Timor Leste > Fevereiro de 2018 > Escola São Francisco de Assis (ESFA), em Boebau, Manati, Liquiçá, inaugurada em 19 de março de 2018. E os difíceis acessos a Boebau (na foto nº 2, o Rui Chamusco teve de se apear da moto, ei-lo em segundo plano, à frente da moto e do condutor). Sáo cerca de 50 km, de Dili até Boebau, na montanha, que podem demorar 4 a 5 horas, na época da monção. Entretanto foi comorada uma viatura com tração âs quatro rodas... E os melhores têm vindo a melhorar...
Foto da página do Facebook da ASTIL - Associação dos Amigos Solidários com Timor Leste (com a devida vénia...)
1. Estamos a publicar excertos das crónicas da III Viagem (2019) (*), de Rui Chamusco a Timor Leste (fazem parte de um ficheiro em pdf, de 273 páginas, com todas as suas crónicas de viagem àquele país lusófomo, desde 2016, e que ele disponibilizou aos membros da ASTIL e demais amigos, em 28 de maio de 2025).
Já publicámos excertos das crónicas da I viaggem (2016), II (2018) e VI (e última) (2025). Depois meteu-se a pandemia, e o Rui só voltou a Timor Leste em 2023 (IV viagem), e anos seguintes: 2024 (V viagem) e 2025 (VI viagem). Este ano de 2026, irá por razões de saúde.
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| Fundadores: Rui Chamusco, Glória Sobral e Gaspar Sobral |
É também uma forma de a gente não se esquecer dos timorenses..., para que os timorenses, por sua vez, não se esqueçam de nós. Ser solidário com quem é solidário é também uma das nossas formas de ser estar dos amigos e camaradas da Guiné, alguns dos quais também são amigos de Timor-Leste.
O Rui é membro da Tabanca Grande ( nº 886), de 10 de maio de 2024. E preside à ASTIL - Associação dos Amigos Solidários com Timor-Leste. com sede em Coimbra. O João Crisósto,o,. o "nosso régulo" da Tabanca da Diáspora Lusófona, é também membro da ASTIL, fundada por Rui Chamusco, Gaspar Sobral e Glória Sobral.
Crónicas da III viagem a (e estadia em) Timor Leste (janeiro- abril 2019): semana de 17 a 23 de fevereiro
por Rui Chamusco
Hoje, domingo, dou comigo a pensar no outro lado do mundo, mais concretamente nos territórios que frequento: Malcata, Sabugal, Lourinhã. A estas horas oiço os sinos a tocar, vejo as pessoas apressadas a caminho da igreja, espreito os homens na Torrinha pondo as conversas em dia.
Dizem que no Sabugal, o domingo é o dia mais morto da semana, porque lhe falta a maioria da juventude das escolas, mas sei que por lá também os sinos tocam ao domingo e as pessoas são devotas e vão às igrejas.
Já na Lourinhã, ouço o ruído das ondas, vejo o frenesim da gente que enche os
supermercados para se aviar, sinto o prazer de tomar um café na praia e de curtir algum tempo ao sabor do sol e da brisa do mar.
Neste outro lado do mundo, em Ailok Laran-Dili, é um regalo ver quem passa, crianças, jovens e alguns adultos bem anafaiados porque vão à catequese e à missa.
Muita juventude que, crente nos ensinamentos que lhes transmitem, procura nas celebrações religiosas ocasião para manifestar a sua fé, rezando mas sobretudo cantando. E mesmo que a fé que temos não seja mola suficiente para nos levar a esses locais, muitas vezes por comodismo, vale bem a pena aproximarmo-nos para ouvir e saborear os seus cânticos, as suas melodias e harmonias.
E, porque hoje é domingo, estamos em sintonia e em sinfonia, graças à música, com os dois lados do mundo, com o universo...
17.02.2019 - Ai haunek e a malária
Esta tarde aprendi mais uma receita., para combater a malária. Mesmo em frente, de quem olha da varanda da casa (em construção) vê-se uma árvore de grande porte, que por isso mesmo ressalta aos nossos olhos. Quis saber que árvore é aquela. E entao o Eustáquio deu-me uma verdadeira lição sobre a mesma. Chama-se Ai haunek, e produz kerosina.
Antigamente faziam-se pratos da sua madeira. Os rebentos novos das folhas cozem-se e podem ser acompanhadas com arroz. A casca do tronco é cozida e o chá daí resultante é bebido para combater a malária.
Tantos ensinamentos, a partir de uma boa utilização da natureza. E nós a pensar que já sabíamos tudo! Vai lá, vai...
18.02.2019, segunda feira - Estes “pequenos heróis”!...
