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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27767: Fauna e flora (26): O crocodilo-do-Nilo nos "nossos" rios (Geba, Cacheu, Corubal...) - Parte I

Foto nº 1 > Guiné-Bissau > Região do Oio > Farim > 7 de junho de 2022 > Crocodilo-do-Nilo (Lagarto, em crioulo) (Crocodylus nilotcus)... Está protegido por lei... Pode atingir os 7 metros de comprimento... e atacar o homem.

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2022). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 2 > Guiné- Bissau > Região de Biombo >  s/l  > s/d  (c-. 2009) > O crocodilo da Praia do Biombo 

Foto (e legenda):  © Patrício Ribeiro (2009). Todos os direitos reservados.[Edição e legendagem complementar Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 3 > Guiné-Bissau > Região do Cacheu > São Domingos > Novembro de 2015 > Captura de dois crocodilos "assassinos" no rio Cacheu... Um deles foi exposto numa árvore, juntando uma multidão de curiosos...

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2015). Todos os direitos reservados. .[Edição e legendagem complementar Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Foto nº 4 > Guiné > Zona leste >  Região de Bafatá > Sector L1 > Bambadinca > Mato Cão > O ten cor Polidoro Monteiro, último comandante do BART 2917 (1970/72), o alf mil médico Vilar (popularmente conhecido como o "Drácula", mais tarde psiquiatra) e o alf mil Paulo Santiago, cmdt do Pel Caç Nat 53 (Saltinho, 1970/72) e depois instrutor de milícias (no CIM de Bambadinca) com um crocodilo juvenil do rio Geba Estreito...
 
Foto tirada em novembro ou dezembro de 1971 no Mato Cão, após ocupação da zona com vista à construção de um destacamento, encarregue de proteger a navegação no Geba Estreito e impedir as infiltrações na guerrilha no reordenamento de Nhabijões, um enorme conjunto de tabancas de população balanta e mandinga tradicionalmente "sob duplo controlo".

O Polidoro Monteiro, já falecido, gostava de caçar. Incluindo à noite, utilizando os faróis do jipe, na orla da pista de Bambadinca. Lembro-me dele como tendo sido o único oficial superior que andou connosco (CCAÇ 12), a penantes no mato (pelo menos, uma vez, quando se foi inteirar dos seus domínios, o sector L1; veio de Bissorã e era considerado um spinolista, mesmo sendo de infantaria).

Foto (e legenda): © Paulo Santiago (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


1. Na Guiné, no meu tempo (1969/71), a malta não tomava banho à vontade nos rios, por muitas razões, a começar pelas de saúde e segurança... E, claro, o medo de répteis em geral e crocodilos, em particular... Herpetofobia, é o palavrão...

Sabemos que não havia "jacarés" em África (só no Novo Mundo), mas os crocodilos estavam no nosso imaginário quando lá chegávamos... Para o "tuga", crocodilo ou jacaré era tudo o mesmo... 

Parece que o Crocodylus niloticus sofreu uma redução drástica, na África Ocidental, desde há dois séculos, com o colonialismo e a pressão humana (caça, procura da pele, redução do habitat, poluição, etc.). E terá desaparecido de muitos rios da África Subsaariana.

Mas será que ainda havia crocodilos em todos os rios da Guiné, no nosso tempo? Os restos mortais dos nossos infortunados camaradas que caíram ao rio Corubal, em Cheche, terão sido também devorados por crocodilos? Há relatos, no blogue, de cadáveres que foram recuperados (no Geba e no Corubal), parcialmente mutilados...

Em anos mais recentes, o rio Cacheu tem sido notícia por más razões, as do eterno conflito entre a vida selvagem e as comnunidades humanas ribeirinhas... 

No rio Cacheu um habitat de crocodilos de grande porte, tem sido reportados e documentados ataques esporádicos daqueles réptéis, quer pelos habitantes da região quer pela imprensa de Bissau. E pelo nosso Patrício Ribeiro, o "tuga" que melhor conhece a Guiné (vd. fotos nºs 1, 2, e 3).

Por outro lado, os rios da Guiné, de águas barrentas e margens indefinidas (no tempo das chuvas), metiam respeitinho, sobretudo quando a malta fazia uma "cambança" de canoa... Cair-se ao rio era quase morte certa...

Enfim, vamos ver o que as diferentes ferramenta de IA nos dizem a respeito destes bichos feios e predadores, mas raramente visíveis por nós (ambos, "criaturas de Deus", diria o São Francisco, que nunca deve ter visto a mandíbula de um crocodilo-do-Nilo). 

