Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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sábado, 4 de julho de 2026
Guiné 61/74 - P28154: Parabéns a você (2501): Jorge Ferreira, ex-Alf Mil Inf da 3.^CCAÇ (Nova Lamego, Buruntuma e Bolama, 1961/63)
Nota do editor
Último post da série de 29 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28142: Parabéns a você (2500): José Firmino, ex-Soldado At Inf da CCAÇ 2585/BCAÇ 2884 (Jolmete, 1969/71) e Santos Oliveira, ex-2.º Sarg Mil API do Pel Mort 912 (Como, Cufar e Tite, 1964/66)
sexta-feira, 3 de julho de 2026
Guiné 61/74 - P28153: A nossa guerra em números (50): o custo de uma chamada telefónica, de 3 minutos, em 1969, para a Metrópole, podia ir de 100 a 130 escudos (37 a 48 euros, a preços de hoje)
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| Teresa Reis em 1972 |
1. Nunca soube quanto custava, em escudos, uma chamada telefónica, feita no posto dos CTT (Correios, Telégrafos e Telefones) de Bambadinca, zona leste, região de Bafatá, em 1969, para a minha terra Lourinhã, a 70 km, a norte de Lisboa...
O Humberto não se lembra do tarifário. Nas pesquisas na NET, também não é fácil encontrar tabelas tarifárias completas dos CTT para o serviço telefónico ultramarino nessa altura (em que estávamos os em Bambadinca, 1969/71). Mas podemos fazer uma estimativa bastante credível (*).
Naquela época, uma chamada entre a Guiné e Portugal fazia-se pela rede de radiotelefonia de alta frequência (HF), através da estação de Bissau, sendo depois encaminhada (pelo cabos sumarinos) para a rede telefónica nacional.
Não existia marcação automática; a chamada era pedida à telefonista, muitas vezes com um dia de antecedência, sobretudo em postos do interior como Bambadinca. E mesmo em Bissau.
O custo era elevado. Namorar pelo telefone, nem pensar. As tarifas dos CTT da segunda metade dos anos 60 apontam para valores da ordem de cerca de 80 a 120 escudos por 3 minutos, conforme a hora e o circuito disponível, cada período adicional de 3 minutos sendo cobrado separadamente.
Para termos uma ideia do que isso representava, basta lembrar que uma praça ganhava em média entre 900 escudos (soldado) e 1300 escudos (1º cabo).
Assim, uma única chamada de três minutos podia representar entre um décimo e um sétimo do vencimento mensal de uma praça. 100 escudos em 1969 representariam, a preços de hoje, a 37 euros.
Era um verdadeiro luxo. Na melhor das hipóteses, só um em cada très de nós terá telefonado pelo menos uma vez para casa (**).
Além do preço, havia outro problema: a morosidade e a incerteza. A chamada podia ser marcada para determinada hora e só ser estabelecida muito mais tarde ou nem chegar a completar-se por falta de circuitos ou más condições de propagação rádio. Muitas vezes, quando finalmente a telefonista chamava, era preciso correr para o posto dos CTT porque a ligação não esperava (***). Em Bissau chegava-se a dormir nas instalações (!).
No caso específico de Bambadinca, em 1969, o procedimento seria igual ao de outros postos dos CTT no interior da província: (i) o Humberto dirigia-se ao posto dos CTT; (ii) preenchia um impresso pedindo a ligação para o número dos pais pu da namorada, mna Ernacão; (iii) a telefonista de Bambadinca (a dona Leontina) transmitia o pedido para Bissau; (iv) Bissau tentava obter um circuito para Lisboa; (v) Lisboa estabelecia a ligação com o posto dos correios da Lourinhã; e (vii) finalmente, chamava o assinante (!)...
Tudo isto podia demorar horas ou, frequentemente, até ao dia seguinte.
Tal como eu, muitos militares na Guiné nunca telefonaram para casa. As cartas e os aerogramas eram muito mais baratos. Eram o principal elo com a família (e amigos). O SPM funcionava bem. A chamada telefónica ficava reservada para casos muito especiais: uma doença grave, um nascimento, um aniversário, uma morte ou outra urgência familiar (de resto, havia, em alternativa, o telegrama, para um SOS como um pedido de dinheiro).
2. Tudo indica que era absolutamente proibitivo para a maior parte dos militares no CTIG (e em especial para as praças (soldados e cabos ) fazer uma chamada telefónica para a Metrópole, via CTT...
