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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28442: Tabanca Grande (587): Henk Eggens senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 920: nasceu nos Países Baixos (que para nós é sempre a velha Holanda...) e é cidadão do mundo, médico de saúde global; é vizinho de Salazar, vive em Santa Comba Dão

 




Henk Eggens, ontem e hoje. Grão-tabanqueiro nº 920.  Nasceu nos Países Baixos (que para nós é sempre a Holanda...) e é cidadão do mundo, médico de saúde global.  Foi cooperante na Guiné-Bissau (1980/74). É vizinho de Saklazar, vive em Santa Comba Dão.
(Fotos do  álbum do Henk Eggens, restauradas digitalmente com recurso à IA - ChatGPT Open AI, 2026)



1. O nosso amigo Henk Eggens já devia ter sido apresentado à Tabanca Grande há pelo menos dois meses atrás. Estamos em falta com ele. De facto, em mensagem de 29/07/2026, 22:30 (*), ele já tinha aceite formalmente o nosso convite para se sentar à sombra do nosso poilão, o mesmo é dizer, passar a fazer parte formalmente da nossa tertúlia, o blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné:

Luís,

Aceito o convite com muito prazer e agradeço-vos a confiança.

Gosto de fazer parte de uma comunidade que valoriza as experiências vividas numa terra estrangeira, em circunstâncias muito difíceis, sem cair na tentação de reduzir um povo à condição de inimigo ou de mero figurante na história de vida de alguém.

É esse respeito que encontro nos artigos publicados no vosso blogue. Por isso, é para mim uma honra passar a fazer parte da Tabanca Grande!



Mantenhas!

2. Ainda não nos conhecemos pessoalmente, ao vivo e a cores. Perdemos uma oportunidade (histórica!) de nos encontrarmo-nos, há dias, em Carregal do Sal, no Museu Aristides Sousa Mendes, eu, ele, o João Crisóstomo e a Vilma. Razão: conflito de agendas...

Seria entretanto delegante, da nossa parte, adiar por mais tempo essa formalização. E  já dissemos o essencial sobre o nosso novo grão-tabanqueiro (**):

(i)  é neerlandês (que é mais do que holandês...), nascido em 1947, no difícil pós-guerra de todos nós, europeus;

(ii) médico especialista em saúde global (medicina tropical e saúde pública);

(iii) cidadão do mundo,  já percorreu os quatro continentes como cooperante em saúde;

(iv) esteve 4 anos na Guiné-Bissau (incluindo dois anos em Fulacunda e outros dois na capital) (1980/84);

(v) antes tinha estado em Cabinda, Angola, já no tempo da 2ª guerra da independência (1976/78); 

(vi) também trabalhou na Indonésia, as  antigas Índias Orientais Holandesas, que se tornaram independentes em 1949, depois de 4 anos de brutal ocupação japonesa (1942/45) e de uma dura guerra de descolonização  (1946/49);

(vii) fala e escreve o português e o crioul0 guineense;

(viii) está "reformado" (que é uma palavra feia, em português);

(ix) é um apaixonado (uma palavra bonita!) por Portugal, a Guiné-Bissau, Angola, Brasil, a lusofonia...

(x) vive em Portugal,  em Santa Comba Dão (sem quaisquer privilégi0s nem complexos por ser vizinho do senhor professor doutor António de Oliveira Salazar);

(xi) a sua companheira é luso-brasileira;  tem duas filhas de um primeiro casamento: a esposa, médica, que esteve com ele na Guiné-Bissau, já faleceu;

(xii)  foi administrador e editor de Portugal Portal (em neerlandês,  muito virado para a comunidade lusófona nos Países Baixos); e onde tem publicado textos do nosso blogue, com a devida autorização dos autores e editores;

(xiii) tem mais de uma dezena referências no nosso blogue.

 
2. Já há meses que o tínhamos convidado,  para, de pleno direito, passar a integrar a Tabanca Grande, como amigo da Guiné...  Será o primeiro neerlandês a sentar-se ao nosso lado, como igual. No ugar nº 920.

Na brincadeira, tinha-lhe lembrado  (em 29/7/2026):

Henk: e o convite para te juntares à Tabanca Grande, onde há filhos e filhas de muitas mães ? Tugas, das sety partidas, guineenses, cabo-verdianos, angolanos, mas também alemães, americanos.. Tu serias o primeiro neerlandês... O Roel Coutinho (para mais com ascendência judaico-portuguesa) faz cá falta... mas nunca interagiu connosco e, depois, não fala português...nem deve sentir-se confortável num blogue coletivo como o nosso (...).

Não, ele não foi combatente, em nenhum conflito armado, felizmente para ele, mas dedicou pelo menos seis  anos da sua vida a dois povos lusófonos,  guineense e angolano, e numa época particularmente difícil.  

Por outro lado, o facto de ter sido administrador e editor (e hoje continuar como colaborador) do  Portugal Portal vem reforçar ainda mais a ideia de que ele é um mediador cultural por excelência. Há pessoas que passam por um país, muitas com chorudos vistos Gold, e privilégios; outras criam pontes entre países, as pontes da amizade, da solidariedade, da cooperação, da cultura.

O Henk pertence claramente ao segundo grupo.  Vive, conhece, assimila, traduz, divulga, aproxima culturas e ainda leva textos do nosso blogue a leitores neerlandeses e portugueses emigrados na sua terra. É uma forma discreta, mas muito eficaz, de diplomacia cultural. E sobretudo cultivar e aprofundar a amizade entre povos (Portugal, Países-Baixos, Guiné-Bissau, Angola, mas também a Indonésia e Timor-Leste).

O Henk (não o vou tratar cerimoniosamente por dr. Eggens), merece o nosso apreço pelo que fez e tem feito pela Guiné-Bissau, por Portugal, e pela pela diáspora lusófona nos Países Baixos, que conta com cerca de 135 mil emigrantes (!): mais de metade brasileiros, mas também portugueses (35,6 mil), cabo-verdianos (23,1 mil) e outros PALOP (maioritariamente angolanos, mas também guineenses, etc.) (11,0 mil).

Cidadadão do mundo,  a sua  presença na Tabanca Grande será inteiramente natural e vem enriquecer ainda mais esta comunidade de memória, amizade e afetos. 

 Henk / Henrique, estás em casa!...E conheces as regras da casa. Obrigado pelos links dos teus 4 artigos que me mandaste, e que ainda eu não  li (em neerlandês...) mas prometo lê-los com a ajuda da IA...  

_________________


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28428: Convívios (1076): hoje é o dia da caldeirada anual da amizade, na festa de Ribamar, Lourinhã, em homenagem ao nosso Eduardo Jorge Ferreira (1952-2019)



Prompt e orientação editorial: Luís Graça
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)
Geração gráfica assistida por IA (ChatGPT/OpenA)


Eduardo Jorge Pinto Ferreira (Lourinhã, Vimeiro, 1 de outubro de 1952 - Torres Vedras, 23 de novembro de 2019). O querido professor Eduardo, como lhe chamam ainda hoje  as gentes de Ribamar, a sua segunda terra natal. (Foi um dos professores-fundadores da Escola C + S de Ribamar, mais tarde, Escola Básica de Ribamar, no ano letivo de 1992/93… E depois seu diretor, até à reforma.)