Tal como os hipopótamos, que os havia no rio Corubal, no meu tempo (1969/71)... Mas esses faziam-se notar à distância, pelos seus urros... 

Comecemos por este "juvenil" de crocodilo da foto nº 4, freguês do Mato Cão, onde fomos muitas vezes (e onde, depois em finais de 1971/princípios de 1972, será montado um destacamento, por onde passaram alguns dos nossos grão-tabanqueiros). 

Confesso que nunca lá vi nenhum crocodilo, no Mato Cão. Nem tinha nem vagar para os observar. Mas o crocodilo era como o "Zé Turra", hábil no engenho e na arte de se camuflar e furtar ao contacto do "Zé Tuga", mesmo que estes dois pertencessem à mesma Ordem, a dos Primatas, e à mesma Espécie, a do Homo Sapiens Sapiens. A espécie que está no topo dos grandes predadores.


Pergunta à IA:  Crocodylus niloticus ou Osteolaemus tetraspis ? Juvenil, apanhado em 1971 no rio Geba Estreito, no Mato Cão (sujeito às marés, logo, água salgada) (foto nº 4)


Responde  a "menina IA"  ( europeia,  Le Chat / Mistral):

A espécie de crocodilo na imagem, apanhada em 1971 no rio Geba Estreito (Mato Cão, Guiné-Bissau), e que o nosso Paulo  Santiago segura, pela mandíbula superior, é quase certamente um Crocodylus niloticus, o crocodilo-do-Nilo.

Razões:
  • Distribuição geográfica: o Crocodylus niloticus é comum em toda a África subsaariana, incluindo a Guiné-Bissau, enquanto o Osteolaemus tetraspis (crocodilo-anão) tem uma distribuição mais restrita, principalmente em florestas tropicais da África Ocidental e Central, mas é raro ou ausente em habitats como o rio Geba, que é influenciado por marés.
  • Tamanho e morfologia: mesmo sendo um juvenil, o corpo alongado e a forma da cabeça são mais consistentes com o Crocodylus niloticus; o Osteolaemus tetraspis tem um focinho mais curto e largo, e é geralmente menor, mesmo em idade adulta.
  • Habitat: o Crocodylus niloticus é adaptado a rios, lagos e estuários, enquanto o Osteolaemus tetraspis prefere águas mais calmas e florestais.
  • Contexto histórico: durante a Guerra Colonial Portuguesa (1961-74), era comum os soldados entrarem em contacto com a fauna local, incluindo crocodilos, especialmente em zonas ribeirinhas como o Geba ou o Cacheu.

2. Distinção entre "lagarto" e "lagarto preto"

Ficha técncia: Crocodilo-do-Nilo ("Lagarto", em crioulo) (Crocodylus nilotcus) (pág. 28)

"Lagarto preto", em crioulo  (Osteolaemus tetraspis) (pág. 28), Também conhecido na África Equatorial como crocodilo-anão.

Fonte: República da Guiné-Bissau, Direcção Geral dos Serviços Florestais e Caça, Departamento da Fauna e Protecção da Natureza, s/l, 34 pp. s/d (Disponível em formato pdf, aqui, no sítio do IBAP , https://ibapgbissau.org/Documentos/Estudos/Animais%20da%20Guine-Bissau.pdf)


3. Comentou o Paulo Santiago, em complement0o da legenda da foto nº 4:

"Quem avistou o réptil, a caminho do Mato Cão, foi o soldado que conduzia o Sintex. Parou e o Vilar deu-lhe um tiro com a .22 que tinha aquela "enorme" baioneta acoplada. 

"Notou-se o animal acusar o tiro. O "barqueiro" aproxima o bote, o crocodilo tem ferimento num dos membros, abre a boca e o Vilar enfia-lhe a baioneta na goela. O bicho fecha a boca, abana a cabeça, e o futuro psiquiatra quase mergulha...

"Valeu-lhe o ten-cor Polidoro Monteiro que enfiou uma bala 7,62 na cabeça. Chegados ao destacamento, o Vilar pediu a um balanta para esfolar o bicho. Fizeram uns 'bifes' da cauda, dos quais não comi nenhum.

"Eu e o Vilar regressámos a Bambadinca com a subida da maré. O comandante Polidoro ficou no destacamento e, como acontecia várias vezes, houve flagelação ao anoitecer".

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026 às 19:36:27 WET

(Continua)
 ___________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 6 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27709: Fauna e flora (25): Uma píton-africana ou irã-cego (Python sebae), "papada com esparguete" pelos "abutres de Cabuca (2ª CART / BART 6523 /73, 1973/74)

8 comentários:

Paulo Santiago disse...

