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sábado, 24 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28461: Convívios (1080): Os antigos combatentes da vila de Loriga, a princesa da Serra da Estrela, homenagearam as suas mães, no almoço-convívio realizado na Escola Secundária de Sacavém, no passado sábado, dia 17 - Parte III

 

Foto nº 23 > A mesa nº 5: reservada para os membros da Tabanca da Linha e da Tabanca Grande: o régulo da Tabanca da Linha Manuel Resende e esposa Isaura; Luís Graça (Tabanca Grande) e esposa, Alice Carneiro; Hélder Sousa (Setúbal); João Crisóstomo e esposa Vilma (Nova Iorque); Jaime Silva (Lourinhã). (O Zé Carioca e a esposa, apesar de inscritos, não compareceram). (Foto: cortesia da página do Facebook do Zé Fernandes Pina), que é de Loriga e vive em Loriga)


Foto nº 24 > Manuel Resende e Hélder Sousa, ambos membros da Tabanca Grande


Foto nº 25 > Manuel Resende e João Crisóstomo (que adrou comparecer a este convívio9, ele que tem estado entre nós, ao longfo deste més, regherssando aos States na próxima sexta, dia 30)


Foto nº 26 >  Vilma, com o seu linmdo sorrio esloveno, e  o João Crisóstomo (vè-se pela fita amarela que esteve na Guiné...)


Foto nº 27 > Jaime Silva  (que foi paraquedista em Angola, 1970/72) e a Vilma


Foto nº 28 > Alice Carneiro e Luís Graça (régulo da Tabanca Grande; estteve na Guiné em 1969/71)


Foto nº 29 > Mesa nº 6 > Orlando Santos Pinela  (Caxias) e Alpoim Almeida Ribeiro (Algés) (ambos estiveram na Guiné, como indica a fitinha amarela pendurada ao pescoço)



Foto nº 30 > Da esquerda para a direita; Orlando Pinela e esposa;  Alpoim Ribeiro (Algés) e Fernando Ambrósio (Lisboa) (membro recente da Tabanca da Linha, também esteve na Guiné)


Foto nº 31 > O Jaime Silva e o Abílio,  um camarada que veio de Loriga de propósito: esteve em Angola (abr 1967/ mai 1969) e ainda hoje é pastor na Serra da Estrela. Ambos ostentam a  fita encarnada, sinal de que estiveram  em Angola.

O Abílio  pertenceu à CCAÇ 1696 (1967/69), mobilizada pelo RI 15; o Jaime pertenceu ao BCP 21 (Angola, 1970/72).   Ambos combateram no setor de Nambuangongo, embora em épocas diferentes.


Loures > Sacavém > Escola Secundária de Sacavém > 17 de outubro de 2026 > Almoço-convívio dos antigos combatentes do ultramar de Loriga, Seia (*)
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Fotos (e legendas): © Luís Graça  (2026). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1.  Obrigado ao António de Brito Ribeiro e demais membros da Comissão Organizadora deste evento, pela simpatia, carinho, hospitalidade e "camarigagem" com que brindaram e receberam os não-loriguenses.  Sentimo-nos em casa, e com vontade de conhecer Loriga.  "Fomos todos filhos de Loriga neste dia de convívio entre antigos combatentes!"... 

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Nota do editor LG:

(*) Postes anteriores da série > 

22 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28454: Convívios (1079): Os antigos combatentes da vila de Loriga, a princesa da Serra da Estrela, homenagearam as suas mães, no almoço-convívio realizado na Escola Secundária de Sacavém, no passado sábado, dia 17 - Parte II

20 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28450: Convívios (1078): Os antigos combatentes da vila de Loriga, a princesa da Serra da Estrela, homenagearam as suas mães, no almoço-convívio realizado na Escola Secundária de Sacavém, no passado sábado, dia 17 - Parte I

Guiné 61/74 - P28460: Os nossos seres, saberes e lazeres (756): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (276): Os quadros de António Palolo, a sua alegria luminosa, as cores incandescentes, as transbordantes secções do mundo (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 5 de Outubro de 2026:

Queridos amigos,
A Galeria 111 teve uma influência determinante na formação do meu gosto pela arte contemporânea, pelas opções que fui fazendo nas minhas compras modestas. Devo imenso a Manuel de Brito que propunha a quem se lançava na vida compras a prestações, ficou triste quando lhe disse que não podia comprar aquela serigrafia da Sónia Delaunay com a chegada de uma filha, andava com o dinheiro contado por ter decidido retomar os estudos com o ordenado de Tenente, enfim, vida modesta mas com contas certas. Recordo-o com alegria e saudade, parece que estou a ouvi-lo a explicar-me o que havia de profundamente original na arte de Palolo, Brito amava profundamente o seu trabalho, tinha aquele seu ar ponderado a comunicar o que estava exposto e como ele próprio sentia as obras de arte ali expostas, e, como ele dizia, se vocês não têm dinheiro para os óleos e guaches comprem as serigrafias a prestações. Que boas lembranças deste homem e do que ele fez pela arte contemporânea.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (276):
Os quadros de António Palolo, a sua alegria luminosa, as cores incandescentes, as transbordantes secções do mundo


