terça-feira, 21 de agosto de 2012

Guiné 63/74 - P10284: Meu pai, meu velho, meu camarada (31): Expedicionários em Cabo Verde, mortos entre 1903 e 1946 e inumados nas ilhas de São Vicente e Sal (Lia Medina / José Martins)






Mapa do arquipélago de Cabo Verde, s/d. Reproduzido, com a devida vénia, do sítio Momentos de História > Cabo Verde 1914-1918, da autoria de Carlos Lopes Alves, que cita João de Almeida ("O Porto grande de S. Vicente de Cabo Verde", 2ª ed., Lisboa, Editorial Império Lda, 1938, pp. 7-8:

(...) Na época a maior parte dos navios utilizavam carvão como combustível, o Porto de São Vicente tornou-se num dos principais depósitos de hulha negra do Atlântico Sul. Um outro factor que colocava Cabo Verde como um ponto estratégico do Atlântico Sul era o "cabo submarino", na realidade nove cabos, que se encontrava amarrado à Ilha de São Vicente, junto à localidade Mindelo, que era a base das comunicações intercontinentais do Hemisfério Sul. Tanto o depósito de carvão como o cabo submarino eram pertença de firmas inglesas que aí se tinham estabelecido.

"Portugal tinha como triângulo estratégico das bases militares navais Lisboa-Açores-Cabo Verde, que dominavam as comunicações de todo o Atlântico. Em 1911 foram efectuados estudos para a defesa militar de Cabo Verde e em particular para a criação de uma base militar e naval na Ilha de São Vicente, sobre o Porto Grande" (...).





Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo > Cemitério de Mindelo > 1943 > Foto do álbum de Lu+is Henriques (1920-2012), ex-1º Cabo nº 188/41 da 3ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 5. Esteve em Cabo Verde, no Lazareto, na Ilha de São Vicente, entre 1941/43.

Legenda no verso da foto: "Justa homenagem àqueles que dormem o sono eterno na terra fria. Companheiros de expedição os quais Deus chamou ao Juízo Final. Pessoal da A[nti] Aérea depois das cerimónias desfila fazendo continência às sepulturas dos companheiros. Oferecido pelo meu amigo Boaventura no dia 17-8-1943, dia em que fiquei livre da junta (hospitalar). Luís Henriques".


Foto: © Luís Graça (2005) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados



1. Lista de militares falecidos durante o serviço prestado em Cabo Verde, desde 1903. Pesquisa no Arquivo do Registo Civil de S. Vicente pela Drª Lia Cordeiro Lima Medina, nossa grã-tabanqueira, professora universitária, filha de mãe portuguesa e de pai caboverdiano. Listagem cedida pela Liga dos Combatentes, no âmbito da Conservação das Memórias. Elementos recolhidos pelo nosso infatigável e dedicado colaborador permanente José Martins.



1.1. INÍCIO DO SÉCULO ATÉ AO FINAL DA I GRANDE GUERRA, ENTRE 1903 E 1918  (n=25)

1903-1909 (n=6)


JOSÉ PEREIRA - Soldado nº 56 da Companhia de Infantaria da Guiné Portuguesa, idade, naturalidade e filiação não referidas, faleceu de morte natural em 8 de Janeiro de 1903. 

ANTÓNIO MARIA - Soldado nº 67 da Guarnição da Guiné, de 18 anos, solteiro, natural de Lisboa, filho de José Henriques, faleceu de morte natural, no hospital, em 2 de Março de 1903. 

ANTÓNIO MANUEL DO AMARAL - 2º Sargento da Guarnição da Guiné, de 40 anos, solteiro, filho de Francisco António, faleceu de morte natural, no hospital, em 18 de Abril de 1907. 

JOAQUIM DO ROSÁRIO CARDOSO - Soldado do Depósito de Praças Adidas da Guiné Portuguesa, de 20 anos, solteiro, natural da Metrópole, filho de João Francisco Cardoso, faleceu de morte natural em 14 de Outubro de 1908. 

JOSÉ DA CRUZ - Soldado do Depósito de Praças da Guiné, de 24 anos, casado, natural da freguesia de São Sebastião, Lisboa, filho de António da Cruz, faleceu de morte natural em 18 de Outubro de 1908. 

MANUEL DE JESUS PEREIRA - Soldado do Depósito de Praças Adidas da Guiné, de 20 anos, solteiro, natural de Trás–os-Montes, filho de Francisco Augusto Pereira, faleceu de morte natural em 25 de Julho de 1909. 

1917-1918 (n=19)

ANASTÁCIO - Soldado nº 93 da 9ª Companhia de Infantaria [do Regimento de Infantaria nº 24,  Aveiro ?], de 22 anos, natural de Pondilho [, possivelmente Pardilhó, Estarreja], filho de Joaquim Rachado e Maria Luiza, faleceu de causa não referida em 17 de Janeiro de 1917.

ANTÓNIO RODRIGUES SACRAMENTO - Soldado nº 317 da 11ª Companhia de Infantaria  [do Regimento de Infantaria nº 23,  Coimbra ?], de 24 anos, natural de Coimbra, filho da Leonor Roza, morreu de causa não referida em 24 de Novembro de 1917. Registo nº 448 do Livro 8. 

