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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28454: Convívios (1079): Os antigos combatentes da vila de Loriga, a princesa da Serra da Estrela, homenagearam as suas mães, no almoço-convívio realizado na Escola Secundária de Sacavém, no passado sábado, dia 17 - Parte II




Foto nº 17 > O António de Brito Ribeiro brindou-nos, no fim da refeição, com um magnífico uísque velho, da sua "garrafeira da Guiné"... Um "Whytte & Macakays'", 21 anos... Um rótulo com um tremendo sinbolismo!    

Ainda com o estojo, esta garrafa  devia valer, no   mercado de coleccionismo,  entre os 200 e os 300 euros,  dizem os entendidos...

Dividido irmamente, chegou para todos. Estava em ótimo estado de conservação... Revelou-se um verdadeiro néctar. Foi bebido também em homenagem das mães de Loriga (*)... Os seus filhos tinham, em geral, na altura,  a idade deste "scotch": 21 anos...


Foto nº 18 > O António foi um dos elementos da comissão organizadora mais presentes no evento: ele não parou, falou com toda a gente, foi a todas as mesas,  esteve atento a tudo e a todos...Por outro lado, é difícil não  dar nas vistas, sendo ele um calmeirão... Aqui na nossa mesa, a nº 5, com o Manuel Resende, o régulo da Tabanca da  Linha, e o Hélder Sousa (que veio aqui encontrar o "velhinho" que ele veio substituir em Piche...)


Foto nº 19 > Sempre gentil, afável e cavalheiro, o Antóni0 explica à Alice Carneiro e à Isaura (esposa do Manuel Resende) a história desta garrafa, umas das últimas da sua "garrafeirra da Guiné!...


Foto nº 20 > À direita, o António e ao centro o seu irmão José (de Brito Ribeiro) que também esteve na Guiné, como alferes miliciano, em Bissau, na Amura, na 3ª Rep /QG / CCFAG, a "Rep do IN" (Informações), disse-nos ele com piada... (Engenheiro-quimico, foi gestor no Grupo CUF.) Há um terceiro irmão, o Jorge, que foi mobilizado para Moçambique, onde foi ferido. Não esteve presente neste encontro. O António tem ainda mais duas irmãs vivas, mais novas.


Foto nº 21 > O António e o Abílio (?), um camarada de veio de Loriga de propósito: esteve em Angola (abr 1967/ mai 1969) e ainda hoje é pastor na Serra da Estrela.  O António estebva na Guiné, tem fiota amarela; o Abílio (?) tem fita encarnada, esteve em Angola.

O Abílio (?) pertenceu à CCAÇ 1696 (divisa "Firmes e Constantes"):  (i) esta subunidade esteve colocada na Zona Norte de Angola, mais especificamente no setor de Nambuangongo, tendo como base principal a Fazenda Madureira e com destacamentos noutras localidades da região, como Santa Eulália; (ii) foi mobilizada pelo Regimento de Infantaria 15 (RI 15 - Tomar); (iii) embarcou em Lisboa no T/T Vera Cruz a 15 de abril de 1967, chegando ao porto de Luanda a 24 de abril de 1967; o pessoal regressou a casa em maio de 1969;  (iv) era comandada pelo cap mil inf Joaquim Inácio Machado de Sola Campos; (v) operou numa das zonas de guerrilha mais ativas e difíceis da altura (o triângulo do café nos Dembos/Nambuangongo), realizando patrulhamentos e escoltas nos itinerários entre Nambuangongo, Madureira e Muxaluando.

Não confundir o Abílio com o António Macedo (n. 1948), outro pastor da serra da Estrela, loriguense de gema, que recentemente foi vedeta do  programa da RTP1, "Pão da Nossa Terra > Pão da Serra  da Estrela > Ep 1 > 28 de setembro de 2026 (vd. a partir de 09:50). Embora  o Abílio e o Antõnio tenham algumas parecebças físicas,  o primeiro é mais velho (deve ter nascido por volta de 1945; e o António, que tinha 13 anos em 1961,  é mais conversador, pelo que pude observador o programa da RTP).


Foto nº 22 >  A mesda da comissão organizadora: o António ao centro, ladeado  à esquerda por outro elemento da comissão organizadora do almoço-convívio, o Gabriel Pina; e à direita, pelo presidente da Junta de Freguesia de Loriga, Luís Costa, que veio cá abaixo com uma delegação de gente da aquela terra serrana, de gente voluntariosa, trabalhadora e bairrista (tem hoje c. de 850 habitantes; tinha em 1950, no auge da indústria de lanifícios, c. de 3 mil).

Outros elementos da comissão organizadora, que estavam presentes na mesa, além do António Ribeiro (Guiné) e do Gabriel Pina (Moçambique):  António Fernandes (Guiné); José Manuel Alves (Angola); e José Ambrósio (Guiné).

Segundo me informou o António de Brito Ribeiro, a ANALOR (Associação  dos Naturais e Amigos de Loriga) (com sede em Sacavém, mesmo aqui ao lado da escola secundária) realiza todos os anos a "semana serrana". Aqui, em Sacavém, terra que está geminada com Loriga. Um evento que abrange diversas actividades, da cultura à diversão. Este ano o ponto alto foi a apresentação dos livros do filho e historiador de Loriga, Augusto Moura Brito (que tive o prazer de conhecer pessoalmente no sábado).

Ainda segundo a nossa fonte, estão identificados 338 antigos combatentes loriguenses, e não 235 como referi no poste anterior (*) (dado que vou corrigir). Existem ainda cerac de meia centena, nascidos entre 1941 e 1952, que o António ainda não conseguiu contactar para saber em que teatro de operações estiveram presentes.

Desses 338 loriguenses identificados, sabe-se o seguinte: 

(i) eram filhos de 265 mães; 

(ii) duas mães tiveram, cada uma, 4 filhos no ultramar; 

(iii) 14 tiveram 3 filhos (é o caso da mãe do António, Aurora de Brito Pina Ribeiro. 1925-2014); 

(iv) 39 tiveram 2 filhos no ultramar. 

"Foi uma desumanidade!", comenta o António...