Mário Beja Santos

Conheci a arte de Palolo (1946-2000) quando um dia, aí por finais de novembro de 1971, a caminho da Faculdade de Letras de Lisboa, onde retomara os estudos e passar a fazer exames com o estatuto de estudante-militar, passei pela Galeria 111, a pretexto de ir comprar um livro numa das livrarias do quarteirão, chamou-me à atenção haver na montra pintura que me pareceu da Arte Pop, mordido pela curiosidade fui percorrendo aquela pintura acrílica sobre tela e guaches, rapidamente me apercebi que havia outras aproximações e derivas da Arte Pop, subtis compromissos entre o figurativismo e o abstracionismo, impressionou-me o encerramento em molduras estritas, um geometrismo com cores muito vivas, uma autêntica festividade cromática, simetrias rigorosas, quadros dentro de quadros, linhas dentro de linhas.

É nisto que se aproximou Manuel de Brito, o proprietário da galeria, sempre ansioso de conversa, sobretudo com os mais jovens. Retive que ele fazia apelo a influências internacionais, falava mesmo em neofiguração, abstracionismo geométrico, minimalismo, Palolo era exposto na Galeria 111 desde 1964, para Manuel de Brito era muitíssimo interessante ver a evolução do artista, a sua combinação de linguagens abstratas e figurativas, o seu grau de autonomia e originalidade, a despeito da influência norte-americana ou britânica (a cor, a imagem popular, a repetição) ia adquirindo uma linguagem própria, ali presente havia uma arquitetura geométrica realçada pela cor, a indispensável matéria-prima do artista, parecia que era a cor que definia o espaço, o espetador da obra era muito mais dominado pela cor em estado vibrante que pelo enquadramento da obra. Manuel de Brito propunha sempre aos jovens aquisição de serigrafias a prestações, naquela altura, com a previsão da chegada de um filho, eu só fazia contas para que nada faltasse lá em casa, o gosto pelas obras de arte seria consumado quando houvesse as competentes folgas, quando houvesse melhoria de rendimento. Nunca perdi Palolo e os seus trabalhos de vista e cheguei a ter uma serigrafia e um desenho.

Não sei há quantos meses voltei a passar pela Galeria 111 e lá estava uma homenagem a Palolo, voltei a entrar e a sair deslumbrado quão tudo é visível e oculto nos seus trabalhos, a sua originalidade, uma certa traquinice no seu comportamento criativo, ele um autodidata, revelara uma impressionante maturidade na composição de códigos internos sem prejuízo de haver na composição qualquer coisa de teatro popular. Naquele ano de 1971, em que conheci os seus trabalhos, já Palolo era o mais jovem dos pintores que foram selecionados para a nova decoração da “Brasileira” do Chiado, o mesmo quer dizer que quem o avaliara encontrara nos seus trabalhos pujança pela linguagem de alegria luminosa e rigor na apresentação geométrica dos seus conteúdos.

Nesta recente visita pus-me discretamente a um canto para ver as reações de quem entrava e saía, dei por casal a cochichar: “Que otimismo, que simplicidade aparente, ele tinha mesmo gosto nestas aventuras de cor, neste virtuosismo com fitas alegres, hoje já não há artistas que nos façam vibrar assim, não achas?”

Dei comigo a pensar que Palolo, que perdemos tão cedo, deixou toda esta festividade que é mais do que uma pintura ilustrativa, ultrapassou o abstracionismo, não se deixou compadecer pelo academismo, a frescura como o vemos hoje pronuncia que o mundo de Palolo aponta para o intemporal de todas as aventuras pictóricas que ajudam a mudar o mundo, anunciando-as pela cor vibrante, pela alegria e esperança que cabem dentro da tela.

Não ponho legendas porque elas não aparecem nas suas obras. No entanto, surfando na internet, encontrei uma tela de Palolo no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, tem título e comentários, que aqui se reproduzem com a devida vénia.


https://gulbenkian.pt/cam/works/horrido-silencio-do-teu-corpo-138882/
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Nota do editor

Último post da série de 17 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28444: Os nossos seres, saberes e lazeres (755): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (275): Uma inesperada Chuva de Verão no Centro de Artes de Sines, até 19 de outubro (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28459: Fichas de Unidade: BCAÇ 1888 (Fá Mandinga e Bambadinca, 1966/68) e CCAÇ 1549 (Tite, Quinhamel e Bissau, 1966/68)

 

Brasão do BCaç 1888, "Vendo, Tratando e Pelejando" (Fá Mandinga e Bambadinca, 1966/68). Coleção: Carlos Coutinho (2009). (Imagem melhorada com a IA / Gemini.)