ANTÓNIO JOSÉ ALVES - Soldado nº 631 da 10ª Companhia de Infantaria  [do Regimento de Infantaria nº 29,  Braga ?], filho de Manuel João Alves e Rosa de Araújo, natural de Valdevez, não refere a causa e data de falecimento. Registo nº 289, do Livro 9 página 138. 

JOSÉ DE JESUS COELHO - Marinheiro da Armada, tripulante da Canhoneira Beira, idade não referida, casado, natural de Tavira, filho de Francisco José Coelho e Maria da Conceição, faleceu de causa não referida em 7 de Outubro de 1918. Registo nº 416, Livro 10 página 22. 

JOSÉ JOAQUIM GRAÇA - Marinheiro da Armada, tripulante da Canhoneira Beira, de 20 anos, natural da freguesia de Santa Maria, Lagos, filho de Joaquim da Costa Graça, faleceu em 10 de Outubro de 1918. Registo nº 443, Livro 10. 

ALBERTO AUGUSTO MELO - 2º Artilheiro nº 5271 da Canhoneira Beira, de 25 anos, natural da freguesia de Santa Catarina, Lisboa, filho de Samuel Gomes de Melo e Carolina Augusta da Silva, faleceu a 11 de Outubro de 1918. 

CÂNDIDO ANTÓNIO RAMOS - 2º Artilheiro da Canhoneira Beira, de 21 anos, natural da freguesia de São Sebastião, Setubal, filho de António Ramos e Maria José, faleceu em 12 de Outubro de 1918. Registo nº 506 do Livro 10. 

ANTÓNIO FORTES - 1º Grumete nº 5487 da Canhoneira Beira, de 20 anos, filho de José António Fortes, faleceu em 13 de Outubro de 1918. Registo nº 514 do Livro 10. 

JOÃO MARIA FRANCO - Posto e unidade não referenciados, de 20 anos, natural da freguesia de Santa Eulália, Elvas, filho de Manuel Maria Franco, faleceu em 15 de Outubro de 1918. 

MARCELO INÁCIO BRANCO - Soldado nº 17 da Companhia de Infantaria [ do Regimento de Infantaria nº 22,  Portalegre ?], nº 22, de 25 anos, natural de Santa Eulália, Elvas, filho de João Santos Baptista Branco e Maria Joana Paulares. Faleceu em 18 de Outubro de 1918. 

ANTÓNIO VENTURA CARDOZO - Soldado nº 6 da 10º Companhia de Infantaria [do RI nº ?], de 27 anos, natural de Elvas, filho de Ventura Manuel Cardozo, não refere a data de falecimento. Registo nº 634 do Livro 10. 

MANUEL DOS REIS CORREIA MODESTO - Tenente, de 58 anos, natural de Albufeira, filho de Francisco Correia Modesto, faleceu em 19 de Outubro de 1918. 

MANUEL JOAQUIM MOREIRA DOS SANTOS - 2º Marinheiro da Armada nº 4371, de 24 anos, natural de Paredes, [distrito do] Porto, filho de Manuel Moreira dos Santos e Ana Brito Ferreira dos Santos, faleceu em 20 de Outubro de 1918. 

GUILHERME PEREIRA ORGANISTA - 1º Grumete da Armada nº 5063, de 23 anos, natural de Vila Nova de Gaia, filho de José Pereira Organista e Maria Rodrigues da Costa, faleceu em 20 de Outubro de 1918.  

JOÃO ALVES - 2º Marinheiro da Armada nº 3655, de 24 anos, natural de Coimbra, filho de António Rodrigues Filipe Alves e Margarida de Jesus Alves, faleceu em 23 de Outubro de 1918. Registo nº 696 do Livro 10, página 162. 

JOSÉ FRANCISCO FARIA - Soldado, sem referencia à unidade, de 25 anos, casado, natural da Metrópole, filho de José Inácio Faria e Catarina da Conceição, faleceu em 24 de Outubro de 1918. Registo nº 696 do Livro 10, página 162. 

LOURENÇO BEIJAME - Artilheiro nº 5704 da Canhoneira Bengo, de 22 anos, natural da freguesia de São Lourenço de Maiorca, Alcobaça, filho de António Beijame e Francisca Maria, não consta a data do falecimento. 

JOÃO BATISTA - Cabo Artilheiro nº 2968 da Canhoneira Beira, de 39 anos, natural de Cortes, concelho de Marcos (?) [ou Macedo ?] de Cavaleiros [ou Marco de Canaveses ?], filho de Manuel António e Libânia dos Santos, faleceu em 30 de Outubro de 1918. Registo nº 733, Livro 10. 

JERÓNIMO BEMVINDO - Alferes de Infantaria, unidade não referida, de 38 anos, casado, natural do Porto, filho de Joaquina Maria Pinto Barroso, faleceu em data não indicada. Registo nº 747 do Livro 10. 




Cemitério do Mindelo, Mindelo, Ilha de São Vicente, Arquipélago de Cabo Verde > Sepulturas de soldados portugueses, expedicionários na ilha entre 1941-1946

Foto da revista 'O Combatente', nº  334 – Dezembro de 2005, reproduzida com a devida vénia. (Editada por L.G.)




