
Guiné > c. 1965 > Estamos a reproduzir os postais de propaganda das NT, dirigidas ao IN e à População. Fazem parte de uma colecção do Joaquim Sequeira (1940-2024), ex-1º cabo canalizador, BENG 447 (Brá, 1965/67), carinhosamente tratado por "Sintra" (ele morava no Mucifal, concelho de Sintra, e era assíduo frequentador da Magnífica Tabanca da Linha).
Trata-se de uma sequência de banda desenhada, sob a forma de um folheto desdobrável com uma meia dúzia de postais, impressos de um lado e do outro. Ccmeça com uma imagem do mapa da Guiné ("Guiné Portuguesa, Guiné Feliz"). À direita está escrito, esferográfica azul: "Do Sintra, 8/65".
Estes postais de propaganda têm vindo a ilustrar os últimos da série "Documentos" dedicados à "ação psicossocial" das NT no CTIG (*).
No primeiro postal mostra-se um grupo de "homens do mato" (nunca "guerrilheiros"), feridos, esfomeados, esfarrapados, desmoralizados. Os combatentes do PAIGC nunca são tratados como tal, mas simplesmente como "homens do mato" (leia-se: bandidos, foragidos, indivíduos que estão fora da lei e da ordem).
Aliás, no nosso tempo, "ir no mato" era, no falar das gentes da Guiné ( a começar pelos soldados do recrutamento local), juntar-se à guerrilha, fugir das zonas sob administração portuguesa (civil e militar).
Portugal, de resto, nunca reconheceu o PAIGC como inimigo, no sentido militar e legal do termo, nem a luta contra o "terrorismo" (ou a "subversão) como uma situação de guerra, face à Convenção de Genebra.
O título do primeiro postal é : "No mato, há doença, fome e morte", A legenda, por sua vez, acrescenta o seguinte: "O Chefe do Grupo do mato julga que vai morrer. Foi gravemente ferido". Deduz-se que são os sobreviventes de uma ação ofensiva das NT.
No 2º postal vemos o mesmo grupo de "homens do mato", desalços, vestiados apenas de tanga ou calções (!), a entregar-se às autoridades militares portuguesas da zona.
Depois do chefe do mato ter ido falar com o "homem grande da tabanca" (o régulo, que veste à maneira fula, o que está longe de ser inocente, já que os fulas eram os nossos grandes aliados), o homem grande intercede por eles junto da tropa. Legenda: "O Homem Grande diz à tropa que estes homens foram enganados, estão arrependidos e fartos da guerra".
No 3º postal, vemos os "homens do mato, arrependidos" serem bem tratados pelas autoridades portuguesas: (i) a começar pelos enfermeiros da tropa que cuidam dos seus ferimentos, (ii) bebem referigerantes com os nossos soldados do recrutamento local; (iii) recebem alimentos (pão, arroz, conservas) da tropa.
No 4º postal, vemos uma tabanca ou aquartelament com tabanca ao lado, sob a bandeira portuguesa- Legenda:
Aliás, no nosso tempo, "ir no mato" era, no falar das gentes da Guiné ( a começar pelos soldados do recrutamento local), juntar-se à guerrilha, fugir das zonas sob administração portuguesa (civil e militar).
Portugal, de resto, nunca reconheceu o PAIGC como inimigo, no sentido militar e legal do termo, nem a luta contra o "terrorismo" (ou a "subversão) como uma situação de guerra, face à Convenção de Genebra.
O título do primeiro postal é : "No mato, há doença, fome e morte", A legenda, por sua vez, acrescenta o seguinte: "O Chefe do Grupo do mato julga que vai morrer. Foi gravemente ferido". Deduz-se que são os sobreviventes de uma ação ofensiva das NT.
No 2º postal vemos o mesmo grupo de "homens do mato", desalços, vestiados apenas de tanga ou calções (!), a entregar-se às autoridades militares portuguesas da zona.
