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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27662: In Memoriam (569): Carlos Alberto Machado de Brito (1932-2025), cor inf ref, 1º cmdt da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, jun 1969/mar 1971): vivia em Braga, e foi comandante da GNR, comando territorial de Braga - Parte I

 


1. Morreu "o nosso capitão Brito". Foi ele que nos levou para a Guiné, no T/T Niassa, em 24 de maio de 1969. Ao pessoal (éramos 6 dezenas de militares, graduados e especialistas), da CCAÇ 2590, mais tarde CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, mai 69/ mar 71).

O funeral já foi no passado dia 5 de dezembro último. Tinha 93 anos. De seu nome completo Carlos Alberto Machado de Brito. Viúvo, duas filhas. Vivia em Braga. Era um homem crente. Requiescat In Pace / Que Descanse em Paz.





Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L1 (Bambadinca)  > Estrada Xime- Bambadinca > 1969 > Carlos Alberto Machado Brito, cap inf nº 50156311, foi o primeiro cmdt da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, 1969/71)... Já tinha 37 anos e e pelo menos duas comissões no ultramar. No fim desta comissão no CTIG, foi promovido a major. Era um pesadelo, na época, a carreira militar para oficiais e sargentos do quadro. A grande vítima era a família.


Foto: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Que recordações guardo dele ? Que lembranças temos dele, malta de Bambadinca, de 1969/71) ?

Para já, era uma um homem afável e civilizado no trato, como poucos, não tendo nada a ver com a imagem (negativa e estereotipada) que alguns de nós, milicianos, tínhamos de alguns oficiais do QP que conhecemos ao longo da nossa carreira militar de quase três anos (com o tempo da Guiné a dobrar, faz quase cinco!)...

Com os seus 37 anos, e duas comissões anteriores no Ultramar (a primeira em Angola,  CCAÇ, 309, Cabinda e Malanje, 1962/64, e depois Moçambique, se não erro), foi tão explorado pelo comando do Sector L1 (no tempo do BCAÇ 2852 e do BART 2917) como os seus milicianos e os seus soldados, metropolitanos ou do recrutamento local (as nossas praças, fulas).

No final da comissão na Guiné, lá ganhou, com justiça, os galões de major. Em fevereiro de 1971, se não me engano.

Carlos Alberto Machado Brito, o nosso capitão Brito, estava reformado como coronel de infantaria. Julgo que era natural de Braga e vivia em Braga. Esteve também à frente do comando territorial de Braga, da GNR.

Eu já em tempos tinha formulado o desejo de o voltar a ver, bem de saúde e, até por que não, como membro desta tertúlia... Foi ele que manifestou, pelo formulário de contacto do Blogger, o seu interesse em falar comigo:

segunda, 27/03/2023, 18:04

Queria entrar em contacto com o Luis Graça, ainda estou vivo com 90 anos e
5 meses

Cumprimentos,
Cor Carlos Alberto Machado Brito | macbrito@netcabo.pt


Estupidamente, a mensagem ficou esquecida na caixa de correio, sem resposta imediata. Respondi-lhe por mail, apenas ano e meio depois:

domingo, 27/10/2024, 17:08

Meu caro coronel,

Folgo muito em saber de si...Fiquei de lhe responder na devida altura, mas a oportunidade escapou-se-me. Mande-me o seu contacto telefónico, por favor; terei muito gosto em telefonar-lhe amanhã ou noutro dia, com tempo e vagar. 

A última vez que o vi (e a primeira, depois do nosso regresso) foi em 1994, em Fão, Esposende, no 1º encontro do pessoal de Bambadinca (1968/71)...

Alguns de nós já deixaram a Terra da Alegria, a começar pelo Rodrigues, o Carlão, o Branquinho, o Piça, o Videira, o Quadrado,  e outros.

Tem aqui quase uma dezena de referências ao seu nome, meu coronel... Mas gostaria de ter muitas mais. Falta o seu nome na lista alfabética dos amigos e camaradas da Guiné, são já 894 entre vivos e mortos.

Sobre a nossa CCAÇ 12 são já perto de 500 as ferências, no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (...)

Deixo-lhe o meu nº de telemóvel... Luís Graça (eu era o furriel Henriques, o seu "pião de nicas"...) (...)

Estou cá para baixo, para o sul, mas vou muito ao Porto e ao Marco de Canaveses (Quinta de Candoz, perto do Rio Douro). 

Um abraço caloroso, Luís

Falámos depois longamente ao telefone. Estava num lar de professores, em Braga, sentia-se muito bem, em boa forma. Tinha o seu quarto, o seu conforto, a sua privacidade. Dava todos os dias o seu passeio pela cidade. E tinhas as filhas e netos por perto.

Hoje ao tentar ligar-lhe de novo e a
o pesquisar o seu nome no  Facebook,  é que me dei conta, com tristeza, da notícia da sua morte, em 4 de dezembro de 2025.


Guiné 61/74 - P27661: Blogpoesia (808): "Era assim lá no Canchungo" (Albino Silva, ex-Soldado Maqueiro)


1. Mensagem do nosso camarada Albino Silva, ex-Soldado Maqueiro da CCS/BCAÇ 2845, Teixeira Pinto, 1968/70) com data de 19 de Janeiro de 2025:

Olá Carlos
Espero e faço votos para que esteja tudo bem convosco e com a Tabanca Grande, para a qual envio mais este trabalhito e, apenas para não perder o hábito de escrever assim desta maneira e porque já estão habituados.

