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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27919: Casos: a verdade sobre... (67): Kalashnikovmania - Parte II




Foto nº 1 > Guiné > Região de Tombali > Guileje > CCAV 8350 (1972/74) > Março de 1973 > O  fur mil op esp J. Casimiro Carvalho empunhando, para a fotografia, A AK-47,  usada pelo Grupo do Marcelino da Mata, antes ou depois da operação de resgate do ten pilav Miguel Pessoa, cujo Fiat G-91 foi o primeio a ser abatido por um Strela sob os séus de Guileje, em 25 de março de 1973. Ao Casimiro Carvalho chamo-lhe o "herói de Gadamael", foi um dos bravos que ajudou a aguentar àquela posição, juntamente com os páras do BCP 12... O exército ficou-lhe a dever uma cruz de guerra...




Foto nº 2  > Guiné > Região de Tombali > Guileje > CCAV 8350 (1972/74) > Março de 1973 > O  fur mil op esp J. Casimiro Carvalho empunhando, para a fotografia, um RPG 7,  usado pelo Grupo do Marcelino da Mata, antes ou depois da operação de resgate do ten pilav Miguel Pessoa.



Foto nº 3> Guiné > Região de Tombali > Guileje > CCAV 8350 (1972/74) > Março de 1973 > O  fur mil op esp J. Casimiro Carvalho com a nossa metralhadora ligeira HK-21 que, com ele, "nunca encravava".



Foto nº 4 > Lamego > CIOE > c. 1971 > O soldado-instruendo J. Casimiro Carvalho,  na instrução com a  G3

Fotos (e legendas) : © J. Casimiro Carvalho (2009). Todos os direitos reservados [Edição e legendcagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné



1. O José Casimiro Carvalho foi fur mil op esp da CCAV 8350 ("Piratas de Guileje")  e da CCAÇ 11 ("Lacraus de Paunca"), tendo passado por Guileje, Gadamael, Nhacra e Paunca, entre outros sítios, entre 1972 e 1974. 

Nas quatro fotos acima, vemo-lo "aprendendo a amar" a G3 (em Lamego), usando a HK-21 (de fita ) (em Guileje) e depois, em março de 1973, ainda em Guileje, "dando uma voltinha com as gajas do IN", a AK-47 e o RPG 7K47 (*)..

Muito franca e honestamenet ele descobriu, no CTIG, que tinha (ou podia ter tido) 3 amores... O texto que se reproduz, abaixo,  é resultante de um seu  comentário, datado de 26 de novembro de 2010 às 14:58:00 WET, ao poste P7334 (*).

O J. Casimiro Carvalho é um histórico do nosso blogue para o qual entrou em finais de 2005. Tem uma centena de referências. É atualmente o régulo da TabanKa da Maia, cidade onde vive.

Eu tinha três... amores

por J. Casimiro Carvalho


Ele há coisas que não têm explicação.
Uma delas  são as armas.
Eu, em Lamego, adorava a G3.
Na Guiné adorava a HK 21 
falava com ela
ela compreendia-me,
pois eu a conhecia.
Comigo a gaja não encravava.

Posteriormente, já em Gadamael, 
apaixonei-me por aquela outra gaja, a AK 47.
E foi amor duradouro, caramba,
mas a gaja era mesmo boa,
que me perdoe a minha querida G3, 
pois não sou gajo de  traições.

Portanto, temos três gajas,
todas elas boas,
com as suas particularidades,
convenhamos.
Como as mulheres, né ?!

Um abraço deste vosso camarigo,
J. Carvalho

(Revisão / fixação de  texto: LG)


_________________

Notas do editor LG:


(**) Vd. poste de 25 de novembro de 2010 > Guiné 63/74 - P7334: Kalashnikovmania (4): O fetichismo da G3... Há amores que não se esquecem (Torcato Mendonça)

Guiné 61/74 - P27918: Notas de leitura (1913): "Querido Pai, uma conversa entre ausentes – Cartas da guerra 1961-1975", por Ana Vargas e Joana Pontes; Tinta da China, 2025 (3) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 11 de Dezembro de 2025:

Queridos amigos,
É elevado o número de oficiais do quadro permanente que neste livro aparecem a conversar com os filhos, e vemos que estas crianças, em situações frequentes, conheceram o internato no colégio militar e no instituto de Odivelas. Os pais tinham uma defesa na sua correspondência, acompanhavam os estudos dos filhos. São bem distintas as histórias que hoje aqui têm lugar.
Abílio Santiago Cardoso fez duas comissões em África que deixaram boa memória aos filhos. A terceira comissão é passada na Guiné, na região de Catió, entre 1967 e 1969. É parcimonioso nas descrições do seu dia a dia, os filhos socorreram-se da história da Unidade para saber mais da comissão do pai. Este veio muito abalado, comentam os filhos, demorou a recuperar. Nenhum dos filhos seguiu a carreira militar, os mais velhos revelaram-se contestatários e chegaram a ser presos na contestação ao regime e à guerra, em meio académico portuense. Amável Velez Serra, mal saído da Escola do Exército, ofereceu-se como voluntário, parte para Angola em 1955. Segue-se a Índia onde ficou prisioneiro, voltará a Angola entre 1963 e 1965. Também nunca escreveu aos filhos sobre a guerra, revelou-se profundamente terno a falar individualmente a cada um dos filhos, busca todos os assuntos, como as prendas de Natal, as aulas de piano e de judo, a catequese. voltará a ser mobilizado em 1970 para Moçambique, e logo a seguir para Angola. Também nunca quis falar com os filhos sobre a natureza das guerras que viveu.

Um abraço do
Mário



Olhe que o pai faz muita falta. Foi com a sua comissão que eu aprendi o quanto custa o estar longe e só e para nós o sofrimento não se compara com o seu – 3

Mário Beja Santos

Querido Pai, uma conversa entre ausentes – Cartas da guerra 1961-1975, por Ana Vargas e Joana Pontes, Tinta da China, 2025, é um livro arrebatador, profundamente terno, e, tanto quanto me é dado de saber, preenche uma lacuna no campo da investigação.

É uma longa série de relatos, as autoras captaram perfeitamente a natureza dos laços afetivos, as contingências que perpassam toda esta correspondência onde é por demais evidente que o militar procure silenciar o mundo da guerra em que vive. É o caso de Abílio Santiago Cardoso que assim escreve: “Meus filhos queridos, não me façam mais perguntas sobre este assunto e peçam a Deus que me ajude a cumprir o meu dever.” Vamos agora falar deste oficial de artilharia que fez três comissões.


Só recentemente é que os descendentes, os filhos e as noras de Abílio e Maria Lúcia, ao desmanchar a casa dos pais, encontraram a correspondência trocada durante a comissão militar na Guiné, entre 1967 e 1969.