Foi também o nosso saudoso régulo da Tabanca de Porto Dinheiro / Lourinhã. Membro da nossa Tabanca Grande desde 31 de agosto de 2011. Apresentou-se nestes termos aos camaradas Guiné: "Estive em Bissalanca, na BA12, de 20 de Janeiro de 1973 (triste data, a do assassínio de Amílcar Cabral, ) a 02 de Setembro de 1974, colocado na EDT (Esquadra de Defesa Terrestre) como Alferes miliciano da Polícia Aérea, onde era conhecido por Ferreira. (...) Depois de vir da Guiné, e como era voluntário na Força Aérea por 6 anos, passei pela Comissão de Extinção da PIDE/DGS (Gabinete de Imprensa) e pelo Estado Maior General das Forças Armadas (1ª Divisão) donde passei à disponibilidade em Junho de 1977."



Ao nosso Eduardo: a amizade 
continua em Ribamar



1. Para o nosso (e)terno Eduardo

Há seis anos, em 23 de novembro de 2020, ainda em plena pandemia, juntámo-nos no cemitério do Vimeiro, onde repousam os teus restos mortais,  para te prestar uma pequena homenagem, com a colocação de uma lápide na tua campa.

 Foi então que te li estas palavras, em meu nome e dos teus muitos amigos, colegas, companheiros e camaradas. Estavam presentes um dos teus filhos e a tua São.


Para o nosso (e)terno Eduardo: notícias dos amigos cá de baixo

Eduardo, p’lo bem, amor e amizade
Qu’em vida connosco quiseste partilhar,
A tua memória prometemos honrar,
Deixando aqui o rasto doce da saudade.

Notícias te damos também da nossa terra,
Onde nasce e se põe o sol todos os dias,
Sabes como é, há tristezas e alegrias,
Mais a pandemia, que lavra como guerra.

Mas faz-nos falta teu sorriso luminoso,
Tua gargalhada fraterna e sonora,
Teu abraço acolhedor e generoso.

Teimamos em falar contigo, cá deste lado,
Também um dia chegará a nossa hora,
Mas até lá serás sempre... por nós lembrado!

Vimeiro, 23 de novembro de 2020

Os teus amigos, colegas, companheiros, camaradas.


Leiria > Monte Real > 25 de maio de 2019 > XIV Encontro Nacional da Tabanca Grande > Da esquerda para a direita, Carlos Camacho Lobo, médico (Maia), Jorge Pinto (Sintra) e Eduardo Jorge Ferreira (Lourinhã) (seis meses antes de morrer)...

Foto (e legenda): © Luís Graça (2019). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].

2. Notícias dos amigos cá de baixo: encontramo-nos hoje em Ribamar!


Se fosses vivo, Eduardo,  terias completado 74 anos no passado dia 1 de outubro. Foste alf mil de Polícia Aérea (PA), na BA 12, em Bissalanca, na Guiné, em 1973/74... Ainda te recordas ?... Foste professor de educação física e, mais tarde, diretor da Escola Básica de Ribamar, no Agrupamento de Escolas de Dom Lourenço Vicente, na Lourinhã... 

Foste tantas coisas, Eduardo, de autarca a dirigente associativo, de caminheiro a "sargento das tropas luso-britânicas durante a Batalha do Vimeiro de 1808"... 

Foste sobretudo um homem de afetos, de encontros, de convívio e de amizades duradouras.

A tua memória continua bem viva entre nós. O teu exemplo permanece inspirador e o nosso blogue tem 75 de referências à tua vida e à tua memória.

Uma das melhores maneiras de continuarmos a lembrar-te  é mantermos a tradição que tu próprio criaste: juntarmo-nos na festa de Nossa Senhora de Monserrate, em Ribamar, à volta de uma boa caldeirada à pescador.

Coube depois a uma comissão "ad hoc",  dos teus  amigos, condiscípulos e camaradas   (João Vinagre, Jaime Silva, Luís Graça, Pinto Carvalho, Rogério Ferreira, etc....) manter este encontro anual, marcado para a segunda-feira da segunda semana de outubro. 

Uma tradição com mais de 30 anos, iniciada em 1994, quando tu eras professor em Ribamar, e que só foi interrompida em 2020 e 2021, por causa da maldita pandemia. Ainda não havia a Tabanca Grande, nem a Tabanca de Porto Dinheiro, nem nenhum  outra... Aliás, só te conheci por volta do início deste milénio,

O encontro de 2019 foi organizado por  ti próprio. Pouco mais de um mês depois, a tua morte inesperada, na sequência de uma intervenção cirúrgica de ambulatório numa clínica privada, deixou-nos a todos em choque. Custa ainda aceitar que  tu tenhas partido tão cedo e de forma tão abrupta.

Hoje, 12 de outubro de 2026, segunda-feira da segunda semana do mês, vamos  imaginar-te de novo de braços abertos, na festa de Ribamar (que era a tua segunda terra), pronto a receber os teus amigos, colegas e camaradas, como tantas vezes o fizeste.

Este ano, somos menos do que noutras ocasiões, mas contamos com 52 inscrições para o nosso convívio anual. Em 2024, fomos 75. Reunimo-nos sobretudo antigos colegas de seminário da região Oeste, com percursos por Santarém, Almada, Penafirme e Olivais, uma boa parte dos quais antigos combatentes. São vidas que seguiram caminhos diferentes, mas que continuam ligadas por uma história comum e por amizades que resistem ao tempo. 

Estará connosco, mais uma vez, a tua querida Conceição Ferreira,  mãe dos teus filhos, que também «bebeu a água do Geba», como tu.

Da Tabanca Grande, também não faltam presenças amigas, eu, Luís Graça, Alice Carneiro, Jaime Silva, Joaquim Pinto Carvalho e Estêvão Henriques, entre outros. 

Desta vez, não poderemos contar com o Carlos Silvério,  o Jorge Pinto e alguns companheiros habituais. Mas teremos, pela primeira vez, o Manuel Resende e a esposa, bem como o João Crisóstomo e Vilma, vindos de Nova Iorque, onde vivem, e de visita a Portugal (. Acaba de me dizer que não pode ir, por ter adoecido de repente; estamos já na época das gripes e viroses...) Fui eu que te apresentei o João Crisóstomo, lembras-te ? E foste tu que depois o apresentaste ao Rui Chamusco... 

Como o Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... Grande!

A logística também está assegurada, graças ao Jaime que faz a ligação à comissão organizadora e à à nossa querida Fátima, que continua a ser  a "alma mater" da festa, como no teu tempo: foram encomendados 26 tachos de caldeirada, cada um para duas pessoas, e as reservas foram feitas com antecedência, logo no início das festas, que decorrem de 8 a 14 de outubro. Quem nos "chama a capítulo", agora é o João Vinagre, da Benedita.

A festa de Ribamar, a tua (e nossa) festa,  continua ser um dos grandes acontecimentos sociais do concelho da Lourinhã. Para nós, os teus amigos cá de baixo. porém, tem um significado ainda mais especial: é a continuação da nossa Tabanca de Porto Dinheiro / Lourinhã, de que tu foste  régulo, o homem que nos juntava e que fazia de cada encontro (apesar de anual) uma celebração da amizade. E a continuação de outras tabancas...

É por isso que voltamos. É por isso que nos sentamos à mesma mesa onde tu te sentaste.

Eduardo, já não estás fisicamente entre nós, mas há tradições que são mais fortes do que a ausência. À volta da mesa, entre a caldeirada, as conversas, as recordações, as gargalhadas, as cantorias... continuamos a dar-te notícias dos amigos cá de baixo.

E, daqui a um bocado, ao meio dia, quando nos começarmos a  juntar em Ribamar, vindos dos quatro cantos do Oeste, o teu sorriso, a tua generosidade e a tua amizade reviverão!

