-fev 1956, número especial dedicado à então província portuguesa da Guiné: anúncios de casas comerciais - Parte VI (Mário Vasconcelos): (i) João Said Handem (Gadamael); (ii) Jacinto Maria de Figueiredo Duarte (Bedanda, com filial no Chugué e Cafine); (iii) Michel Ajouz (Bissorã); e (iv) Hipólito da Costa Ribeiro (Fulacunda): compra e venda de mancarra, coconote, óleo de palma, fazendas, miudezas, mercearias...

(**) Vd. poste de 21 de dezembro de  2014 > Guiné 63/74 - P14061: A minha máquina fotográfica (16): Comprei uma Olympus 35 SP e um projetor de "slides" na casa Pintozinho, em Bissau (César Dias, ex-fur mil sapador, CCS/BCAÇ 2885, Mansoa, 1969/71)

(***) 24 de dezembro de 2008 > Guiné 63/74 - P3667: As Nossas Mulheres (5): De Bissau a Lisboa, com amor (Cristina Allen)
(...) ix) Senhor Quito Fogaça e sua mulher, Fernanda:

Ele, natural de Bissau, fora companheiro de escola do Nino e ela, minha conterrânea. Tiveram a imensa bondade de me ceder toda a sua casa como se fosse minha. Estranhamente, após a prisão de Pintozinho (e de mais dois homens de negócios de Bissau) também o Quito foi preso e, passados dias, guardado em casa. Jamais esquecerei este generoso casal.

(****) Vd. poste de 1 de fevereiro de 2008 >  Guiné 63/74 - P2496: História do BCAÇ 2879, 1969/71: De Abrantes a Farim: O Batalhão dos Cobras (5) (Carlos Silva)

(*****) Vd., por ex., os postes de:

22 de outubro de 2013 >  Guiné 63/74 - P12188: Páginas Negras com Salpicos Cor-de-Rosa (Rui Silva) (26): Como se faz acabar o vício de cravar cigarros aos outros

(...) Na Guiné, mais propriamente em Bissau, fomos encontrar coisas boas no comércio. Uma surpresa! Logo ali na rua paralela à marginal, na Casa Pintosinho, haviam as últimas novidades eletrónicas. Os melhores rádios, transistors, pick-ups, aparelhagens de som, máquinas de barbear e todo o mais. Akai e Pioneer era do mais reclamado e moderno. Estavam na moda. (...)


6 de setembro de 2009 > Guiné 63/74 – P4903: Notas de leitura (20): Histórias do pessoal da CCAÇ 2382, por Manuel Traquina (Parte I) (Luís Graça)

(...) De Bissau, o Traquina deixa-nos dois ou três apontamentos que nos ajudam hoje a reconstituir ‘puzzle’ do roteiro da capital da Guiné, que “naquele tempo vivia à base dos militares” (p.55).

Tinha já então “uma larga avenida que descia da Praça do Império, onde se situava o Palácio do Governador até ao porto, o chamado Cais do Pijiguiti [, que em rigor é apenas uma parte do porto…]. Aqui começava a outra, também bonita, avenida marginal ornamentada com algumas palmeiras” (p. 56).

Havia um florescente comércio. Podia-se comprar “de tudo um pouco”, incluindo artigos que não vistos na Metrópole e sobretudo que era inacessíveis à maior parte das bolsas dos portugueses. “As vésperas de embarque eram grandes dias de negócio, eram centenas, ou mesmo milhares de militares que iam regressar a Portugal, e normalmente todos faziam as habituais compras nas lojas de Bissau (entre outras lembramos a Casa Escada, o Taufik Saad, a Casa Pintosinho e a Casa Gouveia)”… Era aí que se faziam as compras de última hora, as lembranças para amigos e familiares. “Na baixa da cidade cada porta era uma loja, os artigos orientais com a etiqueta ‘Fabricado em Macau’ invadiam já as lojas, muito antes de chegarem a Portugal” (p. 55). (...)


Guiné 63/74 - P14190: Notas de leitura (674): “Senhor médico, nosso alferes”, por José Pratas, By the Book, (www.bythebook.pt, telefone 213610997), 2014 (1) (Mário Beja Santos)

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 22 de Janeiro de 2015:

Queridos amigos,
Preparam-se para uma grande, grande revelação: primorosamente escrito, sentido até à medula, este médico militar é finalmente portador da mensagem de gratidão que devemos a estes provedores que nos ajudavam a mitigar todo o tipo de sofrimento, incluindo o moral e o psicológico.
Por favor, não deixem de ler esta obra-prima de memórias: é necessário encomendar, trata-se de uma edição de autor, inexplicavelmente este texto extraordinário não deve ter interessado a nenhuma casa editora.
Não vou apostar, mas deve ter sido a grande surpresa em livros da guerra de 2014.
Não percam!