1. Fichas de unidade > Batalhão de Caçadores nº 1888

Identificação BCaç 1888

Unidade Mob: RI I - Amadora

Cmdt: TCor Inf Adriano Carlos de Aguiar | 2.° Cmdt: Maj Inf Artur Miguel Agrely Rebelo

OInfOp/Adj: Não identificado

Cmdts Comp:

  • CCS: Cap SGE Manuel Pereira Pimenta de Castro
  • CCaç 1549: Cap Mil lnf José Luís Adrião de Castro Brito
  • CCaç 1550: Cap Mil Inf Agostinho Duarte Belo
  • CCaç 1551: Cap Mil Inf Francisco Silva Pinto Pereira

Divisa: "Vendo, Tratando e Pelejando"

Partida: Embarque em 20Abr66; desembarque em 26Abr66 | Regresso: Embarque em 17Jan68

Síntese da Actividade Operacional

(i) em 26Abr66, rendendo o BCaç 697, assumiu a responsabilidade do Sector L I, com sede em Fá Mandinga e a partir de 14Nov66, em Bambadinca, e abrangendo os subsectores de Xitolc, Xime, Bambadinca e Enxalé, este até 1Jul67 e retirado ao sector por alteração dos limites.

(ii) comandou e coordenou a actividade das forças que lhe foram atribuídas, orientando a sua acção sobre as linhas de infiltração do inimigo, em patrulhamento, reconhecimentos e emboscadas em ordem a obstar à sua instalação e movimentação na zona;

(iii) desenvolveu ainda uma intensa actividade psicossocial junto das populações, promovendo a sua autodefesa e reordenamento e garantindo a segurança dos itinerários e a recuperação das populações.

(iv) de entre o armamento capturado mais significativo, salienta-se: 

  • 1 metralhadora pesada,
  •  2 metralhadoras ligeiras, 
  • 70 espingardas,
  •  1 lança-granadas foguete (LGFog),
  •  4 minas,
  •  28 granadas de armas pesadas e
  •  3000 munições de armas ligeiras.

(v) em 16Jan68, foi rendido no sector de Bambadinca pelo BArt 1904 e recolheu a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.


Brasão da CCAÇ 1549. Cortesia do portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar


CCaç 1549 

(i) seguiu em 26Abr66 para Tite, a fim de substituir a CCav 677, como subunidade de intervenção e reserva do sector, com um pelotão destacado em Fulacunda, até 28Jun66 e outro em Enxudé, a partir de 30Mai66;

(ii)  ficou  integrada no dispositivo e manobra do BCaç 1860 e depois do BArt 1914, tendo actuado em diversas operações efectuadas nas regiões de Fulacunda, Iusse,Nova Sintra e Flaque Cibe, entre outras;

(iii) em 04Ag067, foi rendida pela CArt 1743 e seguiu para o sector de Bissau, onde assumiu a responsabilidade do subsector de Quinhámel, com um pelotão destacado em Ilondé, onde substituiu a CArt 1647;

(iv)  ficou  integrhttps://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2021/03/guine-6174-p21989-fichas-de-unidade-17.htmlada no dispositivo do BArt 1904, com vista à segurança e protecção das instalações e das populações da área.

(v) em 02Nov67, foi rendida no subsector de Quinhámel pela CCaç 1585 e foi colocada em Bissau, em substituição da CCaç 1498, mantendo a mesma missão anterior.

(vi) em 16Jan68, foi substituída pela CCaç 2313 a fim de efectuar o embarque de regresso;

(vii) a esta companhia pertenceu o nosso grão-tabanqueiro nº 921, Germano Estêvão.

Observações - Tem História da Unidade incompleta (Caixa n.º 72 - 2ª Div/4ª  Sec., do AHM).

 Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pp. 85/87.

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Quanto às CCaç 1550 (Farim e Xime, 1966/68)  e CCAÇ 1551 (Bambadinca, Xitole, Fá Mandinga, 1966/68): têm, já no nosso blogue, mais do que meia-dúzia de referências (12, a primeira, 8 a segunda).   O BCAÇ 1888  tem 25 referências.

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 5 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28321: Fichas de unidade (42): BCaç 2885 (Mansoa, 1969/71), e suas unidades de quadrícula, CCAÇ 2587, CCAÇ 2588 e CCAÇ 2589

Guiné 61/74 - P28458: Para bom observador, meia palavra basta (13): o crocodilo do canal do Enxudé, ao tempo da CCAÇ 1549 / BCAÇ 1888 (Tite, Quinhamel e Bissau, 1966/68)... e as alucinações da IA





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Foto nº 1B, 1A, 1


Foto nº 2


Foto nº 3

Foto nº 4




O Germano Estêvão, à civil,
antes da tropa. Foto original
a preto a branco.
Colorização  feita pela IA

1. Apresentámos ontem  o novo membro da Tabanca Grande, o nº 921, o Germano Estêvão (*). Foi "apadrinhado" pelo seu primo em 2º grau, e conterrâneo, o  João Crisóstomo. 

Das fotos (uma dúzia)  que o João trouxe consigo para digitalizarmos, consta esta, de muito fraca qualidade (Foto nº  5, abaixo reproduzida). 

Não a observámo com atenção e minúcia. O mal das pressas. Quisemos fazer o seu "restauro" digital e ver se a valia a pena "colorizá-la", com recurso à IA.

Para surpresa nossa obtivemos vários resultados para as nossas dúvidas sobre o "bicho" que os militares contemplam no cais de Enxudé. A foto deve ser de 1966/67.  Os militares devem pertencer à CCAÇ 1549, sediados em Tite (entre eles, deve estar o Germano Estêvão, que não conseguimos ainda identificar). 