___________

Nota do editor LG:

Último poste da série 13 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28344: Convívios (1075): 66º Almoço-convívio, dia 24/9/2026, quinta feira, no Resturante Caravela de Ouro, Algés: há já 31 inscritos (Manuel Resende)

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28385: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XLI: Porto Gole, na margem direita do rio Geba (1)


Foto nº 1 e 1A > Vista aérea de Porto Gole, e da sua pista de aviação (!), à direita, com a bolanha ao fundo



Foto nº 2 e 2A > Porto Gole >  Quartel, pau da bandeira e monumento ao pessaol da CART 1611 (1066/68) (a que pertenceu o nosso camarada Abel Rei). O edifício ocupado pelas NT era a antuga casa do chefe de posto mais o celeiro local. Como aconteceu em muitas outras povoaçóes.  Com o início da guerra, e sobretudo a partir de 1963, a adminisytração civil ficou desarticulada...





Foto nº  3  e 3A > Quartel ao tempo da CART 2411 (Porto Gole, Bissá e Enxalé, 1968/70). Antiga casa do chefe de posto.


Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI)] 




Guiné-Bissau > Região do Oio > Porto Gole > s/d > E tudo o vento dfa História levou... Foto muito posterior à independència... As antigas instalações (casa do chefe de posto + celeiro, depois quartel das NT) em estado de completa ruina. A casa estava virada para o  rio (que se vê ao fundo). Imagem restaurada pela IA (ChatGPT / OpenAI), a partir de fotos de Patrício Ribeoiro (2019) e de Mário Beja Santos (s/d).



O antigo alferes graduado
capelão José Torres Neves

1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71). 

Hoje missionário da Concordata, reformado e nonagenário, José Torres Neves é natural de Penamacor,
a terra também do nosso atual Presidente da República, 
António José Seguro e de figuras históricas como o Sanches Ribeiro, o maior médico portuguès do séc. XVIII e uma das grandes referèncias do Iluminismo europeu.

O espólio fotográfico do José Torres Nerves tem estado à guarda do seu e  nosso amigo e camarada Ernestino Caniço (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/Dez 1971; hoje, médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje vive em Tomar).
 

Excerto de foto
 do Abel Rei (2002)

Com este publicamos o poste nº 41 (em numeração romana, XLI). Já devemos ter publicado perto de 3 centenas de imagens, obtidas a partir do álbum do nosso amigo e camarada, antigo capelão. 

Tratando-se de "slides" digitalizados, as fotos em geral têm boa qualidade e resolução, permitindo-nos fazer "recortes de detalhes", como é o caso da presentes fotos  (melhoradas com recurso à IA).

Graças à paixão do padre José Torres Neves pela fotografia e ao seu amor pela Guiné e a sua gente, temos no nosso blogue uma documentação de excecional valor sobre o sector O4 )Peste 4) (Mansoa) ao tempo do BCAÇ 2885 (1969/71).

Nas fotos nºs 2 e 3 vê-se o monumento aos bravos da CART 1661 (enão aos "mortos"), que aqui estiveram em 1967/68. (A IA não conseguiu reproduzir com fidelidade a inscrição no monumento; também não se pode exigir que... adivinhe, quando a resolução das fotos é baixa; compare-se  a leitura da IA com a inscrição ao lado:  "Para testemunho de fé e de trabalho  do povo balanta (?)"... Hilariante!..

Esta visita do capelão deve ter sido feita em julho / agosto de 1969, quando se faz na Guiné o plantio do arroz (a recolha é em novembro, dezembro, janeiro); em Porto Gole estava então a CART 2411 que foi rendida em 5 de março de 1970 pela CCAÇ 2587 / BCAÇ 2885.  Deve ter-se deslocado de avioneta, de Mansoa até Porto Gole (foto nº 1). Visitou Bissá, indo até lá de sintex (!)...O nosso capelão não era homem para "capinar sentado", como se diz no Brasil. Foi a todos os sítios onde havia gente que  precisava dos seus cuidados espirituais.



Excerto da foto original do
José Torres Neves (2026)
Em 07nov68, rendendo a CART 1661,  a  CART 2411 assumiu a responsabilidade do subsector de Porto Gole, com destacamentos em Bissá e Enxalé (este até à suapassagem para a zona de acção do BCaç 2852,sector L1, Bambadinca,  em 290ut69) e ficando integrada no dispositivo e manobra do BCAÇ 1912 e depois do BCAÇ 2885.

O João Crisóstomo (que pertenceu à CCAÇ 1439, 1965/67) vai ficar feliz ao rever o Porto Gole do seu tempo... E o Abel Rei também. (Temos mais fotos.)

Guiné 61/74 - P28384: Tabanca da Diáspora Lusófona (45): O regúlo que chega à terra dos seus antepassados Crisóstomos & Crispins para passar o outono /outubro connosco...



Foto nº 2


Foto nº 2

Guiné > Região do Óio > Porto Gole > CCAÇ 1439 (1965-67) > s/d > O alf mil João Crisóstomo  e o capitão de 2.ª linha Abna Na Onça. A foto nº 2, original, é a preto e branco, e faz parte do álbum João Crisóstomo, ex-alf mil at inf, CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67). Restauro, melhoria técnica e colorização digital: ChatGPT/OpenAI, 2026.   Na colorização procurou-se, tanto quanto possível, respeitar as características das fardas da época: João Cristóvão surge com a farda de trabalho n.º 3, de sarja, mais para o branco sujo. Abna Na Onça com farda camuflada verde.  A foto nº 1 é uma montagem também com recurso à IA (ChatGPT/OpenAI), a partir de uma foto do padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) (de um lote de fotos sobre Porto Gole, a publicar dentro de dias)  e da foto nº 2, original, do João Crisóstomo (2019).



Guiné > Carta de Fulacunda (1955) > Escala 1/50 mil > Pormenor: posição relativa de Porto Gole e Bissá, e de outras povoações na margem direita do rio Geba, algumas abandonadas com a guerra.

Segundo o nosso camarada Abel de Jesus Carreira Rei, autor do livro "Entre o Paraíso e o Inferno: De Fá a Bissá: Memórias da Guiné, 1967/1968" (Prefácio do ten gen Júlio Faria de Oliveira, edição de autor, 2002, 171 pp. Execução gráfica: Tipografia Lousanense, Lousã), a ocupação de Bissá pelas NT remontava a 7 de abril de 1967. 

Passaria a ser um destacamento, guarnecido por um pelotão (-) da CART 1661 e uma companhia (-) da Polícia Administrativa de Porto Gole, comandandada pelo valente capitão de 2ª linha, e régulo balanta, Abna Na Onça.  

Uma semana depois, na noite de 14 para 15 de abril de 1967, um ataque do PAIGC a Bissá, de duas horas,  faria sete mortos e cinco feridos. Entre os mortos, contou-se o Abna Na Onça.  Na sequência deste desastre, o destacamento foi (temporariamente) abandonado e depois reocupado pelas NT.

Infografia; Blogue Luís Graça & Canmaradas da Guiné (2019) 

 1. É uma pequena homenagem ao nosso amigo e camarada, luso-americano, João Crisóstomo, que acabou de chegar este fim de semana de Nova Iorque, terra onde vive há meio século: como muitos outros  camaradas nossos, depois da "peluda" (em 1967), correu mundo à procura de melhores condições de vida. Acabou por ir parar à Terra do Tio Sam, onde nasceram os seus dois filhos. Em 2013 casou, em segundas núpcias, com  s nossa amiga,  a esloveno-americana Vilma Kracun, que também se senta à sombra do nosso poilão.

O João é uma figura conhecida de (e estimada por)  todos nós. Vem regularmente a Portugal. É o régulo, "por decreto", da Tabanca da Diáspora Lusófona.