Depois do chefe do mato ter ido falar com o "homem grande da tabanca" (o régulo, que veste à maneira fula, o que está longe de ser inocente, já que os fulas eram os nossos grandes aliados), o homem grande intercede por eles junto da tropa. Legenda: "O Homem Grande diz à tropa que estes homens foram enganados, estão arrependidos e fartos da guerra".
No 3º postal, vemos os "homens do mato, arrependidos" serem bem tratados pelas autoridades portuguesas: (i) a começar pelos enfermeiros da tropa que cuidam dos seus ferimentos, (ii) bebem referigerantes com os nossos soldados do recrutamento local; (iii) recebem alimentos (pão, arroz, conservas) da tropa.
No 4º postal, vemos uma tabanca ou aquartelament com tabanca ao lado, sob a bandeira portuguesa- Legenda:
"A África é nossa amiga. A família e os amigos abraçam a gente do mato que estava enganada e não vivia na tabanca há muito tempo".
Julgamos haver alguma ingenuidade e sobretudo desconhecimento do território por parte do ilustrador gráfico. Por outro lado, a legenda "A África é nossa amiga" pode parecer um "remake" de um célere slogan de 1961, "Angola é nossa", ou então um "lapsus linguae"...
Para um cartaz dirigido aos guineenses, fazia mais sentido dizer "A Guiné é nossa amiga"...Que a África, essa, ou pelo menos a OUA (Organização de Unidade Africana), éramos cada vez mais hostilll
Apresenta-se a seguir um excerto de um dos primeiros relatórios periódicos de acção psicossocial. Data do tempo do tempo brig Louro dos Santos. É contemporâneo da Op Tridente. O mínimo que se pode dizer, é que um exemplo ainda muito amadorístico da acção das NT... Ainda não naão a Rep ACAP (Assuntos Civis e Ação Psicológica). O Exercito aí da estava a aprender a "fazer a psico" e contava com escassos recursos, de médicos a professores, de engenheiros a antropólogos... Mas, enfim, cabe sobretudo aos leitores comentar.
Todavia, ficamos a saber algumas das coisas que se passavam no terreno, no mês de fevereiro de 1964:
- sete batalhões era o essencial do dispositivo das NT;
- "ainda a guerra era uma criança" (embora já estivesse a decorrer a Op Tridente. jan / mar 64);
- Guileje acabava de ser ocupado pelas NT (jan64), tal como Cumbijã e Ganturé;
- ainda se cultivava mancarra (na zona leste), a "semente do diabo" (como lhe chamavam os fulas), obrigados a cultivá-la para fazer patacáo e pagar o imposto de palhota:
- as minas e armadilhas não eram apenmas um instrumento de terror, mas também de propaganda;
- continuava, por parte do PAIGC, a prática da intimicao e do assassinato (dos régulos fiéis as NT);
- cortar orelhas aos que colaboravam com as NT também fazia parte da "justiça revolucionária";
- o IN que deixa panfletos nos trilhos dirigidos aos "Caros inimigos" (sic);
- de um lado e do outro, sabe-se que ganha a guerra quem tiver o apoio das populações;
- percebe-se que a administração civil colapsou com o início da guerra;
- ainda era difícil, a nível de comando, operacionalziar o cocneito de "propaganda";
- referida a importância da rádio e dos "jornais de parede";
- ainda não havia uma aposta forte na assisténcia sanitária (limitada na prática à distribuição da "milagrosa pastilha LM", ou seja, a "aspirina" do Laboratório Militar que funcionava como panaceia (cura para os males);
- a assistência económica ainda era "miserável" (um arremedo de "caridade") (se a compararmos com o tempo do gen Spínola);
- quanto às NT, e ao fim de um ano, "(continuavam) a dar provas da sua grande capacidade de adaptação e resistência fisica".