1.2 DURANTE O PERIODO DA II GUERRA MUNDIAL, ENTRE 1941 E 1946 (n=40)

1941 (n=9)

JOAQUIM FRANCISCO MARGARIDA - Soldado nº 186-42 da 3ª Companhia do 1º Batalhão do Regimento de Infantaria nº 5 [, Calda da Raínha],  de 21 anos, natural de Caldas da Rainha, filho de José Francisco Margarida e Adelina Maria de Jesus, faleceu de gripe em 13 de Outubro de 1941. 

FRANCISCO CIPRIANO SOUSA JÚNIOR - Soldado, não refere a unidade, de 20 anos, solteiro, natural de Ílhavo, filho de António Cipriano Júnior e Joaquina Martins, faleceu de broncopneumonia em 5 de Dezembro de 1941. Inumado na 4ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

JOSÉ H. FELICIANO - 1º Cabo de Engenharia, falecido em 20 de Outubro de 1941. Nada mais consta do levantamento feito no Registo Civil, Livro 50. Inumado na 1ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

SIDÓNIO PEDRO - Soldado, unidade não referenciada, de 22 anos, natural da freguesia de Vermilhão, filho de Ernesto Pedro e Manuela J. de Carvalho, faleceu de colapso cardíaco em 5 de Dezembro de 1941. Registo consta no Livro 50. Inumado na 3ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

SILVESTRE F. MOTA - Soldado nº 54, unidade, idade, filiação e naturalidade não referidas, faleceu em 6 de Dezembro de 1941. Registo consta no Livro 50. Inumado na 2ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

JANUÁRIO BATATA - Soldado, unidade não referida, de 21 anos, solteiro, natural de Almeirim, filho de Joaquim Batata e Angelina Calado, faleceu de infecção intestinal em 8 de Dezembro de 1941. Registo consta no Livro 50. Inumado na 5ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente. 

HIPÓLITO F. VEIGA - Soldado 23-38, unidade, idade, filiação e naturalidade não referidas, faleceu em 10 de Dezembro de 1941. Registo consta no Livro 50. Inumado na 6ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

JÚLIO GOMES DE CARVALHO - 1º Cabo do Exército, de 21 anos, solteiro, natural de Carvalhal, filho de Júlio Ferreira de Carvalho e Maria da Conceição Dias Torres, faleceu de infecção intestinal em 11 de Dezembro de 1941. Registo consta no Livro 50. Inumado na 7ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.  

VICENTE DE SOUSA JÚNIOR - Posto desconhecido, de 21 anos, natural de Santo Estevão, filho de Vicente de Sousa e Maria José, faleceu de infecção intestinal em 21 de Dezembro de 1941. Registo consta no Livro 50. Inumado na 8ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

1942 (n=14)

DOMINGOS MARQUES COSTA - Posto desconhecido, de 21 anos, natural da freguesia do Lumiar, Lisboa, filho deAntónio da Costa e Maria José, faleceu de infecção intestinal em 19 de Janeiro de 1942. Registo consta no Livro 50. Inumado na 12ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

JOAQUIM FREDERICO FERREIRA - Soldado 408-41 da 2ª Companhia do Regimento de Engenharia, de 21 anos, solteiro, natural da freguesia de Socorro, Lisboa, filho de Joaquim Frederico e Maria Vieira Frederico, faleceu de febre tifoide em 25 de Fevereiro de 1942. O registo consta no Livro 51. 

ANTÓNIO DA SILVA AZEVEDO - 1º Cabo nº 674-40 da 1ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário da Regimento de Infantaria nº 5 [, Caldas da Rainha], de 23 anos, solteiro, natural de Vila do Conde, filho de Emília Rosa de Azevedo, faleceu de trombose da sub-clávia esquerda-toxémia em 6 de Março de 1946. O registo consta no Livro 51. 

JOSÉ RIBEIRO MATEUS - Soldado, unidade não indicada, de 21 anos, solteiro, natural da freguesia de Santa Catarina, Caldas da Raínha, filho de Joaquim Mateus e Teresa Ribeiro, faleceu de compressão do mediastino em 25 de Fevereiro de 1942. O registo consta no Livro 51. 

MANUEL LUCAS - Soldado, unidade não referida, de 21 anos, solteiro, natural da freguesia de Soure [, concelho de Soure], filho de Francisco Ferreira Lucas e Maria de Jesus, faleceu de septicémia em 19 de Fevereiro de 1942. O registo consta no Livro 51. 

JOAQUIM MIGUEL - Soldado, unidade não referida, de 21 anos, natural da freguesia do Carvalhal [, Grãndola ?, Bombarral ?, Sertã ?, Barcelos?...], filho de José Miguel e Maria Rosa, faleceu de ferida perfurante por bala na cabeça em 21 de Fevereiro de 1942 [Possivelmente, suicído]. O registo consta no Livro 51. 

NICOLAU DE LUIZI - Major de infantaria e comandante do BI 15, de 53 anos, casado com D. Amélia da Silva Cyrylio de Luizi, natural de Vila Nova de Portimão, faleceu de septicémia-bronco-pneumonia em 9 de Março de 1942. O registo consta no Livro  51.

RAFAEL DA SILVA - Soldado nº 378-39 da Companhia de Atiradores do 1º Batalhão do Regimento de Infantaria nº 7 [, Leiria], de 24 anos, solteiro, natural de Pombal, filho de João da Silva Júnior e Maria Ferreira, faleceu de febre tifoide e perotonite difusa em 9 de Março de 1942. O registo consta no Livro 51. 