Um abraço do
Mário


O médico militar na guerra colonial: um testemunho surpreendente (1)

Beja Santos

É uma revelação… mas que grande revelação! José Pratas, especialista em Gastrenterologia, Chefe de Serviço da Carreira Hospitalar dos Hospitais Civis de Lisboa, fez a sua comissão na Guiné entre 1971 e 1973, na região do Gabu e no chão Manjaco, e foi igualmente Adjunto do Delegado de Saúde de Nova Lamego (Gabu-Sara) e de Teixeira Pinto (Canchungo). Agora decidiu passar a limpo as suas memórias, entrega-nos um documento estarrecedor, vai direitinho para o topo da literatura da guerra colonial, sem nenhum favor: “Senhor médico, nosso alferes”, por José Pratas, By the Book, (www.bythebook.pt, telefone 213610997), 2014. O que levou este autor a responsabilizar-se pela edição da sua obra quando é indiscutível o seu valor literário, a sua originalidade, a sua pertinência, uma agudeza de espírito que perpassa por todo o seu olhar, e que acaba por ser extensivo às três frentes da guerra colonial? Pode conjeturar-se que a Guiné está fora de moda e que estas memórias não chegam a ser um embaraço para as novas gerações, são um antolho, estão para lá da imaginação das gerações que navegam no digital e que não enfrentam nas ruas os deficientes das Forças Armadas. No entanto, edita-se muito sobre Angola e Moçambique, romances, memórias e investigação histórica, o que leva a pensar que não é o fascínio africano que arrefeceu, mas há uma grande indiferença sobre aquele mundo do arame farpado, das viaturas atascadas, dos gritos lancinantes dos feridos, dos tiroteios, das emboscadas e das explosões das minas anticarro. Em dado passo José Pratas exproba esta amnésia do poder político que recai sobre os antigos combatentes: os povos que esquecem os seus bravos não terão um final mais feliz do que o daqueles que queimam os seus livros; e mais adiante mostra a sua expetativa de “que as novas gerações recuperem da história recente o exemplo de resistência e luta pela sobrevivência, que talvez lhes sirva nas adversidades atuais que o país enfrenta”.

Pescando e convivendo numa pescaria de rio, vendo-se ao fundo o chamado tarrafo

Mas vamos ao que importa: os médicos militares estão de parabéns, têm aqui o seu cronista bem documentado a explicar a todas as gerações o que foi a guerra, por onde passava o poder do médico. Até onde podia chegar este médico militar? José Pratas faz o enquadramento: “Com os escassos recursos disponíveis, os médicos deveriam ser os provedores da saúde física e mental de dezenas ou centenas de militares que junto deles encontrassem o abrigo para muitos dos seus padecimentos. Por isso lhes competia, para além de socorrer os feridos e confirmar os mortos, a obrigação moral e o dever profissional de se baterem pela melhoria razoável dos meios e das condições de sobrevivência que, apesar dos constrangimentos, ajudassem a minimizar as circunstâncias da guerra: vigilância da qualidade e quantidade da alimentação dos militares; higienização de abrigos e dormitórios; carência de material e equipamento sanitário adequados aos condicionalismos do isolamento; pedagogia dos hábitos de saneamento básico junto das populações e introdução de procedimentos clínicos elementares, por exemplo, na área da saúde materno-infantil”.

Como se chegava a médico militar? O autor esclarece: “Concluído o 1º ciclo do COM, aos médicos, estava-lhes destinada a Escola de Serviço de Saúde na Estrela, em Lisboa, onde os esperava, durante cerca de três meses, um obsoleto e imbecil programa, deslocado dos contornos e exigências da guerra que iriam enfrentar. Entre despropositados conceitos de higiene e enfadonhas noções de organização sanitária, decorreram doze semanas de tédio e desperdício de tempo, consumido num insulto à inteligência de cada um”. Numa noite de tempestade de inverno, o nosso alferes médico encontrou um telegrama debaixo da porta: “Embarque 28.12.1971/04 horas, destino CTIG, comparência imediata STOP”. É assim que ele vai aterrar em Pirada, mesmo junto à fronteira do Senegal. É aqui que presta consultas internacionais, diariamente acorriam largas dezenas de doentes, muitos deles oriundos do Casamansa, e dá-nos o ambiente: “No interior da tenda militar, mastigavam-se nuvens de poeria irrespirável que aquela gente levantava ao arrastar-se no seu jeito indolente, derretidos em cascatas de suor. Pirada era um forno. O furriel enfermeiro José Luís Passos, partilhava comigo o tremendo sacrifício que fazíamos para atender, depois da consulta militar, toda esta multidão. Com pouco mais de 20 anos, o Passos era já merecedor de um louvor pela sua destemida disponibilidade, certa vez que foi necessário integrar um pelotão que partiu em socorro do destacamento de Copá, que estava a ser flagelado num ataque com feridos”. E exalta o míster destes enfermeiros: “Tecnicamente mal habilitados, como não podia deixar de ser, compensavam com a sua generosidade e dedicação o que lhes faltava em preparação profissional. Era neles que no interior do mato, em momentos de atribulação, os militares e as populações depositavam confiança”.