Abílio teve a sua primeira comissão em Moçambique, em 1955. Ele e Maria Lúcia casaram por procuração e em Lourenço Marques nasceram os três filhos mais velhos. No regresso, em 1956, a família vai para Penafiel, ficando a viver no quartel, foi aqui que nasceu o quarto filho, em 1961.
A segunda comissão foi em Cabo Verde, Abílio leva a família toda, a comissão deixou boas recordações. Regressam a Penafiel. Em 1967 Abílio é tenente-coronel de artilharia vai comandar o Batalhão de Artilharia nº 1913, vão para o setor S3, com sede em Catió, ali vivem na área controlada pelos militares cerca de 6000 pessoas.


Consta do livro da Unidade a descrição do inimigo: “apresenta-se num setor bem instruído, experiente, moralizado e bastante aguerrido". O filho mais novo acompanha a mãe e vão para a Régua, os outros três filhos ficam internos no Colégio Militar. O pai escreve-lhes incentivando-os no desempenho escolar, mostra-se orgulhosos com os prémios que os filhos gémeos recebem. Numa carta Abílio escreve aos filhos: “É necessário que todos nós, os 6, formemos um bloco unido e pronto a ampararmo-nos uns aos outros seja em que circunstância for e implique os sacrifícios que implicar.” Os filhos gémeos terão na altura 12 anos. Abílio está acerca de um mês em Catió quando escreve esta carta aos filhos mais velhos:
“É a última vez que vos falo da minha atividade aqui. Operações são coisas muito sérias em que morrem a guerrear uns homens que têm pais, mulheres ou filhos ou todos os parentes mencionados. Claro que se esses homens estão do outro lado, lamentamos o facto de nos obrigarem porque eles assim o quiseram. Quando se trata de homens nossos, o problema é muito doloroso.”


Os filhos que irão conhecer a realidade da comissão através do tal livro da Unidade. O Batalhão aposta na ação psicológica e no apoio social. Há população que estava sob o controle do inimigo que se apresenta nos aquartelamentos do Batalhão. Este regressou a 2 de março de 1969. Em combate teve 26 mortos e 137 feridos. Nos tempos subsequentes à chegada do pai a guerra não era tema de conversa. Nenhum dos filhos seguiu a carreira militar. Abílio foi sempre aos almoços de confraternização, era muito querido entre os seus antigos subordinados.

É a vez de falar de Amável Velez Serra, que se alistou como voluntário aos 19 anos de idade. Tinha feito a Escola do Exército, a sua primeira comissão foi em Angola. Casa-se por procuração em 1957 com Maria Julieta Rogado. O primeiro filho nasce um ano mais tarde em Benguela, e no ano seguinte, nasce uma filha em Nova Lisboa, permaneceram em Angola quatro anos.

Em 1961, Amável, já como capitão, é mobilizado para a Índia, a família acompanha-o. Pouco antes da invasão pela União Indiana, a mãe regressa com dois filhos e grávida do terceiro. Amável é preso. Regressa e é novamente mobilizado para Angola, a partir desta terceira comissão a família não acompanha o pai. Amável ficará em Angola entre 1963 e 1965, receberá a visita da mulher e do filho mais novo.

Em 1966, começa em Évora a constituição do Batalhão de Caçadores n.º 1903, Amável vai novamente para Angola, vão para Zau-Evua, há uma grande dispersão da população por sanzalas, grande parte da população fala português. Seguem-se outras deslocações, o Batalhão regressa em junho de 1969. Durante estes dois anos de ausência, Amável nunca escreveu aos filhos sobre a guerra, fala sempre do quotidiano dos filhos, é muito terno na escrita.

Amável voltará a ser mobilizado em 1970, para Moçambique, onde ficou mais dois anos. E logo a seguir para Angola onde se encontrava quando se deu o 25 de abril. Os filhos não encontraram correspondência que o pai tivesse enviado destas comissões, embora recordem que ele escrevia com regularidade, sobretudo os pais entre si, e também os filhos recordam que o pai nunca falou de situações pelas quais tivesse passado durante o período em que esteve mobilizado, nem sequer do tempo em que esteve preso na Índia, nem mesmo com o filho mais novo, que seguiu a carreira militar.

Itinerários diferentes são o que iremos reportar a seguir, envolvendo Carlos Alberto de Oliveira e Lemos, Oficial da Marinha, que deixou uma correspondência singularíssima, e de Pedro João dos Santos Reis, Oficial da Arma de Infantaria. Recordamos ao leitor que estamos a passar em sequência a correspondência entre pais mobilizados e os seus filhos menores durante a Guerra Colonial. Em aerogramas escritos e desenhados, o militar vai desempenhando o seu papel de pai. Os filhos, por seu lado, consoante a idade, vão respondendo da maneira que conseguem, por vezes a com a ajuda das mães. Esta troca de correspondência oferece-nos uma reflexão muito particular sobre a ideia de família numa sociedade em mudança.

Ana Vargas e Joana Pontes

(continua)
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Notas do editor

Vd. post de 6 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27894: Notas de leitura (1911): "Querido Pai, uma conversa entre ausentes – Cartas da guerra 1961-1975", por Ana Vargas e Joana Pontes; Tinta da China, 2025 (2) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 10 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27909: Notas de leitura (1912): Um manjar para filatelistas acérrimos: "Os Selos Coroa da Guiné" (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27917: Efemérides (385): "Para o Adriano", poema do nosso camarada Adão Cruz, ex-Alf Mil Médico da CCAÇ 1547 / BCAÇ 1887 (Canquelifá e Bigene, 1966/68)

A propósito da passagem dos 84 anos do nascimento de Adriano Correia de Oliveira, ocorrida no passado dia 9 de Abril, publicamos um poema do nosso camarada Adão Cruz, que lhe é dedicado, no meio de cujos versos aparecem títulos de algumas das canções do Adriano.

ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA
(PORTO, 9 DE ABRIL DE 1942 - †16 DE OUTUBRO DE 1982)



PARA O ADRIANO

adão cruz

Nota: Este poema foi construido com versos meus e alguns títulos de canções do Adriano (a negrito).


E de súbito um sino
um cravo vermelho
Raiz de vida no céu de chumbo
aberto em dia limpo e perfumado.
E a carne se fez verbo
Por aquele caminho da esperança
às portas da cidade
E o bosque se fez barco
por aquele mar de sonho
na Trova do vento que passa.

Todo o mel escorria por entre As mãos
e todos os frutos do Regresso
eram versos de Uma canção sem Lágrimas
na Canção da nossa tristeza.
Graças a ti cravo vermelho
que venceste a solidão
veio o tempo ao nosso encontro
e a manhã abriu o coração
na Fala do homem nascido.

O sol perguntou à lua
quando A noite dos poetas se fez de estrelas
que desceram aos cantos do jardim
se eram cravos vermelhos
ou a Canção tão simples
da tua voz sempre divina
numa Cantiga de amigo.

O mundo tinha o sabor a maçã
não havia cárceres nem torturas
apenas o calor de uma fogueira
na praça do entusiasmo.
Os olhos de todos nós
eram cravos vermelhos
dormindo um sono de criança
entre As mãos da revolução.

Como hei-de amar serenamente
esta voz de Roseira brava
e os cabelos trigueiros desta seara
dourada pelo sol e pela lua
a Cantar para um pastor
a canção de Abril que encheu a rua.

