
Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Cherno Baldé (2026)
Imagens: Arquivo Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.
1. Comentários (*) de Cherno Baldé, nosso colaborador permanente, natural de Fajonquito, a viver em Bissau (deppois de ter vivido estudado também em Bafaftá, Bissau, Moldávia, Ucrânia, antigos territórios da URSS, Lisboa; é hoje consultor independente na área da economia e gestão; tem página no Facebook.
(i) "Muita Honra e Pouca Glória" ou a história de Portugal colonial resumida em 3 palavras- chave. Gostaria de acrescentar que ttambém os valentes perdem as guerras.
Mas os valentes também perdem as guerras. Eu testemunhei o paradoxo de uma guerra perdida por homens valentes, transformada em vitória efémera a fim de permitir, no máximo, gossi-gossi, o regresso a casa, com medalhas, muita honra e pouca glória. (...)
Estava em Fajonquito aquando do ataque devastador a Cantacunda em 1968 e o sequestro dos 11 soldados do pelotão de metropolitanos da companhia sediada em Geba (CART 1690, 1967/69) e assistimos à pronta reação da companhia de Fajonquito do capitão Alcino de Jesus Raiano (CCAÇ 1685, 1967/69), com o envio de tropas às regiões abandonadas de Caresse e Cola, na tentativa de uma intercessão dos guerrilheiros, o que seria em vão.´
Eu convivi na minha terra com o soldado ("comando") Almeida que, quando havia um ataque numa localidade próxima, não esperava por ordens ou colunas e corria a pé para não perder a festa do chumbo e da pólvora.
(**) Vd. poste de 3 de abril de 2009 > Guiné 63/74 - P4136: As Unidades que passaram por Fajonquito (José Martins)
(i) "Muita Honra e Pouca Glória" ou a história de Portugal colonial resumida em 3 palavras- chave. Gostaria de acrescentar que ttambém os valentes perdem as guerras.
Na Guiné, o soldado português foi bom e firme, enquanto pôde, enquanto os meios à sua disposição o permitiram. Eu testemunhei a firmeza, a bravura desses soldados por mais de 10 anos, em fases e companhias diferentes e, desses, poucos eram profissionais ou do quadro permanente, e a partir de 70 quase todos eram milicianos, uma categoria ligeiramente um pouco acima das nossas milicias, voluntárias da sua própria desgraça.
Mas os valentes também perdem as guerras. Eu testemunhei o paradoxo de uma guerra perdida por homens valentes, transformada em vitória efémera a fim de permitir, no máximo, gossi-gossi, o regresso a casa, com medalhas, muita honra e pouca glória. (...)
(ii) Na Guiné do pós-25A74, poucos sabem dessa verdade histórica pós-colonial, pois o PAIGC encarregou-se, brilhantemente, de reescrever a história em cujos cenários eles eram os únicos e verdadeiros "Cabras-Machos", e que a tropa "Tuga" não passava de espantalhos para inglês ver.
Eu, pessoalmente, sabia que não era a verdadeira história, fazendo despertar em mim os primeiros sinais de desconfiança em relação a um Partido-Estado que se tinha apoderado de tudo e todos, prometendo mel e maná do céu ao povo e às suas ovelhas obedientes.
quarta-feira, 19 de agosto de 2026 às 14:41:00 WEST
(iii) Eu assisti (Cambaju, 1965/66) ao regresso dos homens do alferes Maia (CCAÇ 674), de fardas encharcadas, depois de 5 dias de emboscadas e nomadizacão na fronteira com o Senegal, entre Solucocum e Cuntima (Colina do Norte).
(iii) Eu assisti (Cambaju, 1965/66) ao regresso dos homens do alferes Maia (CCAÇ 674), de fardas encharcadas, depois de 5 dias de emboscadas e nomadizacão na fronteira com o Senegal, entre Solucocum e Cuntima (Colina do Norte).
Estava em Fajonquito aquando do ataque devastador a Cantacunda em 1968 e o sequestro dos 11 soldados do pelotão de metropolitanos da companhia sediada em Geba (CART 1690, 1967/69) e assistimos à pronta reação da companhia de Fajonquito do capitão Alcino de Jesus Raiano (CCAÇ 1685, 1967/69), com o envio de tropas às regiões abandonadas de Caresse e Cola, na tentativa de uma intercessão dos guerrilheiros, o que seria em vão.´
Eu convivi na minha terra com o soldado ("comando") Almeida que, quando havia um ataque numa localidade próxima, não esperava por ordens ou colunas e corria a pé para não perder a festa do chumbo e da pólvora.
