quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Guiné 63/74 - P16597: Inquérito 'on line' (73): Até ao dia 20 deste mês, responder à questão "No mato, no(s) sítio(s) onde eu estive, havia familiares nossos... esposas com ou sem filhos"



A nossa amiga Adelaide Barata Carrêlo,
aos sete anos:
 viveu com a família  e andou na escola
em Nova Lamego (1970/71)
I. INQUÉRITO 'ON LINE': 


"NO MATO
NO(S) SÍTIO(S) ONDE EU ESTIVE,  NA GUINÉ,
HAVIA FAMILIARES NOSSOS"...




Hipóteses de resposta:

1. Sim, esposas (não guineenses)

2. Sim, esposas e filhos (não guineenses)

3. Sim, familiares guineenses (sem ser das milícias)

4. Não, não havia

5. Não aplicável: não estive no mato

6. Não sei / não me lembro



O inquérito em curso admite até 2 respostas (por ex., 1 e 3). O prazo de resposta temina no dia 20/10/2016, às 8h52,



Guiné > Região do Oio > Biambe >  CCAÇ 13 > Set 73 / jan 74 > O Henrique Cerqueira [ex-fur mil, 3.ª CCAÇ / BCAÇ 4610/72, e da CCAÇ 13, Biambe e Bissorã, 1972/74] foi outro dos nossos camaradas que teve consigo, durante cerca de 9 meses (de outubro de 1973 a junho de 1974),  a esposa,  Maria Dulcinea (Ni)" [, nossa grã-tabanqueira],  e o pequeno Miguel Nuno, hoje um um homem de quarenta e tal anos, e já pai...

Aqui os vemos, mãe e filho, num "burrinho", o Unimog 411, numa "visita que fizemos à minha antiga companhia no Biambe"...

Foto (e legenda): © Henrique Cerqueira (2014). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


II. Há dias o nosso editor escrevia aqui que, "tirando Bissau, era invulgar ver-se famílias de militares no mato, com crianças" (*), como era o caso da família Barata (que esteve em Nova Lamego, em 1970/71: o ten SGE José Maria Barata,  da CCS/BCAÇ 2893, mais a esposa e 3 filhos menores, incluindo a nossa amiga, grã-tabanqueira, Adelaide Barata Carrêlo).

Aparecererm alguns comentários (César Dias, Jorge Rosales, Henrique Cerqueira, Cherno Baldé, Tino Neves, Francisco Baptista, Jorge Picado, Manuel Carvalho, Adelaide Barata...), ajudar a esclarecer este assunto, e a justificar a realização de mais um inquérito 'on line'.

Por exemplo, o Henrique Cerqueira escreveu o seguinte;:

"Em Bissorã estiveram quatro esposas em que três das quais tinham filhos pequenos. Por ordem hierárquica havia: (i) uma esposa com uma filha pequena dum capitão da CCS,  Pontes Fernandes,  algarvio; (ii) a minha, com o meu filho Miguel; e ainda (iii) a esposa de um cabo da CCS com uma criança bébé. Em Inquida,  um destacamento da zona do Biambe,  esteve durante algum tempo a esposa de um alferes,  sem filhos. Comigo habitava ainda a esposa do alferes Santos, recém casada mas sem filhos,  que estiveram até final da comissão em 1974. Portanto em 1972/73 não era assim tão invulgar a presença de familiares com crianças fora de Bissau. "

O nosso amigo Cherno Baldé também deu uma ajuda para refrescar a nossa memória:

"O cap graduado Sampedro que substituiu o cap Patrocínio em Fajonquito (CCAC 3549, 1972/74), vivia com a esposa e um filho pequeno em Fajonquito. Lembro-me de ver o puto deambular dentro do quartel na companhia dos soldados. O ex-cap Sampedro continua a participar em todos os encontros anuais da companhia."

Muitos outros sítios no mato não eram, no entanto, "amigos das famílias", O nosso Francisco Baptista recorda dois que conheceu: 

"Em Buba nos 17 meses que lá estive nunca houve famílias de militares, penso por haver ataques de armas pesadas bastantes frequentes ao aquartelamento. Soube pelo Moutinho, "chefe" da Tabanca de Matosinho, s que ele quando esteve a comandar, como capitão graduado, Empada, não longe de Buba, teve lá a esposa alguns meses com ele, já posteriormente à minha saída dessa zona. Em Mansabá, onde estive poucos meses, encontrei lá a esposa do alferes médico, que não terá lá estado sequer dois meses, pois um dia após uma flagelação ao quartel, a senhora foi de avioneta para Bissau e regressou à terra dela."

