Eventos de iniciativa de Antigos Combatentes
No princípio da década de 90 começaram a ter lugar os primeiros convívios de Antigos Combatentes pertencentes à mesma companhia e/ou ao mesmo batalhão. Esta iniciativa partia sempre da boa vontade de alguns antigos combatentes. Por meados da década de 90, quando os convívios já eram moda, apareceu uma nova modalidade, mas sempre com os mesmos objectivos.
Esta nova modalidade consistia de um convívio entre todos os naturais de uma mesma freguesia, que tivessem participado na guerra do ultramar. Convívios desta natureza reuniam sempre um número de presenças muito elevado, porque eram abertos a residentes e não residentes. Na freguesia de Campia, com 182 antigos combatentes, as presenças eram sempre superiores à centena. Muitas foram as freguesias que aderiram a esta modalidade, havendo mesmo casos de algumas onde à falta de iniciativa por parte de antigos combatente era a própria junta da freguesia a tomar a seu cargo a organização de um convívio, como era o caso da Freguesia de Cacia no Concelho de Aveiro.
Muitas associações de antigos combatentes como é o caso da “Tabanca Grande” tiveram e muitas ainda tem, os seus convívios anuais.
O número de convívios atingiu no ano de 2014 o valor 360, publicitados, estando esse valor reduzido para o ano 2026 a 70 convívios aproximadamente. Tudo terá um fim no dia em que todos os antigos combatentes façam parte das hostes celestes da Paz e do Amor.
O nosso camarada da Tabanca Grande, Victor Barata, alfacinha, nascido na cidade de Lisboa foi encontrar noiva na aldeia onde eu nasci. Casou com uma filha da Amélia da Laja e do padeiro de Caveirós, neta materna da Senhora Dália Campos, segunda prima direita da minha avó.
A encosta norte da serra do Caramulo é riquíssima em granitos de alta qualidade. Só para o pavimento do IP5 foram destruídos milhares de toneladas de granito azul transformadas em gravilha, sem que alguém gritasse, não destruam o património.
A Victor Barata procedeu à instalação de uma fábrica de serração de granitos e não de mármores como aparece num comentário do blogue. Só não está sepultado no cemitério de Campia por ter sido cremado na cidade de Viseu.
Nunca consegui que o camarada Victor Barata participasse nos convívios dos combatentes da freguesia de Campia. Uma divergência entre o Victor Barata e um dos quatro elementos da Comissão Organizadora de primeiro convívio realizado em Campia, Mário dos Santos Ferreira, Furriel de Transmissões da Companhia que estava sediada em Ingoré no ano de 1965.
O Mário dos Santos Ferreira, meu companheiro de carteira da primeira, dois anos, até à quarta classe não era pessoa fácil.
A divergência teve origem na aquisição de duas placas em granito, com a inscrição, “Ditosa Pátria que tais filhos tem” para serem colocadas nas campas dos dois mortos em combate, que estão sepultados no cemitério de Campia. Sendo amigo dos dois, tentei por mais que uma vez, sempre que me cabia a organização do próximo convívio, a reconciliação, mas sem resultados.
Sinto cada vez mais dificuldade em aceitar que amizades com mais de 30, 40, 50 anos, possam desaparecer por uma pequena quezília que não vale umas míseras cascas de alhos.
Como consequência destes convívios surgiu também a iniciativa do levantamento de Marcos Históricos aos antigos combatentes. Estes pequenos monumentos foram erguidos a nível de freguesia, como é o caso Campia, a nível de concelho e também a nível nacional como é o caso do Bom Sucesso em Lisboa. Também estes monumentos foram patrocinados pelos antigos combatentes como é o caso de Campia, por Autarquias Locais e também por outras entidades.
Este Monumento aos Antigos Combatentes, naturais da freguesia de Campia foi custeado pelos próprios Combatentes. A Junta de Freguesia de Campia cedeu o terreno e a Câmara Municipal de Vouzela honrou-nos com uma presença no dia da inauguração (13-11-1999).
Quase ao virar da esquina como nos indica a gíria popular, já no ano de 2025 surge uma iniciativa de um antigo combatente, Alferes Miliciano em Angola, natural de Macieira-a-Velha, freguesia de Macieira de Cambra do concelho de Vale de Cambra, de seu nome Martinho Tavares de Almeida, Professor de Educação Física Aposentado. A cidade de Vale Cambra faz parte da Área Metropolitana do Porto.
Com a colaboração de um Grupo de patrocinadores encabeçado pela Câmara Municipal de Vale de Cambra, este antigo combatente decidiu levar a cabo a seguinte tarefa:
Fazer uma recolha ao nível do Concelho de Vale Cambra de dados relativos a todos os naturais que tivessem participado na Guerra do Ultramar. Para além dos dados pessoais também foram recolhidos dados relativos ao Posto e à frente de combate onde teve lugar a sua participação.
À semelhança do que é pedido na adesão à Tabanca Grande também aqui foi usado o mesmo critério em relação à entrega de fotos.
A partir da recolha efectuada, foi feita a edição de um livro em formato A4 com uma primeira tiragem de 1500 exemplares, com 512 páginas e um peso superior a 2 quilos.
Cada um dos Antigos Combatentes ainda vivos, recebeu um exemplar de forma gratuita. Todos os familiares dos Antigos Combatentes já falecidos, que colaboraram com a iniciativa receberam do mesmo modo um exemplar de forma gratuita como é o meu caso.
As duas imagens a seguir mostram a frente e o verso da obra que foi feita a partir desta brilhante iniciativa.
