Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.
1. O cajueiro (Anacardium occidentale), ainda não era muito abundante na Guiné, no nosso tempo, na época da guerra colonial (1961/74).
É uma planta tropical deveras interessante, tanto do ponto de vista botânico como económico.
(i) Origem: Nordeste brasileiro
O cajueiro é originário do Nordeste do Brasil, especialmente das zonas costeiras entre os estados do Maranhão e do Rio Grande do Norte.
Foram os navegadores portugueses que, a partir do século XVI, o levaram para África e para a Índia, onde se adaptou extraordinariamente bem.
Hoje, muitos africanos (a começar pelos nossos amigos guineenses) pensam que o caju é uma planta autóctone. Na verdade, trata-se de uma das mais bem-sucedidas "exportações" biológicas realizadas pelos portugueses durante a expansão marítima.
O nome científico Anacardium deriva do grego kardia , que quer dizer "coração" ( devido à forma da fruta).
É conhecido pelos nomes derivados do original da língua tupi, akaîua: caju, acajaíba, acajuíba, caju-comum, cajueiro-comum, cajuil, caju-manso, cajuzeiro e ocaju.
Em Moçambique é ainda conhecido como mecaju e mepoto.
O nome inglês cashew é derivado da palavra portuguesa, de pronúncia similar, caju, do tupi acaju.
Na Venezuela o cajueiro é denominado merey, mas em outros países da América Latina é chamado marañón, provavelmente devido ao nome da região onde foi visto pela primeira vez, o estado brasileiro do Maranhão.
(ii) O que se aproveita do cajueiro?
O cajueiro anão anda em média nos 4 metros de altura.
Aproveita-se quase tudo:
Aqui está uma das maiores transformações agrícolas da história recente da Guiné-Bissau.
Em 1964, o caju era de reduzida ou quase nula importância. A economia agrícola colonial estava centrada no amendoim, coconote, óleo de palma, arroz e mais algumas culturas alimentares (sorgo, milho, fundo, mandioca...).
Depois da independência, e sobretudo a partir dos anos 1980, o Estado guineense e os organismos internacionais (FMI, Banco Mundial) incentivaram fortemente a expansão dos cajueiros. O país precisava desesperadamente de dívisas.
- a castanha de caju (a semente);
- o pedúnculo carnudo ("maçã de caju"), consumido fresco ou em sumos;
- aguardentes e licores (como a célebre "feni" de Goa, o "vinho de caju" da Guiné-Bissau e do Brasil);
- madeira;
- cascas;
- óleo da casca da castanha (utilizado na indústria química).
(iii) A Guiné-Bissau: a "cajulândia"
Em 1964, o caju era de reduzida ou quase nula importância. A economia agrícola colonial estava centrada no amendoim, coconote, óleo de palma, arroz e mais algumas culturas alimentares (sorgo, milho, fundo, mandioca...).
Depois da independência, e sobretudo a partir dos anos 1980, o Estado guineense e os organismos internacionais (FMI, Banco Mundial) incentivaram fortemente a expansão dos cajueiros. O país precisava desesperadamente de dívisas.
O resultado foi impressionante:
- cerca de 90% das famílias rurais dependem hoje do caju;
- o caju representa aproximadamente 90% das exportações do país;
- as exportações ultrapassaram recentemente as 250 mil toneladas anuais;
- a maior parte da produção segue para a Índia e para o Vietname, onde a castanha é descascada, processada e reexportada com muito maior valor acrescentado.
(iv) O paradoxo guineense
A Guiné-Bissau produz enormes quantidades de castanha bruta mas transforma localmente apenas uma pequena fração. Ou seja:
- exporta matéria-prima ( como no tempo do colonialismo);
- importa pouco rendimento industrial;
- cria relativamente poucos empregos industriais.
(iv) Quem promoveu a "cajulândia", o "país do caju"?
- políticas agrícolas dos governos pós-independência;
- projetos do Banco Mundial e de outras agências internacionais;
- interesse dos comerciantes indianos;
- extraordinária adaptação da espécie aos solos pobres e ao clima guineenses.