Depois de várias "leituras" da foto (hilariantes, as primeiras), lá chegámos à conclusão que o "bicho" era, afinal,  um crocodilo do rio Geba...

(i) O Gemini / Google AI deu-nos esta resposta:

Com base nos registos históricos da fauna do rio Geba e no tamanho e formato alongado visíveis na imagem, o peixe capturado assemelha-se fortemente a um peixe-gato gigante africano (como as espécies do género Clarias ou Heterobranchus), ou potencialmente a um grande exemplar de tarpon ou barracuda de água doce, comuns nos estuários e águas salobras da Guiné-Bissau.

(ii) A mim, editor,  pareceu-me logo que era um crocodilo, e não um peixe, uma barracuda (palpite da IA do Google) (foto nº 2). 

O ChatGPT também não acertou à primeira (Foto nº 4). E lá fez a sua "autocrítica":

(...) "Tens toda a razão, camarada Luís — e não tens de pedir desculpa! Fui eu que interpretei mal a fotografia e, pior ainda, a colorização anterior inventou peixes e alterou bastante a cena original (Foto no. 4).

O animal é um crocodilo, e o homem de cócoras, ao centro, está a mexer-lhe nos maxilares, aparentemente a abrir-lhe a boca. A legenda deve respeitar o contexto que indicas: região de Quínara, Tite, margem esquerda do rio Geba, fotografia, a preto e branco, de Germano Estêvão, da CCAÇ 1549.

Vou corrigir a abordagem: preservar a composição original, os rostos, as posições dos homens, o crocodilo e a estrutura de madeira sob os seus pés. O restauro digital deve recuperar a fotografia histórica, não recriar uma cena diferente.

A nova versão (Foto no. 1) já representa o crocodilo com a boca aberta, mas devo ser rigoroso contigo: a ferramenta voltou a reconstruir partes da fotografia, em vez de se limitar a restaurar o original. Alterou pormenores das figuras e do animal, pelo que não a consideraria uma reprodução documental fiel para o blogue.

A legenda histórica que proponho é: Guiné, região de Quínara, rio Geba, margem esquerda, nas proximidades de Tite. CCAÇ 1549. Um grupo de militares junto de um crocodilo capturado, com um dos homens a abrir-lhe as mandíbulas. Fotografia de Germano Estêvão. Data não identificada.

Para o arquivo da Tabanca Grande, conservaria sempre a fotografia original a preto e branco como documento de referência.

A meu pedido, o ChatGPT fez uma "reconstituição" a preto e branco (Foto nº 2):

(...) "Camarada, fiz uma nova versão a preto e branco, procurando conservar o ambiente documental da fotografia de época, o enquadramento, os militares e o crocodilo, com maior nitidez e contraste.

Há, porém, uma ressalva importante: esta é uma reconstituição assistida por IA, não uma restauração puramente fotográfica. Alguns pormenores podem ter sido reinterpretados. Para um documento histórico da CCAÇ 1549, convém preservar sempre o original e comparar cuidadosamente os rostos, as mãos, o camuflado e a posição do crocodilo.

Quanto à identificação, concordo contigo: é um crocodilo, não uma barracuda. A fotografia, atribuída a Germano Estêvão, situa-se no canal do Enxudé, no rio Geba, junto de Tite, na região de Quínara, por volta de 1966/67. A classificação como crocodilo de tamanho médio é plausível, mas não determinaria a espécie nem o comprimento exato apenas com base nesta imagem" (...).

E acrescentamos nós: trata-se de um crocodilo da espécie crocodilo-do-Oeste-Africano  (Crocodylus suchus), muitas confundido com crocodilo-do-Nilo (Crocodylus niloticus). 

Essa distinção é recente (2011), e baseia-se em  estudos de DNA. O crocodilo-do- Oeste-Africano é muito menos agressivo e perigoso que  o do Nilo.  É mais pequeno e tem muito menos peso. A malta, no nosso tempo, não sabia fazer estes distinções zoológicas e tinha um medo que se pelava de cair ao rio...

De facto, comparado com o   crocodilo do Nilo (Nile crocodile) (que pode chegar aos 5 metros de comprimento, e aos 225 / 700 kg de peso), o  crocodilo-do-Oeste-Africano (West African crocodile)  anda entre os 2 e os 3 metros, podendo pesar, em adulto, entre 90 e os 250 kg. 

Na realidade, a malta nadava nos rios e estava-se "cagando" para os crocodilos" (muitas vezes confundidos com os "jacarés", que só existem no Novo Mundo).  Em África, não há jacarés, camaradas!
 
 [ Pesquisa: LG + IA (ChatGPT / Open AI) (Gemini / Google AI)]
(Condensação, revisão / fixação de texto: LG)



Foto  nº 5

Guiné  > Região de Quínara > Tite > CCAÇ 1549 > c. 1966/67 > No canal do Enxudé, rio Geba, um grupo de militares no cais, em observação a um animal capturado no rio (que parece ser um crocodilo)

Fotos: © Germano Estêvão / João Crisóstomo (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI) (Gemini / Google AI)]


3. Comentário do editor LG: 

A IA pode ser (e tem sido) útil na recuperação de fotos dos nossos mal tratados álbuns, em geral com fraca resolução, e com já com muitas marcas do tempo (humidade, riscos, etc.). 

