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sábado, 15 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28262: Os nossos seres, saberes e lazeres (745): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (266): Lisboa-Luxemburgo, daqui para Trier, o passeio pelo Mosela, depois Koblenz até Wiesbaden, foi este o início da viagem - 1 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 11 de Agosto de 2026:

Queridos amigos,
Parti com o maior entusiasmo, mesmo diminuído pela hérnia inguinal bilateral, que será operada a 19 de outubro, não esperava aquela caloraça totalmente inusitada na Alemanha, ia cheio de sonhos, conhecer Trier, a segunda grande cidade do Império Romano, Koblenz, a sede do reino merovíngio e os seus monumentos espetaculares e as vistas esplendentes do Mosela, que corresponderam na totalidade às expetativas que levava. Seja como for, como direi no regresso da viagem, não desgostei de percorrer o Luxemburgo, país que não me deslumbra talvez porque eu esteja sempre a invocar o que já vi na França, na Bélgica e na Holanda. O curioso de toda esta história é que recebi o convite para ir a dois concertos no Festival de Música do Reno, ambos me deslumbraram, e não menos me deslumbrou ter comprado um bilhete Lisboa-Luxemburgo-Lisboa por 75€, acho que tive sorte com a ucharia.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (266):
Lisboa-Luxemburgo, daqui para Trier, o passeio pelo Mosela, depois Koblenz até Wiesbaden, foi este o início da viagem - 1


Mário Beja Santos

Chegara-me o convite de gente muito amiga para assistir a dois concertos do Festival de Música do Reno, enviaram mesmo cópias dos bilhetes já adquiridos, que eu não recusasse, seria com muita alegria recebido com cama e mesa e roupa lavada. Disse que sim, pronta e afetuosamente, e comecei a desenhar a viagem. A primeira grande surpresa foi descobrir um Lisboa-Luxemburgo-Lisboa por 75€, para mim impensável, partindo em fins de julho e regressando naquele período de agosto em que metade dos europeus viajam de um lado para o outro. A segunda grande surpresa foi descobrir que havia um bilhete ferroviário com o preço de 20€, podia andar pela Alemanha toda. O desenho começou a esclarecer-se. Chegar ao Luxemburgo com noite escura, apanhar comboio até Trier, aqui, por táxi, ficar numa casa particular, coisa rara anunciava-se na informação do aluguer que se punha o cliente no dia seguinte na estação, o que aconteceu, deu para ir percorrendo por algum do mais imponente património da presença romana, dos tempos medievais e de quando Trier tinha Príncipe Eleitor da Renânia-Palatinado. Com bilhete ferroviário previamente adquirido, começou uma espantosa viagem à volta do rio Mosela, com os seus frondosos campos vinhateiros em declive, são muitíssimo belos, mas tenho cá para mim a preferência pelo Alto Douro vinhateiro.

Não falo da viagem pelo Luxemburgo nessa noite, terei a oportunidade de falar do país no regresso, a minha relação com o Luxemburgo não é exultante, estou sempre a fazer comparações com campos franceses e belgas e não encontro nenhuma singularidade nas suas riquezas patrimoniais, há para ali uma arquitetura que lembra outra da região do Benelux.

Que fique claro ao leitor que uma parte das imagens foram catrapiscadas de vários sítios, as fotos que tirei em Bullay ficaram desfocadas ou manhosas, adorei passear em Traben-Trarbach bem como em Cochem. Sentado à janela, com o boné a proteger-me do sol viajei até Coblença, vinha com sonhos de visitar aquele ponto onde o Mosela conflui com o Reno, é um território cheio de História, aqui os Francos puseram as legiões romanas em debandada, aqui houve corte merovíngia, viveu sempre em prosperidade até que foram inquietados pela Revolução Francesa. Em 1815, com Napoleão na ilha de Santa Helena, o Congresso de Viana atribuiu Coblença à Prússia. A Segunda Guerra Mundial infligiu danos à cidade, destruiu 85% do seu património. Não atinei com nenhum posto informativo, vi passar autocarros, ninguém me esclareceu rigorosamente como lá chegava e como regressava, por mera prudência decidi andar no interior da cidade, visitei a Igreja de Nossa Senhora, que começou a ser construída em 1200, passeei pelas praças e vi por fora a Igreja de São Castor, uma basílica românica de quatro torres com ápside redonda característica. Fora um intenso dia quando cheguei a Wiesbaden, onde fui recebido de braços abertos. Seguir-se-ão dias também intensos e muito belos, como procurarei contar.


Cidade do Luxemburgo, vista do Palácio do Grã-Ducado, visto da ponte ferroviária
Fachada da Porta Nigra, o principal monumento romano em Trier, a cidade mais antiga da Alemanha e a mais esplendorosa do Império Romano, depois de Roma
Um pormenor do interior da Porta Nigra
Vista aérea do rio Mosela entre Trier e Koblenz
Cochem, um dos lugares de idílio no Mosela, muita floresta e região vitivinícola
O intuito era fazer por comboio uma visita a lugares belíssimos que circundam o Mosela, até Koblenz. Saiu-se de Trier até Bullay e daqui até uma curta viagem num outro comboio a Traben-Trarbach, uma vista fascinante, um número impressionante de embarcações e imensos parques com caravanas e tendas de campismo.
O calor era demolidor, a estação praticamente vazia, tinha começado o percurso para cirandar por Mosela
Uma das vistas mais apreciadas em Koblenz (em português, Coblença), neste ponto encontram-se o Mosela com o Reno
Aspeto da fachada da Igreja de Nossa Senhora em Coblença, estilo românico-gótico
Confesso que o que mais me impressionou no interior desta igreja, manifestamente de gótico tardio é a imagem do Cristo, nunca tinha visto nada de parecido, mas li que se trata do estilo renano, que vigorou na Idade Média
Gostei muito deste retábulo num altar lateral e do rendilhado da peça que o encima, um baldaquino de pedra lavrada
Indo a caminho da estação para apanhar o comboio com destino a Wiesbaden, eis que numa das ruas encontrei um cruzamento com quatro casas que parecem dialogar umas com as outras, talvez sejam edificações, réplicas, de velhas casas medievais, mas há para aqui bom gosto e um elevado sentido de memória na paisagem urbana, na falta de ter encontrado transporte àquele ponto onde o Mosela se encontra com o Reno, e com aquela temperatura superior a 30ºC, com humidade sufocante, dei-me por feliz deste registo da curta passagem por Coblença.
Igreja de São Castor, quem não sabe é como quem não vê, não muito longe daqui, mesmo que me custasse os olhos da cara com aquela caloraça, estava à minha espera o tal ponto que se chama Das Deutsches Eck, onde confluem o Reno e o Mosela. Fica para a próxima.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 8 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28249: Os nossos seres, saberes e lazeres (744): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (265): Teatro Eduardo Brazão, no Bombarral, uma réplica do teatro Alla Scala, de Milão (Mário Beja Santos)

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