Loures > Sacavém > Escola Secundária de Sacavém > 17 de outubro de 2026 > Almoço-convívio dos antigos combatentes do ultramar de Loriga, Seia (*)


Fotos (e legendas): © Luís Graça  (2026). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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Nota do editor LG:

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28440: Documentos (67): Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63 (I)






Guiné  > c. 1965 >   Este é o primeiro postal de uma coleção de postais de propaganda das NT, dirigida aos "homens do mato" (SIC)... A coleção foi -nos disponibilizada,  para ser digitalizada e publicada no blogue, pelo nosso saudoso  camarada Joaquim Nunes Sequeir, o "Sintra" (1944-2024), que foi 1º cabo canalizador, BENG 447 (Brá, 1965/67), e que encontrávamos quase sempre nos almoços-convívios da Magnífica Tabanca da Linha. 

 

Joaquim Sequeira (1944-2024): vivia em Mucifal, Sintra; era um entusiástico 
membro do Núcleo de Sintra da Liga dos Combatentes


O cartaz, tipo vinheta de BD, a cores, foi "restaurado" digitalmenete, com recurso à IA. É um material produzido no âmbito da Acção Psicológica (mais conhecida pela abreviatura  APsic)  e deve remontar ao tempo do com-chefe e governador-geral gen Arnaldo Schulz (1964-1968).

Não sabemos se já existia na época a  Rep ACAP (Assuntos Civis e Ação Psicológica), do QG/CCFAG, a funcionar no forte da Amura. 

Já aqui o  dissemos, é um material muito interessante, do ponto de vista documental, iconográfico e e historiográfico, mesmo que  revele; (i) muita ingenuidade; (ii) desconhecimento grosseiro  da organização e funcionamento das FARP (Forças Armadas Revolucionárias do Povo, criadas em fevereiro de 1964: fardas, armamento, etc.);  e (iii) uma estética pobre,  de mau gosto e de duvidosa eficácia, já que o público-alvo são os próprios combatentes do "mato" (nem sequer o artista se lembrou dos amuletos dos "bandoleiros", e os fenótipos representados são incaracterísticos, tendo pouco ou nada a ver com os balantas e outros grupos  guineenses que engrossavam as hostes do PAIGC).

O PAIGC não era  a UPA/FNLA, um simples bando de gente esfarrapada, descalça, esfomeada, desmoralizada (o mesmo não se pode dizer eventualmente da população que "vivia no mato", e nomeadamente no interior do território)... 

Mas, provavelmente, era essa a imagem boçal, caricatural,  que "encomendaram" ao artista gráfico, cuja identidade ainda hoje desconhecemos. 

A mensagem que se queria transmitir, na época,  era sobretudo psicológica: associar a guerrilha à miséria, a fome, à doença, ao sofrimento físico e à morte, apresentando o "homem do mato" (sic )  como um foragido, uma vítima da  própria desgraça, o "vírus subversivo" que ele andava a espalhar...

É uma representação propagandística, não é (nem pretende ser) um retrato documental neutro. Tal como os documentos de propaganda do PAIGC dirgidos aos "tugas" e aos "cães dos colonialistas" que eram os nossos soldados e mílicias fulas. A propaganda de guerra é sempre caricatural, feita a preto e branco, a traço grosso, e tem o propósito de "diabolizar" o inimigo.

Iremos reprodir os restantes cartazes, restaurados digitalmente.



Guiné > c. 1965 >  "Guiné Portuguesa, Guiné Feliz... O nosso camarada Joaquim Sequeira, o "Sintra, assinalou os nomes dos aquartelamentos e destacamentos por onde passou em serviço, como 
 1º cabo carpinteiro, BENG 447 (Brá, 1965/67):
  • no sector de Bissau, Brá, Santa Luzia, Bissalanca e Safim;
  • na região de Quínara, Enxudé, Tite, Jabadá e São João; 
  • no arquipélago dos Bijagós, ilha das Galinhas e Bolama; 
  • na região do Gabu, Nova Lamego;  
  • no região do Oio, Cuntima, Jumbembem, Canjambari, Farim, K3, Mansabá, Mansoa, Cutia, Bissorã, Olossato; 
  • na região do Cacheu, Binta...

A colecção (no fundo, é uma sequência de banda desenhada, sob a forma de um folheto desdobrável com uma meia dúzia de postais, impressos de um lado e do outro) começa com uma imagem do mapa da Guiné ("Guiné Portuguesa, Guiné Feliz") (cópia do original, não restaurada digitalmente; o restauro é um "desastre"). À direita está escrito: "Do Sintra, 8/65".

Foto (e legenda): © Joaquim Sequeira (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI]



Fernando Louro


1. Vamos recuperar para esta série ("Documentos") alguns textos sobre a "Psico", como dízíamos na Guiné. APsic, na terminologia militar.  (Ou "Pchícola",  como pronunciavam 
 algumas  das nossas praças, em linguagem brejeira, já que para eles fazer a "psico" era ir  às tabancas catrapiscar  as bajudas...).

Recorde-se que em plena "Spinolândia"  (maio de 1968 / agosto de 1973)  havia no QG/CCFAG, na Amura, a 2ª Rep, a  Rep ACAP (Assuntos Civis e Acção Psicológica) onde trabalharam ilustres militares como Ramalho Eanes, Otelo Saraiva de Carvalho, Lemos Pires, etc., a "intelligentsia" político-militar do gen Spínola.  Mas também o nosso camarada Ernestino Caniço, hoje médico.

A "Psico" não foi uma "invenção" de Spínola, mas foi com ele e os seu "estado-maior" que ela se tornou uma "arte & ciencia", castrense, apurada... Em todo o ca, convira ir aos "primordios.Vale a pena rcuar até ao tempo de Fernando Louro, ao ano do início da guerra com o PAIGC, para perdermos melhor como evoluiu o conceito e se ch3gou a criação da Rep ACAP.

Recorde-se que o brigadeiro Fernando Louro de Sousa (1911–1989) foi nomedao Comandante-Chefe das Forças Armadas na Guiné Portuguesa em 13 de março de 1963, cargo que exerceu durante pouco mais de um ano. 