Homem Grande da etnia Balanta do sul da Guiné

E fala dessas consultas de rotina, os analgésicos, antidiarreicos e antipalúdicos, das febres, da malária, “e das doenças envergonhadas, homens e mulheres escorrendo as consequências venéreas de relações promíscuas, passando pelas gigantescas hérnias inguino-escrotais e os intransportáveis hidrocelos, ocultados sob coloridos panos enrolados à cintura”. E os acidentes, as quedas dos coqueiros, as lesões por armas de fogo, uma lista inenarrável de situações. E conta histórias, José Pratas é espirituoso, frontal, compassivo, lembra os médicos que morreram em África, caso do João Cantante abatido por um míssil que atingiu a DO em que voava, em 1973. Como recorda o alferes Ferreira doente mas inquebrantável em não arredar do seu destacamento a 35 quilómetros da sede do batalhão, percebe-se a emoção e a admiração no relato: “Quando lá cheguei, nesse manhã cinzenta e aguaceira de Setembro, era preciso transpor um extenso lamaçal onde as botas se inundavam nos charcos povoados de mosquitos e batráquios que abriam o caminho à nossa frente. De um buraco, emergindo do chão, assomou do seu abrigo, emagrecido e frágil, o alferes Ferreira; a expressão sofrida, o brilho lardáceo da pele, o olhar vazio, a barba de vários dias. Apertei-lhe a mão húmida e trémula. Preveniu-me, obstinado: 
- Não quero ser evacuado. Ajuda-me a tratar-me. Tenho muito frio e muita sede!
Apesar da minha insistência para o trazer comigo, o Ferreira resistiu aos meus argumentos e aceitou apenas a minha prescrição: comprimidos para a malária e um litro de soro que eu levava na mala. Permaneci com ele por algum tempo ainda, enquanto éramos observados pela inquietação dos soldados que se interrogavam, intranquilos pela saúde do seu comandante de pelotão. 
- O nosso alferes vai ficar bem, disse-lhes na despedida.
Para trás ficou um punhado de homens, ou miúdos crescidos, atascados na sua solidão, no seu silêncio e na sua sorte”.

Mas que grande livro! Porque esperam os editores?

(Continua)
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Nota do editor

Último poste da série de 23 de janeiro de 2015 > Guiné 63/74 - P14177: Notas de leitura (673): “O Império da Visão, fotografia no contexto colonial português (1860-1960)”, organização de Filipa Lowndes Vicente, Edições 70, 2014 (Mário Beja Santos)

Guiné 63/74 - P14189: História do BART 3873 (Bambadinca, 1972/74) (António Duarte): Parte XXI: outubro de 1973: Flagelação, pela primeira vez, do reordenamento de Nhabijões, de maioria balanta, com parentes no mato...



Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > Mapa de 1955 (Escala 1/50000) > Detalhe: o núcleo populacional de Nhabijões (círculo a azul).

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2015). Todos os direitos reservados






Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Nhabijões > CCS/BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70) > Um grande aglomerado populacional, de maioria balanta, com parentes no "mato", e que era considerada sob "duplo controlo"... A dispersão das diversas tabancas (1 mandinga e 4 balantas: Cau, Bulobate, Dedinca e Imbumbe), sua proximidade ao Rio Geba, fazendo ponto de cambança para a margem direita (Mato Cão, regulado do Cuor...) e as duas grandes bolanhas (um delas a de Samba Silate, uma enorme tabanca destruída e abandonada no início da guerra), foram motivos invocados para começar a construir, a partir de novembro de 1969, um dos maiores reordenamentos da Guiné no tempo de Spínola, com cerca de 300 moranças e equipamentos como escola e mercado. A aposta era também a conquista da população, fugida no mato e sob controlo do PAIGG, vivendo ao longo da margem direita do Rio Corubal (desde a Ponta do Inglês até Mina/Fiofioli). Este trabalho, na área da promoção económica e social das populações de Nhabijões, iniciado  pelo BCAÇ 2852, continuou com os batalhões seguintes (BART 2917, 1970/72; BART 3873, 1972/74)...

Fotos: © José Carlos Lopes (2013). Todos os direitos reservados. (Edição e  legendagem: L.G.)

1. Continuação da publicação da História do BART 3873 (que esteve colocado na zona leste, no Setor L1, Bambadinca, 1972/74), a partir de cópia digitalizada da História da Unidade, em formato pdf, gentilmente disponibilizada pelo António Duarte (*)

[António Duarte, ex-fur mil da CART 3493, a Companhia do BART 3873, que esteve em Mansambo, Fá Mandinga, Cobumba e Bissau, 1972-1974; foi transferido para a CCAC 12 (em novembro de 1972, e não como voluntário, como por lapso incialmente indicamos); economista, bancário reformado, formador; foto atual à esquerda].