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Nota do editor

Último post da série de 24 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27852: Efemérides (384): Foi há 10 anos que morreu (de verdade) o nosso querido "morto-vivo", o António da Silva Batista (1950-2016), ex-sold at inf da CCAÇ 3490 (Saltinho, 1972), natural da Maia

Guiné 61/74 - P27916: Convívios (1058): Magnífica Tabanca da Linha, Algés: 64º almoço-convívio, 5ª feira, 16 de abril de 2026: já somos 72, venham mais 8, para o melhor cozido à portuguesa... da Guiné; prazo para as últimas inscrições: até amanhã, 3ª feira, âs 11h00 (Manuel Resende, régulo)



1. Ontem, domingo, às 22h25, havia 72 inscritos. O régulo da Magnífica Tabanca Linha, Manuel Resende,  pede mais 8 para completar as mesas e encher o magnifico salão do último andar do restaurante "Caravela de Ouro", em Algés. Quinta feira vai ser servido o melhor cozido á portuguesa... da Guiné.  

Há 10 "periquitos". Faltas tu, camarada, que nos lês, e não importa onde vivas, norte, centro ou sul do país... Estás convidado, desde que te inscrevas até amanhã âs 11h00. Há camaradas que vêm, de propósito,  do sotavento algarvio, portanto os "magníficos"  não apenas os "meninos da Linha"...   

E olha que no céu não há disto e, cruzes canhoto!, nunca se sabe quando é o nosso último cozido à portuguesa na Magnífica Tabanca da Linha...

Este, por acaso, é o primeiro, de muitos que ainda poderemos "degustar", se Deus, Alá e os Bons Irãs nos protegerem e não nos privarem dos cinco sentidos. 

Entradas +  cozido +  sobremesas +  3 horas de bom convívio: tudo por 28 morteiradas. Aberto a todos os magníficos amigos & camaradas da Guiné. (Mas se forem de Cabo Verde, São Tomé, Angola, Moçambique, Goa Damão & Díu, Macau ou Timor, ou da Diáspora Lusófona,  também serão bem vindos... desde que sejam antigos combatentes; o régulo mandou 250 convites... e deixou 10 linhas em branco para os "periquitos"; vão responder quase um 1/3, o que é excecional nos tempos que correm, com uns a gritar "Ai o meu braço!", e outros a gemer "Ai o meu baço!"...)

Brincadeira àparte, aqui fiocam os contactos do régulo Manuel Resende: Tel. 919 458 210 | manuel.resende8@gmail.com | 
magnificatabancadalinha2@gmail.com | Facebook da Magnífica Tabanca da Linha


Caros Magníficos;

A meta dos 70 já foi atingida. Será que vamos chegar a 80 no 64º Convívio? 

Estamos com 72 convivas.

As inscrições estão quase a terminar. 

Às 11 horas de terça-feira tenho de dizer quantos somos.

Manuel Resende
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 9 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27905: Convívios (1057): Magnífica Tabanca da Linha, Algés: 64º almoço-convívio, 5ª feira, 16 de abril de 2026: já há 54 inscritos para o cozido à portuguesa... Faltam 26 para os 80 (Manuel Resende)

Guiné 61/74 - P27915: Casos: a verdade sobre.... (66): Kalashnikovmania - Parte I


Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > CAOP1 > 35ª CCmds (Teixeira Pinto, 1971/73) > Março de 1972 > "Durante a protecção aos trabalhos de desmatagem das margens, ou da pavimentação, da estrada entre Teixeira Pinto e o Cacheu."... Na foto, o alf mil 'cmd' Alfredo Campos, empunhando uma AK-47 .


Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > CAOP 1> 35ª CCmds (Teixeira Pinto, 1971/73) > Março de 1972 > Estrada Teixeira Pinto - Cacheu > Outro camarada da 35ª CCmds, que se rendeu aos encantos da AK-47, o alf mil 'cmd' António Rui de Mendonça Andrade, açoriano, que, mais tarde, após a evacuação do comandante da 35ª CCmds (cap mil inf 'cmd' António Joaquim Alves Ribeiro da Fonseca, ferido em combate)  foi graduado em capitão para assumir o comando daquela companhia a que pertenceu também o nosso grão-tabanqueiro Ramiro de Jesus, aveirense, tal como o Francisco Gamelas)

Fotos do álbum do Francisco Gamelas, ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 3089 (Teixeira Pinto, 1971/73), adido ao BCAÇ 3863 (1971/73).

Fotos (e legendas): © Francisco Gamelas (2016). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Bandeira de Moçambique, adotada em 1983. Imagem do domínio público. Fonte: cortesia de Wikipedia.

Legenda: bandeira nacional da República de Moçambique:

(i) uma bandeira tricolor com fimbriações brancas e um triângulo vermelho;

(ii) o verde-azulado representa as riquezas da terra, as bordas brancas significam a paz, o preto representa o continente africano, o amarelo simboliza os minerais do país e o vermelho representa a luta pela independência:

(iii) Inclui a imagem de uma espingarda automática Kalashnikov (AK-47) com uma baioneta fixada ao cano e cruzada a uma enxada, sobrepostos a um livro aberto;

(iv) a AK.47 representa a defesa e a vigilância, o livro aberto simboliza a importância da educação, a enxada  está associada á  agricultura e aos camponeses
 e, por fim,  a estrela  exalta o internacionalismo do país;

(v) é uma das quatro bandeiras nacionais entre os Estados-membros da ONU que apresentam uma arma de fogo, junto com as da Guatemala, Haiti e Bolívia.


1. Pode-se falar em kalashnikovmania, definida como uma forte atracção pelo armamento do... IN ? 

No TO da Guiné, incluía sobretudo a AK-47 mas também outras armas (como a "costureirinha"  e o RPG) ... 

Se a resposta é sim, esta tendência não era exclusiva dos nossos "rambos" na Guiné... Chegou inclusive à simbologia nacional de um país lusófono como Moçambique. E ao cinema: veja-se o filme Lord of War / O Senhor da Guerra (2005)...

Kalashikovmania:

Trata-se de um neologismo, inventado pelos editores do blogue da Tabanca Grande, que "paga direitos de autor"; um dia irá figurar nos novos Dicionários da Língua Portuguesa, como muitos outros termos que usávamos na guerra (por exemplo, dila=dilagrama, LGFog=lança-granada foguete, ameixa=granada, lobo mau= helicanhão).

Curiosamente, a bandeira de Moçambique [imagem acima], na actual versão (que vem de 1983), ostenta a AK-47, de origem russa, arma-padrão dos guerrilheiros da FRELIMO, bem como do MPLA e do PAIGC , que passou a ser símbolo nacional (!) da luta armada e da defesa do país de Samora Machel 

Registe-se que  é a única bandeira no mundo a ostentar uma arma de fogo  moderna (ainda por cima, estrangeira)... 

Singularidades da lusofonia ?... Dessa tentação, ao menos, livraram-se os nossos amigos guineenses.

