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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27716: História de vida de um capelão militar: Horácio Fernandes / Francisco Caboz (1935-2025) - Parte VIII: Mobilização para o CTIG, no último trimestre de 1967, e a praxe... "pornográfica", em Catió


Guiné > Região de Tombali > Catió > CCS / BART 1913 (1967/69) > Catió 

"Cerimónia militar em fevereiro de 1968, por ocasião da imposição à CART 1689 da Flâmula de Honra (ouro) do CTIG, atribuída em julho de 1967. Edifício do comando. Presença de militares, civis da administração, correios e comerciantes locais.

"Da esquerda para a direita, 

(A) um militar, de camuflado, que não consigo identificar; 

 (B) de costas, o cap médico Morais; 

 (C) o comandante, ten cor Abílio Santiago Cardoso; 

 (D) quatro funcionários dos Correios e da Administração; 

(E) o comerciante Sr. José Saad [libanês] e filha; 

(F) o comerciante, Sr. Mota; 

(G) o comerciante, Sr. Dantas e filha; 

(H) o comerciante, Sr. Barros; 

(I) o electricista civil, Jerónimo: 

(J) e, por fim, o alf  graduado capelão Horácio [Neto Fernandes]" [um capelão isolado, mais próximo dos civis do que dos militares, um padre que não está bem com Deus nem com César...].


 Guiné > Região de Tombali > Catió > CCS / BART 1913 (1967/69) > Catió > Parada do quartel, ao fundo o edifício do comando. As NT em formatura.



Guiné > Região de Tombali > Catió > CCS / BART 1913 (1967/69) > Catió > Parada do quartel, ao fundo o edifício do comando.  

Álbum fotográfico do Victor Condeço (1943/2010).

Fotos (e legendas): © Victor Condeço (2007).  Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Capa do livro do Horácio Fernandes, publicado 14 anos depois da sua dissertação de mestrado (1995): ""Francisco Caboz: a construção e a desconstrução de um padre" [Porto: Papiro Editora, 2009, 185, (7) pp. ISBN 978-989-636-446-5].(O livro está esgotado.)-.


1. Estamos a reproduzir excertos da dissertação de mestrado em ciências da educação, pela Faculdade de Psicologia e Ciências das Educação da Universidade do Porto (1995), da autoria do  nosso grão -tabanqueiro Horácio Fernandes, que foi nosso camarada como capelão militar no CTIG ( 1967/69), e que faleceu recentemente, em novembro de 2025, com 90 anos completos. 
 
No capº IV daquele trabalho académico, ele narra e comenta a história de vida de Francisco Caboz, seu "alter ego". Trata-se, pois, de uma autobiografia, que em 30 páginas, a duas colunas, cobre a sua infância, adolescência, juventude e idade adulta até 1972, o ano em que, prestes a fazer 37 anos, regressa ao estado laical e constitui família.

Nos sete postes anteriores já publicados (*), ele fala-nos, sucintamente, de:

(i) a sua terra natal, "Arribas do Mar" [leia-se Ribamar, da Lourinhã], bem como as 3 figuras da família que o marcaram: o pai (José Fernandes Nazaré), a mãe (Elvira Neto) e o avô materno (nascido por volta de 1875/80, o sacristão da freguesia, o Ti João das Velas de Santa Bárbara);

(ii) como foi criando raízes a ideia de ser padre: o avô materno, sacristão, e a professora primária acabaram por ser as pessoas que mais pesaram nessa decisão;

(iii) a entrada no Colégio Angélico (leia-se, Seráfico, na altura Montariol, em Braga, a mais de 300 km de distância da sua terra, Ribamar, Lourinhã), e os "quatro cenários" onde se vai desenrolar a sua vida de "angélico" (ou seja, até ao 5º ano, correspondente hoje ao 9º ano de escolaridade): a camarata, o refeitório, a sala de aulas, o salão de estudo, e onde vigorava o panoptismo;

(iv) os mecanismos de vigilância dos internos e os rituais de punição por parte dos prefeitos;

(v) o 6.º ano, quando passa a ser noviço (Convento do Varatojo, Torres Vedras);

(vi) segue-se o Coristado de Filosofia (em Leiria, no seminário de São Francisco / convento da Portela) e depois de Teologia (no Seminário da Luz, Carnide, Lisboa), até à ordenação sacerdotal (em agosto de  1959).

