Boa noite Carlos Vinhal
Como gosto destas coisas, aqui envio para a Tabanca Grande este elogio às mulheres grandes lá do Canchungo.
São verdades estas que escrevo, e como continuo a pensar que ainda ando pela Guiné, não esqueço nem um pouquinho daquilo que por lá vivi. Hoje é pela segunda vez que escrevo sobre a Mulher Grande, referindo-me às Balantas do Canchungo.
Vai um Abraço para toda a Tabanca em Especial para os Régulos
Albino Silva
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Nas Tabancas por onde andei
fazia meu trabalho bem feito
e fosse Mulher Grande ou Bajuda
as tratava com respeito.
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A todas eu bem tratava
com respeito e com carinho
e sempre com pena delas
eu lhes dava bom mésinho.
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Mulher Grande do Canchungo
por tão bem eu as tratar
quantas e quantas vezes
até frangos me vinham dar.
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Aos domingos quase sempre
Ia à Tabanca sim senhor
e então eu para elas
até já era o doutor.
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Mulher Grande do Canchungo
Casada, solteira ou mãe
Lavadeiras de nossas fardas
que as lavavam muito bem.
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Tantas vezes na Enfermaria
da comida que sobrava
eu nunca a deitava fora
e à Mulher Grande eu dava.
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Até mesmo as crianças
com uma latinha na mão
quantas e quantas vezes
eu lhes dava do meu pão.
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Ficava junto ao arame farpado
aquela nossa Enfermaria
e se eu fosse à janela
as águas da bolanha eu via.
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Era o ponto de passagem
para quem fosse pescar
e daquilo que apanhavam
muitas me iam levar.
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Algumas com os pés cortados
por na bolanha trabalhar
passavam na Enfermaria
para assim eu as curar.
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Era tudo gente boa
e da pesca que faziam
ao passar na Enfermaria
elas connosco repartiam.
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Era a Mulher do Canchungo
e só delas falo bem
e como eu er a amigo
elas eram amigas também.
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A vós Mulheres do Canchungo
De vós eu só digo verdades
Vim embora e hoje digo
Que de vós tenho Saudades.
FIM
Por Bino Silva
011004/67
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Nota do editor
Vd. post de 8 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28002: Blogpoesia (811): "A Mulher Grande lá do Canchungo", por Albino Silva, ex-Soldado Maqueiro (1)


1 comentário:
Boa-tarde.
O Albino é um grande criador, mas estará equivocado: no Canchungo - Teixeira Pinto, quando ele e eu lá estivemos - era o "Chão Manjaco", portanto, a "mulher grande" seria desta etnia e não Balanta.
Um Abraço para cada um dos Combatentes!
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