Um grande abraço para os Régulos e para toda a tertúlia
Bino Silva


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Nota do editor

Último post da série de 14 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27219: Blogpoesia (807): "O nosso segredo", por Adão Cruz, ex-Alf Mil Médico da CCAÇ 1547 / BCAÇ 1887 (Canquelifá e Bigene, 1966/68)

Guiné 61/74 - P27660: Prova de vida (10): George Freire, ex-cap inf Renato Jorge Cardoso Matias Freire, que vive nos EUA desde outubro de 1963, e foi 2º cmdt da CCAÇ 153 (Fulacunda, 1961) e cmdt da 4ª CCAÇ (Bissau, Nova Lamego e Bedanda, 1961/63)



Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Nova Lamego > 4ª CCAÇ (1961/63) > Jorge Freire, ex-cap inf, que esteve na Guiné, em 1961/63, e desde então a viver nos EUA; conhecido por George Freire, foi engenheiro e empresário e está reformado desde 2003. Vive hoje em Colúmbia, Carolina do Sul. Imagem: fotograma do vídeo que nos mandou em 2009 (*).

Foto: © George Freire (2009). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]






Lisboa > Escola do Exército > 1955 > Curso finalista da Escola do Exército (hoje, Academia Militar) do ano de 1955, do qual faziam parte (além do George Freire, residente nos EUA desde outubro de 1933, hoje com 92 anios antigo comandante da 4ª CCAÇ - Fulacunda, Bissau, Nova Lamego Bedanda, Maio de 1961/ Maio de 1963, de seu nome completo Renato Jorge Cardoso Matias Freire), os seguintes oficiais reformados do exército português, que ainda náo conseguimos identificar:

  • generais Hugo dos Santos, António Rodrigues Areia, Adelino Coelho e António Caetano;
  • coronéis João Soares, Costa Martinho e Maurício Silva, entre tantos outros; capitão José Manuel Carreto Curto, ex-cap inf, CCAÇ 153 (Fulacunda, 1961/63) era "do curso um ano mais velho do que o meu" (diz o George Freire). (Faleceu em 18/11/2018, com ten gen ref.

O oficial que está ao centro, de óculos, seria o 2ª comandante da Escola do Exército na altura. O George Freire só indica as iniciais do seu nome (M.A.),

Por outro lado, o cadete que está na 3ª posição (só se vè a cabeça), do lado direito, parece-nos ser o meu antigo cap inf, comandante da CCAÇ 2590/CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, Junho de 1969/março de 1971), Carlos Alberto Machado de Brito (cap Carlos Brito)

Falei há tempos com ele, estava num lar de professores, em Braga, sentia-se muito bem, em boa forma. Acabo de tomar conhecimento, pelo Facebook, da triste notícia da sua morte,  em 4 de dezembro de 2025. Tinha 93 anos, nasceu em 1932. Vou fazer uma nota de pesar. Era cor inf ref, e foi tambénm comandante da GNR. Era uma pessoa afável. Estive c0m ele no primeiro encontro  do pessoal de Bambadinca (1968/71), em Fão, Esposende, em 1994.

Foto (e legendagem): © George Freire (2008). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Acabámos de receber notícias do nosso grão-tabanqueiro, o ex-cap inf Renato Jorge Cardoso Matias Freire; está registado na Tabanca Grande, desde 28/12/2008 como Jorge (George) Freire, a viver nos EUA (*). Foi cap inf, CCAÇ 153 e 4.ª CCAÇ (Fulacunda, Nova Lamego e Bedanda, 1961/63)


Mensagem enviada através do Formulário de Contacto do Blogger:


Data - 22 jan 2026, 02:16

Ainda estou aqui de boa saúde para os meus 92 anos de idade. Vendemos a nossa casa e mudámo-nos para um apartamento numa organização para retiro chamado "Lakeview Retirement" em Colúmbia, Carolina do Sul. Estamos felizes e sem problemas de maior.

Cumprimentos,
George Freire | gfreire@att.net



2. Por curiosidade fomos ver se ainda mantinha o seu blogue... Lá está, é incrível, sempre ativo, proativo, produtivo, saudável!...Um grande exemplo para todos nós. Parabéns, George!


Há 17 anos eu tinha escrito sobre o George Freire:

(...) Com 76 anos, está reformado, foi empresário na área da engenharia. Vive em Chapin, South Carolina, Estados Unidos... Vem frequentemente a Portugal. Gosta de conviver e de viajar, do golfe, da pesca e da vela. Tem um blogue relacionado com a informática e aelectrónica: http://whatisyourquestionblog.blogspot.com/

Título do blogue: "COMPUTER AND ELECTRONICS WORLD SHARING AND LOTS OF OTHER GOOD STUFF NOT RELATED TO COMPUTERS"...

É um homem do seu tempo que se descreve-se a si próprio como "a retired engineer deeply interested and involved in the solving of problems and frustrations of the computer and electronics world that surround us all" (...).

Eis que o que escreveu ainda ontem, no seu velho blogue (tradução de LG):

(...) Estou de volta e dou as boas vindas aos novos e antigos visitantes do nosso blog

Quanto tempo! Eu sei, já se passaram anos. Envelheci e cheguei aos 92 anos, mas continuo muito envolvido no mundo dos truques de informática para lidar com falhas, evitá-las e melhorar a segurança operacional dos computadores. São novos tempos, diferentes do passado, mas nós (a maioria de nós) ainda usamos o Windows 11.

Agora, estou ansioso para ajudar as pessoas e discutir qualquer assunto sobre computadores e computação. Você tem perguntas? Qualquer pergunta? Por favor, voltem e vamos recomeçar o Blog do zero.

Meus melhores cumprimentos a todos vocês que costumavam nos visitar no passado. Ainda estou aqui, com 92 anos, mas com boa saúde de corpo e mente.

George Freire Postado por George Freire às 20h58 | 0 comentários (...)



3. Resposta de hoje do editor LG:

George, camarada:

Ficamos felizes por saber de ti e da tua esposa, Edite. Está feita a prova de vida (**). O Virgínio Briote, que andou na Academia Militar, no princípio da década de 60 (é do curso de 1962 e depois saiu, tendo sido no CTIG alferes comando em 1965/67) faz hoje anos e foi quem te apresentou à Tabanca Grande em 29/12/2008: ele é nosso coeditor jubilado, e vai ficar muito contente por ter notícias tuas. Sei que durante algum os dois corresponderam-se.

