Na foto, o então cap Almeida Bruno está de luvas e óculos Ray-Ban, empunhando a sua G3. O com-chefe, por sua vez, está também de luvas, e com o seu aristocrático monóculo. Estavam ambos em pleno local, onde se deu a emboscada, de que resultaram 2 mortos entre as NT (CCAV 2487 / BCAV 2868). Estão camuflado e quico na cabeça.
A foto original, a preto e branco, é do "Paris-Match" nº 1071, de 15 de novembro de 1969 (Com a devida vénia...). Resconstituição, melhoria técnica e colorização: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI). O rosto dos dois oficiais foi reconstituído pela geração de imagem (foto nº1), pelo que não podemos garantir uma reprodução facial fiel à fotografia documental original. Para efeitos do nosso arquivo histórico, convém sempre preservar essa distinção entre "restauro" e "reconstituição".
1. Por um feliz acaso, deparei-me com estes versos, no blogue Reserva Naval, do nosso saudoso Manuel Lema Santos (1943- 2025). Mas já antes tinham sido publicados por ele no blogue Especialistas da Base Aérea 12, Guiné 65/74 > 13 de novembro de 2011 > Voo 2574: Uma Visão Satírica do Brigadeiro António de Spínola.
"Retrato satírico do brigadeiro António Spínola"
(recolha de Alberto Lema Santos / Manuel Lema Santos)
1. Por um feliz acaso, deparei-me com estes versos, no blogue Reserva Naval, do nosso saudoso Manuel Lema Santos (1943- 2025). Mas já antes tinham sido publicados por ele no blogue Especialistas da Base Aérea 12, Guiné 65/74 > 13 de novembro de 2011 > Voo 2574: Uma Visão Satírica do Brigadeiro António de Spínola.
São oito estrofes, em sextilha (seis versos) e em redondilha maior (=sete sílabas poéticas), muito usada pela poesia popular mas também pelos nossos maiores poetas do séc. XVI, como Camões.
Nas tradicionais cantigas à desgarrada, ao som da concertina, tão típicas do nosso Minho, a sextilha em redondilha é muio utilizada. O esquema métrico usado é geralmente este: AAB CCB (o 1º verso rima com o 2º, o 4º com o 5º, e o 3º com o 6º).
Estas 8 sextilhas em redondilha maior, que passamos a reproduzir, são de autor desconhecido, mas feitos por alguém que "sabia da poda"... Seria provavelmente algum oficial miliciano, eventualmente oriundo de Coimbra. E devem datar de 1968/69~.
Lembra o nosso camarada da Marinha que o BCaç 1933 embarcou para a Guiné em 27Set67 e regressou em 20Ago69. Esteve em Nova Lamego em São Domingos.
(...) "Integrado neste batalhão, seguiu também para aquele território o alf mil médico Alberto Lema Santos".
Desempenhou funções de clínico em quase todos os subsectores do setor de Nova Lamego, "vindo a ser destacado mais tarde, em final de abril de 1968, para a CCaç 1801 (Cap Inf José Daniel Barros Adão/Cap Inf António Manuel Pacheco Rosa) responsável pelo subsector do Ingoré, com um pelotão no Sedengal e outras forças igualmente destacadas nos reordenamentos de Antotinha e Apilho, ainda que mantendo-se integrada no BCaç 1933". /...)
E ainda sobre o seu irmão, mais velho (de que ele me chegou a falar: em 2003 era chefe do serviço de cardiologia do Hospital de São Francisco Xavier), diz o Manel:
(...) Num percurso de muitas localidades, consultas, tratamentos, conselhos e confidências, ficou também o insubstituível humor militar de caserna na forma de missivas, descrições, relatos e poesias.
Neste caso particular, estes versos satíricos, policopiados no papel da época, já envelhecido pelo tempo, visando o “Homem Grande de Bissau” ou “Caco Baldé”, como ficou conhecido o então Brigadeiro António de Spínola." (...)
Faremos proximamente uma análise literária deste documento que pode ser descrito como um retrato satírico do brigadeiro António Spínola, acabado de chegar ao CTIG em meados de 1968. São uma obra-prima de "humor de caserna" (*) que vai enriquecer também o "Cancioneiro da Nossa Guerra". Quem os quiser cantarolar, pode encaixá-los no conhecido fado "Canoas do Tejo", imortalizado pelo Carlos do Carmo, com música de Frederico Brito.
A letra foi revista e fixada por nós. Tinha pequeno erros (de datilografia) que corrigi. Tal como melhorei a pontuação. O maior é "arreiro": deve ler-se "arrieiro".