Recentemente, mandou-me um mail a que, indecentemente, ainda não respondi. Estive fora do "escritório", mais de 3 semanas (no Norte, nas vindimas).

Resumo do mail: (i) o João propõe almoço de aniversário do Manuel Resende a 10 de outubro, sábado, no restaurante Caravela de Ouro; e (ii) solicita envio de cartas físicas ao Primeiro-Ministro de Portugal protestando contra o projeto de exploração mineira em Peniche.

Ele não conseguiu chegar a tempo de participar, como tencionava, no último almoço-convívio da Tabanca da Linha no passado dia 24 de setembro. Quer, entretanto, tirar o máximo partido da sua estadia em Portugal. Tem já uma agenda cheia. Vamos a ver como conseguiremos compaginá-la com a nossa e a de outros camaradas e amigos.

Data - 06/09/2026, 09:23

Assuntos - Dois assuntos : um deles , um "SOS"! Paremos a "mina de desgraças" em Portugal!


(...) "Quando já tinha comprado os bilhetes de viagem e tudo o mais, recebi instruções para estar livre durante a semana da Assembleia Geral das Nações Unidas para poder encontrar-me com um dos participantes que quer falar comigo.´

Só poderei ir nos últimos dias de setembro, e vou estar aí o mês de outubro. Mas não quero deixar de fazer coisas importantes como o de me encontrar com os familiares e amigos que estiverem ao meu alcance durante o mês de outubro.

Como o Manuel Resende, régulo da Tabanca da Linha, faz anos no dia 10 de outubro, um sábado, eu gostava de o ver nesse dia e pergunto-me se seria possível convidar quem  estiver disponível... Podíamo-nos encontrar então nesse dia para almoçar no mesmo restaurante, o Caravela de Ouro, onde ele organiza os convívios da Tabanca da Linha. Para simplificar cada um pede o que quiser do menu normal da casa e cada um paga por si… Que achas ? Diz algo sim? (...)"


Por outro lado, o João  não deixou, em Queens, Nova Iorque, as suas "armas de ativista social"... Onde há um "boa causa", direta ou indiretamente relacionada com a sua terra natal, e a terra dos seus antepassados Crisóstomos &  Cripins, que até Torres Vedras, Oeste, Estremadura, Portugal, ele aí está, inquieto e pronto para inquietar-nos e mobilizar-nos para a ação.

(...) "Segundo: muito importante, sobre essa malfadada mina de desgraças que estão a pensar explorar em Portugal. E logo pertinho de nós, no Oeste … Essa... Não!
´
Aqui vai o que estou a fazer e a enviar a todos a quem posso chegar. Neste caso os meus camaradas da Guiné, na esperança de que cada Tabanca participe, e cada régulo envie uma carta (real de papel, com selo, pelo correio normal), e   cada carta com várias assinaturas, ao nosso Primeiro Ministro (...)

Segue, no mail,  a minuta, que depois divulgaremos, por mail, se for caso disso: temos de fazer o ponto da situação e concertar estratégias, além de discutir se essa petição pública tem cabimento no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, tendo em conta as nossas regras editoriais.

Para já saúdo, em meu nome pessoal e da Alice,  bem como de toda a Tabanca Grande, a chegada do João e da Vilma, que entretanto espero  poder abraçar e com eles "partir mantenhas"  dentro de  dias na Lourinhã, que é uma extensão da sua terra natal.

 Welcome to Portugal, John and Vilma!

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)
_____________________

Nota do editor LG:

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28330: III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XIV: semana de 5 a 11 de maio


Prompt e orientaçáo editorial: Luís Graça
Texto: "Luta de galos, euforia masculina e sofrimento dos animais", 
por Nicodemos do Espírito Santo (Diligente, 13 de outubro de 2023)
Ilustração em estilo banda desenhada
gerada por IA (Gemini / Google) (2026)









Gente linda da ASTIL:

 Da esquerda para a direita:

Rui Chamusco, 
João Crisóstomo 
e Eustáquio (irmão do Gaspar Sobral, e em cuja casa, em Ailok Laran, nos arredores de Díli, o Rui costuma ficar alojado nas suas estadias em Timor-Leste). 


1. Prosseguimos a publicação das crónicas de 2019 (III Viagem a Timor-Leste) do nosso amigo (e membro da Tabanca Grande), Rui Chamusco, professor de música reformado, natural da Malcata, Sabugal, a viver na Lourinhã.

Vai a Timor Leste todos os anos desde 2016 (exceto na pandemia, 2020, 21 e 22). Ele é um exemplo vivo do que é a solidariedade e o amor à lusofonia. Ele e a associação que ajudou a fundar (a ASTIL).

Essa história de dedicação às crianças das montanhas de Liquiçá (onde está funcionar, em Manatti / Boebau, a Escola de São Francisco de Assis) merece ser conhecido pelos nossos leitores, os amigos e camaradas da Guiné. Bem como outros aspetos da geografia, história e cultura de Timor-Leste, membro da CPLP, que as crónicas do Rui também ajudam a conhecer melhor.

E, a propósito, é bom recordar a efeméride de 11 de setembro de 1945, data em que o Japão se rendeu formalmente, em Timor-Leste, aos Aliados, depois de uma dolorosa ocupação do território desde a madrugada de 19 de fevereiro de 1942 (que terá custado muitas dezenas de milhares de vidas, de timorenses, mas também de portugueses, australianos, holandeses e outros: a estimativa aponta para 40 mil a 70 mil, vítimas diretas e indiretas da guerra, ou seja 10% a 15% da população que lá vivia, estimada em 450 mil no início da década de 1940. Enfim, foi um dos capítulos mais trágicos e esquecidos na na guerra do Pacífico.

Mas mais brutal ainda foi a invasão e a ocupação do território, em 1975-1992, pelos indonésios. Numa população que em 1975 rondava os 650 mil a 680 mil habitantes, a perda de mais de 100 mil a 150 mil vidas entre 1975 e 1992 representou, uma vez mais na história de Timor-Leste, a perda de cerca de 20% da sua população em menos de duas décadas.



III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XIV: semana de 5 a 11  de maio (*)


06.05.2019, segunda feira- “ O gato e o rato ...”


É uma história sobejamente conhecida de todos nós: o gato que persegue o rato...e o rato que se esconde do gato. Um jogo da vida com aplicação em muitas situações reais.

O Amali e a Adobe são os dois irmãos mais novos do casal Aurora e Eustáquio (irmão do Gaspar Sobral, dirigente e cofundador da ASTIL, juntamente com o Rui Chamusco).

Várias vezes ao dia ouvimos os “berros” de um para o outro, as provocações, as corridas de um atrás do outro, o agarra, bate e foge, os choros da Adobe, os risos e as gargalhadas - uma panóplia de gestos e atitudes mais próprias do “ jogo do gato e dorato.” E não venham os “katuas” (os mais velhos)  repreender ou afligir-se com a situação, porque isto é “o pão nosso de cada dia”. Eu até ouso dizer que, dia em que isto não aconteça, algo vai mal cá na casa.

No entanto, a relação de irmãos, incluindo a Eza e o Zinon, é invejável. Faz lembraras famílias mais antigas em que cada irmão mais velho tinha o cuidado dos irmãos mais novos. A fratria está bem guardada. É impossível quebrar esta relação, esta união, este amor em família.

