sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Guiné 63/74 - P16599: Inquérito 'on line' (74): as primeiras 41 respostas: 20 dos nossos leitores estiveram no mato com familiares nossos, não guineenses: esposas (13) ou esposas e filhos (7)... O prazo termina em 20/10/2016, 5ª feira, às 6h52, e era bom que chegássemos às 100 respostas...


Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > CCS/BART 2917 (1970/72) > Convívio no bar de sargentos, em meados de 1970: ainda estávamos em "lua de mel", os "velhinhos" da CCAÇ 12, e os "piras" do BART 2917, aqui representados pelo 2º Comandante, maj art José António Anjos de Carvalho, sempre fardado, hoje cor art ref, e o 1º srgt art Fernando Brito (1932-2014)...

As senhoras: à direita do Brito, a Helena, mulher do alf mil at inf António Manuel Carlão, do 2º Gr Comb da CCAÇ 12 (o casal vive hoje em Fão, Esposende); à direita do Anjos de Carvalho, a esposa do major art, Jorge Vieira de Barros e Bastos (mais familiarmente conhecido por Bê Bê, era o major de operações do comando do BART 2917; hoje cor art ref);  e à sua direita, Isabel, a esposa do José Alberto Coelho, o fur mil enf da CCS/BART 2917 ) (o casal vive hoje em Beja). 

Não me parece que tivesse sido o jantar de Natal, ou coisa parecida: nessa altura, as relações com o major art Anjos de Carvalho, a três meses de acabar a nossa comissão, eram muito tensas... A CCAÇ 12, como companhia de intervenção, africana, estava adida ao comando do setor L1.

Inclino-me mais para uma festa de anos, talvez do 1º Brito, que era de facto um "senhor 1º sargento", e que matinha com a malta da CCAÇ 12 uma "relação muito especial"...  A festa terá ocorrido nos  primeiros tempos, após a chegada do BART 2917 a Bambadinca, que veio render o BCAÇ 2852 (1968/70)... (Pede-se ao pessoal da CCAÇ 12 e da CCS/BART 2917, para completar as legendas.)

Mas, na altura, estas eram as três senhoras, brancas,  que existiam no quartel de Bambadinca (, não contando com a senhora professora do ensino primária, caboverdiana, que raramente era vista, mas que vivia dentro das nossas instalações militares, no edifício da escola, a dona Violete da Silva Aires). E não havia miúdos, a não ser os da escola e da população local... Os militares guineenses (da CCAÇ 12 e outras subunidades, como os Pel Caç Nat que estiveram connosco) em geral eram casados e tinham consigo as famílias mas fora do arame farpado, vivendo em Bambadinca ou em Bambadincazinho.

No tempo do BCAÇ 2852, e até ao ataque a Bambadinca, em 28/5/1969, julgo que pelo menos estava lá três senhoras, a começar pela  a esposa do comandante, o ten cor inf Manuel Maria Pimentel Bastos (também conhecido seu "nick name", Pimbas), já aqui bastas vezes evocado pelo seu amigo e admirador Mário Beja Santos. O tenente SGE Manuel Antunes Pinheiro, chefe da secretaria do Comando do BCAÇ 2852, também lá teria a esposa até essa data. E creio que também  a esposa do médico, David Payne.

O Torcato Mendonça confirma: "Bambadinca era uma maravilha para nós [, CART 2339, Mansambo, 1968/69]. Vivia-se lá um clima de tranquilidade e de bom convívio. Para isso contribuía o Comandante e vários militares. Como a segurança era boa, estavam lá as esposas do comandante, do médico e do tenente da secretaria".

Foto: © Vitor Raposeiro (2009). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Leiria  > Monte Real > Ortigosa > Quinta do Paul > IV Encontro Nacional do nosso blogue > 20 de junho de 2009 > Os nossos grã-tabanqueiros Regina Gouveia e Fernando Gouveia, um adorável casal, transmontano, do Porto, que fez uma comissão na Guiné (Bafatá, 1968/70).