Eu conheci os intrépidos Capitães do quadro permanente, o Carvalho (CCAÇ 2435) e o Patrocínio (CCAÇ 3549) (**), todos eles grandes homens e soldados que honraram o nome de Portugal em África.
quarta-feira, 19 de agosto de 2026 às 15:21:00 WEST
quarta-feira, 19 de agosto de 2026 às 15:21:00 WEST
(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos,links, título: LG) (***)
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Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 16 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28263: Contos mural ao fundo (Luís Graça) (46): Muita honra e pouca glória...
(***) Último poste da série > 1 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28232: Verso & reverso (1): Levantamentos de rancho, cozinheiros, vagomestres, jagudis, porradas, contos... sem má-fé, "bonecos" da IA ... (Alberto Branquinho / Carlos Pinheiro / Eduardo Estrela / José Manuel Cancela / Luís Graça / Virgílio Teixeira)












5 comentários:
Cherno, na verdade Portugal não pediu formalmente desculpa aos guineenses que pegaram am armas (e muitos morreram, ou foram perseguidos), sob a bandeira portuguesa... Ou pediu e eu estava distraído e não vi nem ouvi ?
Mas a França, a Inglaterra, a Holanda, a Bélgica, a Espanha,. etc., fizeram o mesmo. O colonialismo europeu comportou-se todo da mesma maneira, na "hora da descolonização"...
A verdade é que o Portugal que tu conheceste, em 1960/70, não era o mesmo do pós-25 de Abril. É a velha história dos regimes... A história do teu país enfrenta o mesmo problema... Quem vai representar a Guiné-Bissau, perante a história ? O regime de Luís Cabral ? O do 'Nino Vieira' e dos golpistas ?... Há continuidades e descontinuidades, a história dos nossos países é mais do que a soma dos diferentes regimes políticos... O Estado Novo, tal como a Ditadura Militar, a Repúlica, a Monarquia Constitucional, o pombalismo, etc. , fazem parte da história de Portugal... Mantenhas, Um chico...ração!
Ao nosso amigo, companheiro e camarada Cherno Baldé, meu vizinho de Cambajú e Fajonquito o meu fraterno abraço e o agradecimento pela riqueza que resulta dos seus comentários e esclarecimentos nesta enciclopédia histórica . Fui várias vezes em patrulhamentos de 48 horas à bolanhas do Buro, limite dos sectores operacionais de Cuntima e Fajonquito.
Eduardo Estrela
Aprecio muito este Cherno! Apesar de não o conhecer pessoalmente, conheço-o apenas pelos seus escritos, ao lê-lo estou a ver os meninos de meados doa anos 60, em Cuntima, Jumbembem, Farim e por muitas povoações daqueles anos. Desejo-lhe o melhor, como ao meu Irmão. E Gratidão ao Blogue que o Luis Graça lançou! Abraço de Irmão. V Briote
Caro Virgínio Briote ou Gil, a apreciação é mútua, eu sou teu fã desde os primeiros momentos do encontro neste espaço, graças a teimosia do Luís Graça que não te deixava partir, do Blogue da TG, apesar do teu desenho manifesto de ficar na sombra. Os grandes homens não falam, escutam e você é dos que gostam de escutar, mesmo sabendo muito. O teu percurso e experiência de vida são invejáveis, apesar da simplicidade que transbordas, contigo eu aprendi que um Comando não é só uma máquina de guerra e de morte, mas também um ser humano que divide seus sentimentos com os amigos do mesmo lado, também com o inimigo, quando necessário. A tua camaradagem e disponibilidade para com os vossos camaradas guineenses e Comandos portugueses é lendária e merece o reconhecimento de todos, a semelhança do que fez, recentemente o último e distinto Comandante do Batalhão dos Comandos, Raul Folques.
Eu, na minha adolescência, sempre queria ser "Comando", mas agora reconheço que gostaria de ser um Comando como o VBriote, corajoso e disponível nos bons e maus momentos.
- Mama Sume !
Um abraço amigo,
Cherno Baldé
Caros amigos, tudo o que por aqui está expresso, é muito interessante.
Venho agora aqui "à antena" apenas para dizer que o que o Cherno escreveu sobre o Briote é inteiramente verdade e justo.
Abraços.
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