E nós a pensar em tantas crianças que, sendo filhos únicos, estão privados deste amor familiar: os manos. Por mais que nos justifiquemos, nunca saberemos dar o verdadeiro valor a este dom da vida partilhada entre irmãos. Pena é que depois, por imperativo da vida de cada um, a gente se separe. Muitas vezes até separações definitivas, por dá cá aquela palha, por questões de herança, ou por outras coisas inexplicáveis.

Por mim, quero continuar a ouvir esta algazarra, a presenciar este jogo, a ser testemunha desta verdadeira amizade. Adobe e Amali, continuai a brincar como bem sabeis fazer...


07.05.2019, terça feira  - “ As aparências ...iludem. “


Tantas vezes pensamos que a rama viçosa que cobre a sementeira é sinal de abundante colheita, e enganamo-nos. Quando abrimos o rêgo das batatas dsecobrimos que, afinal,nos enganamos. E poucas apanhamos. A ilusão seguida do seu contrário. Tantas vezes pensamos em projetos mirabolantes, capazes de revolucionarem o mundo, e nunca chegamos a vê-los realizados. Tantas vezes construímos “castelos no ar”,  e nunca essas construções foram habitáculos de reis, raínhas ou vassalos.

Vem tudo isto a propósito do que vemos e ouvimos neste recanto do mundo. É frequente encontrarmos crianças e jovens de telemóvel ne mão, servindo-se dele para diversos fins: telefonar, ouvir música, mandar mensagens, etc, como em qualquer parte do mundo. Uma interrogação ressalta logo à nossa mente: então esta gente que dizem ter tantas carências, sobretudo económicas, ostenta e utiliza estes objetos sofisticados tão caros? Donde lhes vem este poder de compra?

Pois é!... Felizmente que também os pobres têm acesso a alguns benefícios dos ricos. Enquanto que os ricos dispendem quatrocentos, quinhentos ou mais euros por um telemóvel, outros mais não gastam que dez a vinte dólares por um aparelho com as mesmas funções. Aqui pouco importa a marca, nem se é de primeira ou segunda mão.

O que interessa é que funcione bem. Graças a acordos bilaterais entre os governos da Coreia do Sul e de Timor-Leste, e porque a maioria destes utilizadores até nem são esquisitos, podem assim usufruir destes bens, destes meios de comunicação.

 A perícia com que eles manejam estes objetos é notável. Fazem inveja a quem, como eu, tem dificuldades em “mexer” em tais artificios, por falta de competência ou por pouca destreza.

Esta gente sabe muito. Nem sempre o “doutor” bem vestido e de pasta na mão sabe mais que um destes jovens ou crianças. Até porque porque parece que os meninos e asmeninas de de hoje já nascem ensinados.

09.05.2019, quinta feira  - Conversa de gagos


Mateus e Alula (Félix) são dois irmãos, os dois gagos, filhos do Álvaro Sobral. Por sinal, os dois são meus conhecidos - são sobrinhos do Gaspar e do Eustáquio - e, de vez em quando, veem visitar-nos a Ailok Laran.

Ontem o Eustáquio fez-nos rir à gargalhada, ao contar o que se passou entre os manos.

O “motor” de família teve um furo no pneu, e entre eles decidiram repará-lo. Já no processo de enchimento, enquanto um segurava a roda o outro dava à bomba. Foi quando o Alula sentiu que estava no ponto, e disse para o Mateus: “Pára!” Só que demorou tanto tempo a dizer “ra” que o mano continuou a dar à bomba até que o pneu rebentou. 

Isto contado por eles até tem mais graça. E fica mais ou menos assim: “pá pá pá pá pá pá pá... e PUM!...” Ou seja, em menos palavras que nós relatam o que aconteceu.

Este episódio faz-me questionar mais uma vez sobre a importância da linguagem não-verbal, ou pelo menos na economia das palavras. Para nós é caricato, faz-nos rir o que só nos faz bem, mas quem é privado ou tem deficiência em articular as palavras lá tem outros meios para se fazer entender. Mais pneu ou menos pneu pouco importa. O mais importante é fazer-se entender, comunicar, seja de que forma for.

Como todos nós sabemos, há uma excelente forma de não gaguejar: falar a cantar. Portanto, se for este o seu caso, cante. Cante porque, quem canta “seu mal espanta”...


09.05.2019 - Língua portuguesa e... religião


Há quem diga que Timor-Leste deve a sua independência à língua portuguesa e à religião. 

Dezasseis anos já passados, e damo-nos conta, aqui no terreno, que a religião (sobretudo a religião católica) continua a exercer a sua influência na mentalidade e modo de ser deste povo. 

O mesmo não direi da língua portuguesa pois, apesar de todos os esforços que se têm feito, não se vêm grandes resultados práticos. O tetum e o bahasa continuam de longe a dominar a língua falada desta gente. E ainda que a maioria dos timorenses manifestem a sua afeição pelo povo e pela língua portuguesa, a verdade é que têm grandes dificuldades em aprender e em falar o nosso idioma.

Dizem que a gramática é muito complicada. É mais fácil aprenderem as línguas mais simples, e que utilizam a mesma palavra e os símbolos para várias situações.

Mas vem isto a propósito de quê? É que, durante este mês de Maio, quase todas as noites ouço cantorias pela noite fora.

Quis saber o que se passava, e alguém me explicou: “ um grupo de pessoas foram pedir autorização ao pároco para irem de casa em casa, à noite, a fim de rezarem o terço.” 

Ora já sabemos que aqui em Timor, e particularmente na região de Dili, qualquer motivo serve para fazer festa pela noite fora, que envolve rezar, cantar, comer e beber, e até jogar as cartas. Do nascer ao morrer, vários são os momentos festivos. Parece-me que só o ato de nascer não é festejado tão abundantemente.

Então estão justificadas todas estas interrupções do sono noturno que ao longo da noite vão acontecendo. Às vezes até sabe bem acordar ao som de alegres melodias, normalmente muito bem cantadas porque esta gente tem uma queda natural para a música.

 É muito mais agradável ouvir cantar assim, do que acordar sarapantado pela algazarra dos grupos que, a partir das quatro horas da manhã locais, gritam desalmados quando o seu clube predileto marca golos ou constrói jogadas de perigo.

Estas cantorias noturnas fazem-me lembrar as serenatas ao som do acordeão que, enquanto menino, se faziam ouvir durante a madrugada pelos balcões e ruas da minha aldeia, Malcata. 

Por isso, se a língua portuguesa ou a religião puderem ajudar uma aldeia ou uma nação a crescer e a sermos nós próprios tornando-nos independentes por que não? Quem sabe se assim não seremos mais felizes!...

10.05.2019, sexta feira  - ”Ay flores del...” Aituri!...


Aituri é uma planta que aqui encontramos, a dois ou três metros do aposento onde estou instalado, e que se afirma entre o árvoredo pelas suas flores cor de púrpura com recetáculos e estames esbranquiçados. São de uma beleza invulgar.

A flor de Aituri é comestível em salada, a sós ou acompanhada de temperos. Sabebem ao paladar e à vista, e já não será a primeira vez que aqui a comemos.

Hoje de manhã prontifiquei-me para a apanha destas flores que, juntamente com a Adobe, recolhemos e desfolhamos, pois só as pétalas são comestíveis. A Eza e a mãe Aurora é que as vão preparar para logo ao jantar. Hum!...!...

Este aproveitamento faz-me pensar na mãe natureza, que tudo nos dá e governa. E, já que estamos em Timor Leste, quero recordar que a sobrevivência dos guerrilheiros (Xanana, Matan Ruah e companheiros) na guerra que durante anos travaram contra os invasores indonésios se deveu em grande parte ao conhecimento e utilização dos recursos naturais que a montanha lhes oferecia: raízes, flores e frutos.

