sábado, 6 de fevereiro de 2016

Guiné 63/74 - P15712: Efemérides (209): Há 47 anos, 47 baixas mortais... Em 6/2/1969, em Cheche, no Rio Corubal, no desastre da jangada, na sequência da retirada de Madina do Boé


Guiné > Região do Boé (?) > "Cemitério à beira do Rio Cheche" (sic)... Estranha (e perturbante) foto do Arquivo Amílcar Cabral, sem legenda nem uma data precisas/(1963-1973)... Estas cruzes só podem ser de militares portugueses... Será de alguns dos nossos camaradas que perderam a vida em 6/2/1969, mais a montante, em Cheche (vd, mapa de Jabia) ?


1. Os corpos poderão ter sido resgatados mais a jusante, na foz do tal Rio Ché Ché Piri (vd. mapa de Padada) ? Terão sido resgatados pelos nossos fuzileiros ? 

De qualquer modo, esta foto deve ter sido tirada por alguém do PAIGC e enviada para Conacri. É a única referência (mesmo indireta) que encontrei, no Arquivo Amílcar Cabral, a esta brutal tragédia que nos enlutou.

A imagem  consta da pasta 05360.000.124 do Arquivo Amílcar Cabral.  Não resistimos à tentação de a publicar, com a devida vénia... precisamente hoje, 47 anos depois do desastre do Cheche, em que tivemos 47 baixas mortais (46 militares e 1 civil).

O Rio Ché Ché Piri, afluente, vai desaguar na margem direita do rio Corubal (vd. mapa de Padada). Mas há um topónimo Ché Ché ou Cheche, que fica na margem esquerda do Rio Corubal, mais a nordeste, do Rio Ché Ché Piri.  Era passagem obrigatória para quem vinha de Nova Lamego  até Madina do Boé, passando por Canjadude, sede da CCAÇ 5 (Os Gatos Pretos). O nosso camarada José Martins pode esclarecer-nos melhor sobre onde terá sido tirada a foto.

2. Comentário do José Martins:

Vou fazer um comentário "soft".

Esta foto, para mim, não é só surreal como ofensiva. A zona de Burmeleu, a jusante do Cheche, não tem as margens como a imagem sugere.
A tragédia ocorreu no rio Corubal e não no Rio Ché Ché Piri. Acho muito estranho que os militares do PAIGC, mesmo depois da independência, fossem retirar cruzes das campas dos militares portugueses, para as colocar ali.

Alguns corpos foram recolhidos por guineenses, mas não prestariam esta homenagem, até porque, ocuparam o espaço de cemitérios com novas moranças, como se viu em reportagens televisivas, na zona de Bafatá.
Perdoai-lhes, Deus, porque  Jesus e Alá são um e único Senhor.
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Nota do editor:

14 comentários:

José Marcelino Martins disse...

Vou fazer um comentário "soft".
Esta foto, para mim, não é só surreal como ofensiva.
A zona de Burmeleu, a jusante do Che-che, não tem as margens como a imagem sugere.
A tragédia ocorreu no rio Corubal e não no Rio Ché Ché Piri.
Acho muito estranho que os militares do PAIGC, mesmo depois da independência, fossem retirar cruzes das campas dos militares portugueses, para as colocar ali.
Alguns corpos foram recolhidos por guineenses, mas não prestariam esta homenagem, até porque, ocuparam o espaço de cemitérios com novas moranças, como se viu em reportagens televisivas, na zona de Bafatá.
Perdoai-lhes, Deus, por Jesus e Alá são um e único Senhor.

Luís Graça disse...

Zé: Tudo indica que as cruzes (as de ferro são parecidas com as do cemitério de Bissau) tenham sido removidas... E tão perto do rio, já devem ter desaparecido há muito, na primeira enxurrada... A foto só pode ser anterior à independência. Os documentos do Arquivo Amílcar Cabral vão até 1973.