O Manuel Carvalho, o nosso Carvalho de Mampatá, corrige uma imprecisão do amigo Francisco Baptista:

(...) Quanto à esposa do Eduardo Moutinho em Empada,  julgo que ela só passou lá o Natal de 69 e,  quando muito,  mais um dia ou dois, mas ainda hoje fala dessa experiência como uma coisa de que gostou muito. Esteve,  sim,  algum tempo em Quinhamel onde estiveram também as esposas de dois camaradas nossos, daí talvez a tua confusão." (...)

 Esperamos mais uma vez a ativa colaboração dos nossos leitores que podem opinar sobre esta matéria, tendo em conta a sua experiência e sua memória: de facto, no "mato" (ou seja, para lá de Bissau...), alguns de nós, em diferentes épocas, tiveram a sorte de poder levar consigo, para o CTIG, as suas famílias: na maior parte dos casos, só as esposas, mas também, nalgumas localidades, sedes de circunscrição e de batalhão, também filhos menores.

Em alguns dos nossos aquartelamentos e destacamentos também viviam familiares de camaradas nossos, guineenses, no caso das subunidades com militares do recrutamento local, não contando com as milícias (hipótese de resposta nº 3).

Quem não esteve no "mato" (ou seja, quem esteve só em Bissau...), também pode responder, assinalando a hipótese de resposta nº 5 ("Nâo aplicável, não estive no mato"). Sabemos que em Bissau havia bastantes militares com família, desde oficiais do quadro a médicos do HM 241: por ex., a família do nosso amigo Luís Gonçalves Vaz, filho do falecido cor cav CEM Henrique Gonçalves Vaz (último Chefe do Estado-Maior do CTIG, 1973/74); tinha 13 anos e vivia em Bissau quando se deu o 25 de abril de 1974.

Testemunhos, histórias e fotos sobre este tema serão bem vindos!... A resposta ao inquérito é feita, como sempre, "on line", no canto superior da coluna da esquerda do nosso blogue. (**)


Guiné > Zona Leste > Bafatá > "Foto tirada no dia 30 de Março de 1971 em Bafatá, onde o grupo foi jantar, para celebrar os meus 24 anos. Na foto, e da esquerda para a direita temos: o caboverdiano Leão Lopes (fur mil, BENG 447), e ex-esposa Lucília; fur mil op esp Benjamim Durães;   Fernando Cunha (Soldado condutor);  Rogério Ribeiro (1º cabo aux enfermeiro);  Braga Gonçalves (alf mil cav) e ex-esposa Cecília; Isabel e o marido José Coelho (furriel mil enfermeiro);  e o 1º cabo condutor auto José Brás", todos da CCS/BART 2917 (Bambadinca, 1970/72).

Foto (e legenda): © Benjamim Durães (2009). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Guiné > Arquipélago dos Bijagós > lha de Bubaque > "A esposa do coronel Henrique Gonçalves Vaz, os três filhos mais novos e o capitão Pombo, na pista de Bubaque na Páscoa de 1974... Fotografia de Henrique G. Vaz. [O Luís é o da esquerda].

Foto (e legenda): © Luís Gonçalves Vaz (2014). Todos os direitos reservados.  [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

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(**) Último poste da série > 6 de outubro de 2016 > São todos iguais mas uns mais iguais do que outros?... Resultado final (n=94 respostas): os ricos, os poderosos e... os famosos andaram comigo na escola (38%), na tropa (26%) e na guerra (17%)

7 comentários:

José Diniz Carneiro de Sousa e Faro disse...

O meu caso assim como todos os combatentes pertencentes à BCA 1 / GAC 7 que estavam no mato nos pelotões de Artilharia tinham sempre familiares dos seus praças oriundos de incorporação territorial que transportavam consigo os seus familiares (mulheres e filhos). Era frequente utilizar duas ou mais viaturas só para transporte dos familiares que eram alojadas nas tabancas Em Binar(1970) tinha um soldado com 6 mulheres.

