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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28348: Manuscrito(s) (Luís Graça) (295): Em 6 de setembro passado, a orografia que rodeia a Quinta de Candoz retirou-me cerca de uma hora e meia de insolação direta: cerca de 35 minutos de manhã e cerca de uma hora ao fim da tarde.

 

Foto nº 1 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07;16

Foto nº 2 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:18


Foto nº 3 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07: 20


Foto nº 4 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:22

Foto nº 5 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:24

Foto nº 6 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:31


Foto nº 7 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:35


Foto nº 8 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:35


Marco de Canavezes > Paredes de Viadores > Candoz  > 6 de setembro de 2026


Fotos (e legendas): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição:   Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Não é habitual ver o nascer do sol, só o pôr do sol. Justamente porque vivo no Oeste, na Lourinhã, junto à costa atlântica... (O Oeste é uma região da Estremadura, que vai de Torres Vedras a Alcobaça.) 

Não sei porquê,  ninguém fotografa o nascer do sol... Terá menos magia ?  (Acho que não...  O nascer do sol exige acordar cedo, enquanto o pôr do sol é mais acessível:  no fim do dia, o fotógrafo tem mais liberdade e disponibilidade; por outro lado, o pôr do sol tende a ter tons mais quentes e dramáticos (laranjas, vermelhos intensos), enquanto o nascer pode ser mais suave e frio (amarelos, brancos, cinzentos, azuis); e, adicionalmente,  há uma razão cultural: tendemos a associar o pôr do sol ao fim de algo (romântico, melancólico, trágico), que é um tema recorrente na arte ocidental; enfim, o  nascer do sol é mais difícil de capturar em palavras, ligado à ideia de começo, recomeço, trabalho, suplício de Sísifo, mas esperança, desafio,  incerteza...).

 Em Candoz, a mais de 300 km de distância, freguesia de Paredes de Viadores e Manhuncelos. concelho de Marco de Canaveses, estou rodeado de serras (Montedeiras, Aboboreira, Montemuro, Gralheira, Meadas, Marão...).

O rio Douro que vejo da minha janela ou varanda, na Quinta de Candoz, à direita (Porto Antigo, barragem do Carrapatelo e, mais à direita, Cinfães, já na serra de Montemuro),  separa os distritos do Porto e Viseu... 

Da minha janela ou da minha varanda,  virada para nascente,  vejo também em frente, a linha do Douro, a escassos 200 ou 300 metros: o comboio que vai do Porto à Régua e ao Pocinho (e até Barca de Alva, em viagens de turismo histórico) passa pelo vale que me separa do concelho de Baião, que fica a Leste e Nordeste. Em frente, as freguesias, de povoamento disperso, de Mesquinhata, Santa Leocádia, Grilo (e por detrás do 1º horizonte, Grove, Ancede, cujo fogo de artifício vejo na Páscoa)...

Eu estou aqui:  Quinta de Candoz, Coordenadas GPS:41.118254559520246, -8.1129390491463

No dia 6 de setembro de 2026, o sol nasceu em Portugal às 07.01 mas eu só o vi da varanda da nossa casa, na Quinta de Candoz, mais de meia-hora depois... Em rigor, devo tomar como referência a hora solar local, a da cidade do Marco de Canaveses, que foi às 07:03.  E o pôr-do-sol às 19:57. Houve, portanto 12 h 53 min de dia astronómico.

Mas eu estou  numa situação completamente diferente: o horizonte montanhoso é o meu “segundo horizonte”. Na varanda no VIGIA, na Praia da Areia Branca, eu vejo o sol a cair pique no Atlântico, com as Berlengas e o cabo Carvoeira à minha direita...Claro, quando não há nuvens...

Aqui, em Candoz, comecei a ver o primeiro sol direto aproximadamente às 07:37. Ou seja, preguiçosamente, o sol só "pegou ao trabalho" uns 34 minutos depois... E o seu trabalho é o de iluminar e aquecer a nossa encosta, as nossas vinhas: estamos  de 250/300  metros acima do nível do mar, nas faldas da serra de Montedeiras,  que ficou tristemente famosa pelas andanças e façanhas do Zé do Telhado, e nomeadamente o assalto à Casa do Carrapatelo, em 8 de janeiro de  1852. 

Montedeiras fica no concelho de Marco de Canaveses, e tem altitudes que variam entre os 450 e os 650 metros...

E no passado dia 6, domingo, o pôr-do-sol foi às 19:57, mas em Candoz,  eu despedi-me dele cerca de uma hora mais cedo (estimativa minha, hora não documentada)... 

Em conclusão, perdi  nesse dia cerca de  uma hora e meia de sol direto...

Como me levantei cedo nesse dia, de resto como habitualmente, deu-me na veneta de o fotografar, minuto a minuto, e até fiz um vídeo de 2 minutos... Aqui fica uma seleção desses momentos em que o sol amigo nos diz "bom dia, cheguei para te iluminar e aquecer, a ti e a todos os bichos e demais seres vivos que te rodeiam"...


