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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Guiné 61/74 - P28490: A nossa guerra em números (52). Ao fim de um ano, eu e tu, camarada, gastávamos, cada de um nós, uma GMC carregada de abastecimentos, 2,8 toneladas...

 

















Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: CECA (2014)
Imagens : Arquivo do blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI (2026)


1. Camaradas, os números podem ser "fastidiosos". Todos temos falhas de numeracia. O português não gosta de pensar e falar com números. Mas  estes são  muito interessantes para uma abordagem, mesmo superficial,  da logística militar no CTIG (1961-1974). 

Aliás, há aqui uma questão que merece ser valorizada: a nossa guerra da Guiné não se fazia apenas com homens e armas; fazia-se também com toneladas e toneladas de abastecimentos, transportadas por terra, ar e, sobretudo, por água.

No mato, sentíamos a falta dos abastecimentos (víveres, artigos de cantina, comida, bebida, correio, munições, etc.). Mas nunca nos preocupámos muito em saber da  logística que estava por detrás de tudo isso (do planeamento aos transportes)... 

Ora, era uma condição indispensável da operacionalidade das NT. E, num território como a Guiné, com uma extensa rede hidrográfica, más estradas e mais de 200  guarnições dispersas e muitas isoladas, em ambiente de guerra (às vezes danada!), o transporte fluvial tinha uma importância estratégica enorme.

Cada companhia destacada num aquartelamento ou destacamento representava uma obrigação logística permanente. Não bastava lá colocar 150 ou 160 homens, em Farim, em Canjadude, no Xitole, em Fulacunda, em São  João, em Buba, em Aldeia Formosa, em Guileje, em Catió...  

Era preciso alimentá-los, equipá-los, municiá-los, assegurar o combustível das viaturas e geradores, fornecer medicamentos, manter as ligações postais, carrear materiais para a "psícola", sem esquecer o arroz com que alimentávamos grande parte da população que estava sob a bandeira portuguesa...

 Spínola também sabia que não havia almoços grátis (neste caso a bianda nossa de todos os dias)...

Dá para pensar o que cada um das nossas companhias no mato consomia por mês:

Tipo de abastecimento | Peso mensal
  • Víveres | 14 500 kg
  • Artigos de cantina | 3 000 kg
  • Combustíveis | 8 000 kg
  • Munições | 700 kg
  • Medicamentos | 500 kg
  • Lubrificantes | 500 kg
  • Fardamento e calçado | 300 kg
  • Correio | 250 kg
  • Total | 37 750 kg
Ao fim de um  ano (12 meses), eu e tu, camarada  gastávamos, cada de um nós,  uma GMC  carregada de abastecimentos, 2,8 toneladas... (E ainda faltam aqui materiais de construção, etc.; aliás, cada companhia de quadrícula não eram 160 homens, era também muitas vezes uma tabanca inteira!)

Esta BD didática convida-nos a não esquecer estes números. E mais: que guerra também se fazia a bordo do BOR, das LDM, das LDG, dos "barcos-turras"... 

E essa é uma dimensão da história da Guiné que merece ser contada, também com a memória dos marinheiros e das guarnições que asseguravam aquelas ligações, entre Bissau e o mato.

Marinheiros, mas também pessoal de terra e de ar...Não esqueçamos ninguém. 
___________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 3 de novembro de 2026 > Guiné 61/74 - P284888: A nossa guerra em números (51): a epopeia dos transportes: só por via fluvial, e por mês, Bissau enviava em 1966 c. 3 mil toneladas para o interior (o "mato")