Vou dar conhecimento das tuas boas novas também ao João Crisóstomo, que vive em Nova Iorque desde 1977, e é o "régulo" da Tabanca da Diáspora Lusófona. Ele assumiu a "obrigação" de reunir no nosso "redil" todas as "ovelhinhas" tresmalhadas dos "tugas" que andaram na "verde-rubra" Guiné entre 1961 e 1974 e que hoje vivem no Novo Mundo (e em especial na terra do Tio Sam). Vou-lhe pedir que te contacte, por telemóvel, para te dar de viva voz o abraço da malta toda. Vou-te mandar aqui os contactos dele. Um alfabravo fraterno do Luís Graça.

PS - Temos bastantes "bedandenses" (4ª CCAÇ / CCAÇ 6) na Tabanca Grande... Vou-lhes dar conhecimento. Quem já faleceu, infelizmente, em 2024, foi o Aurélio Manuel Trindade (tenente general inf, reformado) que era de 1933 (como tu, e possivelmente do mesmo curso de infantaria na Escola do Exército). Foi o último comandante da 4ª CCAÇ (Bedanda, 1965/67) e o 1º da CCAÇ 6.

O cor iinf ref Mário Arada Pinheiro também é do teu tempo. É igualmente nosso grão-tabanqueiro.

3. Recordamos aqui, para os nossos leitores, e em especial para os nossos leitores "bedandenses" a lista (dedse 1961) dos comandantes da 4ª CCAÇ (que deu origem depois, em 1967, à CCAÇ 6):

Cap Inf Manuel Dias Freixo
Cap Inf António Ferreira Rodrigues Areia
Cap Inf António Lopes Figueiredo
Cap Inf Renato Jorge Cardoso Matias Freire
Cap Inf Nelson João dos Santos
Cap Mil Inf João Henriques de Almeida
Cap Inf Alcides José Sacramento Marques
Cap Inf João José Louro Rodrigues de Passos
Cap Inf António Feliciano Mota da Câmara Soares Tavares
Cap Inf Aurélio Manuel Trindade

(Revisão / fixação de texto, itálicos, negritos: LG)
_________________________

Notas do editor LG:


(...) A companhia (CCAÇ 153) de que originalmente fiz parte quando partimos para a Guiné, no dia 26 de Maio de 1961, foi criada em Vila Real de Trás-os-Montes, onde eu ainda tenente, segundo comandante e o capitão Curtoo, comandante, (do curso um ano mais velho do que o meu), passámos semanas a organizar a companhia.

De Vila Real todo o pessoal viajou para Lisboa de comboio e passados talvez uma ou duas semanas, partimos de avião, (dois aviões transportes da FA), do aeroporto de Lisboa para Bissau, onde chegámos no mesmo dia ao anoitecer (...)

De Bissau, onde passámos a noite, seguimos logo para Fulacunda, onde permaneci à volta de dois meses, após os quais chegou a minha promoção a capitão.

De Fulacunda fui transferido para Bissau para comandar uma companhia de nativos (4ª CCAÇ) e render o capitão Helder Reis. Passei 4 ou 5 meses em Bissau, daí para o Gabu (outros 6 meses) e daí para Bedanda onde passei o resto da minha comissão.

Voltei para Portugal e fui novamente colocado na Academia Militar, (nesse tempo ainda chamada Escola do Exército), onde tinha sido instrutor desde 1957 até à minha ida para a Guiné.

Durante os anos de 1958 até 1961, tive a oportunidade de trabalhar (nas horas livres) com um tio direito, que tinha uma firma de serviços de engenharia e caldeiras industriais. Durante as férias de verão todos esses anos viajei aos EUA duas ou três semanas para ajudar o meu tio em assuntos relativos aos seus negócios com duas companhias no estada da Pensilvânia.

Quando voltei da Guiné, uma dessas companhias ofereceu-me uma posição, (com o título de gerente de operações internacionais), e com uma remuneração muito difícil de recusar.

Nos fins de Agosto pedi a minha demissão e parti com a minha família, (mulher e duas filhas de 3 e 2 anos), para os EUA onde me encontro faz este ano 45 anos. Desde então tirei um curso de engenharia mecânica, trabalhei para outras duas companhias e, em 1989, formei a minha própria companhia de consultaria de projectos relacionados com energia de gás, co-geração, etc.

Em 2001 parei de trabalhar full time, e estou basicamente reformado. Felizmente de boa saúde, vou a Portugal todos os anos onde me encontro com um bom grupo de antigos camaradas de curso e família. Tenho 3 filhas, a mais nova nasceu aqui, embora todas casadas, somente tenho um neto e uma neta da filha mais velha. A filha do meio e a mais nova não têm descendentes.

Comecei há pouco um Blog dedicado a ajudar amigos e quem quer que o siga, sobre problemas de computadores:

http://whatisyourquestionblog.blogspot.com/ (...)

Guiné 61/74 - P27659: Os 50 anos da independência de Cabo Verde (17): o sold aux enf Porfírio Dias (1919-1988), meu pai, que me contou a história do submarino alemão que atracou no Mindelo e só se foi embora quando lhe apeteceu (Luís Dias, ex-alf mil, CCAÇ 3491, Dulombi, 1971/74)


Foto nº 1 > Porfírio Dias (1919-1988) > Ainda na metrópole, sold aux enf (1940)


Foto nº 2 > Porfírio Dias: foto tirada em Cabo Verde, depois do acidente que o obrigou a usar óculos para sempre... Foi mais uma vítima da habitual falta de material para cumprir com o necessário cuidado as tarefas de que era incumbido, como soldado auxiliar enfermagem: ao usar umas  luvas já deterioradas numa intervenção cirúrgica, em que apoiavas o médico, depois de tocar  com os dedos num dos olhos, arranjou o problema de saúde que o  obrigou a usar óculos desde então.