Ele e o governador, o comandante Vasco Rodrigues, nunca se terão entendido sobretudo no exercício e na partilha das suas funções, permitindo  com isso que  PAIGC tivesse uma arrancada fulgurante, sobretudo no sul. (E isto, apesar da Op Tridente, cujo sucesso relativo não chegou para mudar a ideia de que o brigadeiro  fora um tremendo erro de "casting".)

Ambos, o comandante-chefe e o governador,  serão substituídos em maio de 1964, pelo brigadeiro Arnaldo Schulz, que passou a acumular os dois poderes, o político e o militar.

 As ideias de Fernando Louro sobre a "acção psicossocial" não destoavam muito do "assistencialismo" que ainda se praticava no início dos anos 60 na metrópole. 

E, em termos práticos, não passaram do papel, por falta de meios humanos, técnicos e financeiros, etc., além da proverbial falta de articulação entre as ainda escassas forças armadas e a administreção civil, já em colapso.  

Enfim, não havia médicos, professores, engenheiros, quadros técnicos, nem civis nem militares... Sobretudo não havia visão  estratégica nem tática para fazer frente ao PAIGC... que muito rapidamente ganhou  a adesão, a mal  ou a bem,  o da grande maioria dos animistas (em especial os balantas, que vão servir de "carne para canhão" ) mas também parte da população muçulmana (biafadas, mandingas, nalus...).

O "checklist" que a seguir se publica é de um indigência intectual atroz, resultante de uma leitura apressada da "Bíblia", o manual “O Exército na Guerra Subversiva” produzido pelo Estado-Maior do Exército (1963) (em 5 volumes, revistos em 1966).  

Vê-se que Louro é um militar de outro tempo, ainda eivado de estereótipos coloniais, como o uso infamante do termo "nativo", apesar de tudo mais "neutro" do que "indígena" (o indigenato  tinha acabado de ser abolido, pelo Decreto-Lei n.º 43 893, aprovado em 6 de setembro de 1961 sob a alçada do ministro do Ultramar, Adriano Moreira). 

__________________________

 
Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63 (I) 
(Excertos: CECA, 2014)
 

O primeiro documento de que se tem conhecimento na Guiné, sobre o assunto, é a Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63. (#)

Na primeira parte, trata da acção psicossocial com o objectivo de "obter ou manter apoio da população". Na segunda parte, da "Acção psicossocial sobre as NT", no âmbito da acção psicológica e acção social.

Expõem-se de seguida ambas as partes.

Em 15Nov, através da Nota n° 247/C da 3ª Rep/QG/CTIG, foi enviado aos Comandantes de Sector e Chefes de Serviço, entidades que o iriam elaborar, o modelo de "Relatório Periódico de Acção Psicológica" com a finalidade, âmbito, periodicidade e difusão. Este é apresentado no final: Anexo A "Acção Psicossocial-Instruções".

1ª  PARTE

Acção Psicossocial junto das Populações

Introdução

Uma das principais diferenças existentes entre a Guerra Convencional e a Guerra Subversiva, é que, nesta última, se procura conquistar a população para depois dominar o território por ela ocupado. 

A população é, pois, o objectivo número um de qualquer dos partidos em luta, e quem tiver o seu apoio dispõe de muito maiores possibilidades de vitória.

Para manter ou obter o apoio da população, existem diferentes modos de acção sendo de destacar entre eles a "Acção Psicossocial".

"Quando houver que actuar psicologicamente sobre a população dum território onde se leva a efeito uma luta contra a subversão, é possível conquistar simultaneamente o afecto e a confiança dessa população, tornando-a mais sensível à acção psicológica, por meio de uma acção social ou de assistência dirigida no sentido de diminuir as suas principais deficiências morais e materiais. É ao conjunto destas duas acções, psicológica e social, que se chama Acção Psicossocial". (O Exército na Guerra Subversiva - III Acção Psicológica).

I. Acção Social

A Acção Social consiste na aplicação planeada de um conjunto de medidas, que têm por fim não só levantar o nível de vida da população como também ganhar o seu afecto e confiança,  tornando-a mais facilmente permeável à Acção Psicológica.

- Exige muito bom senso e ponderação, pois de forma alguma se pode prometer aquilo que não se pode ou não se tem a certeza de poder dar ou realizar. Em todos os escalões é preciso "saber prometer, a fim de nunca comprometer".

- É igualmente muito importante actuar com autoridade e não pretender convencer que somos muito ricos ou todo-poderosos, capazes de tudo resolver dum momento para o outro. Há que ter a noção clara das realidades e das possibilidades,  procurando sempre resolver ou tornear as dificuldades no sentido de serem atingidos os objectivos propostos e cuidadosamente seleccionados.

- É também muito importante procurar compreender o nativo mostrando-se interessado pelos seus problemas e aspirações. A população civil branca deve ser levada a interessar-se pelos problemas respeitantes à Acção Psicossocial. É pois fundamental que exista uma "compreensão mútua" entre os diferentes elementos da sociedade.

Os campos de acção normalmente abertos à Acção Social das Forças Militares são os seguintes:

  • Assistência Sanitária;
  • Assistência Religiosa;
  • Assistência Educativa;
  • Assistência Económica.

Seguidamente se indicam algumas das muitas actividades que se podem realizar nestes campos:

Assistência Sanitária

Campo Sanitário:

- Criação de P.S. [Posto de Socorros] e centros de tratamento.

- Elaboração de calendários de visitas de modo a garantir uma assistência regular às diferentes localidades do sector.

- Procurar colaborar com o S.S.[Serviço de Saúde] da Província e obter a sua colaboração.

- Utilizar viaturas militares para o transporte de doentes. Quando as circunstâncias o aconselharem providenciar para se efectuar a evacuação aérea.

- Por intermédio deste Comando, procurar obter a colaboração das Autoridades Administrativas, MNF Movimento Nacional Feminino] , Cruz Vermelha Portuguesa, Cáritas e elementos civis para a aquisição de medicamentos (não há distribuição mas apenas aplicação de medicamentos, quando se torna necessário a aplicação repetida de um medicamento, é o doente que se desloca até ao P.S.).

- Vigilância do estado sanitário das populações.

- Conselhos de profilaxia.

- Vacinações.

- Consultas e tratamentos (incluindo as vítimas dos insurrectos).