 

Cartaz do "Lord of War", filme norte-americano de 2005, com Nicolas Cage, e que  passou em Portugal com o título O Senhor da Guerra (tradução literal)- 

 Cage interpreta a personagem de Yuri Orlov, um traficante de armas perseguido pela Interpol, que no filme faz o elogio da AK 47 (confesso que não o vi). 

Esse monólogo é de antologia pela forma irónica e crítica como o traficante promove a famigerada AK-47 (o mesmo é dizer, a kalashnikovmania). Eis aqui um excerto, com tradução para português:

(...) De todas as armas do vasto arsenal soviético, nenhuma foi mais lucrativa do que o Avtomat Kalashnikova, modelo de 1947, ais conhecida como AK-47, ou Kalashnikov.

É a espingarda de assalto mais popular do mundo. Uma arma que todos os combatentes adoram.

Uma combinaçáo, simples mas elegante, o de cerca de quatro quilos de aço forjado e madeira prensada.

Não se parte, não encrava, não sobreaquece. Dispara sempre, mesmo coberta de lama ou cheia de areia.

É tão fácil de usar que até uma criança a consegue manejar — e usam-na, as criancinhas por esse nundo fora-

Os soviéticos cunharam uma moeda com a sua efígiue. Moçambique colocou-a na sua bandeira, símbolo nacional.

Desde o fim da Guerra Fria, a Kalashnikov tornou-se o  maior produto de exportação dos russos.  
Depois vêm a vodka, o caviar e os romancistas suicidas.

Uma coisa é certa: ninguém fazia bicha  para comprar os carros soviéticos. (...)

2. Contexto histórico

A AK-47 foi desenvolvida por Mikhail Kalashnikov no final da década de 1940, em plena consolidação da União Soviética após a Segunda Guerra Mundial. 

A sua grande vantagem seria, alegadamente, a simplicidade, a robustez, o preço/qualidade  e o baixo custo de manutenção,  características ideais para a sua produção em massa e distribuição a exércitos e movimentos aliados (incluindo os que lutavam "contra o colonialismo e o imperialismo"). 

Durante a Guerra Fria, e num mundo bipolarizado, 
a União Soviética forneceu a AK-47 a inúmeros países e "movimentos de libertação" em África, Ásia e América Latina.

 Isso fez com que a arma, licenciada ou contrafeita,  se tornasse não apenas um instrumento militar, mas também um poderoso símbolo político. E mais: foi um eficaz instrumento da diplomacia soviética... Como,  de resto, são todos os produtos dos fabricantes de armas.

O caso de Moçambique é um exemplo dessa "idolatria" ou "fetichismo" pela AK-47. É o único país do mundo (e ainda por cima lusófono!)  cuja bandeira nacional inclui uma arma de fogo moderna... 

Quer se goste ou não, o raio da Kalashnikov transcendeu o seu papel técnico (de arma de guerra ou "brinquedo de morte") para se tornar um ícone histórico.

Mas façamos uma pequena análise do tom crítico e irónico do supracitado  discurso de Yuri Orlov (a personagem de Nicolas Cage, no filme O Senhor da Guerra):

É um monólogo brilhante porque funciona em dois níveis:

(i) há uma aparente admiração técnica:  à primeira vista,  ele descreve a AK-47 com entusiasmo quase reverencial (“elegantemente simples”, “não encrava, não sobreaquece”, “até uma criança a consegue usar”); é a linguagem típica dos fabricantes e dos comerciantes, focada na eficiência, durabilidade,  design, preço/qualidade do produto;

(ii) mas, nas "entrelinhas", há uma ironia sombria, um  subtexto moral, profundamente crítico: o facto de qualquer criança-soldado  a poder usar (como podemos ver em imagens que nos chegam de  África, e até nas "áreas libertadas do PAIGC"  no nosso tempo, como nesta foto à direita, de Roel Coutinho), é profundamemte perturbador. 

De facto, a  sinistra “popularidade” da AK-47  
resulta da sua difusão em massa.


Criança-soldado do PAIGC

Em guerras, muitas delas civis e fratricidas.  E a referência  a Moçambique está longe de ser lisongeira...

A frase sobre “romancistas suicidas” e carros que ninguém quer comprar  (mesmo a preços de saldo...) introduz um humor negro que ridiculariza os estereótipos sobre a Rússia, faz contrastar bens culturais (literatura) com bens destrutivos (armas), sugere que o verdadeiro “sucesso” económico  e social do antigo país dos sovietes é algo de ainda profundamente problemático.

Enfim, no monólogo  do cínico  traficante de armas há uma crítica sujacente ao negócio global de armas, ao mesmo tempo que promove a kalashnikovmania... 

No fundo, o monólogo desmonta a lógica do mercado: a AK-47 é apresentada como o produto perfeito porque aumenta a "literacia de guerra", facilita a instrução  militar e paramilitar, ogimiza a violência em massa, banaliza a "violência revolucionária", usa a lógica redutora do  mundo dividido em opressores e oprimidos... 

 Ou seja, o discurso imita uma apresentação 
e vendas ( quase um pitch comercial),acabando 
por  expor o absurdo moral de tratar  "armas de guerra" como um qualquer outro produto de consumo.

Quem viu (e se lembra de) o filme, faz uma leitura mais profunda: o que é mais inquietante é que Yuri não está a mentir. Tudo o que ele diz é factual, mas a seleção e o tom criam uma espécie de “verdade desconfortável”: a eficiência tecnológica + a lógica de mercado + a geopolítica = uma arma, a AK-47, a dos "oprimidos", que moldou e alimentou conflitos em todo o mundo.

É isso que dá força ao texto: não é um discurso ideológico explícito, mas uma descrição fria que acaba por ser também, implicitamente,  uma crítica devastadora da kalashnikovmania (o culto da AK-47 e de todas as outras tecnologias de guerra e morte).

E aqui, temos que o reconhecer, não há "armas em boas mãos"...

(Pesquisa: LG + Wikipedia + IA / ChatGPT)
(Condensação, revisão / fixação de texto: LG)
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 31 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27874: Casos: a verdade sobre... (65): o acidente com canhão s/r 82, B-10, russo, que vitimou o 2º srgt António Duarte Parente, do Pel Caç Nat 53, no Saltinho, em 13 de maio de 1970

domingo, 12 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27914: Humor de caserna (256): O anedotário da Spinolândia - Parte XXVIII: Do "Caco Baldé" ao "Aponta, Bruno" (José Teixeira, ex-1º cabo aux enf, CCAÇ 2381, Buba, Aldeia Formosa, Mampatá e Empada, 1968/70)


Guiné > Região de Cacheu > Bula > Pecuré > Op Ostra Amarga > 18 de outubro de 1969 > Depois da emboscada do IN, o general Spínola,  com o seu ajudante de campo, o cap cav cmd João Almeida Bruno, 1935-2022, mais tarde general (e que deu origem a uma das diversas alcunhas do governador e comandante-chefe, "Aponta, Bruno"). 

