Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Germano Estêvão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Germano Estêvão. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28455: Tabanca Grande (588): Germano Estêvão, senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 921, apadrinhado pelo primo e vizinho da Bombardeira, João Crisóstomo: foi 1º cabo at inf, CCAÇ 1549/ BCaç 1888 (Tite, Quinhamel, Bissau, 1966/68)







Foto nº 1


Foto nº 2



Foto nº 3


Foto n º 4



Foto nº 5


O novo grão-tabanqueiro nº 921, Germano Estêvão, natural de Torres Vedras: 1º cabo at inf, pertenceu à CCAÇ 1549 / BCAÇ 1888 (Tite, Quinhamel, Bissau).

Legendas:  Foto nº > 1º cabo at inf, Tite  |  Foto nº 2> Na recruta > Foto nº 3 > No canal do Enxudé  | Foto  no. 4 >  Bombardeira: o Germano na sua casa, com a esposa Etelvina e o primo João |  Foto 5 > Foto atual

Fotos (e legendas): © Germano Estêvão / João Crisóstomo  (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI) (Gemini / Google AI]



1.Mensagem do John Crisostomo, luso-americano, membro da Tabanca  Grande, régulo por decreto real da Tabanca da Diáspora Lusófona, activista social de muitas e boas causas, natural de Torres Vedras, a viver em Queens, Nova Iorque, com a sua querida Vilma, de origem eslovena:


Data -. domingo, 11/10/2026, 19:36
Ãssunto - O meu primo Germano Estêvão


Caro Luís Graça,

(....)  Já uma vez te falei dum primo meu que esteve na Guiné ao mesmo tempo que eu. Recordou um facto que eu já tinha esquecido: que nos encontrámos uma vez em Tite, onde ele estava estacionado, durante uma operação em que a minha companhia, a CCAÇ 1439,  fazia a sua parte. 

Estive há dias com ele, lembrando coisas e loisas,  especialmente das nossa experiências na Guiné e acabei por lhe perguntar se ele não queria fazer parte da nossa Tabanca Grande. Concordou em entrar e portanto aqui estou eu para “apadrinhar" mais um camarada nosso...

Aliás,   eu já o mencionei num email (de 3 de dezembro de 2023) e que até tinha várias fotos que tu depois publicaste no poste   P24983 de 21 de dezembro de 2023 mas que inicialmente  não apareciam (conforme confirmaram o saudoso Valdemar Silva e o Fernando Ribeiro,  em comentários a esse poste).

Na casa dele fui encontrar muitas fotos dos seus tempos da Guiné , mas estão todas muito velhas, não sei se as podes utilizar. Escolhi algumas que amanhã vou “ identificar”. (...)

Entretanto o que se segue é a “história da sua vida”. Diz que não gosta de escrever (muito menos por vias digitais ), mas prontificou-se a contar-me o que se lembra e que eu escrevesse por ele. Aqui está o que me disse, e que vou tentar replicar com a precisão que eu for capaz (...)


2. Novo grão-tabanqueiro nº 921 > Germano Estevão, 1º cabo at inf, CCAÇ 1549 / BCAÇ 1888 (Tite, Quinhamel e Bissau, 1966/68)
 

(i) nasceu na Bombardeira, freguesia de A-Dos-Cunhados, concelho de Torres Vedras, no dia 11 de março de 1944;

(ii) ingressou na tropa no dia 15 de outubro de 1965, com 21 anos, em Leiria, no R.I. 17;

(iii) foi para a Guiné, integrado como 1º cabo at inmf, na CCAÇ1549 /  BCAÇ 1888,  no dia 25 de abril de 1966, já com os 22 anos feitos,  no navio Uíge, o mesmo navio que no dia 17 de janeiro de 1968 o trouxe de volta a Portugal;

(iv) logo que chegou a Bissau, foi de barco até Enxudé, onde desembarcou e daí seguiu em coluna de viaturas até Tite onde ficou durante 16 meses;

(v)  a CCAÇ 1549 veio substituir a CCav 677, em Tite, como subunidade de intervenção e reserva do sector: teve  um pelotão destacado em Fulacunda, até 28Jun66 e outro em Enxudé, 

 (v) depois foi para Quinhamel onde permaneceu alguns meses, antes de ir para Bissau, em substituição da CCAÇ 1498.  onde passou os últimos dois meses   até regressar a Portugal.