Há tempos encontrei e publiquei no facebook uma notícia sobre “43 plantas que podemos utilizar na nossa alimentação.” Claro que haverá muitas mais. Importa por isso conhecê-las bem e, se for o caso, tirar proveito da sua utilização na nossa alimentação, sem ofender ou prejudicar o meio ambiente e agradecendo sempre à mãe natureza.

E já agora, em atalho de foice, congratular-me com o evento que a AMCF (Associação Malcata Com Futuro) irá organizar pela segunda vez em Malcata, no próximo dia 18 sobre “ Flores Comestíveis”.

Saibamos ser gratos à natureza que tanto nos dá.


11.05.2019, sábado  - As mulheres não se medem aos palmos


Pois então!.. A Umbelina. uma moça da montanha, franzina e de baixa estatura, mostrou esta tarde quanto vale. Qual Maria da Fonte, resgatou um senhor galo numabrir e fechar de olhos,

Então foi assim. A meio da tarde ouviu-se um grande burburinho aqui em casa. O Amali e a irmã Eza corriam desalmados pelo caminho que nos leva à mikrolete, ao mesmo tempo que chamavam por alguém. Eu, que estava no quarto e me dei conta do alvoroço, acudi também na intenção de saber o que se passava e de ajudar. 

Foi então que vimos a Umbelina a chegar, toda ofegante, com um lindo galo ao colo, e nos contou o que se tinha passado. Ela regressava da universidade, em mickrolete, e quando desceu avistou um rapaz que triunfante transportava o lindo bicho, roubado há instantes aqui na casa, ninguém sabe como, pois o galo estava preso e havia aqui bastantes pessoas. 

Diz a Umbelina que mal o viu reconheceu logo que era o galo do Painino (Eustáquio). O que disse ao ladrão pouco sabemos. Contou-nos sim o que fez: “dei-lhe um par de chapadas e tirei-lhe o animal.” Toma lá que já as levaste!..

Todos ficamos estupefatos pela coragem da rapariga. Em jeito de graça até diziamos: “a Umbe merece um prémio, pois salvou um atleta...” É que este galo está destinado para a luta de galos, que aqui também se pratica. Até já tem comprador. (**)

E quanto aos perseguidores do larápio,  o que dizer? Não lhe puseram a vista em cima, mas diz o Amali que, pelas características que lho descreveram, sabe quem ele é. Que se cuide!...

(Revisão / fixação de texto, negritos: LG)

_________________

Notas do editor LG:

(*) Ultimo pposte da série > 31 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28308: III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XIII: semana de 28 de abril a 1 de maio

(**) Vd. artigo de Nicodemos do Espírito Santo > Luta de galos, euforia masculina e sofrimento dos animais > Diligente, 13 de Outubro, 2023

Sinopse: Historicamente associada à resolução pacífica de conflitos, a rituais comunitários e à troca de informações durante a resistência, a luta de galos (Manu Futu) em Timor-Leste converteu-se, após a independência, num motor de entretenimento e apostas informais predominantemente masculino. O artigo analisa a transição desta tradição sociocultural para um negócio rentável, sublinhando o impacto da hegemonia patriarcal que afasta as mulheres e a crueldade imposta aos animais perante a ausência de proteção jurídica no país.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28296: Tabanca da Diáspora Lusófona (44): A minha ida para o Canadá, em fevereiro de 1974 (João Bonifácio, ex-fur mil SAM, CCAÇ 2402, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)









Capa da brochura "Memórias da CCAÇ 2402 (Guiné 1968/1970), Volume II", mimeog", 2008, páginas inumeradas,il. (Coordenação: Raul Albino, 1944-2020).


Ele foi um dos colaboradores deste II Volume, juntmente com o ex-cap inf Vargas Cardoso, também já falecido em 2023,  e de outros camaradas como o Carlos Sacramemto, Carlos Santiago, Carlos Costa, Joaquim Ramalho, Maurício Esparteiro, António Maria Veríssimo, António Fangueiro da Silva, e o próprio Raul Albino. O João Bonifácio é membro da nossa Tabanca Grande desde 1 de dezembro de 2006.

Em homenagem ao Raul Albino, ex-alf mil da CCAL 2402, que nos deixou em plena pandemia  (, aliás foi o próprio João Bonifácio que nos deu a triste notícia),  reproduzimos no poste P21652 dois aponatmentos sobre o Natal de 1968 e de 1969, da autoria do João, incluidos naquela brochura.

As fotos de cima (e as legendas) são do João G. Bonifácio, ex-fur mil SAM, da CCAÇ 2402 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70), a viver no Canadá (Oshawa, Ontario).

Fotos (e legendas): © João Bonifácio (2008. Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]






A história da minha ida para o Canadá, em 1974

por João Bonifácio

Vamos ver como vou ser justo, porque tanto o Luís como o João Crisóstomo querem saber como é que eu vim parar ao Canadá. 

As histórias são quase todas semelhantes. Nem tudo correu bem, e eu nem queria acredita ter servido o exército por 37 meses ( 21 meses e quatro dias npo CTIG). Na verdade eu até nem precisava de emigrar, estando bem empregado. 

Creio que o descontentamento de tudo o que se estava a desenrolar em Portugal, fez com que eu assim decidisse ir para o Canadá. Sair de Portugal foi na verdade o mesmo que deixar tudo e todos a chorar de saudade, mesmo antes de embarcar. Em 15 de fevereiro viajei na TAP para Toronto.

A Montreal chegamos atrasados e por isso estivemos à espera de um avião da Air Canada. À chegada a Toronto, e já numa hora tardia, tínhamos à espera uma tempestadade de neve, frio e uns amigos que nos foram esperar ao aeroporto. 

No dia 16 de fevereiro eu fazia anos. Quando acordei e espreitei pela janela, tudo era um manto branco de neve e as ruas completamente vazias. Também aqui não foi fácil, pois entrámos no Canada no meio de uma depressão económica. Fui ultrapassando estas pequenas/grandes tormentas e fui trabalhar para uma fábrica de sofás, onde não estive muito tempo..

Mudei para o Hospital de Oshawa onde estive 26 meses. Aqui melhorei o inglês e até me ajudou a adaptar ao convívio com pessoas de várias etnias.

No hospital aprendi muito. Do hospital mudei para a Chrysler, na indústria automóvel, onde tínhamos um vencimento bastante bom e com todos os benefícios inerentes, negociados pelo sindicato. Com trabalho extra até arrecadava um cheque semanal muito positivo. 

A minha vida mudava todos os dias. Durante este período fiz escritas de pequenas empresas, trabalhei em duas agências de viagens e um dia até fiz radio em Toronto, a 50 kms da minha morada. A rádio foi a cereja no topo do bolo. Fiz anúncios, notícias e conheci artistas de Portugal e do Brasil.

A idade não perdoa e a certa altura eu comecei a fazer menos. Mudei para a GM Canada onde desempenhei varias tarefas desde a montagem, à inspeção e preparação de documentos para exportação. Cheguei ao fim com 30 anos de serviço e fiz a maior asneira possivel. Vendi tudo e fui embora para a terra do sol.

Portugal já não era o mesmo, e ao fim de um ano e pouco embrulhei tudo e regressei ao Canadã. Todos os meus planos e desejos cairam por terra. Isto aconteceu em marco de 2011 e agora tudo mudou. 

Consegui uma reforma muito confortável e com um pacote de benefícios invejável. Praticamente nada pago na saúde. Contudo o custo de vidaé levado, mas vamos gerindo tudo com calma. É uma vida diferente, e notamos que não ha imigração como na Europa. 

