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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Guiine - P27728: Fotos à procura de...uma legenda (198): Restos da "batalha de Madina do Boé"...




Guiné-Bissau> Região de Gabu > Picada de Cheche-Gabu > 1998 > Trinta anos depois ainda eram ainda  brutalmenmte vísiveis os sinais das emboscadas e das minas que fizeram do triângulo do Boé (Cheche, Beli e Madina) um verdadeiuro cemitério para os homens e as suas máquinas...No dia 6 de fevereiro de 1969, ficaram lá, sepulytados para sempre, pelo menos 47 camaradas nossos, 19 da CCAÇ 2405 e 28 da CCAÇ 1790.

Fotos (e legenda): © Francisco Allen / Albano M. Costa (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




 Guiné > Região de Gabu > Picada Cheche - Madina do Boé> Op Mabecos Bravios > A caminho de Madina do Boé > 3 de fevereiro de 1969 > Viaturas das NT  (Mercedes), abandonadas em colunas anteriores.


 

Guiné > Região de Gabu > *Picada Cheche . Madina do Boé > Op Mabecos Bravios > A caminho de Madina do Boé > 3 de fevereiro de 1969 > Viaturas das NT  (Mercedes), 
abandonadas em colunas anteriores.



Guiné > Região de Gabu > Picada Cheche . Madina do Boé  > Op Mabecos Bravios > A caminho de Madina do Boé >  3 de fevereiro de 1969 > Viatura das NT abandonada (Berliet)


Fotos do álbum do cor inf ref Hilário Peixeiro, que foi capitão no CTIG, cmdt da CCAÇ 2403 / BCAÇ 2851 (Nova Lamego, Piche, Fá Mandinga, Olossato e Mansabá, 1968/70), e que pertecneu na Opp Mabecos Bravios (retirada de Madina doo Boé, 2-7 de fevereoiro de 1969).

Fotos (e legendas): © Hilário Peixeiro (2011). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Guiné-Bissau > Região de Gabu > Sectir de Boé > 1 de julho de 2018 > Caminhos do Boé, com colinas ao fundo, no regresso a Canjadude e a Gabu (antiga Nova Lamego). Para o Cherno Baldé, " a região,  com as suas mil e uma colinas, é simplesmente, a região mais bonita do pais" (**) 

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2018) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. A estrada Nova Lamego - Canjadude - Cheche - Madina do Boé foi um cemitério de viaturas das NT. Enquanto houve guarnições nossas no triângulo  Béli, Cheche  e  Madina do Boé, faziam-se  em geral 2 colunas por mês, durante a época seca, para abastecer o pessoal que defendia aquelas posições a sudeste, junto à fronteira com a Guiné-Conacri (**).

Minas, emboscadas, flagelações, ataques... eram frequentes. Tornou-se um pesadelo aguentar aquelas três guarnições. Até que foi dada ordem para desactivar e retirar Beli (logo em meados de 1968) e depois Madina do Boé e Cheche (em 6/2/1969). Canjadude (CCAÇ 5, "Gatos Pretos", 1968/70), a sul de Nova Lamego, passou a ser a guarnição no Sector L3, a par de Cabuca (a leste),  mais próxima da nova linha de fronteira, o  rio Corubal.

Quem  fez esta estrada, e sobretudo o troço Cheche-Madina do Boé, no âmbito da Op  Mabecos Bravios, como os nossos camaradas e grão-tabanqueiros Hilário Peixeiro (CCAÇ 2403) e Paulo Raposo (CCAÇ 2405), é que pôde  testemunhar, para a posteridade, que a zona do Boé era nessa altura um cemitério de viaturas. O Paulo Raposo contou 15.  O Hilário Peixeiro  fotografou algumas viaturas abandonadas na bermas da picada.  

O nosso saudoso Xico Allen (1950-2022), quando por lá andou em 1998, ainda apanhou muito do "ferro-velho" da guerra.

2. A retirada de Madina do Boé era inevitável ?, perguntarão alguns leitores.  Já estava prevista: a sua defesa era insustentável do ponto de vista sobretudo logístico, financeiro, humano, psicológico e até militar (***).  

A alternantiva era construir-se uma "grande base" no Cheche, na margem norte (direita) do rio Corubal...Mas depois deste desastre, toda a gente, a começar pelo próprio Com-Chefe e Governador, António Spínola, quis esquecer o desastre de Cheche e ultrapassar o trauma...

Em último caso, continuaria a fazer-se a "retração do dispositivo"... E, para defender as "joias da coroa" (que eram Angola e Moçambique), o chefe do Governo,. Marcelo Caetano, estaria na disposição de lançar aos cães o "osso" da Guiné.

Deu-se o "ouro ao bandido" ?... O PAIGC, sem ter dado um único tiro em 6/2/1969, foi um "claro vencedor" da "batalha de Madina do Boé".  Que, acrescente-se, não tem qualquer paralelismo com Dien-Bien-Phu (na guerra da Indochina, em 1954). 

Habilmente, e como seria de esperar, declarou o Boé como "área libertada", mesmo sem qualquer população, a não ser as escassas centenas de chimpazés e uns solitários e sazonais elefantes, que utilizavam um corredor transfronteiriço...  E passou a usá-la como trunfo propagandístico, diplomático e até militar.  Em contrapartida, não havendo quartéis portugueses, o Amílcar Cabral perdeu porventura uma fonte dos seus prazeres, que era ver de binóculos, da sua colina favorita, o ataque à canhoada a Madina do Boé.

Morto o líder histórico, quatro anos e meio depois, alegadamente em 24 de setembro de 1973, ainda em plena época das chuvas,  e "algures" no Boé ou "nenhures" (mais provavelmente já no território da Guiné-Conacri, embora não haja   ainda "provas concludentes", mas a fronteira era porosa), o PAIGC iria proclamar a independência unilateral da Guiné-Bissau.  Mais tarde, o PAIGC arranjaria outros topónimos menos polémicos,  ou mais "exóticos" mas "pacíficos": Lugaloje,  Vendu Leidi, Orre Fello...

É de notar: o PAIGC não convidou nenhum jornalista independente (tirando uma equipa de cinema sueca). Não há "provas concludentes" de que o local onde onde nasceu a nova pátria,  tenha sido o Boé. Nessa época não habia georreferenciação. Mas nem eram precisas as coordenadas do GPS, para as Nações Unidas aceitarem como "mais do que credível" e consumado o "facto histórico",  e carimbarem o nascimento da nova Nação lusófona...

Em Madina do Boé é que nunca foi, apesar  da narrativa triunfalista e mistificadora do PAIGC. Durante décadas muita boa gente, portuguesa e estrangeira,  aceitou de "boa fé" (como eu, em 1973...) este embuste do partido de Luís Cabral, Aristides Pereira e 'Nino' Vieira.

Pena é que estas  e outras fotos não pudessem circular livremente pelas mãos dos portugueses, nessa época...

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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 7 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27711: Fotos à procura de... uma legenda (197): Qual o comprimento e o peso desta píton-africana (ou "irã-cego") apanhada na região de Quínara ? (Boaventura Alves Videira, CCS/BCAÇ 1861, Buba, 1965/67)


(**) Vd. poste de 21 de julho de 2018 > Guiné 61/74 - P18863: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (8): Os meus passeios pelo Boé - Parte II: 1 de julho de 2018: Béli (e a Fundação Chimbo Daribó), Dandum, Madina do Boé, Canjadude...


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