Foto (e legenda): © Joaquim Sequeira (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI]
"Relatório Periódico da Acção Psicológica n° 2: período 01 a 29Fev64
(Excertos de: CECA, 2014, pp. 271/278)
Acção Psicológica
Para se dar uma noção do trabalho de acção psicológica ao nível das unidades e QG/CTIG apresenta-se como exemplo:
"Relatório Periódico da Acção Psicológica n° 2: período 01 a 29Fev64
Este relatório foi elaborado com base nos relatórios enviados pelas seguintes Unidades:
- BCaç 506,
- BCaç 507,
- BCaç 512,
- BCaç 513,
- BCaç 599,
- BCaç 600
- e BCaç 619.
Guiné > Região de Tombali _ Qiuitafine > CCAÇ 726 (Guileje, out 1964/ julho de 1966)> Cambança de um rio... Foto: Arquivo pessoal de Alberto Pires, o "Teco" (Adapt de CECA, 2014. Restituição e colorização digital, com recurso a IA/ChatGPT)
1. Generalidades
a. Segundo se constata de alguns relatórios recebidos, a acção psicossocial desenvolvida, apesar de todas as dificuldades, tem dado resultados apreciáveis cujos frutos já se colhem, em alguns sectores;
b. No aspecto social nota-se que, em certas regiões do Gabú, a campanha da mancarra aumentou os proventos da população, tornando menos necessária a acção dos nossos elementos. Inversamente, nas regiões que confinam com aquelas onde o ln exerce a sua actividade, a miséria tem aumentado e com ela a necessidade de intervenção das NT;
c. No campo psicológico, além do mencionado no relatório anterior, a acção sobre as populações tem sido alargada, nomeadamente na região de Guileje, ocupada no princípio do mês;
d. A acção psicológica sobre o ln continuou a ser feita principalmente, através da actividade operacional. É de admitir que a dificuldade que o adversário tem encontrado em aliciar determinadas populações e a fidelidade incontestável de outras lhe crie problemas de natureza psicológica.
2. Acção Psicológica conduzida pelo adversário
a. A acção psicológica desenvolvida pelo ln continuou tendo como objectivo principal a obtenção do apoio da população a qual procura indispor contra as NT.
Admite-se que a colocação de minas e engenhos explosivos nas e stradas que passam próximo das povoações, tenha, também, por fim levar-nos a supor que foram essas populações que os implantaram e sobre elas exerçamos acções punitivas, as quais eles exploram a seu favor;
b. Enviou duas mensagens (assinadas por Nicolau Correia) ao Régulo Malan Soncó de Missirá, cujo conteúdo é "um convite a retirar as tropas de Missirá e um ajuste de contas futuras, nem que seja daqui a 10 anos".
Na região de Ingoré, cortou uma orelha a quatro nativos do Sedengal como represália por terem colaborado connosco na região de Bula-Binar.
a. Segundo se constata de alguns relatórios recebidos, a acção psicossocial desenvolvida, apesar de todas as dificuldades, tem dado resultados apreciáveis cujos frutos já se colhem, em alguns sectores;
b. No aspecto social nota-se que, em certas regiões do Gabú, a campanha da mancarra aumentou os proventos da população, tornando menos necessária a acção dos nossos elementos. Inversamente, nas regiões que confinam com aquelas onde o ln exerce a sua actividade, a miséria tem aumentado e com ela a necessidade de intervenção das NT;
c. No campo psicológico, além do mencionado no relatório anterior, a acção sobre as populações tem sido alargada, nomeadamente na região de Guileje, ocupada no princípio do mês;
d. A acção psicológica sobre o ln continuou a ser feita principalmente, através da actividade operacional. É de admitir que a dificuldade que o adversário tem encontrado em aliciar determinadas populações e a fidelidade incontestável de outras lhe crie problemas de natureza psicológica.
2. Acção Psicológica conduzida pelo adversário
a. A acção psicológica desenvolvida pelo ln continuou tendo como objectivo principal a obtenção do apoio da população a qual procura indispor contra as NT.
Admite-se que a colocação de minas e engenhos explosivos nas e stradas que passam próximo das povoações, tenha, também, por fim levar-nos a supor que foram essas populações que os implantaram e sobre elas exerçamos acções punitivas, as quais eles exploram a seu favor;
b. Enviou duas mensagens (assinadas por Nicolau Correia) ao Régulo Malan Soncó de Missirá, cujo conteúdo é "um convite a retirar as tropas de Missirá e um ajuste de contas futuras, nem que seja daqui a 10 anos".
