Guiné > c. 1965 > Estamos a reproduzir os postais de propaganda das NT, dirigidas ao IN e à População. Fazem parte de uma colecção do Joaquim Sequeira (1940-2024), ex-1º cabo canalizador, BENG 447 (Brá, 1965/67), carinhosamente tratado por "Sintra" (ele morava no Mucifal, concelho de Sintra, e era assíduo frequentador da Magnífica Tabanca da Linha).
Trata-se de uma sequência de banda desenhada, sob a forma de um folheto desdobrável com uma meia dúzia de postais, impressos de um lado e do outro. Ccmeça com uma imagem do mapa da Guiné ("Guiné Portuguesa, Guiné Feliz"). À direita está escrito, esferográfica azul: "Do Sintra, 8/65".
No primeiro postal (*) mostra-se um grupo de "homens do mato" (nunca "guerrilheiros"), feridos, esfomeados, esfarrapados, desmoralizados. Os combatentes do PAIGC nunca são tratados como tal, mas simplesmente como "homens do mato" (leia-se: bandidos, foragidos, indivíduos que estão fora da lei e da ordem).
Aliás, no nosso tempo, "ir no mato" era, no falar das gentes da Guiné ( a começar pelos soldados do recrutamento local), juntar-se à guerrilha, fugir das zonas sob administração portuguesa (civil e militar).
Portugal, de resto, nunca reconheceu o PAIGC como inimigo, no sentido militar e legal do termo, nem a luta contra o "terrorismo" (ou a "subversão) como uma situação de guerra, face à Convenção de Genebra.
O título do primeiro postal é : "No mato, há doença, fome e morte", A legenda, por sua vez, acrescenta o seguinte: "O Chefe do Grupo do mato julga que vai morrer. Foi gravemente ferido". Deduz-se que são os sobreviventes de uma ação ofensiva das NT.
No 2º postal (ª*) vemos o mesmo grupo de "homens do mato", desalços, vestiados apenas de tanga ou calções (!), a entregar-se às autoridades militares portuguesas da zona.
Depois do chefe do mato ter ido falar com o "homem grande da tabanca" (o régulo, que veste à maneira fula, o que está longe de ser inocente, já que os fulas eram os nossos grandes aliados), o homem grande intercede por eles junto da tropa. Legenda: "O Homem Grande diz à tropa que estes homens foram enganados, estão arrependidos e fartos da guerra".
No 3º postal (vd. acima), vemos os "homens do mato, arrependidos" serem bem tratados pelas autoridades portuguesas: (i) a começar pelos enfermeiros da tropa que cuidam dos seus ferimentos, (ii) bebem referigerantes com os nossos soldados do recrutamento local; (iii) recebem alimentos (pão, arroz, conservas) da tropa.
Foto (e legenda): © Joaquim Sequeira (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI]
Estamos a reproduzir o primeiro documento de que se tem conhecimento na Guiné, sobre a Ação Psicológica, e que se intitula Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63.
A primeira parte, trata da acção psicossocial com o objectivo de "obter ou manter apoio da população". A segunda parte abarca a "Acção psicossocial sobre as NT", na dupla imponente da acção psicológica e da acção social. A Anexo (A), dão-se instruções, às unidades, para elaborar o relatório periódico de acção psicológica.
Anexo A "Acção Psicossocial - Instruções"
Relatório Periódico de Acção Psicológica n° ....
Período de__/__/____/ a __/__/____/
Referências: .
1. Generalidades
Descrição geral da forma como, durante o período, decorreu:
- a acção psicológica levada a efeito pela unidade;
- aspectos mais salientes dessa acção;
- objectivos especialmente visados, formas de acção principalmente usadas, processos e meios mais utilizados;
- resultados gerais conseguidos;
- identidade de pontos de vista ou divergências entre a acção da unidade e a dos órgãos estranhos à unidade e facilidades concedidas reciprocamente.
2. Acção Psicológica conduzida pelo adversário
- Objectivos, operações realizadas, temas difundidos, formas de acção, técnicas, processos e meios utilizados;
- efeitos conseguidos: a. sobre a população: b. sobre o adversário.
3. Acção Psicológica conduzida por órgãos estranhos à Unidade
- Objectivos, operações realizadas, temas difundidos, formas de acção, técnicas, processos e meios utilizados;
- efeitos conseguidos: a. sobre a população. b. sobre o adversário.
4. Acção Psicológica conduzida pela Unidade
a. Sobre a população: Objectivos, operações realizadas, temas difundidos, formas de acção, técnicas, processos e meios utilizados, efeitos conseguidos,
etc., nas formas de acção seguinte:
(1) - Propaganda.
(2) - Contrapropaganda.
(3) - Informação.
b. Sobre o adversário: Objectivos, operações realizadas, temas difundidos, formas de acção, técnicas, processos e meios utilizados, efeitos conseguidos; acções de rendição, acção sobre prisioneiros, efeitos conseguidos.
c. Sobre as nossas tropas
Objectivos a conseguirem nos diversos tipos de militares; acção realizadas para a sua consecução (formação moral e cívica, informação, instrução técnica sobre acção psicológica); efeitos conseguidos.
5. Acção Social
a. Conduzida por órgãos estranhos à unidade (acções realizadas e efeitos conseguidos).
b. Conduzida pela unidade, sob os seguintes aspectos:
(1) - Assistência sanitária
(a) - Na sede da unidade (vacinações, consultas, tratamentos, intervenções, medidas de sanidade, assistência matemo-infantil, etc.).
(b) - Itinerante (equipas médicas constituídas, percursos efectuados, acções realizadas, etc.).
(c) - Resultados psicológicos obtidos.
(2) - Assistência religiosa
(a) - Localidades em que foram realizados actos de culto.
(b) - Sessões de catequese.
(c) - Apoio espiritual.
(d) - Resultados psicológicos obtidos.
(3) - Assistência educativa
(a) - Cultura geral (escolas para crianças, jovens e adultos, sua localização, frequência, pessoal instrutor e monitor, material, etc.).
(b) - Cultura técnica ou de formação profissional (oficinas em actividade, ensino agrícola e pecuário, etc.).
(c) - Cultura física (escolas de ginástica, prática de desportos, competições desportivas, material desportivo).
(d) - Resultados psicológicos obtidos.
(4) - Assistência económica
(a) - Dádivas (alimentos, roupas, utensílios, etc.).
(b) - Empréstimos (financeiros e de utensílios).
(c) - Prestação de serviços (transportes, terraplanagens, construções, etc.).
(d) - Compras.
(e) - Resultados psicológicos obtidos.
6. Conclusões e Propostas
a. Síntese do estado de espírito da população e das forças militares com especificação das razões do seu comportamento e a indicação dos factos que mais tenham concorrido para a elevação ou depressão do seu moral.
b. Estado moral dos adversários e razões desse estado.
c. Evolução provável da situação psicológica.
d. Ligação e entendimento entre a acção conduzida pelas unidades e a conduzida pelos órgãos estranhos à unidade.
e. Propostas sobre medidas a tornar.
(Acusar recepção)
Anexos:_____________________________
Distribuição:__________________________
(Fim)
Fonte: Fonte: Excertos de: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª Edição; Lisboa (2014), pp. 162/164.
(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos: LG)
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Notas do editor LG:
(*) Vd. poaste de 16 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28440: Documentos (67): Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63 (I)
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