MANUEL CARDOSO - Tenente do Exército, unidade não referida, de 58 anos, viúvo de D. Maria Luisa Esteves Cardoso, natural de Rouças [, Arcos de Valdevez ?], faleceu de cardiorrenal em 30 de Julho de 1942. O registo consta no Livro 52. 

LUIZ VIEIRA JUSTO - 1º Cabo nº 589-40 do 2º Batalhão do Regimento de Infantaria nº 23 [, Coimbra], de 24 anos, natural de Mira de Aire [, concelho de Porto de Mós], filho de Manuel Francisco Justo e Maria dos Anjos Vieira Justo, faleceu de anemia generalizada em data não referida do ano de 1942. O registo consta no Livro 52. 

JOSÉ AUGUSTO PINTO - Soldado nº 71-39 da 6ª Bateria de Grupo de Artilharia Contra Aeronaves nº 1, de 25 anos, solteiro, natural da freguesia de Valença, filho de Vitor Maria Pinto e Ercelinda Teixeira, faleceu de paludismo em 11 de Agosto de 1942 (data sem confirmação). O registo consta no Livro 52. Inumado na 16ª campa de Rua 56, do Cemitério do Mindelo,  Ilha de São Vicente.  

CASIMIRO DE SOUSA TAVARES - Soldado nº 370-41 da 2ª Companhia Expedicionária do Regimento de Engenharia nº 2, de 22 anos, solteiro, natural da freguesia de Pego, concelho de Abrantes, distrito de Santarém, filho de Manuel de Sousa Tavares e Maria da Assunção Correia, faleceu de perfuração do ileo [a terceira e última parte do intestino delgado] por febre tifoide em 22 de Setembrode 1942. O registo consta no Livro 52. 

MÁRIO TAVARES - Soldado nº 94-41 do Batalhão de Telegrafistas adido à 2ª Companhia Expedicionária do Regimento de Engenharia nº 2, de 23 anos, solteiro, filho de Joaquim António Tavares e Delmira da Luz Tavares, faleceu de fractura da base do crâneo e ruptura do baço em 12 de Outubro de 1942. O registo consta no Livro 52. Inumado na 8ª campa de Rua 56, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

JOSÉ JOAQUIM - Soldado nº 135-41 da 3ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 5 [,Caldas da Rainha], de 22 anos, solteiro, natural de Caldas da Raínha, filho de Joaquim Fructuoso e Cecília Agostinho, faleceu de febre tifoide em 18 de Novembro de 1942. O registo consta no Livro 52. 

1943 (n=12)

ADELINO GOMES PRUDÊNCIO - Soldado nº 897-41 da 6ª Bataeria Expedicionária do Grupo de Artilharia Contra Aeronaves, de 23 solteiro, natural de Sena do Douro, Caldas da Raínha, filho de José Prudência Júnior e Delfina Maria, faleceu de febre tifoide em 13 de Janeiro de 1943. Inumado na 11ª campa de Rua 56, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.  

ANTÓNIO SIMÕES MARTINS - 1º Cabo Miliciano nº 83-41 da 6ª Bateria Expedicionária do Grupo de Artilharia Contra Aeronaves, de 22 anos, solteiro, natural da freguesia de Santa Isabel, Lisboa, faleceu de paludismo em 21 de Janeiro de 1943. Inumado na 12ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

JOAQUIM NUNES - Soldado nº 220-41 da Companhia de Trem do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 5 [, Caldas da Rainha], de 22 anos, solteiro, natural da freguesia de S. Tiago, Torres Novas, filho de António Nunes e Maria Lucena, faleceu de paludismo em 8 de Fevereiro de 1943.

OVÍDIO DE DEUS DA SILVA BUÍÇA - 2º Sargento nº 51-42 da Companhia de Comando do 1º Batalhão Expedicionário da Regimento de Infantaria nº 5
 [, Caldas da Rainha], idade não referida, natural de Portalegre, faleceu de ferida perfurante do crâneo, por arma de fogo, em 3 de Abril de 1943 [Possivelmente, suicídio]. Inumado na 14ª campa de Rua 56, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.

MANUEL FIDALGO RODRIGUES - Soldado nº 126-40 da 1ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 5 [, Caldas da Rainha], de 23 anos, natural de Almeirim, faleceu em data não referida, no ano de 1943. 

JÚLIO ANTÓNIO XAVIER - Soldado nº 746-42 da 3ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 11, de 22 anos, solteiro, natural da Trafaria, Almada, filho de Manuel Francisco Xavier e Ermínia dos Anjos, faleceu de febre tifoide em 30 de Outubro de 1943. 

JOÃO ANTÓNIO - 1º Cabo nº 351-42 da 3ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 11 [, Setúbal], de 22 anos, solteiro, natural de Alenquer, filho de João António B… (?) e Glória da Conceição, faleceu de insuficiência por miocardite tífica em 6 de Novembro de 1943. 

ALBINO DE SOUSA - Soldado nº 180-41 da Companhia de Acompanhamento Regimental do Regimento de Infantaria nº 23 [, Coimbra], de 23 anos, solteiro, natural do concelho de Paredes, filho de António de Souza e Sofia da Rocha Barbosa, faleceu de febre tifoide em 30 de Novembro de 1943.