- Intervenções cirúrgicas dentro das suas possibilidades.

Campo de higiene

- Divulgar medidas de higiene.

- Aconselhar sobre a alimentação mais adequada.

- Orientar a construção de novas casas com melhores condições de habitabilidade.

- Demonstrar os perigos e inconvenientes que tem o gado andar dentro de casa, pelas ruas, etc .


Assistência religiosa

- Elaboração de calendários de visitas de modo a garantir uma assistência regular às diferentes localidades do sector.

- Procurar colaborar com as autoridades eclesiásticas e obter a sua colaboração.

- Prestar assistência religiosa, a qual pode apresentar as seguintes modalidades:  apoio espiritual, celebrações de acto de culto, catequese.


Assistência Educativa

Cultura Geral

- Criar escolas para crianças e adultos.

- Procurar colaborar com os professores nos locais onde já existem escolas e obter a sua colaboração.

- Procurar aumentar a frequência das escolas não esperando que venham inscrever-se.

- Divulgar a existência das escolas e as vantagens que podem usufruir aqueles que as frequentam.

- Criar prémios para os melhores alunos e para os mais assíduos.

- Procurar obter a colaboração de elementos civis (fornecimento de material escolar).

- Organizar bibliotecas populares com livros, jornais e revistas, pedindo por intermédio deste Comando a colaboração de A.G.  [Agência Geral do] Ultramar, MNF, entidades particulares, etc .

- Organização de festas culturais, orfeões, sessões de música (principalmente folclórica), cinema, etc .

Cultura Técnica

- Organizar escolas de artes e ofícios em todas as localidades onde isso for possível e obter para elas a colaboração dos elementos civis.

- Construções.

- Conselhos técnicos.

- Fornecimentos de alimentação, abafos, alojamentos, etc. (em casos especiais) .

- Compras (os pagamentos serão feitos a pronto e os contratos estabelecidos livremente).

- Entusiasmar os nativos na organização de granjas com vista não só à satisfação das suas necessidades como também para poderem fornecer às Forças Militares, aumentando assim os seus proventos.

- Interessar os nativos na criação de animais com vista à satisfação das suas necessidades e fornecimento às F. Militares que os comprarão, aumentando assim os seus lucros.

- O contacto com as populações deverá ser sempre procurado preconizando- se o seguinte:

  • Participação nas festas gentílicas, quando convidados;
  • Pernoitar e tomar refeições nas tabancas e convidar para estas os elementos mais importantes;
  • Convidar os régulos, chefes de tabancas e homens grandes para visitarem o quartel;
  • Quando dos reconhecimentos, efectuar visitas de cortesia àqueles indivíduos (não estranhar que inicialmente as populações fujam ao contacto com a tropa e procurar, a bem, fazer-lhes ver que somos amigos e procuramos a sua amizade e confiança);
  • Tomar as medidas que estiverem ao seu alcance para resolver os problemas apresentados pelos nativos;
  • Procurar que os colonos tratem os nativos como homens, não os explorando (enviar relatórios imediatos sobre actos de injustiça de que tenha conhecimento);
  • Aproveitar todas as oportunidades para explorar em nosso favor os erros, mentiras e exageros de propaganda adversa (facilmente rebatíveis, pois duma maneira geral são grosseiros);
  • Aproveitar todas as oportunidades para efectuar uma propaganda baseada em factos ou temas que possam ser facilmente verificados pelo indígena. Os dados utilizados devem ser rigorosamente verdadeiros; 
  • Aproveitar todas as oportunidades para elevar o nível político através duma doutrina dirigida e compatível com o grau de civilização da população.
(Continua)

Fonte: Fonte: Excertos de: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª Edição; Lisboa (2014), pp. 149 / 154.

(Seleção, revisão / fixação de trexto, negritos: LG)


______________

Nota da CECA:
 
(#) Para elucidação sobre os antecedentes, organização, estruturas e actividades do Exército no campo da acção psicológica veja-se o Capítulo VII do 10 Volume "Enquadramento Geral", da Resenha Histórico Militar das Campanhas de Africa (1961-1974) da CECA/EME; páginas 373 a 398.
 ______________

Notas do editor LG:


Último poste da série > 26 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28133: Documentos (66): Para a história da administração civil ultramarina: "Levante auto e envie os indígenas para Bolama a fim de serem expulsos da Província!"... Despacho (do Governador ?) a uma nota do administrador António Augusto de Barros, vítima de agressão, em Pete, chão mancanha, em 8/4/1920

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28106: Álbum fotográfico de Ernestino Caniço, ex-alf mil cav, Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa, e Rep ACAP/QG/CCFAG, Amura, Bissau, 1970/72 - Parte IV: De Tomar a Mansoa


Foto nº 1 > Tomar > s/d (c. 1966/69)  >  Grupo de forcados do Colégio Nun’Álvares em Tomar. "Não fui interno no colégio, mas integrei o grupo  entre 1966/69. Foto enviada para o jornal digital Tomar na Rede, pela tomarense Maria do Carmo Tamagnini. Sou o terceiro da direita para a esquerda."


Foto nº 2 > Guiné > Zona Oeste > Região do Oio > Mansoa > CCS/ BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) > Almoço na casa de um comerciante português: o alf graduado capelão, Zé Neves, brindando com o comandante das Daimlers, o nosso hoje dr. Ernestino Caniço. Ficaram amigos para a vida.


Foto nº 3 > Guiné > Zona Oeste > Região do Oio > Mansoa > CCS/ BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) > Almoço na casa de um comerciante português ( onde o Ernestino Caniço viveu durante uns meses): de costas, o padre Zé Neves, e á sua esquerda o pároco local, o padre Júlio Patrocínio.


