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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P27999: (De) Caras (249): Duas referências na história da capelania militar no CTIG: Bártolo Pereira (QG/CTIG, Bissau, 1965/67) e Arsénio Puim (CCS/BART 2917, Bambadinca, 1970/71)


Dedicatória do autor: "Ao amigo Puim, ex-companheiro das terras da Guiné, com simpatia e amizade, oferece o Pe. Bártolo"


Capa do livro do padre Bártolo  Pereira, edição de autor (Vila do Conde, 2025, 120 pp.). A capa é de Joaquim António Salgado de Almeida. Depósito legal nº 548769/25. Não tem ISBN. Impressão: Gráfica São João, Fajozes, Vila do Conde. (*)


(n. 1935). Vive em Vila do Conde.
Foto: Virgínio Teixeira (2025)



Arsénio Puim (n. 1936):  ilhéu, açoriano de Santa Maria,  ex- sacerdote católico, ex-capelão militar,  foi autarca, enfermeiro do SRS dos Açores, e jornalista; é  escritor,  pai, avô, amigo, cidadão do mundo. Foto: Gualberto Passos Marques (2009) (**)


1. Em conversa, por email, com o Virgílio Teixeira, e tendo em conta que o nosso grão-tabanqueiro Arsénio Puim ia comemorar os seus 90 anos (!) em 8/5/2026, sugeri que o livro do Pe. Bártolo Paiva Pereira sobre os capelães militares na guerra colonial (*), poderia ser uma bela (e merecida) prenda de aniversário.

O Virgílio, que é seu vizinho, falou com o autor que, amavelmente, se prontificou a oferecer ao Puim um exemplar com dedicatória. 

Recebi cópia da dedicatória em 18/1/2026, e o livro foi entretanto posto há uma semana e tal no correio, pelo Virgílio Teixeira, e já deve ter chegado, a esta hora, a Vila Franca do Campo, São Miguel, Açores, onde vive o nosso camarada e amigo Puim, natural de Santa Maria e que, entretanto, depois de abandonar o sacerdócio, fez carreira como enfermeir0 no Serviço Regional de Saúde dos Açores (SRSA).

Os dois antigos capelães não se conhecem pessoalmente, mas são da mesma geração (o Puim ligeiramente mais novo, meia dúzia de meses), e passaram ambos pelo TO da Guiné, embora em épocas diferentes e no desempennho de papéis diferentes:
  • o padre Bártolo Pereira como capelão-chefe do serviço religioso do CTIG, graduado em capitão, entre dezembro de 1965 e fevereiro de 1968, ao tempo do governador e com-chefe gen Arnaldo Schulz;
  • o Arsénio Puim como alferes graduado capelão (BART 2917, Bambadinca, mai 1970 / mai 1971), ao tempo do governador e com-chefe, gen António Spínola. 
Apreciei o gesto do Pe. Bártolo (que, de resto, ainda não é membro da Tabanca Grande, mas volto a reiterar o convite que já lhe fiz, através do Virgílio Teixeira, a quem também estou grato pela sua "intermediação"). 

O Arsénio Puim e o Bártolo Pereira são duas referências na história da capelania militar (**). Podem não ter exatamente a mesma visão da experiência dos nossos capelães neste período conturbado da nossa história (mas também da Igreja Católica Poertuguesa). Mas são homens,  cristãos e portugueses que se respeitam.

Depois de dar, pessoalmente, daqui umas horas, os parabéns ao Arsénio Puim, vou-lhe pedir para escrever duas palavrinhas ao Bártolo Pereira e ao Virgílio Teixeira.

 O nosso blogue cumpre assim a sua missão de ser ponte entre todos os camaradas e amigos da Guiné. E oxalá os três ainda possam vir a conhecer-se pessoalmente. E eu, no meu caso, conhecer o Pe. Bártolo, hoje major  graduado capelão do Exército portuguès, na situação de reforma. 

Para todos, saúde e boa continuação da caminhada pela picada da vida.
_______________

Notas do editor LG:


(**) Vd. poste de 8 de maio de 2025 > Guiné 61/74 - P26778: Diálogos com a IA (Inteligência Artificial) (2): camarada Arsénio Chaves Puim, o que o "Big Brother" sabe sobre ti!... Nada, entretanto, que gente não soubesse já... Afinal, a tua vida é um livro aberto (Luís Graça, Abílio Machado e Gemini IA/Google)

(**) Último poste da série > 10 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27906: (De) Caras (248): Jorge Moisir Pires, ex-alf mil mec auto, CCS / BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) (Ernestino Caniço, ex-alf mil cav, Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa, e Rep ACAP, Bissau, 1970/1971)

4 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Virgílio, manda um alfabravo para o nosso veteraníssimo Bártolo. E diz-lhe que que ele fica bem ao nosso lado. Não é o Panteão Nacional, não é o céu, é apenas um cantinho acolhedor na Web, que se chama Tabanca Grande, onde todos cabemos, os amigos e camaradas da Guiné.