Escreveu o Arménio Estorninho em comnetário ao poste P14937:...
(...) "No Posto Administrativo de Empada, havia um Balcão dos CTT no qual por várias vezes telefonei para os meus familiares e pela módica quantia de 100$00 (pesos) por período de 3 minutos.
A chamada tinha que ser marcada (dia e hora) com aviso ao receptor e confirmada a quem solicitava.
Obs: Por intermédio do balcão do Posto Administrativo de Empada (via telefone), foi solicitado à Rádio PFA - Programa das Forças Armadas para a passagem de um 'disco pedido' e como foi dito que era do interior passaram-no de imediato (coisa rara).(...)"
3. Pode perguntar-se qual era então a utilidade (social, económica, administrativa, política...) dos postos dos CTT na Guiné ? ... Qual era a tabela tarifária em vigor ? Qual o seu movimento diário ? Quais seriam as suas receitas e despesas ? Quem tutelava os CTT ?
É no tempo do ministro das colónias e depois do Ultramar, Sarmento Rodrigues (nomeado em 1950, depois de servir na Guiné como governador e "deixar saudades", entre 1945 e 1949) que se começa a modernizar a rede de telecomunições.
Tite passou a sede de circunscusncrião, em lugar de Fulacunda que perdeu importância com a guerra, e ficou isolada. Hoje é Buba a capital da região de Quínara. Buba também devia ter balão dos CTT tal como Tite.
O cor art ref António J. Pereira da Costa também confirma que o serviço era caro:
(...) Usei os serviços dos CTT a partir do telefone do chefe de posto (administrador(?) de Mansabá.
Era caro, mas consegui falar para casa e perguntar à minha mulher se queria lá ir ter comigo. Ela foi e esteve lá durante cinco meses. Apareceram também as mulheres de dois furriéis milicianos até o corn cav Durão me ter ordenado que fizesse uma proposta para que fosse autorizada a presença de mulheres metropolitanas em Mansabá. Obviamente a proposta foi chumbada e elas foram regressando a casa, excepto a Júlia que ficou em Bissau com resultados trágicos.
segunda-feira, 20 de julho de 2015 às 21:52:00 WEST
(*) Últimpo poste da série : 28 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27867: A Nossa Guerra em Números (49): BCAÇ 3872 (Galomaro, 1971/74): Flagelações e ataques aos quartéis e às tabancas; minas ativadas e detetadas; emboscadas e contactos (Luís Dias)
Guiné 61/74 - P28152: Notas de leitura (1933): "Retratos de Guerra", desenhos de Cristina Sampaio a partir da obra de Neves e Sousa, uma exposição a não perder na Livraria Municipal Verney, Oeiras, patente ao público até 14 de Novembro (Mário Beja Santos)
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 22 de Junho de 2026:Queridos amigos,
É assim que este evento é apresentado em termos de comunicação pela Livraria Verney, creio que diz o essencial sobre a exposição ‘Retratos de Guerra: Desenhos de Cristina Sampaio’ que vai estar patente na Livraria Municipal Verney, em Oeiras, até ao dia 14 de novembro.
‘Retratos de Guerra: Desenhos de Cristina Sampaio’ nasce do diálogo entre a obra documental do pintor Neves e Sousa e o universo gráfico satírico e geométrico de Cristina Sampaio.
Partindo dos desenhos do livro Angola a Branco e Preto, Cristina Sampaio confronta-se com a memória da Guerra Colonial, imaginando a realidade paralela às paisagens e figuras retratadas por Neves e Sousa. Em vez de recriar os desenhos originais, utiliza-os como cenários simbólicos para compor retratos de personagens marcadas pela guerra.
A exposição estabelece uma ponte entre passado e presente, memória e interpretação, revelando o contraste entre a serenidade aparente das imagens e a violência da guerra colonial. O resultado é um conjunto de obras onde o desenho se transforma em reflexão visual sobre identidade, conflito e memória coletiva.