Mas a IA comete frequentemente erros ao interpretar ou "ler" fotografias antigas devido a limitações técnicas e à falta de contexto histórico (daí a importância da legendagem detalhada, como nós fazemos).  

É verdade que os modelos de visão por computador evoluiram muito, mas o processamento de imagens históricas ("antigas") apresenta desafios únicos que as máquinas ainda não conseguem resolver perfeitamente. 

A IA analisa pixels, formas e padrões, mas não entende o contexto social, cultural ou histórico bem como o significado político ou humano de um cenário. A IA "não pensa, não sente", mesmo que ela fale contigo e te trate por "camarada"...

Muitas das fotos dos nossos álbuns da Guiné (ao fim de 50, 60 anos...)  apresentam grão, riscos, manchas e descoloração (caso desta, do Germano Estêvão), que a IA pode confundir com elementos reais da imagem (troca do crocodilo pela barracuda, por exemplo)... 

Por outro lado, em imagens a preto e branco ou sépia, a IA tem de "adivinhar" as cores originais através de modelos de estimativa, o que resulta em tons de pele incorretos, roupas com cores historicamente erradas, perda de contraste original, etc.

No restauro digital,  a IA sofre muitas vezes de "alucinações visuais": ao tentar restaurar ou reconstituir  uma foto antiga, desfocada, com manchas, com riscos, rasgões, etc. (recorrendo a ferramentas de "upscaling"), a IA inventa texturas e traços faciais para preencher os espaços em branco. 

Além disso, a  IA pode alterar a fisionomia real de uma pessoa do passado, tornando o rosto demasiado "plastificado", "bonitinho",  ou parecido com os dados modernos com os quais foi treinada.

Temos de ser sempre cautelosos e críticos em relação a estes "restauros digitais"...E, primeiro que tudo legendar a foto... E comparar os "resultados"... 

Se nos dermos  ao trabalho de ampliar a foto original (usando inclusive a lupa...)  e observá-la atentamente, vê-se  que estes militares observam um crocodilo. De tamanho aparentemente médio...

Não, não  pode ser uma barracuda ou outro peixe do estuário do Geba. O camarada de camuflado segura a cauda, um africano em tronco num está debruçado sobre o réptil, o militar, á frente, ao centro, em tronco nu, de cócoras, segura o  maxilar superior. 

Pedimos ao Gemini/ Google AI   e ao ChatGPT/Open AI  que nos fizesse  o "restauro da imagem original",  que está  em mau estado.  A preto e branco. E depois com "colorização".

Já mostrámos o que foi "saindo"...com diferentes afinações da nossa parte... No que se perde muito tempo...

Esperemos que os nossos leitores também possam acrescentar algo mais sobre o que observam na foto original (**), e a comparem com as imagens da IA. E sobretudo nos falem da sua experiência (ou das suas memórias) da passagem por estas paragens...  (Nunca lá estive no Enxudé   nem em Tite, mas passei ao largo, em LDG e em "barco-turra", nas memoráveis viagens Bissau-Xime-Bambadinca e vice-versa.)

Devem ser raras, no nosso blogue,as fotos tiradas no "canal do Enxudé", no lado esquerdo do rio Geba, frente a Tite. Vou confirmar.

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Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 23 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28455: Tabanca Grande (588): Germano Estêvão, senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 921, apadrinhado pelo primo e vizinho da Bombardeira, João Crisóstomo: foi 1º cabo at inf, CCAÇ 1549/ BCaç 1888 (Tite, Quinhamel, Bissau, 1966/68)

(**) Último poste da série > 19 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28447: Para bom observador, meia palavra basta (12): Decifrado o enigma dos grafitos deixados pela CCAÇ 1620 em Cameconde e no Cachil: "3798" era, de facto, o SPM da companhia (Manuel Cibrão Guimarães, Rio Tinto / Gondomar, organizador do encontro anual do pessoal em 2018)

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28457: O Nosso Livro de Visitas (234): António Joaquim Morais Caldas que nos vem falar do incidente que motivou a morte do Capitão Rui Romero e da presença da Alferes Enfermeira Paraquedista Maria Rosa Exposto na sua evacuação

1. Mensagem de António Joaquim Morais Caldas, enviada ao nosso blogue através do Formulário de Contactos em 21 de Outubro de 2026:

Hoje, e tão tarde, tive conhecimento, através do ogue, da morte no dia 21/06/2021 da nossa querida camarada Alf Enf  Rosa Exposto.[1]

A última imagem que dela detenho, foi vivida em 10 de Julho de 1966, dia do dramático acidente do Cap. Rui Romero
 que ainda retenho na memória.[2]

Na verdade, estávamos, eu e o 2.º Sargento José Morais a descansar na sala do material de guerra, a 2 metros do quarto do Comandante Romero, quando ouvimos um tiro vindo do seu interior. Corremos, batemos à porta e, sem resposta, abrimos e deparámos com o corpo inerte do Comte Romero estendido no chão com a arma. Outros pormenores jamais os divulgarei.