O destaque do mês de outubro de 1973 (pp. 70/73) vai para:

(i) em 27 de outubro de 1973, terminou o tempo normal de comissâo do BART 3873 no CTIG (... mas os seus militares só irão regressar a casa, via TAM, no início de abril de 1974!);

(ii) como alegada prova do cumprimento da sua missão, o BART 3873. na sua história, diz que "o inimigo foi remetido aos seus lugares de refúgio";

(iii) pela primeira vez na história da guerra, o grande reordenamento de Nhabijões, de maioria balanta, foi flagelado, ao mesmo tempo que o destacamento do Mato Cão; Nhabijões,. no subsetor de Bambadinca, era então um importante aglomerado habitado por gente com parentes no "mato", e que era tradicionalmente considerado, antes do reordenamento,. como um conjunto de tabancas "sob duplo controlo";

(iv) o Xitole foi atacado, mas da margem esquerda do Rio Corubal (Região de Quínara);

(v) a 28 de outubro de 1973 há eleições para a assembleia nacional, com um total de 1,8 milhões de recenseados (!); estavam em causa 150 deputados. Mota Amaral e Correia da Cunha são os únicos ex-deputados da ala liberal que se mantêm nas listas da Ação Nacional Popular;

(vi) ao nível da acção psicológica e da promoção social, há a registar a construção do novo reordenamento de Samba Silate, a construção de escolas em Mansambo e Enxalé, e a cobertura, com chapas de zinco, de 100 moranças no reordenamento de Bambadincazinho...










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Guiné 63/74 - P14188: Parabéns a você (852): Fernando Macedo, ex-1.º Cabo Apont Art.ª do 5.º Pel Art (Guiné, 1971/72)

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Nota do editor

Último poste da série de 25 de Janeiro de 2015 > Guiné 63/74 - P14183: Parabéns a você (851): João Alberto Coelho, ex-Alf Mil Op Esp do BART 6522 (Guiné, 1972/74)

domingo, 25 de janeiro de 2015

Guiné 63/74 - P14187: Em busca de... (252): exemplares de 1970/71 da revista "Presença" do Movimento Nacional Feminino (Júlio César, ex-1º cabo, CCaç 2659, Cacheu e Teixeira Pinto, 1970/71)

Capa da revista Presença, do Movimento Nacional Feminino, edição nº 1, outubro de 1963. Cortesia do blogue Livros Ultramar - Guerra Colonial

1. Mensagem do nosso camarada Júlio César, membro da nossa Tabanca Grande desde Julho de 2007, ex-1º cabo, CCAÇ 2659 / BCAÇ 2905 (Cacheu, 1970/71):

Data: 8 de dezembro de 2014 às 14:30

Assunto: Revistas Literárias


Boa tarde Luís Graça

Lembro-me, muito vagamente ( a memória já me atraiçoa) de ler umas revistas que nos chegavam, (ao Cacheu, em 1970 e 1971) via Movimento Nacional Feminino, nomeadamente o Jornal do Exército e uma outra, Sentinela, creio, onde escrevi um ou outro poema e um ou outro conto/artigo.


Onde poderei arranjar estas Revistas? Será que ainda existem?


Caso o meu querido amigo saiba de algo, agradeço a dica ou então, porque não uma sondagem acerca deste tema.


À tua consideração

Um abraço

Júlio César C. Ferreira

ex-1º cabo, CCaç 2659/BCaç. 2905, Cacheu e Teixeira Pinto 1970 1971

2. Comentário de L.G.:

Júlio, julgo que te queres referir á revista "Presença", essa, sim, editada pelo Movimento Nacional
Feminina, desde 1963, com apoio (subsídios) dos Ministérios da Defesa e do Ultramar.

Fica aqui o nosso apelo aos camaradas, eventuais colecionadores de papeis antigos, do nosso tempo. Pode ser que alguém tenha exemplares da revista "Presença" e até mesmo do Jornal do Exércitom, da época em que estiveste na TO da Guiné (1970/71).

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Guiné 63/74 - P14186: Libertando-me (Tony Borié) (1): A leste do paraíso, a oeste do Inferno

Primeiro episódio da nova série "Libertando-me" do nosso camarada Tony Borié, ex-1.º Cabo Operador Cripto do CMD AGRU 16, Mansoa, 1964/66.




Companheiros,
Hoje regressamos à guerra, a uma guerra que eu não sei dar qualquer nome, mas oficialmente, chamaram-lhe A guerra do Golfo, alguns até lhe chamaram a guerra do petróleo e, creio que todo o mundo, ainda hoje continua a sofrer os efeitos dessa guerra, creio que foi o início da guerra moderna, onde participou o nosso filho, Anthony Sérgio, um jovem, tal como nós éramos quando fomos para a guerra da Guiné, tinha corpo de atleta, praticava futebol na equipa do High School, jogava ténis, no parque, na frente da nossa casa, onde era o responsável pela área de desportos do referido parque, além de trabalhar em part-time, num estabelecimento da cidade, entre outras coisas. Ajudava a limpar a neve, por altura do inverno e, era um dos estudantes mais populares de High School, da cidade, onde na altura vivíamos.

Em casa, o nosso herói era o Tony, como quase todos lhe chamavam e, talvez influenciado, também entre outras coisas, pelas fotos que via do pai, que foi combatente na guerra colonial, em África, quando os USA se envolvem na Guerra do Golfo, o tal conflito militar travado entre o Iraque e forças de uma coligação internacional, liderada pelos USA e patrocinada pelas Nações Unidas, com a aprovação do seu Conselho de Segurança, autorizando o uso da força militar para alcançar a libertação do Kuwait, ocupado e anexado pelas forças armadas iraquianas, o nosso Tony, com o tal orgulho, talvez herdado do pai, pois a pátria amada, neste caso o Uncle Sam, chamava por si, e assim, alista-se no Corpo de Marines dos Estados Unidos.


