segunda-feira, 20 de julho de 2015

Guiné 63/73 - P14901: Inquérito online: Mais de 54% do pessoal nunca telefonou para a metrópole, durante a comissão, usando os CTT... Resultados preliminares (n=81), quando faltam 4 dias para "encerrar as urnas"...



Guiné > Zona Leste > Setor L1 > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > Edifício dos CTT... Ficava na tabanca de Bambadinca, nas imediações do quartel. Segundo recorda o Beja Santos, o nome da empregada dos CTT era a Dona Leontina ("uma gentil senhora com quem se apalavrava o dia e a hora para telefonar para Lisboa"). 

Sou dos que, a maioria, nunca lá foi telefonar, pelo que não me lembro da senhora. Presumo que  fosse caboverdiana, tal como a professora, a Dona Violante, e o chefe de posto (de quem também não me lembro o nome).

Lamentavelmente não convivivíamos, os civis e os militares. em Bambadinca, nomeadamente com a pequena comunidade caboverdiana. Havia preconceitos de parte a parte. As NT punham  em dúvida a lealdade dos caboverdianos em relação às autoridades portuguesas... Por outro lado, os comandos de batalhão tinham pouca ou nenhuma sensibilidade "sociocultural",,,

 Foto do álbum do José Carlos Lopes, ex-fur mil amanuense, com a especialidade de contabilidade e pagadoria, especialidade essa que ele nunca exerceu (na prática, foi o homem dos reabastecimentos do batalhão, o BCAÇ 2852).

Foto: © José Carlos Lopes (2013). Todos os direitos reservados. (Edição  e legendagem: LG.)


SONDAGEM: "NA GUINÉ, DURANTE A COMISSÃO, UTILIZEI OS CTT PARA TELEFONAR PARA CASA"

1. Sim, em Bissau > 19 (23,5%)

2. Sim, fora de Bissau  > 13 (16%)

3. Sim, em Bissau e fora de Bissau  > 5 (6,2%)

4. Não, nunca utilizei  > 44 (54,3%)

5. Já não me lembro  > 0 (0%)


Votos apurados (às 21h45, domingo, 19/7/2015): 81
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6 comentários:

Cesar Dias disse...

Hoje até nas emboscadas receberiamos telefonemas, outros tempos, mas penso que existe uma maior percentagem de quem nunca telefonou porque não teriamos receptores directos ou então seria muito complicado.
Um abraço

César Dias

Luís Graça disse...

César, tens toda a razão... Hoje, com os meios tecnológicos que temos, a guerra não duraria tanto tempo...Sabe-se que o impacto que teve, na América, a transmissão em direto, ou em diferido, pela TV das cenas de combate...Não sei se ouve mesmo transmissºão em direto, se já havia meios tecnológicos paar isso, julgo que não... (Tenho ideia que a primeira guerra "em direto" foi a do Golfo, entre agosto de 1990 e fevereiro de 1991, graças ao papel da CNN - CNN - Cable Network News).

É certo que a América era uma sociedade aberta, tinha uma imprensa livre e uma opinião pública informada... O que não acontecia em Portugal durante o período da guerra colonial... Imagina, em todo o caso, o efeito que teria sobre as famílias e comunidades locais, de vídeos e imagens postados no Facebook, sobre o nosso quotidiano na Guiné...

Também dá para perceber as grandes diferenças geracionais, quando nos comparamos com os nossos filhos, sobrinhos e netos...Vão estudar ou trabalhar para o estrangeiro, e logo voltam, a casa , com relativa facilidade (hoje, na Europa), para matar saudades, um ou dois meses depois... Nos primeiros dias, a família não tira os olhos e os ouvidos do Skype... E o telemóvel tornou-se um dos nossos sextos sentidos...

Na Guiné, a maior parte de nós, a grande maioria, nunca veio de férias... Era proibitivo... Eram vários meses de pré para um soldado... E só alguns felizardos podiam dar-se ao luxo de telefonar para casa...

Ando a ver se encontro estatísticas sobre o nº de lares com telefone fixo, nos anos 60/70...Para não falar da eletricidade, da água potável, dos esgostos... e depois, do aparelho de rádio, do leitor-gravador de cassetes e, mais tarde, muito mais tarde, do aparelho de televisão...

A nossa radiodifusão pública tem 80 anos; a emissora nacional foi inaugurada em 1935...

"1935 - Inauguração oficial da Emissora Nacional de Radiodifusão, EN, a 1 de Agosto, marcando o inicio da profissionalização da Rádio em Portugal. A Direcção, nomeada por Duarte Pacheco, ministro das Obras Públicas e Comunicações, era constituída por Henrique Galvão, Manuel Bívar e Pires Cardoso." (...)

http://www.rtp.pt/wportal/sites/radio/75anos/historia.php


A verdade é que a maior parte de nós (muito mais do que os 53% da sondagem) nunca ouviram, em vinte e tal meses de comissão em África, a voz dos seus entes queridos: pai, mãe, irmãos, filhos, sobrinhos, esposa, namorada, madrinha de guerra, amigos, vizinhos...E no entanto havia várias estações dos CTT espalhadas pelo território: além de Bissau, devia haver nas sedes de concelho (ou circunscrições) e nas outras povoaçãoes que tinham um posto administrativo (caso de Bambadinca, que pertencia ao concelho de Bafatá)...

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas
Usei os serviços dos CTT a partir do telefone do chefe de posto (administrador(?) de Mansabá.
Era caro, mas consegui falar para casa e perguntar à minha mulher se queria lá ir ter comigo.
Ela foi e esteve lá durante cinco meses. Apareceram também as mulheres de dois furr. milº até o Cor. Durão me ter ordenado que fizesse uma proposta para que fosse autorizada a presença de mulheres metropolitanas em Mansabá. Obviamente a proposta foi chumbada e elas foram regressando a casa, excepto a Júlia que ficou em Bissau com resultados trágicos.
O telefone ouvia-se pessimamente mal devido ao "aquecimento" das antenas, mas falava-se e isso já era bom.
Um Ab.
António J. P. Costa

Cesar Dias disse...

Pois eu não usei os CTT, mas beneficiei desses serviços, pois houve camaradas que chegaram a receber umas encomendas, pessoal do norte não passava sem receber um salpicão, embora por vezes chegasse mutilado, cheguei a ver um que práticamente só trazia o cordel. São recordações que possivelmente foram comuns a muitos camaradas.

Abraço amigo
César Dias

Luís Graça disse...

César, temos que esclarecer isso...Havia os CTT (civis), e o SPM (serviço postal militar)... Era independentes... Pergunto: as ecnomendas (salpicões, etc.) que iam via CTT chegavam lá mkais depressa e em melhores condições do que no SPM ? Os CTT tinham um tabela de preços, e o SPM ? Também se podia mandar e receber encomendas postais pelo SPM ? As cartas, via aérea, que mandávamos, em alternativa ao aerograma, ia via CTT ou SPM ?... Enfim, questões que tu ou algum camarada,mais bem informado, podes responder... Ab. Luis

Cesar Dias disse...

Tens toda a razão Luis, sei que uns recebiam pelos CTT e outros pelos SPM, e arrisco a dizer que as mais esfrangalhadas seriam as do SPM, também arrisco que o SPM era gratuíto, mas não tenho elementos que comprovem isso, pode ser que algum dos nossos camaradas desse serviços possam dar uma ajuda.
Ab
Céasr Dias