Na foto, o Almeida Bruno (que faleceu em 10/8/2022, aos 87 anos), está de luvas e óculos Ray-Ban, empunhando uma G3.  O com-chefe, por sua vez,  está  também de luvas, e com o seu aristocrático monóculo. Estavam ambos em pleno local, onde se deu a emboscada, de que resultaram 2 mortos entre as NT (CCAV 2487 / BCAV 2868). 

A foto acima reproduzida (e editada pelo nosso blogue) é do Paris-Match nº 1071, de 15 de novembro de 1969 (Com a devida vénia...).


José Teixeira: (i) colaborador permanente (com o pelouro de Tabancas, Cooperação & Desenvolvimento ); (ii) ex-1.º cabo aux enf, CCAÇ 2381 (Buba, Quebo, Mampatá e Empada, 1968/70); (iii) gerente bancário reformado, escritor,  vive em Leça do Balio, Matosinhos;  (iv) é um  histórico da Tabanca Grande (desde 14/12/2005); (v)  tem 460 referências no nosso blogue; (vi) cofundador e régulo da Tabanca de Matosinhos; (vii) é autor da série "Estórias do Zé Teixeira", de que já se  publicaram 65 postes, desde 31/12/2005  a 30/10/2024; (viii) é também autor da série "O meu Diário"...


1. O Zé Teixeira, além de ser um "histórico" da Tabanca Grande (foi dos primeiros camaradas a sentar-se, simbolicamente,  à sombra do nosso poilão...), foi também (e continua a ser) um profícuo, talentoso, ativo, proativo e bem-humorado autor de textos de memórias: por exemplo, nos primeiros mil postes que publicámos, 60 são dele  (entre dezembro de 2005 e  julho de 2006). 

O Zé Teixeira foi dos que acreditou na força, importância e viabilidade do nosso projeto bloguístico coletivo, como repositório (partilhado) de memórias de antigos combatentes da Guiné.  E o tempo deu-lhe razão. Tem sido também  dos mais "leais" grão-tabanqueiros. 

Estive com ele, na passada quinta feira, dia 9: fui a um velório de uma senhora amiga da família de Candoz, na igreja de Padrão da Légua, Matosinhos, perto da sua casa, e que ele de resto conhecia; dei-lhe um toque, apareceu logo a seguir, conversámos um pouco; anda compreensivelmente preocupado com uns problemas de saúde; espero que o prognóstico lhe seja favorável; quero voltar a ver-te,  Zé, em boa forma!)

Do poste P613, de 16 de março de 2006 (há 20 anos!), sob o título "Aponta, Bruno! (ou outra alcunha do Spínola) (Zé Teixeira)", voltamos a publicar uns excertos, que ficam muito melhor  nesta série "Humor de caserna >  O anedotário da Spinolândia" (*).

Esta "cena" deve ter-se passado  em Buba, em meados de 1969, quando os "Maiorais" (a CCAÇ 2381) estiveram particularmente empenhados na seguranç e proteção dos trabalhos de construção da estrada Buba - Aldeia - Formosa. Spínola tinha então 59 anos (!). Se fosse vivo faria hoje, 11 de abril, 106 anos. Nasceu em Estremoz em 11 de abril de 1910. Morreu, aos 86 anos, em 13 de agosto de 1996, no Hospital Militar de Belém, em Lisboa.
 

Alcunhas do Spínola: do "Caco Baldé" ao "Aponta, Buno"

por José Teixeira

 
  O Aponta, Bruno!... Aí vem o Aponta, Bruno !    dizia logo o pessoal quando se avistava o héli que o transportava.

Porquê ? Toda a zona de Buba, Nhala, Mampatá, Chamarra e Aldeia Formosa esteve uns tempos a comer, ao almoço e ao jantar, arroz com arroz e de vez em quando uma amostra de chispe. A barcaça que levava os mantimentos foi afundada pelos nossos amigos, e ficámos a ver . . . barcaças 

Isto gerou um mal estar que mais se agravou com o ataque às 5 da matina, como já contei no meu diário. 

Devo dizer que a minha companhia estava reduzida a 36 homens operacionais, dado esforço que se estava a fazer com a protecção à nova estrada de Buba para Aldeia Formosa, em que saíamos com o que seriam três pelotões às seis da matina. Regressávamos à tarde, e no dia seguinte estávamos de serviço à segurança do quartel e logo de seguida abalávamos de novo para a estrada.

Então o homem chega e começa o discurso:

 
  Pátria está a exigir de vós um grande esforço e vós sois .....blá, blá, blá. Sei que a comida não tem sido a melhor, mas a Pátia exige sacrificios... blá, blá,blá. Quando estiverdes a comer feijão ou arroz, sem mais nada, fechai os olhos e imaginai-vos a comer um belo perú recheado ou um grãozinho com bacalhau, lá em Lisboa... blá, blá, blá.

Acompanhava-o um capitão, seu ajudante de campo, que toda a gente conhece,  e perante as reclamações do major e do médico, o  Spínola só dizia:

 
  Aponta, Bruno!

Felizmente tinhamos um excelente médico, a quem presto a minha homenagem no Blogue, o Dr. João Carlos de Azevedo Franco, que,  à mais pequena mazela, muitas vezes resultante do estado psicológico em que vivívamos, dava uma baixa. 

Recordo que nesse célebre dia do Aponta, Bruno,  o Spínola disse ao médico:

—  Estes rapazes o que precisam é de umas picas, vou lhe mandar uma boa dose de medicamentos... Aponta, Bruno!

Ao que o médico lhe respondeu:

  O que eles precisam é de uns bons bifes e descanso.

Claro está que o capitão Bruno não apontou o que o médico disse. Mas, não é que oito dias depois chega a barcaça com mantimentos e duas enormes caixas de medicamentos não solicitados ?! 

Escusado será dizer que foram devolvidas ao remetente, com a informação "medicação não solicitada"... E a vida continuou.

 (Revisão / fixação de texto, título, negritos, itálicos:  LG)

 
2. Ficha de unidade > 
Companhia de Caçadores nº  2381

Identificação  CCaç 2381
Unidade Mob: RI2 - Abrantes
Cmdt: Cap Mil Inf Jacinto Joaquim Aidos | Cap Mil grad Inf Eduardo Moutinho Ferreira Santos
Divisa: "Os Maiorais" - "Pela Lei. Pela Grei"
Partida: Embarque em 01Mai68; desembarque em 06Mai68 | Regresso: Embarque em 03Abr70

Síntese da Actividade Operacional

(i) Em 06Mai68, seguiu para Ingoré, a fim de efectuar a instrução de aperfeiçoamento
operacional com a CCaç 1801, sob orientação do BCaç 1933 e seguidamente, assegurar a segurança e proteção dos trabalhos de reordenamento de Antotinha e efectuar ações de patrulhamento e emboscadas nas áreas dos corredores de Sano e Canja, em reforço da guarnição local e daquele batalhão.

(ii) Em 18Ju168, na sua função de subunidade de reserva do Comando-Chefe, foi deslocada para Buba, a fim de reforçar o BCaç 2834, em substituição da CArt 1613, que anteriormente recolhera a Bissau, por fim de comissão.