A mãe dizia a chorar:
- Tal pai, tal filho, agora levam o meu filho para a guerra!


Ninguém lhe conseguiu tirar da ideia, o seu dever de cidadão e, depois de algum tempo, vai receber rigorosa instrução no “Marine Corps Recruit Depot Parris Island”, que está situado em Port Royal, no Estado de Carolina do Sul, próximo da cidade de Beaufort, que é onde os novos Marines, que residem a leste do Mississippi River, recebem o seu inicial treino, passando depois a outras bases de instrução e, quando já se encontrava como militar qualificado e pronto para combate, é colocado em diferentes partes do globo, acabando por ser enviado para o Golfo Pérsico, onde se encontrava uma formidável força de meios humanos e uma imensa quantidade dos mais modernos equipamentos militares, desencadeando em seguida uma campanha relâmpago que consumou a libertação do território kuwaitiano com extrema e surpreendente facilidade.





Dizem que foi uma das campanhas militares, (talvez o inimigo não tivesse grande poder de defesa), mais fascinantes e inovadoras da moderna história militar, introduzindo no campo de batalha sofisticação tecnológica e poder de fogo sem precedentes. Novos equipamentos foram adicionados nesta guerra, entre outros, os “aviões Stealth”, que são aqueles que possuem um radar baixíssimo, transversal, que se pode confundir com uma ave que ande a voar pela área da sua operação, ou as “bombas inteligentes”, que como quase todos sabem, é uma bomba guiada destinada a atingir com alto grau de precisão alvos específicos, minimizando a morte de pessoas ou a destruição de monumentos históricos, sendo esta a especialidade do nosso Tony, manusear e activar este tipo de bombas.


Talvez fosse a primeira guerra onde os jornalistas participaram, dando notícias ao minuto. Este novo tipo de guerra catapultou para a fama e reconhecimento mundial uma relativamente pouco conhecida empresa de notícias, que pela primeira vez acompanhou e transmitiu em direto um conflito militar, de seu nome CNN.

O nosso Tony continuou por mais um tempo à volta do mundo, estacionando em diferentes bases, onde passado uns anos e alguma experiência em como as pessoas vivem, se amam, se odeiam, se matam, ou simplesmente tentam sobreviver, termina a sua comissão no Corpo dos Marines e regressa a sua casa, com “Honor”.

Nós fomos esperá-lo à Base Militar de San Diego, na Califórnia, fazendo a viagem juntos, de regresso, por terra até Nova Iorque.

Quando regressámos a casa, a sua mãe voltou a dizer, chorando, tal como a mãe Joana dizia, muitos anos atrás:
- Ai, o meu querido filho voltou da guerra, está de novo comigo!

Hoje, o nosso Tony fez de nós um avós babados pois deu-nos dois lindos netos, continua a viajar por todo o mundo, tal como quando era um “Marine”, mas agora no exercício da sua profissão, mas retorna sempre às montanhas do estado de Pennsylvania, onde vive com a sua família.

Tony Borie (pai), Janeiro de 2015
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Guiné 63/74 - P14185: Agenda cultural (376): Apresentação dos livros "Descobrir Angola - Rumo às terras do fim do Mundo" e "Rumo ao Cazombo, 6.º e 7.º Raids todo-o-terreno do Kwanza-Sul", dia 28 de Janeiro, às 15h00, no Palácio da Independência, Lisboa (Manuel Barão da Cunha)

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Nota do editor

Último poste da série de 24 de janeiro de 2015 > Guiné 63/74 - P14181: Agenda cultural (375): Os Melech Mechaya, banda de música "klezmer festiva", hoje no CCB, às 21h00, à espera de mais "corpos dançantes"

Guiné 63/74 - P14184: Dossiê Os Libaneses, de ontem (e de hoje), na Guiné-Bissau (8): Reencontrei o Michel Ajouz, de Bissorã, perto de Monte Real, cinco a seis anos depois, por volta de 1971/72... Ele andava a fazer termas, e eu na minha vida de delegado de propaganda médica... (Rogério Freire, ex-alf mil art, CART 1525, Bissorã, 1966/67)

Anúncio da casa comercial de Michel Ajouz, 1956 (*)
1. Comentário de Rogério Freire (ex-alf mil art, minas e armadilhas, CART 1525, Bissorã, 1966/67) (*)

Caro Luís:

Vi a referência ao Michel Ajouz e ao meu nome e não posso deixar de contar uma história do "arco da velha".

Depois de regressar da Guiné, Bissorã, em finais de 1967, iniciei a minha atividade profissional como Delegado de Informação Médica (Propaganda Médica,  à moda antiga).

Uma das minhas zonas de trabalho era a região de Leiria. Num belo dia, creio que de 1971 ou 72, ao sair de Monte Real através do pinhal de Leiria a caminho da Marinha Grande, viajando a 80/90 km à hora, passo por um homem só,  que caminhava em direção a Monte Real e veio-me à memória o Sr. Michel Ajouz.