(vii) e,por fim,  em 1967, a sua mobilização  para a Guiné, como capelão militar. 


2. É uma história de vida que merece ser conhecida dos nossos leitores. Um verdadeiro testemunho de uma época que ainda coincide, em parte, com a nossa.

O Horácio nasceu em 1935. Em 1945/46, completou a 4.ª classe e seguiu para o seminário menor dos franciscanos (o colégio seráfico, a que ele chama angélico), em Montariol, Braga.

Até ser ordenado padre, passará por Varatojo / Torres Vedras, Leiria e Carnide / Lisboa, completando 13 anos de estudo e formação em regime de disciplina apertada.

O Horácio Fernandes seria ordenado padre, ainda antes de completar os 24 anos. Lembro-me de ter ido à sua Missa Nova, em 15 de agosto de 1959, na sua terra, Ribamar, Lourinhã.

É um trabalho académico, relevante não só para a história da capelania castrense como também para o conhecimento do ensino confessional ministrado em seminários diocesanos e regulares, onde se formava o clero católico ao tempo da Ditadura Militar e Estado Novo (1926-1974).

Foi depois alferes graduado capelão, em rendição individual, no BART 1913 (Catió, setembro de 1967 - maio de 1969) e no BCAÇ 2852 (Bambadinca, no 2.º semestre de 1969). Chegaria ao CTIG com 32 anos, regressaria com 34.

Andou ainda na marinha mercante (transporte de tropas e navios petroleiros), como capelão, até deixar o sacerdócio em 1972, antes de completar os 37 anos.

Casou, passou a viver no Porto. Teve 3 filhos. Estava reformado da Inspeção Geral de Educação onde trabalhou 25 anos na zona norte. Em 2006, aos 70 anos, doutorou-se em ciências da educação pela Universidade de Salamanca, Espanha.

Reencontrámo-nos,  por volta de 2015, na Tabanca de Porto Dinheiro, Lourinhã, ao fim de 57 anos de vidas completamente separadas.


História de vida de um capelão militar: Horácio Fernandes / Francisco Caboz (1935-2025) - Parte VIII:  Mobilização para o CTIG, no último trimestre de 1967, e a praxe... pornográfica

por Horácio Fernandes

Cenário 3. - Regresso ao antigo Colégio Angélico como Subprefeito de Disciplina e mobilização para Capelão Militar

Regressado ao antigo Colégio Angélico, por imposição dos Superiores, e sem qualquer explicação, mergulhei novamente no passado. 

Os alunos ainda faziam exames internos e ia ficar sob a jurisdição de alguns dos meus antigos professores e Prefeitos. Contudo, alguma coisa tinha mudado: faziam-se encontros de futebol com outros Seminários e davam-se passeios, sem o traje ritual, embora as normas disciplinares se conservassem as mesmas.

Talvez por isso e porque pouco podia alterar, como Subprefeito que era, dediquei-rne mais à direcção espiritual das freiras e à pregação. Comecei por alguns tríduos e acabei nos sermões de festa. O fundamental era conseguir a técnica, que variava, consoante o auditório. Escrevia todo o texto do sermão e arranjava algumas estórias piedosas para comover o público.

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A princípio, decorava todo o sermão, mas depois comecei a decorar apenas as linhas mestras. Para despertar o auditório, havia exclamações oratórias sonantes, nos momentos cruciais. Neste campo, como nos outros, fui autodidacta, aprendendo com a experiência e os erros.

Passados dois anos, em que já tinha uma clientela razoável, nas freguesias vizinhas, talvez devido à muita procura e escassez da oferta, fui mobilizado pata Capelão Militar, em substituição de um colega a quem tinha morrido a mãe.

Em Agosto de 1967, com 32 anos de idade,  fui convocado para submeter-me a um treino, de cerca de um mês, na Academia Militar, para exercer as funções de Capelão na Guerra Colonial.

Era um Bispo, com o posto de Brigadeiro que estava à frente da Capelania Militar. Nas aulas de Deontologia Mlitar realçava o papel do Capelão, como levando o conforto espiritual aos valentes soldados que lutavam contra os inimigos que pretendiam destruir a civilização cristã e o nosso esforço missionário.

 Contudo, nos dois anos de Capelão Militar, sempre verifiquei que os chefes da Capelania preferiam o conforto do Quartel General de Bissau, a visitar os capelães que estavam em zona de guerra.


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Cenário 4. - Capelão Militar na Guiné. A Guerra Colonial e as minhas guerras.