ANTÓNIO FRANCISCO - Soldado nº 378-40 do Comando e Trem do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 15, de 24 anos, solteiro, natural do concelho de Oleiros, filho de Manuel Francisco e Joaquina Maris, faleceu de síndrome infeccioso agudo em 30 de Novembro de 1943.

ANTÓNIO NOGUEIRA ROCHA - Furriel Miliciano nº 627-39 da 3ª Companhia do 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 7 [, Leiria] , de 25 anos, solteiro, natural da freguesia de Boavista, concelho de Paredes, filho de David Ferreira Rocha e Maria Nogueira Freitas, faleceu de colite terminal em 16 de Dezembro de 1943. 


JOSÉ SALDANHA SANTOS COSTA - Aspirante do Serviço de Administração Militar, de 23 anos, casado, natural da freguesia de Monte Pedral, Lisboa, filho de Octávio Ribeiro da Costa e Albertina dos Santos Costa, faleceu de febre tifoide em 22 de Dezembro de 1943.

MIGUEL ANDRADE DE OLIVEIRA - Soldado nº 920-43 do Regimento de Infantaria nº 23 [, Copimbra], idade não referida, solteiro, natural de Montijo, filho de Carlos de Oliveira e Maria Andrade, faleceu de congestão dentro de água em 19 de Agosto de 1943. 


1944-1946 (n=5)

LIBERATO SILVA SOUSA - Soldado nº 256-44 do Regimento de Infantaria nº 23 [, Coimbra]
, de idade ignorada, solteiro, natural de Penacova, faleceu de febre tifoide em 18 de Setembro de 1944. 

ANTÓNIO DOMINGUES - Soldado nº 264-44 do Regimento de Infantaria nº 23 
[, Coimbra], de 20 anos, natural da freguesia de Monteiro, concelho de Oleiros, filho de António Domingos e Luisa de Jesus, faleceu de febre tifoide e bronco-pneumonia em 26 de Outubro de 1944. 

ARTUR B. PINHO DA S. OLIVEIRA - Soldado nº 276-44 do Batalhão Misto de Infantaria, de 22 anos, solteiro, natural da Mealhada, filho de Artur Pinho de Oliveira e Joana da Silva Elias de Oliveira, faleceu de febre tifoide-miocardite em 13 de Janeiro de 1945.

JOAQUIM PEREIRA LOURENÇO - Soldado nº 198-44 do Pelotão de Subsistência, de 21 anos, natural de Cadaval, filho de José Bernardino Lourenço e Felicidade do Rosário Pereira, faleceu de colapso cardiovascular em 25 de Janeiro de 1945.

ALBERTO SERETE MANITO - 1º Cabo nº 103-44, unidade, idade e naturalidade não referida, faleceu em 5 de Janeiro de 1946. Inumado na 13ª campa de Rua 55, do Cemitério do Mindelo, 
 Ilha de São Vicente. 





 Monumento aos soldados portugueses inumados no cemitério da Ilha do Sal. Foto da revista O Combatente, nº 345 – Setembro de 2008 (Reproduzida om a devida vénia; editada por L.G.)




1.3. Militares inumados no Cemitério de Santa Catarina, Ilha do Sal,   durante a II Guerra Mundial

1941/1944 (n=28)

ALBINO FERREIRA - soldado, falecido em 8 de Agosto de 1941

ABILIO A. DA FONSECA - 1º cabo, falecido em 22 de Agosto de 1941

JOSÉ SIMÕES VAZ - Soldado, falecido em 12 de Outubro de 1941

ÁLVARO P. BASTOS - Soldado, falecido em 19 de Outubro de 1941

BERNARDINO DA S. COVADO - Soldado, falecido em 6 de Novembro de 1941

MANUEL COSTA - 1º cabo, falecido em 12 de Novembro de 1941

CUSTÓDIO DE O. CAXO - Soldado, falecido em 17 de Novembro de 1941

JACINTO P. TEIXEIRA - Soldado, falecido em 22 de Novembro de 1941

FLORINDO NOGUEIRA - Soldado, falecido em 28 de Novembro de 1941

CARLOS MARIA DA SILVA - 1º cabo, falecido em 24 de Dezembro de 1941

ANTÓNIO DA P. GOMES - Soldado, falecido em 15 de Fevereiro de 1942

JOÃO J. DE OLIVEIRA - Soldado, falecido em 3 de Março de 1942

ADELINO DE A. MARTINS - Soldado, falecido em 22 de Abril de 1942

ÁLVARO GUERRA - 1º cabo, falecido em 9 de Maio de 1942

ABÍLIO A. R. COUTINHO - 2º Sargento, falecido em 13 de Maio de 1942

ANTÓNIO G. RATO - 1º cabo, falecido em 29 de Junho de 1942

JOSÉ M. T. MOUTINHO - Furriel, falecido em 14 de Dezembro de 1942

ARMANDO A. DOS SANTOS - Soldado, falecido em 16 de Janeiro de 1943

JOSÉ DA S. OLIVEIRA - Soldado, falecido em 2 de Abril de 1943

JOÃO DUARTE - 1º cabo, falecido em 5 de Maio de 1943

JOAQUIM ALVES FERREIRA - Soldado, falecido em 7 de Agosto de 1943

ANTÓNIO FERREIRA BARRALÉ - Soldado, falecido em 7 de Setembro de 1943

ANSELMO BAPTISTA - Soldado, falecido em 13 de Setembro de 1943

EMÍDIO DA CONCEIÇÃO FREITAS - Soldado, falecido em 11 de Março de 1944

ANDRÉ GONÇALVES - 1º cabo, falecido em 11 de Maio de 1944

JOSÉ DINIZ DE CARVALHO – Tenente, falecido em 19 deAgosto de 1944

JOSÉ TIMAS - Soldado, falecido em 23 de Novembro de 1944

AUGUSTO TERMOCEIRO - Soldado, falecido em 11 de Maio de 1944

a) José  Marcelino Martins, Maio 2012

11 comentários:

Luís Graça disse...

