quarta-feira, 20 de março de 2019

Guiné 61/74 - P19604: Álbum fotográfico de João Sacôto, ex-alf mil, CCAÇ 617 / BCAÇ 619 (Catió, Ilha do Como, Cachil, 1964/66) e cmdt da TAP, reformado - Parte VI: Em Príame, a tabanca do João Bacar Jaló (1929 - 1971)


Lisboa > 1970 > O cap graduado 'comando'.  cmdt da 1ª CCmds Africanos João Bacar Jaló como o nosso veteraníssimo João Sacôto (ex-alf mil, CCAÇ 617/BCAÇ 619, Catió, Ilha do Como e Cachil, 1964/66), hoje comandante da TAP reformado, membro da nossa Tabanca Grande desde 20/12/2011. 
O João Bacar Jaló veio a Lisboa, nessa altura, no 10 de Junho, receber a Torre e Espada. Nasceu em Cacine, em 1929, e morreu em 1971, em combate, no sector de Tite. Era alferes de 2ª linha em 6 de junho de 1965. (*)



Guiné > Região de Tombali > Catió > CCAÇ 617 (1964/66) > Tabanca de Príame: da esquerda para a direita, eu, o cap Alexandre e o João Bacar Jaló.


Guiné > Região de Tombali > Catió > CCAÇ 617 (1964/66) > Tabanca de Príame: numa Daimler, da esquerda para a direita, eu, o cap Alexandre e o João Bacar Jaló.


Guiné > Região de Tombali > Catió > CCAÇ 617 (1964/66) > Tabanca de Príame: lavadeiras


Guiné > Região de Tombali > Catió > CCAÇ 617 (1964/66) > Tabanca de Príame: eu, à porta de uma morança com um fabuloso mural de motivos geométricos. "Era  a casa de João Bacar Jaló", confirma o seu amigo João Sacôto. "Estive lá várias vezes".


Guiné > Região de Tombali > Catió > CCAÇ 617 (1964/66) > Tabanca de Príame: eu, à porta da morança do João Bacar Jaló, na altura alferes de 2ª linha (será promovido a tenente de 2ª linha, em novembro de 1964).

Fotos (e legendas): © João Sacôto (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. João Gabriel Sacôto Martins Fernandes, de seu nome completo... Foi alf mil da CCAÇ 617 / BCAÇ 619 (Catió, Ilha do Como e Cachil, 1964/66). Trabalhou depois como Oficial de Circulação Aérea (OCA) na DGAC [Direção Geral de Aeronáutica Civil]. Foi piloto e comandante na TAP, tendo-se reformado em 1998.

Estudou no Instituto Superior de Ciencias Económicas e Financeiras (ISCEF, hoje, ISEG) . Andou no Liceu Camões em 1948 e antes no Liceu Gil Vicente. É natural de Lisboa. É casado. Tem página no Facebook (a que aderiu em julho de 2009, sendo seguido por mais de 8 dezenas de pessoas). É membro da nossa Tabanca Grande desde 20/12/2011.


2. Continuação da publicação do seu álbum fotográfico, desta vez com imagens de Príame, a tabanca do João Bacar Jaló. (**)


A  CCAÇ 617 esteve em Catió de 1 março de 1964 até 22 de setembro de 1965, altura em que assume a responsabilidade do subsector do Cachil, por troca com a CCAÇ 728. Será rendida pela CCAÇ 1424, em 16 de janeiro de 1966, preparando.se depois para regressar à metrópole.

______________

Notas do editor:

(*)  Vd. poste de 2 de maio de 2009 > Guiné 63/74 – P4275: Tugas - Quem é quem (4): João Bacar Jaló (1929-1971) (Magalhães Ribeiro)

(**) Último poste da série >  3 de março de 2019 > Guiné 61/74 - P19546: Álbum fotográfico de João Sacôto, ex-alf mil, CCAÇ 617 / BCAÇ 619 (Catió, Ilha do Como, Cachil, 1964/66) e cmdt da TAP, reformado - Parte V: Catió, o quartel e a vida da tropa

5 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

João: essa casa, em Príame, nos arredores de Catió, soberbamente decorada com pinturas murais de motivos geométricos... de quem seria ? Não me lembro, no leste, no chão fula, de ver nada semelhante... Não seria a mesquita, porque tu não podias lá entrar... Era uma casa de gente nobre... Vê se te lembras, a foto tem grande interesse documental... E vê se me mandas uma com maior resolução...

Ab, Luís

Anónimo disse...


João Gabriel Sacôto Martins Fernandes
20 mar 2019 18:06


Luis, fazendo um esforço de memória, tentando reconstruir passos dados há cerca de 54 anos, direi que esta era realmente a casa de João Bacar Djaló, onde estive algumas vezes.

Um abraço,
JS

Cherno Baldé disse...

Caros amigos Luis e Joao Sacoto,

Muitos seculos antes da chegada dos Europeus a Africa, nesse caso, dos Portugueses em particular, a influencia da cultura e civilizaçao oriental ja tinham conquistado o seu espaço nas praticas e manifestaçoes culturais dos africanus, em especial dos povos situados no interior da regiao do Sudao occidental (Impérios ou grandes estados) com a expansao dos poderes impériais que foram concomitantes a expansao da religiao Islamica.

Quando vi as imagens do Post com as pinturas, a minha primeira reacçao foi pensar que se tratava de uma mesquita, pois os motivos sao claramente orientais e com ligaçoes as grandes religioes monoteistas (Muçulmana e Judaica).


Entre os Fulas originarios de Futa djalon (Futa-Fulas dos apelidos Djalo, Baldé ou Bah e Barry) mais cultos e letrados, na altura, era muito frequente o embelezamento das suas residencias com tais pinturas de motivos orientais (em que nao entravam imagens de animais ou de pessoas banidos pela religiao) e em que, também, entravam pequenos textos de filosofos Gregos e Arabes e até Salmos biblicos davidianos. A estrela que se ve nas pinturas simboliza a estrela do rei David a quem os Fulas, por razoes que nao sei explicar, consideram um dos seus patriarcas da antiguidade facto que os faria primos afastados dos Judeus, mas isso ja é outra historia que precisa ser investigada por especialistas.


O Portugues que melhor tentou desenvolver este tema sobre os Fulas e outras etnias da Guiné é o Landerset Simoes, autor do livro: Babel Negra, Etnografia, Arte e Cultura dos Indigenas da Guiné, ediçao do autor, impresso pelas Ofic. do Comercio do Porto, 1935.

Com um abraço amigo,


Cherno Baldé


Anónimo disse...

PS/ Para quem ainda nao leu, recomendo vivamente, pois é dos melhores livros que eu li de um Portugues colonial, que viveu e trabalhou em principios do sec. XX.

Cherno AB.

J. Gabriel Sacôto M. Fernandes (Ex ALF. MIL. Guiné 64/66) disse...

Caro Cherno Baldé Obrigado pelo esclarecimento. Pelo que dizes, se alguma dúvida tivesse quanto casa referida, ela está completamente dissipada. Pois trata-se de uma casa em Priame, Catió(tabanca Fula) onde, tenho a certeza, não havia, naquela altura (1964/1965), naquele lugar nenhuma mesquita. Por outro lado o João Bacar D'Jaló era para além do mais, um homem rico e importante em Priame. É, portanto à porta dele que eu estou. eventualmente, pode até ter sido ele quem disparou a fotografia.
Um abraço,
JS