Na região de Ingoré, cortou uma orelha a quatro nativos do Sedengal como represália por terem colaborado connosco na região de Bula-Binar.
Continua a amedrontar as populações tendo, entre outras acções, morto o chefe da tabanca de Pete (15451205 Hl) e espancado os filhos por terem também colaborado com as NT.
No Senegal, o ln tem impedido o regresso de numerosos manjacos a Teixeira Pinto, dizendo-lhes que a tropa os vai matar.
Sobre a actividade psicológica ln considera-se de interesse transcrever a seguinte passagem dum relatório duma Unidade:
" ao que se julga o ln está a enveredar algo frequentemente pelo campo de intimidação ou até da violência.
No Senegal, o ln tem impedido o regresso de numerosos manjacos a Teixeira Pinto, dizendo-lhes que a tropa os vai matar.
Sobre a actividade psicológica ln considera-se de interesse transcrever a seguinte passagem dum relatório duma Unidade:
" ao que se julga o ln está a enveredar algo frequentemente pelo campo de intimidação ou até da violência.
Será um mau caminho, porquanto o nativo vítima terá dois termos de comparação - a acção das NT e as suas possibilidades e a acção do ln com a sua nomadização, doença, pilhagem e promiscuidade - entre os quais o esclarecido e bem orientado não terá dúvidas em escolher.
Admite-se, como conclusão, que a acção psicológica conduzida pelo adversário sobre as populações nativas não está em campo de progressão. Antes, sim, de regressão. A mentira, de que com frequência lança mão, acaba por vir ao de cima e só nos pode vir a beneficiar, à medida que vai ficando patente";
c. A acção psicológica que o ln por vezes ensaia sobre as NT não tem obtido qualquer resultado.
c. A acção psicológica que o ln por vezes ensaia sobre as NT não tem obtido qualquer resultado.
Durante o período a que este relatório se refere foi encontrado um panfleto ln na região de Missirá, no qual nos manifestam o seu desejo de combater e nos convidam a regressar à Metrópole. Como nota curiosa salienta-se o facto de nos tratarem por "Caros Inimigos".
3. Acção Psicológica conduzida por órgãos estranhos à Unidade
Duma maneira geral, os relatórios enviados das Unidades não contém ou contém muito poucas informações acerca destas actividades.
Reconhecem as melhores ou piores relações existentes entre as diferentes autoridades e as variações que as mesmas vão sofrendo, conforme a evolução dos acontecimentos se verifica ou não de modo a satisfazer os seus pontos de vista.
Reconhece-se a vantagem de existir um plano de conjunto no qual todos se integrariam o que, além do mais, permitiria tirar maior rendimento dos meios existentes.
4. Acção Psicológica conduzida pelas Unidades
a. A acção psicológica desenvolvida sobre as populações teve os seus aspectos mais relevantes pelo que respeita à ocupação de diferentes localidades ao longo da fronteira sul.
4. Acção Psicológica conduzida pelas Unidades
a. A acção psicológica desenvolvida sobre as populações teve os seus aspectos mais relevantes pelo que respeita à ocupação de diferentes localidades ao longo da fronteira sul.
Do relatório do Batalhão respectivo transcreve-se o seguinte:
"A ocupação de Guileje, Cumbijã e Ganturé moralizou extraordinariamente as populações. Antes de efectuada esta ocupação, teve-se o sentimento de que as populações, por influência da propaganda do ln, punham algumas reservas sobre a possibilidade de um dia voltarem às suas terras. Mais saliente no régulo Abibo, de Gadamael, este sentimento, agora felizmente desvanecido."
- O mesmo comando considera que os êxitos obtidos só ficarão completos quando o régulo Abibo lograr atrair à tabanca a população que está dispersa ou quando se verificar a ocupação de outras localidades consideradas de importância.