Um abraço do
Mário
Uma exposição a não perder:
Retratos de Guerra, desenhos de Cristina Sampaio a partir da obra de Neves e Sousa
Mário Beja Santos
Tendo sido confiada uma grande parte da obra de Neves e Sousa ao município de Oeiras, tem a havido a preocupação desta autarquia em tratar este património através de um ciclo de reinterpretações. O artista agora convidado é a Cristina Sampaio. Como observa o presidente da autarquia: “A artista parte de uma constatação simples, mas decisiva: enquanto aquelas imagens de aparente serenidade eram produzidas, decorria em simultâneo a guerra colonial. As paisagens os corpos e os quotidianos retratados por Neves e Sousa coexistiam historicamente com um conflito prolongado. O gesto de Cristina Sampaio é simultaneamente contido e incisivo. Os desenhos originais de Neves e Sousa permanecem, mas recuam. Tornam-se fundo, cenário, memória suspensa. Esbatidos, deixam de ocupar o primeiro plano para passarem a funcionar como espécie de arquivo visual sobre o qual surgem figuras apuradas, imóveis, quase frontais – personagens que parecem pousar diante da História, como nos antigos estúdios fotográficos.”
Esta exposição está patente ao público até 14 de novembro na Livraria Municipal Verney, no centro histórico de Oeiras.
Cristina Sampaio dá explicações do seu trabalho pelo catálogo da exposição:
“Nas pinturas identifiquei pontos com o meu estilo, pois, curiosamente, o traço orgânico dos desenhos de Neves e Sousa, ao passar à tela, transformam-se em geometria. Ao continuar a refletir sobre o que fazer, apercebi-me de que os desenhos eram contemporâneos da Guerra Colonial. Provavelmente, algumas daquelas paisagens ou pessoas, terão sido tocadas pela guerra, que decorreu entre 1961 e 1974. Foi assim que me decidi por esta abordagem da reinterpretação dos desenhos do Neves e Sousa. Iria retratar a realidade paralelamente à realidade por ele retratada. Do ponto de vista formal, eu não via sentido nenhum em redesenhar os desenhos de Neves e Sousa. Eles funcionam, nas minhas imagens, como as paisagens pintadas que existiam nos antigos estúdios de fotografia, à frente das quais as pessoas eram retratadas. A maioria dos meus desenhos são, portanto, pessoas a posar para a câmara. Retratos de Guerra.”
Selecionei um conjunto de desenhos e trabalhos da artista que nos levam claramente a Angola, caso dos diamantes e do petróleo, encheu-me as medidas o trabalho dela intitulado A Chegada é um esquiço seguro e sóbrio de uma situação temível para qualquer entrada na guerra, a chegada um teatro de operações; também encontrei universalidade nas duas imagens seguintes intituladas Travessia do Rio e Emboscada, deixando para último um grafismo que nos toca a todos, mas que foi inegavelmente mais associado a Angola e a todo o seu inferno de guerra civil. São estas, em suma, as razões principais que me levam a convidar-vos a visitar a exposição patente na Galeria Municipal Verney.
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Nota do editor
Último post da série de 29 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28144: Notas de leitura (1932): "Furriel não é Nome de Pai, Os filhos que os militares portugueses deixaram na Guerra Colonial", de Catarina Gomes; Tinta da China, 2016 (2) (Mário Beja Santos)
Guiné 61/74 - P28151: Tabanca da Diáspora Lusófona (42): Voltando ao Mato Cão do meu tempo... (João Crisóstomo, ex-alf mil at inf, CCAÇ 1439, Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67)
Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Janeiro de 2008 > Estrada Bissau-Bafatá > Passagem do Xico Allen pelas proximidades de Mato Cão (ou "Matu de Cáo"), onde foi criado, no tempo do ten cor inf Polidoro Monteiro, comandante do BART 2917 (Bambadinca, 1970/72), um destacamento, guarnecido pelo Pel Caç Nat 52.
Foto: Xico Allen (1950-2022) / Albano Costa (2008) / Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradasda Guiné
Madeira > Funchal > BII 19 > CCAÇ 1439 > 1965 > "Os quatro alferes (ainda aspirantes...): Sousa e Zagalo (sempre independente, apareceu de roupão); à direita, o Freitas; a minha cabeça aparece por detrás do Zagalo."
Depois de seis meses fomos dados por “preparados” e a 2 de Agosto de 1965 embarcamos no “Niassa” para a Guiné. O mesmo navio nos traria de volta quase dois anos depois.