Zé Martins: Mais uma vez obrigado...

Recordo o que escrevi em 2005, aqui ou melhor na I Série do nosso blogue:

(...) "Vasculhando o baú das minhas memórias (físicas) da guerra colonial, acabei pro deparar com as velhas fotografias, algumas delas já irrecuperáveis, do meu pai que, por ironia do destino, também fez a sua tropa no Ultramar, em plena II Guerra Mundial, como muitos outros jovens da sua geração.

"Já as conhecia, de puto. Conheci-as , de cor e salteado, de tanto ter desfolhado aquele album, desconjuntado e hoje já desaparecido. Não sei como algumas das fotos sobreviveram mais de sessenta anos. Uma boa parte já se terá perdido.

"Nunca entendi, em puto, o seu significado. Que faziam aqueles homens numa terra distante, numa ilha careca, sem árvores nem bichos, aonde se chegava por mar, em grandes barcos que levavam magotes de gente ? Uma terra onde não chovia e a fome matava a pobre gente que lá vivia ou vegetava!...

(...) " Serve esta evocação nostálgicas dos meus antepassados, para dizer que a minha geração, a nossa geração, foi a coveira do Império. 500 anos depois liquidámos o Império. E justamente na Guiné. Foi na Guiné que enterrámos os últimos mortos e os últimos esquecidos do Império. Que derrubámos o último padrão das quinas e arriámos a última bandeira verde-rubra. Não é sem um arrepio que escrevo isto. Mas hoje apeteceu-me invocar aqui os meus antepassados, a nossa gente. Tal como o Guimarães que teve a ternura de chamar aqui, à colação, o seu velho pai, herói da 1ª Grande Guerra"..

http://blogueforanada.blogspot.pt/2005/07/guin-6971-civ-cabo-verde-194143-1-os.html

Luís Graça disse...

.. Agradecimentos extensivos à Lia Medina!

Antº Rosinha disse...

No Brasil ensinam em livros escolares que os portugueses roubaram o ouro do Brasil.

Em Caboverde e na Guiné não havia ouro, para quê insistir até 1974?

O Brasil é provavelmente o país com maiores fronteiras do mundo, desenhadas a lápis e que ainda hoje tem extensões virgens como há 500 anos.

Porque os próprios EUA foram sendo ampliados pelos próprios norte-americanos (Flórida, Alasca, Texas...), ao invés do Brasil que é o original desenhado em Lisboa e Madrid, defendendo durante muitos anos contra holandeses, espanhois e franceses.

É habitual ouvir a brasileiros, angolanos, guineenses..., "se fossemos colonizados por uma França, ou Inglaterra".

Às vezes fica-se na dúvida se esses povos lusófonos teem sentido pátrio, nacionalista e orgulho nas sua pátria, e nas suas fronteiras.

Tanto os riquíssimos e enormes Brasil e Angola, apenas raspámos umas pequeníssimas riquezas com a unha do mindinho.

Pouco explorámos, pouco desenvolvemos, apenas criámos e defendemos as fronteiras possíveis.

Diz em entrevista o artista e intelectual Caetano Veloso que Portugal apenas explorou os Índios.

Devemos ouvir e sorrir, por dizer em português.

Mas aquela fronteiras, são impagáveis.

Bem que podiam cobrir de oiro todas as caravelas de "seu Cabral" e aportarem em Bem.

E nós devemos pedir desculpa aos Caboverdeanos por os termos ajudado a criar um país onde apenas chove de 4 em 4 anos?

Um abraço

Adriano Miranda Lima disse...

Mais uma vez apareço aqui para felicitar o Dr. Luís Graça e os seus colaboradores pelos muito preciosos dados que vêm fornecendo sobre as Tropas Expedicionárias a Cabo Verde. Eu próprio me interesso por este assunto, sobre o qual já escrevi alguma coisa e continuo a escrever, neste momento publicando posts no blogue "Praia de Bote". Para o efeito, pedi ao Dr. Luís Graça a sua permissão para recolher uma outra foto que me possa interessar para ilustração dos meus textos, que eu publicarei citando, naturalmente, o nome da sua pessoa ou o nome deste blogue. Foi-me concedida a autorização e desde já renovo os meus agradecimentos.
Aproveito para solicitar uma rectificação nos dados referentes aos militarews inumados no cemitério de S. Vicente. Alista diz: NICOLAU DE LUIZI - Soldado da Companhia de Atiradores do 1º Batalhão do Regimento de Infantaria nº 7 [, Leiria,], de 53 anos, casado com D. Amélia da Silva Cyrylio de Luizi, natural de Vila Nova de Portimão, faleceu de septicémia-bronco-pneumonia em 9 de Março de 1942. O registo consta no Livro 51. Há aqui um erro. O Nicolau de Luizi era major de infantaria e comandante do BI 15. Tudo o resto está correcto no que a ele se refere.