A mobilização para Capelão Militar significou um corte, quase radical, com as estruturas conventuais; A partir daí, o local de habitação era o quartel, indo aos fins de semana a casa, recebia e administrava o meu vencimento de aspirante e depois alferes graduado capelão. 

Na qualidade de capelão, estava sujeito à jurisdição da Capelania-Mor. Este desenraizamento da instituição, a quem me tinha umbilicalmente ligado, desde os 10 anos, abriu caminho a uma série de interrogações e relacionamentos, até aí impossíveis de conceber.

O treino teve componente teórica e prática. As lições práticas consistiam em exercícios físicos todos os dias e algumas lições de tiro, que nunca foram levadas a sério pelos instrutores, porque diziam que a nossa missão não era essa. Assim se passou um mês, até ao embarque.

Fiquei reprovado a Treino Físico, porque não podia dobrar bem a articulação do joelho esquerdo, mas fui aprovado como os outros.

A distribuição dos capelães pelos batalhões causou-me alguma confusão. Todos os meus colegas tinham grandes «cunhas» e vinham já destinados a batalhões da Marinha e Aviação, as armas mais apetecíveis. 


Mesmo os destinados ao Exército vinham bem recomendados pelos bispos das dioceses, ou padres amigos. Sem conhecer ninguém, senti-me só e desamparado e fui mandado para a Guiné para um Batalhão de Artilhari
a [BART 1913, Catió, 1967/69], que já ia em 8 meses de comissão de serviço.(**)

Embarquei, em setembro de 1967
 [esteve no CTIG, de 1/11/67 a 3/11/69],  no paquete «Uíge», com destino à Guiné, tendo à partida a dizer-me adeus apenas a minha família. 

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Os meus confrades tinham -se esquecido. Este esquecimento e o sistema das «cunhas» entre membros da Igreja, a que não estava habituado, fízeram-me reflectir um pouco. 

Contudo, o momento não era para grandes análises, nem estava habituado a elas, mas a obedecer.

Desde que fui mobilizado parecia um jovem gamo. Tudo era novidade. Parecia que estava a viver a minha adolescência, até aí submersa.

Coincidiu com as férias grandes e gostava de me fazer acompanhar pela gente nova da minha terra. Rapazes e raparigas estudantes eram uma presença permanente em minha casa, durante as três semanas de férias que antecederam a partida. 

Eu representava para meus pais, e restantes famílias de Arribas do Mar a segurança, face à tentativa, sobretudo das raparigas adolescentes, de sacudir a pressão dos familiares, considerados já antiquados. Por isso, organizava piqueniques, festas, idas ao cinema. Um acordeão que me tinham oferecido acompanhava-me para toda a parte, não obstante pouco saber tocar.

Desde que saíra do Seminário, vivia o quotidiano como uma aventura. A ida para a Guiné fazia parte dessa aventura de adolescente, onde não cabia a problemática política, nem os perigos que podia correr.

Ia contactar com a Africa dos meus sonhos de Angélico, em circunstâncias de guerra, de que não fazia a mínima ideia, mas estava acima de tudo curioso.

 Comprei as fardas, recebi os abonos adiantados que fizeram muito jeito aos meus pais e embarquei carregado de trintários (15) pelas almas do purgatório e de presentes para os soldados da freguesia e concelho.

Os 6 dias de viagem foram passados, agarrado a um potente rádio que tinha comprado, a ouvir notícias da Metrópole. Enjoava, e, por isso, sempre que podia, subia ao no convés, para conversar com os cabos e praças de outras companhias. 

Ainda meio atordoado, desembarquei em Bissau, partindo na primeira avioneta militar para o sul da Guiné.

A recepção nunca mais a esquecerei. Os oficiais estavam já à mesa, para o almoço. Deixei as malas no jipe que me foi buscar ao campo de aviação de terra batida e fui sentar-me, onde havia um lugar vazio. Reparei que,  antes da sopa, começou a correr, de mão em mão, um envelope de fotografias em ponto grande, mas não liguei importância. 

Era uma armadilha.

Daí a pouco, o capitão que estava a meu lado, passou-mas e,  ao abrir, verifiquei que continham mulheres nuas, algumas a fazer sexo nas posições mais esquisitas. 