Recorde-se que o Fernando Gouveia, hoje arquiteto reformado,  foi alf mil Pel Rec Inf, Comando de Agrupamento 2957, Bafatá(1968/70) na altura em que era comandado pelo Cor Hélio Felgas, já falecido.

A Regina Gouveia é escritora com obra feita e publicada.

Foto (e legenda): © Luís Graça (2009). Todos os direitos reservados.



I. INQUÉRITO 'ON LINE':  "NO MATO NO(S) SÍTIO(S) ONDE EU ESTIVE, NA GUINÉ,
HAVIA FAMILIARES NOSSOS"...


As primeiras 41 respostas

1. Sim, esposas (não guineenses) > 
13 (31%)

2. Sim, esposas e filhos (não guineenses)  > 
7 (17%)

3. Sim, familiares guineenses (sem ser das milícias)  > 
8 (19%)

4. Não, não havia  > 
18 (43%)

5. Não aplicável: não estive no mato > 
0 (0%)

6. Não sei / não me lembro  > 
0 (0%)


O prazo termina em 20/10/2016, 5ª feira, às 6h52.  O inquérito admite até duas respostas: por exemplo 1 e 3; 2 e 3.

Resposta a ser dada diretamente no nosso blogue, no canto superior da coluna da esquerda.



II. Comentário do editor:

Na decisão de levar ou não levar a família para o teatro de operações, deviam pesar muitos fatores... Não era uma decisão fácil, no final da década de 1960, nove anos depois de ter começado a guerra colonial... Sobretudo para os militares do quadro, alguns já com 3 comissões de serviço (se contarmos com a Índia, Macau, Timor)... 

É verdade, dirão alguns,  que foi a "vida" que escolheram, os oficiais e os sargentos dos três  ramos das forças armadas portuguesas... Por razões logísticas e de segurança, era mais difícil aos militares do exército levarem, para o mato, as famílias, as esposas sem filhos ou as esposas com filhos...

Mesmo assim, dependia da companhia (CCS ou unidade de quadrícula, região, localidade, acessibilidade, instalações, segurança relativa,  etc.). Não me lembro de ver famílias de militares, não guineenses, nas unidades de quadrícula do BCAÇ 2852 e do BART 2917, no setor L1: Xime, Mansambo, Xitole, Saltinho (que depois passa para o setor L5)... Muito menos em destacamentos onde as condições hoteleiras eram deploráveis...

Para os jovens milicianos, furriéis e alferes, "just married", acabados de casar, ou que casavam a meio da comissão, ainda sem filhos, era uma decisão aparentemente mais fácil, lógica e natural, mas não isenta de riscos, sobretudo se o militar fosse um operacional... Também não terá havido muitos "operacionais" com as esposas no TYO da Guiné, memso em Bissau (por ex, tropas especiais).

Apesdar da "milicianização" e "africanização" da guerra,  ninguém estava à espera de fazer uma guerra que iria durar 11/12/13/14 anos... Sobretudo entre os militares de carreira, ninguém estava preparado para estar muitos anos longe da mulher e dos filhos (e com estes a crescer)... Mas esse foi o cenário em que viveram muitas famílias portuguesas ao longo dos séculos, desde os Descobrimentos: uma viagem de ida e volta à Índia podia demorar 2 anos...

Faltam-nos testemunhos dos homens e mulheres que cresceram com os pais, militares, em comissões de serviço em África... Salazar, que não era casado nem tinha filhos, nunca poderia saber avaliar os custos (emocionais, afetivos, etc.) que a "guerra do ultramar" também teve para os militares  e as suas famílias, os homens (e as mulheres) que a fizeram (e a sofreram)...
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8 comentários:

Tabanca Grande disse...

Na decisão de levar ou não levar a família para o teatro de operações, deviam pesar muitos fatores... Não era uma decisão fácil, no meu tempo (1969/71), sobretudo para os militares do quadro, alguns já com 3 comissões de serviço... É verdade que foi a "vida" que escolheram, os oficiais e os sargentos dos 3 ramos das forças armadas portuguesas... Por razões logísticas e de segurança, era mais difícil aos militares do exército levarem, para o mato, as famílias, as esposas sem filhos ou as esposas com filhos...