Foto (e legenda)s: © João Crisóstomo (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Comentário do João Crisóstomo ao poste P28143 (*)
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| João Crisóstomo: tem 300 referências no nosso blogue |
Data - segunda, 29/06/2026 22:40~
Assunto - Comentário ao poste P28143 (*)
"Mas voltando ao Mato Cão (**)”…
Nos meus tempos (1965/67), Mato Cão era conhecido pelos problemas que aí e à sua volta já tínhamos de enfrentar: especialmente a estrada de Porto-Gole- Enxalé- Bambadinca, com as suas emboscadas, minas e foram várias as que lembro, incluindo duas no mesmo dia, uma que vitimou o furriel Mano e logo a seguir outra quando eu próprio comandei uma coluna de socorro a essa coluna do Zagalo que tinha sofrido uma mina e e acabámos por cair noutra que vitimou o “Manel Açoreano” que era o único soldado dos Açores integrado na nossa companhia de madeirenses.
Mas quanto a protecção aos barcos nessa parte do Geba, ainda não se falava muito. Sei, especialmente pelos relatos do Beja Santos
Mas parece que isso só começou a sério depois de nós termos voltado a Portugal.
Durante a minha estadia na Guiné estive estacionado em Missirá várias vezes, por um mês, o que na prática por vezes se prolongavam por dois meses e mais. Mas não tínhamos obrigação de ir até Mato Cão ou fazer aí patrulhas com a finalidade de proteger embarcações.
Enquanto o Beja Santos foi para aí enviado com esse fim em vista (penso eu) e Missirá era já mais ou menos independente de Enxalé, nos meus tempos Missirá era apenas um simples destacamento de Enxalé.
Estávamos aí destacados fazendo mesmo muito pouco ou mesmo nada, excepto proteger quem ia buscar água a um poço aí perto, que era a única água fonte que fornecia a Tabanca de Missirá, esperando pacientemente que outro pelotão nos rendesse.
A nossa missão era apenas a de "dar proteção” nessa zona e participar em operações quando fosse preciso. O que era frequente e de facto o meu pelotão foi requisitado várias vezes para fazer parte em operações a nível de companhia ou mesmo de batalhão.
Missirá sofreu um grande ataque ainda no meu tempo, já perto da nosso regresso a Portugal.
O que me parece é que "o meu tempo” da CCAÇ 1439 foi um tempo de transição em que Missirá e Porto Gole, embora ainda integrados na companhia que estava em Enxalé, passavam a ter já mais autonomia.
Depois do nosso regresso a Portugal pelo que compreendo (mas o Beja Santos e o Henrique Matos poderão esclarecer tudo isto melhor que eu), os destacamentos de Missirá e Porto Gole passaram a ser mais independentes: Missirá passou a ser directamente dependente de Bambadinca, com pouca ou nenhuma ligação com Enxalé, e quanto a Porto Gole penso que ainda ficou por algum tempo mais dependente de Enxalé.
Mas já se sentia esse tempo de “transição” (que mais me pareceu um tempo de confusão do que transição) que não foi tão fácil para ninguém: quando destacaram para Porto Gole um "pelotão independente” sob o comando do alferes Maldonado, este destacamento de Porto Gole sofreu logo um tremendo ataque que levou a vida do próprio alferes Maldonado. E eu que de lá tinha saído semanas antes, não tive senão que aceitar as ordens do meu comandante, capitão Pires e tive de voltar para lá até que arranjassem outro alferes para o substituir. Foi o Henrique Matos.
O mesmo viria a acontecer com Missirá, que sofreu um tremendo ataque quando lá puseram um “pelotão independente”, ainda dependente de Enxalé, mas já com maior autonomia, sob o comando do alferes Marchand.
Depois de tremendo ataque a Missirá, quando o alferes Marchand aí se encontrava, a CCAÇ 1439 foi instruída a fornecer outra vez um dos alferes e foi o alferes Freitas que para lá voltou.
E até voltarmos nunca deixou de estar sob a dependência de Enxalé… na altura em que chegou hora de voltar a Portugal era eu que me encontrava em Missirá e de lá partimos para Fá, e daí para Bissau, rumo a Portugal.
( Vide Postes:
Isto tudo sobre "voltando ao Mato Cão” para dizer que, no que se refere a proteção das embarcações no Geba, nessa zona perto de Mato Cão, tudo mudou nessa altura, portanto em fins de 1967 e seguintes.