(iii) Em 08Ago68, por troca com a CCaç 2382, assumiu a responsabilidade do subsector de Aldeia Formosa, com pelotões destacados em Chamarra, de 10Ago68 a 08Fev69, ficando integrada no dispositivo e manobra do COSAF/ COP 1 e depois do BCaç 2834.

(iv) Em 04Jan69, substituída pela CCaç 1792, seguiu para Buba, no mesmo sector, a fim de colaborar na segurança e protecção dos trabalhos da estrada Buba-Aldeia Formosa e na ação de contrapenetração, passando a ficar integrada no dispositivo e manobra do COP 4, então criado, a partir de 19Jan69.

(v) Em 01Mai69, por troca com a CCaç 1792, assumiu a responsabilidade do subsector de Empada, continuando na dependência do COP 4 e depois do BCaç 2892 e mantendo dois pelotões em Buba até 03Dez69, um dos quais foi deslocado para Mampatá, de 04 a 31Mai69, orientando a Companhia a sua atividade para a realização de emboscadas, patrulhamentos e defesa e controlo das populações.

(vi) Em 26Fev70, foi rendida no subsector de Empada pela CArt 2673 e recolheu a Bissau, em 28Fev70, a fim de aguardar o embarque de regresso.

Observações - Tem História da Unidade (Caixa nº 94 - 2ª  Div/4ª Sec, do AHM).

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002,  pág. 366.
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Nota do editor LG:

Últimpo poste da série > 10 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27908: Humor de caserna (255): O anedotário da Spinolândia (XXVII): Os comparsas da FAP - Parte II

sábado, 11 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27913: Os nossos seres, saberes e lazeres (730): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (251): Uma sonata para a primavera, imagens para canonizar a terra úbere e um marionetista genial (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 24 de Março de 2026:

Queridos amigos,
A primavera irrompeu entre horas de chuvisco, um céu de chumbo ou acinzentado e aquelas nesgas de luz que confiámos que iriam perdurar. Importava ver o estado do casebre do Reguengo, para o qual há já uma perspetiva de conservação e restauro, e não resisti a ir ver o jardim, cheguei pachorrento e sem nenhuma vontade de, no mínimo, arrancar ervas ou limpar bolores. Quem diria que me esperava um festival de cor? E até as árvores de fruto resistiram aos temporais, é isso que se mostra em primeiro lugar. Andava há meses para ir visitar a exposição de um marionetista nascido no Bombarral e com obra consagrada, José Carlos Barros, nome sonante nesta dimensão teatral. E não escondo que, de forma subliminar, vos convido a visitar este deslumbrante Museu do Bombarral.

Abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (251):
Uma sonata para a primavera, imagens para canonizar a terra úbere e um marionetista genial


Mário Beja Santos

Voltei ao meu casebre no Reguengo Grande, impunha-se a avaliação dos estragos e desgastes maiores, incidências do temporal. Haverá a revisão dos telhados, há alguns bolores pelas paredes, cheguei em hora ensolarada, escancarei janelas, vou deixar para mais tarde a avaliação inadiável, mais tarde ou mais cedo tenho de pôr janelas e portas novas, enfim, despesas que não se compadecem com as guerras em curso e as que mais virão. Vou até ao muro contemplar o estado do vale, e não resisto a maravilhar-me com um dos pessegueiros dos meus vizinhos de baixo, começou a cantilena da explosão primaveril. Açodado pelo presente que a Natureza trouxe, desço até ao jardim pedregoso, respiro de alívio porque a glicínia já tem algumas folhas, os jarros estão imaculados, as frísias andam desvairadas, crescem anarquicamente, as laranjeiras estão murchas, tudo se perdeu com os temporais, mas também não regateiam surpresas, há sinais de nova vida. Pois bem, partilho convosco um jardim que não é de Éden, tem laborioso historial, é mais do que certo e seguro que os ancestrais do meu vizinho Henrique removeram muita pedra para que aqui houvesse coisas de alimento doméstico. E lá vou lampeiro, concelebrar a chegada da primavera, pelo calendário começa amanhã, aqui anunciou-se mais cedo.
Pessegueiro em flor, ao fundo um vale que promete um opíparo batatal
O que deu a estas frísias tresloucadas para ter nascido onde ninguém pensou plantá-las?
Há alecrim espigado, este é rastejante, não me passou pela cabeça metido entre duas pedras possantes irromper-se tão pujante e assim florido
Estas sim, frísias disciplinadas, hastes levantadas, parecem um contingente militar
O que estão a ver é uma infestante, é um deslumbramento de cor, nunca morri de amores pelos tons lilases e roxos, mas este conjunto de uma planta que tem um nome estranhíssimo, massaroco, é um regalo para os olhos, lamentavelmente terá vida curta
É o fim do dia, quando dou com estas negas de luz, promissoras de um radioso dia seguinte, dou comigo a pensar numa situação que vivi nos finais da década de 1990, num bairro de Bruxelas, chamado Ixelles, vinha de uma reunião, um tanto apressado, avião de regresso pelas nove e meia da noite e queria ainda fazer compras, nisto paro em frente a uma casa de antiguidades que anunciava liquidação, deu-me para ficar pasmado com uma peça de loiça alemã, Meissen, a proprietária veio cá fora, em preço de liquidação eram 2.500€, agradeci muito, a senhora convidou-me a entrar, para não entrar em pormenores saí dali ajoujado com uma aguarela metida numa bela moldura, o tema é de uma paisagem eriçada tendo ao fundo uma casinha com uma luz acesa numa janela, escusado é dizer que o valor metafórico que mesmo nos piores momentos a esperança nunca morre. O fundamental é que entrei num avião da TAP empunhando uma moldura de respeitoso tamanho, um saco com víveres e uma maleta com as coisas próprias de quem anda uns dias fora de casa. Quem não gostou da brincadeira foi uma hospedeira que me disse à saída do avião que jamais esqueceria as vezes sem conta que tinha andado com aquele quadro em bolandas para servir o catering. O que interessa é que às vezes ando com o juízo toldado e tudo se altera quando me ponho diante deste quadro que tenho à entrada de casa e que comprei impulsivamente numa loja em liquidação na rua Dublin, um companheiro para toda a vida, tal como aquela luz que eu avisto do casebre do Reguengo Grande.
O cavalo de Troia
Fui ao Museu do Bombarral visitar uma exposição intitulada Marionetas Fora de Cena, de José Carlos Barros, pode ser visitada até 7 de junho deste ano. É uma amostra que reúne um conjunto de marionetas concebidas por este consagrado artista bombarralense. Entre metais como zinco, cobre ou latão e materiais mais delicados como papel e cola, assombra imediatamente a imaginação deste artista multifacetado. José Carlos Barros iniciou o seu percurso na década de 1970, trabalhando como cenógrafo, aderecista, figurinista e marionetista. Foi um dos fundadores do Grupo de Fantoches de Perna de Pau, em 1985 criou a Associação Marionetas de Lisboa. No seu contributo para o teatro português estende-se ainda ao Teatro Nacional D. Maria II, onde foi chefe do setor de adereços, e à direção do Teatro da Trindade, além da docência como professor coordenador do curso de Design de Cena da Escola Superior de Teatro e Cinema. É indiscutivelmente um dos mais originais criadores de marionetas, e foi um revitalizador desta dimensão teatral. A exposição permite-nos descobrir várias das suas marionetas, o seu particular detalhe e expressões, pois cada um dos exemplares foi ajustado para cada espetáculo e as suas expressões adaptadas a cada personagem adaptada.
Peitoral e Máscara. Materiais: fibra de vidro, ferro, latão, plástico, têxteis e madeira, fez parte do espetáculo Desgraças de 2008, foi exibido no Festival Internacional de Títeres, Segóvia, 2008.
Grande sala onde se expõe uma gama de marionetas onde não faltam fabulosas figuras de bestiário
Imagens de marionetas usadas no Auto da Barca do Inferno
Não é a primeira vez que aqui refiro a excelência do Museu do Bombarral. Sempre que visito, é inescapável demorar-me numa sala denominada Formas, estão aí obras de arte de artistas bombarralenses que cultivaram o neorrealismo, houve mesmo uma fábrica de cerâmica e nela trabalhou um dos grandes nomes da arte contemporânea portuguesa, Júlio Pomar, ele foi atraído pela arte da cerâmica, deixou peças luminosas, como aquelas que estão expostas no Museu. Nesta sala se recorda Jorge de Almeida Monteiro (1908-1983), ele fundou em 1944 a fábrica de Cerâmica Bombarralense Limitada, nesta empresa criou-se uma linha criativa que atraiu para o Bombarral artistas neorrealistas, foi o caso de Álvaro Perdigão, Júlio Pomar ou Alice Jorge. Foi graças a esta colaboração que a Cerâmica Bombarralense surgiu em várias Exposições Gerais de Artes Plásticas. Prometo a quem visitar o Museu do Bombarral que todo este acervo jamais se esquecerá além de que o Museu é museograficamente de uma grande beleza.