Foto nº 3 > Cabo Verde > Ilha de São Vicente >Mindelo > c. 1941/44 >  Porfírio Dias,  com a braçadeira de enfermagem e com pistola à cintura. A  viatura parece ser uma GMC.


Foto nº 4   > Cabo Verde > Ilha de São Vicente >Mindelo > c. 1941/44 > À porta da enfermaria, no  com outros camaradas enfermeiros e com o alferes médico (o que não tem bata branca).


Foto nº 5 > Cabo Verde > Ilha de São Vicente >Mindelo > c. 1941/44 > O sold aux enf, Porfírio Dias,  de bata branca. com outros camaradas. 

Recebeu em fevereiro de 1943, no Mindelo, Cabo Verde, do Comandante de Batalhão, o louvor militar seguinte: "Louvo pelo muito zelo com que tem desempenhado as suas funções no Posto de Socorros na Enfermaria do Batalhão, muitas vezes com o prejuízo da sua própria saúde, dando com a sua actividade, excelente exemplo de dedicação pelo serviço e pela saúde dos seus camaradas e manifestando-se assim um óptimo auxiliar do senhor oficial médico".

Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo > RI 23 >  c. 1941/44 > O sold aux enf, Porfírio Dias (1919-1988), 1º Batalhão Expedicionário do Regimento de Infantaria nº 5, que partiu para Cabo Verde no T/T Mouzinho em 18/7/1941, juntamente com o Luís Henriques, pai do nosso editor LG  (ambos eram do mesmo regimento e batalhão). Esteve lá dois anos anos e dez meses (até 7/5/1944)..

Fotos (e legendas): © Luís Dias (2012). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Luís Dias, alf mil, CCAÇ 3491,
Dulombi, 1971/74
1.  Escreveu o  Luís Días, membro da nossa Tabanca Grande, ex.alf mil inf, CCAÇ 3491, Dulombi, 1071/74, em comentário ao poste P27656 (*)

(...) Uma das aventuras que o meu querido pai me contou, foi que em determinada altura atracou no Mindelo um submarino, ostentando o pavilhão da Alemanha nazi.

O comandante da força portuguesa terá ordenado que uma pequena força militar fosse junto do mesmo exigindo que partissem imediatamente do local.

Do contacto havido e tendo sido dito a quem comandava o submarino que devia deixar de imediato as nossas águas, o mesmo terá encolhido os ombros e só largaram muito tempo depois, quando acharam que deviam partir.

Abraço e um bem hajam por mostrarem que houve gente em Cabo Verde, que passou um mau bocado, em especial em termos de comida e de apoios e lembrar que, no caso do meu pai, oriundo do Bairro da Graçam Lisboa, e amante do fado, veio de lá com problemas de saúde, mas a gostar do povo que ali habitava e a amar as "mornas", que lhe faziam lembrar o nosso "fado", do qual era um fã, em especial da Amália e do Fernando Maurício. (...)


2. Recorde-se que o nosso camarada Luís Dias integrou, desde 1975,  a carreira de  investigadores da Polícia Judiciária, tendo sido nomeado, 25 anos mais tarde,  Director do Departamento de Armamento e Segurança, pelo Ministro da Justiça. Hoje está reformado. No nosso blogue, é o nosso especialista em armamento.

Escreveu ele,  em carta, póstuma ao pai, em 19 de março de 2009, no Dia do Pai;

(...) Beste dia queria lembrar que também tu foste mobilizado e enviado para Cabo Verde, no tempo da 2ª Guerra Mundial, que cumpriste também um dever que te foi imposto pelo teu/nosso país. Sei que a tua comissão não teve os riscos de combate, de guerra, como eu tive na Guiné, embora se falasse da possibilidade de um ataque alemão ou mesmo inglês, conforme o governo de Salazar se fosse inclinando para um lado ou para o outro, mas houve outros perigos: muita fome, doenças e as desgraças que assististe por força da tua especialidade.

 (...) Aqueles tempos de 18/7/941 a 7/5/44 (2 anos e 10 meses!!!!), em terras de Cabo Verde, não terão sido pera doce e lembro-me da história que tu contaste do submarino alemão (...). (**)

Pai, estou a invocar-te aqui no blogue da minha companhia, porque tu também foste um mobilizado para África. Um, entre os muitos milhares que a Pátria foi lançando para as terras bravas e quentes daquele Continente. Foste um soldado português, como nós fomos. O país, como aos combatentes da 1ª Grande Guerra, onde o meu avô também esteve, aos do teu tempo, aos da Índia e a nós combatentes da guerra colonial, nunca nos agradeceu, porque é ingrato ou, se calhar, também não mereceu tanta brava gente. (...)

(Revisão / fixaçãode texto, itálicos, negritos: LG)

(**) Vd. poste de 25 de março de 2012 > Guiné 63/74 - P9657: Meu pai, meu velho, meu camarada (26): Porfírio Dias (1919-1988), ex-sold aux enf, Cabo Verde, São Vicente, Mindelo (de 18 de julho de 1941 a 7 de maio de 1944) (Luís Dias)

Guiné 61/74 - P27658: Parabéns a você (2454): Rogério Freire, ex-Alf Mil Art MA da CART 1525 (Bissorã, 1966/67) e Virgínio Briote, ex-Alf Mil Cav Comando da CCAV 489, CMDT do Grupo Comandos "Os Diabólicos" (Cuntima e Brá, 1965/67)


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Nota do editor

Último post da série de 21 de Janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27654: Parabéns a você (2453): João Graça, médico psiquiatra, amigo Grã-Tabanqueiro que visitou e fez voluntariado em 2009 na Guiné-Bissau. É filho da nossa amiga Alice Carneiro e do nosso editor Luís Graça

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27657: E as nossas palmas vão para... (32): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algès, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte III

 

Foto nº 23  > A mesa do "dono da garrafeira de Loriga" e também do Manuel Resende, o régulo

Foto nº 24 > A garrafa de uísque de malte, de 12 anos, "Strathconon", impaciente por ajudar a fazer a festa...