Quem avistou o réptil,a caminho do Mato Cão,foi o Soldado que conduzia o Sintex.Parou e o Vilar deu-lhe um tiro com a .22 que tinha aquela "enorme" baioneta acoplada.Notou-se o animal acusar o tiro.O "barqueiro" aproxima o bote,o crocodilo tem ferimento num dos membros,abre a boca e o Vilar enfia-lhe a baioneta na goela. O bicho,fecha a boca,abana a cabeça,e o futuro psiquiatra quase mergulha...valeu-lhe o Ten-Cor. Polidoro que enfiou uma bala 7,62 na cabeça.
Chegados ao destacamento,o Vilar pediu a um balanta para esfolar o bicho.Fizeram uns "bifes" da cauda,dos quais não comi nenhum.
Eu e o Vilar,regressámos a Bambadinca com a subida da maré. O Comandante Polidoro ficou no destacamento,e como acontecia várias vezes houve flagelação ao anoitecer,

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Oh, Paulo, comer um bicho que come seres humanos, acaba por ser canibalismo... Ou não? Este juvenil ainda não devia ter provado carne humano... Quem sabe ? Eles também são necrófagos... Mas a gente come tanta m*rda, a começar pelos crustáceos... Devemos ser a espécie mais oportunistica da criação...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Oh, Paulo, comer um bicho que come seres humanos, acaba por ser canibalismo... Ou não? Este juvenil ainda não devia ter provado carne humano... Quem sabe ? Eles também são necrófagos... Mas a gente come tanta m*rda, a começar pelos crustáceos... Devemos ser a espécie mais oportunistica da criação...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Quando como uma navalheira, que adoro, nunca fico a pensar que posso estar a "comer" também os olhos de um desgraçado de um náufrago...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Somos os maiores necrófagos do planeta, só comemos cadáveres.

Fernando Ribeiro disse...

A espécie de crocodilo mais comum em Angola era o crocodilo-do-Nilo. Em Angola ele era chamado "jacaré", por influência do Brasil, com o qual Angola manteve durante séculos uma choruda relação "comercial", leia-se tráfico de escravos. Vi muitos crocodilos por lá e até comi um, em Ponte do Zádi, no extremo norte de Angola, onde esteve instalada a sede da minha companhia durante a segunda parte da nossa comissão militar.

A carne de crocodilo é comestível, mas está muito longe de ser um manjar dos deuses. É uma carne branca, muito fibrosa, e sabe a peixe, que é o que os crocodilos costumam comer sempre que não encontram alguém para saciar o apetite.

Quando a população local soube que nós tínhamos comido carne de crocodilo, passou a olhar para nós como se olhasse para canibais. Aquele bicharoco poderia ter comido alguém e nós teríamos comido carne humana indiretamente. Tivemos alguma dificuldade em convencer as pessoas de que naquela região não havia notícia de alguém ter sido comido pelos crocodilos há um ror de meses e, por isso, a probabilidade de aquele réptil em particular ter comido alguém era baixíssima. Pedimos-lhes imensa desculpa e prometemos nunca mais repetir a "proeza". Acabaram por fazer as pazes connosco e o caso passou à história.

Não era preciso ir ao mato profundo para ver crocodilos em Angola. Na barragem das Mabubas, situada a menos de 100 km de Luanda, podiam ver-se muitos crocodilos, imóveis, a aquecerem-se a sol, nas margens da albufeira da barragem.

Também conheci em Angola crocodilos de uma outra espécie, chamados agentes da PIDE, que eram ainda mais perigosos do que os crocodilos-do-Nilo. Representavam permanentemente a rábula do "polícia bom" e do "polícia mau", sempre na expectativa de que caíssemos na esparrela, mas tanto um como o outro eram verdadeiros facínoras. Assim que se deu o 25 de Abril, "evaporaram-se"... Constou que fugiram para a Namíbia, que estava sob domínio sul-africano.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Fernando, é um tema apaixonante da área da antropologia, etnologia cultural, gastronomia, religião, história...Nunca comi crocodilo, nem macaco, nem cão... Em situação de fome extrema (ou até por bravata...) se calhar até poderia comer... Nunca digas que desta água não beberei... Como outras coisas esquisitas como sapateira, navalheira, lavagante, sem esquecer os "tomates de carneiro"...

Canibalismo não é comer crocodilo que come homens...Mas há relutância cultural, em comer carne de crocodilo, em certos povos de Angola (como tu confirmas). Na Guiné, o felupe, da região do Cacheu, come crocodilo como no passado comia inimigo e defunto (necrofagia ritual, cultural). O fula, muçulmano (tal como o mandinga, o biafada, o nalu...), não come crocodilo nem chimpazé nem babuíno. Não sei sei o balanta mané, muçulmano, é esquisito em relação a isto... Gostava de saber mais sobre os balantas, a "carne para canhão" do PAIGC...

