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| O cmdt Alpoim Calvão numa tira da banda desenhada “Operação Mar Verde”, da autoria de A. Vassalo (ex-fur mil comando Vassalo Miranda, nosso camarada da Guiné), uma edição da Caminhos Romanos, 2012. |
1. Não sei sei se existiam "rivalidades" e "picardias" entre generais e almirantes das nossas Forças Armadas, no tempo da outra senhora....E, se existiam, qual o seu fundamento sociológico e histórico...
Bom, em relação à cavalaria e à infantaria, percebe-se: uns andavam a cavalo e outros a pé, pelo menos já desde o tempo do Dom Afonso Henriques... Mas não recuemos tantos séculos: com ou sem fundamento, já no meu tempo se dizia que as relações entre o Comandante-Chefe (general que vinha da arma de cavalaria) e o Comodoro (na altura o comandante da Defesa Marítima da Guiné era Lucianos Bastos, 1913-2017, embora também ele tivesse sido aluno do Colégio Militar) não eram as melhores (por causa Op Mar Verde, e do desempenho de Alpoim Calvão)...
Diferenças de personalidade ? Tiques de casta ? Não importa agora...
De qualquer modo, talvez se entenda melhor, hoje, esta piada do comandante Alpoim Calvão (1937-2014) em relação ao general (na altura brigadeiro) António Spínola (1910-1996), quando em maio de 1968 se conheceram no aeroporto, apresentados por um comum amigo...
E eu respondi:
−Não sei se é possível, porque eu tenho três grandes defeitos: primeiro, sou oficial de marinha; segundo, não sou de cavalaria; e não sou do Colégio Militar’.
Ficou um silêncio de morte, que ele quebrou ao rir-se à gargalhada, acrescentou o Alpoim Calvão. E adiantou ao jornalista:
Nota do editor LG:
2. Reprodução, com a devida vénia, de um excerto (adaptado) de uma entrevista de Alpoim Calvão ao jornal CM - Correio da Manhã, em que são referidos três homens que comandaram as NT no TO da Guiné e com quem o entrevistado trabalhou: Louro de Sousa, Arnaldo Schulz e António de Spínola.
A entrevista foi conduzida pelo jornalista José Carlos Marques (que eu conheci na Guiné, em março de 2008, como enviado do CM ao Simpósio Internacional dfe Guileje) e foi publicada em 7/10/2012.
Título e subtítulo: "O eterno guerreiro Herói da Guerra em África, Alpoim Calvão foi bombista do MDLP no Pós-25 de Abril. Conta em livro uma vida de batalhas"
(...) Pergunta o jornalista:
− Quando conheceu António de Spínola?
(...) Pergunta o jornalista:
− Quando conheceu António de Spínola?
− Conheci o então brigadeiro António de Spínola, que era o comandante-chefe e governador da Guiné, logo no aeroporto. Foi-me apresentado por um amigo. Ele estava como sempre, impecável no seu monóculo e casaco aprumado. Não suava, era uma coisa formidável. Disse-me ele:
− Senhor Comandante, espero que nos vamos entender muito bem.
− Senhor Comandante, espero que nos vamos entender muito bem.
E eu respondi:
−Não sei se é possível, porque eu tenho três grandes defeitos: primeiro, sou oficial de marinha; segundo, não sou de cavalaria; e não sou do Colégio Militar’.
Ficou um silêncio de morte, que ele quebrou ao rir-se à gargalhada, acrescentou o Alpoim Calvão. E adiantou ao jornalista:
− Fui colocado a comandar o COP 3 a Norte, em Bigene. Tínhamos uma actividade de assaltos, operações, golpes de mão, patrulhas nos rios… Além dos fuzileiros, tinha uma unidade do exército. Depois fiquei a chefiar as operações especiais no território.
− Spínola alterou a estratégia da guerra. O que mudou? − nova pergunta do jornalista.
− A guerra teve uma continuidade, mas Spínola tornou-se mais agressivo. Intensificou as operações, mas também o apoio às populações. No COP3 fartei-me de fazer casas que eram entregues aos nativos. As populações gostavam mesmo do Spínola. Ele aparecia de helicóptero, com o ajudante, fosse onde fosse. Tinha um certo carisma, aparecia com o monóculo, luvas, camuflados retocados pelo alfaiate, fazia figura.
− Spínola alterou a estratégia da guerra. O que mudou? − nova pergunta do jornalista.
− A guerra teve uma continuidade, mas Spínola tornou-se mais agressivo. Intensificou as operações, mas também o apoio às populações. No COP3 fartei-me de fazer casas que eram entregues aos nativos. As populações gostavam mesmo do Spínola. Ele aparecia de helicóptero, com o ajudante, fosse onde fosse. Tinha um certo carisma, aparecia com o monóculo, luvas, camuflados retocados pelo alfaiate, fazia figura.
E Alpoim Calvão faz a comparação com outros dois comandantes-chefes que conhecera antes no CTIG:
− Louro de Sousa era um bom oficial do Estado-Maior, mas não tinha jeito nenhum para comandar as tropas. Arnaldo Schulz era muito inteligente, mas levava as coisas com mais calma. Para Spínola, para a frente é que era o caminho. Com Schulz eu fazia operações no Sul da Guiné, em que entrava na Guiné-Conacri e ele chegou a suspender-me os movimentos para não criar problemas. Só pude realizar esse tipo de operações cinco anos depois, com o Spínola, que me deixava fazer tudo. (...)
(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, itálicos, título: LG)
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Nota do editor LG:
Último poste da série > 7 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27862: Humor de caserna (252): O anedotário da Spinolândia (XXIV): Na "cidade" em construção de Nhabijões, com o comandante dos fuzileiros "encallhado" no rio Geba (Jorge Mariano, ex-alf engenheiro químico, BA 12, Bissalanca, jan 71/out 72)

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