Fiquei de tal maneira incomodado com a visão que, passados uns bons 5 a 6 Km,  decidi voltar atrás e,  surpresa das surpresas, era mesmo... o Michel Ajouz!... Em pleno Pinhal de Leiria,  a fazer o seu passeio matinal.

Foi uma grande alegria, ele lembrava-se perfeitamente de mim e da CART 1525 bem como dos outros alferes, o Rui, o Oliveira e o Silva bem como do Capitão Mourão [ Jorge Manuel Piçarra Mourão,]  que era ocasionalmente seu parceiro de bridge.

Fiquei a saber na altura que vinha às Termas de Monte Real à procura de alívio para as suas maleitas e depois de um grande abraço nos separámos.

Foi um dqueles acasos ... em pleno Pinhal de Leiria quem me diiria vir-me a encontrar com o Michel Ajouz, de Bissorã,  5 a 6 anos depois? (**)

E como dizia o nosso Pessa ..." E esta,  hem???!!!". 

(**)  22 de setembro de 2014 > Guiné 63/74 - P13639: Dossiê Os Libaneses, de ontem (e de hoje), na Guiné-Bissau (7): Vermeer teria gostado de pintar as libanesas de olhos verdes... (Valdemar Queiroz, ex fur mil, CART 2479 / CART 11, Contuboel, Nova Lamego, Canquelifá, Paunca, Guiro Iero Bocari, 1969/70)

Guiné 63/74 - P14183: Parabéns a você (851): João Alberto Coelho, ex-Alf Mil Op Esp do BART 6522 (Guiné, 1972/74)

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Nota do editor

Último poste da série de 23 de janeiro de 2015 > Guiné 63/74 - P14175: Parabéns a você (850): Augusto Silva Santos, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 3306 (Guiné, 1971/73); Francisco Godinho, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 2753 (Guiné 1970/72) e José Albino, ex-Fur Mil Art do Pel Mort 2117 e BAC 1 (Guiné, 1969/71)

sábado, 24 de janeiro de 2015

Guiné 63/74 - P14182: Casos: a verdade sobre... (5): Soldados metropolitanos "desaparecidos" ou torturados, depois da sua captura pelo inimigo... (José Belo, ex-alf mil inf, CCAÇ 2381, Ingoré, Buba, Aldeia Formosa, Mampatá e Empada, 1968/70)

1. Mensagem de José Belo [,ex-alf mil inf da CCAÇ 2381, Ingoré, Buba, Aldeia Formosa, Mampatá e Empada, 1968/70; cap inf ref, é jurista, vive Suécia há quase 4 décadas, e onde formou família: e, ultimamente, reparte o seu tempo com os EUA, em Kew West, Florida, aonde família tem negócios; autor do blogue Lapland Near Key West]:



Data: 20 de janeiro de 2015 às 16:18
Assunto: Prisioneiros de guerra.


Caro Luís Graça.

Tenho verificado que,  nos inúmeros postes publicados no blogue (*),  näo existem referências a sevícias exercidas pelos guerrilheiros do PAIGC sobre militares metropolitanos (e chamo a atenção para o adjetivo "metropolitanos"),  aquando de capturas efectuadas em combate, ou sobre elementos que desertaram,  entregando-se ao inimigo.

Näo terão sido muitos os casos, mas suficientes para a existência de um grupo de prisioneiros em Conacri.

Näo se poderá esquecer que, em todas as guerras, no calor e ressaca imediatas do combate, dão-se explosões, difíceis de controlar, de ódio, vingança, raiva e frustração  perante os corpos de amigos e camaradas mortos ou estropiados.

Mas sevícias "a frio" depois de os prisioneiros terem sido retirados das zonas dos combates,.  pouco ou nada à referido quanto ao PAIGC.

As normas e directivas estabelecidas pelo programa do PAIGC estavam bem explícitas nos detalhes quanto ao uso dos prisioneiros em acções de propaganda a nível internacional.

A nossa deontologia a este respeito näo seria diferente.

Muitos dos que estiveram colocados em zonas de contacto frequente com os guerrilheiros poderão referenciar casos de elementos inimigos "apanhados à mäo" que,  depois de entregues à polícia política local [PIDE]... desapareciam.

Os números de tais "desaparecimentos" não são dispiciendos,  pois as histórias contadas á volta deles säo inúmeras.

Nas situações extremas em que nos encontrávamos,  pouco tempo, vontade ou paciência haveria para aprofundar tais conjecturas. Obviamente as nossas preocupações eram dominadas por tantos outros acontecimentos envolventes e,não seria então (também!) muito "saudável" questionar a polícia política local.

Meio século passou e... muitas destas perguntas  não têm respostas documentais. Não somos de modo algum únicos nestes silêncios."Desaparecimentos" têm sido uma constante necessária (?) em todas as guerras do tipo da travada na Guiné.

 Mas a pergunta aqui levantada não se situa à volta de ontologias bélicas universais mas simplesmente sobre o número de soldados metropolitanos "desaparecidos" ou torturados, depois da sua captura pelo inimigo.

Como foi referido em comentário ao poste P14160 (*) : "Excluindo a situação aparentemente (!) atípica que levou ao bárbaro e desnecessário assassinato dos [3] Majores e [1] Alferes (no chão Manjaco), aquando do encontro onde se iria discutir a PAZ, em aparente represália-exemplo espelhando as profundas divergências político-militares internas então existentes no PAIGC".