Ernestino Caniço: (i) médico de família, inscrito da OM, desde 1977, nº 17053; (ii) vive em Tomar, estando reformado do SNS;  (iii) tem mais de 100 referências no nosso blogue, integrando a Tabanca Grande desde 21/5/2011; (iv) ex-Alf Mil Cav, Comandante do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Acção Psicológica, QG/CCFAG, Bissau, jan 1970/ dez 1971, era chefe da Rep ACAP o major inf Mário Lemos Pires, que será entretanto promovido a tenente-coronel; trabalhou com o então cap Otelo Saraiva de Carvalho):

Fotos (e legendas): © Ernestino Caniço (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem do Ernestino Caniço:

Data - Segunda, 4/05/2026, 21:11
Assunto - Rep ACAP

Caros amigos

Votos de ótima saúde

A fim de dar continuidade ao “material” sobre a Rep ACAP remeto mais algumas fotos sobre esta temática  [parcialmente já publicadas no poste anterior desta série (*)]

De relevar, a população  que, após informação, visualizava obras e estruturas do governo da Guiné.

Aproveito o ensejo para referir que,  ao visualizar os postes sobre o PIFAS, concluí que eu e o camarada Garcês Costa fomos contemporâneos na Rep ACAP e ao qual deixo um abraço.

Por curiosidade, teremos também sido contemporâneos no colégio Nun’Álvares em Tomar. Não fui interno no colégio, mas integrei o grupo de forcados entre 1966 e 1969, que deixei para cumprir o serviço militar.

Anexo uma foto do grupo, enviada para o jornal digital "Tomar na Rede", pela tomarense Maria do Carmo Tamagnini. Sou o terceiro da direita para a esquerda. Recordo nomes como Barradas, Hilário, Parente, Vidal e o cabo Manuel Faia (Foto nº 1).

Junto ainda duas fotos minhas, num almoço em Mansoa, quando ainda era cmdt do Pel Rec Daimler 2208 (Fotos nºs 2 e 3).

Aproveito ainda para dizer que na 2ª foto, do Pe Zé Neves, do post  P27985 não me parece ser ele a “apalpar a fruta” nem o Padre Patrocínio em segundo plano.

(Revisão / fixação de texto: LG)
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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28051: Álbum fotográfico de Ernestino Caniço, ex-alf mil cav, Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa, e Rep ACAP/QG/CCFAG, Amura, Bissau, 1970/72 - Parte III: dissociar o binómio População / IN






Foto nº 1, 1A e 1B




Foto nº 2 e 2A




Foto nº 3 e 3A



Foto nº 4 e 4A



Foto nº 5

A política !Por Uma Guiné Meçlhor" em ação...

Fotos (e legendas): © Ernestino Caniço (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Ernestinmo Caniiço,
médico de famíla, inscrito da OE,
desde 1977,
nº 17053

Ernestino Caniço (ex-Alf Mil Cav, Comandante do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Acção Psicológica, QG/CCFAG, Bissau, jan 1970/ dez 1971, hoje médico, vive em Tomar, estando reformado do SNS (em 1971, era chefe da Rep ACAP o major inf Mário Lemos Pires, que será entretanto promovido a tenente-coronel; trabalhou com o então cap Otelo Saraiva de Carvalho):

1. Mensagem de Ernestino Caniço 

Data - domingo, 24/05, 17:35 (há 13 horas)
Assunto - Rep ACAP

Caros amigos

Em resposta aos comentários ao poste  P28042  (*), posso exprimir o seguinte:

A população do “mato” (“turra”) estava em fase de sensibilização e recuperação pelas NT.

Após as visitas anteriormente referidas, as populações optavam por ficar nos reordenamentos já referenciados, ou regressavam às suas tabancas.

Ninguém era “obrigado” a ficar. A decisão era sempre dos próprios de acordo com os seus critérios opcionais.

Os reordenamentos em apreço eram construídos, também, pelos militares metropolitanos e/ou pela população, que ainda colaboravam no apoio e participação na agricultura, conforme se pode verificar em algumas fotos expostas.

A população (presumivelmente balantas, a das fotos) sofrida e explorada, sem condições de vida aceitáveis no “mato,” vislumbrava alguma melhoria do lado dos metropolitanos. O seu semblante sugere-me desconfiança. Provavelmente indecisos entre a expectante melhoria da qualidade de vida e a situação deplorável no “mato”, com putativas represálias.

Os intervenientes para essa promoção, como eu, cumpria as diretivas e/ou diretrizes, do Governador e Comandante Chefe (Gen Spínola), conforme foi redigido pelo cap Otelo Saraiva de Carvalho, subscrito pelo ten coronel Lemos Pires e publicado na O.S. de 14dez71 do Com-Chefe /QG/CTIG (nos muitos contactos que teve com as populações evidenciou perfeita identificação com a manobra psicológica em curso no TO, contribuindo de forma bastante satisfatória para o cumprimento da missão da Rep ACAP).

Não me movia qualquer motivação político-ideológica, com total alheamento da mesma, e nem agora é o meu forte.

Na foto nº vê-se, de costas, alf Fidalgo numa das suas visitas: pertencia à Rep ACAP (Secção de Operações Psicológicas) e que eu fui substituir.

Não havia guerrilheiros nessa visita ao reordenamento.

Aproveito para anexar mais algumas das fotografias que possuo sobre esta temática.

Um abraço,

Ernestino Caniço

PS - Trata-se de população IN, capturada pelas NT.

2. Comentário do editor LG:

Obrigado, Ernestino, obrigado por estas preciosas (e raras) fotos... Acho que respondeste cabalmente às minhas perguntas e observações, com exceção da última:

(i) era população do "mato", em fase de "recuperação / integração ?

(ii) são balantas (pelo vestuário rudimentar);

(iii) estão a visitar um reordenamento

(iv) quem seria o alferes ? da ACAP ? ou da unidade a que pertencia o reordenamento ?

(v) donde veio esta gente ? havia também guerrilheiros ?

Temos de reconhecer, mais de meio século depois, o fantástico trabalho que as NT que fizeram (sob a superior orientação da Rep ACAP / QG / CTIG, ao tempo do governador e comandante-chefe, gen António Spínola) no plano da recuperação e reintegração das populações que viviam no "mato", nas chamadas "zonas libertadas" do PAIGC.

Foram portugueses generosos, competentes e dedicados, como vocês, tu, Ernestino Caniço, o Fidalgo, o Otelo Saraiva de Carvalho, o Lemos Pires e tantos outros, que passaram pela Rep Acap, que ajudaram a comprovar que aquela guerra (e os "senhores da guerra") não podia levar a Guiné a lado nenhum, e que só havia uma via para acabar com ela: sentar à mesa todos as partes interessadas, os combatentes de um lado e do outro, e a população civil que os apoiava (ou tolerava).

