segunda-feira, 20 de julho de 2015

Guiné 63/74 - P14903: Memória dos lugares (307): O meu rio próximo, e de estimação, era o Rio Grande de Buba (1) (António Murta)

1. Mensagem do nosso camarada António Murta, ex-Alf Mil Inf.ª Minas e Armadilhas da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513 (Aldeia Formosa, Nhala e Buba, 1973/74), com data de 1 de Julho de 2015:

Camaradas Luís Graça e Carlos Vinhal
Sobre a temática dos rios, de tantos encantamentos e infortúnios, comuns a quase todos nós, não sou muito versado, pois só um conheci pela proximidade e, ainda assim, sem grandes intimidades, tendo espreitado outro apenas duas vezes. Contudo, pelas experiências que me proporcionaram, não queria deixar de os referir.

António Murta


RIO GRANDE DE BUBA E RIO CORUBAL (1)

RIO GRANDE DE BULA (1)

O meu rio próximo, e de estimação, era o Rio Grande de Buba, grande via de comunicação para pessoas, mercadorias e equipamentos militares. Era a ligação para o Mundo a partir destes confins perdidos, para as cargas pesadas e os contingentes militares impossíveis de deslocar por via aérea. Mas era também, à falta de melhor, o parque aquático onde muitos se refrescavam e pescavam - que não eu -, fazendo de Buba uma espécie de estância balnear, única em toda a zona. Isso implicava alguns riscos e retraía os menos afoitos, mas, logo após o estabelecimento da paz em Abril de 1974, chegámos a fazer várias deslocações a Buba só para o pessoal se refrescar.
Não posso dizer que conhecia bem este rio, pois só o naveguei uma vez e de noite. Também a visão que dele se tinha a partir do cais de Buba era relativamente limitada e, depois de banalizada, deixava-nos indiferentes às suas escassas belezas, tirando um ou outro pôr-do-sol mais flamejante.



Rio Buba em Buba, 1973-74



Rio Buba, 1974 – Descarga de LDG e embarque de Companhia (?) que terminou a sua comissão.


Rio Buba em Buba, 1974 – LDG faz-se à viagem.


Rio Buba em Buba, 1974 – A ingrata missão do meu Grupo: carregar do chão os víveres desordenados para as viaturas. 

Rio Buba em Buba, 1974 – Eu, a montar segurança para o banho tranquilo da rapaziada.

(Continua)

Texto e fotos: © António Murta
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 Nota do editor

Último poste da série de 13 de julho de 2015 > Guiné 63/74 - P14871: Memória dos lugares (304): Sobre a tabanca de Caboiana, e sobre o chefe de posto de Cacheu, que era caboverdiano, o nosso camarada António Medina (,ex-fur mil CART 527, 1963/65, a viver nos EUA,) pode dar esclarecimentos adicionais (António Bastos, ex-1º cabo, Pel Caç Ind 953, 1964/66)

8 comentários:

Anónimo disse...

Que grande segurança. Seria com a bengala
Gabriel tavares

Anónimo disse...

Imagens excelentes e em muito bom estado com mais de quarenta anos...

VBriote

José Carlos Gabriel disse...

Amigo António Murta.

Sobre o Rio Grande de Buba também tenho algumas recordações mas poucas fotos. Embora só o tenha conhecido melhor pós o 25 de Abril porque até essa data só o vi quando das minhas idas para Buba com a finalidade de apanhar a avioneta que me levava até Bissau para vir de férias e no retorno. Foi na realidade depois do 25 de Abril que fui algumas vezes até Buba dar uns mergulhos. Lembro-me que numa das vezes um grupo de malta (eu incluído) se ter desenfiado e fomos todos sem qualquer armamento e no regresso a Nhala a situação acabou por ser conhecida mas não me recordo de ter havido grande problema. Tenho uma vaga ideia de termos sido chamados á atenção mas muito sinceramente não me recordo de mais nada.
Um abraço amigo.

José Carlos Gabriel

Luís Graça disse...

Fantásticas fotos, parabéns!

Manuel Batista Traquina disse...

amigo Murta, estas fotos do Cais de Buba são-me bastante familiares. Estive ali no periodo de 68/70. Poderemos dizer que eramos uns previlegidos, porque tínhamos peixe fresco e aquelas aguas onde iamos ao banho.
As descargas eram sempre uma confusão, aquele trator que se vê na foto, não existia, e o pessoal da marinha não davam tolerãncias,( devo dizer que tinham um complexo de superioridade, não eram nada colaboradores) quando se tratavam de "zarpar" quase não avisavam. Uma vez uma jMC foi até Bolama na LDG!
Em termos de perigosidade, aquele rio não seria dos piores, subi e desci o rio umas cinco vezes a bordo das LDG sem problemas
Um abraço para todos os camaradas que passaram por aquelas zonas
Traquina

Anónimo disse...

Caro amigo Murta:

O rio Grande de Buba com as suas margens era (é) bonito, mas como vê-lo assim !
Os nossos olhos não captam a realidade mas uma realidade que é a imagem física e as emoções que nela projectamos. Por isso, aquilo que foi feio, em 72/74, tornou-se belo, quando lá voltei, em 2009.

Um abração

Carvalho de Mampatá

António Murta disse...

Obrigado, camaradas amigos.

Todas estas imagens e as que se seguirão nesta série, são reproduções de slides que fiz com uma máquina ordinária. No caso do embarque da LDG, a piorar tudo, estava um dia de chumbo, como se pode ver pela ausência de sombras junto das figuras. Safam-se algumas devido à composição que, na altura, dominava por intuição e que agora me faz muito autocrítico. Muitos anos depois de vir da Guiné, receando perder os slides com o tempo, digitalizei tudo - umas centenas -, mas não gostei do tom esverdeado e do tamanho diminuto dos ficheiros. Então reproduzi uma grande parte deles fotografando a projecção, mas isso trás outros problemas, como, por exemplo, o controle do "balanço de brancos", para já não falar na difícil compensação da exposição. Vou por tentativa e erro. Certo é que ando de novo a experimentar novos métodos mas, a degradação da cor e a acção dos fungos, faz-me perder horas no editor a limpar pintinhas e a tentar recuperar um ar mais verosímil.
Apesar de estar reformado, já pensei ligar para a Seg. Social a pedir férias...

Um abraço a todos.
A. Murta.

António Murta disse...

Amigo Carvalho de Mampatá.

Como eu gostava de voltar a ver o rio Buba! Dantes, quando o observava sozinho no pôr-do-sol, atacava-me a nostalgia, pensando na praia da Figueira da Foz. Durante o dia e com a actividade normal, não lhe via beleza, antes pelo contrário: estou a pensar nos carregamentos penosos e na subida da maré que quase os comia, nos peixes pequenos que eram só espinhas e, até, no modo de "caçar" esses peixes. Por mais que eu avisasse dos perigos que oferecia essa "caça", o pessoal continuava a lançar granadas quase para a frente dos pés. Depois colhiam os peixes com cestos de verga... Mais: olhando para a margem do outro lado, só via canhões s/r virados a Buba!

Grande abraço.
A. Murta.