Foto nº 25 > Da esquerda para a direita, António Duque Marques (Amadora), Francisco Henrique da Silva (Sintra) e Zé Rodrigues (Belas / Sintra). O Duque Marques ainda não faz parte da Tabanca Grande: já o desafiei, temos de tratar do assunto, não pode  ser,  é membro  da Tabanca da Linha (desde pelo menos 2017). O Francisco Henriques da Silva, por seu turno, é nosso grão-tabanqueiro, tendo sido  alf mil inf, CCAÇ 2402 / BCAÇ 2851 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70) e, mais tarde, embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, em 1987/99.


Foto nº 26 >  Em segundo plano, o António  Brito Ribeiro (São João do Edstoril / Cascais e Loriga / Seia),mais  um camarada que ainda não identifiquei e, e à sua esquerda,  o Diniz  Sousa Faro (São Domingos de Rana / Cascais)

Foto nº 27 > Em primeiro plano, o António Brito Ribeiro, que foi alf  mil trms e operações, COP 6 (Mansambá, 1970/72). Natural de Lorriga, Seia, vive em São João do Estoril, Cascais,


Foto nmº 28 > Em primeiro plano, o Zé Rodrigues, que desta vez foi o ajudante de tesoureiro do régulo

Foto nº 29 > Manuel Resende, António Brito Ribeiro e um camarada que eu ainda náo consigo identuficar


Foto nº 30 > O Dinis Faro e a esposa; o António Duque Marques também com a espsoa


Foto nº 31  > O O José Dinis de Sousa Faro e a esposa


Foto nº 32 >  As simpáticas senhoras desta mesa


Fotoo nº 33 > António Duque Marques também com a espsoa

 
Foto nº 34 > O Luís Graça e o Zé Rodrigues, que perdeu recentemente a sua  filha, Rita Mascarenhas (1978-2025


Foto nº 35 >  Zé Rodrigues e Manuel Resande

Magnífica Tabanca da Linha > Restaurante Caravela d' Ouro > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário >


Fotos: © Manuel Resende (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.


1.  Mais uma mesa de "magníficos": foi nesta que se sentou o "dono da garrafeira" de Loriga, o António Brito Ribeira... É  a mais fotografada... O amor com amor se paga...

Destaque também, nesta mesa, para o Francisco Henriques da Silva que serviu como embaixador de Portugal na Guiné-Bissau entre os anos de 1997 e 1999. Durante o seu mandato, viveu e geriu a crise diplomática decorrente da guerra civil naquele país lusófono (1998-1999). Nessa altura, a nossa  embaixada  desempenhou um papel central no apoio à comunidade portuguesa e na mediação do conflito.

Tem vários livros publicados, começando por Guerra na Bolanha – De Estudante, a Militar e Diplomata (Lisboa, Âncora Editora, 2015): uma obra autobiográfica que relata a sua experiência como alferes miliciano no CTIG (1968-1970) e o posterior ingresso na carreira diplomática.

Ver aqui uma sinopse do livro. Infelizmente não apareceu, até à data, nenhuma recensão.

Desta vez prometemos que vamos apresentar todas as mesas, uma a uma, para comhecer melhor os nossos "Magníficos".

 (Seleção de fotos, edição, legendagem: LG)

Guiné 61/74 - P27656: Historiografia da presença portuguesa em África (513): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1957 (71) (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 7 de Julho de 2025:

Queridos amigos,
Guardo da leitura que fiz ao Boletim Oficial de 1957 a ideia de que toda a legislação do Ministério do Ultramar, com ou sem incidência na Guiné, é dada à estampa no Boletim Oficial, cresce o número de funcionários públicos, naturalmente exigência dos próprios serviços; procura-se a resolução para as queixas da pouca qualidade dos produtos de exportação, particularmente do amendoim e do coconote, as carreiras de transportes de passageiros também crescem, há medidas do Estado Social em desenvolvimento, é o caso da assistência farmacêutica, a indústria de serrações é uma realidade. Busca-se alguma notícia de tensões, atos hostis à presença portuguesa, não há nada, ponto curioso é encontrar nomes de funcionários como Aristides Pereira ou Otto Schacht, futuros membros do PAIGC.

Um abraço do
Mário



Província da Guiné Portuguesa
Boletim Oficial da Guiné, 1957 (71)


Mário Beja Santos

1957 confirma que o Boletim Oficial é agora um misto de legislação que vem de Lisboa, muita dela terá projeção na vida da província e assistimos ao desfilar dos trâmites administrativos, que tanto podem ser os correios nas províncias ultramarinas, a concessão de créditos, a execução de serviços, a regulamentação da utilização das viaturas automóveis do Estado, avisos para fornecimentos públicos com propostas em cartas fechadas, nomeações e transferências na permanente rubrica do “movimento do pessoal”, a catadupa de acórdãos, a cobrança de taxas de aterragem no Aeroporto Internacional de Bissau, concursos de material para o Instituto - Liceu Honório Pereira Barreto, o regulamento para a execução do serviço de vales e ordens postais nas províncias ultramarinas e, enfim, o reforço de verbas numa multiplicidade de serviços; obviamente, temos muito mais assuntos. Mas há um conjunto de novidades que apraz registar.