Um grande e amigo abraço

Adriano Miranda Lima

Adriano Miranda Lima disse...

Mais uma vez apareço aqui para felicitar o Dr. Luís Graça e os seus colaboradores pelos muito preciosos dados que vêm fornecendo sobre as Tropas Expedicionárias a Cabo Verde. Eu próprio me interesso por este assunto, sobre o qual já escrevi alguma coisa e continuo a escrever, neste momento publicando posts no blogue "Praia de Bote". Para o efeito, pedi ao Dr. Luís Graça a sua permissão para recolher uma outra foto que me possa interessar para ilustração dos meus textos, que eu publicarei citando, naturalmente, o nome da sua pessoa ou o nome deste blogue. Foi-me concedida a autorização e desde já renovo os meus agradecimentos.
Aproveito para solicitar uma rectificação nos dados referentes aos militarews inumados no cemitério de S. Vicente. Alista diz: NICOLAU DE LUIZI - Soldado da Companhia de Atiradores do 1º Batalhão do Regimento de Infantaria nº 7 [, Leiria,], de 53 anos, casado com D. Amélia da Silva Cyrylio de Luizi, natural de Vila Nova de Portimão, faleceu de septicémia-bronco-pneumonia em 9 de Março de 1942. O registo consta no Livro 51. Há aqui um erro. O Nicolau de Luizi era major de infantaria e comandante do BI 15. Tudo o resto está correcto no que a ele se refere.

Um grande e amigo abraço

Adriano Miranda Lima

Adriano Miranda Lima disse...

Mais uma vez apareço aqui para felicitar o Dr. Luís Graça e os seus colaboradores pelos muito preciosos dados que vêm fornecendo sobre as Tropas Expedicionárias a Cabo Verde. Eu próprio me interesso por este assunto, sobre o qual já escrevi alguma coisa e continuo a escrever, neste momento publicando posts no blogue "Praia de Bote". Para o efeito, pedi ao Dr. Luís Graça a sua permissão para recolher uma outra foto que me possa interessar para ilustração dos meus textos, que eu publicarei citando, naturalmente, o nome da sua pessoa ou o nome deste blogue. Foi-me concedida a autorização e desde já renovo os meus agradecimentos.
Aproveito para solicitar uma rectificação nos dados referentes aos militarews inumados no cemitério de S. Vicente. Alista diz: NICOLAU DE LUIZI - Soldado da Companhia de Atiradores do 1º Batalhão do Regimento de Infantaria nº 7 [, Leiria,], de 53 anos, casado com D. Amélia da Silva Cyrylio de Luizi, natural de Vila Nova de Portimão, faleceu de septicémia-bronco-pneumonia em 9 de Março de 1942. O registo consta no Livro 51. Há aqui um erro. O Nicolau de Luizi era major de infantaria e comandante do BI 15. Tudo o resto está correcto no que a ele se refere.

Um grande e amigo abraço

Adriano Miranda Lima

José Marcelino Martins disse...

Caro Adriano Miranda Lima

Agradeço o seu oportuno comentário e correcção, mas assim consra na lista que me foi fornecida pela LC.
Tratar-se-á, sem dúvida, um lapso de transcrição de apontamentos.
Tambem achei estranho a existência de um soldado com 53 anos em serviço em Cabo Verde, uma vez que, em 1918 o meu avô materno, 2º Sargento de Infantaria, foi mobilizado para Moçambique, e foi desmobilizado devido a ter cerca de 50 anos.
Vou alterar as minhas notas, até para não cometer o erro outra vez.
Suponho que o Luis Graça, se ainda for possivel, reparará a informação.

Cumprimentos

José Martins

José Marcelino Martins disse...

Caro Adriano Miranda Lima

Agradeço o seu oportuno comentário e correcção, mas assim consra na lista que me foi fornecida pela LC.
Tratar-se-á, sem dúvida, um lapso de transcrição de apontamentos.
Tambem achei estranho a existência de um soldado com 53 anos em serviço em Cabo Verde, uma vez que, em 1918 o meu avô materno, 2º Sargento de Infantaria, foi mobilizado para Moçambique, e foi desmobilizado devido a ter cerca de 50 anos.
Vou alterar as minhas notas, até para não cometer o erro outra vez.
Suponho que o Luis Graça, se ainda for possivel, reparará a informação.

Cumprimentos

José Martins

Adriano Miranda Lima disse...