De imediato, fui à varanda e encontrei um militar, não me recordo do seu nome, e pedi-lhe para correr a chamar o nosso Cmdte 
 Amaro Rodrigues Garcia.

Mo A partir desse momento tudo decorreu de acordo com as suas orientações, que levou à chegada do helicóptero e cuja enfermeira era precisamente a Alf Enf Pqdt Maria  Rosa Exposto. Cumpridos todos os procedimentos, o corpo do Cap RuiRomero foi levado para o hospital de Bissau e, posteriormente, para a Metrópole.

Foi um dia dramático e de grande consternação que teve a particularidade de ter frente a frente a nossa querida camarada de armas Maria Rosa Exposto.

Obrigado Rosa pela tua camaradagem e abnegação.

REQUIEM IN PACE ROSAE.
Guiné > Região do Oio > Jumbembem  > Domingo, 10 de julho de 1966 > Um dia trágico: pormenor da evacuação do cap mil inf Rui Romero, na foto a ser transferido para a maca do helicóptero Alouette II... A enfermeira paraquedista era a Alf Maria Rosa Exposto.

Foto: © Artur Conceição (2007). Todos os direitos reservados [Edição de L.G.]

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Notas do editor:

[1] - Vd. post de 9 de maio de 2025 > Guiné 61/74 - P26781: In Memoriam (547): Maria Rosa Exposto, ex-alf enf pqdt (Bragança, 1940 - Portalegre, 2021), pertencia ao 4º curso (1964) e passou pelo CTIG... Rosa, que descanses em paz!

[2] - Vd. post de 10 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28169: Retalhos da vida militar (5): Faz hoje 60 anos que ocorreu a trágica morte do Cap Mil Inf Rui António Nuno Romero, Comandante da CCAÇ 1565 (Artur Conceição, ex-Sold TRMS)

Último post da série de 7 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28328: O Nosso Livro de Visitas (233): Ana Vaz, neta do sr. José Caeiro, comerciante, dono da Casa Caeiro, Nova Lamego: português, natural da Figueira da Foz

Guiné 61/74 - P28456: Notas de leitura (1973): "Nós, Os Filhos da Guerra", por Frederico Valarinho; Âncora Editora, 2024 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 1 de Setembro de 2026:

Queridos amigos,
Por amável empréstimo da Biblioteca da Liga dos Combatentes li as memórias de infância de Frederico Valarinho em Tete, são tocantes como retoma um sexagenário à vida de uma criança num ambiente predominantemente militar e ao elogio que tece aos seus pais. Assim se vai abandonando o terreno da especulação de que a literatura da guerra colonial ou era domínio de reserva de ex-combatentes ou de estudiosos, está amplamente confirmado pelo que temos lido de Paulo Faria, Joana Pontes ou Catarina Gomes, entre outros, que os filhos da guerra, incluindo os filhos de tuga, são hoje literatura constante do dever da memória da guerra colonial.

Abraço do
Mário



Os filhos da guerra são hoje a geração a quem compete transferir a memória das suas vivências coloniais

Mário Beja Santos

O dever de memória, em termos literários da guerra colonial, começou por se manifestar por testemunhos de ex-combatentes através de romances, novelas e contos, poesia e memórias; outros deram seguimento por via da historiografia, do jornalismo, até da hagiografia, narrativas múltiplas, não faltaram posicionamentos ideológicos. Passadas estas décadas, assiste-se à consolidação da literatura memorial e à emergência de novos protagonistas, com um peso particular para os filhos, mesmo aqueles filhos de tuga que reivindicam o direito à identidade. É uma variante do subgénero literário esta maré de escritos dos filhos de ex-combatentes.

É nesse contexto que se justifica um comentário ao livro de Frederico Valarinho "Nós, Os Filhos da Guerra", Âncora Editora, 2024. Valarinho nasceu em Nampula, em dezembro de 1964, o pai, oficial do Exército, fazia ali a sua comissão. Valarinho é homem dos sete ofícios, trabalhou como jornalista e tem o seu nome ligado à esgrima, modalidade desportiva em que o pai foi ilustre pioneiro. O Major-general Pedro Pezarat Correia prefaciou estas memórias de Valarinho criança na cidade de Tete, onde o pai aparecia de vez em quando, o seu batalhão estava em área de refrega.

O prefaciador não esconde a sua admiração por este poder de regressar à infância, o brincar despreocupadamente com outras crianças, o ambiente escolar, o seu interesse em ter recolhido lembranças de amigas mais chegadas daqueles tempos. Também pesa como documento as notas de enquadramento, o adulto que foi jornalista não se irá coibir de contextualizar histórica, geográfica, política e militarmente, as memórias da infância. É deste prefácio que retirei o título que dou a este apontamento: “Os filhos na guerra são hoje a geração a quem compete transferir o legado dos seus pais aos seus filhos e aos seus netos.” Trata-se de uma aventura memorial: a interrupção de estudos na metrópole, a viagem com a mãe para Moçambique, dá-se uma boa página de enquadramento histórico. A vida em Tete, o alojamento, a vida do colégio, as brincadeiras no dia-a-dia, uma nota de enquadramento do aparecimento nacionalista em Moçambique.