Agora temos os filhos de portugueses que cresceram e constituíram familia.  Tive a honra de formar o Clube Portugues de Oshawa em fevereiro de 1978, com a ajuda de uns amigos, é lá que ainda passamos horas de convívio,

Hoje posso dizer que estou integrado e,  como estudei em Beja, estou bem com o inglês e o francês, para além do meu português que me tem ajudado a fazer traduções e que me faz muito orgulhoso. 

Como gosto de ajudar, estou bem em lidar com o departamento de desemprego, de impostos e finançaas, serviços de saúde e sociais, onde a ajuda aos menos afortunados é muito apreciada. 

Esta é a história da minha vinda para o Canadá. Para os que ainda sonham emigrar, apenas sugiro que deixem o tempo ajudar a adaptação. Com o tempo tudo fica bem. O Canada não é Portugal. Cada um com as sus próprias valências e motivações de futuro risonho. 

Portugal é apenas o resultado da falta de cuidado. Incêndios, desmoronamentos, acidentes e crime sem razãoo, e muitas dificuldades de todo o género. Estou à espera de melhorar um pouco para poder ir até Lisboa. 

Obrigado a todos os que lerem este testamento e também que respondam ao que não gostarem. Ao Luís e João por favor bebam um cafe a meio deste desabafo. Fiquem bem e até breve.

João Bonifácio
ex-fur mil do SAM
CC2402 / BCAÇ 2851
(Có, Mansabá, Olossato, 1968/70)

Oshawa, Ontario, Canada (***)

(Fica a c. 60 km, a nordeste de Toronto, capital da província de Ontario)
___________________

Notas do editor LG:

(*) Vd- pposte de 26 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28295: Tabanca da Diáspora Lusófona (43): From John (Crisostomo), USA, to John (Bonifacio), Canada


(***) Vd. poste de 1 de dezembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1331: Blogoterapia (9): Quando a Pátria não é Mátria para ti (João Bonifácio, Canadá, ex-fur mil vagomestre, CCAÇ 2402 / BCAÇ 2851, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)

(...) O ex-alf mil Raul Albino fez o favor de me enviar este site, e eu, quando posso, procuro rever toda a Guiné, através das exposições de todos os nossos ex- camaradas, a todos os níveis.

Depois de finda a minha comissão, como Furriel Miliciano do SAM (vulgo,vagomestre), e após um pequeno período de descanso e adaptação, regressei a Lisboa com a minha esposa e filho, onde reatámos as nossas vidas.

Não foi longa a minha estadia em Portugal, uma vez que a desilusão que sofri ao regressar... Assim, ao ver que o futuro seria complicado para os filhos, decidi pedir autorização para sair de Portugal, com destino ao Canadá.

Se na altura eu me sentia ofendido com o meu próprio país, bem pode imaginar quando na Amadora me pediram 1500 escudos em selos, para selar a minha desvinculação a Portugal. 

Saí de Portugal a 15 de fevereiro de 1974, mas já sabia que alguma coisa se iria em breve passar. Mas era tarde, eu havia decidido que, depois de 37 meses no exército e 21 meses e 4 dias na Guiné, devia merecer mais um pouco de compreensão. (...)

(...) Comentário de L.G.:

Meu caro João /My dear John:

(...) Fico muito sensibilizado com a tua mensagem… Eu sei que a Pátria não foi Mátria para ti, foi madrasta... E eu sou o primeiro a ser solidário contigo, eu que decidi ficar na terra que me viu nascer... Sei que isso não te vai servir de consolo, mas não imaginas o rol de reclamações que recebo neste pequeno canto da blogosfera!... 

Enfim, o importante é que hoje estejas bem, nesse grande país que eu admiro… Mas as tuas raízes, a tua identidade, o teu passado estão aqui, estão connosco… Nenhum de nós terá futuro, se não souber preservar e até alimentar o passado. A Guiné marcou-nos a todos, com o seu ferrete... Mas foi em português, na língua de Camões, que exprimimos os sentimentos mais nobres ou dissémos os palavrões mais horríveis. 

João: não adianta. Não se escolhe a Pátria, não se escolhem os pais nem os irmãos, não se escolhe a língua materna... Mas dessa ao menos eu tenho (e tu tens, nós temos) orgulho... É em português, e em bom português, que comunicamos na blogosfera, neste blogue, na nossa tertúlia, nesta caserna virtual onde todos cabemos, de Lisboa a Bissau, de Viana do Castelo a Toronto, de Coimbra a Luanda.  (...) 

Guiné 61/74 - P28295: Tabanca da Diáspora Lusófona (43): From John (Crisostomo), Queens, New York, USA, to John (Bonifacio), Oshawa, Ontario, Canada




Bandeiras de Portugal, Canadá e EUA
 
Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)

João Crisóstomo.
Cartoon: Gemini IA / Google + LG

1. Mensagem que o João Crisóstomo, régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona, mandou a partir da sua casa em Queens, Nova Iorque, para o João Bonifácio, que vive em Oshawa, 60 km a nordeste de Toronto, Onta5rio, Canadá, e  que foi fur mil SAM,  CCAÇ 2402/BCAÇ 2851 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70) (*):


Sent: Monday, August 24, 2026 5:46 AM
To: John Bonifacio 
Subject: Hello de Nova Iorque

Caro Bonifácio,

Oxalá recebas este. Manda-me o teu número de telefone para podermos cavaquear um pouco, Ok? Se quiseres, o meu telefone é o (...),

Um grande abraço dum velhote ( eu sou de 1965-67) e já fiz os meus 82… E, como tu, acarretando as maleitas de que falas…

João, Nova Iorque
John Crisostomo

2. O João Bonifácio (de quem, espantosamente, ainda não temos nenhuma foto atual no blogue...) respondeu nestes termos (conforme cópia que o João Crisóstomo  nos facultou):
 

 On Aug 24, 2026, at 11:30 PM, John Bonifacio wrote:

Olá, John,

Acuso recebido o teu e-mail, que agradeço e me admiro do teu interesse em comunicar comigo. Lembro-me dos e-mails anteriores e nunca percebi como chegaste à minha morada, e do mesmo modo, como tens passado a tua vida, e com os contatos que ganhaste ao longo da vida.

Os meus 81 anos e as dores nas pernas como resultado do Covid19, tiram-me um pouco da liberdade que sempre tive de explorar outros terrenos. Sou uma pessoa pacata que um dia resolveu escrever as suas histórias na Guiné-Bissau. Não sei se foi por aí que tudo iniciou, mas na verdade, apenas tenho uma vaga ideia do teu passado, dos trabalhos, como vieste para os USA. Aliás o teu currículo ~´e muito rico e variado, e por isso eu,  não sabendo dos detalhes, achei que não seria correto trocar ideias por este meio.

Estou no Canadá desde fevereiro de 1974, mas não sei porque aqui vim parar. Talvez porque sabia de tudo do nosso 25 de Abril e,  mesmo não sendo politico, tive o meu primeiro trabalho em Lisboa como escriturário do Dr Arlindo Vicente, que com o gen Humberto Delgado formaram as candidaturas para Presidente da Republica , em 1958.

Nessa altura estudava eu em Castelo Branco.

A partir desta altura, foi um desenrolar de emoções, que vou deixar para outra vez. Hoje foi um dia complicado e perdoa por ter de parar por aqui. Voltarei em breve.