A CCAÇ 1439 teve como unidade mobilizadora o BII 19 (Funchal), partiu para o CTIG em 2/8/1965 e regressou a 18/4/1967, tendo passado por Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole, Missirá, Fá Mandinga.
quinta-feira, 2 de julho de 2026
Guiné 61/74 - P28150: Tabanca da Diáspora Lusófona (41): Vamos a Portugal de meados de setembro a meados de outubro: eu e a Vilma queremos ir ao próximo encontro da Tabanca da Linha (24/9/2026) (João Crisóstomo, Nova Iorque)
Prompt original e composição editorial: Luís Graça | Imagem: Arquivo do Blogue Luís Graça $ Ca,aradas da Guiné | Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI (2026)
Data - segunda, 29/06/2026, 22:40
Caro Luís Graça,
Ao visitar o blogue, quando se trata das paragens por onde andei, ou de camaradas que comigo por lá andaram nem que seja de noite quando não consigo dormir, eu arranjo mesmo tempo para ler e reviver… E aqui está um “comentário” que eu ia enviar, mas que se tornou tão longo que não tenho coragem de o enviar.
Mas já que estou no computador, aproveito para algumas notícias: fnalmente consegui organizar a minha agenda e vamos a Portugal em meados de setembro a meados de outubro. Prepara-te para nos aturares.
Não vai ser por muito tempo (só por quatro semanas!) e entre dois dentes a tratar, aniversários da minha filha e do meu neto e outros, visita ao Museu Aristides em Viseu (queres ir connosco?), etc., o tempo voa… Mas temos de arranjar tempo para nós: fala com os teus filhos, que são sempre uma satisfação grande para nós. E com os nossos amigos comuns…
Em princípio eu e a Vilma vamos estar no encontro da Tabanca da Linha de 24 de setembro . Já informei o pobre do Rui (Chamusco): como sabes quando vamos a Portugal, para ele é como uma bula papal: ganha sempre muitas “diligências” e outros créditos no Céu… Já informei o Manel Resende (por telefone, claro).
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Último poste da série > 18 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28112: Tabanca da Diáspora Lusófona (40): quantos portugueses e lusodescendentes há no mundo (e em especial no "Novo Mundo") ? E qual o universos dos lusófonos ? Teremos mais de 30 milhões de portugueses e lusodescententes e c. 3 centenas de milhões de lusófonos - Parte I
Guiné 61/74 - P28149: As nossas geografias emocionais (68): Bambadinca, edifício dos CTT, ao tempo do Jaime Machado (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2046, Bambadinca, 1968/70)
Foto nº 2 e 2A> Guiné > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > Edifício dos CTT, sito no lado direito, descendente, da rua principal da povoação... A rua, de terra batida, vinha do quartel (construído num pequeno promontório à cota 33) seguia para o rio, o porto fluvial e a estrada de Bafatá, a nordeste.
Foto nº 9 > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCS/BART 2917 (1970/72) > Vista aérea: do lado esquerdo parte (nordeste) do quartel e posto administrativo; ao centro, a tabanca; ao fundo, o caprichoso rio Geba Estreito, o porto fluvial, o destacamento da intendência (Pel Int) e o início da bolanha de Finete (na margem norte do rio), já no regulado do Cuor; e, do lado direito, a nova estrada em construção que ligará o Xime a Bafatá, e que em Bamdinca, contornava a bolanha (que ficava a sul), a grande bolanda de Bambadinca (cujo nome em mandinga quer dizer "cova do lagarto", ou seja, do crocodilo).
Foto nº 10 > Guiné > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCS/BART 2917 (1970/72) > Vista aérea(1): Legendas:
Foto nº 11 > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCS/BART 2917 (1970/72) > Vista aérea (2): Legendas:
Foto nº 14 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCAÇ 12 (1969/71) > 1970 > Vista (parcial) da tabanca de Bambadinca, com o Rio Geba ao fundo. Foto tirada do lado nordeste. Em primeiro plano, contígua ao arame farpado, a casa e o estabelecimento comercial do Rodrigo Rendeiro, um dos poucos comerciantes portugueses que conhecemos na Guiné, em 1969/71. (Mas parece que havia 11 estabelecimentos comerciais.) Assinalado com um círculo a vermelho o fontenário de Bambadinca, melhoramento inaugurado em 1948. Nunca lá parei para beber água (só hoje sei donde é que vinha...).
Fotos: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Jaime Machado, foto atual, na Senhora da Hora, Matosinhos |
Nunca lá entrei. As ligações nem sempre eram fáceis, e tinham de ser pedidas de um dia para o outro.
O Beja Santos, que lá voltou a Bambadinca, também em 2010, recorda o nome da empregada dos CTT, a Dona Leontina ("uma gentil senhora com quem se apalavrava o dia e a hora para telefonar para Lisboa"). Presumo que a senhora fosse cabo-verdiana, tal como a professora da escola primária ,a Dona Violante, e o chefe de posto (de quem não me lembro o nome).
