
Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 20 de Abril de 2026:
Queridos amigos,
Quero lembrar os meus confrades que pelo menos aos domingos a visita é gratuita para todos e em todos os casos para os ex-combatentes, Palácio e Jardins. Procurei passar em revista os espaços essenciais merecedores de visita, numa amplitude onde procurei inserir o valor arquitetónico, escultórico, as belas artes, não escapando a valiosíssima coleção de cerâmica e porcelana, pondo ênfase nas obras de conservação e restauro da capela real; os jardins, em toda a sua escala, bem como as estufas reais, têm sido primorosamente alvo de conservação e restauro, é evidente que se irá gastar uma fortuna para melhorar a conservação do canal de azulejos, também ele objeto de extremos cuidados, mas o tempo foi inclemente. Dá gosto encontrar tão grande harmonia entre o Palácio Real e os formosos jardins.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (254):
No Palácio Nacional de Queluz, para ver as obras de conservação e restauro - 2
Mário Beja Santos
Continuamos a visita a este Palácio que não pode deixar de nos fascinar pelo que tem de imponência e exuberância nos seus detalhes arquitetónicos – muita majestade para suas majestades. Recordo que o Infante D. Pedro, senhor da Casa do Infantado, futuro Rei D. Pedro III (por casamento com D. Maria I) encarregou o arquiteto Mateus de Vicente de Oliveira de ampliar o que se chamava “Paço Velho”, tudo começara com a Casa de Campo de Queluz, as obras encomendadas por este Infante D. Pedro datam de 1747. Em 1760, com o anúncio do casamento de D. Pedro com a princesa D. Maria com o irmão do rei D. José, iniciam-se obras para transformar este local num espaço de lazer e entretenimento, foi assim que se rechearam sala de aparato como a Sala do Trono ou a Sala dos Embaixadores.
Incendiada a Real Barraca da Ajuda em 1794, o Palácio de Queluz tornou-se residência oficial da rainha D. Maria I, aqui vão também viver os príncipes regentes, D. João (futuro D. João VI) e D. Carlota Joaquina. O Palácio foi habitado em permanência até à partida da Família Real para o Brasil. No seu regresso, a habitação real é intermitente, D. Carlota Joaquina viverá aqui em regime de semiexílio (era declaradamente antiliberal) aqui morrerá D. Pedro IV, no quarto chamado D. Quixote, onde nascera. Recordo igualmente que este Palácio foi classificado Monumento Nacional em 1910 e que a partir de 1957 o pavilhão D. Maria I, ala nascente deste Palácio, passou a ter funções de residência dos Chefes de Estado estrangeiros em visita oficial a Portugal.
A gestão deste monumento pela Parques de Sintra tem sido muito bem sucedida em todos os seus projetos de conservação e restauro, nomeadamente pondo os jardins históricos numa ligação harmoniosa entre a paisagem e a arquitetura palaciana, sente-se perfeitamente essa harmonia passando dos jardins junto dos canais por onde passa a Ribeira do Jamor para o patamar superior, que prima por belos lagos e esculturas.
O Corredor dos Azulejos é também chamado Corredor das Mangas, numa alusão às mangas de vidro que protegiam as velas que se presume terem sido aqui guardadas.
Trata-se de uma sala revestida a azulejos, representando as estações do ano, os continentes, cenas da mitologia clássica, singeries (representações de cenas com macacos), chinoiseries e cenas de caça.
Pormenor da bela Sala dos Embaixadores
Cómoda-papeleira com alçado, Itália, Piemonte, cerca de 1740
Retrato do rei D. Pedro IV representado com o uniforme de Coronel do Batalhão de Caçadores n.º 5, que comandou durante a Guerra Civil Portuguesa.O Canal de Azulejos, por onde passa a Ribeira do Jamor, tem uma extensão de 115 metros e atravessa os jardins de Queluz, de norte para sul.
Aqui erguia-se outrora a Casa do Lago, também chamada Casa Chinesa ou Casa da Música. Neste pequeno pavilhão tocavam, nas tardes de Verão, os músicos de câmara da Rainha, enquanto a Família Real e a corte se passeavam de barco sobre as águas tranquilas (represadas por um sistema de comportas), apreciando as paisagens fantasiosas dos grandes painéis de azulejos, concebidas a partir de gravuras, representando portos de mar e paisagens variadas.
À noite, ao longo do canal, acendiam-se archotes em forma de cornucópias de talha dourada.
Pormenor do Jardim da Barraca Rica. Esta barraca ficou concluída em 1757, hoje desaparecida, era o elemento central deste jardim, outrora prefusamente decorada com estatuária em chumbo. Construída em madeira, a Barraca Rica compunha-se de sete pequenas divisões revestidas de damasco, com espelhos, tremós e talha dourada. Nesta zona localizam-se hoje três dos mais notáveis grupos escultóricos em chumbo da oficina londrina John Cheere: Caim e Abel, Eneias e Anquises e o Rapto de Perséfone.
Caim e Abel
Esplendor da arquitetura e da escultura, jardinagem formosa, o topo da harmonia
Duas obras-primas do jardim do patamar superior, as esculturas de chumbo de John Cheere foram muito bem restauradasO Jardim Botânico do Palácio Nacional de Queluz foi construído entre 1769 e 1780, sendo contemporâneo das grandes realizações setecentistas do período barroco-rococó nos Jardins de Queluz. De pequena escala, quando comparado com outros jardins botânicos desta época, Queluz assume uma natureza de entretenimento e recreio. Também designado Jardim das Estufas, este era o espaço onde no reinado de D. Pedro III se plantavam ananases, um dos frutos mais apreciados pela família real. Esta zona estava ornamentada com lagos, bustos e estatuária.
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Nota do editor
Último post da série de 2 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P27981: Os nossos seres, saberes e lazeres (733): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (254): No Palácio Nacional de Queluz, para ver as obras de conservação e restauro - 1 (Mário Beja Santos)













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