© ADÃO CRUZ
DIA DE ENGANOS
adão cruz
Uma gaivota beijando
a espuma branca das águas fundas
em bailado Grandi Mestri
culminando as chaminés do Cabo do Mundo.
O barco ao longe
só
estático no horizonte
como eu aqui de olhos fitos nas rochas.
Gaivotas bailando
Rossini
Oh!
Péchés de vieilhesse
Mascagni
Massenet
sem ponte nem horizonte
Verdi
Wagner
Bizet
sobre a espuma da tarde sem dia
do dia sem ponte
e sem horizonte
para lá das rochas negras e nuas.
Marcia Trionfale em dia de glória
dunas de espuma branca
abraçando as rochas do meu deserto
tão perto do mar imenso tocando as nuvens.
Alguém me leva nas asas da gaivota
por dentro de ti
para dentro de mim
em doce Intermezo
de rios de sol e mares sem fim.
Alguém me passeia por dentro de ti
Cavalcate Delle Valchirie
avançando a vertigem em turbilhão
até planar
bailando sobre o coração
cravado no sol poente
vermelho e quente
do sangue que verti.
Bruscamente…
o Prelúdio
voando dentro de mim
a alma que resta em Meditazioni
pelo espaço imenso
tocando aqui e ali
as penas das asas que perdi.
Vesti La Giubba meu palhaço trágico
viajante da Barcarola en nuit d’amour
com ar triunfante
Va Pensiero
sobre as asas douradas
seguro de quem se apoia
nas pedras nuas da orla do mar
esquecendo o mar que navega…
infinito…
mistério…
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Nota do editor
Último post da série de 17 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27743: Blogpoesia (809): "A Fundação da Tabanca Grande", por Albino Silva, ex-Soldado Maqueiro


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