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sábado, 19 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28360: Os nossos seres, saberes e lazeres (750): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (271): Heidelberg, cidade poupada na Segunda Guerra Mundial, pilhada pelos exércitos de Luís XIV em 1689, as ruínas mais famosas do romantismo - 6 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 1 de Setembro de 2026:

Queridos amigos,
Viagem inesquecível a vários títulos. Como quem não sabe é como quem não vê, andou-se à procura de parqueamento, não se viu qualquer indicação de transporte para o topo da cidade, foram umas boas centenas de degraus, em dado momento viu-se passar um funicular, deu bastante jeito no regresso para quem, como eu, andava em passada branda com as moinhas de uma hérnia inguinal bilateral. Vi satisfeito um sonho da minha juventude. Não só do que tinha lido em obras românticas, fotografias avulsas da quase mítica universidade e dos passeios no vale do rio Neckar, o meu cunhado, sempre que vinha a propósito, falava de professores seus, mundialmente distintos e do deslumbramento da cidade encravada entre montanhas com o rio à porta. Comecei o passeio pelo velho castelo de Heidelberg, uma joia mutilada no século XVII e curiosamente poupada pelos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial. É no meio desta visita deslumbrante que avistei a entrada do Museu Alemão da Farmácia, logo me veio à mente a visita que fiz em Leipzig a um museu com valiosíssima documentação de produtos de farmácia, não hesitei na visita a este museu. É o que vos mostro na primeira parte desta itinerância por uma cidade encantadora.

Abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (271):
Heidelberg, cidade poupada na Segunda Guerra Mundial, pilhada pelos exércitos de Luís XIV em 1689, as ruínas mais famosas do romantismo - 6


Mário Beja Santos

Foi uma das raras cidades alemãs poupadas dos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial. Heidelberg está situada à entrada do radioso Vale do Neckar, entre as montanhas e o rio, e é dominada pelo castelo romântico em arenito vermelho. A cidade é célebre pela sua unicidade fundada em 1386; foi um dos lugares de maior relevo do romantismo alemão. Mas há outros dados históricos. Foi um centro político do antigo Palatinado Renano, aqui viviam os zeladores da justiça dos imperadores germânicos, condes que tinham dignidades feudais. É uma história que se irá desenvolver a partir do século XII e que floresce no século seguinte com o Palatinado Renano. A cidade profundamente afetada pelos problemas religiosos da Reforma, sofreu assaltos e destruições no século XVII, a chamada guerra de Orleãs ou do Palatinado, pilhagens e destruições, a sua reconstrução recomeçou em 1700 e no século XVIII o Palatinado voltou à posse da Baviera, tudo irá mudar com a criação do II Reich, no século XIX. Havia que optar o que visitar nesta cidade tão bela, possuidora deste castelo assombroso, fiquei embasbacado por visitar no seu interior o Museu Nacional da Farmácia, para chegar ao castelo subi umas boas centenas de degraus, isto na altura em que estava à espera de ser operado a uma hérnia inguinal bilateral. Descemos até ao casco histórico, deslumbrante, visitei a Igreja do Espírito Santo e depois a ponte velha, datada de 1776, precedida de uma torre-porta e decorada de estatuária, já não havia e energia para mais, embora houvesse uma grande apetência para passear pelo Vale do Neckar.

Heidelberg a vista do alto, ao fundo corre o rio Neckar, ainda não cheguei ao castelo romântico, um dos mais belos do mundo
Visão aproximada para se ver a velha ponte sobre o Neckar, por onde passeou Goethe e outros próceres do romantismo
Um belo pórtico do castelo que resistiu às destruições de 1622 e 1689. Andava por ali um guia com uma excursão de japoneses, britânicos e letões, pus o ouvido à escuta para ouvir falar da nostalgia do romantismo, o guia esmerava-se por mostrar que o castelo e a fortaleza se fundem entre si de modo imponente, casamatas, torres poderosas, fachadas palacianas no interior com as suas figuras decorativas que são um tesouro do Renascimento; atrelado ao grupo, fui ouvindo pormenores sobre dois edifícios de arquitetura sublime, o Edifício Frederico, quando se desce o pátio interior temo-lo pela frente; e o edifício Ottheinrich, revestido de impressionantes figuras decorativas, e descendo por aqui temos terraços que no seu tempo foram considerados os jardins renascentistas mais famosos do mundo. Não se pode entrar em nenhum dos edifícios, estava tudo em obras.
O edifício foi cruelmente destruído, subsistem estas belas esculturas
Os eleitores palatinos viviam neste edifício sumptuoso chamado Friedrich que está a ser alvo de restauros, nesta altura não se pode visitar o interior do palácio
Pormenor do Museu Nacional da Farmácia, sediado no castelo de Heidelberg. Visitei este espantoso museu levando uns bons encontrões, os grupos de turistas revezavam-se uns aos outros, imparáveis. Não consegui literatura, mas encontrei informação no local bem curiosa. Li que nas cidades da Idade Média a vida pública se concentrava sobretudo na praça central do mercado, era ali que os comerciantes e artesão vendiam os seus produtos em rústicas construções em madeira, às vezes junto da igreja ou da Câmara Municipal. As primeiras farmácias funcionaram deste modo. Com o desenvolvimento, as farmácias ganharam dimensão e surgiu a possibilidade de distribuir os diferentes tipos de medicamentos por diferentes divisões. A verdadeira oficina ficava no rés-de-chão, era aqui que se preparavam os medicamentos, depois guardados em gavetas bem como em valiosos recipientes de porcelana e estanho, vidro ou madeira. O cliente podia espreitar através da janela as prateleiras e os armários e a mesa de preparação. Durante muito tempo, foi comum comunicar com o farmacêutico e receber o medicamento através de uma pequena janela. Desde os séculos XVII e XVIII que a venda e a espera passaram a ser feitas no interior da farmácia. Assim, uma nova área de vendas com um balcão como espaço de atendimento foi adicionada à área tradicional de preparação. Desde então, a farmácia passou a ser identificada por dois elementos básicos: a mesa de preparação, o balcão e o mobiliário. Atualmente, a generalidade dos medicamentos é preparada pela indústria farmacêutica. Em cada farmácia existe um local para consulta, que é uma das tarefas mais importantes de um farmacêutico de oficina, é a matriz da confiança do doente-farmacêutico.
Outro pormenor do Museu Nacional da Farmácia
Durante séculos, as fachadas das farmácias apareciam marcadas por um símbolo farmacêutico personalizado e distintivo. Havia placas de cores específicas, exibia-se o nome da farmácia e do proprietário, por vezes incluindo o ano da fundação. Não era incomum haver representações de animais, criaturas míticas ou santos padroeiros. A partir da década de 1920, as farmácias na Alemanha começaram a procurar um símbolo padronizado. O nome podia referir-se à localização específica da farmácia ou uma conotação popular para a região, havia nomes de homenagem a diferentes simbologias.
Pormenor da fachada renascentista do edifício Frederico
Pormenor da fachada em arenito vermelho do edifício Ottheinrichs, tem a seus pés jardins espetaculares e belas panoramas sobre o rio Neckar
Restauros no castelo de Heidelberg é matéria infindável

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 12 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28342: Os nossos seres, saberes e lazeres (749): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (270): O dia passado em Wiesbaden, amanhã viaja-se para Heidelberg - 5 (Mário Beja Santos)

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