2. Ainda não sei a data de construção do edifício dos CTT de Bambadinca. De acordo com carta de 1: 50 mil, em 1955 Bambadinca já tinha, além de posto sanitário (S), um serviço telégrafo-postal (TP), mas ainda não tinha serviço telefónico (T).
- Gabu em 1957 ainda não tem serviço telégrafo-postal (TP);
- Mansoa e Bissorá, em 1954, também não;
- São Domingos também não, em 1953, só serviço alfandegário (A);
- Cacheu já tem: S, PT e A;
- Incrível, em 1955, Bafatá não tem nada;
- O mesmo se passa com Teixeira Pinto / Canchungo, em 1953;
- Catió, em 1956, também não:
- Farim, em 1954, idem, aspas!
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Bambadinca: fachada do edifício dos CTT, foto de José Carçlso Lopes, c. 1968/0 |
Em 1951 o GUC passa a Gabinete de Urbanização do Ultramar (GUU) e, em 1957, a Direcção de Serviços de Habitação e Urbanismo da Direcção-Geral de Obras Públicas e Comunicações
(DSUH-DGOPC) do Ministério do Ultramar.
O ediffício típico dos CTT, na Guiné (e nos rest5anjtes territórios), nos anos 60/70, era um pavilhão térreo, de composição simétrica, coberto por amplo telhado, apresentando fachada rematada por um frontão curvo, sobrepujado por beiral; uma varanda alongada, ao modo de alpendre, a toda a largura da frontaria...
Sabemos que o de Bafatá é de 1969. É uma arquitetura pública do Estado Novo tardio (anos 60/70).
O de Bambadinca deve ser, anterior, já de meados dos anos 50. Recorde-se que a sede dos CTT, em Bissau, é dessa época:
" Lucínio Cruz desenha em 1950 a primeira versão e em 1955 o projecto final do Edifício dos C.T.T.. O edifício ocupa o lote inicialmente previsto para construção da Câmara Municipal, um projeto do mesmo arquiteto apresentado em 1948, que acabará por não se concretizar.
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Fontenário de Bambadinca (c. 1968/70). Crédito fotográfico: Jaime Machado (2015) |
Tudo indicava que havia, por esta altura, uma célula ativa do PAIGC na localidade de Bambadinca... Essa hipótese já tinha sido levantada pelo comando do BART 3873 quando em novembnro de 1972, a PIDE/DGS [, de Bafatá,] efetuara uma prisão, de um elemento ligado à comunidade cabo-verdiana, prisão essa que foi seguida de distribuíção de planfletos denunciando a atuação da polícia política.
- 21/1/1974: primeira acção do PAIGC na cidade de Bissau, com lançamento de engenhos explosivos contra autocarros da Força Aérea;
- 26/2/1974: atentado no recinto do café Ronda, em Bissau: duas granadas de mão defensivas com disparador de atraso explodiram no recinto do café, causando cinco feridos graves e 44 feridos ligeiros entre os militares e um morto e 13 feridos entre os civis.
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Nota do editor LG:
(*) Último poste da série > 24 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28130: As nossas geografias emocionais (67): o monumental depósito de água de Bolama (conhecido localmente como "castelo")
quarta-feira, 1 de julho de 2026
Guiné 61/74 - P28148: Banco do Afeto contra a Solidão (32): O nosso Humberto Reis está na enfermaria do serviço de cirurgia cardiotorácica, Hospital de Santa Maria, Lisboa... Podem vistá-lo das 13h00 às 19h30... Piso 8
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Último postre da série > 14 de janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26390: Banco do Afeto contra a Solidão (31): O Valdemar Queiroz regressa amanhã à rua de Colaride, depois de uma "nomadização hospitalar", tranquiliza-nos o Eduardo Estrela...