E dá-se o enraizamento afetivo, as boas horas na piscina com os amigos, ao seu olhar de criança escapou a sociedade militar em Tete, a música que se ouvia, a roupa engomada com ferro a carvão, a nova casa, diz o térreo, o comércio dos monhés (designação dada aos indianos) mais notas de enquadramento, o que o autor pode apurar da evolução da guerra do tempo em que viviam em Tete, o funcionamento dos serviços de saúde, o que se sabe e ainda não se sabe dos massacres de Wiriamu; o passeio à cidade da Beira, como os moçambicanos, principalmente os colonos portugueses, viviam a guerra, importa não esquecer que a maioria esmagadora dos portugueses em Moçambique estava concentrada no sul.

Extensa nota de enquadramento sobre os acontecimentos vividos em Moçambique em finais de 1973 e até março de 1974. Memória de como se viveu o 25 de abril de 1974, o comovente elogio feito aos seus pais. Termino com a referência à apresentação do livro pelo seu autor:
“Por falar em memórias, convirá que fique desde já definida uma das regras que me impus ao escrever esta obra: mal ou bem, errado ou não, tudo aquilo que consta nestas páginas foi retirado exclusivamente da minha memória. Claro que poderia ter pedido aos meus pais, adultos com uma capacidade de observação e um discernimento completamente diferentes daqueles que eu à época dispunha, que me lembrassem factos e pessoas e corrigissem detalhes que pudessem ter sido alterados pelo olhar e pela imaginação de uma criança entre os 6 e os 9 anos. Só que, se o fizesse, estaria a adulterar o que aqui pretendia fazer. Este é um livro sobre aquilo que uma criança viu e sentiu.”


Frederico Valarinho
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Nota do editor

Último post da série de 19 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28448: Notas de leitura (1972): "Fado Alexandrino", por António Lobo Antunes; Publicações Dom Quixote (2) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28455: Tabanca Grande (588): Germano Estêvão, senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 921, apadrinhado pelo primo e vizinho da Bombardeira, João Crisóstomo: foi 1º cabo at inf, CCAÇ 1549/ BCaç 1888 (Tite, Quinhamel, Bissau, 1966/68)







Foto nº 1


Foto nº 2



Foto nº 3


Foto n º 4



Foto nº 5


O novo grão-tabanqueiro nº 921, Germano Estêvão, natural de Torres Vedras: 1º cabo at inf, pertenceu à CCAÇ 1549 / BCAÇ 1888 (Tite, Quinhamel, Bissau).

Legendas:  Foto nº > 1º cabo at inf, Tite  |  Foto nº 2> Na recruta > Foto nº 3 > No canal do Enxudé  | Foto  no. 4 >  Bombardeira: o Germano na sua casa, com a esposa Etelvina e o primo João |  Foto 5 > Foto atual

Fotos (e legendas): © Germano Estêvão / João Crisóstomo  (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI) (Gemini / Google AI]



Brasão do BCaç 1888, "Vendo, Tratando e Pelejando" (Fá Mandinga e Bambadinca, 1966/68). Coleção: Carlos Coutinho (2009). (Imagem melhorada com a IA / Gemini.)



1.Mensagem do John Crisostomo, luso-americano, membro da Tabanca  Grande, régulo por decreto real da Tabanca da Diáspora Lusófona, activista social de muitas e boas causas, natural de Torres Vedras, a viver em Queens, Nova Iorque, com a sua querida Vilma, de origem eslovena:


Data -. domingo, 11/10/2026, 19:36
Ãssunto - O meu primo Germano Estêvão


Caro Luís Graça,

(....)  Já uma vez te falei dum primo meu que esteve na Guiné ao mesmo tempo que eu. Recordou um facto que eu já tinha esquecido: que nos encontrámos uma vez em Tite, onde ele estava estacionado, durante uma operação em que a minha companhia, a CCAÇ 1439,  fazia a sua parte. 

Estive há dias com ele, lembrando coisas e loisas,  especialmente das nossa experiências na Guiné e acabei por lhe perguntar se ele não queria fazer parte da nossa Tabanca Grande. Concordou em entrar e portanto aqui estou eu para “apadrinhar" mais um camarada nosso...

Aliás,   eu já o mencionei num email (de 3 de dezembro de 2023) e que até tinha várias fotos que tu depois publicaste no poste   P24983 de 21 de dezembro de 2023 mas que inicialmente  não apareciam (conforme confirmaram o saudoso Valdemar Silva e o Fernando Ribeiro,  em comentários a esse poste).

Na casa dele fui encontrar muitas fotos dos seus tempos da Guiné , mas estão todas muito velhas, não sei se as podes utilizar. Escolhi algumas que amanhã vou “ identificar”. (...)

Entretanto o que se segue é a “história da sua vida”. Diz que não gosta de escrever (muito menos por vias digitais ), mas prontificou-se a contar-me o que se lembra e que eu escrevesse por ele. Aqui está o que me disse, e que vou tentar replicar com a precisão que eu for capaz (...)


