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domingo, 8 de novembro de 2026

Guiné 61/74 - P28500: A Nossa Marinha (10): Porto fluvial de Bambadinca (Fotos magníficas do Jaime Machado, ex-alf mil cav, cmdt, Pel Rec Daimler, 1968/70)






Foto nº 1, 1A, 1B, 1C, 1D






Foto nº  2, 2A, 2B,. 2C, 2D, 2E





Foto nº 3, 3A, 3B, 3C


Foto nº 4, 4A

Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) / Pel Rec Daimler 2046 (1968/70). As fotos são do álbum do Jaime Machado, ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2046 (Bambadinca, maio de 1968 / fevereiro de 1970, ao tempo dos BART 1904 e BCAÇ 2852). Vive na Senhora da Hora, Matosinhos.

Legendas: 

Foto 1 >  Cais acostável: foto anterior a novembro de 1970, quando a velha autogrua Fuchs, de fabrico alemão,  foi substituída por uma autogrua Galion, norte-americana, quatro vezes mais  potente.  

Foto nº 2 >   Bambadinca: porto fluvial... Cais acostável, na margem esquerda (sul) do rio Geba Estreito. Na foto não se vê, mas do lado esquerdo era o Depósito da Intència, aqui instalado desde 1966, e guarnecido por um PINT (Pelotão de Intendència).

Foto nº 3 _ Bambadinca: porto fluvial... Até aqui chegavam os "barcos turras", ou sejam,  com chamávamos com um misto de ternura e de humor ás embarcações  de cabotagem das casas comerciais (Casa Gouveia, Ultramarina, Manuel Barbosa  outras) que traziam e levavam pessoas, produtos agrícolas, animais, etc., mas também material de e para a tropa...(a partir de 1972, muitos deles ao serviço da Companhia Terminal). Na   vêem-se duas embarcações para montante (sentido Bafatá)

Foto nº 4 >  Bambadinca: porto fluvial... Entardecer. O Jaime Machado, de perfil, junto a um batelão. Margem direita.

Fotos (e legendas): © Jaime Machado (2015). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné


Foto nº 5 > 

Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > novembro de 1973 > A autogrua hidráulica Galion 125... Podia levantar cerca de 12,5 toneladas. E deslocava cerca de 14,5 toneladas. Era construida pela  empresa norte-americana Galion Iron Works and Manufacturing Company, fundada em 1907, no Ohio, EUA. (Há um erro da IA:  este modelo da Galion não é da serie B25, mas sim 125,como mostra a foto original, a cores: tentámos melhorar a sua resolução e qualidade...com recurso à IA.)

Levá-la do porto fluvial do Xime para o porto fluvial de Bambadinca (c. 12/15 km), com a malta do BENG 447 que a operava,  foi uma "epopeia": ficámos atolados na bolanha de Samba Silate, perto de Nhabijões, local de cambança da rapaziada do PAIGC,  na noite de 23 para 24 de novembro. não de 1970 (!), mas de 1969 (!). 

Fazia 22 anos (!|)  o Tony Levezinho, cantámos-lhe os parabéns à meia-noite, infringindo todas as regras de segurança... E não faltou a "champanha", refrescada com água e lodo da bolanha! 

Esta história mereccia um filme!, mas para já vai ter direito a uma BD, para ala série "A nossa histórias aos quadradinhos"... É a nossa prenda, antecipada, para o Tony, régulo da Tabanca de Martinhal - Ponta de Sagres, que no próximo dia 24 vai celebrar o seu 79º aniversário!
 
Foto (e legenda): © Jorge Araújo (2014). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI)



Foto nº 6 > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > Pel Rec Daimler 2046, "Os 14 Furões" (Bambadinca, 1968/70) > O  Pel Rec Daimler 2046 (1968/70) também deixou um memorial em Bambadinca... 

Esta subunidade desembarcou no cais fluvial do Xime no dia 7 de maio de 1968, tendo seguido em coluna auto até Bambadinca onde ficou ao serviço do comando do BART 1904 (Bambadinca, maio /setembro 68) e depois do BCAÇ 2852 (Bambadinca, outubro 68/fevereiro 70).

Convivi ainda durante seis meses com os "furões" e fiz com eles segurança a diversas colunas logísticas (a Mansambo, Xitole, Saltinho, Xime...). Coleção: Carlos Coutinho (2009) (com a devida vénia..:


1.  Não há marinha sem navios. (*). E não há navios sem portos. E quem diz portos, diz, mastros, guindastes,  gruas, carga amontoada ou espalhada pelos quatro cantos, caixotes, contentores, estivadores,  mirones...  Quem diz portos,   diz pontes-cais... Diz  partida...Diz saudade, fado, amor, ódio, guerra... Enfim, tudo o que é  humano.

Pelo que temos de falar de (ou relembrar) alguns desses portos, que não passavam afinal de pontes-cais. Em madeira.

