
Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 12 de Agosto de 2026:
Queridos amigos,
Jogo à defesa com as limitações que me impõe uma hérnia inguinal bilateral que, acabo hoje de saber, vai à faca em 18 de outubro, estou bem farto dela e de engolir comprimidos de paracetamol; ponho-me à sombra em casa dos anfitriões e continuo a reler Fado Alexandrino, deste livro notável falarei no blog num outro espaço; à tarde sou honrado com o convite de ir ao primeiro dos dois espetáculos com que fui seduzido, um concerto no castelo de Johannisberg, um espaço histórico e vinícola onde se bebe o vinho Riesling, um parente talvez remoto do João Pires, ainda por cima acompanhado de água mineral com borbulhas. Um passeio estupendo que dá para ver como o Reno tem pouca água, tal o poder da canícula. No dia seguinte viagem até Mainz, o que mais me tocou foram os vitrais de Marc Chagall, achei a catedral, com o devido respeito, um tanto matacão, o claustro esplendoroso, impressionado com um Cristo escultórico contemporâneo, Mainz é uma bela cidade cosmopolita, haja saúde e voltarei aqui de bom grado.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (267):
De Wiesbaden para Idstein, o Festival de Música do Reno no castelo de Johannisberg, visita a Mainz - 2
Mário Beja Santos
É este o terceiro dia de viagem, tenha-se em conta que se voo de Lisboa para o Luxemburgo, grão-ducado percorrido de noite em direção a Trier, aqui se pernoitou, ao alvorecer encetou-se a viagem de comboio à volta do rio Mosela até Wiesbaden, aqui os meus anfitriões levaram-me para Idstein, burgo que pertenceu ao príncipe de Nassau-Idstein, hoje na órbita de Wiesbaden, a umas dezenas de quilómetros de Frankfurt. Dois dias de viagem que justificam, a quem padece de uma hérnia inguinal bilateral e que tem um programa previsto à volta do Reno, um belo concerto do Festival de Música do Reno, no castelo Johannisberg, o Quarteto Maxwell, música de Haydn Brahms e música folclórica da Escócia, um bom pedaço de repouso. Enquanto me ponho à sombra para fugir à caloraça que progride para perto dos 40ºC, vou bisbilhotar o jardim de quem tão amigavelmente me recebeu, vejo um ácer bem novinho a fazer sombra a um Buda, vou até ao fim da vedação e avisto um ácer maduro de um vizinho ali em frente, é uso e costume dizer-se que são os britânicos que têm a paixão dos jardins, e então os alemães? Enfim, mitos e preconceitos. E fico toda a manhã, embevecido, a reler Fado Alexandrino, já que tenho limite na bagagem trouxe estas 700 páginas para grande regalo.
Fachada do castelo Johannisberg, um dos palcos em que decorre o festival musical do Reno, pertenceu ao Príncipe Klemens Wenzel von Metternich, que teve um relevante papel no Congresso de Viena, é aqui que desde o século XVIII se passou a cultivar a uva com que se produz o vinho Riesling
Gosto de chegar cedo, garanto que quando subiu ao palco o Quarteto Maxwell não havia uma cadeira vazia
De paredes meias com o castelo temos uma reminiscência medieval, uma igreja associada a um convento, tudo cercado de vinha, no final do concerto percorre-se o caminho para disfrutar um esplêndido panorama de Wiesbaden ao fundo e o serpenteio do rio RenoEra o fim de tarde, muita gente perto, tal é a maravilha do panorama, mesmo com o Reno com pouca água, estávamos embevecidos com o maravilhoso cenário
No dia seguinte partiu-se de comboio para Mainz, em português Mogúncia, em francês Mayence, é a capital do Land Renânia-Palatinado, ali perto corre o rio Meno. Consta que há uma população afável, tem um dos carnavais mais espetaculares da Alemanha, uma história que supera dois mil anos, por aqui andaram as legiões de Roma, teve um período dourado na Idade Média, como não se pode visitar uma grande cidade em escassas horas, não pude visitar o museu Gutenberg, considerado uma joia para a história daa imprensa. Vim munido de um calhamaço que há meio século era famoso, um Guide Bleu dedicado à República Federal da Alemanha. Recomendava-me que fosse diretamente da Gare Central à Catedral, daqui à Praça Schiller, desobedeci, queria ir à igreja de Santo Estevão, famosa pelos vitrais de Marc Chagall, foi um regalo para a alma, vou mostrar
Não escondo a comoção, estes vitrais, além de serem os únicos que Chagall fez para a Alemanha, como expressão do que ele entendia ser a reconciliação entre os judeus e os alemães, foram os únicos vitrais feitos diretamente por Chagall, são nove na envolvência do altar-mor. Depois do seu falecimento, um conjunto de discípulos terminou o trabalho dos vitrais da paróquia de Santo Estevão. A escolha desta igreja teria sido devido à amizade que unia Chagall ao respetivo padre de Santo Estevão. Se é verdade que as imagens podem substituir mil palavras, deixo a quem me está a ler o deslumbramento destes azuis de incomparável intensidade.
A Fonte do Carnaval, na praça Schiller, é uma impressionante escultura em bronze com quase 9 metros de altura. Projetada pelo artista Blasius Spreng e inaugurada em 1967, a obra celebra a rica e animada tradição carnavalesca da cidade. A torre de bronze está repleta de mais de 200 figuras detalhadas, incluindo bobos da corte, heróis, animais e símbolos satíricos da história local e da mitologia.
Escultura "Christus" (1998), da autoria do artista alemão Karlheinz Oswald, Catedral de Mainz
Vista do interior da Catedral de Mainz, são bem visíveis as múltiplas adições, recorde-se que o templo foi muito danificado pelos bombardeamentos da Segunda Guerra MundialPúlpito do período tardo-gótico, renovado no século XIX, um impressionante trabalho escultórico, de cima a baixo
Estamos a falar de uma catedral com 112 metros de comprimento, com o nome de São Martinho e Santa Genoveva, teve inicialmente três naves, hoje cinco, duas absides, recorda os tempos carlíngios, fica aqui um pormenor das suas torres vista do claustro tardo-góticoUma perspetiva do claustro, ainda há mais coisas para mostrar, fica para a semana
(continua)
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Nota do editor
Último post da série de 15 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28262: Os nossos seres, saberes e lazeres (745): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (266): Lisboa-Luxemburgo, daqui para Trier, o passeio pelo Mosela, depois Koblenz até Wiesbaden, foi este o início da viagem - 1 (Mário Beja Santos)

















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