Todos sabemos o que se passava em relação a muitos elementos das milícias, ou soldados africanos, aquando da sua captura pelo inimigo durante todo o período da guerra. Estão também bem documentados os fuzilamentos e sevícias que foram exercidas nos anos posteriores à independência sobre ex-militares que tinham servido no Exército colonial.

Mas, quanto aos soldados metropolitanos capturados... algo falta.

Um grande abraco do José Belo.
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Nota do editor:

(*) Vd. poste de 18 de janeiro de 2015 > Guiné 63/74 - P14160: Casos: a verdade sobre... (4): Jaime Mota (1940-1974), combatente do PAIGC, natural da ilha de Santo Antão, Cabo Verde, morto em 7 de janeiro de 1974, em Canquelifá por forças da CCAÇ 21 - Parte IV: "Guerra é guerra, meu irmão", dizia-me em 2008 o antigo guerrilheiro Braima Cassamá que reencontrei em Guileje (José Teixeira)

Guiné 63/74 - P14181: Agenda cultural (375): Os Melech Mechaya, banda de música "klezmer festiva", hoje no CCB, às 21h00, à espera de mais "corpos dançantes"


Página de rosto do Facebook > Melech Mechaya


Lisboa > CCB (Centro Cultural de Belém) > CCBeat > Pequeno Auditório > 23 de janeiro de 2015 > Concerto da banda Melech Mechaya > Apresentação do novo disco "Gente Estranha" > Comentário da banda na página do Facebook: "Lisboa! Que noite maravilhosa! Este mar de sorrisos encheu-nos o coração!"...


1. E hoje, 24 de janeiro, há um espetáculo extra, às 21h00, porque o concerto de ontem, no pequeno Auditório (400 lugares) do CCB, esgotou...


Sessão Extra > Pequeno Auditório | Duração 1h10 | S/ intervalo ! M/6
Preços > Plateia 13,5€ | Laterais 11€


Aqui fica a informação para os amigos do João  Graça, nosso grã-tabanqueiro, e dos fãs da banda de "música klezmer festiva" Melech Mechaya [leia-se: Melek Mekaia, "rei da festa", em hebraico]... 

Como  me dizia ontem um amigo e ilustre psiquiátra,  "isto é que faz bem à saúde, física e mental... Porque o resto é tudo o  que nos faz mal, todas as outras coisas à nossa volta"... E outro amigo, arquiteto, o Zé António Paradela: "E pensar que estes putos eram uma banda de garagem há uns anos atrás!"... De fato, com o seu terceiro disco, "Gente Estranha" (2014), a banda atinge o patamar da maturidade.  O seu entrosamento, talento, criatividade, alegria, improviso, cunplicidade, capacidade de interagir com o público (a ponto de porem as cadeiras a dançar e a pular!), para além do profissionalismo e do domínio técnico, são já notáveis... 


(...)  "Melech Mechaya é uma das bandas portuguesas mais excitantes, com uma expansão notável a nível internacional: meio milhão de visualizações no YouTube, e mais de 250 actuações em dez países. A banda trabalhou com artistas premiados, como Frank London, Mísia, Amélia Muge, Pedro da Silva Martins (Deolinda), e com a companhia de teatro catalã La Fura Dels Baus. Aqui Em Baixo Tudo É Simples (2011), figurou na lista de melhores do ano da revista Blitz, foi nomeado para Melhor Disco Instrumental nos Independent Music Awards e esteve várias semanas nos tops de rádios de Portugal, Espanha e EUA. Gente Estranha, álbum de Março de 2014, atingiu já o 3.º lugar no top iTunes PT de Músicas do Mundo, e o single Gente Estranha o 14.º lugar no Blue Top da MTV.
A não perder o concerto desta «banda que deveria ser contratada, em todo o lado, agora» (John Pheby, fRoots Magazine, Reino Unido)." (...)


2. "Mensagem para o público"  que a banda distribuiu ontem á noite, à entrada para o seu concerto no CCB:

"Caríssimos corpos dançanets: O concerto de hoje é muito importante para nós, e queremos agradecer a vossa presença do fundo do coração. É uma noite especial que queremos registar para a  posteridade, par um dia mostarrmos aos nossos netos as palermices que fizemos e ganharmos uma aura de avós extremamente cool.O concerto será gravado em vídeo [, sete câmaras,] por uma equipa especializada, pelo que desde já pedimos desculpa por qualquer incómodo que daí advenha, e agradecemos a vossa colaboração. Sejam bem vindos. Divirtam-se. Andre Santos [, viola e sanfona], Francisco Caiado [percussão], João da Graça [violino], João Novais [contrabaixo], Miguel Veríssimo [clarinete]".