Manifesto ao senhor José Martins a minha admiração pelo excelente trabalho de pesquisa que empreendeu e permitiu a publicação desta lista dos militares portugueses falecidos em Cabo Verde. O meu reparo em relação ao lapso de registo respeitante ao major Nicolau de Luizi deve-se ao conhecimento muito particular que tenho do caso. Sou militar (coronel reformado) e servi grande parte da minha carreira no RI 15, sobretudo depois de finda a guerra de África. Essa condição permite-me conhecer muito bem o historial desse regimento, que beneficiei com pesquisas, reescrevendo algumas das suas páginas.
Como sou cabo-verdiano de nascimento, toca-me também de modo muito particular o historial das tropas expedicionárias durante a II Guerra Mundial. É por isso que me atrai este blogue, cuja consulta me tem facultado alguma ajuda para poder escrever alguns textos que comecei a publicar no blogue Praia de Bote, cujo nome se deve à praia com o mesmo nome existente na cidade do Mindelo, na orla do Porto Grande.
Ainda participei em 3 convívios realizados em Tomar pelos expedicionários do BI 15, que incluíam também expedicionários de outras unidades mobilizadas, como os de Infantaria 5 e 7. O grande entusiasta e organizador desses convívios era o senhor Francisco Lopes (que era conhecido no Mindelo como o Chico da Concertina). Infelizmente, faleceu há para aí 2 anos. Estava muito lúcido e ainda vigoroso, mas bastou terem-lhe tirado a carta de condução (conduziu até idade muito avançada) para entrar numa depressão a que seguiu uma pneumonia que foi a causa da sua morte. Julgo que ele tinha 89 anos.
Fiz duas comissões, uma em Angola e outra em Moçambique, mas na Guiné nunca estive.

Um abraço a todos

Adriano Lima

Adriano Miranda Lima disse...

Consultando de novo a lista dos militares inumados em S. Vicente, atentei no seguinte caso: OVÍDIO DE DEUS DA SILVA BUÍÇA - 2º Sargento nº 51-42 da Companhia de Comando do 1º Batalhão Expedicionário da Regimento de Infantaria nº 5 [, Caldas da Rainha], idade não referida, natural de Portalegre, faleceu de ferida perfurante do crâneo, por arma de fogo, em 3 de Abril de 1943 [Possivelmente, suicídio]. Inumado na 14ª campa de Rua 56, do Cemitério do Mindelo, Ilha de São Vicente.
Confirmo que se tratou, de facto, de suicídio. Infelizmente, o sargento pôs termo à vida por irregularidades que lhe foram detectadas na administração de contas que tinha a seu cargo. Esse sargento era amigo de um familiar meu.
Visitei em Julho passado o talhão militar e não deixei de me comover com a visão das campas de dezenas de militares que morreram em terra distante longe das suas famílias. É a mesma comoção que me provoca a recordação de duas praças que deixei enterradas em Angola, por lá continuando ainda os seus restos mortais. Em Moçambique, os meus mortos foram já enviados para a metrópole, pois os enterramentos locais deixaram de se fazer. Tarde demais, quanto a mim, pois o efeito moral da situação contrária era arrasador.

Adriano Miranda Lima disse...

A respeito do sargento Buíça, que se suicidou e está sepultado no cemitério de S. Vicente, tive oportunidade de deixar neste blogue um breve comentário.

Mas, com muito gosto, volto a comentar sobre a pessoa desse militar, já que, por testemunhos que me chegaram, bem merece que a sua memória seja aqui enaltecida.

Como referi no primeiro comentário, ele era amigo do pai da que viria a ser minha tia por afinidade. Telefonei-lhe para saber de pormenores, e ela contou-me que apenas tinha 10 anos na altura, mas o pai contou em casa que o sargento Buíça era muito querido na cidade porque dotado de grande sensibilidade humana, amigo de ajudar os necessitados. Parece que foi acusado de desvio de géneros da messe de que era encarregado. A minha tia conta ainda que a sua morte causou grande consternação no meio civil, sobretudo entre o povo anónimo, tendo o seu funeral sido acompanhado por uma multidão.

Um cabo-verdiano que reside em França, Valdemar Pereira, cônsul de Portugal em Tours, reformado,era ainda criança à data dos acontecimentos mas lembra-se do ocorrido, tendo-me enviado um mail com o seguinte texto:
“Senti como que um arrepio ao re-ouvir falar do Sargento Buíça, de quem muito bem se falava e cuja morte foi extremamente sentida, pois o militar era muito bondoso e ajudava muita gente, que chorou a sua morte. Não tenho ideia das suas benfeitorias mas era pessoa que, sempre que podia, ajudava as pessoas. Paz à sua alma. Gostaria que desses este meu pequeno testemunho ao teu camarada Graça.”


Outro mail enviado de seguida pelo senhor Valdemar Pereira:

“Põe lá mais este detalhe sobre o sargento Buíça. Eu acho que ele merece o reconhecimento póstumo, mesmo depois de mais de meio século e num modesto blog mas, vindo de um militar que se deu ao trabalho de fazer pesquisas, é louvável. Eu, menino de Soncente que viu chegar os expedicionários, agradeço.
Lembro-me que ele trabalhava na Messe, ou qualquer coisa parecida, e era generoso. É bem possível que ele tenha cometido desfalque na quantidade de mantimentos mas de dinheiro é que não deve ter sido.
Como podes calcular, uma bucha matava a fome de alguns e um "chouriço do reino" ou uma posta de bacalhau era coisa de outro mundo. Não posso entrar em detalhes porque eu ainda era menino mas, por ser curioso, sabia que ele ajudava muita gente de forma amiga e desinteressada.”

Não sei se os presentes testemunhos terão algum valor póstumo para os descendentes do sargento Buíça, mas bem gostaria que sim. Só quem não tem a mínima ideia do que foi viver naqueles tempos difíceis terá dificuldade em perceber o alcance dos gestos de bondade do malogrado militar.