- Pelas Unidades competentes foi exercida uma determinada acção psicológica sobre os elementos da população que, tendo sido raptados pelo ln e levados para o Como, agora
regressaram às suas tabancas por acção das NT.
- Fez-se uma reunião com os grandes de Missirá e de outras tabancas, tendo-se salientado as intenções da tropa e chamado a atenção para as diferenças de procedimento entre os terroristas e as NT.
- As NT têm visitado frequentemente a população do Geba, começando a verificar-se modificação na sua maneira de ser. Primeiramente apresentavam-se ressentidos mas com a
assiduidade da nossa presença tornaram-se mais comunicativos e até já se realizaram jogos de futebol entre equipas de militares e civis.
(1) Propaganda
Além do que tem sido dito nos relatórios anteriores, pouco mais se poderá acrescentar. Julga-se, no entanto, que, com o fim de unificar o conceito de propaganda existente
nas diferentes Unidades não será descabido transcrever a seguinte definição de tão discutido termo:
" Propaganda é qualquer informação, ideia, doutrina ou apelo especial, disseminado com o fim de influenciar opiniões, emoções, atitudes e comportamento dum determinado grupo cujas reacções devem beneficiar os promotores directa ou indirectamente".
(2) Contrapropaganda
Acerca deste parágrafo, por se considerar de interesse transcreve-se o que consta dum dos relatórios recebidos:
" Nunca se esgota o tema da cooperação entre a acção benéfica das NT e a violência, a mentira e o não cumprimento do prometido por parte do adversário. Este campo é melindroso e tem de ser trilhado com tacto e não a esmo.
Devem estabelecer-se ideias fixas esclarecidas sobre o que deve dizer-se ao nativo nas "conversas" em que tal ponto se debate.
"A ocupação de Guileje, Cumbijã e Ganturé moralizou extraordinariamente as populações. Antes de efectuada esta ocupação, teve-se o sentimento de que as populações, por influência da propaganda do ln, punham algumas reservas sobre a possibilidade de um dia voltarem às suas terras. Mais saliente no régulo Abibo, de Gadamael, este sentimento, agora felizmente desvanecido."
- O mesmo comando considera que os êxitos obtidos só ficarão completos quando o régulo Abibo lograr atrair à tabanca a população que está dispersa ou quando se verificar a ocupação de outras localidades consideradas de importância.
- Pelas Unidades competentes foi exercida uma determinada acção psicológica sobre os elementos da população que, tendo sido raptados pelo ln e levados para o Como, agora
regressaram às suas tabancas por acção das NT.
- Fez-se uma reunião com os grandes de Missirá e de outras tabancas, tendo-se salientado as intenções da tropa e chamado a atenção para as diferenças de procedimento entre os terroristas e as NT.
- As NT têm visitado frequentemente a população do Geba, começando a verificar-se modificação na sua maneira de ser. Primeiramente apresentavam-se ressentidos mas com a
assiduidade da nossa presença tornaram-se mais comunicativos e até já se realizaram jogos de futebol entre equipas de militares e civis.
(1) Propaganda
Além do que tem sido dito nos relatórios anteriores, pouco mais se poderá acrescentar. Julga-se, no entanto, que, com o fim de unificar o conceito de propaganda existente
nas diferentes Unidades não será descabido transcrever a seguinte definição de tão discutido termo:
" Propaganda é qualquer informação, ideia, doutrina ou apelo especial, disseminado com o fim de influenciar opiniões, emoções, atitudes e comportamento dum determinado grupo cujas reacções devem beneficiar os promotores directa ou indirectamente".
(2) Contrapropaganda
Acerca deste parágrafo, por se considerar de interesse transcreve-se o que consta dum dos relatórios recebidos:
" Nunca se esgota o tema da cooperação entre a acção benéfica das NT e a violência, a mentira e o não cumprimento do prometido por parte do adversário. Este campo é melindroso e tem de ser trilhado com tacto e não a esmo.