Saudações,

J.Diniz S. Faro
Ex-Fur.Milº Artª
1968 - 1970

manuel amaro disse...


No meu BCAÇ2892, em 1970, Aldeia Formosa (Quebo), estiveram, durante pouco tempo, duas senhoras, esposas de um Alferes e de um Sargento.
A estada foi curta porque o PAIGC, depois de um tempo de quase ausência, decidiu aumentar a sua acção na zona.
O único branco civil em Aldeia Formosa era o Agente da PIDE, de apelido Manjerico.

Saudações
Manuel Amaro


alma disse...

Como se sabe as mulheres fulas acompanhavam sempre os maridos militares.Assim no meu Pelotão, existiam 24 soldados, 19 mulheres e 32 crianças...Abraço. Jorge Cabral

Tabanca Grande disse...

Os tempos estão a mudar ?... De há muito, e a gente nunca dá conta...

Pois é, "alfero Cabral", a gente já sabia que, para além da tua função como "suprema autoridade militar", dono da vida e da morte, primeiro em Fá Mandinga, e depois em Missirá, também desempenhavas outros papéis, não menos valorosos, de conselheiro matrimonial a especialista em direito consuetudinário, lá nos cus de Judas da Guiné....

Mas esta de administrador de condomínios é nova... 24 moranças, 19 mulheres e 32 crianças é obra!... Eu, que vivo num prédio de 3 andares, e tenho 7 vizinhos, sei quão difícil é manter as boas relações de vizinhança... Dou-te os parabéns...

E, a propósito, quando sai mais uma "estória cabraliana" ? Desde que o "alfero Cabral" se reformou, a inspiração parece que se apagou... Ou não ?

Temos que retomar a ideia do livro com as "estórias do alfero Cabral"... Se o Bob Dylan, letrista (e, para mais, pacifista), acaba de ganhar o Nobel da Literatura, o nosso "alfero Cabral", que não lhe fica atrás em talento literário, passa a ser nobelizável...

Confesso que ainda não perdi a esperança de ver um grã-tabanqueiro ganhar o Nobel, mesmo sabendo que os suecos (e as suecas) não vão lá muito à bola com o nosso blogue... Até o lusolapão Zé Belo deixou de nos mandar notícias...

Sobre o "nosso" Bob Dylan (, "nosso", da nossa geração), aqui vai uma letrinha, com má tradução brazuca:

https://www.letras.mus.br/bob-dylan/11920/traducao.html

Vasco Pires disse...

Como disse acima o Nobre Camarada Artilheiro Sousa e Faro, nós da Artilharia,"herdavamos" um Pelotão com cerca de trinta soldados e outras tantas mulheres, e uns quantos filhos,e, sinceramente, às vezes ficava difícil de a administrar.Felizmente,lá em Gadamael,como já referi anteriormente,os Furriéis eram dedicados,eficazes e leais (Furriéis Kruz e Oliveira).
Forte abraço.
VP

Tabanca Grande disse...

Vasco, sejas bem aparecido... É verdade, às vezes a gente esquece-se que os valentes artilheiros que operavam os nossos obuses, eram uma "seleção nacional", com gente competente e corajosa de "cá e lá"... E que no espaldão dos obuses ficavam muito mais vulneráveis, em caso de ataque ou flagelação, do que a rapaziada que se enfiava nas valas e abrigos... E que com a artilharia e os artilheiros (o "front office"), também vinha a retaguarda de apoio (o "back office"), as famílias dos nossos camaradas guineenses...

Quanto aos teus furriéis Kruz e Oliveira, o que é feito deles ?

Abraço do tamanho do Atântico. LG

Vasco Pires disse...

Boa tarde Luís,
Muito obrigado pelas generosas palavras sobre os(tantas vezes esquecidos) Artilheiros.
Pois é, apesar da intensa pesquisa do Nobre Camarada Manuel Vaz ( o Historiógrafo de Gadamael), não foi possível localizar os Furriéis Kruz e Oliveira,o que muito lamento. É imensa, a minha gratidão a esses dois Nobilíssimos Camaradas.
Forte abraço.
VP