O cajueiro tem uma vantagem enorme para um pequeno agricultor:
- exige relativamente poucos cuidados;
- funciona como uma espécie de "conta bancária ao viva";
- produz castanhas vendáveis todos os anos.
(v) Em Moçambique, o caju tem uma história mais antiga
Os portugueses introduziram-no ali ainda no século XVI.
Durante os anos 1950 e 1960, Moçambique era um dos maiores produtores mundiais de castanha de caju. Existiam fábricas de descasque e processamento que empregavam milhares de trabalhadores.
Depois da independência, a guerra civil e várias políticas económicas desastrosas provocaram o colapso de grande parte da indústria.
Nos últimos anos tem havido alguma recuperação, sobretudo nas províncias de Nampula, Zambézia e Cabo Delgado.
A expansão do caju na Guiné-Bissau teve efeitos contraditórios, uns positivos, outros negativos:
Durante os anos 1950 e 1960, Moçambique era um dos maiores produtores mundiais de castanha de caju. Existiam fábricas de descasque e processamento que empregavam milhares de trabalhadores.
Depois da independência, a guerra civil e várias políticas económicas desastrosas provocaram o colapso de grande parte da indústria.
Nos últimos anos tem havido alguma recuperação, sobretudo nas províncias de Nampula, Zambézia e Cabo Delgado.
(vi) O lado menos conhecido da "cajulândia"
A expansão do caju na Guiné-Bissau teve efeitos contraditórios, uns positivos, outros negativos:
Positivos
- rendimento monetário para centenas de milhares de camponeses;
- reflorestação parcial de algumas áreas;
- redução da erosão dos solos.
Negativos:
- substituição de culturas alimentares (nomeadamente, arroz, milho...)
- dependência excessiva de um único produto;
- vulnerabilidade aos preços internacionais, às flutuações do mercado ao envelhecimento dos pomares e ás alterações climáticas;
- trabalho infantil (e feminino) na apanha e processamento artesanal, problema que continua a ser denunciado por várias ONG e outras organizações.
Em 2026 há um claro receio de que a campanha do caju na Guiné- Bissau seja um desastre. A floração foi mais tardia. Há um claro envelhecimento dos pomares. E sinais de stress hídrico devido às alterações climáticas. O preço-base nesta altura deve andar nos 425 francos CFA o quilo (0, 65 euros).
A produtividade é baixa: 400/500 kg por hectare. O que em meio milhão de hectares da 200 / 250 mil toneladas. Razões: envelhecimento dos pomares ( alguns já com mais de 30 anos); fraca seleção genética; poda e manutenção deficientes; excessiva concentração de plantas; pragas e outras doenças, etc.
(viii) Uma curiosidade histórica
Muitos de nós, antigos combatentes, que servimos na Guiné nos anos 1960 e início dos anos 1970, passámos por extensas áreas onde praticamente não existiam cajueiros.
Hoje, ao regressarmos às mesmas regiões, encontramos vastas paisagens dominadas por pomares de caju. Tive essa experiência em 2008. É como voltar ao Alentejo, 50 anos depois, e deparar-se com extensas áreas de oliveira, vinha e estufas.
Em poucas décadas, o cajueiro transformou-se numa das marcas da paisagem rural guineense, talvez tão ou mais emblemática quanto o foi amendoim para a economia colonial.
Eis um tema que vamos continuar a desenvolver no nosso o blogue: como a Guiné passou, em meio século, de um território onde o caju era marginal para uma economia quase inteiramente dependente da castanha de caju. E daí a pergunta: trata- se dá nova "semente do diabo" ( como os fulas chamavam a mancarra)?
Em poucas décadas, o cajueiro transformou-se numa das marcas da paisagem rural guineense, talvez tão ou mais emblemática quanto o foi amendoim para a economia colonial.
Eis um tema que vamos continuar a desenvolver no nosso o blogue: como a Guiné passou, em meio século, de um território onde o caju era marginal para uma economia quase inteiramente dependente da castanha de caju. E daí a pergunta: trata- se dá nova "semente do diabo" ( como os fulas chamavam a mancarra)?
(Pesquisa: LG + Wikipedia + DW + Chat / Open AI)
(Condensação, revisão/ fixação de texto, negritos, título: LG)





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