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domingo, 18 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28446: Humor de caserna (298): O inconfundível traço do nosso MigSilva, o grande cartunista e ilustrador Mário Miguéis da Silva, de Esposende, que foi a alma de "O Saltitão", o jornal de caserna da CCAÇ 2701 (Saltinho, 1970/72), comandanda pelo então cap inf Carlos Trindade Clemente (I)

 





Capa e excertos do primeiro número de "O Saltitão", jornal da CCAÇ 2701 (Saltinho, 1970/72). O diretor era o cap inf Carlos Trindade Clemente, que assinava os editoriais. O redator-chefe, que fazia também a  ilustração gráfica,  era  o nosso camarado Mário Miguéis  da Silba (que vive hoje em Esposende e nos mandou uma preciosa cópia desta primeira edição e de outras)

Foto (e legenda): © Mário Migueis da Silva (2019). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1.  "A criação e organização do 'Jornal da Unidade', além de aumentar o espírito de corpo da mesma, é uma iniciativa muito útil e que interessa simultaneamente à maioria dos campos mencionados nas alíneas anteriores (falando-se da 'acção psicossocial sobre as NT' e dos  campos que abarca: literário e cultural; técnico; recreativo e desportivo; e assistencial). 

"Estes jornais devem focar temas educativos, instrutivos, psicológicos e recreativos de preferência a temas especulativos." (*)

Alguns dos capitães mais novos, sobretudo  do QP, perceberam a importància que tinha a feitura e a leitura do "Jornal da unidade".

Estima-se que não seja mais do que uma meia centena os títulos de "j0rnais de caserna" que terão exitido no CTIG, entre 1963 e 1974.  Muitos de periodicidade irregular e de vida efémera .

Citem-se alguns títulos de "jornais dce caserna", a nível de companhia,  que tinham com o diretores um capitão do quadro, e de que haverá exemplares no Arquivo Histórico-Militar (**):

  • "Dragões de Jabadá" | José Guilherme Paixáo Ferreira Durão (cap Cav, cmdt CCAV 2484, Jabadá, 1969/70)
  • "O Boina Negra" | Henrique de Carvalho Morais (cap cav, cmd CCAV 2472, Fulacunda, 1960/70).
  • "O Alvo" | António J. Pereira da Costa (cap art, cmdt BAA 3434, Cumeré, 1971);
  • "O Falcão" | Manuel José Marques Ribeiro Faria (cap inf, cmdt CCAÇ 3414, Sare Bacar, 1971/73)
  • "O Jagudi" | Rui Manuel Paninho Souto (cap inf, cmdt CCAÇ 2679, 170/71, Bajocunda,
  • "O Saltitão" | Carlos Trindade Clemente (cap inf, cmdt CCAC 2701, Saltinho, 1970/72)
  • "O Santo" | Hernâni Anjos Moas (cxap caqv, cmdt CMP 2537, Biossu, 1969/71)
  • "O 6 do Cantanhâs" | Gastão Silva (cap inf, cmdt CCAC 6, Bedanda, 1973)
  • "Os Capicuas" | João Carlos Rodrigues de Oliveira (cap art, CART 2772, Fulacunda, 1970/72)
  • "Os Progressistas" | Salgeiro Maia (capt inf, cmdt CCAV 3420, Bula, 1971/73)
  • "Põe-te a Pau" |   Comandante, Alf Mil Art José Carlos da Rocha ou Cap Art Manuel Alves Serra, CART 2773, Jabadá, 1970/72)
  • "Tabanca" | Mário Tomé (cap cav, CCAV 2721, Olossato, 1970)
  • "Zoe" | Jorge Golias (cap trns, cmdt Agr Trms da Guiné, Bissau, 1973)
Noutros casos, havia um ou outro cap mil, alferes miliciano ou até alferes graduado capelão, como diretor do jornal da unidade. Excluímos os jornais de batalhão: por norma, o diretor só podia ser o comandante, que era um tenente-coronel.

2. Cite-se, como exemplo, "O Saltitão" que teve a sorte de ter um colaborador com o talento excecional do MigSilva,  Mário Miguéis da Silva, o fur mil rec info, da CCS/QG/CTIG, que esteve destacado em Bambadinca (CCS/BART 2917) e depois no Saltinho, adido à CCAÇ 2701 (1971/72). Foi convidado pelo capitão 

Tinha (e tem) um grande talento como cartunista e ilustrador. Vive em Esposende, tendo sido bancário,  E julgamos que foi a alma de "O Saltitão". Iremos repescar alguns números que nos mandou.  Fica aqui uma amostra do humor  (***) que era cultivado no Saltinho, ao tempo da CCAÇ 2701, comandada pelo entáo cap inf, hoje coronel, Carlos Trindade Clemente.

A "anedota" do 1º cabo Lourenço, que acima se reproduz, é absolutamente genial... E merece os comentários dos nossos leitores. Vamos dedicar-lhe um poste! É uma obra-prima de humor de caserna!...

3. Já na altura, em 2019, comentámos (**):


Pelo CTIG, de 1961 a 1974, passaram cerca de mil unidades e subunidades.  Por esta amostra (n=47), pode inferir-se que apenas cinco em cada cem, teria um "jornal de caserna", feito a stencil...

Pode perguntar-se porquê : falta de interesse, motivação, competência(s) dos seus comandantes e graduados ? 

Era pressuposto que o "jornal de caserna" ajudasse a melhorar o "moral da tropa" e cumprisse as instruções superiormente dadas no que respeitava à "acção psicossocail sobre as NT" (*)...

Em todas as secretarias havia um duplicador a stencil... e claro um máquina de dactilografia... E papel!

Eu fiz a história da minha unidade, a CCAÇ 12, a stencil... Dactilografei todas as páginas. E tirei umas largas dezenas de exemplares pela malta que regressava a casa,  todos em rendiçáo individual. 

 Mas, lamentavelmente,  nunca tivemos "jornal de caserna", nem nem nós nem os batalhões em que estivemos "a(r)didos": o BCAC 2852 (1968/70) e o BART 2917 (1970/72), sedeados em Bambadinca.

Louvo os comandantes dos batalhões e companhias do CTIG que tiveram a iniciativa de criar e apoiar os "jornais de caserna", a começar pelo nosso António J. Pereira da Costa, hoje cor art ref, e outros como o Salgueiro Maia, o Carlos  Trindade Coelho, õ Gastão Silva, o Mário Tomé, o Ribeiroi Faria, etc.

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