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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28002: Blogpoesia (811): "A Mulher Grande lá do Canchungo", por Albino Silva, ex-Soldado Maqueiro

1. Mensagem do nosso camarada Albino Silva, ex-Soldado Maqueiro da CCS/BCAÇ 2845, Teixeira Pinto, 1968/70, com data de 5 de Maio de 2026:

Boa noite Carlos Vinhal
Como gosto destas coisas, aqui envio para a Tabanca Grande este elogio às mulheres grandes lá do Canchungo.
São verdades estas que escrevo, e como continuo a pensar que ainda ando pela Guiné, não esqueço nem um pouquinho daquilo que por lá vivi. Hoje é pela segunda vez que escrevo sobre a Mulher Grande, referindo-me às Balantas do Canchungo.

Vai um Abraço para toda a Tabanca em Especial para os Régulos
Albino Silva



A MULHER GRANDE LÁ DO CANCHUNGO

1

A Mulher Grande do Canchungo
que muito eu admirava
em Tabancas onde passei
Mulher Grande trabalhava.

2

Em sua Tabanca vivia
com filhos para sustentar
e assim aquelas Balantas
andavam sempre a trabalhar.

3

Por entre todas as Tabancas
aquelas onde viviam
limpavam tudo em redor
e todo aquele chão varriam.

4

Mulher Grande do Canchungo
a vianda cultivavam
descalças no meio da lama
o arroz que plantavam.

5

Mulher Grande do Canchungo
pelas matas caminhavam
depois levavam à cabeça
toda a lenha que apanhavam.

6

Como lá havia tropa
elas também procuravam
quem lhes desse suas roupas
que elas tão bem a lavavam.

7

Também tinha lavadeira
que sempre tratei com carinho
todos os meses lhe pagava
e ainda lhe dava mésinho.

8

No Canchungo lá havia
a bolanha com peixe do bom
desde o camarão as ostras
e até mesmo o berbigão.

9

Sempre que havia maré
peixe bom por lá entrava
e então a Mulher Grande
na pesca esse peixe apanhava.

10

Era mesmo na Bolanha
e quando a maré lá dava
Mulher Grande ia ao peixe
e até a bajuda apanhava.

11

Carregavam à cabeça
toda a sua pescaria
e sei lá quantas as vezes
que daquele peixe comia.

12

Admirava aquela gente
Gente humilde sem vaidade
era assim pelas tabancas
sempre longe da cidade.

13

Eu lidei com essa gente
cumpri bem o meu dever
e da Mulher Grande do Canchungo
eu jamais as vou esquecer.

14

Tão simples que elas eram
sem vaidade assim viviam
e quem as tratasse bem
elas tudo nos faziam.

15

Quando eu ia para a Psico
por muitas Tabancas andei
não falo para me gavar
mas muita Mulher curei.

(continua)
_____________

Último post da série de 1 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27877: Blogpoesia (810): "Dia de enganos", por Adão Cruz, ex-Alf Mil Médico da CCAÇ 1547 / BCAÇ 1887 (Canquelifá e Bigene, 1966/68)

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