No Boletim Oficial n.º 23, de 8 de agosto, fala-se concretamente na indústria de serração, o Governador pretende ver clarificada a identificação da indústria, e daí o diploma legislativo n.º 1653, refere que anterior diploma legislativo, com data de setembro de 1951, não previra que pudesse ser industrializada em qualquer local da província a madeira abatida em outras concessões que o requerente possua noutros locais da província. Entende-se que tal facilidade em nada afeta a economia da província e por isso se deixa explícito que quando um concessionário já tenha montada ou pretenda montar uma instalação de serração mecânica, deverá requerer ao Governador, indicando, no primeiro caso o local da serração que já possui, juntando, no segundo caso os documentos constantes na legislação de setembro de 1951.


No Boletim Oficial n.º 24, de 15 de junho, estabelecem-se as condições de exportação das oleaginosas para a metrópole e estrangeiro, definindo-se os preços para o amendoim, coconote e óleo de palma. Neste mesmo Boletim Oficial ficamos a saber que se está a vulgarizar o transporte de passageiros por dois editais da Repartição Provincial dos Serviços de Obras Públicas, Portos e Transportes. Manuel Saad, concessionário de carreiras regulares de transportes, requereu o estabelecimento de uma carreira provisória semanal para o transporte de passageiros entre Bissau e Porto de Bambadinca, passando por Safim, Nhacra, Mansoa, Porto Gole, Enxalé e Mato de Cão; Armindo Gregório Ferreira requereu o estabelecimento de uma carreira provisória para o transporte de passageiros entre Cadique e S. João, passando por Bedanda e Catió. Obviamente que nestes avisos se convidavam as pessoas a manifestarem-se sobre a concessão de tais carreiras.

O Boletim Oficial n.º 31, de 3 de agosto, reproduz a lei orgânica do Ministério do Ultramar em cujo artigo 81 se refere O Arquivo Histórico Ultramarino e as suas competências (atenção, este Arquivo Histórico já tinha sido criado em 1981). Mas é importante relembrar que no artigo 83 se diz que são obrigatoriamente incluídos no Arquivo os documentos manuscritos de relevante interesse histórico até final do século XIX que pertençam ao Ministério do Ultramar, organismos seus dependentes e Governos Ultramarinos, o mesmo acontecendo com mapas, cartas, plantas, roteiros, guias, mapas náuticos ou outros documentos portugueses de natureza cartográfica.

No Boletim Oficial n.º 45, de 9 de novembro, tomam-se medidas para valorizar a qualidade da mancarra e do coconote, dizendo-se expressamente que têm sido tomadas nos últimos anos muitas medidas no sentido de valorizar os produtos de exportação, mas com poucos resultados, continuando a sair para os mercados externos produtos com elevadas percentagens de impurezas, o que traz prejuízo para a economia da província, para o indígena e para o exportador. Por este diploma legislativo n.º 1662 o Governador determina que as autoridades administrativas tomarão as providências necessárias no sentido de os indígenas procederem a limpeza prévia da mancarra e coconote, os compradores possuirão mecanismos para eliminar as impurezas, e segue-se um conjunto de requisitos onde não faltam análises e a respetiva fiscalização das operações de limpeza.

As medidas de carácter social continuam a avançar. No Boletim Oficial n.º 48, de 30 de novembro, dá-se a saber que têm direito a assistência farmacêutica prestada nas farmácias e nas ambulâncias do Estado, mediante a apresentação de receita passada pelos médicos dos Serviços de Saúde e Higiene, todos os funcionários públicos civis e militares em ativo serviço, têm igualmente direito a assistência farmacêutica prestada gratuitamente nas farmácias, os indígenas, os que estejam em extrema necessidade económica, o pessoal missionário, presidiários, etc. Define-se o que se entende por assistência farmacêutica e regulamenta-se o acesso destes contemplados à assistência farmacêutica.

No Boletim Oficial n.º 8, de 23 de fevereiro, consta outra medida que é mais do que uma curiosidade, veja-se o teor do diploma legislativo n.º 1643. O Encarregado da Prefeitura Apostólica enviara ao Governador uma exposição fundamentada, tendente a isentar de licença de uso e porte de arma caçadeira cada uma das Missões Católicas, o que tem a ver com as circunstâncias pessoais de isolamento em que aqueles elementos civilizadores trabalham no mato. E assim se determina que a cada uma das Missões Católicas é concedido o direito gratuito à licença de uso e porte de arma de caça legalmente adquirida.

E para concluir, atenda-se ao que consta no Boletim Oficial n.º 18, de 4 de maio, o teor da Portaria n.º 847, prende-se com a necessidade de melhorar a fiscalização de venda e circulação de arroz, e bem assim de entrada e saída de mercadorias em geral. Para melhorar esta eficiência de fiscalização devem ser constituídas brigadas postas pelo Governo à disposição da PIDE e constituída por pessoal requisitado aos serviços públicos da província. Competirá a estes agentes das brigadas de fiscalização a repressão de delitos, estes agentes, quando presenciarem qualquer infração, lavrarão o competente alto de notícia que será enviado ao Juiz da Comarca; A Inspeção do Comércio Geral fornecerá à PIDE todos os elementos que lhe forem solicitados.

No próximo ano temos novo Presidente da República e novo Governador, será o Capitão-Tenente Peixoto Correia.
Governador Silva Tavares foi assistir às festas da Independência da Costa do Ouro em 27 de fevereiro de 1957
Dançarino Bijagó
O Governador Silva Tavares observa uma fonte em Safim mandada fazer pelo Comandante Sarmento Rodrigues
Balanta a lavrar com o seu "arado"
Baile manjaco - (Pandim) (Costa de Baixo) Circunscrição Civil de Cacheu
O Administrador António Carreira, Presidente da União Nacional quando discursava
Fula a cavalo

Estas imagens foram retiradas do Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, 1957.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 14 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27634: Historiografia da presença portuguesa em África (512): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1956 (70) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27655: Os 50 anos da independência de Cabo Verde (16): Quando Hitler e Churchill cobiçaram o Porto Grande, Mindelo, São Vicente, que Salazar mandou transformar em fortaleza do Atlântico Médio (Texto: Memórias d'Mindel, página do Facebook de Luís Leite Monteiro) - Parte I






Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo  c. 1941/45 > A defesa do Porto Grande
 

1. O nosso amigo Nelson Herbert, jornalista reformado da VOA - Voice of America, nascido em Bissau, de pais cabo-verdianos, membro da nossa Tabanca Grande, sabe do grande amor que temos por Cabo Verde, em geral, e pelo Mindelo, em particular. Acabou de nos dar ontem, às 21h30, a informação sobre esta publicação, que interessa aos nossos leitores e a alguns de nós, mais em particular. 

