Guiné-Bissau> Região de Gabu > Picada de Cheche-Gabu > 1998 > Trinta anos depois ainda eram ainda brutalmenmte vísiveis os sinais das emboscadas e das minas que fizeram do triângulo do Boé (Cheche, Beli e Madina) um verdadeiuro cemitério para os homens e as suas máquinas...No dia 6 de fevereiro de 1969, ficaram lá, sepulytados para sempre, pelo menos 47 camaradas nossos, 19 da CCAÇ 2405 e 28 da CCAÇ 1790.
Fotos (e legenda): © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Fotos (e legenda): © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Guiné > Região de Gabu > Picada Cheche - Madina do Boé> Op Mabecos Bravios > A caminho de Madina do Boé > 3 de fevereiro de 1969 > Viaturas das NT (Mercedes), abandonadas em colunas anteriores.
Guiné > Região de Gabu > *Picada Cheche . Madina do Boé > Op Mabecos Bravios > A caminho de Madina do Boé > 3 de fevereiro de 1969 > Viaturas das NT (Mercedes), abandonadas em colunas anteriores.
Guiné > Região de Gabu > Picada Cheche . Madina do Boé > Op Mabecos Bravios > A caminho de Madina do Boé > 3 de fevereiro de 1969 > Viatura das NT abandonada (Berliet)
Fotos (e legendas): © Hilário Peixeiro (2011). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2018) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. A estrada Nova Lamego - Canjadude - Cheche - Madina do Boé foi um cemitério de viaturas das NT. Enquanto houve guarnições nossas no triângulo Béli, Cheche e Madina do Boé, faziam-se em geral 2 colunas por mês, durante a época seca, para abastecer o pessoal que defendia aquelas posições a sudeste, junto à fronteira com a Guiné-Conacri (**).
Minas, emboscadas, flagelações, ataques... eram frequentes. Tornou-se um pesadelo aguentar aquelas três guarnições. Até que foi dada ordem para desactivar e retirar Beli (logo em meados de 1968) e depois Madina do Boé e Cheche (em 6/2/1969). Canjadude (CCAÇ 5, "Gatos Pretos", 1968/70), a sul de Nova Lamego, passou a ser a guarnição no Sector L3, a par de Cabuca (a leste), mais próxima da nova linha de fronteira, o rio Corubal.
Quem fez esta estrada, e sobretudo o troço Cheche-Madina do Boé, no âmbito da Op Mabecos Bravios, como os nossos camaradas e grão-tabanqueiros Hilário Peixeiro (CCAÇ 2403) e Paulo Raposo (CCAÇ 2405), é que pôde testemunhar, para a posteridade, que a zona do Boé era nessa altura um cemitério de viaturas. O Paulo Raposo contou 15. O Hilário Peixeiro fotografou algumas viaturas abandonadas na bermas da picada.
O nosso saudoso Xico Allen (1950-2022), quando por lá andou em 1998, ainda apanhou muito do "ferro-velho" da guerra.
2. A retirada de Madina do Boé era inevitável ?, perguntarão alguns leitores. Já estava prevista: a sua defesa era insustentável do ponto de vista sobretudo logístico, financeiro, humano, psicológico e até militar (***).
A alternantiva era construir-se uma "grande base" no Cheche, na margem norte (direita) do rio Corubal...Mas depois deste desastre, toda a gente, a começar pelo próprio Com-Chefe e Governador, António Spínola, quis esquecer o desastre de Cheche e ultrapassar o trauma...
Em último caso, continuaria a fazer-se a "retração do dispositivo"... E, para defender as "joias da coroa" (que eram Angola e Moçambique), o chefe do Governo,. Marcelo Caetano, estaria na disposição de lançar aos cães o "osso" da Guiné.
Deu-se o "ouro ao bandido" ?... O PAIGC, sem ter dado um único tiro em 6/2/1969, foi um "claro vencedor" da "batalha de Madina do Boé". Que, acrescente-se, não tem qualquer paralelismo com Dien-Bien-Phu (na guerra da Indochina, em 1954).
Habilmente, e como seria de esperar, declarou o Boé como "área libertada", mesmo sem qualquer população, a não ser as escassas centenas de chimpazés e uns solitários e sazonais elefantes, que utilizavam um corredor transfronteiriço... E passou a usá-la como trunfo propagandístico, diplomático e até militar. Em contrapartida, não havendo quartéis portugueses, o Amílcar Cabral perdeu porventura uma fonte dos seus prazeres, que era ver de binóculos, da sua colina favorita, o ataque à canhoada a Madina do Boé.
Morto o líder histórico, quatro anos e meio depois, alegadamente em 24 de setembro de 1973, ainda em plena época das chuvas, e "algures" no Boé ou "nenhures" (mais provavelmente já no território da Guiné-Conacri, embora não haja ainda "provas concludentes", mas a fronteira era porosa), o PAIGC iria proclamar a independência unilateral da Guiné-Bissau. Mais tarde, o PAIGC arranjaria outros topónimos menos polémicos, ou mais "exóticos" mas "pacíficos": Lugaloje, Vendu Leidi, Orre Fello...
É de notar: o PAIGC não convidou nenhum jornalista independente (tirando uma equipa de cinema sueca). Não há "provas concludentes" de que o local onde onde nasceu a nova pátria, tenha sido o Boé. Nessa época não habia georreferenciação. Mas nem eram precisas as coordenadas do GPS, para as Nações Unidas aceitarem como "mais do que credível" e consumado o "facto histórico", e carimbarem o nascimento da nova Nação lusófona...
Em Madina do Boé é que nunca foi, apesar da narrativa triunfalista e mistificadora do PAIGC. Durante décadas muita boa gente, portuguesa e estrangeira, aceitou de "boa fé" (como eu, em 1973...) este embuste do partido de Luís Cabral, Aristides Pereira e 'Nino' Vieira.
Pena é que estas e outras fotos não pudessem circular livremente pelas mãos dos portugueses, nessa época...
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Notas do editor LG:
(**) Vd. poste de 21 de julho de 2018 > Guiné 61/74 - P18863: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (8): Os meus passeios pelo Boé - Parte II: 1 de julho de 2018: Béli (e a Fundação Chimbo Daribó), Dandum, Madina do Boé, Canjadude...
(***) Vd. poste de 9 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27717: Documentos (51): A retirada de Madina do Boé (Hélio Felgas, maj-gen, 1920-2008)




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