Foi feita um esforço gigantesco com a construção, até 1974, de mais de 8 mil casas para alojar população sob duplo controlo ou controlo do PAIGC (que vivia no "mato"). E com as casas, veio a escola, o posto sanitário, a água potável, a estrada, o convívio pacífico interétnico, etc. Estas fotos do nosso amigo e camarada Ernestino Caniço, que depois da "peluda" licenciou-se em medicina pela Universidade de Coimbra (1976), são a prova de que as guerras não se ganham só por ação dos "rambos" e cabras-matchu" mas pela arte e engenho da paz, da empatia, da solidariedade, da partilha, da inteligência, da participação de "todos" na busca de soluções duradouras para os conflitos...
________________


Nota do editor LG:

Último poste da série > 20 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28042: Álbum fotográfico de Ernestino Caniço, ex-alf mil cav, Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa, e Rep ACAP/QG/CCFAG, Amura, Bissau, 1970/72 - Parte II: recuperar a gente do "mato"

sábado, 23 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28047: Humor de caserna (269) : O anedotário da Spinolàndia - Parte XXXVI: o que faz o sargento de guarda ao palácio do Governador com uma mensagem relâmpago ("zulu") num domingo, já noite dentro ? Se necessário, faz o Governador saltar da cama...




Leiria > Ortigosa > Quinta do Paul > 26 de julho de 2014 > Convívio do pessoal das CCAÇ 3327 e 3328 (*)

"Ainda se aproveitavam os últimos momentos para mais uma recordação, antes da despedida. Da esquerda para a direita, Carlos Vinhal, José Câmara, Luís Pinto, Dina Vinhal, João Cruz e ex- cap mil Rogério Alves. Ficam saudades, mas levamos muitas mais e a certeza que para o ano, possivelmente na linda Ilha das Flores, lá estaremos para mais um convívio, se Deus quiser". 

E a propósito da Dina Vinhal, a única mulher nesta fotografia, e inseparável companheira, de uma vida, do nosso Carlos: ontem, cheguei a casa tarde e tinha uma mensagem matinal, "privada e pessoal",  que me deixou preocupado. Hoje de manhã, telefonei-lhe: a Dina está internada, fez uma operação á coluna, e o Carlos está  a acompanhá-la. E antes de 3a. feira não deve regressar a casa. 
 Um chicoração para os dois. Boa recuperação da Dina. Luís.


Foto (e legenda): © Carlos Vinhal / José Câmara (2014). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




1.  José Câmara, um dos nossos camaradas, açorianos, da diáspora  lusitana na terra do Tio Sam, ex-fur mil at inf  CCAÇ 3327 e Pel Caç Nat 56 (Bissau, Mata dos Madeiros, Teixeira Pinto, Bassarel, Bolama, São João, Tite, 1971/73, é autor da notável série "Memórias e Histórias Minhas", de que se publicaram, desde 16/5/2009 até agora, mais de 3 dezenas e meia de postes.

Ele é membro da Tabanca Grande desde 15/2/2009. E tem mais de 150 referências no blogue.

Quando a sua companhia chegou a Bissau, em janeiro de 1971, coube-lhe desde logo fazer a segurança às seguintes instalações civis e militares: 
  • Palácio do Governador da Guiné
  • Quartel da Amura (QG/CCFAG)
  • Instalações da Rádio (Emissor Regional da Guiné, em Nhacra)
  • Hospital Militar 241
  • Laboratório
A ele, pessoalmente, e a mais dois furriéis,com as respetivas secções coube assegurar o serviço de guarda ao Palácio do Governador, missão que desempenhou com  pundonor durante dois meses (fev/mar 1971).

(...) Entrámos de imediato ao serviço (28 de Janeiro de 1971) ao Palácio, embora, os primeiros dias fossem apenas de sobreposição e sem qualquer responsabilidade da nossa parte.

 Tomámos o primeiro contacto com aquilo que seria a nossa responsabilidade. A nossa missão principal seria, sem dúvida, a segurança diária do Palácio, e, todo o aparato que englobava o içar da bandeira e o render da guarda ao Domingo. 

Nas tarefas diárias e no Render da Guarda a colaboração dos cabos e dos soldados era fundamental. O seu aprumo, destreza e rapidez em todos os processos envolvidos eram primordiais para o sucesso da missão. Acrescento, com algum orgulho, que os soldados da minha Companhia estiveram à altura da missão. (...)

O sistema de segurança que era então montado ao Palácio do Governador, sito na Praça do Império, no início da Av da República, englobava as seguintes forças essenciais (**):

(i) uma secção de tropa regular, comandada por um Sargento da Guarda, que tinha a seu cargo os postos de sentinela ao fundo do jardim e ainda um posto de sentinela ao lado direito do jardim; a segurança era feita durante o dia do lado de fora do jardim; com o render dos postos de sentinela às seis horas da tarde a segurança passava a ser feita do lado de dentro dos muros;

(ii) uma secção da Polícia Militar, incluindo um sargento e um oficial, que tinha a seu cargo o pórtico principal do Palácio e o portão lateral de serviço geral;

(iii) durante a noite, entre as dezoito da noite e as seis horas do dia seguinte, a segurança era reforçada com um elemento da Polícia de Segurança Pública (PSP), que ficava encarregado do espaço entre a casa da guarda e do pessoal civil servente do Palácio e o edifício principal;

(iv) também durante a noite, a segurança era ainda reforçada com um cão treinado em segurança e respectivo tratador, na altura um paraquedista, que tinha a seu cargo o patrulhamento do interior do jardim.

Toda a responsabilidade da segurança recaía nos ombros do sargento da guarda. Cabia-lhe a implementação das regras estabelecidas. Mantinha em ordem todo o material de guerra à sua disposição: metralhadoras, munições e granadas de mão. 

Era responsável, além disso,  por encaminhar todas as mensagens chegadas via CTT, conforme o seu grau de segurança. Respondia directamente ao Oficial Ajudante de Campo do Governador sobre qualquer assunto de segurança julgado pertinente. Elaborava e assinava o seu relatório de serviço que era entregue no Comando do AGRBIS logo após a sua chegada a este complexo militar.