Visitei esta exposição no dealbar da primavera, é por isso que a ponho em consonância com a surpresa que o meu jardim zen me dera na véspera.

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Nota do editor

Último post da série de 4 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27889: Os nossos seres, saberes e lazeres (729): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (250): Palácio de Belém, o menos conhecido de todos os antigos palácios reais (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27912: O segredo de... (53): Luís Graça: a ida de Bambadinca ao Xime, de Daimler (uma "lata de sardinhas com 4 rodas"...) para ir beber um copo, a um mês da peluda... (Não, nunca te contei esta, Zé Luís Vacas de Carvalho!)


Foto nº 1 > Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca)  > Xitole > c. meados de 1970 > Coluna logística ao Xitole... Pessoal em cima de uma Daimler, do Pel Rec Daimler 2206 (Bambadinca, 1970/71). Da esquerda para a direita: O Fur Mil Op Esp Humberto Reis (CCAÇ 12, Bambadinca, 1969/71), o Alf Mil Cav J. L. Vacas de Carvalho, comandante do Pel Rec Daimler 2206 (Bambadinca, 1969/72), o Fur Mil Enf Coelho (CCS /BART 2917, Bambadinca, 1970/72) e, por fim, o Fur Mil At Inf  Arlindo T. Roda (CCAÇ 12)

Foto: © Humberto Reis (2006 Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 2 > Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > Pel Rec Daimler 3089 (Teixeira Pinto, 1971/73) > Fevereiro de 1973 > Chegada de Caió. Na segunda fotografia é visível o 1º cabo apontador Manuel Lucas.


Foto nº 3A > Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > Pel Rec Daimler 3089 (Teixeira Pinto, 1971/73) > Fevereiro de 1973 > Chegada de Caió. 


Foto nº 3 > Guiné > Região do Cacheu > Teixeira Pinto > Pel Rec Daimler 3089 (Teixeira Pinto, 1971/73) > Fevereiro de 1973 > Chegada de Caió. 

Fotos (e legendas): © Francisco Gamelas (2016). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Em louvor das suas velhas Daimlers, saltitonas mas operacionais, que ele punha sempre num brinquinho (graças à prática do "canibalismo" mecânico...), escreveu, em verso, o Francisco Gamelas, cmdt do Pel Rec Daimler 3089 (Teixeira Pinto, 1971/73):

(...) Rolando sobre a estrada
a abrir e a fechar
colunas civis ou militares,
éramos a força esperada,
metralhadora pronta a cantar
ao desafio os seus cantares.

"Impunham algum respeito
estas massas de ferro circulante,
armadas e brutas,
nem que fosse pelo efeito
grotesco de velho ruminante,
sobrevivente de esquecidas lutas. (...)

" 'A sorte protege os audazes', 
assim rezava a divisa dos comandos.
A sorte protege quem tem olhinhos,
respondiam, entre dentes, mordazes,
os soldados de costumes brandos,
para quem os tomavam por anjinhos.


In: Francisco Gamelas - Outro olhar: Guiné 1971-1973.
Aveiro, 2016, ed. de autor, pp. 29-31 (Reproduzido com a devida vénia).


2. Já aqui confessei que tinha uma grande "ternura" pelas Daimlers e o seu pessoal... Em Bambadinca apanhei "cavaleiros" excecionais,  bons amigos e camaradas, como o Jaime Machado (Pel Rec Daimler 2046, 1968/70) e o Zé Luís Vacas de Carvalho (Pel Rec Daimler, 2206, 1970/72) (foto à direita).


E vou confessar um "pecado" (*), que não é "mortal", é apenas "venial", como diria a minha jovem e muito querida catequista por quem tive uma paixão assolapada nos meus 8/9 anos..

Um dia, já completamente "apanhado do clima", lá mais para o fim da comissão, depois de ter apanhada a mais infernal embocada (Op Abencerragem Candente, Xime, 26/11/1970) e a mais brutal mina A/C, sete semans depois (Nhabijões, 13/1/1971) consegui convencer um dos homens do J. L. Vacas de Carvalho a ir ao Xime... Ali a 12/14 km, a sudoeste de Bambadinca...

Para fazer o quê?  Matar o tédio, beber um uísque ou uma bazuca (um garrafa de 0,66 l de cerveja), "queimar os últimos cartuchos"... Já cheirava a "peluda", oxalá, enxalé, insh'Allah, os nossos "periquitos" chegassem, depressa, sãos e salvos ao porto fluvial do Xime... e depois a Bambadinca  (Felizmente, vieram todos, com exceção do 1º cabo cripto.)

A estrada Bambadinca - Xime estava em construção, em vias de ser asfaltada (nesse ano de 1971)  e nós, CCAÇ 12, montávamos segurança à empresa TECNIL (que será mais tarde a do António Rosinha, já sob o regime de Luís Cabral, e do senhor da guerra que se lhe seguiu, o 'Nino' Vieira,  entre 1978 e 1993)... 

Havia um pelotão da CCAÇ 12, junto às máquinas e aos trabalhadores... Mas em 12/14 km havia sempre, teoricamente, o risco de minas e emboscadas, nomeadamente na Ponta Coli, depois do destacamento do rio Udunduma (outro "petisco" que também nos calhava, de vez em quando...)