Esta tarde, junto ao Pateo, encontramos algo que aqui em Dili é habitual. Um senhor de pequena estatura, carregando aos ombros creio que dez frutos de kulo, tentando vender a sua mercadoria. Cada fruto pesa no mínimo uns seis quilos, que multiplicado por dez vai aproximadamente para os cinquenta quilos.
Era impressionante olhar para esta figura franzina com tanto peso às costas. De modo que disse ao Gaspar para lhe comprarmos um fruto a fim de aliviarmos o homem.
Pediu dez dólares, mas vendeu por cinco. Em curta conversa ficamos a saber de que, este “pequeno herói” veio assim carregado desde Dare, que fica a três-quatro quilómetros daqui, e assim tem passado o dia vergado ao peso deste apreciado fruto que mais parece uma grande pinha.
Despediu-se de nós profundamente reconhecido pelo nosso gesto, com pequenas vénias e palavras onde os seus olhos diziam tudo. Que sacrifícios esta gente passa para poder ter uns dólares no bolso...
Faz hoje 69 anos que o Gaspar veio ao mundo, logo de madrugada, o segundo de sete irmãos desta grande família Sobral. E por morte do irmão mais velho, o José Sobral, Gaspar é neste momento respeitado como o chefe deste clã familiar.
Foi preciso que os outros, eu incluído, se lembrassem desta efeméride, porque o
Gaspar nem se lembrava que fazia anos. Então logo de manhã, ao sair do seu quarto,
lá estava eu a cantar-lhe os parabéns e a dar-lhe um abraço apertado.
Não sei se durante o dia se lembrou mais alguma vez de que faz anos no dia 18 de Fevereiro. Aparentemente não. Mal sabia ele o que lhe estava preparado logo à noite, após a nossa chegada de Dili. Um bolo de anos personificado, também com as velas 69, com champanhe e tudo,
e boa parte da família a festejar o homenageado.
Durante a tarde, eu, o Eustáquio e a Adobe (sua mulher), fomos às compras e, mesmo viajando connosco, o Gaspar de nada desconfiou. Por isso nada estranho a sua euforia quando, em direto para Portugal, mostrava à Glória (mulher) e à Bene (filha) o ambiente festivo que aqui se estava a viver.
Pois é meu amigo! Os amigos são para as ocasiões. E fazer 69 anos de vida só acontece uma vez. Muitas felicidades e muitos anos de vida!...
18.02.2019 - a fúria da Ribeira Malôa
Em tempo de inverno, quase todos os dias chove em Timor. Esta tarde foi mais uma das chuvadas habituais. Mas eis que sou alertado para ir ver a ribeira Malôa que passa aqui mesmo ao lado.
Impressionante! Como é que, com mais ou menos uma hora de chuva, se acumulou tanta água no leito desra ribeira, que está quase sempre seca? Mas a prova estava à vista. Dos lados de Dare, vinha correndo com tanta força, aos turbilhões, que ninguém ousava qualquer desafio ou brincadeira. Era perigoso demais. De modo que todos nos limitávamos a ver e a comentar. Por acaso consegui documentar a situação fazendo pequenos videos no meu iphone.
À noite, vimos a ribeira que atravessa a cidade de Dili, já com o seu caudal mais suave, mas mesmo assim impressionante. E se há males que vêm por bem, esta enxurrada de hoje teve o condão de limpar todo o leito desta ribeira, que normalmente está cheio de porcaria, nomeadamente plásticos e latas.
Claro que todo este lixo teve que ser despejado nalgum lado. E está-se mesmo a ver que esta lixeira foi para o mar. Infelizmente continuamos a entupir os oceanos. Tão mal que tratamos o mar!...
18.02.2019 - Encontro de amigos
Pela segunda vez combinamos encontrar-nos: eu, o Rui Pedro [o comandante de fragata Rui Pedro Ferreira, destacado em Timor-Leste, em serviço durante um ano, e que tem ascendentes com origem em Malcata, Sabugal], o Gaspar, o Eustáquio num pequeno restaurante à beira mar, em jantar (peixe assado, claro está!) e sobretudo em amena conversa que nos une e motiva a nossa presença neste canto do mundo.
Tudo veio à baila: histórias de família, ligações com Malcata, andanças de cada um, sobretudo do Gaspar. Perguntou-lhe o Rui Pedro "como é que foi a ter a Malcata?” E então o Gaspar, que nasceu em Timor, percorreu uma boa parte do mundo para tentar explicar a sua aterragem em Malcata, Sabugal: Lisboa, Angola, Lisboa, Castelo Branco, Fundão, Sabugal, Malcata, Coimbra... Claro que o Gaspar demorou muito mais tempo a explicar.
E para não faltar nada, uma chamada de Portugal para o iphone do Rui Pedro: A
Susana, sua namorada. Tivemos o prazer de nos conhecermos a tantos quilómetros de distância. Desejo-vos todo o bem do mundo porque, pelo que me apercebi, vocês são duas pessoas extraordinárias.