Ele sabe bem porquê: o pai dele, o Armando Lopes (1920-2018);  o pai do Hélder Sousa, o Ângelo Ferreira de Sousa (1921-2001); o pai do Luís Dias, o Porfírio Dias (1919-1988); o pai do Augusto Silva Santos, o Feliciano Delfim Santos (1922-1989); o meu pai,  Luís Henriques  (1920-2012) eram todos veteranos da II Guerra Mundial, expedicionários em Cabo Verde, a quem neste blogue tratamos com a ternura da expressão “Meu pai, meu velho, meu camarada”… 

São apenas cinco dos seis e mil tal homens que poderiam ter todos morrido ou sido aprisionados, se o arquipélago  (Sal e São Vicente, não era preciso mais...) tivesse sido invadido. Hitler e Mussolini, de um lado, e os Aliados, do outro, sabiam do valor estratégico do Sal e de São Vicente. 

Mas não foi apenas o arquipélago de Cabo Verde (São Vicente, Santo Antão e Sal) onde estiveram expedicionários... As ilhas atlânticas (Madeira, Açores e Cabo Verde) tiveram (e continuam a ter) uma posição privilegiada nas "autoestradas do  Atlântico". 

Para além dos 6500 para Cabo Verde, Salazar mandou mais 30 mil homens para os Açores e mil para a Madeira. Portugal fez na altura um brutal esforço de guerra (em homens, material, meios logísticos e financeiros), que é desconhecido ou mal conhecido de todos nós (portugueses e cabo-verdianos).

2. Com a devida vénia, transcreve-se então a postagem do Facebook Memórias d'Mindelo > 29 de janeiro de 2025, 16h56, de resto ilustrada com fotos também do nosso blogue (as três primeiras que reproduzimos acima, agora reeditadas por nós). 

O autor do blogue é Lucas Leite Monteiro (LLM), "alfacinha" por nascimento,   "mindelense" por paixão, também conhecido como jovem empresário agrícola (Projeto Ecofarm Cabo Verde, em Ribeira Grande de Santo Antão, onde os seus avós tinham propriedades, e onde faz agora produção orgânica de frutas e legumes).

A sua página Memórias d'Mindel tem 9 mil seguidores, e está a caminho de um milhão de visualizações:

(...) Chegamos a um marco que nos enche de orgulho. Mais do que um número, estes 9000 seguidores representam 9000 guardiões da nossa memória coletiva.
Através de cada fotografia antiga, cada história partilhada e cada recordação de infância, mantemos viva a chama da "Morabeza" e a elegância histórica da nossa cidade do Monte Cara.

​A nossa página cresce porque o amor por São Vicente não tem limites. É um privilégio ver como estas imagens unem gerações, desde os que viram estas ruas crescer até aos mais novos que hoje as descobrem através da "Memórias d'Mindel"

Ao unir gerações, garante que o "sentir" mindelense não se perde no tempo, transformando a saudade de uns na herança de outros.

 (...) O que este marco representa:
  • Ponte geracional: o diálogo entre os mais velhos (os guardiões da memória) e os novos (os continuadores da história).
  • Alcance global: a diáspora cabo-verdiana, espalhada pelo mundo, encontra na nossa página um "regresso a casa" diário.
  • Preservação viva: a história de Mindelo deixa de estar apenas no imaginário e passa a estar na palma da mão de todos.(...)

3.  Facebook Memórias d' Mindelo > 29 de janeiro de 2025, 16h56, 

MEMÓRIAS BÉLICAS II

O Porto Grande na Mira do Mundo: Mindelo e a Segunda Guerra (1939-1945) - 1ª Parte
Houve um tempo em que o destino do mundo, jogado entre mapas de generais e gabinetes de guerra em Londres e Berlim, passava obrigatoriamente pelas águas azuis da nossa baía.

Entre 1939 e 1945, o Mindelo não era apenas a cidade-porto; era a sentinela do Atlântico Médio, um "porta-aviões" de pedra que tanto Aliados como o Eixo desejavam controlar a todo o custo.

​A fortaleza de São Vicente

​Enquanto a Europa ardia, Mindelo militarizava-se. Portugal, sob a neutralidade vigilante de Salazar, sabia que o Porto Grande era o seu bem mais precioso e, simultaneamente, o mais perigoso. Para desencorajar invasões, a ilha transformou-se: a sede militar mudou-se da Praia para o Mindelo e as nossas encostas ganharam "dentes" de aço.

​Quem hoje sobe à Ponta João Ribeiro ou ao Morro Branco ainda encontra as cicatrizes dessa época. Ali foram instaladas baterias de artilharia pesada (peças de 150mm) prontas para fustigar qualquer navio que ousasse entrar no canal sem autorização. 

No Lazareto, as metralhadoras antiaéreas apontavam ao céu, temendo que os aviões da Luftwaffe ou da Royal Navy transformassem o nosso porto num cenário de bombardeamento.

​Entre a "Alacrity" e a "Felix"

​O que poucos sabiam na altura, é que estivemos por um fio. O Mindelo esteve na mira de dois planos secretos de invasão:

• ​A Operação Alacrity: 

Os ingleses, liderados por Churchill, tinham planos prontos para ocupar o Porto Grande à força se sentissem que a neutralidade portuguesa vacilava.