Devem estabelecer-se ideias fixas esclarecidas sobre o que deve dizer-se ao nativo nas "conversas" em que tal ponto se debate.
As atitudes que vêm sendo frequentes, da apresentação de cumprimentos pelos chefes e homens grandes, às autoridades militares são sempre aproveitados para tal doutrinação".
(3) As informações fornecidas não impedem que tivessem circulado alguns boatos, principalmente relacionados com as operações em curso.
Igualmente é de referenciar o aparecimento de um boato que, já há bastante tempo circula e que diz respeito ao tempo de permanência das Unidades nas Províncias Ultramarinas.
b. A acção psicológica sobre o ln fez-se sentir principalmente na região de Como, Caiar e Catunco onde se têm realizado importantes acções militares.
b. A acção psicológica sobre o ln fez-se sentir principalmente na região de Como, Caiar e Catunco onde se têm realizado importantes acções militares.
As operações realizadas ao longo da fronteira sul devem também ter afectado o ln que, por via delas, vê dificultadas as suas possibilidades de movimento e a sua acção de propaganda junto das respectivas populações.
c. A acção psicológica sobre as NT tem-se processado normalmente sendo de admitir que tem tido boa aceitação o programa de rádio diariamente emitido.
c. A acção psicológica sobre as NT tem-se processado normalmente sendo de admitir que tem tido boa aceitação o programa de rádio diariamente emitido.
Esta actividade tem tido apenas um carácter recreativo e são muito frequentes os pedidos de músicas preferidas, as quais, dentro das possibilidades, tem-se procurado satisfazer.
- Algumas Unidades têm publicado jornais de parede o que, segundo afirmam, também tem tido bom acolhimento por parte das praças e se confirma ser um bom meio para aumentar os seus conhecimentos e ajudar a formular as suas opiniões.
5. Acção Social
a. Enviadas pela Cruz Vermelha Portuguesa foram recebidas apreciáveis quantidades de medicamentos, vestuários e leite condensado que serão brevemente enviadas para os Batalhões a fim de que possam contemplar os elementos que julgarem mais merecedores.
b. A acção social tem-se mantido sem alteração nos diferentes campos de acção.
(1) Assistência sanitária
Durante o período a que este relatório se refere foi possível obter os seguintes dados estatísticos referentes a este tipo de assistência:
Mais uma vez as Unidades são unânimes em afirmar que este tipo de assistência é o que tem dado melhores resultados. A testemunhar esta opinião, num dos relatórios pode ler-se:
5. Acção Social
a. Enviadas pela Cruz Vermelha Portuguesa foram recebidas apreciáveis quantidades de medicamentos, vestuários e leite condensado que serão brevemente enviadas para os Batalhões a fim de que possam contemplar os elementos que julgarem mais merecedores.
b. A acção social tem-se mantido sem alteração nos diferentes campos de acção.
(1) Assistência sanitária
Durante o período a que este relatório se refere foi possível obter os seguintes dados estatísticos referentes a este tipo de assistência:
A assistência sanitária administrada em 3 dezenas de localidades , tantas quantas onde havia aquartelamentos das NT no início de 1964 (Fonte: Adapt de CECA, 2014)
Mais uma vez as Unidades são unânimes em afirmar que este tipo de assistência é o que tem dado melhores resultados. A testemunhar esta opinião, num dos relatórios pode ler-se:
" De todas as actividades sociais, continua a ser a assistência sanitária a que mais parece sensibilizar as populações, até porque o estado de doença é o que, psiquicamente, mais valoriza a humanitária tarefa de quem sabe tratar de igual modo corpos e almas.
Daí o papel importantíssimo desenvolvido pelos médicos militares, a merecer as maiores atenções até para além do âmbito estritamente militar".
(2) Assistência religiosa
- A nota mais saliente da actividade religiosa desenvolvida durante o período é a que se refere à celebração da missa em Geba, por um capelão militar, à qual assistiu elevado número de pessoas.
- Este período foi também caracterizado pelas festas do Ramadão que permitiu a vários elementos qualificados das NT assistirem, como convidados, a alguns dos seus actos
de culto religioso ou manifestações festivas.