Guiné 61/74 - P28147: Historiografia da presença portuguesa em África (533): A Guiné vista por estrangeiros - I: A viagem na Senegâmbia e na Guiné Portuguesa pelo Capitão Henri Brosselard (1): Le Tour du Monde, nouveau journal des voyages, 1889, 1.º semestre, Livraria Hachette (Mário Beja Santos)
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 15 de Janeiro de 2026:
Queridos amigos,
Recorrendo à fantasia, aí quando eu tiver 105 anos dá-me um treco em plena Biblioteca da Sociedade de Geografia, de onde não posso desandar, há sempre uma reminiscência guineense que espera por mim. Pretendia arrumar e preparar volume com as grossas centenas de páginas da papelada do Boletim Oficial e derivar para outras leituras e escritos e, como nos contos de Sherazade, a Dra. Helena Grego lembrou-me que há muitas mais leituras a fazer em terreno ignoto, referindo-se ao apreciável volume de publicações naquela biblioteca onde de poderão catar relatos de estrangeiros sobre a Guiné. E pôs-me em cima da secretária Le Tour du Monde. Não resisti, começo hoje o relato do Capitão Brosselard, em finais de 1887 foram-lhe atribuídas as funções de comissário do lado francês para a demarcação das fronteiras. Morreu prematuramente, deixou-nos um relato digno de ser visitado e as imagens de Le Tour du Monde são por vezes de uma beleza inexcedível. Os dados estão lançados, vamos ver se me aguento no balanço.
Um abraço do
Mário
A Guiné vista por estrangeiros - I:
A viagem na Senegâmbia e na Guiné Portuguesa pelo Capitão Henri Brosselard (1):
Le Tour du Monde, nouveau journal des voyages, 1889, 1.º semestre, Livraria Hachette
Mário Beja Santos
Tenho uma confissão a fazer ao leitor. Concluída a pesquisa a mais de 100 anos do Boletim Oficial da Província da Cabo Verde e Costa da Guiné até à Província da Guiné, projetei começar a sistematizar as cerca de 500 páginas de material compulsado, é certo que não passa de uma ferramenta auxiliar para estudiosos de várias procedências, e deixar as investigações sobre a Guiné em banho-maria. Conversando com a Dra. Helena Grego, uma bibliotecária devotada, que me tem dado apoio sistemático nos últimos quinze anos, e dando-lhe conta de que queria agora fazer uma investida no mundo da ficção, reagiu, nem pensar, tem ainda muito trabalho aqui para fazer, nunca se fez o levantamento dos últimos séculos de como autores estrangeiros viram a Guiné. Sugiro que comece pelo artigo assinado pelo Capitão Henri Brosselard-Faidherbe (1855-1893), que coordenou a primeira comissão de demarcação de fronteiras pelo lado francês, logo em 1888, ele foi também sócio correspondente da Sociedade de Geografia de Lisboa, à semelhança do Tenente da Armada Real Eduardo João da Costa Oliveira, que coordenava pelo lado português essa primeira comissão de demarcação de fronteiras, ele era o sócio n.º 1878 da Sociedade de Geografia de Lisboa (o relato do Tenente da Costa Oliveira fará parte do meu livro "Guiné Bilhete de Identidade, Tomo II, Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa").
Vamos ver se tenho arcaboiço para tal expedição, desconheço as toneladas de papel que me podem estar reservadas, e sabe-se lá em que idiomas. À secretária, recebo três tomos da Revista Le Tour du Monde, de facto só o relato do Capitão Brosselard se prende especificamente com a Guiné Portuguesa, nos outros dois volumes são tratados os temas da Terra dos Bagas e do Rio Nulo e também do Futa-Djalon. Vou então lançar-me ao trabalho, peço desculpa ao leitor se a minha tradução for manhosa.
1 - No ano de 1887, as Câmaras francesa e portuguesa ratificaram uma Convenção relativa à delimitação das possessões franco-portuguesas da costa ocidental de África. Antes da assinatura da Convenção, os territórios ditos Rios do Sul do Senegal, compreendidos entre Dakar e a Serra Leoa, estavam submetidos à autoridade da França ou reconhecida a sua soberania, à exceção de Bathurst, na Gâmbia e de alguns entrepostos portugueses disseminados entre o Casamansa e o rio Grande de Bolola.
Na região dita dos Bijagós, os estabelecimentos franceses e portugueses, cuja origem remonta a um passado longínquo, achavam-se muitas vezes na orla costeira, encravados uns nos outros. Esta situação não deixava de criar dificuldades entre os comerciantes e as autoridades das duas nações.
A Convenção franco-portuguesa teve por objetivo pôr termo a estas situações, reconhecendo os direitos dos portugueses na região onde estavam agrupados os seus entrepostos de Cacheu, Farim, Bissau, Geba, Buba e Bolama. Ziguinchor, no Casamansa, foi entregue à França.