É de salientar, sempre que nos encontramos, a paixão e o entusiasmo com que todos falamos de Timor, das suas gentes, e dos projetos que cada um tem em mãos e tenta pôr em ação. Aprendemos sempre muito uns com os outros. Por isso tenho a certeza de que estes pequenos encontros irão continuar.
19.02.2019, terça feira - As obras da casa do Vitor
Hoje poderemos dizer que é o princípio da reconstruçaõ da casa do Sr. Vitor, ainda
que os primeiros trabalhos sejam de destruição. Com efeito, depois de uma visita ao local, onde podemos falar com os principais intervenientes, os filhos do Vitor (o
Francisco até é pedreiro), chegou-se à conclusão de que a primeira coisa a fazer seria abater uma árvore, a manga que ocupa boa parte do terreno destinado à reconstrução.
Feito o negócio com um cortador profissional, procedeu-se de imediato ao corte,
A seguir virão as carradas de pedra e de areia que lhes permitirá fazer a base. Então
para que se saiba, o acordo ficou assim: a Astil, através de doações de alguns sócios e outros amigos mais sensabilizados que contribuiram expressamente para esta obra, suportará as despesas dos materiais, e os filhos e amigos da família Vitor oferecem a mão de obra.
Foi-nos dito pelo filho Francisco que, se os materiais não faltarem, mais ou menos daqui a três meses a casa estará pronta, em condições de ser habitada.
Neste momento uma grande chuvada, com trovoada e tudo, está descarregando aqui, em Ailok Laran. Mas a grande árvore já está no chão, e acredito que a boa vontade dos que estão envolvidos neste caso irá fazer com que a obra avance. De todas as formas, cá estarei eu para impulsionar esta obra solidária e para vos transmitir as notícias relativas à mesma.
20.02.2019, quarta feira - Notícias matinais
Depois da chuvada torrencial de ontem à tarde ficamos com alguma apreensão do que teria sucedido por este país fora. Logo de manhã, não tardaram algumas notíciasarrasadoras. Na estrada entre Tibar e Liquiçá, um avião bimotor, talvez um taxi do governo pois ostenta na sua cauda a bandeira timorense, está, aparentemente sem consequências trágicas, embatido, notando-se bem os estragos nas suas asas depois de uma aterragem forçada.
Em Comoro, na zona circundante da praia, um bis / bus ( pequeno autocarro que
transporta pessoas e bens para as terras mais distantes) foi arrastada pela corrente da ribeira Maloa, causando o pânico nos seus ocupantes e em todos os que de fora
presenciavam o acontecimento. A preocupação e a curiosidade de todos era saber se tinha havido vítimas e quantas. E perante tanta ansiedade o jornalista que comentava a reportagem informou: “não houve vítimas.” Houve sim um grande susto, e possivelmente a perda de alguns bens que, como bem sabemos, são transportados sem o mínimo de condições de segurança.
Pois é! Ninguém brinca com as forças da natureza... E todo o cuidado é pouco...
23.02.2019, sábado - A caminho de Boebau
Sempre que se toma a decisão de ir a Boebau há um certo frenesim e um nervoso
miudinho em preparar as mochilas e o meio de viajar. O mais comum é o “motor”
(motorizada). Mas tudo serve: motor, carreta, anguna... Só de avião ou de barco não se pode lá chegar.
Hoje a partida de Ailok Laran, pelas 16.00 horas, foi em tres “motores”:
Bartolo+Gaspar, Venâncio+Rui, Akesu+ Adobe. Chegamos às 18.30 horas. Tivemos muita sorte, porque durante a viajem não choveu, coisa que aconteceu cinco minutos depois de arrivarmos. Tudo bem, embora convenhamos que, com setenta e dois anos em cima, esta viagens deixem as suas marcas e maselas corporais. Vale-nos ao menos a boa vontade, mas vamos lá a ver até quando esta massa corporal suportará estas agruras.
Timor Leste > Liquiçá > Manati > Boebau > 2024 > Escola de
São Francisco de Assis (ESFA) , que celebrou o seu 6º aniversário (e o acesso, desde Díli também já melhorou)... Mas erguer paredes é sempre o mais fácil... É preciso agora assegurar o seu futuro... e essa tem sido a preocupação maior do Rui Chamusco e dos demais membros da ASTIL que apoiam e financiam o projeto (incluindo o pagamento do pessoal docente e auxiliar). Em 2019 ainda não havia a casa dos professores, o que já há.
Foto (e legenda): © Rui Chamusco (2024). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
23.02.2019 - Sabores e dissabores
O dia de hoje foi destinado particularmente a inteirar-nos da situação da escola, ouvindo alguns dos seus agentes para podermos tirar algumas conclusões que ajudem a resolver alguns conflitos.