Obrigado pelo teu comentário. LG


PS - O título pode ter sido dado pelos técnicos da Fundação Mário Soares...


Pasta: 05360.000.124
Título: Cemitério à beira do rio Cheche
Assunto: Cemitério à beira do rio Cheche, Guiné-Bissau.
Inscrições: Cheche.
Data: 1963 - 1973
Fundo: DAC - Documentos Amílcar Cabral
Tipo Documental: Fotografias

http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=05360.000.124

Luís Graça disse...

Nos nossos mapas (Sabia e Padada) o toponónimo é grafado como Ché-Ché e não Cheche... Como é que se dizia no teu tempo, Zé Martins, tu que estiveste mais acima, em Canjadude, no tempo dos Gatos Pretos, CCAÇ 5 (1968/70) ?

Carlos Vinhal disse...

Alguém saberá quem pôs estas cruzes neste local, que segundo o José Martins não terá nada a ver com o desastre do Cheche? Não me acredito que seja obra do PAIGC. As cruzes são diferentes. Terão sido deslocadas de outro local? Misterioso.
Carlos Vinhal
Leça da Palmeira

Antº Rosinha disse...

Penso, digo, penso que aquele lugar fica a montante da jangada menos de 100 metros na margem esquerda do rio.

Evidentemente que ali não há cemitério nenhum.

Pode ter havido ali algum tipo de cerimónia de militares nas margens do rio, como se costuma fazer de pôr uma cruz e flores à beira da estrada onde morre de acidente um familiar.

Aquele rio chega, ou chegava quando a Guiné estava mais longe do deserto que hoje, a ter cheias em que esse lugar está debaixo de água.

Este acidente deu-se no tempo seco, e as chuvas começam em Março ou Abril.

Ali é difícil o acesso às margens junto à agua, devido aos grandes arbustos que se debruçam sobre a água, e aquele lugar (que é igual àquele que eu penso) é alcantilado (arriba)mas sem os tais arbusto fechados.

Conheço bem o lugar, porque trabalhei como cooperante das Obras Públicas vários dias a tentar pôr aquela jangada e seus acessos funcionais, em 1986. (ainda hoje não sei se isto tudo é um-faz-me-rir, ou um faz-me chorar)

Mas graças ao nosso anti-colonialista/salazarista Soares podemos saber melhor como as coisas funcionavam daquele lado, e do lado do próprio Soares.

(Não sei se é verdade tudo o que eu digo, mas o que digo é apenas o que vejo)

A imagem que se consegue no Google é apenas em cheias, pelo que não se vê este pormenor da margem que eu digo.

Mas a foto ou foi tirada de canoa ou de algum bote de fuzileiros, pois como se vê aquilo é uma arriba de dificil acesso, mesmo para uma foto, quanto mais para fazer sepulturas.

Em arribas não se fazem cemitérios, embora lá se encontrem dinossauros.

Contemos a história, e em memória dos que morreram, mesmo sem pôr cruzes, afirmar que não foram eles os culpados de haver tantos guineenses junto ao arame farpado de Ceuta.


Vasco Pires disse...

Bem lembrado Camarada Rosinha, era hábito colocar cruzes à beira das estradas para lembrar os mortos em acidente,prática ainda hoje vista no interior do Brasil.
Forte abraço.
VP

José Nascimento disse...

Infelizmente neste acidente morreu um rapaz do concelho de Lagoa, creio que de Ferragudo. Não sei se o seu corpo chegou a ser recuperado.

Luís Graça disse...

Amigos e camaradas: quem corrige a Wikipédia ?... LG

___________________


Desastre do Cheche
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Desastre do CheChe foi uma tragédia ocorrida em 6 de Fevereiro de 1969, aquando da retirada do exército português de Madina do Boé, na Guiné Portuguesa durante a Guerra Colonial Portuguesa.