Aproveito para saudar o dr. Alberto Lema Santos, e agradecer-lhe a preservação desta relíquia, de grande valor documental para a historiografia da guerra da Guiné e para a socioantropologia do nosso quotidiano. Faço votos para que se encontre bem e de boa saúde, e convido-o simultanemante a sentar-se aqui, connosco, à sombra do nosso poilão. (LG)
1
Caco de olho vidrado,
Perfil de gato assanhado
Com ferraduras no pé,
Mais do que bom cavaleiro,
Eu sou o maior arrieiro
Cá das terras da Guiné.
2
Trago tudo apavorado,
Dou barraca em todo o lado,
Volto tudo do avesso,
Mal ou bem há que mudar!
O que eu pretendo é roncar
Por qualquer que seja o preço.
3
Digo mal do que está feito,
Condeno todos a eito,
Com fúria de paranóico.
Mesmo quando faço asneiras,
Nunca perco as peneiras
Nem quebro o meu ar heróico.
4
Caco de olho vidrado,
Perfil de gato assanhado
Com ferraduras no pé,
Mais do que bom cavaleiro,
Eu sou o maior arrieiro
Cá das terras da Guiné.
2
Trago tudo apavorado,
Dou barraca em todo o lado,
Volto tudo do avesso,
Mal ou bem há que mudar!
O que eu pretendo é roncar
Por qualquer que seja o preço.
3
Digo mal do que está feito,
Condeno todos a eito,
Com fúria de paranóico.
Mesmo quando faço asneiras,
Nunca perco as peneiras
Nem quebro o meu ar heróico.
4
Entre os chefes mundiais,
Como eu, há poucos mais,
Capazes de fazer obra,
Meto galgas colossais,
Faço charlas passionais
Com muita banha da cobra.
5
Como eu, há poucos mais,
Capazes de fazer obra,
Meto galgas colossais,
Faço charlas passionais
Com muita banha da cobra.
5
Irmãos d'armas, meus rapazes,
Vós de tudo sois capazes,
Vós dais lições aos que mandam!
Se a missão não é cumprida,
A falta só é devida
Àqueles que vos comandam
Vós não procurais favores,
Nem medalhas, nem louvores,
Por nada vos dais por quites.
É o porte valoroso
Do bom povo generoso
Qu' afronta as falsas elites.
7
Sou, como vós, um soldado;
Estou sempre do vosso lado
P'ra punir oficiais.
Faço heróis dos cavaleiros,
Fabrico chefes guerreiros,
Só eu mando, ninguém mais!
Texto e arranjo gráfico do autor do blogue Reserva Naval, o Manuel Lema Santos (. O documento original foi cedido por Alberto Lema Santos, ex-alf mil médico, BCaç 1933, 1967/69, e irmão do autor do blogue).
Font: Adapt de blogue Especialistas da Base Aérea 12, Guiné 65/74 > 13 de novembro de 2011 > Voo 2574: Uma Visão Satírica do Brigadeiro António de Spínola, por Manuel Lema Santos, oficial da Reserva Naval, Algueirão, Sintra.
Vós de tudo sois capazes,
Vós dais lições aos que mandam!
Se a missão não é cumprida,
A falta só é devida
Àqueles que vos comandam
6
Vós não procurais favores,
Nem medalhas, nem louvores,
Por nada vos dais por quites.
É o porte valoroso
Do bom povo generoso
Qu' afronta as falsas elites.
7
Eu conheço-vos a todos;
Convosco lutei a rodos,
Lá p'lo Norte de Angola;
Andei convosco no mato,
Continuo o mesmo chato
Quando meto o pé n'argola,
8
Convosco lutei a rodos,
Lá p'lo Norte de Angola;
Andei convosco no mato,
Continuo o mesmo chato
Quando meto o pé n'argola,
8
Sou, como vós, um soldado;
Estou sempre do vosso lado
P'ra punir oficiais.
Faço heróis dos cavaleiros,
Fabrico chefes guerreiros,
Só eu mando, ninguém mais!
Font: Adapt de blogue Especialistas da Base Aérea 12, Guiné 65/74 > 13 de novembro de 2011 > Voo 2574: Uma Visão Satírica do Brigadeiro António de Spínola, por Manuel Lema Santos, oficial da Reserva Naval, Algueirão, Sintra.
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Nota do editor LG:
Último poste da série > 13 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28431: Humor de caserna (296) : O anedotário da Spinolândia - Parte XXXIX: "O Grande Spínola" (Vitior Oliveira, ex-1º cabo melec, BA 12, Bissalanca, 1967/69)
Último poste da série > 13 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28431: Humor de caserna (296) : O anedotário da Spinolândia - Parte XXXIX: "O Grande Spínola" (Vitior Oliveira, ex-1º cabo melec, BA 12, Bissalanca, 1967/69)




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