(...) Durante cerca de dois meses, essa foi parte do meu trabalho, esta foi a minha Guerra em Bissau. Mantive, sempre, óptimas relações com todas as forças de segurança, incluindo os oficiais da Polícia Militar, que nunca me regatearam a sua compreensão. 

Encontrei no Ajudante de Campo do Governador  [no período entre julho de 1970 e julho de 19727, era o cap cav Lourenço de Carvalho Fernandes Tomás], altura um capitão, muito mais que um militar. Nesse oficial encontrei alguém que compreendia que nós, militares obrigados ao serviço, éramos pessoas que cometíamos erros, que falhávamos, mas que também tínhamos qualidades humanas a respeitar. (...).







Guiné > Bissau > Palácio do Governador >  Junho de 1969 > Render da Guarda > Da coreografi militar fazia parte "um destacamento da Marinha (fuzileiros), a força mais vistosa, e uma força do Exército, Infantaria, Cavalaria ou Artilharia, ou dos Comandos, ou Paraquedistas e bem como a Banda Militar de Bissau"... Nesta altura, em jiunho de 1969, o inquilino era o general Spínola (maio de 1968- agosto de 1973)

Fotos (e legenda): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



2. A história que se segue, republicada agora (***), tem oportuno e pleno cabimento nesta série ("Humor de caserna") (****)...  Um dos ângulos com que se pode observar os homens em ação, seja na  paz, seja na guerra, é o do humor... A história mostra,  por outro lado, uma faceta do gen Spínola que humaniza a sua figura, a qual, para a maior parte de nós,  era a de um personagem distante algo, teatral e temido.

A situação tem a ver com uma mensagem relâmpago ("zulu) que o autor recebeu, das máos de um estafeta dos CTT.  quando, num domingo, à noite, estava de serviço de guarda ao Palácio do Governador, em Bissau. Recorde-se que este tipo de mensagem correspondia ao "grau máximo de prioridade na rede de transmissões".


O que faz o sargento de guarda ao Palácio do Governador com uma mensagem relâmpago ("zulu") num domingo, já noite dentro ? Se necessário, faz o Governador saltar da cama...

Por José Câmara

Este pequeno episódio deu-me para conhecer uma faceta mais humana do general Spínola.

Enquanto sargento da guarda ao Palácio do Governador da Guiné, os meus contactos com o general Spínola foram, sempre, esporádicos.

Esses encontros davam-se quando ele se dirigia à Casa da Guarda para ali deixar, para limpeza, o seu cinturão com as cartucheiras e granadas de mão ofensivas M63 e a sua G3.

Outras vezes cruzava-me com ele junto dos portões de estrada quando ele, quase sempre na companhia da esposa  [Dona Helena], dava um passeio nos arredores do Palácio, ou se dirigia ou vinha do clube dos oficiais da Força Aérea que ficava nas redondezas do Palácio.

Sempre fiz acompanhar o meu cumprimento de continência militar ao velho general com um cumprimento civil sobretudo em atenção à esposa. O general sempre correspondia ao cumprimento com um leve sorriso. Julgo que era apreciativo desta forma de eu o(s) cumprimentar.

Um domingo, com a noite já avançada, o encontro foi diferente.

Pelo intercomunicador do posto de sentinela que servia o portão de serviço geral recebi a informação de que um estafeta dos CTT tinha uma mensagem dirigida ao governador da Guiné. De imediato dirigi-me àquele posto de sentinela. Cumpridas as formalidades com o estafeta dos CTT, reparei que a mensagem era do tipo relâmpago. Era a primeira que me acontecia. Sabia o que tinha que fazer.

De imediato dirigi-me aos escritórios de apoio ao palácio. Para meu desespero não encontrei ninguém no escritório. 

Tinha a consciência da importância daquele tipo de mensagem que tinha de ser entregue, nem que tivesse que fazer o nosso general saltar da cama.

Aventurei-me nos corredores sem acender a luz, na esperança de ver alguma réstea de luz por debaixo de alguma das portas. A ideia era boa, o resultado foi pobre.

Decidi bater a uma das portas. Para surpresa minha a porta entreabriu-se. Na minha frente estava o próprio general Spínola. Ao aperceber-se quem eu era de imediato transpôs a porta, fechando-a atrás de si.

Cumprimentei-o e disse-lhe o que me levara ali. Uma mensagem relâmpago dirigida a ele. A nossa conversa foi, essencialmente esta:

− Abra e leia − disse-me ele.

− Meu general. eu não posso nem devo ler esta mensagem. É uma mensagem relâmpago − retorqui.

− Pode, pode… abra, abra… leia, leia. Sou eu que lhe estou dizendo que pode − disse ele um pouco impaciente.

Abri a mensagem e comecei a ler:

− O Conselho de Ministros em sua reunião de... aprovou o...

Hoje não tenho a certeza se a comunicação se referia à aprovação do Orçamento Geral da Guiné, ou apenas de um suplemento.

O general enquanto pegava na mensagem deu-me um pequeno toque nas costas e disse:

− Hoje é um dia grande para a Guiné!

Levantando a mensagem ao ar, como quem levanta um troféu, reabriu a porta e ouvi-o dizer:

− Está aqui…

Um coro de palmas eclodiu naquela sala. Foi aí que pude reparar que o general estava rodeado pelos seus colaboradores mais directos na Guiné, deduzi.

Fechei a porta e dirigi-me à Casa da Guarda. Ia pensativo. Por causa daquelas palmas.

Afinal aqueles homens também eram capazes de exultar com as suas vitórias. Eram vitórias de um tipo de guerra que não era a nossa, mas sem as quais as nossas vitórias seriam muito mais difíceis de obter.

Cruzei-me mais três vezes com o general: no destacamento de Bassarel, no destacamento de São João e no Depósito de Adidos, em Brá, no dia da despedida.

