Pesquisar neste blogue

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28442: Tabanca Grande (587): Henk Eggens senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 920: nasceu nos Países Baixos (que para nós é sempre a velha Holanda...) e é cidadão do mundo, médico de saúde global; é vizinho de Salazar, vive em Santa Comba Dão

 




Henk Eggens, ontem e hoje. Grão-tabanqueiro nº 920.  Nasceu nos Países Baixos (que para nós é sempre a Holanda...) e é cidadão do mundo, médico de saúde global.  Foi cooperante na Guiné-Bissau (1980/74). É vizinho de Saklazar, vive em Santa Comba Dão.
(Fotos do  álbum do Henk Eggens, restauradas digitalmente com recurso à IA - ChatGPT Open AI, 2026)



1. O nosso amigo Henk Eggens já devia ter sido apresentado à Tabanca Grande há pelo menos dois meses atrás. Estamos em falta com ele. De facto, em mensagem de 29/07/2026, 22:30 (*), ele já tinha aceite formalmente o nosso convite para se sentar à sombra do nosso poilão, o mesmo é dizer, passar a fazer parte formalmente da nossa tertúlia, o blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné:

Luís,

Aceito o convite com muito prazer e agradeço-vos a confiança.

Gosto de fazer parte de uma comunidade que valoriza as experiências vividas numa terra estrangeira, em circunstâncias muito difíceis, sem cair na tentação de reduzir um povo à condição de inimigo ou de mero figurante na história de vida de alguém.

É esse respeito que encontro nos artigos publicados no vosso blogue. Por isso, é para mim uma honra passar a fazer parte da Tabanca Grande!



Mantenhas!

2. Ainda não nos conhecemos pessoalmente, ao vivo e a cores. Perdemos uma oportunidade (histórica!) de nos encontrarmo-nos, há dias, em Carregal do Sal, no Museu Aristides Sousa Mendes, eu, ele, o João Crisóstomo e a Vilma. Razão: conflito de agendas...

Seria entretanto delegante, da nossa parte, adiar por mais tempo essa formalização. E  já dissemos o essencial sobre o nosso novo grão-tabanqueiro (**):

(i)  é neerlandês (que é mais do que holandês...), nascido em 1947, no difícil pós-guerra de todos nós, europeus;

(ii) médico especialista em saúde global (medicina tropical e saúde pública);

(iii) cidadão do mundo,  já percorreu os quatro continentes como cooperante em saúde;

(iv) esteve 4 anos na Guiné-Bissau (incluindo dois anos em Fulacunda e outros dois na capital) (1980/84);

(v) antes tinha estado em Cabinda, Angola, já no tempo da 2ª guerra da independência (1976/78); 

(vi) também trabalhou na Indonésia, as  antigas Índias Orientais Holandesas, que se tornaram independentes em 1949, depois de 4 anos de brutal ocupação japonesa (1942/45) e de uma dura guerra de descolonização  (1946/49);

(vii) fala e escreve o português e o crioul0 guineense;

(viii) está "reformado" (que é uma palavra feia, em português);

(ix) é um apaixonado (uma palavra bonita!) por Portugal, a Guiné-Bissau, Angola, Brasil, a lusofonia...

(x) vive em Portugal,  em Santa Comba Dão (sem quaisquer privilégi0s nem complexos por ser vizinho do senhor professor doutor António de Oliveira Salazar);

(xi) a sua companheira é luso-brasileira;  tem duas filhas de um primeiro casamento: a esposa, médica, que esteve com ele na Guiné-Bissau, já faleceu;

(xii)  foi administrador e editor de Portugal Portal (em neerlandês,  muito virado para a comunidade lusófona nos Países Baixos); e onde tem publicado textos do nosso blogue, com a devida autorização dos autores e editores;

(xiii) tem mais de uma dezena referências no nosso blogue.

 
2. Já há meses que o tínhamos convidado,  para, de pleno direito, passar a integrar a Tabanca Grande, como amigo da Guiné...  Será o primeiro neerlandês a sentar-se ao nosso lado, como igual. No ugar nº 920.

Na brincadeira, tinha-lhe lembrado  (em 29/7/2026):

Henk: e o convite para te juntares à Tabanca Grande, onde há filhos e filhas de muitas mães ? Tugas, das sety partidas, guineenses, cabo-verdianos, angolanos, mas também alemães, americanos.. Tu serias o primeiro neerlandês... O Roel Coutinho (para mais com ascendência judaico-portuguesa) faz cá falta... mas nunca interagiu connosco e, depois, não fala português...nem deve sentir-se confortável num blogue coletivo como o nosso (...).

Não, ele não foi combatente, em nenhum conflito armado, felizmente para ele, mas dedicou pelo menos seis  anos da sua vida a dois povos lusófonos,  guineense e angolano, e numa época particularmente difícil.  

Por outro lado, o facto de ter sido administrador e editor (e hoje continuar como colaborador) do  Portugal Portal vem reforçar ainda mais a ideia de que ele é um mediador cultural por excelência. Há pessoas que passam por um país, muitas com chorudos vistos Gold, e privilégios; outras criam pontes entre países, as pontes da amizade, da solidariedade, da cooperação, da cultura.

O Henk pertence claramente ao segundo grupo.  Vive, conhece, assimila, traduz, divulga, aproxima culturas e ainda leva textos do nosso blogue a leitores neerlandeses e portugueses emigrados na sua terra. É uma forma discreta, mas muito eficaz, de diplomacia cultural. E sobretudo cultivar e aprofundar a amizade entre povos (Portugal, Países-Baixos, Guiné-Bissau, Angola, mas também a Indonésia e Timor-Leste).