Um abraço e Obrigado.
João


3. Resposta do João Crisóstomo ao João Bonifácio (e que partilhou connosco, recebida por nós na terça, 25/08/2026, 13:15):

Bom dia, Bonifácio,

"Me admiro do teu interesse em comunicar comigo": comungar a nossa vida com outros parece-me ser a coisa mais natural deste mundo. Faz parte do nosso ADN. Creio que qualquer pessoa que se encontrasse numa ilha sozinho, numa situação de completo isolamento, a coisa que mais desejaria seria não só o de encontrar alguém, como de poder partilhar —dar e receber —a sua vida com outros. 

Portanto não te admires do meu interesse de comunicar. Ao fazê-lo estou dar seguimento a um instinto natural, de alguma maneira na esperança de um "viver mútuo”. Creio por exemplo que se alguém descobrir que outra pessoa precisa de alguma coisa (maneira de curar uma doença,satisfazer uma deficiência, "dar de beber a quem tem sede e de comer a quem tem fome”, e coisas assim), a primeira coisa que quer fazer é satisfazer essa deficiência, de poder talvez ajudar outros com a sua vida e ao mesmo tempo beneficiar da vida de outros. 

É isso que todos nós fazemos todos os dias conscientemente ou não. Relatar e escrever as nossas vidas e ler as experiências e vidas de outros …E por isso este nosso blogue veio preencher uma lacuna, agora bem mais pequena, quebrado que foi o isolamento em que muitos de nós, camaradas que fomos na Guiné, nos encontrávamos.

Espero com muito interesse a tua  história acerca da tua vivência no Canadá, onde chegaste  em fevereiro de 1974.
 
Depois do que escrevi , curioso, fui investigar no nosso blogue a tua participação. E vim a encontrar o muito que escreveste em 2007 e anos seguintes,  ainda eu nem sabia da existência deste blogue. "Shame on me"! (Que vergonha!),  como se costuma dizer, pois, se sou desculpado por não ter lido o que escreveste nessa altura, não tenho desculpas de não ter lido vários outros “posts” teus, inclusive sobre a tua experiência de teres regressado a Portugal e, desiludido, teres voltado de novo para o Canadá.

Mas agora não vou deixar de ler tudo isso. Tanto mais que eu, mais que uma vez, também cheguei a pensar voltar; mas por uma razão ou outra (várias, aliás) acabei sempre por decidir ficar por cá.

Bom! aqui fica mais uma vez o meu número de telefone (....).

Se me quiseres dar o teu número eu ligo-te e podemos falar pelo telefone, que é ainda a melhor maneira de cavaquear, possibilitando trocas instantâneas de informações nem sempre possíveis de outra maneira.

Um abraço amigo,
João


4. Publicaremos, em poste a seguir, a mensagem que o João Bonifácio escreveu com um resumo da sua história de vida. 

Recorde-se que o João Bonifácio foi, "de facto et de jiure", membro da nossa Tabanca Grande em 1/12/2006. Portanto é um dos nossos veteraníssimos (**). Embora, excecionalmente, não tenhamos nenhuma foto dele, atual, no blogue. Passa a ser também membro da Tabanca da Diáspora Lusófona (***)

_____________

Notas do editor LG:


(**) Vd. poste de 1 de dezembro de 2006 > Guiné 63/74 - P1331: Blogoterapia (9): Quando a Pátria não é Mátria para ti (João Bonifácio, Canadá, ex-fur mil vagomestre, CCAÇ 2402 / BCAÇ 2851, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28243: O nosso blogue em números (115): 22 anos de existência, 22 milhões de páginas visualizadas


Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, criado em 23 de abril de 2004: como em qualquer projeto coletivo, houve sempre quem assumisse maiores responsabilidades editoriais e assegurasse a continuidade quotidiana do blogue. A esses camaradas é devida uma palavra especial de apreço e reconhecimento. Na impossibilidade de meter toda a gente numa "foto de família", lembramos aqui aqueles que figuram na badana (coluna) do lado esquerdo do blogue: editores (Luís Graça, Carlos Vinhal, Magalhães Ribeiro, Jorge Araújo, Virgínio Briote) e colaboradores permanentes (Beja Santos, Cherno Baldé, Hélder Sousa, Humberto Reis, João Crisóstomo, José Martins, José Teixeira,Luís Dias, Patrício Ribeiro, Pinto Carvalho).  É justo recordar outros camaradas que deram a cara, no passado, como coladoradores permanentes, três dos quais infelizmente já se despediram da Terra da Alegr
ia: Joaquim Mexia Alves, Jorge Cabral (1944-2021), José Manuel Matos Dinis (1948-2021), Miguel Pessoa, Torcato Mendonça (1944-2021).

Joaquim Mexias Alves e Miguel Pessoa dinamizam hoje a Tabanca do Centro. Além desta, outras tabancas e tertúlias apareceram, sob o "poilão" da Tabanca Grande: cite-se a Tabanca de Matosinhos, a Tabanca da Linha, a Tabanca dos Melros, a Tabanka da Maia (Malheiro), a Tabanca do Algarve, o Bando Café Progresso. Outras foram mais efeméras ou já se extinguiram por morte do "régulo" (Tabanca de São Martinho do Porto, Tabanca de Porto Dinheiro, Tabanca de Guilomilo)... Outras são ou foram tabancas de um "homem só" (Tabanca dos Emiratos, Tabanca da Lapónia)... Ou são-no "quando o régulo quiser": Tabanca de Candoz, Tabanca do Atira-te ao Mar, Tabanca da Ponta de Sagres - Martinhal, Tabanca da Senhora da Graça... Outras são apenas "virtuais": por ex., Tabanca da Diáspora Lusófona...

Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


1.  22 milhões de páginas visualizada em 22 anos de existência: um marco de todos nós!

Em plena canícula, no início deste querido mês de agosto, o  blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné acaba de ultrapassar a marca dos 22 milhões de páginas visualizadas. Um milhão por ano  em média.

É um número simbólico, que coincide com outro: em abril passado celebrámos 22 anos de existência.  O que na Web é uma provecta idade!

O início, em 2004, foi modesto; nesse primeiro ano publicámos apenas quatro postes. Ninguém imaginaria então que este projeto (coletivo) chegaria tão longe e a tanta gente.

Ao longo destes anos publicámos quase 28 250 postes, o que corresponde a uma média próxima das quatro publicações por dia.

 Mantivemos sempre um compromisso singelo:  que não houvesse um único dia sem um novo poste. 

Esse compromisso só foi possível graças à dedicação dos editores, dos autores e dos muitos camaradas que, ao longo do tempo, aceitaram partilhar as suas memórias, fotografias, documentos, reflexões e afetos.

Hoje contamos com cerca de 880 seguidores e 917 membros registados na Tabanca Grande. O tempo, porém, não perdoa: cerca de um em cada cinco dos nossos camaradas já partiu. Continuam, no entanto, presentes nestas páginas, porque também elas são um lugar de memória.

Outro número fala por si: cerca  de 112 mil comentários, uma média de aproximada de quatro por cada poste publicado. 

É sinal de que este nunca foi apenas um repositório de textos e imagens, mas um espaço de conversa, de partilha, de reencontros, de debate sereno e de construção de uma memória coletiva.

As estatísticas têm o seu interesse, mas não explicam o essencial. O verdadeiro património deste blogue reside nas centenas, milhares, de pessoas que, ao longo de mais de duas décadas, lhe deram vida: antigos combatentes, familiares, amigos, investigadores, jornalistas,  e leitores, em Portugal, na Guiné-Bissau, na diáspora lusófona e em muitos outros países.

Como em qualquer projeto coletivo, houve sempre quem assumisse maiores responsabilidades editoriais e assegurasse a continuidade quotidiana do blogue. A esses camaradas é devida uma palavra especial de apreço e reconhecimento.