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sábado, 4 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27887: Esposas de militares no mato (5): Teixeira Pinto, ao tempo do Francico Gamelas, ex-alf mil cav, cmd Pel Rec Daimler 3089 (1971/73) - Parte I


Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > A Maria Helena Gamelas  e a lavadeira, manjaca, Aline, que os comandantes dos Pel Rec Daimler "herdavam" (*)


Francisco Gamelas, ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 3089 (Teixeira Pinto, 1971/73), adido ao BCAÇ 3863 (1971/73); é engenheiro eletrotécnico de formação, quadro superior da PT Inovação, reformado, vive em Aveiro: autor de "Outro olhar - Guiné 1971-1973" (Aveiro, 2016, ed. de autor, 127 pp, ilustrado.


Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > Março de 1973 > Habitação nativa típica, na tabanca de Cachungo. Em primeiro plano, a Lena.


Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > Janeiro de 1972 > Edifício do ciclo preparatório do ensino secundário e casa do director (à esquerda). Foi nesta casa que o casal Gamelas se instalou. A Maria Helena Gamelas foi a professora de português no ano lectivo de 1972/73. Em frente, do outro lado da rua, ficavam as camaratas dos soldados da 35.ª CCmds.


Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto >  Outubro de 1972 >  Venda livre no meio da Avenida. À esquerda a Maria Helena Gamelas.



Guiné > Região de Cacheu > Teixeira Pinto > cv. 1971/73 > Vista aérea de Teixeira Pinto

Fotos (e legendas): © Francisco Gamelas (2016). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. O nosso camarada Francisco Gamelas foi dos que casou e levou a esposa para o "mato" (**), neste caso Teixeira Pinto, sede de circunscrição (equivalente a concelho), onde já havia algum cheirinho de civilização: por exemplo, um cinema, uma escola, um posto médico, ruas alcatroadas, algumas casas comerciais, electridade (de gerador)... Estava lá o CAOP1, a CCS/BCAÇ 3863 e diversas subunidades, incluindo o Pel Rec Daimler 3089. Nesta altura também lá esteve a jovem esposa de um médio, de que falaremos na parte II.

Nota  biográfica > Francisco António da Costa Vieira Gamelas:

(i) nasceu em Aveiro, em 1949:

(ii) formou-se em eletrotecnia (Instituto Superior de Engenharia do Porto, 1969);

(iii) esteve na Guiné, em Teixeira Pinto, em 1971/73, como alf mil cav, a comandar o Pel Rec Daimler 3089, ao tempo do BCAÇ 3863 (onde foi médico o nosso camarada Mário Bravo) e do CAOP1 (a que pertenceu o nosso camarada António Graça de Abreu; em fevereiro de 1973, o CAOP 1 foi transferido para Mansoa):

(iv) fez a sua carreira profissional na PT Inovação como quadro superior de telecomunicações;

(v) está reformado;

(vi) tem-se dedicado à escrita, à poesia e ao ensaio histórico-sociológico: "O apelido Gamelas: um património histórico e sociológico de Aveiro" (2009); "Lavradores do Vilar ou o casamento inter-pares como estratégia de sobrevivência" (2014), ambos publicados pela ADERAV - Associação para o Estudo e Defesa do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro;

(vii) em 2016 publicou "Outro olhar - Guiné 1971-1971" (a sua "primeira incursão nas áreas da poesia e da crónica";

(vii) vive em Aveiro;

(viii) entrou para a Tabanca Grande em  19/5/2016;

(ix) tem cerca de 6 dezenas de referências no blogue.

 

Capa  do livro de Francisco Gamelas ("Outro olhar - Guiné 1971-1973. Aveiro, 2016, ed. de autor, 127 pp. + ilust.  O design é da arquiteta Beatriz Ribau Pimenta. Tiragem: 150 exemplares. Impressão e acabamento: Grafigamelas, Lda, Esgueira, Aveiro.

O livro, feito de pequenas crónicas e poemas, e profusamente ilustrado com as fotos do álbum da Guiné, é dedicado "à memória de Maria Helena" e às "nossas filhas Sara Manuel e Maria João e os nossos netos Sara, Francisco José e João Gil".