O Henk (não o vou tratar cerimoniosamente por dr. Eggens), merece o nosso apreço pelo que fez e tem feito pela Guiné-Bissau, por Portugal, e pela pela diáspora lusófona nos Países Baixos, que conta com cerca de 135 mil emigrantes (!): mais de metade brasileiros, mas também portugueses (35,6 mil), cabo-verdianos (23,1 mil) e outros PALOP (maioritariamente angolanos, mas também guineenses, etc.) (11,0 mil).

Cidadadão do mundo,  a sua  presença na Tabanca Grande será inteiramente natural e vem enriquecer ainda mais esta comunidade de memória, amizade e afetos. 

 Henk / Henrique, estás em casa!...E conheces as regras da casa. Obrigado pelos links dos teus 4 artigos que me mandaste, e que ainda eu não  li (em neerlandês...) mas prometo lê-los com a ajuda da IA...  

_________________


2 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Henk, tenho pena de não saber todas as línguas do mundo...Todas são fascinantes... Se soubeasse alemão, talvez me fosse mais fácil ler os teus artigos... Mas esta introdução do "aportuguesamento" de nomes estrangeiros como o teu.., serve apenas para satisfazer uma curiosidade minha....

Não quero "aportuguesar-te" só porque passaste a ser nosso "grão-tabanqueiro"... Fica-te bem o teu nome, na tua língua materna (a nossa língua materna é sempre a mais bela do mundo... e "intraduzível"...).

Falo-te disto, porque, não falando eu fula na Guiné, nem os seus soldados português, tivemos que aprender uns com os outros a comunicar (=pôr em comum)...Na tropa somos conhecido pelo apelido, eu tenho dois nomes e dois apelidos (de mãe e pai): Luís Manuel da Graça Henriques... Professionalmente, sempre fui conhecido por Luís Graça... Mas na tropa era o Henriques... Palavra difícil para um jovem fula, pastor, sem nunca ter ido à escola portuguesa.... Tratavam-me então por "Eriku"...

Não sabendo eu neerlandês, fiz a seguinte pergunta à menina IA... (A resposta completa é "erudita" mas uma "barbaridade"...). Aqui vai:

P - O meu a,migo Henk Eggens é neerlandês... Como é eu que poderia "aportuguesar" o seu nome e apelido ?

R - A adaptação de nomes estrangeiros para a língua portuguesa — o processo de aportuguesamento — pode seguir duas vias principais: a fonética (adaptando o som para a grafia/pronúncia portuguesa) ou a etimológica/tradutora (procurando os equivalentes históricos ou o significado original das palavras).

1. O Nome Próprio: Henk
Henk é a forma hipocorística (o diminutivo/forma carinhosa) neerlandesa do nome Hendrik (equivalente ao alemão Heinrich ou ao inglês Henry).

Aportuguesamento Fonético Directo: Henque
(Mantém a pronúncia original de "Henk", adaptando a ortografia para as regras da língua portuguesa).

Aportuguesamento Etimológico / Tradução: Henrique
(É o verdadeiro equivalente histórico e formal de Hendrik/Henk em português).

Aportuguesamento por Diminutivo / Forma Familiar: Rique ou Riquinho
(Assim como "Henk" é a forma curta/familiar de Hendrik, "Rique" cumpre a mesma função em relação a Henrique).

2. O Apelido / Sobrenome: Eggens
O apelido Eggens é um patronímico de origem frísia/neerlandesa, significando originalmente "filho de Egge" (onde Egge deriva do antigo germânico agjō, que significa "gume", "espada" ou "ponta").

Aportuguesamento Fonético: Egens ou Eguens

Egens: Mantém a grafia mais simples e visualmente próxima.

Eguens: Garante que a letra g seja lida com o som duro (como em "guerra"), preservando o som original neerlandês.

Aportuguesamento Etimológico / Tradução: Eguez ou Eguis
(Em português e espanhol, o sufixo patronímico que indica "filho de" é -ez ou -es, como em Rodriguez/Rodrigues = filho de Rodrigo. Adaptar a raiz Egge com o sufixo patronímico ibérico resultaria em Eguez).

Tradução Literal / Semântica: Gume, Corte ou Espada
(Caso pretendesse traduzir o significado lexical do radical germânico original).

Opções de Combinação Final
Dependendo do tom que pretende dar (mais literário, mais fonético ou mais formal):

Estilo de Aportuguesamento | Nome Combinado | Característica

(i) Fonético Integrado > Henque Eguens: soa quase idêntico ao original, mas lê-se naturalmente em português.
(ii) Tradicional / Histórico > Henrique Eguez: soa a um nome nobre/clássico da Península Ibérica.
(iii) Clássico / Formal > Henrique Egens: o mais equilibrado para uso institucional ou literário.
Fonte: Gemini / Google IA

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Já agora, Henk, se é vivesse na tua terra e quisesse "neerlandizar" o meu nome e apelido, Luís Graça, como é que ficava ?

Parece que o termo equivalente a "aportuguesamento" na língua neerlandesa é "vernederlandsing" (o ato de adaptar a ortografia, a pronúncia ou a morfologia de uma palavra estrangeira para que ela siga as regras da língua neerlandesa)...

Às vezes dá jeito saber estas coisas... Até porque há nomes e apelidos "impronunciáveis" como o da minha amiga... Eva Gina dos Prazeres e Morais