Esse desastre deu-se quando as tropas portuguesas (companhia de caçadores 1790), depois de terem estado cercadas em Madina, tiveram que, na sua retirada, atravessar o rio Corubal, junto a Cheche. A jangada utilizada para essa travessia virou-se, perdendo a vida quase meia centena de soldados.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Desastre_do_Cheche

José Marcelino Martins disse...

Na listagem oficial não consta nenhum natural de Lagoa, mas podia ser um residente.
Os corpos, oficialmente, não foram recuperados, porque a tentativa de recuperação, que teve a presença do Gen. Spinola, feita pelos fuzileiros, os corpos não estavam identificáveis.

Mais tarde, o Diário de Noticias publicou e distribuiu uma cassete vídeo intitulado A RETIRADA, onde um oficial superior do PAIGC disse que os guerrilheiros tinham recuperado corpos e os tinham enterrado junto á margem.

Também houve uma noticia, prestada por um soldado que foi da CCaç 5, e que andava á caça no local, que os corpos tinham sido retirados do rio e enterrados em vala comum, preparada com plásticos.

Impossível. Eu era da CCaç 5 na altura do desastre (6/2/1969) e não houve conhecimento de qualquer operação, pois teriam de passar por Canjadude ou, no minimo, a companhia teria ido fazer segurança, nem que fosse á distância.

Luís Graça disse...


Claro que as lacunas, lapsos, erros, foi-se reproduzindo pela Net fora...Veja-se a mesma informação repetida na Wikiwand:

http://www.wikiwand.com/pt/Desastre_do_Cheche


Desastre do Cheche

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O Desastre do CheChe foi uma tragédia ocorrida em 6 de Fevereiro de 1969, aquando da retirada do exército português de Madina do Boé, na Guiné Portuguesa durante a Guerra Colonial Portuguesa.

Esse desastre deu-se quando as tropas portuguesas (companhia de caçadores 1790), depois de terem estado cercadas em Madina, tiveram que, na sua retirada, atravessar o rio Corubal, junto a Cheche. A jangada utilizada para essa travessia virou-se, perdendo a vida quase meia centena de soldados.

Luís Graça disse...

Há também uma versão em inglês... com links externos para o nosso blogue... LG


https://en.wikipedia.org/wiki/Cheche_Disaster


Cheche Disaster
From Wikipedia, the free encyclopedia

The Cheche Disaster (Portuguese: Desastre do Cheche) was an incident during the Portuguese Colonial War in what is now Guinea-Bissau in which almost fifty Portuguese soldiers died on 6 February 1969 while crossing the Corubal River. (...)


External links;

"Guiné 63/74 - P5778: Efemérides (45): O desastre do Cheche, visto por quem esteve lá e perdeu 11 homens do seu grupo de combate (Rui Felício, Alf Mil, CCAÇ 2405, Galomaro, 1968/70)". 7 February 2010. Retrieved 2013-01-30.

http://blogueforanadaevaotres.blogspot.ca/2010/02/guine-6374-p5778-efemerides-45-o.html

"Guiné 63/74 - P5866: Ainda o desastre de Cheche, em 6 de Fevereiro de 1969 (5): uma versão historiográfica (?) (Luis Graça)". 22 February 2010. Retrieved 2013-01-30.

http://blogueforanadaevaotres.blogspot.ca/2010/02/guine-6374-p5866-ainda-o-desastre-de.html

Luís Graça disse...

47 anos depois, estamos longe de poder encerrar este doloroso dossiê da nossa guerra... Eis o que aqui escrevemos há 6 anos atrás:

22 DE FEVEREIRO DE 2010
Guiné 63/74 - P5866: Ainda o desastre de Cheche, em 6 de Fevereiro de 1969 (5): uma versão historiográfica (?) (Luis Graça)

http://blogueforanadaevaotres.blogspot.ca/2010/02/guine-6374-p5866-ainda-o-desastre-de.html