Mesmo assim, dependia da companhia (CCS ou unidade de quadrícula, região, localidade, acessibilidade, segurança relatuivam etc.). Não me lembro de ver famílias de militares, não guineenses, nas unidades de quadrícula do BCAÇ 2852 e do BART 2917, no setor L1: Xime, Mansambo, Xitole, Saltinho (que depois passa para o setor L5)...Muito menos em destacamentos onde as condições hoteleiras eram deploráveis...

Para os jovens milicianos, furriéis e alferes, "just married", acabados de casar, ou que casavam a meio da comissão, ainda sem filhos, era uma decisão aoparentemente mais fácil, lógica e natural, mas não isenta de riscos, sobretudo se o militar fosse um operacional...

Tabanca Grande disse...

... É verdade que foi a "vida" que escolheram, os oficiais e os sargentos dos 3 ramos das forças armadas portuguesas... Mas ninguém estava à espera de fazer uma guerra que iria durar 11/12/13/14 anos... Ninguém estava preparado para estar muitos anos longe da mulher e dos filhos (e com estes a crescer)... Mas esse foi o cenário em que viveram muitas famílias portuguesas ao longo dos séculos, desde os Descobrimentos: uma viagem de ida e volta à Índia podia demorar 2 anos...

Faltam-nos testemunhos dos homens e mulheres que cresceram com os pais, militares, em comissões de serviço em África... Salazar, que não era casado nem tinha filhos, nunca poderia saber avaliar os custos (emocionais, afetivos, etc.) que a "guerra do ultramar" teve para os homens (e as mulheres) que a fizeram (e a sofreram)...

Antº Rosinha disse...

Este pormenor das famílias dos militares irem para o Ultramar pode ser um ponto de vista para explicar muita coisa sobre a durabilidade da Guerra.

A vida da maioria dos oficiais e sargentos, (não milicianos)e muitos tenentes e capitães milicianos, casados com filhos quer no liceu ou na primária ou mesmo na Universidade, tornou-se numa rotina bem "oleada" que corria sobre esferas, em plena Guerra do Ultramar.

Lembremos que o maior número de militares do quadro, não estavam longe de belas cidades como Luanda, Benguela, Uige, Malange, Lourenço Marques, Beira, Nova Lisboa e Bissau por exemplo, onde não faltava nada.

E nessas cidades havia casas para arrendar e o pessoal do quadro tinha direito a "subsídio de renda de casa", quer na metrópole ou no Ultramar, e evidentemente, o subsídio de cada filho menor ou enquanto estudasse.

E lembremos que essa rotina bem "oleada" continua em quantidade e qualidade com comissões em "Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Guarda, Bragança..." (em ondas curtas compridas e comprometidas) por mais alguns anos de 1974 até anos 80, com concursos e promoções e preenchimento das imensas "vagas" do quadro.

É que a luta continuou indefinidamente, Porquê? a explicação deve ser a mesma pela qual não se explica cabalmente porque os capitães de Abril só apareceram em 74 e não em 1968.

A guerra não acabou para todos em 1974, houve uma (boa)continuação para alguns.

Canquelifá, Buruntuma, Binta é uma coisa...outra coisa é outra coisa.

Tem que haver memória.

Cumprimentos

Tabanca Grande disse...

Rosinha, estava a escrever (diretamente na caixa de comentários...) uma coisa que se perdeu, porque a Net foi abaixo... Estou farto de saber que não se deve escrever diretamente nesta caixinha que está farta de nos pregar partidas, mas sim em "word", e depois fazer o cm devido "copy & paste"...

Vamos a ver se consigo reconstituir o essencial daquilo que te queria transmitir há umas horas atrás, fiando-me na memória...

Dizia eu que o dinheiro não compra tudo, ou quase tudo... Compra muita coisa, é verdade... Mas há quem garanta que não traz felicidade... Não sei, nunca passei por isso, ser rico e infeliz... Acho que é um bom conselho dos ricos para os pobres...