O capitão ia passando-as, uma a uma, diante de mim, concerteza para ver a minha reacção. Eu fiquei muito embaraçado e,  sem o fair play necessário nestes momentos, perguntei-lhe:

- É a sua mulher?
_________________

Nota do autor LG:

(15) Conjunto de trinta missas seguidas com que os familiares costumavam sufragar as almas dos defuntos, por vezes por imposição testamentária.

- 130-

Este incidente estragou a recepção planeada, embora o comandante que presidia tentasse mnimizá-lo. O capitão levantou-se da mesa, todo ofendido,  e foi preciso o patrocínio do médico, para sanar o contencioso aberto. 

Só passados vários meses me voltou a falar.

- 131-


(Continua)

(Revisão/ fixação de texto, negritos, links, parênteses retos: LG)
 ____________________

Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 2 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27695 : História de vida de um capelão militar: Horácio Fernandes / Francisco Caboz (1935-2025) - Parte VII: Ordenação, Missa Nova, professor de externato, capelão de freiras e servidor de famílias ricas na Comporta aos domingos
 
Últimos postes da série: 
 




(**) História da unidade: Batalhão de Artilharia nº 1913

Identificação:  BArt 1913
Unidade Mob: RAP 2 - Vila Nova de Gaia

Cmdt: TCor Art Abílio Santiago Cardoso | 2.° Crndt: Maj Art Luís Teixeira Fernandes 
OInfOp/Adj: Cap Art Ernesto Chaves Alves de Sousa | Cap Art Luís Alfino Castel-Branco Alves de Silva

Cmdts Cornp:

CCS: Cap SGE Rodrigo Botelho da Costa 

CArt 1687: Cap Mil Art Vicente João Cardoso de Macedo de Menezes

CArt 1688: Cap Art Damasceno Maurício Loureiro Borges

CArt 1689: Cap Art Manuel de Azevedo Moreira Maia | Cap Inf Martinho de Sousa Pereira | Cap Art Rui Manuel Viana de Andrade Cardoso

Divisa: "Por Portugal - um por todos, todos por um"

Partida: Embarque em 26Abr67; desembarque em 01Mai67 | Regresso: Embarque em 02Mar69

Síntese da Atividade Operacional:

Em 02Mai67, rendendo o BCaç 1858, assumiu a responsabilidade do Sector
S3, com sede em Catió e abrangendo os subsectores de Bedanda, Cufar, Catió,
Cachil, este extinto em l8Ju168, após evacuação,  e Cabedú, também extinto em
30Jul68 e integrado no subsector de Catió.

Desenvolveu intensa actividade operacional em ordem a criar insegurança
ao inimigo no sector, garantir a circulação nos itinerários e promover a
recuperação e protecção das populações da área. 

Pelos resultados obtidos e pelos efectivos envolvidos, salientam-se as operações "Penetrante", "Sttela", "Pleno" e "Futuro Próximo" entre outras.

Dentre o material capturado mais significativo salienta-se: 1 lança-granadas
foguete, 2 pistolas-metralhadora, 4 espingardas, 34 minas, 117 granadas de
armas pesadas e 605 cartuchos de armas ligeiras.

Em 17Fev69, foi rendido no sector de Catió pelo BArt 2865 e recolheu
seguidamente a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso. (...)

(...) Tem História da Unidade (Caixa nº 80 - 2ª Div/ 4ª Sec, do AHM).

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002,  pp. 215 e 217

5 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Pobre Horácio!... Caiu na esparrela, não teve "jogo de cintura" para lidar com uma "inocente" praxe, e a sua resposta foi... "a emenda, pior que o soneto". No livro que escreveria, 14 anos mais tarde (e de que já publicámos extensos excertos), o militar que está ao seu lado e que lhe mostra as "fotos pornográficas", não é um capitão, mas um major, alegadamente o 2º comandante do BART 1913.

O Horácio reconhecerá mais tarde que agiu instintivamente, como "adolescente" ou "menino de coro", um "seráfico", como alguém que é "ofendido e humilhado", sem se aperceber que se tratava de uma "praxe", inofensiva, pícara, eventualmente de mau gosto, mas apenas uma "brincadeira" da malta da tropa...Todos os "periquitos" eram praxados, dos oficiais às praças, e com mais razão os "civis" de camuflado (os médicos e os capelães) que, em princípio, ficavam no "bem bom" da guerra (a CCS...).

A praxe faz parte da cultura castrense. Admiro-me que na Academia Militar não o tenham minimamente preparado para enfrentar situações destas... Pelo menos, "alertado"...