O território português denominado Guiné Portuguesa, constituía um enclave no meio do enorme território que está submetido à França ou dependente da sua soberania. O rei de Portugal fez o reconhecimento do protetorado estabelecido pela França no território do Futa-Djalon, na sequência dos tratados feitos com os almamis (líderes) em 1881.
Em finais de 1887, o Governo português exprimiu desejo de que o tratado fosse aplicado sem demora e os dois Governos concertaram-se para a constituição de uma comissão de delimitação de fronteiras. Em dezembro de 1887, o Capitão Henri Brosselard-Faidherbe, oficial às ordens do Ministro da Marinha, foi designado para as funções de comissário do Governo francês. É o relato da sua última viagem na Senegâmbia e na Guiné Portuguesa que temos o privilégio de poder oferecer aos leitores.
2 - Em dezembro de 1887, organizei a missão que me fora confiada, tendo como adjunto o Tenente de Infantaria Clerc e o Sr. Galibert, publicista, que outrora tinha procurado fazer fortuna na costa de África, veio oferecer-me os seus serviços, que eu aceitei.
Desembarcámos em Dakar a 13 de janeiro. No Senegal o Governador designou o Dr. Noury, médico da Marinha, para se juntar à comissão. De regresso a Gorée, ocupei-me a organização minuciosa da exposição. Confecionaram-se modelos específicos de tendas, camas e outros objetos destinados aos oficiais, bem como trinta caixas de forma cúbica, com 40 cm de cada lado. Dois carregamentos deviam subir o curso do rio Geba e outros dois igualmente deviam ser agrupados no curso do rio Cacheu. A comissão devia estar munida de um bote.
Em 26 de janeiro partiu-se de Dakar num aviso (um navio pequeno e rápido) com pessoal indígena, os carregamentos e bagagens. A comissão portuguesa era composta do Tenente Costa Oliveira, Tenente da Armada Real, o Sr. Cabral, antigo Secretário-Geral, e o Sr. Bacelar, Capitão de Cavalaria e especialista em topografia. Durante alguns dias visitou-se Bolama e arredores.
3 - A capital da Guiné Portuguesa situa-se na ilha do mesmo nome, a extensão é de 8 milhas de leste a oeste por 3 ou 4 milhas de norte a sul.
Tem uma rica vegetação e possui árvores comercialmente muito procuradas. O desembarque faz-se sem recurso a um pontão. Para chegar a terra, os europeus são obrigados a desembarcar às costas de um homem. Quanto às mercadorias transportadas nos navios de uma certa tonelagem, é preciso transbordá-las em pequenas embarcações que dão à costa na maré alta e o desembarque faz-se com a maré baixa.
Acima do porto, a vila espraia-se em anfiteatro, sobre uma inclinação suave que desce de uma vasta planura até às margens arenosas. O bairro europeu foi construído em pedra; a maior parte das casas tem dois andares e são revestidas de telhas.
O porto, na maré alta, acha-se a dez metros do grande estabelecimento da casa Maurel e Prom; mas na maré baixa mais de duzentos metros separam a água do cais, são duzentos metros de terreno lodoso com restos de barros e detritos.
O bairro indígena está construído na parte norte; as casas são construídas em adube, cobertas de palha que é retirada na época seca para se evitarem os incêndios. O Governador está instalado num edifício que se destaca pelo seu aspeto elegante e bem conservado. Uma capela pitoresca envolvida por um caramanchão de folhagem ergue-se numa colina da vila, bem perto um hospital de construção simples montado em pilares; na mesma colina construíram-se recentemente casernas.
A população da ilha estava estimada em 3.730 habitantes, compõe-se de europeus, mestiços e pretos; os europeus serão em número de 150, os mestiços cerca de 1.000. A guarnição é de cerca de 400 homens. Em Bolama está metade desse contingente composto em grande parte de angolanos enquadrados por europeus.
Os portugueses só tomaram posse de Bolama em 1870; o concelho de Bolama inclui a ilha das Galinhas, as duas ilhas estão separadas por um canal com cerca de 3 milhas. Nas águas das duas ilhas são abundantes as tartarugas e a pesca é bastante lucrativa.
(continua)
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Nota do editor
Último post da série de 24 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28129: Historiografia da presença portuguesa em África (532): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1974, depois do 25 de abril (91) (Mário Beja Santos)






