Página oficial da banda, aqui > Melech Mechaya

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Guiné 63/74 - P14180: Convívios (649): Rescaldo do último Encontro da Magnífica Tabanca da Linha levado a efeito no passado dia 22 de Janeiro de 2015 (José Manuel Matos Dinis)

A Magnífica Tabanca da Linha em Convívio
Foto: © Jorge Canhão

1. Em mensagem do dia 22 de Janeiro de 2015, o nosso camarada José Manuel Matos Dinis (ex-Fur Mil da CCAÇ 2679, Bajocunda, 1970/71 e actual amanuense da Magnífica Tabanca da Linha), enviou-nos a sua visão do último Encontro desta Tabanca.


Para o Padre Américo não havia rapazes maus, mas dão muito trabalho

Obviamente, esta frase acrescida à consabida expressão do famoso padre, é da minha autoria.
Porque eu também acredito, que não há rapazes maus, embora alguns tenham que ser "desbastados" para preservação do grupo. E vem isto a propósito de uma certa leviandade (de alguns) na desconsideração dispensada a quem tem trabalhado, no sentido de desenvolver e cimentar um espírito colectivo bem disposto, colaborante e solidário.

Desta vez, na Linha, verifiquei que houve um desalinho de mais sete pessoas do que as inscritas, e sou obrigado a reflectir que, para além de três aventureiros pára-quedistas, houve, certamente, alguma senhora que não foi previamente inscrita. Peço ainda ao camarada Graça de Abreu para, futuramente, fazer a sua inscrição junto do Senhor Comandante Rosales, já que eu não recebo os mails que alegadamente me envia, ou então, agradeço que o faça por telefone.

A verdade, é que ninguém, parece, pretende degradar o ambiente, e se os alimentos são adquiridos com dois dias de antecedência, após a minha comunicação, o esticanço afecta inexoravelmente a dose individual, podendo até comprometer tanto nos "hours d'euvres" como nas sobremesas.
Isto parece de fácil entendimento, mas organizar, consome horas de trabalho, com telefonemas, mails, elaboração de listas, com acrescentos e retiradas, mais a luta conjunta que o Senhor Comandante Rosales, eu, e o gerente do restaurante temos mantido pela preservação da qualidade e preços. Note-se, que o Oitavos é agora uma casa de chá, e só serve de restaurante para grupos previamente negociados, e que mexam algum cordelinho.

Assim, peço a vossa compreensão para este desabafo, antes que a Magnífica redunde num "flop" suicida. E se acabar, perderemos oportunidades desejadas pela maioria, para o entretenimento e convívio de veteranos camaradas da Guiné. A tropa só pode ter sucesso, quando não se registam perturbações para as acções desenvolvidas. Em frente, marche!... e a partir de agora agora, que vingue a frase do santo, mas já aviso que sou ateu.

Sobre o encontro, no geral, o pessoal mostrou-se alegre e bem disposto, com esperança sobre a melhoria do nível de vida anunciado, talvez na expectativa de tornar os encontros mais frequentes, e com boa condição física e moral, pois não sobrou nada. Provavelmente, quem comeu melhor, terão sido os "páras" que abifaram lombos. Disseram que foram bem servidos. Registaram-se algumas estreias, e o que eu peço agora aos piriquitos, é que me dêem informação actualizada dos vossos contactos. De entre as estreias, quero aqui referir duas em especial, porque me tocam muito pelo elevado conceito de camaradagem e amizade, porque integraram como eu a CCaç 2679, e para fazer inveja a outros elementos da Companhia, que distantes, não podem comparecer. Trata-se dos excelentíssimos veteranos Eduardo Guerra e Tito Martins (alô Picado, o Guerra já cá anda).

A certa altura, muito atento às circunstâncias e ao Blogue, o Manuel Resende lembrou-me de perguntar ao Marcelino sobre uma questão relacionada com Copá, o que acabou por não acontecer, mas ficará, provavelmente para a próxima semana; a outra é uma ideia de que é reincidente, sobre a eventualidade de organizarmos um Blogue privativo, semelhança do da Tabanca do Centro, através do "face-book"para nos comunicarmos de maneira fácil e informal. Eu não sou "amigo do Face, mas admito vir a sê-lo num ambiente como este proposto. Ora, para o realizarmos, pretende-se avaliar se vale a pena, e teremos que saber quantos são os interessados. Por acaso, um bocado antes, já o Miguel Pessoa tinha feito a mesma sugestão, embora avisando que não se propõe transferir do Centro. Nestes termos, peço a todos que me comuniquem, se sim, se não, estão interessados na ideia proposta.

O tempo não esteve radioso, tem chovido copiosamente nos últimos dias, mas hoje, conforme negociação de última hora com o meu amigo Pedro, registou-se uma acalmia, que incluiu aberturas solarengas.

Nota: as expressões entre aspas têm tradução de fácil acesso no Google.

Em nome do Senhor Comandante Rosales, e no meu próprio, apresento efusivas saudações
JD














Fotos: © Manuel Resende






Fotos: © Miguel Pessoa
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OBS:
- Selecção de fotos da responsabilidade do editor
- Aguardam-se as legendas que identifiquem os fotografados
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Nota do editor

Último poste da série de 9 de janeiro de 2015 > Guiné 63/74 - P14133: Convívios (648): O primeiro Encontro de 2015 da Magnífica Tabanca da Linha é já no próximo dia 22 de Janeiro no sítio e com a ementa do costume (José Manuel Matos Dinis)