Não tem sido fácil tomar decisões, pois uma das partes não apareceu na reunião previamente convocada. Temos muitas questões a esclarecer, mas estou convencido que com a boa fé e a vontade de todos tudo se resolverá.
Neste momento, das 75 crianças inscritas só 40 crianças do ensino pré escolar frequentam a escola São Francisco. Todas as outras foram matriculadas na escola de Kilo, que é a escola mais próxima. Há uma certa revolta dos pais destas crianças porque se sentem enganadas. Disseram-lhes que esta escola era para os seus filhos, e afinal têm que frequentar a outra escola. Claro que a solução não está nas nossas mãos, ainda que procuremos junto de instituições e particularmente junto do ministério de educação timorense, ajuda e resolução destes problemas.
Mas neste momento, a Astilbm não tem capacidade para motivar e pagar a professores que queiram lecionar em Boebau. Ainda não podemos oferecer condições mínimas de habitabilidade a professores voluntários ou contratados. A Escola de São Francisco de Assis tem o estatuto de ensino privado / particular. E embora estatutariamente contemple o ensino pré-escolar e o ensino primário (ensino básico), ainda não temos capacidade de resposta para todas as necessidades desta famílias e destes alunos.
Por outro lado, custa-nos a entender alguma ingerência do ensino público, na pessoa da professora Rita, no nosso ensino que é particular / privado. Ainda não percebemos porque aparece esta professora como coordenadora da nossa escola. Vamos tudo fazer por esclarecer esta situação.
Como se vê, há problemas em todo o lado. Compete-nos tudo fazer por resolvê-los... e encontrarmos soluções adequadas.
23.02.2019 - Amanhã é dia de festa...
Esta tarde há alguma azáfema em preparar a receção aos visitantes. Uma visita pré- anunciada e muito esperada: o Padre frei Fernando Alberto, provincial dos missionários capuchinhos em Portugal, o frei Tinoco, da fraternidade dos capuchinhos de Tíbar, e o Rui Pedro, comandante de fragata em serviço em Timor Leste vêm cumprir a promessa que me fizeram: visitar a Escola de São Francisco em Boebau / Manati.
Do programa consta a celebração da missa dominical, que aqui, por sorte, tem lugar uma vez por ano. Também a igreja abandona os seus fiéis. Por o ascesso é difícil; porque não há padre; porque... Razões esfarrapadas a quererem justificar atitudes comodistas.
Por isso amanhã será dia de festa, e tudo se prepara para que assim seja. Não há igreja, não há sinos a badalar, mas esta gente já espalhou a notícia por todo o lado. Um bom grupo de voluntãrios estão preparando devidamente o local. As canas enormes de bambú e as lonas que as sobrepôem já são visíveis. E amanhã de manhã se fará o resto.
(Continua)
(Revisão / fixação de texto, negritos, parêntyeses retos: LG)
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Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 27 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27957: III Viagem a Timor-Leste: 2019 (Rui Chamusco /ASTIL) - Parte II: semana de 10 a 16 de fevereiro: a promiscuidade do... jardim do Éden
(i) Para os timorenses (ocupação indonésia, 1975–2002)
Liquiçá tornou-se um símbolo de sofrimento sobretudo por causa do que aconteceu em 1999, já no fim da ocupação indonésia. A chamada Massacre de Liquiçá ocorreu em abril desse ano, quando milícias pró-indonésias, com apoio ou tolerância de setores das forças de segurança, atacaram civis que se tinham refugiado numa igreja. Houve dezenas de mortos (o número exato continua debatido, há quem fale em duas centenas), e o episódio ficou como um dos mais marcantes da violência que antecedeu o referendo de independência organizado pela ONU.
Esse período insere-se na mais vasta ocupação indonésia de Timor-Leste, que causou enorme destruição, deslocamentos forçados e perda de vidas. Por isso, Liquiçá permanece um lugar de memória dolorosa para muitos timorenses.
(ii) Para os portugueses (II Guerra Mundial, 1942-1945):
Durante a Segunda Guerra Mundial, Timor, terriotório sob administração portuguesa, foi invadido pelo Japão em 1942, apesar da neutralidade de Portugal. Em consequência da ocupação japonesa de Timor, militares portugueses e civis foram capturados e internados.
Liquiçá foi um dos locais onde existiram campos de internamento e onde passaram prisioneiros portugueses (e também outros, incluindo timorenses e aliados). As condições eram duríssimas ( fome, doença e trabalho forçado) e muitos não sobreviveram. Embora não seja o único local associado a esse sofrimento (Aileu é também lembrado pelo massacre de 1/10/1942, perpretado pelas "colunas negras"),
Liquiçá também faz parte das nossas geografias emocionais.



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