É talvez pertinente mencionar um facto que aliás não foi único: enquanto ele fazia o seu serviço na Guiné os seus dois irmãos faziam também o seu tempo de tropa ao mesmo tempo que ele em lugares diferentes : o Rui, irmão mais velho, estava em Angola; e o Luís, o mais novo, fez o seu tempo todo em Portugal numa repartição administrativa, safando-se assim de ir ao Ultramar. 

 Os pais não tinham muitas posses… e ficaram sós,   com duas filhas, uma delas ainda criança,   "a aguentarem como podiam ” até que os filhos voltassem.

A sua companhia era a Companhia de Infantaria nº  1549, a  CCAÇ 1549, que "andou sempre à porrada".  Uma companhia de Intervenção sob o comando do capitão Brito, integrada ao BCAC 1888.

 Quando este Batalhão voltou a Portugal,   sua companhia ficou adida ao BCAÇ 1860, que por sua vez foi rendido por uma outra unidade, cuja identidade não se lembra mais.

Apesar de ser uma companhia de intervenção "que andava sempre no mato”, o número de sinistrados desta companhia foi bastante baixo: yiveram muitos feridos, mas tiveram apenas duas baixas fatais cujas circunstâncias lembra com bastante clareza, apesar do tempo que já passou.

O primeiro foi o alferes Dias, natural de Queluz, que foi morto em combate. O Germano lembra que, ao regressar, tiveram de atravessar uma bolanha com água pela cintura, e não tinham comunicação com ninguém. 

O comandante da secção que transportava o corpo do falecido alferes Dias ordenou então aos seus homens que levantassem e mostrassem o corpo do falecido por cima das suas cabeças para que o comandante   (do batalhão?) que de helicóptero sobrevoava a coluna de regresso, e apercebesse de que eles tinham um morto e queriam que o helicóptero apanhasse o corpo do falecido alferes.

O furriel Joaquim  Peixeira, que pertencia a esta companhia e que já várias vezes esteve nos nossos convívios, ainda hoje vai à campa do alferes Dias levar flores,   honrando a sua memória e prestando a sua homenagem.

A história do outro sinistrado não é menos pungente, porque se tratou de um acidente, sem qualquer falta ou culpa de ninguém . O enfermeiro da companhia estava com uma arma nas mãos que estava armada sem ele o saber. "Não sabe porque cargas de água", a arma disparou-se e a bala foi atravessar a chapa que era a parede comum com a caserna seguinte, atravessou um caixote de bacalhau ( creio que vazio) e foi atingir o primeiro cabo Cardoso que teve morte instantânea.

(Revisão / fixação de texto: LG)


4. Comentário do editor LG: 

João, obrigado pelo teu empenho e "apadrinhamento". O teu primo e nosso camarada  Germano Estêvão  é bem-vindo, e vai sentar-se à sombra do nosso poilão no lugar nº 921.

 Infelizmente não tínhamos até agora nenhum represenmtante da CCAÇ 1549 (e apenas 3 ou 4 escassas  referências a estra subunidade).  

Em próximo poste, apresentamos mais fotos e a ficha da unidade, e algumas referências à sua atividade operacional. 

Este BCAÇ 1888 esteve em Bambadinca, embora já não  seja do meu tempo. Mas lembro-me do seu memorial, na nossa parada.

Como bem dizes, as fotos do álbum do Germano Estrêvão que me entregaste e eu digitalizei l, são de fraca qualidade. Procedi ao seu "restauro" e colorização, com recurso à IA. 

Ele fica com o teu endereço de email. Manda-lhe um abraço fraterno, meu, de camarada e vizinho (da Lourinhã).

___________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 16 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28442: Tabanca Grande (587): Henk Eggens senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 920: nasceu nos Países Baixos (que para nós é sempre a velha Holanda...) e é cidadão do mundo, médico de saúde global; é vizinho de Salazar, vive em Santa Comba Dão