2. O novo grão-tabanqueiro nº 921 > Germano Estevão, 1º cabo at inf, CCAÇ 1549 / BCAÇ 1888 (Tite, Quinhamel e Bissau, 1966/68),a seguir  apresentado pelo João Crisóstomo:
 

(i) nasceu na Bombardeira, freguesia de A-Dos-Cunhados, concelho de Torres Vedras, no dia 11 de março de 1944;

(ii) ingressou na tropa no dia 15 de outubro de 1965, com 21 anos, em Leiria, no R.I. 17;

(iii) foi para a Guiné, integrado como 1º cabo at inmf, na CCAÇ1549 /  BCAÇ 1888,  no dia 25 de abril de 1966, já com os 22 anos feitos,  no navio Uíge, o mesmo navio que no dia 17 de janeiro de 1968 o trouxe de volta a Portugal;

(iv) logo que chegou a Bissau, foi de barco até Enxudé, onde desembarcou e daí seguiu em coluna de viaturas até Tite onde ficou durante 16 meses;

(v)  a CCAÇ 1549 veio substituir a CCav 677, em Tite, como subunidade de intervenção e reserva do sector: teve  um pelotão destacado em Fulacunda, até 28Jun66 e outro em Enxudé, 

 (v) depois foi para Quinhamel onde permaneceu alguns meses, antes de ir para Bissau, em substituição da CCAÇ 1498.  onde passou os últimos dois meses   até regressar a Portugal.

Três irmãos a servir a Pátria, ao mesmo tempo

É talvez pertinente mencionar um facto que aliás não foi único: enquanto ele fazia o seu serviço na Guiné os seus dois irmãos faziam também o seu tempo de tropa ao mesmo tempo que ele em lugares diferentes : o Rui, irmão mais velho, estava em Angola; e o Luís, o mais novo, fez o seu tempo todo em Portugal numa repartição administrativa, safando-se assim de ir ao Ultramar. 

 Os pais não tinham muitas posses… e ficaram sós,   com duas filhas, uma delas ainda criança,   "a aguentarem como podiam ” até que os filhos voltassem.

A sua companhia era a Companhia de Infantaria nº  1549, a  CCAÇ 1549, que "andou sempre à porrada".  Uma companhia de Intervenção sob o comando do capitão Brito, integrada ao BCAC 1888.

 Quando este Batalhão voltou a Portugal,   sua companhia ficou adida ao BCAÇ 1860, que por sua vez foi rendido por uma outra unidade, cuja identidade não se lembra mais.

Apesar de ser uma companhia de intervenção "que andava sempre no mato”, o número de sinistrados desta companhia foi bastante baixo: yiveram muitos feridos, mas tiveram apenas duas baixas fatais cujas circunstâncias lembra com bastante clareza, apesar do tempo que já passou.

O primeiro foi o alferes Dias, natural de Queluz, que foi morto em combate. O Germano lembra que, ao regressar, tiveram de atravessar uma bolanha com água pela cintura, e não tinham comunicação com ninguém. 

O comandante da secção que transportava o corpo do falecido alferes Dias ordenou então aos seus homens que levantassem e mostrassem o corpo do falecido por cima das suas cabeças para que o  de helicóptero sobrevoava a coluna de regresso (o PCV), se apercebesse de que eles tinham um morto e queriam que o helicóptero apanhasse o corpo do falecido alferes.

O furriel Joaquim  Peixeira, que pertencia a esta companhia e que já várias vezes esteve nos nossos convívios, ainda hoje vai à campa do alferes Dias levar flores,   honrando a sua memória e prestando a sua homenagem.

A história do outro sinistrado não é menos pungente, porque se tratou de um acidente, sem qualquer falta ou culpa de ninguém . O enfermeiro da companhia estava com uma arma nas mãos que estava armada sem ele o saber. "Não sabe porque cargas de água", a arma disparou-se e a bala foi atravessar a chapa que era a parede comum com a caserna seguinte, atravessou um caixote de bacalhau ( creio que vazio) e foi atingir o primeiro cabo Cardoso que teve morte instantânea.

(Texto de João Crisóstomo, revisão / fixação de texto: LG)


4. Comentário do editor LG: 

João, obrigado pelo teu empenho e "apadrinhamento". O teu primo e nosso camarada  Germano Estêvão  é bem-vindo, e vai sentar-se à sombra do nosso poilão no lugar nº 921.

 Infelizmente não tínhamos até agora nenhum representante da CCAÇ 1549 (e apenas 3 ou 4 escassas  referências a esta subunidade).  

Em próximo poste, apresentaremos mos mais fotos e a ficha da unidade, e algumas referências à sua atividade operacional. 

Este BCAÇ 1888 esteve em Bambadinca, embora já não  seja do meu tempo. Mas lembro-me do seu memorial, na nossa parada, em frente àescola.

Como bem dizes, as fotos do álbum do Germano Estrêvão que me entregaste e eu digitalizei, são de fraca qualidade. Procedi ao seu "restauro" e colorização, com recurso à IA. 

Ele fica com o teu endereço de email. Manda-lhe um abraço fraterno, meu, de camarada e vizinho (da Lourinhã).

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 16 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28442: Tabanca Grande (587): Henk Eggens senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 920: nasceu nos Países Baixos (que para nós é sempre a velha Holanda...) e é cidadão do mundo, médico de saúde global; é vizinho de Salazar, vive em Santa Comba Dão