José Câmara

(Seleção, revisão / fixação de texto, itálicos, negritos parênteses retos, título: LG)
__________

Notas dos editores  CV/LG:

(*) Vd. poste de 23 de agosto de 2014 > Guiné 63/74 - P13528: Convívios (618): Rescaldo do Encontro das CCAÇ 3327 e 3328, levado a efeito no passado dia 26 de Julho de 2014 na Quinta do Paúl, em Ortigosa (José da Câmara)

(**)  Cd, postes de:




(***) Vd. poste de 15 de dezembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5469: Memórias e histórias minhas (José da Câmara) (10): As palmas das vitórias de uma Guerra que não era nossa


sexta-feira, 22 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28045: Em busca de... (334): camaradas que tenham conhecido o meu amigo, do Porto, ex-alf mil Alberto Fontão, comandante de um PINT (Pelotão de Intendência), em Bissau, no período de 1967/69 (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)




Guiné > Bissau > Café Bento (ou 5ª Rep) > Fev 1968 > São todos do Porto. Três são do BCAV 1915, que eu fui render em setembro de 1967. 

Da esquerda para a direita: 

(i) Nelson, furriel mil amanuense; 

(ii) a seguir eu, Vt, de óculos escuros; 

(iii) depois um furriel que trabalhava com o Nelson de que não me lembro do nome;

(iv) o alf mil Alberto Fontão, comandante de um PINT [Pelotão de Intendência];

(v)  e a seguir o alf mil SAM, como eu, do CA do BCAÇ 1915, de seu nome Fragateiro, que foi para Bula (nunca nos relacionámos bem, talvez por causa da passagem de testemunho em outubro de 1967; depois da "peluda", foi delegad de propaganda médica)

Foto (e legenda): © Virgílio Teixeira (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

 

1. Mensagem do Virgílio Teixeira, eex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69):


Data - domingo, 22/03/2026, 01:06
Assunto - Quem se lembra do Alferes Miliciano Alberto Fontão?


LG,  na sequência de outros apelos gostava de saber se há algum camarada que se lembre deste meu amigo de juventude, o Alberto Fontão, que esteve na Guiné no nosso tempo, 67 a 69.

Ele pertencia a uma companhia de transportes, sediada na Amura. Levava os abastecimentos em colunas, via terrestre. Lembro de ele falar em Buba, Binar, Bula,  Farim, Mansoa, Mansaba e tantas outras. Levava mantimentos e armamento vário.

Como teve problemas pessoais, viveu com a mulher e filha, Eunice, de 2 anos em Bissau.

A mulher trabalhava nos escritórios de uma farmácia que muitos podem conhecer. Ele morava perto das oficinas de automóveis, junto com o cunhado e a mulher, ambas irmãs que eu conhecia muito bem. As irmãs eram colegas da minha mulher na Escola Comercial, Filipa de Vilhena, na zona do parque do Covelo.

Quando eu ia a Bissau visitava todos, a filha quando ouvia o trabalhar da motorizada, dizia logo aos pais que vinha o Virgílio.
 
O amigo Fontão concordou com a minha ideia, mas disse que não queria falar ou escrever sobre esta aventura.

Esteve no HM241 internado na psiquiatria juntamente com o alferes Alberto Leite, da CHERET. A
mbos vieram evacuados no mesmo avião militar.
 
Não sabe sequer o número da companhia, e as viagens eram ir e vir no mínimo tempo, por isso não teve grandes relacionamentos com as companhias onde se deslocava.

Divorciou-se quando acabou o mesmo curso de economia que eu.  Foi quadro do BPA  (Banco Português do Atlântico) no Porto, até se reformar. Ambas as mulheres já faleceram.
 
A irmã da mulher foi sempre casada com o Joaquim Pinto Gomes, já formado em Economia,  e foi para Bissau, de onde nunca saiu para os arredores. Era revisor das contas dos CA (Conselhos Administrativos) dos batalhões na chefia de contabilidade (QG/CTIG). 

Tenho uma fotografia, que tirei no Bento à noite com um grupo quase familiar.

São todos do Porto. Três são do BCAV 1915, que fui render em setembro de 1967. Da esquerda para a direita (foto acima): Nelson, furriel mil amanuense; a seguir eu, Vt; depois um furriel que trabalhava com o Nelson de que não me lembro do nome; o alf mil Alberto Fontão, comandante de um PINT [Pelotão de Intendência]; e a seguir o alf SAM, como eu, do CA do BCAÇ 1915, de seu nome Fragateiro que foi para Bula.

Temos um grupo no WhatsApp que partilhamos e fazemos 6 almoços (por ano).

Para já não me lembro de mais nada. Abraço e vou dormir

Virgílio Teixeira

2. Comentário do editor LG:

Vt, num poste anterior disseste que o teu amigo, Alberto Fontão, tinha sido c0mandante de um Pelotão de Intendência (PINT)... E agora dizes que integrou uma Companhia de Transportes... Houve pelo menos 6 companhias de transportes, no CTIG, desde 1964:; a primeira a CTransp 735 (1964/66) e a última, a CTransp 9040/72 (1973/74).

É mais provavável que ele tinha estado num PINT. Era importante saber o nº desse PINT.  Havia, de facto, pouca interação da malta do mato  com os camaradas da Intendência.

Vê se descobres algo mais sobre a subunidade em que o Alberto  Fontão esteve. E, se possível, em que data desembarcou em Bissau.  

Nalguns portos fluviais, como Bissau, Mansoa, Farim, Bambadinca, Buba  e Catió, por exemplo, havia destacamentos de Intendências, guarnecidos por PINT (além do BINT -Batalhão de Intendência, com sede em Bissau, que era casa-mãe). 

O serviço de intendência era o "back office" da guerra, tal com os CA dos batalhões, a que tu pertenceste...

Julgo que o único comandante de um PINT que temos na Tabanca Grande é o João Lourenço,  ex-alf il SAM, PINT  9288 (Cufar, 1973/74), que mora na Figueira da Foz. 

Não vai ser fácil descobrir malta que tenha conhecido o teu amigo Alberto Fontão,  para mais tendo ele regressado à metrópole, sem completar o tempo de comissão. Mas aqui fica o apelo (e o convite, para ele integrar a Tabanca Grande).
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 28 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27965: Em busca de ... (333): José Serafim Gonçalves procura camaradas da CCAÇ 417 que esteve em Empada, Bissau e Cabo Verde nos anos de 1963 e 1964