Também o patriotismo não sei se mede (ou pode medir) numa escala de cifrões... A malta das ciências sociais, como eu, gosta de medir tudo através de escalas, psicométricas e sociométricas: atitudes, valores, emoções, perceções, comportamentos, etc... Vivemos no mundo das métricas, e aquilo que não se pode medir não existe... Tudo se mede do sucesso ao orgasmo...

O racismo, por exemplo, pode ser medido (?), o patriotismo pode ser medido (?), a satisfação com o país, com o trabalho, com o parceiro sexual... Tudo gostam de medir os estupores dos economistas, sociólogos, psicólogos sociais ...

Sei pouco ou nada das "mordomias" da tropa no tempo do antigamente...Eram "bem pagos" ou "mal pagos" os nossos oficiais e sargentos QP ? E os milicianos, também, porque não ?... Muitos deles nunca tinham visto tanto "patacão" como o da guerra... Não falo das nossas praças, muito menos dos nossas praças africanas, que eram de 2ª classe...

Admitinmdo que sim, que até nem ganhavam mal mas arriscavam o coirão, será que o dinheiro podia comprar, reparar ou compensar o que os militares, QP ou milicianos, "perdiam" ou "desperdiçavam" ? Por exemplo, perder os "verdes anos", não poder acordar de manhã, na mesma cama, com a pessoa que se ama, não poder ver crescer os filhos, interromper os estudos, adiar os sonhos, violentar a consciência....

Não faz sentido comparar o "nosso patriotismo", com o da geraçãlo atual, que nasceu em democracia e em tempo de paz... E que nem sequer tem que ir à tropa... Hoje, há jovens que podem escolher a tropa como um simples emprego... Nós não tivemos essa possibilidade, e muito menos o direito de alegar "objeção de consciência"...

Fomos mais patriotas do que os nossos filhos e netos ? Tenho dúvidas, mas não sei como medir e comparar "isso"... Nem "isso" importa agora...Para esse peditório já todos demos...

Fico com tua pista ou palpite... Será que as "mordomias" da tropa, ou as "liberalidades" do Estado Novo em relação à tropa chamada a "fazer a guerra" (, sim, e qual delas ? a do ar condicionado da secretaria do QG, ou a de Canquelifá, Xime ou Gadamael ?) ajudam a explicar a "longevidade" da guerra ou a ocorrência de acontecimentos, nossos contemporâneos, como o 25 de abril e a descolonização, que tiveram grandes impactos nas nossas vidas ?

Fica a tua pergunta (ou melhor, insinuação ?) no ar...

Um grande abraço para ti, António, do LG...



Vasco Pires disse...

Bom dia Luis,
Cordiais saudações.
Números para apresentar,não tenho,contudo, nos dois anos de convivência com tropa Africana, sempre tive a sensação que o salário que recebiam lhes proporcionava um padrão de vida, superior à maioria da população.
Forte abraço.
VP

Antº Rosinha disse...

Peço desculpa a Vasco Pires, mas em África, na chamada África negra, não havia padrões de vida.
Em África havia apenas estatutos sociais.
Mesmo quem possuía mais bois que o vizinho, não possuía um padrão de vida superior a outro sem bois.

Até poderia ter um padrão de vida inferior.

Pois era obrigado a ter mais mulheres, portanto mais obrigações.

Atenção que ir para o exército, ou para os movimentos anti-coloniais, era para os jovens africanos uma maneira de fugir ao "indigenato" calçar botas e usar calças em vez de pele de gazela e panos garridos.

Ainda hoje, os jovens africanos para fugir "daquilo" sujeitam-se a coisas bem mais violentas.

Hoje sim, já há padrões de vida diferentes em África, mas os estatutos étnicos já vão sendo menos respeitados.

É só isso.

Cumprimentos.


Vasco Pires disse...

Obrigado pela correção Rosinha.
Onde se lê,padrão de vida, deveria ter sido escrito, poder aquisitivo.
Forte abraço.
VP

José Botelho Colaço disse...

Muito bem parabéns António Rosinha tu sabes muito mas de prática vivida aprendeste muito na universidade da vida, continua com todas as tuas formas de expressar para que as novas gerações tenham dados concretos para avaliar e não só escalas psicométricas ou sociométricas.
Um abraço.