(...)Como repetidamente temos aqui escrito, o nosso blogue não é (nem nunca será, se isso depender só de mim) nenhuma espécie de tribunal da história da guerra colonial. Não julgamos, não condenamos, até por que, mal ou bem, todos fomos actores no TO da Guiné, plurais, contraditórios, dilacerados. O que nos move é apenas a vontade de lutar contra o esquecimento, o branqueamento, a indiferença, a manipulação, a falsificação, a ignorância, o cinismo, o conformismo... Privilegiamos as histórias de vida, as narrativas, os testemunhos presenciais, a pequena história, a fotografia, o documento... De um lado e do outro. Não estamos do lado do politicamente correcto. Nem do pensamento único. Não queremos nem defendemos o unanimismo. Procuramos a triangulação de fontes, muito embora tenhamos muitas limitações no acesso a documentos de arquivo, oficiais ou oficiosos. Não somos historiadores. Não fazemos investigação científica. Procuramos separar factos e opiniões, sentimentos, emoções, etc., muito embora saibamos que não há texto sem contexto. Nem há conto sem contador, mesmo quando quem conta um conto, acrescenta um ponto...

Madina do Boé, a sua retirada, o desastre do Cheche... nada disto tem uma leitura única. Mesmo aqueles que estiveram no cerne dos acontecimentos, têm (ou podem ter) diferentes versões, parcelares, dos acontecimentos. O comandante da operação, Cor Hélio Felgas, não estava na jangada, mas uns meses antes de morrer insistia na teoria do bode expiatório, neste caso, o elo mais fraco da cadeia hierárquica, que era o Alf Mil Dinis (camarada do cadete Torcato Mendonça, no COM, em Mafra, em 1967)... O Rui Felício, que estava na jangada e foi ao fundo com os seus homens, não tem dúvidas quanto ao diálogo entre o Alf Mil Dinis, responsável pela segurança da jangada, e o comandante da CCAÇ 1790... Cada um de nós tem o díreito a ter opinião, mas não pode emitir juízos de valor, não fundamentados, em público, e nomeadamente no nosso blogue. Não incentivamos, nem apoiamos, não desejamos esse tipo de comportamento.

Há membros do nosso blogue que acham que há assuntos-tabu... O desastre do Cheche seria um deles. Alegam que nunca iremos saber a verdade... Ou que a verdade é dura demais para se dizer e ouvir... Quanto a nós, não há razão para fechar o dossiê, prematuramente... Os membros do nosso blogue são livres de abriir e reabrir este tipo de dossiês temáticos (que são as nossas séries), desde que possam haver factos novos ou índícios que sugiram factos novos...

E também há membros, mais recentes, do nosso blogue que pura e simplesmente nunca tinham ouvido falar do desastre do Cheche nem da sua gravidade. Eis mais uma razão para o lançamento desta nova série, Ainda o desastre do Cheche. (...)

Luís Graça disse...

Excertos de uma reportagem do Público:

O EPISÓDIO MAIS MORTÍFERO DO LADO PORTUGUÊS DA GUERRA COLONIAL NA GUINÉ

A última jangada no rio Corubal

TERESA FIRMINO 25/03/2010 - 18:50


O desastre de Cheche


(...) O então brigadeiro António de Spínola, chegado à Guiné em 1968 como novo governador e comandante-chefe, decidiu avançar na estratégia de retirar as tropas do Leste do país, pouco povoado e, no seu entender, com pouco para defender. Para a retirada do quartel de Madina do Boé, uma tabanca, ou aldeia, com pouco mais de meia dúzia de cubatas, perto da fronteira com a Guiné-Conacri e constantemente sob ataque do PAIGC de Amílcar Cabral, foi desencadeada a operação "Mabecos Bravios" (cães selvagens).

Era a companhia de Caçadores 1790 que estava em retirada de Madina do Boé, e homens de outras companhias tinham vindo em apoio desta grande operação. Tropas, viaturas e todo o material de guerra percorreram os 22 quilómetros da picada entre Madina do Boé e Cheche, já na margem do rio.