Em conclusão: acabou por ser marginalizado no batalhão, em Catió... Foi infeliz, não se deu bem nem com Deus nem César...A praxe, goste-se ou não, é um ritual de integração no grupo...E mais ainda na tropa e na guerra.

Alberto Branquinho disse...

Luís

Quanto ao POST:
1 - "As NT" que estão em formatura na parada do quartel de Catió (na 2ª. foto) é exclusivamente a CART 1689, tendo, na parte frontal, os quatro pelotões operacionais e estão aguardando a chegada (de Bissau) das entidades que traziam a tal celebradíssima "Flâmula de Ouro do CTIG" - para os discursos habituais e, no final, colocarem a celebrada Flâmula no estandarte da unidade.
Acho que quem tirou a foto foi o Vítor Condeço, colocado no alto do depósito da água.
2 - Síntese da actividade operacional (? do BART 1913?):
- Do BART 1913 só foi para Catió a sua CCS e a CART 1687;
- As outras duas Companhias: uma (CART 1688) foi colocada em Bula e nunca mais a vimos antes de embarcar para Lisboa; a outra (CART 1689, a que pertenci) foi colocada em Fá Mandinga/Bambadinca, mas, meses mais tarde, fomos colocados em Catió durante 4 ou 5 meses, de onde saímos para não mais voltarmos, tendo peregrinado por várias casas alheias. Assim, fizemos operações no sector de Tite (segurança à construção de Gubia), sector de Buba (segurança à construção de Gandembel) e, finalmente, a dois meses do final, sector de Nova Lamego (Canquelifá - o primeiro e único "nosso quartel"). Se bem me lembro, só não estivemos em operações nos sectores de Cacheu, Farim, Teixeira Pinto e Bula.

Quanto ao teu comentário:
3 - Sim, parece ter sido o 2º. comandante, mas, "en passant".
4 - Escreveste que o Horácio "... acabou por ser marginalizado no batalhão de Catió..."
Só se foi por alguém e só por esse "alguém". As relações com os alferes sempre foram boas (apesar das muitas picardias que lhe faziamos) e os soldados, em gera, adoravam-no.
Dada a sua ingenuidade, dava origem a brincadeiras, como quando, nos primeiros dias, durante uma refeição, se dirigiu ao Comandante, dizendo: "Não acho bem, que os rapazes mexam nos seios das raparigas".
Ou, devido a razões idênticas, desse origem a "larachas inventadas" pelos soldados. Mas toda a gente o apreciava. E passou por momentos difíceis, como aquele em que um ataque a Cabedu o apanhou na casa-de-banho (daquelas casas de banho...). Por dedicação ao seu múnus (e por ingenuidade?), expôs-se a riscos, ao contrário daquilo que todos sabemos.

Alberto Branquinho disse...

Luís

O meu comentário, por ser grande, foi um pouco cortado pela máquina, mas o fundamental ficou.
Abraço

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Obrigado, Alberto, ajudas a melhorar a "imagem" que eu tinha dele, se calhar "enviesada" pela sua própria autocrítica...Infelizmente, não convivemos já muito, uma vez ou outra na Tabanca de Porto Dinheiro / Lourinhã. Tínhamos uma caldeirada anual. No verão, ele vinha para a sua casa em Peniche. Era um Maçarico, nado e criado como eu junto ao mar. Mas foi ficando muito surdo, ao ponto de já não atender o telefone, era a mulher que nos atendia. E depois era muito chegado aos filhos. Quis compensar o facto de se ter casado tarde. Conheci há dias a mana dele, a Graziela, que ele ajudou a formar-se em enfermagem. Aliás, já nos conhecíamjos de miúdos, provavelmente. A sua cara não me era estranha. Mas cada um seguiu a sua "picada". Vive na "outra banda", para os lados do Corroios / Seixal, se não erro. Tem uma família adorável. Espero poder estar com ela no verão, no Valmitão, outra praia de "Arribas do Mar" (Ribamar).

Tabanca Grande Luís Graça disse...

As praxes nas instituições militares (e em especial nos estabelecimentos de ensino, a começar pela Escola Naval) já fizeram correr "rios de tinta". Mas sáo contextos diferentes, a tropa, a guerra, os "internatos militares", os establecimentos de ensino militar...Temos que falar sobre o tema, que é delicado e não pode ter uma abordagem "redutora".