O respeito pelos seus usos e costumes deve ser objecto de cuidada doutrinação dentro das NT, nomeadamente entre os menos cultos.
(3) Assistência educativa
- Embora com as dificuldades mencionadas no relatório anterior têm continuado a funcionar as escolas mantidas no âmbito da Acção Psicossocial.
- Extraiu-se dum relatório recebido a seguinte passagem julgada de interesse:
" Num domingo, foi feita uma visita à escola de Jugudul onde se sabia que os alunos estavam a jogar à bola. Com o pretexto de ver a escola, provocou-se uma reunião com
os alunos que, na quase totalidade, estavam presentes.
Um aluno da 4ª classe que é auxiliar do professor, foi buscar giz e pediu para darmos aula. Perguntou-se o que queriam saber e aproveitou-se a oportunidade para, ao mesmo tempo que se faziam perguntas se explicarem as proporções entre as superfícies dos territórios ultramarinos e da metrópole, comparando com as populações que
habitam esses territórios e realçando o valor do conjunto como unidade nacional. Isto pareceu bem compreendido.
habitam esses territórios e realçando o valor do conjunto como unidade nacional. Isto pareceu bem compreendido.
Foi evidente a diferença entre a expressão de estranheza e receio revelado pelos alunos à nossa chegada e o ar confiante que mostraram no fim da visita".
- Em várias localidades tem-se realizado competições desportivas entre equipas mistas de militares e civis, o que tem servido de pretexto para estreitamento das relações
entre uns e outros.
(4) Assistência económica
Entre outras actividades relacionadas com este tipo de assistência destacam-se as seguintes:
- protecção a nativos nos trabalhos agrícolas nas áreas ameaçadas pelo ln;
- facilitados muitos transportes de colheitas e de haveres de habitantes deslocados por acção do terrorismo;
- auxílios diversos para funerais;
- distribuição em quase todos os quartéis, de sobras de alimentação;
- ofertas de géneros e por vezes de refeições a elementos da população necessitados;
- dádiva de determinada quantia a dois régulos que se encontravam em precária situação económica;
- distribuição de tabaco e cola a caçadores fulas;
- retribuição de ofertas feitas por nativos (por exemplo: uma saca de farinha a uma padeira que ofereceu galinhas);
- distribuição de leite e açúcar a algumas parturientes e de guloseimas a crianças:
- facilidades para construção de moranças em diversas localidades;
- facilitado o aproveitamento da mão de obra, bem remunerada;
- compra por justo preço de artigos vendidos pelos nativos para alimentação das tropas.
6. Conclusões
a. A população continua aceitando bem o contacto com as NT.
As populações vivendo em zonas que confinam com aquelas onde o ln actua, sentem receio pelo seu futuro e pedem a protecção da tropa.
b. O estado psicológico das NT mantém-se estacionário, continuando a dar provas da sua grande capacidade de adaptação e resistência fisica.
c. Apesar da considerável endoutrinação do ln é de admitir que, psicologicamente, a sua situação tivesse sido abalada por virtude das operações efectuadas pelas NT.
d. Presume-se que o ln, executando acções em sectores onde tem estado relativamente mais calmo, pretende levantar o seu nível psicológico [...]."
Fonte: Fonte: Excertos de: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª Edição; Lisboa (2014), pp. 271/278.
(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos: LG)
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Fonte: Fonte: Excertos de: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª Edição; Lisboa (2014), pp. 271/278.
(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos: LG)
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Nota do editor LG:
(*) Último pposte da série > 18 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28445: Documentos (69): Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63 (III)
(*) Último pposte da série > 18 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28445: Documentos (69): Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63 (III)
Vd. dois últimos postes anteriores:
16 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28440: Documentos (67): Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63 (I)






1 comentário:
"Distribuição, em quase todos os quartéis, de sobras do rancho": ó meus amigos, isto não era ação psicossocial, era apenas a mais elementar caridade cristã...
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