Chegados ali, começaram a transpor os 200 metros de uma margem à outra em duas jangadas, na tarde de 5 de Fevereiro de 1969. Fizeram-no vezes sem conta, passando 28 viaturas pesadas, mais 100 toneladas de munições e equipamentos, três auto-metralhadoras Daimler e cerca de 500 homens. Ao início da manhã de 6 de Fevereiro, só restava na margem sul um grupo de homens: dois pelotões da companhia de apoio [CCAÇ] 2405, outros dois da que estava em retirada [a CCAÇ 1790]. Seriam 100 a 120 homens.

Entraram todos na mesma jangada, que passou a levar o dobro da sua capacidade de segurança. A meio do rio, a jangada adornou para um lado e atirou vários homens à água, balançou para o outro e cuspiu outros tantos. Carregados com a espingarda, a cartucheira à cintura, as botas, muitos afundaram-se como pregos no rio, pacífico na estação seca, de Novembro a Maio. Sem gritos, sem esbracejares. Naquele momento, a dimensão do acidente passou despercebida.

Só quando a jangada chegou à outra margem se percebeu a tragédia. Faltavam cerca de 50 homens (quase todos da metrópole). Este acontecimento ficou conhecido como o desastre de Cheche.

Quando a coluna em retirada tinha alcançado Cheche, antes da travessia do rio, os homens da companhia 1790 devem ter sentido alívio. Tinham aguentado 13 meses debaixo de fogo dos independentistas do PAIGC, que se escondia nas colinas em redor de Madina do Boé, e todos tinham escapado com vida. No fim dos 22 quilómetros de estrada de terra, que nos dias actuais, pedregosa, aos solavancos, consome hora e meia de viagem, Cheche significava o adeus a um pesadelo. Na época das chuvas, a estrada ficava intransitável, pelo que só de avião podia abastecer-se o quartel, agora pouco mais do que umas paredes em ruína. (...)

Luís Graça disse...

Excertos de uma reportagem do Público:

O EPISÓDIO MAIS MORTÍFERO DO LADO PORTUGUÊS DA GUERRA COLONIAL NA GUINÉ

A última jangada no rio Corubal

TERESA FIRMINO 25/03/2010 - 18:50

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/a-ultima-jangada-no-rio-corubal-1429470


(Continuação)


Cerca de duas semanas depois do acidente, fuzileiros e mergulhadores da Marinha organizaram uma operação de recolha dos corpos, já em estado avançado de decomposição. Muitos tinham desaparecido. Na série de documentários A Guerra - Colonial, do Ultramar, de Libertação, de Joaquim Furtado, podem ver-se imagens aéreas de alguns corpos a boiar, recolhidas pelo então tenente (agora general) José Nico, piloto da Força Aérea. Joaquim Furtado relata que os corpos recuperados foram sepultados nas margens do rio, com as honras militares próprias. Antes, o jornalista mostrou imagens dos sobreviventes na jangada, também recolhidas por José Nico, e alguns dos companheiros nas margens a tentar ajudá-los.

Aquela jangada, um estrado de madeira assente em canoas e bidões de gasóleo vazios, era puxada por um pequeno barco com motor fora de borda. E agora, como se fará a travessia? (...)

Quatro décadas depois, continua a existir uma jangada em frente a Cheche. É agora moderna, tem motor próprio e serve para a travessia de carros apenas. O resto, pessoas, bicicletas, motas, vai de piroga, e há várias. Imperturbável, o Corubal é tranquilo nesta época do ano, a mesma do acidente, e a água, um tanto esverdeada, é ladeada por margens íngremes cobertas por árvores e vegetação densa. Ao sítio da travessia, com Cheche do lado de lá, chega-se por uma estrada larga, depois de uma sucessão de tabancas na berma de um caminho de terra, ponto de encontro de quem está à pesca, de quem lava a roupa e a estende no chão, de quem toma banho ou de quem simplesmente passa por ali. (...)