• ​A Operação Félix: 

O plano de Hitler que previa tomar Cabo Verde para fechar as rotas de abastecimento que vinham do Sul.

​O Mindelo viveu esses anos num estado de "blackout" constante, com as luzes da cidade apagadas à noite para não servir de guia aos submarinos ("U-Boats") que rondavam as nossas águas, caçando comboios de mantimentos.

​O Pão e a Espada

​Para a memória coletiva do povo de Soncente, porém, a guerra não trouxe apenas canhões; trouxe a "Crise". 

Enquanto o Porto Grande fervilhava de navios de guerra e batalhões expedicionários vindos da Metrópole, a população enfrentava a fome severa de 41-43. O contraste era cruel: o porto estava cheio de importância estratégica, mas os estômagos estavam vazios pelo bloqueio das rotas comerciais.

​Os soldados expedicionários, que enchiam as ruas do Mindelo, trouxeram novas dinâmicas, amores de guerra e histórias de além-mar, mas também partilharam a escassez de um tempo em que o horizonte, em vez de trazer o pão, trazia o medo do perscópio de um submarino.

O quotidiano militar no Mindelo

​A chegada de milhares de soldados de Portugal continental (os "expedicionários") alterou completamente a dinâmica da cidade:
  • ​Mão de obra: os soldados ajudaram em infraestruturas, mas também pressionaram o já escasso stock de alimentos;
  • ​Vigilância: o Porto Grande passou a ter patrulhas constantes e o uso de luzes na cidade era estritamente controlado para evitar ser um alvo fácil à noite ("blackout").

​Um legado de silêncio

​Hoje, as ruínas das baterias militares são monumentos ao silêncio. Lembram-nos de que o Mindelo já foi o centro de um xadrez global.

Lembrar a Segunda Guerra no Mindelo é honrar a resiliência de um povo que, isolado no meio do oceano, viu o mundo passar pela sua baía e sobreviveu para contar a história.

Fotos: Cabo Verde Postcard/ Luís Graça & Camaradas da Guiné 61/74

Texto/Pesquisa: Memórias d'Mindel (LLM)

​As principais referências bibliográficas para estas informações são:

António Leão Correia e Silva: Um dos maiores historiadores de Cabo Verde, obra - Nos Tempos do Porto Grande.

Daniel A. Pereira: Pelos seus estudos sobre a história política e diplomática de Cabo Verde.

Arquivos Militares de Portugal: Relatos sobre o envio das Forças Expedicionárias (1941-1945) para São Vicente.

Planos de Guerra (Aliados e Eixo): Documentos desclassificados sobre a Operação Alacrity (Inglaterra/EUA) e a Operação Felix (Alemanha), que comprovam o interesse estratégico no Porto Grande.

(Seleção, revisão/fixação de texto: LG, com a devida vénia, e os parabéns ao autor)
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Nota editor LG: 

17 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27433: Os 50 anos da independência de Cabo Verde (15): recordações do meu tempo de menino e moço (Carlos Filipe Gonçalves, ex-fur mil amanuense, CefInt / QG / CTIG, Bissau, 1973/74)

Guiné 61/74 - P27654: Parabéns a você (2453): João Graça, médico psiquiatra, amigo Grã-Tabanqueiro que visitou e fez voluntariado em 2009 na Guiné-Bissau. É filho da nossa amiga Alice Carneiro e do nosso editor Luís Graça

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Nota do editor

Último post da série de 8 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27614: Parabéns a você (2452): António Murta, ex-Alf Mil Inf MA da 2.ª CCAÇ/BCAÇ 4513/72 (Aldeia Formosa, Nhala e Buba, 1073/74)

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27653: Blogoterapia (315): A Saudade (Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Op Especiais)

Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Op Especiais
CART 3492/BART 3873, Xitole/Ponte dos Fulas; CMDT do Pel Caç Nat 52, Ponte Rio Undunduma, Mato Cão e CCAÇ 15, Mansoa, 1971/73:

1. Mensagem do nosso camarigo Joaquim Mexia Alves, com data de 19 de Janeiro de 2026:


A SAUDADE

A saudade é coisa boa, mas que ao mesmo tempo faz doer o coração.

 Acho que só nós Portugueses sabemos bem o que é a saudade.

Claro que outros povos sentem talvez a mesma coisa, só não conseguiram foi dar-lhe um nome onde tudo coubesse, como a nossa saudade.

Na nossa saudade cabe tudo.

Cabe o sentimento de ausência, a força do amor, a ternura do momento, o carinho experimentado, a alegria do conhecimento, a intimidade da amizade, a força da entrega, a presença invisível, a lágrima que é chorada, o sorriso do reencontro, a delicadeza da memória, a tristeza do não estar, o silêncio da recordação, a vida que foi vivida, a partida, a chegada, o abraço interminável, o não saber, o existir, o viver, o tudo e o nada, o ter presente quem está ausente.

Realmente a saudade é um sentimento muito Português, porque só os Portugueses partem e chegam sem nunca saírem de Portugal.

Marinha Grande, 19 de Janeiro de 2026
Joaquim Mexia Alves


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Comentário do editor CV:

Esperando não estar a invadir a privacidade do nosso camarigo Joaquim Mexia Alves, deixo aqui a nota de que faleceu hoje o seu mano António, antigo combatente em Angola.
Há pouco mais de um mês tinha falecido o seu mano mais velho, João, Oficial Piloto Aviador na década de 50 do século passado.

Nesta hora de provação, deixo ao Joaquim, em nome da tertúlia, um abraço solidário e as nossas condolências, que ele fará o favor de fazer chegar a toda a família.

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Nota do editor

Último post da série de 30 de julho de 2024 > Guiné 61/74 - P25793: Blogoterapia (314): Conversas improváveis sobre a guerra (Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Op Especiais)