Eram 12/14 km para lá e outros tantos para cá... E ainda levei o Tchombé, que era a nossa mascote, um puto de 4/5 anos, adotado por nós, a malta da messe de sargentos da Bambadinca... Eu, o Tchombé e o condutor, metidos numa "lata de sardinha com 4 rodas" (não me levem a mal, camaradas da cavalaria, é uma "metáfora")...

Pequenas / grandes loucuras, quem não as fez, com 23/24  anos, no teatro de operações da Guiné? Eu tinha feito 24 anos, em 29/1/1971.  Se a memória não me trai, esta pequena bravata deverá  ter ocorrido em meados de fevereiro de 1971, a um mês de regressar à grande metrópole que nos esperaria com fanfarra e foguetes, no cais da Rocha Conde de Óbidos (imaginavam alguns, eu não)...

Julgo que nunca contei esta ao Zé Luís, o lídimo represente de um numerosa família de agrários, pegadores de touros, fadistas e grandes combatentes, que eram os Vacas de Carvalho de Montemor-O-Novo... E espero que ele me perdoe...

Ou será que o condutor era ele mesmo? Não juro, nem acredito, mas era menino para "alinhar"... Tinha (tem, ainda está felizmenmte vivo..) alma e voz de boémio e fadista e sobretudo o "grãozinho de loucura" que era preciso para viver (e sobreviver a) quase dois anos de mato. 

Apesar de ele ser de cavalaria, a "aristocracia" da Spinolândia, também alinhava com os "infantes", "nharros" de 1ª classe... Umas voltinhas até ao fundo da pista de aviação, as idas diárias (ou quase) a Bafatá, a colunas logísticas a Mansambo, Xitole e Saltinho (essas bem mais duras)...


Luís Graça
Mas, não, não era ele... o condutor... Nem sei se ele, comandante de Daimlers, tinha carta de condução daquela "lata de sardinha de quatro rodas", que foi uma  heroína da batalha de El Alamein, os "ratos do deserto"   contra "a raposa do deserto", na II Guerra Mundial (**)...


3. Abreviando a história do meu "desenfianço" por duas ou três horas, no Xime: o apontador da metralhadora foi dispensado, eu tomei o lugar dele; não cabíamos todos na "lata de sardinhas de 4 quatro rodas"...

Paguei eu a despesa no bar do Xime ao condutor, que bebeu uma "bazuca", e ao "djubi" Tchombé, que adorava a "laranjina C". 

E devo ter pago, ainda à pala dos meus anos,  uma rodada aos camaradas da CART 2715, que comigo fizeram a Op Abencerragem Candente, de trágica memória... 

Não devo ter bebido cerveja (não era minha bebida habitual), mas um uisquinho com água de Perrier e uma pedra de gelo (supremo luxo!).

E regressámos a casa, ou seja a Bambadinca, mais à tardinha, pela fresca, no "nosso descapotável"... Sem acidentes nem incidentes de  maior... Orgulhosos, de mais uma "missão cumprida"...

Estou a imaginar a "porrada" que levaria se as coisas tivessem dado para o torto... Mas nessa altura o troço em construção, Bambadinca-Xime (já quase pronto para levar o asfalto) era todo nosso, e os "gajos" do PAIGC, donos da margem direita do Rio Corubal, pensavam duas vezes antes se meteram com os "nharros" (brancos e pretos) da CCAÇ 12...

As "nossas" Daimlers, que andavam, no CTIG,  sem a "torre", podiam ser um "bocado de lata", mas davam-nos sempre um certo "conforto" nas nossas colunas logísticas... Ou até na simples e rotineira viagem a Bafatá, por estrada alcatroada (30 km), que era o nosso dia de glória ("comer o ovo a cavalo com batatas fritas" na Transmontana, "dar dois dedos de conversas na loja das libanesas", "mudar o óleo no Bataclã", "rezar na catedral", "fazer umas compritas na Casa Gouveia!", "dar um mergulho na piscina municipal", enfim, "respirar a civilização cristã e ocidental da Princesa do Geba"...).

E,  como eram "bailarinas" as nossas Daimlers, nunca as vi atascadas, nem nunca nos deixaram mal, mesmo com os pneus carecas... e a crónica falta de peças sobressalentes. Parte delas já no cemitério da sucata em Bambadinca...

Glória a elas, as nossas velhas Daimlers de Bambadinca, do Jaime Machado e do Zé Luís Vacas de Carvalho!... E que Deus, Alá e os Bons Irãs nos perdoem essas pequenas bravatas, pueris, mas humanente compreensíveis...
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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 1 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27374: O segredo de... (52): Luís Graça & Humberto Reis (CCAÇ 2590 / CCAÇ 12, Contuboel e Bambadinca, mai 69 /mar 71): Op Noite das Facas Longas, em que nem o pobre do "Chichas", a nossa mascote, escapou do tiro na nuca...

(**) "Daimler Armoured Car": foi um dos veículos blindados de reconhecimento mais importantes e eficazes do Exército Britânico durante a Campanha do Norte da África na Segunda Guerra Mundial, sendo amplamente utilizada pelos famosos "Ratos do Deserto" (7ª Divisão Blindada) e outras unidades, como a 11ª Hussardos, na decisiva Batalha de El Alamein em outubro/novembro de 1942.
 
Aqui estão os detalhes-chave sobre a sua importância e papel:

(i) desempenho e fiabilidade: itroduzida em 1941-42, a Daimler substituiu veículos menos capazes, como o Marmon-Herrington; era conhecida pela sua excelente performance todo-o-terreno, fiabilidade e blindagem robusta (até 30 mm), superior às alternativas alemãs de reconhecimento;

(ii) armamento: estava equipada com um canhão de 2 libras (40 mm) na torre, além de uma metralhadora Besa de 7,92 mm, tornando-a capaz de enfrentar outros veículos blindados ligeiros e posições de infantaria;

(iii) design avançado: possuía tração às quatro rodas, suspensão totalmente independente e, notavelmente, um volante de direção traseiro para que o comandante pudesse conduzir em marcha-atrás rapidamente para escapar de situações difíceis;

(iv) velocidade: podia atingir , no máximo, os 80 km/h (em estrada alcatroada...);

(v) papel em El Alamein (Outubro/Novembro 1942):  e
mbora não fossem os principais carros de combate, as Daimlers da 11ª Hussardos e outras unidades do 8º Exército de Montgomery lideraram o reconhecimento, localizaram rotas, interceptaram comunicações e capturaram prisioneiros durante a retirada das forças do Eixo; a sua capacidade de operar de forma autónoma a longas distâncias foi crucial para o sucesso da ofensiva aliada que marcou o ponto de viragem na África.

Em conclusão, a "Daimler Armoured Car" foi considerada um dos melhores veículos blindados de combate britânicos da guerra, permanecendo em serviço até aos anos 60.

(Pesquisa: LG + Wikipedia + IA)
(Condensação, revisão/fixação de texto: LG)