Sobre a sua primeira esposa, Maria Helena, já falecida, e sua companheira da aventura guineense, o Francisco escreveu um belíssimo poema "Amor em tempo de guerra" (pp. 99/101), de que reproduzimos um excerto (***):

(...) “Mesmo assim, amor, decidimos casar
e começar a nossa vida em comum
neste reino de guerra sempre latente
aproveitando os intervalos
de alguma normalidade
para nos inventarmos
como casal.
Éramos jovens.
Sentíamo-nos imortais
apesar da evidência em contrário.(...)

(...) Foi aqui, no Canchungo,
e nestas condições que aceitámos,
que o nosso amor floriu,
que nos fomos aprendendo
na partilha permanente,
nas cumplicidades do presente
e nela germinou a semente
que foi crescendo
no teu ventre,
sangue do nosso sangue,
carne da nossa carne,
até nos acrescentar
em forma de rebento
a quem demos o nome de Sara
Então,
passámos a ser uma família”.

Este poema do Francisco Gamelas, sobre o  "amor em tempo de guerra", é um testemunho comovente e raro desse lado mais íntimo e humano da guerra colonial, e merece uma análise mais detalhada na Parte II.

Há muito que não tenho notícias dele. Mas espero que ainda nos leia. Desejamos-lhe a ele e à família uma boa e santa Páscoa.

(Continua)
_________________


8 comentários:

Eduardo Estrela disse...

Eu sei que é um lapso mas o que tu querias dizer Luís é que esperavas que o camarada Gamelas ainda nos lesse .
Pormenores de trampa!!!!!
O poema tem a força telúrica do amor e a beleza luminosa das palavras.
Abraço. Boa Páscoa e " saúde da boa "
Eduardo Estrela

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Oh Eduardo, ainda que tomaste! Já corrigi. O "não" estava, obviamente, a mais... É o que faz o editor estar com um olho na neta ( de 14 meses) e no blogue...

Eduardo Estrela disse...

És um homem feliz!!
Tens o privilégio de poder estar com um olho na " nossa " neta. Como não os tenho são os vossos que são " meus " .
Que os bons irans e os mezinhos do povo que amamos te protejam a ti e aos que te estão próximos.
Abraço
Eduardo Estrela

António Graça de Abreu disse...

Lembro-me bem do Gamelas e da esposa em Teixeira Pinto. Gente boa, a paz em tempo de guerra.
Abraço,

António Graça de Abreu

Ramiro Jesus disse...

Podia, só, repetir as palavras do A.G. Abreu, pois também me recordo muito bem de ter visto o casal tantas vezes a passar e a ela a ir à escola.
Acrescento, só, um grande ABRAÇO para o "nosso alferes", que há pouco tempo procurei em casa, mas não estava.
Boa Páscoa para todos!

Anónimo disse...

A esposa do Sr. Cap Rogério Rebocho Alves, Comandante da CCAÇ 3327/BII17 também este em Teixeira Pinto em 1971. Ela foi mais. Visitou os acampamentos daquela companhia na Mata dos Madeiros. Mais tarde visitou Bassarel.
Abraço transatlântico.
José Câmara

Victor Costa disse...

Se eu compreendi o comentário do Eduardo Estrela, devo dizer que:
Eu tenho duas pestes, (perdão dois netos), um tem de ir com o pai e o outro com o avô e não pensem que o controle é fácil!!!
Nós nem sempre damos valor ao que temos.
Um Ab. V.C.

Anónimo disse...

Conheci o capítulo Gamelas. Em 1967 Agosto, em Chaves, BC10.
Estava a fornar companhia que depois encontramo nos na Guiné.
Ele era do quadro.
Era amigo do meu pai.
Eu ia com ele e vinha para Chaves desde o Porto.
Mais tarde em 1984 encontrei o na STEP,
Empresa de caterpilares americanos.
Tinha pedido a sua saída.
Tenho muitos contactos com ele, a empresa era na EN13 a caminho de Vila do Conde

Não sei se são familiares com o camarada Gamelas do canthungo.
Teixeira ponto parece uma sede de batalhão melhor que a minha uns kms mais a morte. São Domingos

Ab
DOS caterpilares americanos e máquinas de arrasto para o nosso projecto.