Ainda não telefonei ao Puim.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Falei hoje, uma hora, com o nosso aniversariante. Está ótimo. De voz e ouvido. E não se queixa da saúde. E com uma notável memória. Relembrámos factos, lugares, datas, gentes... Quem ainda está vivo, quem já morreu, do tempo de Bambadinca...Façlámos do Benjamim Durães, do cap Gualberto Magno Santos Marques (cmdt da CCS, agira coronel, a viver no Algarve), do Abílio Machado, do Abel Rodrigues (CCAÇ 12), da Helena e do Carlão (já falecido), do Gonçalves...Bem do Victor Marques, cmdt do Xime (já falecido), do David Guimarães ("que cantava o fado e tocava viola", no Xitole), do Jorge Cabral(já falecido)... e de outros. Sem esquecer o primeiro Brito, do major Anjos de Carvalho, do major Barros Basto, do ten-cor Polidoro Monteiro...(já todos falecidos, se não erro).

Inevitavelmente falámos do triste episódio da sua expulsão, em maio de 1971. Aproveitei para clarificar um ou outro facto, ainda para esclarecer, confirmar e corrigir.

Já tinha recebido e folheado o livro, com a dedicatória, que lhe mandámos (o autor, Padre Bártolo, o Virgílio Teixeira e eu). Ficou sensibilizado e vai agradecer. Falei-lhe do padre Bártolo, que foi capelão-chefe, no QG/CTIG, de 1965/67, tendo-lhe sucedido, no cargo, o padre Manuel Joaquim da Silva Capitão (1968/7'0) e depois o padre Gamboa (fev 1970/ mar 1972).

Este é que foi o chefe do Puim, que de resto só vai estar no CTIG, um ano (mai 70/mai71).

É no tempo do capelão-chefe Gamboa, major graduado, em meados de 1970, que se realiza em Bissau e Bolama (2 dias) um encontro de capelães, onde houve alguma discussão acesa sobre o papel dos capelães naquela guerra. Os capelães foram recebidos pelo gen Spínola que aproveitou para mostrar o seu descontentamento em relação a alguns capelães que "não estavam a cumprir o seu dever" (devia querer fazer referència ao caso do Padre Mário de Oliveira, que apenas esteve 4 meses, em Mansoa, até ser expulso do CTIG, em março de 1969, ainda no tempo do gen Arnaldo Schulz). O Puim estava longe de imaginar que, dali a meses, em maio de 1971, seria a sua vez de regressar a casa, ou seja, à sua paróquia...

Mais uma vez obtive a confirmação do Puim em relação ao ques e passou na "homilia da paz", de 1/1/1971: nunca foi preso ou interrogado pela PIDE/DGS, nem no início do ano de 71, nem em maio, em Bambadinca, nem em Bissau, enquanto aguardou embarque, nem em Lisboa, nem nos Açores.

Naturalmente, já tinha ficha na polícia política. (A PIDE/DGS no final timnha um arquivo de 5 milhões de fichas, o que diz muito da eficiència do seu trabalho).

Quem fez o trabalho da PIDE/DGS, em Bambadinca, para além dos "informadores" que lá havia (civis e militares), foram dois oficiais superiores, do comando do BART 2917. Devassaram o seu quarto, apreenderam o seu bloco de notas, rasgaram uma folha que entenderam ser "comprometedora"... Tinha à espera uma DO-27, para a qual o Puim se encaminhou sozinho, sem escolta, sem amigos, sem camaradas, sem abraços, sem lágrimas...

Apesar de tudo, e como bom cristão que continua a ser, há muito que perdou a quem lhe fez mal. Mas não esquece.

Anónimo disse...

Claro que não se esquece quem nos atraicoou.
É do ADN!
Luís e Padre Puim,
Os meus parabéns pelos 90 anos!
O padre BARTOLO fez em Setembro de 2025 e com uma grande homenagem.
Vou mostrar tudo isto ao padre BARTOLO no nosso encontro habitual aos domingos de tarde num salão de chá mesmo por baixo da casa dele.
E volto a esclarecer que ele não usa email nem Google nem redes sociais.
Há duas semanas vi ele atender o seu telemóvel. Da geração inicial.
Só dá para chamadas ele nem mensagens faz!
Por isso é que eu não insisto na sua entrada para
A tabanca grande!
Ele nunca iria ler nem escrever nada.
Passa muito tempo a ler e escrever, e tem o seu círculo de amizades antigas onde participa, mas com os pés debaixo da mesa e é um bom garfo.
Ao almoço.
De tarde na cafetaria só bebe um chá e aí deitar come fruta.
Sabemos disso pela irmã, mais nova que conhecemos e nos conta a sua sua vida diária. É ela que ajuda na casa dele.
Não me consta que vai lá outra gente...
Abraço
Virgílio Teixeira
Dia 8 de Maio de 2026

Anónimo disse...

Em tempo.
Passa o tempo a ler e escrever, mas com caneta, não usa computador.
Vt