O canibalismo ritual, os tabus alimentares e a relação entre cultura, religião e sobrevivência são temas que dão pano para mangas. Vou publicar o teu comentário em poste.

Na Guiné, lidei com os fulas, nunca vi ninguém comer crocodilo. Nem era habitual caçar crocodilo no rio Geba... lá para os meus lados (estive em Contuboel, Geba/Sara Ganá, Bambadinca..., mas mais em Bambadinca).

E dos felupes sei pouco: o canibalismo ritual (praticado por eles no passado) não era apenas uam questão de "comer carne humana" (logo da mesma espécie), mas sobretudo poder incorporar a força, a coragem ou o espírito do inimigo ou do "homem grande" da tabanca, que se finou. É um ato simbólico, muitas vezes ligado a rituais de passagem, guerra ou luto.

Portanto, na Guiné, havia (não sei se ainda há...) práticas de necrofagia ritual. Conheci um felupe, "cortador de cabeças" (e que as gostava de guardar): mostrou-me uma, à minha frente... Um espetáculo macabro!

Quanto à carne de crocodilo: em culturas africanas, o crocodilo é visto como um animal sagrado ou perigoso. Objeto de esculturas em madeira fabulosas...Para o Felupe (animista, no passado, cristão, hoje), se calhar comê-lo poderá ser uma forma de dominar o seu poder; para o fula (muçulmano) (e também para o mandinga), a proibição está ligada à "halal" (o crocodilo, tal como o porco, não é considerado "puro" no Islão; o mesmo se passa com o chimpanzé ou o babuíno (macaco-cão), por serem primatas ou animais com características "humanizadas"). O chimpanzé ou "dari" era um ferreiro castigado por Alá por trabalhar ao sábado.

Sobre Angola, pelo nos que contas e pelo que li, especialmente entre povos como os Ovimbundu ou Ambundu, há também tabus em torno de certas carnes, como a de crocodilo ou de macacos. Isso pode estar ligado a: (i) crenças animistas: o crocodilo é visto como um guardião dos rios, um ser com ligações espirituais (semelhante aos "irãs" da Guiné); (ii) influência colonial e religiosa: o cristianismo (mais eurocêntrico) e o islão (mais tolerante em relação a certos aspetos das culturas locais) introduziram novas proibições, sobrepondo-se a práticas tradicionais.

Sobre os fulas e a diética islâmica... O nosso Cherno Baldé é que pode falar de cátedra sobre isto... Mas sabemos que os fulas, como muçulmanos, seguem restrições alimentares baseadas no Alcorão e na Suna. Animais como crocodilos, macacos ou babuínos são "haram" (proibidos) porque: (i) não são abatidos segundo os rituais islâmicos; (ii) são considerados "impuros" ou associados a comportamentos "humanos" (no caso dos primatas)...

A malta na Guiné não se aperecebia mas os caçadores (mandingas, fulas...) tinham os seus rituais próprios antes, durante e depois da caça. A carne de caça, para ser "halal", exige condições específicas (ex.: o animal deve ser abatido com uma faca afiada, invocando o nome de Alá). (...)

(Continua)

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Continuação)

(...) Por fim, não podemos deixar de falar da dicotomia tabu/sobrevivência... Na Europa, durante a II Guerra Mundial, até os ratos se comeram (um animal profundamente repelente para um cristão ocidental, que na memória coletiva está associado à peste, à fome e â guerra)... Lembram-se ? Na igreja, aprendemos a rezar: "Da peste, da fome e da guerra... e do bispo da nossa terra, Libera Nos, Domine! (, livrai-nos., Senhor!).

Na guerra, a fome e o instinto de sobvrevivência quebram tabus. O PAIGC caçava hipopótamo e macaco-cão, não por escolha cultural, mas certamente por sobrevivência. Eram o "Mcdonalds" das "áreas libertadas"... O mesmo aconteceu noutros conflitos africanos (ex.: na guerra civil de Moçambique, onde houve relatos de casos de canibalismo por fome extrema).

É uma velha máxima: em tempo de paz, os tabus voltam a dominar; em tempo de crise (como a guerra), a cultura adapta-se.

Um candando, abraço em "angolês". Luís

PS - Vou comer uma "cachupa" com malta de Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde... e Portugal. Retornados, alguns. Tabanca do Ministério da Agricultura. Viva a lusofonia.