Frente do livro dedicado aos Antigos Combatente do Concelho de Vale de Cambra
Contracapa do livro dedicado aos Antigos Combatente do Concelho de Vale de Cambra
A todos os antigos combatentes a quem foi concedido o privilégio de regressar à sua origem sem ser dentro de um caixote, lutaram para serem os melhores, para terem o reconhecimento daquilo por que passaram em defesa dos ideais da época.
De nada lhes valeu, cada vez valem menos e a cada vez que aparece algo de benesse para antigos combatentes logo aparecem as discórdias a gritarem que os antigos combatentes não são pessoas de bem.
É público de que os antigos combatentes não pagam medicamentos. Não é verdade porque apesar de existir na Constituição um Artigo 13.º que diz que somos todos iguais. Há a possibilidade de serem produzidos medicamentos para pobres e para ricos. O antigo combatente não paga medicamentos se apenas usar os medicamentos para pobres. Em caso contrário paga como pagam os outros.[1]
O livro faz referência a todas as figuras do Estado Novo que durante 13 anos conduziram a Guerra, às grandes operações, tais como a tomada da Pedra Verde e a Operação Mar Verde, às grandes catástrofes como afundamento de uma jangada que vitimou mais de uma centena[2], e a tragédia do Chão Manjaco. É de igual modo feita uma referência a todos os intervenientes do lado oposto.
Tenho muita pena que não exista em todos os restantes concelhos deste país um Alferes Martinho Tavares de Almeida com capacidade para levar a bom porto uma nau com tanta carga. Até à página 225 este livro é de uma enorme riqueza para quem gosta de História.
Nas primeiras 225 páginas há espaço para:
- 1. O Império Ultramarino e o Estado Novo
- 2. Factos que antecederam o Conflito Armado
- 3. Período anterior ao início do Conflito Armado
- 4. Início do Conflito Armado em Angola
- 5. Principais protagonistas
- 6. Teatros de operações
- 7. Movimentos independentistas
- 8. Grandes operações
- 9. Meios terrestres aéreos e navais
- 10. Quarteis e aquartelamentos
- 11. Armas de combate. Perfeita elencagem de todas as armas com ilustração de todas as armas usadas de ambos os lados.
- 12. Minas. A chamada guerra subterrânea
- 13. Alguns números da Guerra do Ultramar
- 14. As grandes tragédias
- 15. As nossas Enfermeiras na Guerra do Ultramar
- 16. A missão do movimento nacional feminino
- 17. O papel da Igreja no conflito
- 18. Factos relevantes
- 19. Personalidades que exerceram funções de chefia e comando envolvidas na guerra do ultramar
- Da página 226 até à página 463 foram colocadas todas as fotos acompanhadas de um pequeno perfil de todos os antigos combatentes do concelho de Vale de Cambra.
O segundo da última fila é o autor desta brilhante obra (Alferes Mil Martinho Tavares de Almeida)
- Da página 464 em diante estão transcritos os louvores atribuídos a todos antigos combatentes naturais de Vale de Cambra.
- Uma lista de todos os falecidos.
- Lista de feridos graves acompanhada de alguns depoimentos.
- Notícias publicadas em alguns jornais da época.
Para terminar deixar um grande abraço com elevado reconhecimento ao Autor
Os meus mais sinceros parabéns Dr. Martinho Almeida.
Artur Conceição
SPM 2578
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2 . Notas do editor Carlos Vinhal:[1] - Peço desculpa ao amigo Artur Conceição, mas por uma questão de justiça, venho afirmar que é incorrecto dizer-se que os Antigos Combatentes só têm direito a medicamentos para pobres. Em Portugal não há medicamentos para pobres e para ricos. Uma vez que há muita falta de informação e desinformação a mais, esclareço, a título pessoal, que o Estado comparticipa os Antigos Combatentes a 100% o preço de referência de todos e quaisquer medicamentos receitados e comparticipados pelo SNS, genéricos ou de marca.
Os utentes do SNS, em geral, não saberão, nem se aperceberão, de que há medicamentos cujo PVP (preço de venda ao público) é superior ao PR (preço de referência). O SNS, nestes medicamentos, só comparticipa o PR, ficando a diferença a cargo do utente. Nunca dei conta de ver no balcão da farmácia alguém perguntar porque está a pagar aquela importância e não menos.
Com os Antigos Combatentes passa-se o mesmo, às vezes pagamos uns cêntimos por causa da tal diferença, mas porque se intuiu que nos comparticipam (sempre) 100% do preço dos medicamentos, reclamamos por falta de conhecimento.
Um exemplo prático: o reumatologista receitou-me Lepicortinolo (um medicamento de marca, não genérico), cujo preço de venda ao público é 3,82€ e o preço de referência é 2,80€. Perante isso, paguei a diferença, 1,02€, sendo comparticipado a 100% do preço de referência.
Também não é justo dizer-se que os Medicamentos Genéricos têm uma eficácia inferior aos de marca. Está provado cientificamente que é mentira. Eu sou um dos que opta sempre pelos genéricos. O SNS não nada em dinheiro, cabendo a cada um de nós zelar pela sua sobrevivência.
Aconselho a leitura atenta do nosso Poste de 6 de Janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26354: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (109): Portaria n.º 372-C/2024/1, de 31 de Dezembro que estabelece as condições de acesso dos Antigos Combatentes a uma percentagem adicional de comparticipação sobre a parcela não comparticipada dos medicamentos pelo SNS
[2] - Aqui não sei se o nosso amigo Artur se se está a referir ao desastre da jangada durante a travessia do rio Corubal. Se sim, e se considerarmos vítimas os camaradas falecidos, foram 43.
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Nota do editor
Último post da série de 8 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28250: (In)citações (289): Hoje estou triste, embora seja grato por cada nascer do sol... (Tony Borié, ex-1.º Cabo Op Cripto)





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