 Conheceste os portos de Bissau, do Xime, de Bambadinca, de Bafatá ... Cruzaste o rio Geba várias vezes. De canoa, a caminho do Mato Cão para fazer segurança aos "barcos-turras". Ou, como passageiro, desajeitado e indefeso, tu próprio, no  "barco-turra", passando pelo Mato Cão, a caminho de Bissau (e vice-versa).  "Desenfiado", com meia dúzia de dias de liberdade condicionada e algum patacão no bolso  para carregares baterias, longe  campo de concentração de Bambadinca, e poderes voltar depois a  rotina do mato, as operações, as emboscadas noturnas, as colunas, as minas, as tabancas em autodefesas, os mosquitos, o absurdo da morte aos vinte, aos vinte e poucos anos... 

Admiraste o esplendor do rio Corubal ( em 1969/70 e depois em 2008, Saltinho, Cussilinta...). Atravessaste o Cacine, de canoa nhominca... A partir do porto piscatório de Cananima. Esplêndido aquele rio e o silêncio verde que o asfixiava... 

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Bambadinca> Porto fluvial > c.1969 
Arquivo do Blogue Luís Graça &
Camaradas da Guinél. O furriel "Eriko",
como diziam os soldados guineenses
da CCAÇ 2590/CCAÇ 12.

Mas é de Bambandica que te lembras mais. Bambandinca, em certos dias, a certos horas, sobretudo ao entardecer. Nos dias em que chegava ou partia um "barco-turra". 

Outros camaradas hão de te trazer,  para aqui,  fotos e testemunhos de outros portos, e nomeadamente fluviais: do Cacheu, de Farim, de Enxudé, de Buba, do Xime, de Bafatá, de Bolama, de Bubaque, de Cacine, de Cufar...

Não era tanto o que representava para a maioria dos teus camaradas: uma espécie de cordão umbilical que os ligava ao mundo, o outro mundo dos que estavam vivos, que continuavam a estudar, a ir ao cinema, a trabalhar, a amar,  a divertir-se, a 4 mil quilómetros dalí...  

Na Guiné, o porto fluvial também não era apenas uma infraestrutura logística; era uma  artéria viva que ligava o mato isolado ao resto do mundo. 

Não era dificil "fugir" de Bambadinca: ninguém te perguntava, no "barco-turra",  por passaporte,  BI militar, licença de embarque, bilhete... Muito antes de se falar em transportes públicos gratuitos, já os havia aqui na Spinolândia. Ia-se de borla a Bissau. Ia tudo a monte, a tropa, o balanta de Nhabijões, Mero ou Snta Helena, o seu primo turra, o filho do poderoso régulo Mamadu Bonco Sanhá, a mulher grande, o marabu mandinga, o filho do comerciante que estudava em Bissau...Mais as cabras, os cães... Não havia Polícia Militar, nem cipaios, nem gajos da PIDE, nem agentes das alfândegas...

Era por ali que chegava a comida fresca e enlatada, a cerveja, o uísque,  o correio (os aerogramas das namoradas, dos pais, das madrinhas de guerra, dos amigos e amigas...), mas também as munições, e toda a tralha de guerra... E sobretudo os "periquito" que um dia  te viria render... 

Era também a azáfama, por umas horas, das cargas e descargas, das chegadas e das partidas,  as buzinas, os gritos, o alvoroço e as traquinices dos "djubis"... Eram as marés, o macaréu que se ouvia ao longe, era o lodo, a água barrenta, o tarrafo... Eram as chuvas, as primeiras depois de seis meses de seca... A alegria dos "djubis", das bajudas, das mulheres grandes, com  a água que Deus, Alá e os bons irãs te mandava... 

Não faltava ali nada, na zona ribeirinha de Bambadinca, até um bocadinho do Cais do Sodré de Lisboa, desde o Depóito da Intendência (a inde nunca te lembras de ter ido, pasme-se!, e onde se fazia contrabando de uísque...)  à  tasca do Zé Maria, e mais acima a sucursal do Bataclã de Bafatá com meninas, música de gira-discos e camas sempre quentes.

Era, por fim,  a noite que caía rápida, o regresso ao quartel, a subida da mítica rampa de Bambadinca... Eram tantas as sensações e emoções,  por vezes contraditórias, que o porto fluvial de Bambadinca te despertava ... 

Não tiveste coragem, confessa,  de voltar ao antigo porto fluvial de Bambadinca, em 2008, quando por lá passaste, vindo da visita aos fantasmas de Cacine, de Guileje, de Jemberém, de Gandembel, de ponte Balana, do Quebo, do Saltinho... Como não tiveste coragem de espreitar as tuas antigas instalações em Bambadinca (a messe, o bar, os quartos...). 
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Nota do editor LG:

(*) Último poste da série > 6 de novembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28497: A Nossa Marinha (8): Os motores "Corubal" e "Formosa" (Manuel Amante da Rosa, ex-fur mil, QG/CTIG, Bissau, 1973/74; atual Ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidade e Defesa da República de Cabo Verde)