2. Com a ajuda da IA (ChatGPT) fiz o cálculo da posição do sol para as minhas coordenadas (41.1183 N, 8.1129 W): às 07:37, o sol estava aproximadamente:

  • 5,6° acima do horizonte astronómico
  • azimute ≈ 86°, ou seja, praticamente Este.

Portanto, a minha serra/horizonte nascente (parte do concelho de Baião) (a 3, 5, 5 km, em linha reta,  da minha janela ou varanda)  está a ocultar aproximadamente os primeiros 5–6 graus de altura do Sol. É precisamente o que será de esperar de uma casa encaixada numa paisagem montanhosa como a da Quinta de Candoz.

A fotografia das 07:37 é, portanto, uma excelente evidência de campo: a minha observação dos 34 minutos está perfeitamente dentro do que o cálculo astronómico prevê.

Menos rigoroso, porque não tenho fotografias recentes (e disponíveis aqui), é a estimativa de perda de sol direto ao fim da tarde.

Se a minha observação de que o Sol desaparece cerca das 19:00 estiver correta, então:

19:57 − 19:00 ≈ 57 minutos. Ou seja, perco quase uma hora de Sol direto ao fim do dia.

E  momento em que o sol desaparece por trás da minha encosta (a poente) ele ainda estará aproximadamente 10° acima do horizonte astronómico.

Isto significa que a serra de Montedeiras (o conjunto de relevos que tenho  a poente) funciona como uma verdadeira parede solar. "A serra engole o sol"...

Em conclusão, no passado domingo, o sol direto começu: ~07:37; e terminou: ~19:00. Perdi c. 90 minutos de sol direto.

Mas há uma distinção importante: não estou propriamente a perder “luz do dia” durante esses 90 minutos, mas sim "sol direto".

Às 07:20, por exemplo, já há claridade em Candoz (vd. foto nº 3), apesar de a serra impedir que os raios solares atinjam diretamente a nossa a casa e as nossas vinhas. E depois das 19:00 ainda temos crepúsculo, embora já não tenhamos o disco solar.

Em rigor, devo então dizer: “Em 6 de setembro, a orografia que rodeia a Quinta de Candoz retirou-me cerca de uma hora e meia de insolação direta: cerca de 35 minutos de manhã e cerca de uma hora ao fim da tarde.”

Neste último fim-de-semana, colhemos uvas com vamos fazer o vinho verde branco DOC Nita, Escolha, 2026, com 14 graus de álcool provável.

É uma ironia bonita: a mesma montanha que nos rouba sol, é também parte da paisagem que nos ajuda a obter este vinho, que continuamos a fazer por amor...

























Marco de Canavezes > Paredes de Viadores > Candoz  > 12 e 13 de setembro de 2026 > As primeiras vindimas...


Fotos (e legendas): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição:   Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Marco de Canavezes > Paredes de Viadores > Candoz  > 18 de setembro de 2020 > A nossa querida Nita (1947-2023), a "alma mater" da nossa quinta..


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Foto: Luís Graça (2020)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI. (2026)


3 comentários:

Anónimo disse...

Luís, lembrei-me, a propósito das voltas que deste em torno do Sol, do ti Zé Tamanqueiro, de MEDAS. Ele era primo do meu avô materno, tinham uma avó comum, a Jerónima. Era tamanqueiro por alcunha que herdara do seu avô paterno, esse sim, era tamanqueiro porque fazia tamancos para os mineiros do período do antimónio (1875/1910). Sucede que o ti Zé Tamanqueiro era pedreiro, mestre a levantar muros de xisto, nas divisórias de terrenos e a erguer casas com este mesmo material. Trabalhava com os filhos, de sol a sol. Então, quando trabalhava nos muros de delimitação da ribeira, no cavado vale da Quinta da Formiga, algum tempo depois de deixar de avistar o Sol, mandava o filho descalço, a correr até ao cimo do monte do lado Poente, para confirmar o momento em que ele se punha, na verdade. Só então largavam o trabalho, com o pão ganho.
Um grande abraço
Carvalho de Mampatá

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Pois, António, agora é tudo "fidalgo", como se diz aqui... Já ninguém se lembra do tempo da outra senhora em que, no campo (e até nas fábricas), os portuguesas trabalhavam de sol a sol...

antonio graça de abreu disse...

Na China há o bom costume de subir aos montes e montanhas para ver nascer o sol, sempre a Leste. O Oriente é vermelho. Em 1981 subi a Taishan, oito mil degraus e onze quilómetros de caminhada empinada, na mais famosa montanha da China, na província de Shandong, na companhia de uma linda mulher chinesa. Lá no alto, ao nascer o sol, a Yu Ping deu-me de beber em taças de nuvens.
Abraço,

António Graça de Abreu